Em 30 segundos
36 dias. Um protesto contra cotas em concursos virou a revolta que levou Sheikh Hasina a renunciar e fugir; a ONU estima até 1.400 mortos.
Dezenas de nomes na coordenação. Quando a internet caiu e os líderes foram presos, outros assumiram e passaram as demandas a jornalistas por SMS e telefone.
Líderes públicos com substitutos, um calendário simples e um plano para agir sem internet. Na eleição de 2026, o partido dos estudantes teve 3,05%.
Os primeiros passos
- Escolher os coordenadores de frente e dois substitutos para cada um
- Escrever a regra de sucessão e a regra “declaração sob coação não vale”
- Abrir um único canal oficial e fixar as regras
Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos
Quem fez
O movimento teve rostos públicos e uma rede grande de coordenadores por trás.
O movimento teve rostos públicos e uma rede grande de coordenadores por trás. Abaixo, quem fez ou documentou o trabalho e contou como foi: as fontes principais do playbook.
Nahid Islam
Coordenador dos Estudantes Contra a Discriminação; depois ministro interino e líder do NCP
Estudante de sociologia da Universidade de Daca, foi sequestrado e torturado em 19 de julho, anunciou em 3 de agosto a demanda única pela renúncia de Hasina e, em 2026, se elegeu deputado.
FontesAsif Mahmud Shojib Bhuyain
Coordenador; depois ministro interino
Anunciou pelo Facebook o “Complete Shutdown” de 18 de julho e, em agosto, a antecipação da marcha sobre Daca para o dia 5; em 2025 depôs no tribunal sobre a sua detenção.
FontesAbdul Kader
Coordenador que assumiu quando os líderes foram presos
Escondido e sem internet, ditou a jornalistas por telefone e SMS, ponto a ponto, a pauta de nove demandas e depois propôs a demanda única.
FontesRifat Rashid e Mahin Sarker
Coordenadores que ficaram livres
Rejeitaram em público o vídeo de desmobilização que os seis coordenadores detidos foram obrigados a gravar e convocaram novas ações, como a dos panos vermelhos.
FontesNusrat Tabassum
Coordenadora na Universidade de Daca
Na noite de 14 de julho tirou estudantes das residências femininas para um protesto; foi a única mulher entre os seis coordenadores detidos pela polícia.
FontesDebashish Chakrabarty
Artista bangladês radicado nos EUA
Desenhou mais de cem cartazes em julho de 2024 e pediu que fossem copiados; artistas anônimos os reproduziram nos muros de todo o país.
FontesDigitally Right e OONI
Pesquisadores de direitos digitais
Reconstruíram dia a dia, com medições técnicas, cada corte e bloqueio de internet entre 14 de julho e 5 de agosto.
FontesMissão de apuração do ACNUDH (ONU)
Investigação de direitos humanos
Com mais de 230 entrevistas confidenciais, estimou até 1.400 mortos e encontrou indícios de que a repressão foi dirigida pela liderança política.
FontesMahfuz Alam
Estudante apontado como figura-chave do levante; depois assistente especial de Muhammad Yunus
Yunus o apresentou na Clinton Global Initiative, em setembro de 2024, como “arquiteto-chave” dos protestos; ele próprio sempre insistiu que não agiu sozinho e que muitos outros participaram.
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que coordenadores, artistas e pesquisadores disseram sobre o próprio trabalho.
O que coordenadores, artistas e pesquisadores disseram sobre o próprio trabalho. Paráfrases, com citações curtas quando essenciais. São relatos pessoais; nem todos foram verificados de forma independente.
Depois do veredito de 5 de junho, começou a conversar com estudantes na Biblioteca Central; o movimento se espalhou pelos campi com reuniões online e campanhas no Facebook que montaram uma rede nacional.
Nahid Islam, The Business Standard / BSS, Determination of resistance brings victory (30 jun. 2025)
Com o toque de recolher de 4 de agosto, esperavam outro corte da internet e temiam não conseguir mais dar instruções; por isso anteciparam a convocação final para o dia 5.
Nahid Islam, Prothom Alo, entrevista (5 ago. 2026)
Sem internet, mandou as demandas por SMS uma a uma, porque não cabiam numa só mensagem, com um chip novo; jornalistas anotavam enquanto ele ditava.
Abdul Kader, Dhaka Tribune, Coordinator Abdul Kader recounts how 9-point charter of demands emerged (27 set. 2024)
Toda noite saía às 21h, andava cerca de dois quilômetros, ligava o celular simples para falar com a imprensa, desligava e voltava; dormia às vezes numa mesquita.
Abdul Kader, The Business Standard, Abdul Kader: The mastermind behind the nine-point demand (17 ago. 2024)
Mais 6 citações
Lembrou a regra que Asif Mahmud tinha dado: quem está no campo lidera. Rejeitar o vídeo dos detidos não era desconfiança, era a circunstância — mas teve medo de que ninguém ouvisse.
Rifat Rashid, Relato reunido na Wikipédia, Rifat Rashid
Na expulsão da Liga Chhatra das residências, Nahid lhe disse para não ir à conversa com um agente de inteligência e anunciar o próximo programa: “Vai para casa.”
Asif Mahmud, Prothom Alo, July mass uprising's 1st year, a partir do livro de Asif Mahmud (17 jul. 2025)
Contou ao tribunal que a polícia obrigou seis coordenadores a ler, diante da câmera, um texto encerrando o movimento; foram soltos depois de uma greve de fome.
