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Multidão na greve global pelo clima em Camberra, setembro de 2019

Global (começou na Suécia) · 2018–2019

Greve pelo clima

Skolstrejk för klimatet

Em sueco, “Greve escolar pelo clima”: o texto do cartaz de Greta Thunberg no primeiro dia.

Uma estudante sozinha com um cartaz virou, em 13 meses, uma greve pelo clima em 150 países. Veja como o ritual, os grupos locais e a imprensa fizeram isso.

Uma homenagem a Greta Thunberg, Luisa Neubauer, Vanessa Nakate, Jamie Margolin e às dezenas de milhares de estudantes que organizaram grupos locais. Projeto independente, sem ligação ao Fridays for Future.

Em 30 segundos

  1. 4 M+. Segundo os organizadores, foram mais de 4 milhões nas ruas em 20 de setembro de 2019, em 150 países, 13 meses após a primeira greve solitária.

  2. 3 pessoas bastavam para abrir um grupo local. O ritual era fixo: toda sexta, mesmo lugar, mesma hora, cartaz feito à mão.

  3. Um gesto que qualquer um copia, um guia de quatro passos e uma regra clara de imprensa levaram o movimento. A atenção da imprensa, sozinha, não mudou leis.

Os primeiros passos

  1. Escolher a exigência, numa frase, com uma fonte científica
  2. Escolher o lugar (um prédio do poder) e a hora fixa
  3. Confirmar as regras locais de manifestação e, se preciso, avisar a autoridade

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Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Quem fez

O movimento sempre recusou ter um chefe.

O movimento sempre recusou ter um chefe. Este playbook foi montado com o que os próprios organizadores publicaram (os guias para grupos locais, o documento de estrutura e o conceito de imprensa do Fridays for Future na Alemanha, as páginas de orientação do movimento internacional) e com entrevistas e livros de quem esteve à frente. Muitos organizadores eram menores de idade: aqui só aparecem pessoas que assumiram publicamente o seu papel.

  • Greta Thunberg

    Iniciadora da greve escolar pelo clima (Estocolmo, 2018)

    Começou a greve sozinha diante do Riksdag, publicou a primeira foto no Instagram e, com outros grevistas, decidiu em setembro de 2018 continuar toda sexta e lançar o #FridaysForFuture.

    Fontes
  • Luisa Neubauer

    Organizadora e porta-voz do Fridays for Future na Alemanha

    Organizadora e porta-voz de uma das primeiras greves alemãs, em 14 de dezembro de 2018, ajudou a transformar as greves numa rede de centenas de grupos locais e é, desde então, um dos rostos mais conhecidos e mais atacados do movimento.

    Fontes
  • Vanessa Nakate

    Ativista de Uganda; fundadora da Youth for Future Africa e do Rise Up Movement

    Começou em janeiro de 2019 uma greve solitária diante do Parlamento de Uganda; em 2020, quando a Associated Press a cortou de uma foto em Davos, transformou o caso num debate mundial sobre quem a imprensa mostra.

    Fontes
  • Jamie Margolin

    Cofundadora do Zero Hour (EUA) e autora de Youth to Power (2020)

    Escreveu um guia prático para jovens ativistas que cobre artigos de opinião, comunicados de imprensa, eventos, protestos pacíficos, gestão do tempo e prevenção do esgotamento.

    Fontes
  • Fridays for Future Deutschland

    Rede nacional de grupos locais (Ortsgruppen)

    Publicou em 2019 o guia de quatro passos para abrir um grupo local e manteve um documento de estrutura votado pelos grupos, com delegados, uma call nacional e órgãos eleitos por mandatos curtos.

    Fontes
  • Presse-AG e Presseteam (FFF Deutschland)

    Grupo de trabalho de imprensa e equipe nacional de imprensa

    Escreveram o Pressekonzept (v1.0.1, março de 2021): uma equipe de quatro pessoas eleitas, que não dá entrevistas, recebe todos os pedidos nacionais e os distribui por porta-vozes diversos.

    Fontes
  • Carla Reemtsma

    Porta-voz do Fridays for Future na Alemanha

    Uma das porta-vozes da greve de 14 de fevereiro de 2025, que ligou o clima à defesa da democracia a uma semana das eleições federais.

