DIYfor change
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Começar do zero

Ninguém começa sozinho.

Quase ninguém que abre um playbook tem um partido ou uma organização por trás, e nenhum dos casos deste site foi obra de uma pessoa só. Aqui você escolhe o veículo coletivo, define regras mínimas e vê o que a lei do seu país permite.

Quem começou do zero, país a país O meu kit

Por que um veículo coletivo

Ninguém fala sozinho em nome dos outros
Barcelona en Comú só virou candidatura depois de 30 mil assinaturas; na Sérvia, os plenos votavam tudo antes de alguém aparecer. Com regras, o grupo pode dizer “nós decidimos” e mostrar como decidiu.
Se uma pessoa cai, o grupo segue
Quando André Janones foi parar na UTI, o comando do canal parou. Em Bangladesh, a coordenação passou de 65 para 158 nomes em menos de um mês e, quando os líderes foram presos, outros assumiram.
Dinheiro e dados precisam de um titular
Conta bancária, doações, recibos e uma lista de contatos com consentimento exigem alguém legalmente responsável, de preferência uma entidade, não a sua conta pessoal. Os estudantes sérvios publicaram regras, finanças e candidatos no próprio site; as fundações georgianas que pagavam multas tiveram as contas congeladas em março de 2025. Saiba quem responde antes de receber o primeiro real.
Quem decide presta contas
No Nepal, os moderadores decidiam quem falava e ninguém prestava contas formalmente; no Quênia, os organizadores disseram que, se recomeçassem, criariam mais cedo mecanismos de decisão coletiva e de prestação de contas.

Seis veículos possíveis

Seis formas de se organizar, do grupo informal ao partido.
  • Grupo informal

    Um coletivo sem registro: pessoas que se juntam com um objetivo, um canal e regras combinadas entre si.

    Funciona quando
    Para começar já, testar uma ideia, convocar um protesto ou uma ação pontual.

    +

    Rápido, grátis, flexível e difícil de capturar; qualquer pessoa entra no mesmo dia.

    −

    Não pode abrir conta nem assinar contratos em nome próprio; quem assina responde pessoalmente; tende a depender de poucos e a se desfazer depois do pico.

    Global (começou na Suécia) 2018–2019 Quênia 2024 Geórgia 2024–2026 Bangladesh 2024 Reino Unido 2019–2026

  • Organização anfitriã

    Uma organização que já existe (sindicato, associação, ONG, grêmio ou centro acadêmico, paróquia ou igreja) abriga a campanha ou recebe o dinheiro por ela (patrocínio fiscal).

    Funciona quando
    Quando você precisa de conta, recibos, seguro ou credibilidade já, sem montar uma entidade.

    +

    Conta bancária, contabilidade, jurídico e reputação emprestados; rede de membros pronta.

    −

    A anfitriã responde por vocês e pode vetar; o estatuto dela pode proibir atividade político-partidária; sem acordo escrito, a lista e a marca ficam com ela.

    Nepal 2025 Polônia 2023 Nova York 2025 Nova York 2018

  • Associação registrada

    Uma pessoa jurídica sem fins lucrativos criada por vocês, com estatuto, assembleia, direção e conta própria.

    Funciona quando
    Quando a causa vai durar mais de uma eleição e vai lidar com dinheiro, contratos ou dados de muita gente.

    +

    Conta e contratos em nome da entidade, responsabilidade limitada, regras de decisão e de saída já previstas na lei.

    −

    Leva semanas e algum custo; exige atas, contas e obrigações fiscais; em geral não pode apresentar candidatos.

    Reino Unido 2017 Geórgia 2024–2026 Polônia 2023

  • Lista ou candidatura de cidadãos

    Um grupo de eleitores que apresenta candidatos sem partido, onde a lei permite, em geral com coleta de assinaturas e só para certas eleições.

    Funciona quando
    Para disputar uma eleição local (ou, em alguns países, nacional) sem entrar num partido.

    +

    Vai direto às urnas com uma marca própria e independente dos partidos.

    −

    Não existe em todos os países nem para todas as eleições; coleta de assinaturas demorada; costuma acabar depois da eleição, junto com a estrutura.

    Barcelona 2015 Sérvia 2026

  • Partido

    Uma organização registrada para disputar eleições: seja um partido que já existe e no qual vocês entram ou com quem negociam, seja um partido novo.

    Funciona quando
    Quando a lei exige filiação para ser candidato, ou quando a causa precisa de representação permanente.

    +

    Acesso a todas as eleições, a dados, a tempo de antena ou financiamento público onde houver, e a uma estrutura que dura.

    −

    Criar um é longo e caro; entrar num é aceitar a disciplina e as disputas internas dele; afasta quem não quer militar num partido.

    Nova Zelândia 2017 Estados Unidos 2008 Estados Unidos 2016–2020 Senegal 2024

  • Coalizão ou frente

    Várias organizações que fazem uma campanha comum sob uma só marca, cada uma mantendo a sua identidade.

    Funciona quando
    Num referendo, numa causa ampla ou quando nenhuma organização sozinha tem tamanho ou legitimidade.

    +

    Soma redes, dinheiro e credibilidade; cada parceiro fala ao seu público.

    −

    Lenta para decidir sem uma direção com poder; disputas de marca e de crédito; precisa de acordo escrito sobre dinheiro e dados.

    Irlanda 2018 Irlanda 2015 Coreia do Sul 2024–2025 Sri Lanka 2024 Chile 2021

Governança mínima

As regras mínimas para decidir, gastar e trocar de pessoas.
  • Regras numa página, aprovadas por todos e acessíveis a cada membro: objetivo, quem pode entrar, como se decide.
  • Como se decide: quórum mínimo, maioria necessária, o que uma pessoa pode decidir numa urgência e em quanto tempo o grupo ratifica.
  • Rotação: mandatos curtos e com data de fim para coordenação e porta-vozes.
  • Papéis com nome e substituto: coordenação, finanças, dados, porta-voz, segurança e cuidado.
  • Dinheiro: conta em nome de uma entidade, nunca na conta pessoal; duas assinaturas para cada pagamento; recibos guardados; contas publicadas.
  • Doações: limites e origens que a lei permite; recuse dinheiro anônimo ou de quem a lei proíbe.
  • Dados: um controlador nomeado, consentimento ou outra base legal para cada lista, aviso de privacidade, acesso mínimo e prazo para apagar (LGPD no Brasil, RGPD na Europa).
  • Segurança: verificação em duas etapas em todas as contas, pelo menos dois administradores, plano para prisão, ataque ou queda do canal.
  • Conflitos e conduta: código de conduta, pessoa de confiança para queixas, regra contra assédio e mediação antes de expulsão.
  • Conflito de interesses: quem é candidato, contratado ou fornecedor não decide sobre si mesmo.
  • Como sair: quem sai devolve senhas, materiais e acessos; ninguém leva a lista de contatos.
  • Como terminar: quem fecha a conta, para onde vai o dinheiro que sobrar e o que acontece com os dados: apagar ou transferir com consentimento.