Asif Mahmud, The Business Standard, depoimento ao Tribunal de Crimes Internacionais (9 out. 2025)
Rejeitando um dia de luto oficial, um comunicado pediu que as pessoas cobrissem o rosto com um pano vermelho e postassem a foto no dia seguinte.
Mahin Sarker, The Daily Star, July 29, 2024: Protesters return, undeterred (28 jul. 2025)
Não acha que houve erro catastrófico, mas lamenta ter dependido dos partidos: deviam ter se organizado rápido como partido próprio. Queriam “mudança do sistema”, não só troca de poder.
Nahid Islam, Prothom Alo, entrevista (5 ago. 2026)
O apagão travou a coordenação e escondeu a repressão, mas quando a conexão voltou ativistas pediram que todos subissem provas com metadados; ver os vídeos dissipou o medo e levou mais gente à marcha.
Hosna J. Shewly (pesquisadora), Dialogues on Digital Society, Internet blackouts and digital authoritarianism (set. 2025)
A história
Começou com uma decisão judicial sobre cotas e uma frase do poder.
Começou com uma decisão judicial sobre cotas e uma frase do poder. Em seis semanas, os tiros contra estudantes transformaram uma pauta técnica numa exigência só: que Hasina saísse.
- 36 dias
- do lançamento do movimento (1.º jul.) à renúncia de Hasina (5 ago. 2024)oficial
- até 1.400
- mortos, segundo a ONU; 12 a 13% eram criançasestimativa
- 5 dias
- de apagão total da internet no país, de 18 a 23 de julhoestudo
- 11.700+
- pessoas presas ou detidas, segundo a ONUestudo
Do campus ao 36 de julho, e depois
- 5 jun.O Tribunal Superior anula a abolição das cotas feita em 2018. No mesmo dia começam protestos nas universidades.
- 1–7 jul.Nasce a plataforma Estudantes Contra a Discriminação, com quatro demandas; em 7 de julho, o “Bangla Blockade” fecha estradas e ferrovias. No dia 8, a coordenação tem 23 coordenadores e 42 adjuntos.
- 14–16 jul.Hasina pergunta em público se as cotas deviam ir para os “netos dos razakars” (colaboracionistas de 1971); os estudantes tomam a frase como insulto e saem das residências à noite em protesto. Em 16 de julho, Abu Sayed é morto pela polícia em Rangpur, desarmado; seis morrem nesse dia.
- 17–18 jul.Estudantes expulsam a Liga Chhatra das residências; a universidade é fechada. Asif Mahmud convoca pelo Facebook o “Complete Shutdown”. Em 18 de julho, o país fica sem internet; Mir Mugdho é morto ao distribuir água.
- 19–21 jul.Toque de recolher. Nahid Islam é sequestrado e torturado. Abdul Kader dita a jornalistas as nove demandas. Em 21 de julho, a Suprema Corte manda reservar 93% das vagas ao mérito.
- 26 jul.–1 ago.A polícia leva seis coordenadores, inclusive do hospital, e os obriga a gravar o fim do movimento. Os que estão livres rejeitam o vídeo; os detidos fazem greve de fome e são soltos em 1.º de agosto.
- 3–5 ago.Na Shaheed Minar, Nahid anuncia a demanda única e a não cooperação. Em 4 de agosto, pelo menos 97 mortos e a internet de novo cortada; a marcha sobre Daca é antecipada para o dia 5. Hasina renuncia e foge para a Índia.
- 8 ago. 2024Muhammad Yunus toma posse à frente de um governo interino; Nahid Islam e Asif Mahmud entram como ministros (“conselheiros”).
- fev. 2025Em 12 de fevereiro, a ONU publica a sua investigação. No dia 28, estudantes e aliados lançam o Partido Nacional dos Cidadãos (NCP), com Nahid como coordenador-geral.
- nov. 2025–fev. 2026Em 17 de novembro, Hasina é condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade. Em 12 de fevereiro de 2026, o BNP vence a eleição com 209 cadeiras; o NCP, aliado ao Jamaat, fica com 6, e a Carta de Julho é aprovada em referendo.
Três camadas
Não havia um centro único, mas havia nomes e funções em três camadas; quando uma caía, as outras seguiam.
- Coordenação pública e substituívelUma lista crescente de coordenadores (65 em 8 de julho, 158 em 3 de agosto) anunciava programas com data. Quando os primeiros foram presos, os seguintes assumiram, com a regra “quem está no campo lidera”.
- Campi e bairrosUniversidades públicas, depois privadas, escolas e madraçais, professores e moradores; cada campus e cada bairro organizava o seu ponto de encontro, a sua reunião noturna, a sua proteção.
- Fora da redeSMS, ligações, pen drives para a imprensa estrangeira, muros pintados, músicas, a diáspora e um arquivo de provas subido quando a conexão voltava.
O que não se sabe. Os números variam com a fonte: o governo interino oficializou 834 mortos em janeiro de 2025; a ONU estima até 1.400, incluindo 44 policiais; o próprio movimento fala em mais.
Muitos relatos deste playbook são de coordenadores e não foram verificados de forma independente. Um exemplo é o papel da Shibir, organização estudantil islamista, que Abdul Kader diz ter ajudado a redigir e distribuir as nove demandas. A participação na eleição de 2026 aparece como 59,4% ou 59,9%, e o resultado do referendo da Carta de Julho aparece com números diferentes em duas reportagens da Al Jazeera, ambas com dados parciais da comissão eleitoral; o que coincide é que o “sim” venceu. Ninguém consegue isolar o peso de cada fator (rua, apagão que saiu pela culatra, posição do exército) na queda de Hasina.