    Fontes
  • Mattias Wahlström, Piotr Kocyba, Michiel De Vydt e Joost de Moor

    Pesquisadores, editores do relatório Protest for a Future (2019)

    Coordenaram questionários aplicados a quem estava nas greves de 15 de março de 2019 em 13 cidades europeias: quem eram, como souberam, por que foram.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

O que organizadoras e organizadores escreveram e disseram sobre o método.

O que organizadoras e organizadores escreveram e disseram sobre o método. Paráfrases, com a fonte; citações curtas entre aspas.

  • O objetivo é fazer pressão moral sobre quem decide, para que ouça a ciência e aja com força para limitar o aquecimento. O movimento é independente de partidos e de interesses comerciais.

    Fridays for Future (movimento internacional), Who we are, fridaysforfuture.org

  • Faça a greve sempre no mesmo lugar e à mesma hora, para que outras pessoas possam se juntar; escreva o cartaz com a sua própria voz; envie hora, lugar e o que haverá para fotografar às redações locais.

    Fridays for Future (movimento internacional), How to strike, fridaysforfuture.org

  • Para abrir um grupo local: um grupo de Telegram ou WhatsApp, dois ou três delegados eleitos e substituíveis a qualquer momento, e uma única pessoa que recebe todos os pedidos de imprensa.

    Fridays for Future Deutschland, Handlungsempfehlung für Ortsgruppen, maio de 2019

  • Promover rostos novos e pôr os muito conhecidos mais atrás na fila, para que poucos rostos não passem a representar o movimento inteiro.

    Presse-AG do Fridays for Future Deutschland, Pressekonzept v1.0.1, 25 mar. 2021

Mais 6 citações

A história

No fim do verão de 2018, depois de ondas de calor e incêndios, uma estudante de 15 anos tentou convencer colegas a fazerem greve escolar pelo clima.

No fim do verão de 2018, depois de ondas de calor e incêndios, uma estudante de 15 anos tentou convencer colegas a fazerem greve escolar pelo clima. Ninguém se interessou. Em 20 de agosto, ela foi sozinha para a frente do Parlamento sueco com um cartaz. Treze meses depois, a mesma imagem (jovens com cartazes feitos à mão, numa sexta, diante de um prédio do poder) se repetia em milhares de cidades.

1,6 M
pessoas na primeira greve global, 15 mar. 2019 (estimativa citada pelos pesquisadores)estimativa
4 M+
pessoas em 20 set. 2019, em cerca de 4.500 locais de 150 países (organizadores)dado da campanha
38%
dos estudantes nas greves de 15 mar. 2019 iam a uma manifestação pela primeira vezestudo
54,7%
desses estudantes souberam da greve por contato direto; 34,4% pelas redes sociaisestudo

De uma pessoa a milhões

  1. 20 ago. 2018Greta Thunberg se senta sozinha diante do Riksdag com o cartaz “Skolstrejk för klimatet” e publica uma foto no Instagram. No mesmo dia, segundo o Svenska Dagbladet, o empresário Ingmar Rentzhog, da startup We Don’t Have Time, leva um fotógrafo, publica a foto dela no Facebook e no Instagram e um vídeo em inglês no YouTube. No segundo dia, outras pessoas se juntam; em cerca de uma semana a imprensa internacional chega.
  2. 7–8 set. 2018Às vésperas da eleição sueca, ela e outros grevistas decidem continuar toda sexta até a política sueca se alinhar com o Acordo de Paris, e lançam o #FridaysForFuture com um convite a jovens do mundo todo.
  3. dez. 2018O discurso de Thunberg na COP24, em Katowice, viraliza. Mais de 20 mil estudantes fazem greve em pelo menos 270 cidades. Em 14 de dezembro, Luisa Neubauer é organizadora e porta-voz de uma das primeiras greves na Alemanha.
  4. jan. 2019Vanessa Nakate começa uma greve solitária diante do Parlamento de Uganda. Na Suíça e na Alemanha, pelo menos 45 mil estudantes protestam em 17 e 18 de janeiro.
  5. 15 mar. 2019Primeira greve global: cerca de 2.200 eventos em 125 países. Só na Alemanha, mais de 300 mil estudantes em 230 cidades. Pesquisadores aplicam questionários em 13 cidades europeias.
  6. abr. 2019O Fridays for Future alemão publica o guia para abrir grupos locais e aprova a primeira versão do seu documento de estrutura (14 abr.), votado pelos grupos.
  7. 20–27 set. 2019Semana global pelo clima: mais de 4 milhões no dia 20 (1,4 milhão na Alemanha, em 575 manifestações) e cerca de 2 milhões no dia 27. Para a semana inteira, o Guardian estimou cerca de 6 milhões; a 350.org, 7,6 milhões.
  8. jan.–mar. 2020Em Davos, a AP corta Vanessa Nakate de uma foto com quatro ativistas europeias e depois pede desculpas. Com a pandemia, as greves passam para casa e para as redes.
  9. out. 2023–2025A guerra em Gaza divide o movimento: no fim de outubro de 2023, Thunberg e o perfil internacional publicam mensagens de solidariedade aos palestinos que chamam a ofensiva israelense de genocídio; o FFF alemão diz que essas publicações não o representam, e Neubauer afirma que as divergências sobre Israel e Palestina não justificam antissemitismo nem desinformação. Em 14 de fevereiro de 2025, a uma semana das eleições alemãs, mais de 130 mil pessoas em mais de 150 ações, segundo os organizadores.
  10. out. 2026Na Áustria, a primeira greve nacional desde a primavera é convocada por uma rede de cerca de 300 pessoas ativas em oito estados; um estudo de agosto de 2026 descreve mais deslegitimação na mídia e mais repressão desde 2022.