Quem começou do zero, país a país

Nenhum destes grupos tinha um partido por trás quando começou.

Nenhum destes grupos tinha um partido por trás quando começou. Uns ganharam eleições, outros mudaram leis, e quase todos tropeçaram depois. Cada ficha conta também o que veio depois.

Portugal7 exemplosAssociação (Associação na Hora) · Grupo de cidadãos eleitores · Candidatura presidencial
  1. Grupo informal 2011

    Geração à Rasca

    Quatro amigos (Alexandre de Sousa Carvalho, António Frazão, João Labrincha e Paula Gil) criaram um evento no Facebook e um blog contra a precariedade, declarando o protesto apartidário. Em 12 de março de 2011 encheram a Avenida da Liberdade (200 mil a 300 mil pessoas em Lisboa, 80 mil no Porto, 11 cidades): o primeiro grande protesto convocado pela internet em Portugal.

    Depois: Os organizadores fundaram o Movimento 12 de Março em abril de 2011 e lançaram, com outros coletivos, uma proposta de Lei contra a Precariedade; o protesto foi citado como referência pelo 15-M espanhol.

    Wikipédia (pt): Geração à Rasca
  2. Grupo informal 2012

    Que se Lixe a Troika! Queremos as Nossas Vidas!

    Um pequeno grupo de pessoas de Lisboa convocou pela internet a manifestação de 15 de setembro de 2012 contra a austeridade e a mudança da Taxa Social Única (TSU); o protesto se espalhou por dezenas de cidades e os organizadores falaram em 1 milhão de pessoas (estimativa deles). Duas semanas depois o governo recuou na TSU e, em 3 de outubro, anunciou alternativas, como menos escalões e uma sobretaxa no IRS.

    Depois: A austeridade continuou por outras vias; o movimento convocou nova manifestação em 2 de março de 2013, já com apoio da CGTP.

    Diário de Notícias: Há um ano TSU abria a primeira crise no Governo
  3. Partido 2014

    LIVRE

    Nasceu em 2013 do Manifesto para uma Esquerda Livre e de encontros pelo país; legalizado em 19 de março de 2014, escolhe candidatos por primárias abertas a qualquer eleitor que aceite seus princípios. Depois de 0,73% em 2015, elegeu 1 deputado em 2019, 4 em 2024 e 6 em 18 de maio de 2025 (4,07%, 257.291 votos).

    Depois: A primeira deputada, Joacine Katar Moreira (2019), foi expulsa meses depois e o partido ficou sem representação até 2022; o crescimento veio só depois dessa crise.

    Wikipédia (pt): Livre (partido político)
  4. Partido 2017

    Iniciativa Liberal

    Caso de direita liberal, incluído pela trajetória: começou como associação cívica em setembro de 2016, entregou 8.176 assinaturas e foi registrada como partido em 13 de dezembro de 2017. Elegeu 1 deputado em 2019 (1,29%) e 8 em 2022 (4,91%), tornando-se a quarta força nacional.

    Depois: Manteve 8 deputados em 2024, subiu para 9 em 2025 e elegeu 2 eurodeputados em 2024.

    Wikipédia (pt): Iniciativa Liberal
  5. Lista de cidadãos 2013

    Juntos pelo Povo (JPP)

    Nasceu em 2008 como grupo de cidadãos eleitores numa freguesia de Santa Cruz (Madeira) e em 2013 ganhou a câmara municipal com maioria absoluta. Como a Constituição não permite movimentos de cidadãos nas eleições legislativas, virou partido (legalizado em 2015) e em 23 de março de 2025 se tornou o maior partido da oposição na Madeira, com 11 deputados (30.094 votos).

    Depois: Em 18 de maio de 2025 elegeu seu primeiro deputado à Assembleia da República, Filipe Sousa, ex-presidente da câmara de Santa Cruz.

    Wikipédia (pt): Juntos pelo Povo
  6. Lista de cidadãos 2013

    Porto, o Nosso Partido

    Grupo de cidadãos de centro-direita criado por Rui Moreira, empresário sem partido, com apoio do CDS-PP. Em 29 de setembro de 2013 venceu a Câmara do Porto com 39,25% e 6 de 13 vereadores, à frente de PS (22,68%) e PSD (21,06%), a primeira capital de distrito ganha por um grupo de cidadãos, reeleito em 2017 e 2021.

    Depois: Com Moreira impedido de concorrer, a lista caiu para cerca de 5% e nenhum vereador em 12 de outubro de 2025.

    Wikipédia (pt): Porto, o Nosso Movimento
  7. Partido 2011

    PAN (Pessoas–Animais–Natureza)

    Fundado em 22 de maio de 2009 como Partido pelos Animais e legalizado em 2011, ficou sem deputados em 2011 (57.995 votos) e em 2015 elegeu André Silva por Lisboa (75.140 votos), o primeiro partido novo no Parlamento desde o Bloco de Esquerda em 1999. Chegou a 4 deputados em 2019 (3,32%).

    Depois: Perdeu uma deputada em 2020, caiu para 1 em 2022 e manteve só 1 em 2025 (86.930 votos).

    Wikipédia (pt): Pessoas–Animais–Natureza
Brasil7 exemplosAssociação · Sem candidatura avulsa · Partido político
  1. Coalizão ou frente 2010

    Lei da Ficha Limpa (MCCE)

    O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), rede de entidades civis e religiosas, recolheu cerca de 1,6 milhão de assinaturas (85% em paróquias e dioceses) e entregou o projeto de iniciativa popular ao Congresso em 24 de setembro de 2009. Aprovado por unanimidade no Senado em 19 de maio de 2010, virou a Lei Complementar 135, sancionada em 4 de junho de 2010, que endurece as regras de inelegibilidade.