O terreno
Um governo no poder havia 15 anos, eleições com pouca participação, campi controlados pelo partido do governo e um Estado capaz de desligar…
Um governo no poder havia 15 anos, eleições com pouca participação, campi controlados pelo partido do governo e um Estado capaz de desligar a internet do país inteiro. Saber isso ajuda a escolher o que trocar no seu país.
Plataformas
- A principal praça pública: os coordenadores anunciavam cada programa em posts e páginas, e foi por um post que Asif Mahmud convocou o “Complete Shutdown” de 18 de julho, pouco antes do corte.
- Reuniões online (Zoom, Discord)
- Coordenadores de frente se reuniam à meia-noite por vídeo para decidir; estudantes de universidades privadas faziam chamadas noturnas no Discord com as faculdades vizinhas.
- Messenger, WhatsApp, Telegram
- Coordenação de grupos e listas até serem bloqueados: a ordem oficial de 24 a 31 de julho incluía Facebook, Messenger, WhatsApp, Telegram, Signal, Viber e outros.
- SMS, ligações e celular simples
- Com o apagão, a pauta de nove demandas saiu por SMS e por ditado telefônico a jornalistas; encontros eram marcados por ligação com palavras-código.
- VPN e servidores locais (BDIX)
- VPNs devolveram parte do acesso quando a banda larga voltou, até serem bloqueadas; estudantes usaram servidores domésticos de troca de tráfego, ainda acessíveis por Wi-Fi, como salas de notícias improvisadas.
- Apps em malha (Bridgefy, Briar)
- Mensagens por Bluetooth ou Wi-Fi sem internet, com alcance de cerca de 100 metros; circularam como alternativa, sem dados sobre o uso real.
- Muros, cartazes e música
- Cartazes digitais copiados com spray nas paredes de Daca e canções de rap e rock que somaram milhões de visualizações (como “Awaaz Utha”, de Hannan, preso por causa da música, e “Kotha Ko”, de Shezan) levavam a mensagem por onde a rede não chegava.
- Diáspora
- Protestos em pelo menos oito países, amplificação na imprensa internacional e apoio para guardar provas com metadados; nos Emirados, trabalhadores que protestaram foram condenados.
Condições locais
- Sheikh Hasina governava havia 15 anos; a eleição de 2024 teve perto de 42% de participação, contra quase 60% na de 2026, segundo a comissão eleitoral.
- As cotas em concursos públicos já tinham caído com protestos estudantis em 2018; a decisão do Tribunal Superior de 5 de junho de 2024 que as restabeleceu reabriu a ferida.
- Nos campi públicos, as residências estudantis eram controladas pela Liga Chhatra, braço estudantil do partido do governo; expulsá-la em 17 de julho foi um ponto de virada.
- O Estado podia cortar a internet em camadas: primeiro em volta das universidades, depois os dados móveis, depois todo o país, por ordens à agência reguladora e às operadoras.
- Histórico de desaparecimentos forçados e de leis antiterrorismo usadas contra opositores; a ONU contou mais de 11.700 detidos em 2024.
- O exército pesou no desfecho: em 5 de agosto, o comandante proibiu as forças de atirar contra a multidão, e o próprio Nahid Islam diz que a queda dependeu dessa posição.
- Cerca de 15 milhões de cidadãos vivem fora, segundo a comissão eleitoral; na não cooperação de agosto, o movimento pediu aos emigrantes que suspendessem as remessas pelos bancos.
O método
O “espontâneo” tinha uma estrutura simples: nomes públicos com substitutos, um calendário de programas e a decisão de não parar quando a rede caía.
O “espontâneo” tinha uma estrutura simples: nomes públicos com substitutos, um calendário de programas e a decisão de não parar quando a rede caía. As demandas subiram à medida que a repressão aumentava.
Três frentes
- Liderança à vista, mas substituível
- Coordenadores com nome e rosto davam legitimidade e uma voz clara; uma lista longa e crescente garantia que prender três ou seis não parasse nada. A regra de sucessão ficava escrita antes.
- Um programa por dia
- Cada anúncio tinha nome, data e lugar: bloqueio, “Complete Shutdown”, panos vermelhos, marcha.
- Funcionar sem internet
- Antecipar o corte, mudar datas antes dele, ter canais de reserva fora da rede e guardar provas para publicar quando a conexão volta.
O ciclo de uma escalada
O mesmo ciclo se repetiu de junho a agosto, cada volta com uma demanda maior.
- Reagir ao fato Uma decisão judicial, uma frase do poder, uma morte: o movimento responde em horas, com uma leitura comum do que aconteceu.
- Decidir em pequeno grupo Reunião noturna dos coordenadores de frente, online ou em pessoa, para definir o próximo programa e a demanda.
- Anunciar com data Um rosto conhecido anuncia nome, dia, hora e lugar, pelo canal oficial do movimento e pela imprensa.
- Ocupar Campus, estrada, praça simbólica; cada lugar com a sua coordenação local.
- Documentar Filmar, guardar com metadados, identificar vítimas com consentimento, entregar a advogados e à imprensa.
- Substituir quem cai Quando um coordenador é preso, o seguinte da lista assume e diz em público que declarações sob coação não valem.