Três camadas

Não havia sede nem chefe. Havia três camadas, ligadas por chats, delegados e uma data comum.

  • O gesto e as datas comunsThunberg e o perfil internacional davam o exemplo e anunciavam as greves globais; o site oferecia o mapa, o logo livre e o guia de como fazer greve.
  • Grupos locais autônomosCada cidade com pelo menos três ativistas podia ter o seu grupo, com chat, plenário, delegados e contato de imprensa próprios. Na Alemanha, se coordenavam por uma call nacional em que cada grupo tinha um voto.
  • Aliados adultosScientists for Future dava respaldo aos fatos, Parents for Future e ONGs como Greenpeace e BUND ajudavam com logística, e a 350.org coorganizou a semana de setembro de 2019. Mais tarde vieram alianças com sindicatos.
O que não se sabe. Os números de participação são, quase sempre, estimativas dos organizadores; a polícia costuma contar menos (em Berlim, em fevereiro de 2025, 8 mil para a polícia, mais de 10 mil para os organizadores).

Nenhum estudo citado aqui mede o efeito das greves sobre leis concretas. Não foi possível ler o texto completo do Pressekonzept, só a sua parte pública; nem confirmar em fonte aberta o uso de Discord pelo movimento, por isso não aparece aqui.

O terreno

O método nasceu na Europa, com imprensa livre, direito de manifestação e redes sociais abertas, e foi copiado em países muito diferentes.

O método nasceu na Europa, com imprensa livre, direito de manifestação e redes sociais abertas, e foi copiado em países muito diferentes. Saber o que dependia desse terreno ajuda a escolher o que trocar no seu.

Plataformas

Instagram
Onde a primeira foto foi publicada e onde os grupos locais anunciavam greves e mostravam fotos depois. Uma análise de redes de fevereiro de 2019 mostrou que era ali que estavam as pessoas diretamente envolvidas.
Twitter (hoje X)
O palco de jornalistas, políticos e pesquisadores: foi lá que a greve ganhou amplificação fora da bolha e que muitos pedidos de imprensa nasceram.
WhatsApp e Telegram
A espinha dorsal dos grupos locais na Alemanha: o guia oficial mandava começar por um grupo num dos dois e enviar o link à coordenação para ser publicado no site.
Slack e calls de vídeo
Nos EUA, organizadores se coordenavam pelo Slack; na Alemanha, a call nacional de delegados e as equipes se reuniam por telefone e vídeo (BigBlueButton, Jitsi).
Imprensa local e nacional
Jornais, rádios e TVs foram o principal multiplicador da imagem da greve: estudantes faltando à aula numa sexta eram notícia por si só.
Ferramentas próprias
O movimento alemão montou ferramentas abertas: gerador de imagens no estilo do movimento (Toolpic), nuvem, editores de texto compartilhados, enquetes, encurtador de links e e-mail para cada grupo local.