    Depois: O STF considerou a lei constitucional em fevereiro de 2012, e ela é aplicada desde então a cada eleição.

    Wikipédia (pt): Lei da Ficha Limpa
  2. Grupo informal 2013

    Movimento Passe Livre (MPL)

    Fundado em 2005 numa plenária do Fórum Social Mundial por coletivos estudantis, horizontal e apartidário, o MPL de São Paulo convocou em junho de 2013 os atos contra o aumento da tarifa de R$ 3 para R$ 3,20, que viraram as Jornadas de Junho depois da repressão policial. No fim de junho de 2013, mais de 100 cidades tinham reduzido a tarifa.

    Depois: A tarifa zero entrou no debate político nacional, mas as Jornadas logo ultrapassaram a pauta e o controle do próprio movimento.

    Wikipédia (pt): Movimento Passe Livre
  3. Grupo informal 2015

    Ocupações das escolas em São Paulo

    Secundaristas começaram a ocupar escolas em 9 de novembro de 2015 contra uma “reorganização” que mudaria 311 mil alunos de escola; chegaram a 200 escolas ocupadas segundo o governo (213 segundo a Apeoesp), com bloqueios de avenidas em dezembro. Em 4 de dezembro, com a aprovação de Geraldo Alckmin em 28% (Datafolha), o governador suspendeu o plano e o secretário de Educação deixou o cargo.

    Depois: O modelo de ocupação se espalhou para outros estados em 2016.

    Wikipédia (pt): Mobilização estudantil em São Paulo em 2015
  4. Grupo informal 2018

    #EleNão (Mulheres Unidas Contra Bolsonaro)

    A publicitária Ludimilla Teixeira criou em 31 de agosto de 2018 o grupo de Facebook “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro”, que passou de 1 milhão de membros em 12 de setembro e lançou a hashtag #EleNão. Em 29 de setembro houve atos em mais de 100 cidades de todos os estados e no exterior, convocados sobretudo pelas redes.

    Depois: Bolsonaro venceu a eleição semanas depois, em outubro de 2018.

    Wikipédia (pt): Movimento Ele Não
  5. Organização anfitriã 2018

    Bancada Ativista

    Rede de ativistas criada para eleger gente de movimentos sociais; em 2018 lançou nove co-candidatos a deputado estadual em São Paulo sob um único nome na urna, Monica Seixas, pelo PSOL, porque no Brasil não há candidatura sem partido. Teve 149.844 votos e foi eleita, a maior votação de uma candidatura coletiva.

    Depois: O mandato teve tensões internas (uma co-deputada foi afastada em 2021); Erika Hilton, uma das nove, foi eleita vereadora em 2020.

    Wikipédia (pt): Bancada Ativista
  6. Organização anfitriã 2016

    Muitas pela Cidade que Queremos

    Movimento municipalista de Belo Horizonte que lançou uma campanha coletiva pelo PSOL; Áurea Carolina foi a vereadora mais votada de 2016 (17.420 votos) e dividiu com Cida Falabella a “Gabinetona”, um gabinete aberto e compartilhado com ativistas. Em 2018 ela foi eleita deputada federal com 162.740 votos, a quinta maior votação de Minas Gerais.

    Depois: Áurea não concorreu em 2022; candidata ao Senado em 2026, teve 2.664.763 votos e não foi eleita.

    Wikipédia (pt): Áurea Carolina
  7. Organização anfitriã 2018

    Juntas Codeputadas

    Cinco mulheres de movimentos sociais, entre elas a advogada Robeyoncé Lima, concorreram como mandato coletivo pelo PSOL à Assembleia Legislativa de Pernambuco. Com 39.175 votos, foram o primeiro mandato coletivo da casa.

    Depois: A urna e o regimento só reconhecem uma pessoa (oficialmente, Jô Cavalcanti): o modelo coletivo depende de acordo interno, não da lei.

    Wikipédia (pt): Jô Cavalcanti
Espanha7 exemplosAsociación (associação) · Agrupación de electores (agrupamento de eleitores) · Partido político e coalición
  1. Grupo informal 2011

    15-M / Democracia Real Ya

    Um grupo de Facebook virou, em 16 de março de 2011, a plataforma Democracia Real Ya, com site e manifesto, e convocou a manifestação de 15 de maio; naquela noite começaram acampadas espontâneas na Puerta del Sol e em outras praças. O movimento juntou gente antes despolitizada e coletivos como a PAH e Juventud Sin Futuro; em maio de 2013, 78% diziam que os indignados tinham razão (Metroscopia).

    Depois: As acampadas viraram assembleias de bairro a partir de junho de 2011, e o 15-M é apontado como raiz do Podemos e das candidaturas municipalistas de 2015.

    Wikipédia (es): Movimiento 15-M
  2. Partido 2014

    Podemos

    Nasceu do manifesto “Mover ficha”, assinado por cerca de 30 intelectuais e ativistas (12–13 de janeiro de 2014), com a condição de reunir apoios online e fazer primárias abertas, embora o partido Izquierda Anticapitalista tenha articulado o lançamento. Nas europeias de maio de 2014 teve 7,98% e 5 eurodeputados; em dezembro de 2015, suas listas somaram 20,68% e 69 deputados, rompendo o bipartidismo.

    Depois: Perdeu a maior parte da representação territorial em maio de 2023, concorreu dentro do Sumar em julho e rompeu com ele em dezembro de 2023.

    Wikipédia (es): Podemos
  3. Coalizão ou frente 2015

    Barcelona en Comú (Guanyem Barcelona)

    Lançado como Guanyem Barcelona por um manifesto online de cerca de 30 pessoas de movimentos sociais e de bairro em 15 de junho de 2014, uniu-se depois a ICV, EUiA, Equo, Procés Constituent e Podemos. Venceu as municipais de 24 de maio de 2015 (25%) e Ada Colau, ex-porta-voz da PAH, foi eleita prefeita.

    Depois: Colau governou de 2015 a 2023.

    Wikipédia (es): Barcelona en Comú
  4. Coalizão ou frente 2015

    Ahora Madrid

    Confluência da plataforma cidadã Ganemos Madrid (lançada em junho de 2014) com Podemos, Equo e independentes; mais de 15 mil pessoas votaram online nas primárias que escolheram a ex-juíza Manuela Carmena. Em 24 de maio de 2015 teve 20 vereadores (o PP, 21) e Carmena virou prefeita com apoio do PSOE.