- Escalar a demanda Das cotas às nove demandas de responsabilização e, depois de semanas de mortes, à demanda única.
- Antecipar o próximo corte Mandar as instruções antes do apagão e combinar onde e quando todos se encontram mesmo sem rede.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para manter um movimento de protesto pacífico funcionando sob repressão e cortes de internet.
O que é preciso para manter um movimento de protesto pacífico funcionando sob repressão e cortes de internet. Use-o para uma causa legítima e dentro das regras desta página: o caso de Bangladesh mostra também quanto pode custar.
Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Em Bangladesh, a coordenação cresceu de 65 para 158 nomes em menos de um mês. Mais nomes significam mais substitutos. Escreva a lista de sucessão antes de precisar dela.
Funções
- Coordenadores de frente
- Poucos rostos públicos que anunciam programas e falam com a imprensa. Cada um com pelo menos dois substitutos nomeados.
- Coordenadores de reserva
- Ficam fora dos holofotes e da rua mais perigosa. Assumem quando os de frente são presos e têm os contatos da imprensa.
- Coordenação por campus ou bairro
- Organiza o ponto de encontro local, a reunião noturna e a proteção de quem vai, e repassa o programa do dia.
- Ligação com a imprensa
- Lista de jornalistas de confiança com telefone fixo ou celular simples; sabe ditar um comunicado e entregar um pen drive.
- Conectividade
- Prepara VPNs, apps sem internet e um plano de comunicação por SMS e ligação; ensina a usar antes do corte.
- Arquivo de provas
- Recebe vídeos e testemunhos, preserva metadados, guarda cópias em dois lugares e entrega a advogados, à imprensa e a investigadores.
- Cuidado e apoio jurídico
- Lista de médicos e advogados, acompanhamento de feridos, detidos e famílias, inclusive de coordenadores presos.
- Arte e cultura
- Cartazes livres para copiar, muros, músicas: levam a mensagem quando a rede cai.
Ritmo
- Todas as noitesReunião curta dos coordenadores de frente para decidir o programa do dia seguinte.
- Antes da meia-noiteAnúncio público do programa: nome, data, hora, lugar, regras de conduta.
- Durante o diaCoordenação local na rua; registro de feridos, detidos e abusos.
- Quando cai alguémO substituto assume em horas e diz em público quem fala agora pelo movimento.
- Antes de um corte previsívelInstruções completas enviadas com antecedência; data e ponto de encontro fixados para valer mesmo sem rede.
- Toda manhãContar o que aconteceu fora da tela: em quantos campi e bairros o programa de ontem saiu de fato, quantos detidos já têm advogado, quantas provas novas entraram no arquivo.
Em Bangladesh, o anúncio de 4 de agosto antecipou a marcha em um dia porque os coordenadores esperavam outro apagão.
Plano B
- Lista de sucessão escrita: cada coordenador com dois substitutos que sabem que o são.
- Combinar antes que vídeos e declarações gravados sob detenção não valem, e dizer isso em público.
- Celular simples e chip separado para quem fala com a imprensa; contatos de jornalistas em papel.
- VPNs instaladas e testadas antes do corte, com mais de uma opção, porque também são bloqueadas.
- Ponto de encontro e horário fixos que valem mesmo sem nenhuma mensagem nova.
- Cópias das provas fora do país, com quem possa publicar se a rede ficar fechada.
Tecnologia
Quase tudo é gratuito. O que custa é preparar antes: quando a internet cai, já não dá para instalar nada.
- Página pública do movimento (Facebook ou equivalente)Grátis
Um único canal oficial para anunciar programas e desmentir boatos. Fixe no topo a regra: só vale o que sai aqui ou da boca de um coordenador conhecido.
- Grupos por campus e bairro (WhatsApp, Messenger, Telegram)Grátis
Coordenação local, com admins de confiança. Conte que podem ser bloqueados ou infiltrados.
- Reunião online (Zoom, Jitsi, Discord)Grátis
Reunião noturna dos coordenadores; decisões resumidas por escrito, sem dados sensíveis.
- SMS e celular simplesCusto de chip e crédito
Funciona quando os dados móveis caem. Comunicados curtos, divididos em partes numeradas, para jornalistas e coordenadores.
- VPN (várias opções)Grátis a baixo custo
Para recuperar acesso quando só algumas plataformas estão bloqueadas. Instale e teste antes; tenha mais de uma.
- Apps sem internet (Briar, Bridgefy)Grátis
Mensagens por Bluetooth ou Wi-Fi a curta distância, úteis numa praça ou num campus. Alcance pequeno; não substituem o plano de SMS.
- Mensageiro cifrado (Signal)Grátis
Para os coordenadores: mensagens temporárias e nada de listas de nomes em grupos abertos.
- Medição de bloqueios (OONI Probe)Grátis
Mostra com dados quando e onde a internet foi cortada ou uma plataforma bloqueada. Serve de prova para depois.
- Arquivo seguro de provasGrátis a baixo custo
Canal de envio que preserva metadados (GlobaLeaks, e-mail cifrado) e cópias em dois lugares, uma fora do país.
- Cartazes livres para copiarGrátis
Arquivos de imagem simples, em alta resolução, com permissão explícita para copiar, para imprimir, pintar ou repostar.
- Mapa de programas e pontos de encontroGrátis
Lista pública de datas, horários e locais de cada ação, atualizada pelo canal oficial.