Condições locais

  • O verão de 2018 foi o mais quente já registrado na Suécia, com incêndios florestais, e havia eleições gerais em 9 de setembro: um prazo e um tema na cabeça de todos.
  • Os grevistas, em sua maioria, não podiam votar: faltar à aula era a única forma de pressão ao seu alcance, e a transgressão era o que tornava a greve notícia.
  • Grandes palcos internacionais deram picos de atenção: a COP24 em Katowice (dezembro de 2018), o Fórum de Davos (janeiro de 2019), a Cúpula do Clima da ONU (setembro de 2019).
  • Direito de manifestação garantido na maior parte da Europa, com registro prévio das manifestações junto à polícia ou da autoridade local.
  • Apoio de adultos com credibilidade: milhares de cientistas assinaram cartas (Scientists for Future), e surgiram Parents for Future e alianças com ONGs.
  • Hostilidade de parte da classe política, que chamou as greves de vadiagem escolar; em alguns países houve punições e prisões, e em julho de 2020 a Índia bloqueou o site do coletivo indiano.
  • A pandemia de 2020 tirou o movimento das ruas no auge e empurrou as greves para formatos online.

O método

O Fridays for Future não inventou a greve nem o protesto jovem.

O Fridays for Future não inventou a greve nem o protesto jovem. A combinação é que foi nova: um gesto que qualquer pessoa pode copiar sozinha, uma estrutura que deixa qualquer grupo copiá-lo com o mesmo nome, e uma imprensa trabalhada para mostrar muitos rostos em vez de um.

Três frentes

O ritual repetível
Mesmo lugar, mesma hora, toda sexta, diante de um prédio do poder, com um cartaz feito à mão e uma exigência baseada na ciência. A repetição torna fácil juntar-se; a imagem é sempre a mesma e sempre fotografável.
A franquia aberta
Logo livre para quem faz greve (proibido a partidos e empresas), mapa para registrar cada ação, guia de quatro passos para abrir um grupo local e datas globais em que todos saem juntos.
A imprensa organizada
Um contato de imprensa por grupo local, uma equipe nacional que não aparece e distribui os pedidos, porta-vozes escolhidos por tema, região e diversidade, e fotos enviadas às redações no próprio dia.

O ciclo de uma greve

Cada greve global repetia os mesmos oito passos, de algumas semanas antes ao dia seguinte.

  1. Marcar a data Uma data comum para todos, colada a um momento político: uma eleição, uma cúpula, uma votação.
  2. Registrar Cada grupo põe a sua ação no mapa e informa a autoridade local, se a lei exigir.
  3. Recrutar Corrente de mensagens com o link do grupo, convite a amigos e colegas, cartazes na escola. O contato direto pesa mais do que as redes.
  4. Avisar a imprensa Aviso de pauta às redações locais: hora, lugar, o que haverá para fotografar, quem fala e quem atende o telefone.
  5. Preparar quem fala Escolher porta-vozes, dar a eles duas ou três mensagens e os números, treinar as perguntas difíceis.
  6. Fazer a greve Cartazes, palavras de ordem, discursos curtos. Fotografar durante e mandar as melhores imagens às redações na hora.
  7. Contar e mostrar Publicar o número de pessoas e de locais (dizendo quem contou), as fotos e a exigência. E medir o que acontece fora da tela: quantas pessoas voltaram, quantas vieram pela primeira vez, quantos grupos locais novos abriram e que resposta concreta veio de quem decide.
  8. Agradecer e marcar a próxima Agradecer a quem foi, rever o que falhou no plenário e anunciar a próxima data.

E recomeça.

Toolkit

O que é preciso para montar uma greve ou um movimento de rua com trabalho de imprensa sério: pessoas com papéis claros, ferramentas simples…

O que é preciso para montar uma greve ou um movimento de rua com trabalho de imprensa sério: pessoas com papéis claros, ferramentas simples e regras de comunicação escritas antes do primeiro pedido de entrevista.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Os grupos locais alemães definiam quem coordena, quem representa o grupo e quem atende a imprensa; o nível nacional tinha equipes eleitas por mandatos curtos para não deixar ninguém dono de nada.