    Depois: A coalizão se dissolveu em março de 2019; Carmena concorreu pelo Más Madrid, foi a mais votada (31%) e mesmo assim perdeu a prefeitura para o PP.

    Wikipédia (es): Ahora Madrid
  5. Associação registrada 2009

    Plataforma de Afectados por la Hipoteca (PAH)

    Nascida em fevereiro de 2009 em Barcelona entre famílias afetadas pela crise hipotecária, organizou concentrações “Stop Desahucios” para impedir despejos e, com sindicatos e entidades, uma Iniciativa Legislativa Popular pela dação em pagamento. Entregou 1.402.845 assinaturas em 5 de fevereiro de 2013 e o Congresso a admitiu a trâmite por 333 votos a 1.

    Depois: Em abril de 2013 o PP fundiu a iniciativa com a lei do governo, sem a dação em pagamento: a principal exigência caiu.

    Wikipédia (es): Plataforma de Afectados por la Hipoteca
  6. Lista de cidadãos 2019

    Teruel Existe

    Coordenadora cidadã criada em novembro de 1999 por plataformas locais (ferrovia, saúde) numa província ainda sem autoestradas; em 2019 virou agrupação de eleitores, reuniu 6.781 avais e, nas gerais de novembro de 2019, foi a mais votada em Teruel (19.761 votos, 26,7%), com 1 deputado e 2 senadores. Apoiou a investidura de Pedro Sánchez em troca de investimentos para a província.

    Depois: Virou partido em 2021, perdeu as cadeiras nas gerais de 2023 e tem 2 deputados regionais em Aragão desde 2026.

    Wikipédia (es): Teruel Existe
  7. Lista de cidadãos 2015

    Marea Atlántica

    Movimento cidadão apresentado em 22 de julho de 2014 na Corunha, cujo manifesto reuniu 2.500 assinaturas; em 24 de maio de 2015 empatou em vereadores com o PP (30,89%, a 28 votos). Com votos do PSOE e do BNG, Xulio Ferreiro virou prefeito e abriu o portal participativo “A Porta Aberta”.

    Depois: Caiu para 6 vereadores em 2019 e ficou sem nenhum em 2023 (4,87%).

    Wikipédia (es): Marea Atlántica
França7 exemplosAssociation loi 1901 (associação) · Candidatura sem partido · Parti politique (partido)
  1. Partido 2016

    En Marche !

    Caso de centro, incluído pela velocidade: Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia sem partido próprio, lançou o movimento em Amiens em 6 de abril de 2016, e em maio 4.000 voluntários fizeram a “Grande Marche” de porta em porta para recolher 100 mil depoimentos. Um ano depois ele ganhou a presidência (7 de maio de 2017) e o partido sozinho elegeu 308 deputados em junho.

    Depois: Perdeu a maioria absoluta em 2022 e passou a se chamar Renaissance em setembro de 2022.

    Wikipédia (fr): Renaissance (parti)
  2. Grupo informal 2018

    Gilets jaunes

    Movimento heterogêneo, sem cor partidária definida: partiu de uma petição online de Priscillia Ludosky contra o preço dos combustíveis (1,2 milhão de assinaturas) e de um evento de Facebook de Éric Drouet para bloqueios em 17 de novembro de 2018, dia que reuniu cerca de 287.700 pessoas segundo o Ministério do Interior. Sem sindicatos nem partidos, organizado em centenas de grupos de Facebook, levou o governo a desistir do aumento do imposto sobre combustíveis e a aprovar medidas de urgência econômica e social.

    Depois: O “grand débat national” e as concessões não encerraram o movimento, que se desgastou em 2019 entre violência, repressão e divisões.

    Wikipédia (fr): Mouvement des Gilets jaunes
  3. Grupo informal 2025

    Pétition contre la loi Duplomb

    Eléonore Pattery, estudante de mestrado, publicou em 10 de julho de 2025 no site da Assembleia Nacional uma petição contra a lei que reintroduzia um pesticida neonicotinoide; passou de 500 mil assinaturas em 9 dias e de 1 milhão em 20 de julho. Terminou com 2.131.368 assinaturas, a mais assinada da história do site.

    Depois: Em 7 de agosto de 2025 o Conselho Constitucional censurou a reintrodução do neonicotinoide; a petição foi debatida, sem votação, em 11 de fevereiro de 2026.

    Wikipédia (fr): Pétition contre la loi Duplomb
  4. Coalizão ou frente 2018

    L'Affaire du siècle

    Quatro associações (Fondation pour la Nature et l'Homme, Greenpeace France, Notre Affaire à Tous e Oxfam France) notificaram o governo em 17 de dezembro de 2018 e lançaram uma petição que chegou a 2 milhões de assinaturas em um mês, recorde na França. Em 3 de fevereiro de 2021 o tribunal administrativo de Paris reconheceu a “falta” do Estado na política climática e, em outubro de 2021, mandou reparar o dano até 31 de dezembro de 2022.

    Depois: Em 22 de dezembro de 2023 o tribunal considerou que o Estado tinha adotado medidas de reparação e não aplicou a multa de 1,1 bilhão de euros pedida pelas ONGs.

    Wikipédia (fr): L'Affaire du siècle (campagne associative)
  5. Coalizão ou frente 2020

    Printemps marseillais

    União da esquerda puxada desde 2018 pelo coletivo cidadão Mad Mars, depois do desabamento de prédios na rue d'Aubagne (8 mortos), e formalizada por um apelo de personalidades em 10 de julho de 2019, reunindo partidos e independentes numa lista única. Michèle Rubirola chegou à frente nos dois turnos e foi eleita prefeita em 4 de julho de 2020, a primeira mulher no cargo, pondo fim de 25 anos de governo de direita.

    Depois: Rubirola passou a prefeitura ao socialista Benoît Payan em 21 de dezembro de 2020.

    Wikipédia (fr): Élections municipales de 2020 à Marseille
  6. Lista de cidadãos 2020

    Archipel citoyen

    Movimento cidadão de Toulouse que montou uma lista apoiada por EELV, LFI e outros, com a meta de sortear um terço dos candidatos (23 de 69). No segundo turno, em 28 de junho de 2020, Antoine Maurice teve 48,01% e perdeu para o prefeito Jean-Luc Moudenc.

    Depois: Moudenc manteve a prefeitura e a lista cidadã ficou na oposição municipal.