Colunas do arquivo de provas
Data e hora · Local · O que o material mostra · Quem registrou (codinome) · Metadados preservados (sim/não) · Consentimento das pessoas visíveis · Onde está guardado (duas cópias) · Entregue a (advogados, imprensa, ONU)
Custo de software: quase zero. Custos: chips e crédito, celulares simples, armazenamento seguro e o tempo de médicos, advogados e pessoas que guardam as provas.
Comunicação
O tom é o de um anúncio: um programa por vez, com data e lugar, dito por um rosto conhecido. A identidade é estudantil e coletiva; a demanda cresce à medida que o governo responde com violência.
A fórmula de um anúncio de programa
- O nome Curto e repetível: “Bangla Blockade”, “Complete Shutdown”, marcha sobre Daca.
- Quando e onde Dia, hora e lugar, válidos mesmo que a internet caia.
- Por quê O fato que justifica a ação: a decisão, a morte, a prisão.
- Como Regras de conduta pacífica, o que levar, onde encontrar médicos e advogados.
- Quem confirma O canal oficial e os nomes dos coordenadores que falam pelo movimento hoje.
Regras de escrita
- Um programa por anúncio. Se tem duas ações, são dois anúncios.
- Data e lugar primeiro; o resto vem depois.
- Nomeie as vítimas só com o consentimento da família, e lembre-as sempre.
- Demandas curtas e numeradas, que caibam num SMS.
- Diga em público quem fala pelo movimento e o que não vale (declarações sob coação).
- Nunca incite violência nem vingança, nem contra quem atirou.
- Desminta boatos só pelo canal oficial e com prova.
- Humor, música e arte também são mensagem: deixe a cultura copiar e remixar.
Exemplo
Programa de amanhã: [nome]. [Dia], [hora], [lugar]. Por quê: [fato com data]. Pacífico, sem armas; leve água e o número do advogado escrito no braço: [número]. Se a internet cair, o programa continua de pé. Só vale o que sai em [canal oficial] ou dos coordenadores [nomes]. Coordenação dos Estudantes Contra a Discriminação.
Levar para o seu contexto
O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado.
O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado. Escolha o seu país no topo do toolkit para ver as ferramentas equivalentes.
Funciona em qualquer lugar
- Liderança com nome e rosto, mas com lista de sucessão escrita.
- Um calendário de programas simples, um por dia, com nome, data e lugar.
- Combinar antes que declarações feitas sob detenção não valem.
- Preparar o apagão antes dele: canais de reserva, instruções antecipadas, pontos fixos.
- Documentar e guardar provas desde o primeiro dia, com metadados e consentimento.
- Deixar a cultura (cartazes, músicas, humor) copiar e espalhar a mensagem.
- Demandas curtas que crescem com os fatos, não com a vontade de quem anuncia.
- Planejar o dia seguinte: quem governa, que estrutura fica, como se decide.
Depende do contexto
- Facebook como praça pública
- Use a plataforma onde o seu público realmente está (Instagram, TikTok, X, VK, um canal de Telegram) e mantenha um único canal oficial.
- Servidores BDIX
- Descubra se o seu país tem redes internas que continuam funcionando sem internet internacional: intranet da universidade, rede de bairro, Wi-Fi local.
- Residências estudantis
- Em Bangladesh, quem controlava as residências controlava o campus. Identifique os espaços físicos onde o seu público vive e se encontra.
- Shaheed Minar
- Escolha um lugar simbólico que todos conheçam e onde se possa chegar a pé, para os anúncios decisivos.
- Diáspora e remessas
- Mapeie a sua diáspora e o que ela pode fazer com segurança: imprensa, arquivos, protestos legais. Verifique as leis do país onde vivem antes de pedir que protestem.
- O exército que não atira
- Não se pode planejar com isso. Conheça as forças de segurança do seu país e o que as leva a recusar ordens, mas proteja as pessoas como se não fossem recusar.
- As cotas
- O gatilho foi uma injustiça concreta sentida por uma geração inteira. Encontre a sua, e saiba que, em Bangladesh, foram as mortes que transformaram a pauta.
Jogadas para levar
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit. Cada uma funciona sozinha ou combinada com jogadas de outros playbooks.
-
Rostos públicos com lista de sucessão
Coordenadores com nome e rosto anunciam e falam com a imprensa, e cada um tem substitutos que assumem em horas se ele for preso, com uma regra combinada antes: declaração feita sob detenção não vale. Em Bangladesh, a coordenação cresceu de 65 para 158 nomes; quando os líderes foram presos, Abdul Kader ditou as nove demandas a jornalistas e os coordenadores livres rejeitaram o vídeo de desmobilização gravado pelos detidos.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando o movimento precisa de uma voz clara e legítima e o governo pode prender, sequestrar ou coagir quem lidera.
- Não use quando
- Não funciona se a sucessão é improvisada na hora: sem nomes e regras escritos antes, cada prisão abre uma disputa ou um silêncio.
- Semana −6 Escolher os coordenadores de frente e dois substitutos para cada um
- Semana −6 Escrever a regra de sucessão: quem está no campo lidera
- Semana −6 Combinar e dizer em público que declarações feitas sob detenção não valem
- Semana −5 Manter coordenadores de reserva fora dos holofotes, com os contatos da imprensa
- Semana −4 Publicar no canal oficial quem fala pelo movimento hoje
- Semana −2 Quando alguém cair, o substituto assume em horas e diz isso em público
- Semana −1 Ampliar a lista de coordenadores à medida que o movimento cresce
Equipe
- Coordenadores de frente: anunciam os programas e falam com a imprensa
- Coordenadores de reserva: ficam longe da rua mais perigosa e assumem se os outros caírem
- Cuidado e apoio jurídico: acompanham detidos e famílias, inclusive de coordenadores presos
O que medir: Horas entre a prisão de um coordenador e o primeiro anúncio público do substituto, e coordenadores que têm de fato dois substitutos que já sabem que o são.