    Wikipédia (fr): Élections municipales de 2020 à Toulouse
  7. Lista de cidadãos 2014

    Saillans

    Num vilarejo da Drôme, moradores mobilizados desde 2010 contra um supermercado montaram uma lista colegiada que ganhou a prefeitura em março de 2014, a primeira do gênero na França. A comuna passou a ser governada de forma participativa e colegiada, com comissões abertas aos moradores.

    Depois: O modelo inspirou a lista de Crest em 2020, mas a equipe eleita em Saillans em 2020 não o manteve.

    Wikipédia (fr): Saillans (Drôme)
Alemanha7 exemploseingetragener Verein, e.V. (associação registrada) · Wählergruppe / Wählervereinigung (lista de eleitores) · Einzelbewerber und Partei (candidato individual e partido)
  1. Grupo informal 2021

    Deutsche Wohnen & Co enteignen

    Campanha de inquilinos lançada em abril de 2018 em Berlim para socializar empresas com mais de 3.000 apartamentos; juntou 77.001 assinaturas em pouco mais de dois meses (2019) e 349.658 em 2021. Em 26 de setembro de 2021, 59,1% (1.035.950 votos) aprovaram o referendo.

    Depois: O voto não obrigava a fazer a lei: uma comissão de especialistas confirmou em 2023 que a socialização é possível, o governo não a aplicou e, em setembro de 2025, a iniciativa apresentou sua própria lei para um novo referendo.

    Wikipédia (de): Volksentscheid „Deutsche Wohnen & Co enteignen“ in Berlin 2021
  2. Grupo informal 2014

    100 % Tempelhofer Feld

    Moradores do Schillerkiez fundaram em setembro de 2011 a iniciativa contra os planos de construir no antigo aeroporto de Tempelhof e reuniram 185.328 assinaturas válidas em 2013–2014. Em 25 de maio de 2014, 64,3% aprovaram a lei da iniciativa, e a proposta do Parlamento foi rejeitada.

    Depois: A lei proíbe construir no campo desde junho de 2014; em novembro de 2024 o governo CDU/SPD abriu um concurso de ideias para “construção nas bordas”, reabrindo o conflito.

    Wikipédia (de): Volksentscheid über den Erhalt des Tempelhofer Feldes in Berlin 2014
  3. Associação registrada 2016

    Volksentscheid Fahrrad

    Heinrich Strößenreuther e voluntários lançaram em 2016 uma lei da bicicleta por iniciativa popular e recolheram 105.425 assinaturas em três semanas e meia, 70% a 80% delas por pessoas que baixaram as listas na internet. Sem chegar à votação, negociaram com o governo, e em 28 de junho de 2018 o Parlamento de Berlim aprovou o Mobilitätsgesetz.

    Depois: O modelo gerou dezenas de “Radentscheide” em outras cidades alemãs.

    Wikipédia (de): Initiative Volksentscheid Fahrrad
  4. Grupo informal 2019

    Fridays for Future Deutschland

    Estudantes inspirados em Greta Thunberg se organizaram em grupos regionais de WhatsApp a partir de janeiro de 2019; em 20 de setembro de 2019, cerca de 1,4 milhão de pessoas foram às ruas na Alemanha, segundo o movimento. Ativistas como Luisa Neubauer estavam entre os autores da queixa em que o Tribunal Constitucional declarou, em março de 2021, a lei do clima parcialmente inconstitucional.

    Depois: A mobilização encolheu: nas greves de 2024 e 2025, o próprio movimento contou 75 mil e 50 mil pessoas.

    Wikipédia (de): Fridays for Future
  5. Coalizão ou frente 2013

    Unser Hamburg – Unser Netz

    Seis organizações (entre elas Attac, BUND, Diakonie e a associação de consumidores) formaram em 2010 uma aliança para devolver ao município as redes de energia privatizadas. Em 22 de setembro de 2013, 50,9% votaram pela remunicipalização total das redes de eletricidade, gás e aquecimento urbano.

    Depois: O governo cumpriu: a recompra custou 1,93 bilhão de euros e, em 2024, as redes foram reunidas em empresas 100% públicas.

    Wikipédia (de): Volksentscheid über die Energienetze in Hamburg 2013
  6. Grupo informal 2011

    Berliner Wassertisch

    Iniciativa cidadã lançada em junho de 2007 para obrigar à publicação dos contratos secretos da privatização parcial da água de Berlim (1999); recolheu 320.700 assinaturas em 2010. No referendo de 13 de fevereiro de 2011, 98,3% votaram sim.

    Depois: Berlim recomprou as cotas da RWE (2012, 618 milhões de euros) e da Veolia (2013, 590 milhões): a água voltou a ser 100% pública.

    Wikipédia (de): Volksentscheid über die Offenlegung der Teilprivatisierungsverträge bei den Berliner Wasserbetrieben 2011
  7. Partido 2018

    Volt Deutschland

    Fundado em 3 de março de 2018 como primeiro braço nacional do Volt, movimento pan-europeu criado no dia em que o Reino Unido pediu a saída da UE (29 de março de 2017); elegeu 1 eurodeputado em 2019 (0,7%) e entrou nas câmaras de Munique, Colônia e Frankfurt. Em 2024 teve 2,6% e 3 eurodeputados.

    Depois: Nas eleições federais de 2025 ficou com 0,7%, longe da cláusula de 5%.

    Wikipédia (de): Volt Deutschland
Itália6 exemplosAssociazione (associação) · Lista civica (lista cívica) · Partito (partido)
  1. Partido 2009

    MoVimento 5 Stelle

    Caso populista, sem lugar fixo entre esquerda e direita: nasceu dos meetups locais que Beppe Grillo propôs no seu blog em 2005 e das listas cívicas “Cinque Stelle”, até a fundação com Gianroberto Casaleggio em 4 de outubro de 2009. Na primeira eleição nacional (fevereiro de 2013) teve 25,55% na Câmara e em 2018 foi o primeiro partido, com mais de 32%, 227 deputados e 112 senadores.

    Depois: Governou com a Lega e depois com o PD, caiu para 15,43% em 2022 e é hoje liderado por Giuseppe Conte.

    Wikipédia (it): Movimento 5 Stelle
  2. Coalizão ou frente 2011

    Acqua bene comune (referendos de 2011)

    O Fórum Italiano dos Movimentos pela Água, rede de associações, começou em abril de 2010 a recolher assinaturas e entregou 1,4 milhão em dois meses. Nos referendos de 12–13 de junho de 2011, com 54,8% de participação (quórum atingido), cerca de 95% votaram por revogar a privatização dos serviços de água e o lucro garantido na tarifa.

    Depois: Depois do voto, a regulação das tarifas passou para a autoridade nacional de energia, que criou um novo método tarifário em 2012.

    Wikipédia (it): Referendum abrogativi in Italia del 2011
  3. Grupo informal 2019

    6000 sardine

    Quatro amigos de Bolonha (Mattia Santori, Andrea Garreffa, Roberto Morotti e Giulia Trappoloni) criaram no Facebook o evento “6000 sardine contro Salvini” para 14 de novembro de 2019 e reuniram o dobro do esperado na Piazza Maggiore, sem bandeiras de partido. O movimento se espalhou (Roma, 14 de dezembro: 35 mil segundo a polícia, 100 mil segundo os organizadores) e o centro-esquerda venceu na Emília-Romanha em 26 de janeiro de 2020.

    Depois: O peso das Sardinhas no resultado é discutido; a pandemia travou a organização e, em 2021, alguns líderes passaram a pressionar o PD por dentro.

    Wikipédia (it): Movimento delle sardine
  4. Grupo informal 2009

    Il Popolo Viola (No B Day)

    Um blogueiro (San Precario) abriu em 9 de outubro de 2009 uma página no Facebook pedindo a renúncia de Berlusconi; no dia do No B Day, 5 de dezembro de 2009, as adesões online passavam de 370 mil. Foi a primeira manifestação na Itália organizada sobretudo pelas redes: 90 mil pessoas em Roma segundo a polícia, mais de 1 milhão segundo os organizadores.

    Depois: O movimento se dividiu e perdeu força; Berlusconi só caiu em novembro de 2011, por outros motivos.

    Wikipédia (it): Il Popolo Viola
  5. Lista de cidadãos 2013

    Cambiamo Messina dal Basso

    Renato Accorinti, professor de educação física e ativista do movimento No Ponte, sem partido, concorreu à prefeitura de Messina com uma lista cívica e teve 24,02% no primeiro turno. No segundo turno, em 23–24 de junho de 2013, venceu o candidato do PD com 52,67%.

    Depois: Em 2018 tentou a reeleição e ficou em quarto lugar (14,21%).

    Wikipédia (it): Renato Accorinti
  6. Lista de cidadãos 2017

    Effetto Parma

    Federico Pizzarotti, eleito prefeito de Parma em 2012 pelo M5S, saiu do movimento em 2016 com 18 dos 19 vereadores e criou a lista independente Effetto Parma, aliada aos Radicali Italiani. Em 25 de junho de 2017 foi reeleito no segundo turno com 57,87%.

    Depois: Em 2022, no fim dos mandatos, a lista apoiou Michele Guerra, eleito com o centro-esquerda.

    Wikipédia (it): Federico Pizzarotti
Reino Unido6 exemplosUnincorporated association (associação não personificada) · Independent candidate (candidato independente) · Registered party (partido registrado)
  1. Grupo informal 2018

    Extinction Rebellion

    Criado em Stroud por ativistas como Gail Bradbrook e Roger Hallam, lançou-se com uma “Declaração de Rebelião” diante do Parlamento em 31 de outubro de 2018 e bloqueou cinco pontes do Tâmisa em novembro. Nos protestos de abril de 2019 em Londres houve 1.130 prisões; em 1º de maio de 2019 o Parlamento britânico declarou emergência climática.

    Depois: Candidatos ligados ao XR tiveram só 7.416 votos nas europeias de 2019, e em 2021 parte dos ativistas criou grupos novos, como o Insulate Britain, por achar que o XR perdera efeito.

    Wikipédia (en): Extinction Rebellion
  2. Associação registrada 1989

    Hillsborough Family Support Group

    As famílias das vítimas da tragédia do estádio de Hillsborough (1989) contestaram durante duas décadas o veredito de “morte acidental” (1991), com processos privados e a exigência de abrir os documentos oficiais. Depois do painel independente de 2012, novos inquéritos concluíram em 26 de abril de 2016 que os torcedores foram mortos ilegalmente por falhas graves da polícia e do serviço de ambulâncias.

    Depois: A “Hillsborough Law”, que impõe às autoridades um dever de verdade, chegou ao Parlamento em setembro de 2025.

    Wikipédia (en): Hillsborough disaster
  3. Grupo informal 1996

    Snowdrop Petition

    Depois do massacre de Dunblane (13 de março de 1996: 16 crianças e uma professora mortas), familiares e moradores lançaram a petição Snowdrop pela proibição das armas curtas. A campanha ajudou a aprovar duas leis em 1997 que proibiram a posse privada da maioria das armas curtas na Grã-Bretanha, com recompra pelo governo.

    Depois: A proibição continua em vigor.

    Wikipédia (en): Dunblane massacre
  4. Associação registrada 2011

    38 Degrees

    Plataforma de campanhas online lançada em 26 de maio de 2009, financiada por pequenas doações e com prioridades votadas pelos membros. A petição contra a venda das florestas públicas inglesas juntou cerca de 500 mil assinaturas e, em fevereiro de 2011, o governo abandonou o plano, com a ministra Caroline Spelman admitindo o erro.

    Depois: O diretor fundador, David Babbs, foi demitido em 2019 por má conduta grave.

    Mongabay: British government throws out plan to sell forests, apologizes
  5. Partido 2001

    Independent Kidderminster Hospital and Health Concern

    Moradores de Kidderminster se organizaram para reabrir o pronto-socorro do hospital local; em 1999 diziam ter 100 mil apoiadores e, no ano seguinte, formavam o maior bloco do conselho distrital (19 vereadores). Em 2001 o médico aposentado Richard Taylor ganhou a cadeira de Wyre Forest no Parlamento com mais de 28 mil votos; os Liberais Democratas não lançaram candidato.

    Depois: Taylor foi reeleito em 2005 e perdeu em 2010; o partido desistiu de concorrer em 2022 e foi retirado do registro em 2023.

    Wikipédia (en): Independent Community & Health Concern
  6. Lista de cidadãos 2011

    Independents for Frome

    Moradores cansados das brigas partidárias criaram em janeiro de 2011 uma lista sem partido, com regras de convivência em vez de disciplina de voto, e ganharam 10 dos 17 lugares do conselho da cidade. Ganharam os 17 em 2015, 2019 e 2022, e o cofundador Peter Macfadyen descreveu o método no guia “Flatpack Democracy” (2014), copiado em outras cidades.