Riscos a vigiar: Ser rosto público pode custar caro (Nahid Islam foi sequestrado e torturado): só quem aceita o risco, com linha jurídica pronta, e nunca listas de nomes em grupos abertos.
-
Um programa por dia, com nome, data e lugar
Uma reunião noturna decide o programa seguinte e um rosto conhecido o anuncia antes da meia-noite, com nome curto, dia, hora, lugar e regras de conduta, para que milhões ajam sem reunião nenhuma. Em Bangladesh, foi assim do “Bangla Blockade” ao “Complete Shutdown”, dos panos vermelhos à marcha sobre Daca, com as demandas crescendo das cotas às nove demandas e à demanda única.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando muita gente quer agir em lugares diferentes e precisa de uma ação clara por vez, que caiba num SMS.
- Não use quando
- Não funciona com várias ações no mesmo anúncio nem com demandas que crescem pela vontade de quem anuncia, e não pelos fatos.
- Semana −5 Escrever demandas curtas e numeradas, que caibam num SMS
- Semana −5 Escolher um lugar simbólico, aonde se chega a pé, para os anúncios decisivos
- Semana −5 Fazer toda noite a reunião curta dos coordenadores de frente para decidir o programa
- Semana −5 Anunciar antes da meia-noite: nome, dia, hora, lugar e regras de conduta
- Semana −4 Manter a lista pública de programas e pontos de encontro no canal oficial
- Semana −3 Toda manhã, contar em quantos campi e bairros o programa saiu de fato
- Semana −1 Escalar a demanda só quando os fatos mudam, num anúncio próprio
Equipe
- Coordenadores de frente: decidem e anunciam o programa do dia seguinte
- Coordenação por campus ou bairro: organiza o ponto de encontro e a proteção local
- Canal oficial: publica o programa, mantém a lista de pontos e desmente boatos
O que medir: Campi e bairros onde o programa de ontem aconteceu de fato, relatados pelas coordenações locais na manhã seguinte. As curtidas do anúncio não contam.
Riscos a vigiar: Um chamado à vingança dá ao governo o pretexto para mais força: cada anúncio repete as regras de protesto pacífico e desarmado, e pede justiça, não represália.
-
Plano para funcionar sem internet
Antes do corte, o movimento instala VPNs, distribui celulares simples e chips, guarda os contatos da imprensa em papel e fixa pontos e horários que valem sem nenhuma mensagem nova. Em Bangladesh, o país ficou cinco dias sem internet; Abdul Kader mandou as demandas por SMS, uma a uma, e em 4 de agosto a marcha foi antecipada para o dia 5, antes do novo corte.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona onde o governo já cortou ou pode cortar a internet, os dados móveis ou plataformas inteiras.
- Não use quando
- Não funciona se for preparado depois do corte: quando a internet cai, já não dá para instalar nada nem avisar ninguém.
- Semana −3 Instalar e testar duas ou mais VPNs em todos os coordenadores
- Semana −3 Dar celular simples e chip separado a quem fala com a imprensa
- Semana −3 Imprimir a lista de jornalistas de confiança e de coordenadores
- Semana −3 Testar um app sem internet num ensaio no campus
- Semana −2 Combinar ponto e horário fixos que valem mesmo sem nenhuma mensagem nova
- Semana −1 Quando um corte for previsível, mandar as instruções completas antes dele
- Semana do dia D Sem rede, ditar comunicados por telefone ou SMS em partes numeradas
Equipe
- Conectividade: prepara VPNs, apps sem internet e o plano de SMS e ensina antes do corte
- Ligação com a imprensa: tem os jornalistas em papel e sabe ditar um comunicado
- Coordenação local: garante que todos sabem o ponto e a hora fixos
O que medir: Coordenações locais que fizeram um ensaio de corte (VPN testada, celular simples com chip, lista em papel) antes do primeiro apagão, e programas que aconteceram mesmo durante um corte.
Riscos a vigiar: Um celular apreendido pode pôr alguém na prisão e VPNs também são bloqueadas: nada de listas de nomes em grupos abertos, mensagens temporárias no Signal e mais de uma opção de acesso.
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Arquivo de provas com metadados
Quem filma manda o arquivo original para um canal que preserva data e local; o arquivo registra consentimento, guarda duas cópias (uma fora do país) e entrega a advogados, à imprensa e a investigadores. Em Bangladesh, quando a conexão voltou, ativistas pediram que todos subissem as provas com metadados; ver os vídeos dissipou o medo e levou mais gente à marcha, e a missão da ONU fez mais de 230 entrevistas.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona desde o primeiro dia de qualquer protesto em que haja risco de repressão, apagão ou versões oficiais falsas.
- Não use quando
- Não funciona se o material circula editado em grupos abertos: perde o valor de prova e pode expor quem aparece.
- Semana −4 Abrir um canal de envio que preserva metadados, com cópia fora do país
- Semana −4 Explicar a todos como filmar e guardar o arquivo original
- Semana −4 Rodar o OONI Probe para registrar cada corte e bloqueio
- Semana −3 Registrar cada material: data, local, o que mostra, consentimento e onde está
- Semana −2 Nomear vítimas só com o consentimento da família
- Semana −1 Quando a conexão voltar, entregar as provas a advogados e à imprensa
- 2 semana(s) depois Depois, entregar o arquivo a investigadores independentes
Equipe
- Arquivo de provas: recebe vídeos e testemunhos e guarda cópias em dois lugares
- Cuidado e apoio jurídico: usa as provas para defender detidos e famílias
- Diáspora: guarda a cópia de fora e publica se a rede ficar fechada
O que medir: Provas com metadados preservados e consentimento registrado que foram de fato entregues a advogados, à imprensa ou a investigadores independentes.
Riscos a vigiar: Imagens podem expor feridos e manifestantes: cubra rostos quando houver risco, mostre só com autorização e nunca deixe o arquivo num único celular.
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Regras para o dia seguinte à vitória
Antes de vencer, o movimento decide como vai condenar represálias, proteger minorias e organizar a fase seguinte, com regras de decisão e contas públicas. Em Bangladesh, a coordenação exigiu justiça pelos ataques a minorias em 13 de agosto, mas sem estrutura própria a energia se dispersou: comitês locais foram suspensos depois de um caso de extorsão e o NCP teve 3,05% dos votos em 2026.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a vitória pode chegar de repente (uma renúncia, uma queda) e deixa um vazio de poder e de raiva.
- Não use quando
- Não funciona se a estrutura fica para depois, confiando que partidos e comissões vão fazê-la: a janela fecha depressa.
- Semana −2 Escrever antes quem decide, como e com que prestação de contas depois da vitória
- Semana do dia D No dia da vitória, condenar em público qualquer represália
- Semana do dia D Organizar com as coordenações locais a proteção de locais de culto e de minorias
- 1 semana(s) depois Acompanhar feridos, detidos e famílias
- 2 semana(s) depois Publicar regras de decisão e de prestação de contas para a nova fase
- 4 semana(s) depois Montar uma base própria fora da capital antes de disputar eleições
Equipe
- Coordenadores de frente: condenam represálias e dizem qual é a próxima fase
- Coordenação por campus ou bairro: organiza turnos de proteção nos locais em risco
- Comissão de contas: publica decisões, finanças e casos de má conduta
O que medir: Locais de culto e bairros de minorias com turnos de proteção feitos pelas coordenações locais nos dias seguintes, e casos de represália levados à justiça com prova.
Riscos a vigiar: Publicar listas de apoiadores do antigo governo é incitação, e sem contas públicas as suspeitas destroem a reputação: justiça cabe a tribunais, e cada caso interno se resolve às claras.
Praticar
Treine com as missões e situações do caso.
Decida como a coordenação
Seis momentos reais de 2024 e 2025. Escolha o que faria e veja o que aconteceu e o que a experiência ensina.
Plano de 5 semanas para um movimento que resiste ao apagão
Em Bangladesh, foram cinco semanas do lançamento à queda.
Em Bangladesh, foram cinco semanas do lançamento à queda. Este plano usa o mesmo tempo para montar a estrutura antes de ela ser testada. O progresso fica guardado neste navegador.
Semana 1: Estrutura
Semana 2: Demanda e calendário
Semana 3: Preparar o apagão
Semana 4: Proteger e documentar
Semana 5: Dias de rua
Depois
Regras
O movimento foi feito por milhões de pessoas desarmadas contra um Estado que atirou.
O movimento foi feito por milhões de pessoas desarmadas contra um Estado que atirou. Enganar, incitar ou se vingar dá razão a quem reprime.
- Protesto pacífico e desarmado
- O direito de reunião pacífica e sem armas é protegido pelo direito internacional e pela maioria das constituições. Sem violência contra pessoas ou bens, e sem armas improvisadas como plano.
- Sem vingança
- A ONU documentou ataques de multidões a policiais, militantes do partido deposto e minorias religiosas e étnicas depois de 5 de agosto. Quem lidera condena isso em público e protege os alvos.
- Só a verdade
- Nada de boatos, montagens ou deepfakes, mesmo contra um governo que mente. Cada fato com data, lugar e prova.
- Só gente real
- Nada de contas falsas, bots ou denúncias em massa para derrubar contas de outros.
- Consentimento nas imagens
- Feridos, mortos, menores e detidos só aparecem com autorização da pessoa ou da família. Cubra rostos quando houver risco.
- Segurança digital sem expor ninguém
- Nada de listas de nomes, endereços ou fotos de rostos em grupos abertos. O que pode ser apreendido num celular pode pôr alguém na prisão.
- Leis de quem está fora
- Trabalhadores bangladeses que protestaram nos Emirados foram condenados, três à prisão perpétua, antes de um indulto. Antes de convocar a diáspora, verifique a lei de cada país.
- Direito a advogado
- Quem é detido tem direito a advogado e a não ser torturado. Divulgue a linha jurídica antes de cada programa e denuncie detenções em público.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- O custo humano
- Até 1.400 mortos segundo a ONU, 12 a 13% deles crianças, milhares de feridos, mais de 400 estudantes que, segundo relatos, perderam a visão e mais de 11.700 detidos. Nenhuma estrutura de organização impede um Estado disposto a atirar.
- O exército decidiu o fim
- A posição do exército foi decisiva, segundo o próprio Nahid Islam; em 5 de agosto, o comandante proibiu as forças de atirar contra a multidão.