    Depois: Em fevereiro de 2026 perderam pela primeira vez uma eleição parcial, para os Liberais Democratas.

    Wikipédia (en): Independents for Frome
Estados Unidos7 exemplos501(c)(3) e fiscal sponsorship (patrocínio fiscal) · 501(c)(4) (organização de bem-estar social) · PAC (comitê de ação política)
  1. Grupo informal 2016

    Indivisible

    Ex-assessores do Congresso (Ezra Levin, Leah Greenberg e outros) publicaram em 14 de dezembro de 2016, num Google Doc, um guia de 23 páginas para pressionar seus próprios deputados contra a agenda Trump. Em 4 de fevereiro de 2017 já havia mais de 3.800 grupos locais, e a pressão nas reuniões públicas é citada entre as razões do fracasso inicial da revogação do Obamacare.

    Depois: Em 2018 apoiou candidatos que ajudaram os democratas a reconquistar a Câmara e segue ativo no segundo mandato de Trump.

    Wikipédia (en): Indivisible (organization)
  2. Grupo informal 2017

    Women's March

    Começou com o convite de Teresa Shook, no Facebook, a cerca de 40 amigas, logo depois da eleição de Trump, e cresceu até virar uma organização nacional. Em 21 de janeiro de 2017, entre 3,3 e 5,2 milhões de pessoas marcharam nos EUA (440 mil a 500 mil em Washington), um dos maiores protestos de um só dia da história do país.

    Depois: Virou organização permanente e voltou a co-organizar protestos contra Trump em 2025.

    Wikipédia (en): 2017 Women's March
  3. Grupo informal 2013

    Black Lives Matter

    Alicia Garza, Patrisse Cullors e Ayọ Tometi criaram a hashtag #BlackLivesMatter em 2013, depois da absolvição do homem que matou Trayvon Martin, e formaram uma rede de grupos locais autônomos. Após o assassinato de George Floyd, em 2020, entre 15 e 26 milhões de pessoas participaram de protestos nos EUA, segundo pesquisas.

    Depois: O apoio público caiu de 67% em 2020 para 45% em 2024.

    Wikipédia (en): Black Lives Matter
  4. Associação registrada 2018

    March For Our Lives

    Estudantes sobreviventes do tiroteio de Parkland (14 de fevereiro de 2018, 17 mortos) criaram a hashtag #NeverAgain, foram pressionar o Legislativo da Flórida e anunciaram uma marcha nacional quatro dias depois, na TV. Em 24 de março de 2018 levaram 1,2 a 2 milhões de pessoas às ruas; nesse ano a Flórida subiu de 18 para 21 anos a idade mínima para comprar armas.

    Depois: Fez caravanas de registro de eleitores em 2018 e é creditado em parte pela lei federal de armas de 2022 (Bipartisan Safer Communities Act).

    Wikipédia (en): March for Our Lives
  5. Grupo informal 2025

    50501

    Começou com um post no Reddit de um usuário anônimo no fim de janeiro de 2025 (“50 protestos, 50 estados, 1 dia”) e fez o primeiro protesto em 5 de fevereiro. Ajudou a organizar o Hands Off de 5 de abril (mais de 5,2 milhões, por estimativa) e o No Kings de 14 de junho de 2025, em mais de 2.000 locais e com cerca de 5 milhões de pessoas.

    Depois: O criador saiu antes do No Kings; vieram novas jornadas No Kings em outubro de 2025 e em 2026, já dentro de uma coalizão de mais de 200 organizações.

    Wikipédia (en): 50501 movement
  6. Associação registrada 2017

    Sunrise Movement

    Jovens organizadores (Varshini Prakash, Sara Blazevic e outros) começaram em 2015 e lançaram o Sunrise em abril de 2017 para eleger defensores de energia renovável; metade dos 20 primeiros endossados venceu em 2018. Em 13 de novembro de 2018, mais de 250 jovens ocuparam o gabinete de Nancy Pelosi, com Alexandria Ocasio-Cortez, e puseram o Green New Deal no centro do debate democrata.

    Depois: O Green New Deal ficou como plataforma e resolução, não como lei.

    Wikipédia (en): Sunrise Movement
  7. Associação registrada 2017

    Justice Democrats

    Criado em 23 de janeiro de 2017 por ex-quadros da campanha de Bernie Sanders e comentaristas do The Young Turks para disputar primárias democratas com candidatos sem dinheiro de empresas; em 2018 lançou 79 candidatos. Entre os eleitos estava Alexandria Ocasio-Cortez.

    Depois: Em 2024 perdeu dois nomes nas primárias, Jamaal Bowman e Cori Bush.

    Wikipédia (en): Justice Democrats
México6 exemplosCandidatura independiente (candidatura independente) · Asociación civil, A.C. (associação civil) · Partido político nacional
  1. Grupo informal 2012

    #YoSoy132

    Em 11 de maio de 2012, estudantes da Universidad Iberoamericana confrontaram o candidato Enrique Peña Nieto; quando políticos e TVs disseram que não eram estudantes, 131 deles publicaram um vídeo, e milhares responderam “Yo soy 132”. O movimento, presente em mais de 50 cidades do mundo, exigiu a democratização da mídia e organizou em 19 de junho de 2012 um debate presidencial próprio, transmitido pela internet e por TVs culturais.

    Depois: Peña Nieto não foi ao debate e ganhou a eleição de 1º de julho de 2012.

    Wikipédia (es): Yo Soy 132
  2. Grupo informal 2020

    #UnDíaSinNosotras

    O coletivo feminista Brujas del Mar, de Veracruz, convocou em 18 de fevereiro de 2020 uma greve nacional de mulheres para 9 de março. Depois de uma marcha de cerca de 80 mil pessoas na Cidade do México em 8 de março, estima-se que perto de 22 milhões de mulheres aderiram à paralisação.

    Depois: A pandemia chegou semanas depois e esvaziou as ruas; a violência de gênero que motivou o protesto continuou.