- Derrubar não é governar
- Os estudantes entraram num governo interino sem partido nem base. O NCP teve 3,05% dos votos e 6 cadeiras em fevereiro de 2026; o BNP, um partido tradicional, levou 209.
- Represálias e violência depois da vitória
- Ataques a policiais, militantes da Liga Awami e minorias, destruição de propriedades por membros da própria plataforma e, em dezembro de 2025, o assassinato do líder estudantil Sharif Osman Hadi.
- Agendas escondidas
- Coordenadores contam que a Shibir, organização estudantil islamista, ajudou a redigir e distribuir demandas. Uma coordenação aberta precisa de regras claras sobre quem participa e com que agenda.
- O poder atrai suspeitas depressa
- Em 2025, membros locais foram presos por tentativa de extorsão e a plataforma suspendeu os comitês regionais. Em setembro de 2026, a comissão anticorrupção abriu investigação sobre Asif Mahmud por suspeitas de lavagem de dinheiro e de irregularidades em licitações; ele nega as acusações e diz que têm motivação política, e nenhum tribunal decidiu nada.
- Justiça imperfeita
- Hasina foi condenada à morte à revelia em novembro de 2025 por crimes contra a humanidade; está na Índia, nega as acusações e chama o tribunal de parcial. A ONU lamentou a pena de morte e questionou se o julgamento cumpriu padrões de processo justo.
- O apagão também funciona
- Pesquisadores mostram que o corte travou a coordenação e escondeu a violência durante dias. Saiu pela culatra em parte, mas não é algo que se possa contar como certo.
Verificar
Cinco perguntas para confirmar o essencial.
Cinco perguntas para confirmar o essencial. Cada resposta traz a explicação.
Fontes
Este playbook foi construído com relatos de coordenadores estudantis, artistas e pesquisadores, a investigação da ONU e a imprensa de…
Este playbook foi construído com relatos de coordenadores estudantis, artistas e pesquisadores, a investigação da ONU e a imprensa de Bangladesh e internacional publicada entre julho de 2024 e agosto de 2026.
34 fontes
Quem fez
- Prothom Alo — entrevista com Nahid Islam: Interim govt might have found it tough to survive had student representatives not joined 5 ago. 2026
- The Business Standard / BSS — Determination of resistance brings victory during July uprising: Nahid 30 jun. 2025
- Prothom Alo — Coordinator Nahid picked up and tortured 24 jul. 2024
- Dhaka Tribune — Coordinator Abdul Kader recounts how 9-point charter of demands emerged 27 set. 2024
- The Business Standard — Abdul Kader: The mastermind behind the nine-point demand 17 ago. 2024
- The Business Standard — Asif Mahmud testifies at the International Crimes Tribunal (Chankharpul killings) 9 out. 2025
- Prothom Alo — July mass uprising's 1st year: Chhatra League pushed out, ‘complete shutdown’ announced 17 jul. 2025
- The Daily Star — July 29, 2024: Protesters return, undeterred 28 jul. 2025
- The Business Standard — July Uprising: The siege of BRAC University and the blackout that followed 17 jul. 2026
Dados
- ACNUDH (ONU) — UN human rights investigation may support accountability for Bangladeshi student protests 12 fev. 2025
- OONI e Digitally Right — The Longest Silence: Internet Shutdowns During Bangladesh's 2024 Uprising 31 jul. 2025
- Wikipédia — 2026 Bangladeshi general election (votos e cadeiras)
Imprensa
- Dhaka Tribune — UN report: 1,400 people killed in July uprising 12 fev. 2025
- BenarNews — UN Bangladesh report: Hasina directed use of deadly force during July-August protests fev. 2025
- The Daily Star — How Gen Z kept connected after the internet shutdown 5 ago. 2025
- Al Jazeera — Bangladesh tribunal sentences fugitive ex-PM Sheikh Hasina to death 17 nov. 2025
- Al Jazeera — Bangladesh's BNP claims landslide win in first election since 2024 uprising 13 fev. 2026
- Al Jazeera — Bangladesh election results 2026: Who won, who lost, what's next? fev. 2026
- Dhaka Tribune — Nahid Islam wins Dhaka-11 seat 13 fev. 2026
- NPR — Bangladesh Nationalist Party victory in first election since student uprising 13 fev. 2026
- The Business Standard — 'Bangladeshi students shook nation with commitment for change': CA tells Clinton Global Initiative 25 set. 2024
Análise
- Wikipédia — Rifat Rashid
- Wikipédia — Nusrat Tabassum
- Public Seminar — Rayna Salam, The Revolutionary Street Art of Bangladesh's 2024 Uprising 29 set. 2025
- Bangla Outlook — Walls that sing: Graffiti and music in Bangladesh's Long July Revolution 17 nov. 2024
- Dialogues on Digital Society — Hosna J. Shewly, Internet blackouts and digital authoritarianism 25 set. 2025
- Wikipédia — July Uprising (cronologia, números oficiais e diáspora)
- Wikipédia — Students Against Discrimination (composição da coordenação e evolução)
- Wikipédia — Non-cooperation movement (2024)
- International IDEA — Democracy Tracker: Bangladesh, novembro de 2025 nov. 2025
- International IDEA — Democracy Tracker: Bangladesh (2025–2026) abr. 2026
- Wikipédia — National Citizen Party
- Wikipédia — Asif Mahmud
- Wikipédia — Nahid Islam
Imagem: Rocky Masum, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado em 26 de outubro de 2026
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