    Wikipédia (es): Protesta feminista en México de 2020
  3. Grupo informal 2011

    Movimiento por la Paz con Justicia y Dignidad

    Depois do assassinato do filho, Juan Francisco, em março de 2011, o poeta Javier Sicilia convocou uma marcha de Cuernavaca ao Zócalo (5 a 8 de maio de 2011) contra a guerra às drogas, à qual aderiram vítimas de todo o país. Forçou um diálogo público com o presidente Calderón (23 de junho de 2011) e propôs uma lei de vítimas, vetada por Calderón e promulgada por Peña Nieto em 9 de janeiro de 2013.

    Depois: A Ley General de Víctimas foi feita às pressas, tinha erros reconhecidos pelos próprios promotores e enfrentou dúvidas sobre como seria cumprida.

    IPS: Mexican Victims Get Law That Should Not Have to Exist
  4. Coalizão ou frente 2015

    Movimiento por Nuestros Desaparecidos en México

    Em março de 2015, famílias de pessoas desaparecidas se uniram numa aliança que hoje reúne mais de 70 coletivos do México e da América Central para exigir uma lei de busca. A Lei Geral sobre pessoas desaparecidas, redigida com participação das famílias, entrou em vigor em janeiro de 2018.

    Depois: Um ano depois, só um terço dos estados tinha comissão de busca e faltava orçamento, segundo o CICV.

    Wikipédia (es): Movimiento por Nuestros Desaparecidos en México
  5. Lista de cidadãos 2015

    Wikipolítica / Pedro Kumamoto

    Pedro Kumamoto, ex-líder estudantil ligado ao coletivo Wikipolítica, concorreu como independente a deputado estadual pelo distrito 10 (Zapopan) com uma campanha quase toda nas redes: 18.626 pesos públicos e mais de 240 mil de simpatizantes, com teto de 7 mil pesos por doador. Ganhou em 2015 e foi o primeiro independente eleito em Jalisco.

    Depois: Ficou em terceiro na disputa pelo Senado em 2018 (761.812 votos), perdeu a prefeitura de Zapopan em 2021 pelo partido Futuro, e o Futuro perdeu o registro em 2024.

    Wikipédia (es): Pedro Kumamoto
  6. Coalizão ou frente 2016

    #Ley3de3

    Transparencia Mexicana e o IMCO, com outras organizações e acadêmicos, transformaram a campanha para que políticos publicassem três declarações (patrimônio, interesses e impostos) num projeto de iniciativa cidadã. Entregaram 634.143 assinaturas (eram necessárias 120 mil) e em 17 de junho de 2016 o Congresso aprovou o primeiro pacote de leis anticorrupção.

    Depois: O texto aprovado mudou dois artigos (29 e 32) em relação à proposta original.

    Wikipédia (es): Iniciativa ciudadana 3de3
Argentina6 exemplosAsociación civil (associação civil) · Partido político · Alianza / frente electoral (aliança ou frente)
  1. Grupo informal 1977

    Madres de Plaza de Mayo

    Em 30 de abril de 1977, em plena ditadura, 14 mães de desaparecidos se reuniram na Plaza de Mayo por ideia de Azucena Villaflor e passaram a marchar às quintas-feiras com um lenço branco feito de fralda. Tornaram os desaparecimentos visíveis no mundo, mesmo depois do sequestro de Villaflor e de outras mães em dezembro de 1977.

    Depois: Em 1986 se dividiram em dois grupos (Madres e Línea Fundadora), que mantêm as rondas semanais.

    Wikipédia (es): Madres de Plaza de Mayo
  2. Associação registrada 1977

    Abuelas de Plaza de Mayo

    Avós que procuravam netos nascidos em cativeiro ou sequestrados começaram a agir juntas em 1977 (doze fundadoras) e foram atrás de cientistas para provar o parentesco sem os pais. Daí saiu o “índice de abuelidad” (1983) e a primeira restituição por prova genética em 1984.

    Depois: Até outubro de 2026, 140 casos foram resolvidos; ainda procuram centenas dos mais de 500 bebês apropriados.

    Abuelas de Plaza de Mayo: site oficial
  3. Coalizão ou frente 2005

    Campaña Nacional por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito

    Lançada em 28 de maio de 2005 por 70 organizações, com o lenço verde como símbolo, apresentou seu projeto de lei a partir de 2007. Depois do pañuelazo e do #AbortoLegalYa de 19 de fevereiro de 2018, o tema chegou ao plenário; a Lei 27.610 foi aprovada em 30 de dezembro de 2020 (Senado: 38 a 29) e legaliza o aborto até a 14ª semana.

    Depois: Em 2024 o presidente Javier Milei anunciou a intenção de revogá-la.

    Wikipédia (es): Ley de Interrupción Voluntaria del Embarazo de Argentina
  4. Grupo informal 2015

    Ni Una Menos

    Jornalistas, escritoras e ativistas convocaram pelas redes, após o feminicídio de Chiara Páez, de 14 anos, uma concentração diante do Congresso em 3 de junho de 2015; foram mais de 300 mil pessoas, com atos em 80 cidades. A Corte Suprema anunciou um registro oficial de feminicídios e o lema se espalhou pela América Latina.

    Depois: Em 2018 o registro contou 289 feminicídios, um a cada 28 horas.

    Wikipédia (es): Ni una menos
  5. Grupo informal 2004

    Marchas de Juan Carlos Blumberg

    Caso de agenda de endurecimento penal, não progressista: depois do sequestro e assassinato do filho Axel (março de 2004), o empresário Juan Carlos Blumberg convocou uma marcha que levou mais de 150 mil pessoas ao Congresso em 1º de abril de 2004. Duas semanas depois, em 14 de abril, o Congresso aprovou as “leis Blumberg”, que aumentaram penas do Código Penal.

    Depois: As marchas seguintes foram menores, e Blumberg entrou na política partidária em 2007.

    Wikipédia (es): Juan Carlos Blumberg
  6. Partido 2013

    Partido de la Red

    Fundado em abril de 2012 por Santiago Siri, Esteban Brenman e outros, criou o software livre DemocracyOS para os cidadãos debaterem e votarem projetos de lei. Em outubro de 2013 teve 21 mil votos (1%) na eleição para a legislatura de Buenos Aires e não elegeu ninguém.

    Depois: Depois trabalhou com a legislatura portenha em plataformas de participação, e o DemocracyOS entrou na aceleradora Y Combinator em 2015.

    Wikipédia (en): Net Party

Isto não é aconselhamento jurídico. As leis mudam e os detalhes variam por estado, região e tipo de eleição: antes de agir, confira a fonte oficial ou fale com um advogado eleitoral.

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