Equipe mínima

Núcleo do grupo local
Pelo menos três pessoas da mesma cidade ou bairro. Abrem o chat, marcam o plenário semanal, escrevem a ata de cada reunião e garantem que o grupo é independente de partidos.
Delegados
Dois ou três por grupo, eleitos e substituíveis a qualquer momento. Levam as decisões do grupo à coordenação nacional e trazem de volta as votações. Em Göttingen, o papel mudava a cada dois meses.
Contato de imprensa local
Uma única pessoa recebe todos os pedidos de imprensa do grupo, mantém a lista de redações e encaminha à equipe nacional o que tiver alcance nacional. Não precisa ser quem dá as entrevistas.
Equipe nacional de imprensa
Quatro pessoas eleitas, que não dão entrevistas. Recebem todos os pedidos nacionais (talk shows, grandes jornais e rádios, debates), escolhem quem vai, preparam porta-vozes com briefings e workshops e avaliam cada aparição.
Porta-vozes
Várias pessoas, escolhidas por pedido segundo critérios escritos: eficácia política, tema, cidade ou campo, região, diversidade (pessoas racializadas e mulheres e pessoas trans e não binárias), notoriedade e trabalho ativo no movimento.
Foto e redes
Faz as imagens do estilo do movimento antes da greve, fotografa durante, envia as melhores fotos às redações no mesmo dia e publica o balanço depois.
Cuidado e awareness
Ponto de contato para assédio, ameaças e comportamentos abusivos, online e nas reuniões. Com o acordo de quem foi atingido, encaminha os casos a um órgão de sanções separado.
Moderação e comunicação interna
Prepara e modera a call de coordenação, faz a ata e o resumo, escreve as perguntas de votação de forma neutra e publica os resultados logo depois.

Ritmo semanal e da greve global

  1. Toda sextaA greve: mesmo lugar, mesma hora. É isso que permite a quem chega pela primeira vez saber onde encontrar o grupo.
  2. Toda semanaPlenário do grupo local com moderação rotativa e ata; call da equipe de imprensa para dividir os pedidos e refletir sobre a estratégia; call nacional com os delegados.
  3. 3 a 2 semanas antes da greve globalRegistrar a ação no mapa e junto à autoridade; abrir a corrente de recrutamento; enviar o primeiro aviso de pauta às redações locais.
  4. Semana da greveEquipe de imprensa escolhe porta-vozes por região; briefing com duas ou três mensagens, os números e as perguntas difíceis; segundo aviso de pauta com as imagens previstas e as figuras locais confirmadas.
  5. Dia da greveContato de imprensa com o celular ligado no local; fotos às redações durante a ação; contagem de pessoas; balanço publicado no mesmo dia.
  6. Dia seguinteAgradecer a quem foi, juntar o clipping, registrar quem falou com quem e o que saiu, e marcar a próxima data.

A regra da equipe nacional de imprensa alemã: pedidos com alcance nacional são comunicados cedo e decididos com a pessoa convidada, não tirados dela. Pedidos sem sentido estratégico podem ser recusados, mas só por maioria da equipe.

Plano B

  • Grupo no Telegram e no WhatsApp ao mesmo tempo, com o link publicado no site: se um falha, o outro continua.
  • Um link curto atualizável para o grupo, para trocar o destino sem reimprimir cartazes.
  • Um e-mail do grupo (cidade@…) em vez do e-mail pessoal de um menor, para a imprensa e as autoridades.
  • Mandatos escalonados na equipe de imprensa: a cada três meses entram duas pessoas, que trabalham com duas que já têm três meses de experiência.
  • Ata de cada plenário e uma tabela de todos os pedidos de imprensa, visível aos delegados: o conhecimento não sai com quem sai.
  • Formato de greve em casa (cartaz, foto e hashtag) pronto para quando a rua fechar, como em 2020.

Tecnologia

Quase tudo é grátis. O movimento alemão preferiu ferramentas abertas e próprias às das grandes empresas, para proteger os dados de jovens: um grupo de trabalho técnico, a Web AG, criou e hospedava uma nuvem própria (arquivos, formulários, enquetes, calendário), um editor de textos colaborativo, enquetes, servidores de videochamada, um encurtador de links, o gerador de imagens, a gestão de e-mails e páginas de links para os grupos locais.

  • Grupo de Telegram ou WhatsAppGrátis

    O chat do grupo local: decisões rápidas, avisos, corrente de recrutamento. Um administrador adulto ou responsável e regras fixadas no topo.

  • Canal de anúncios e perfil do grupoGrátis

    Canal no Telegram ou perfil no Instagram só para anúncios: data, hora, lugar, fotos e balanço. Separado do chat de discussão.

  • Mapa e registro de grevesGrátis

    Cada ação registrada no mapa do movimento, com local e hora, para quem procura e para a imprensa contar.

  • Página de grupos locaisGrátis

    Lista pública com o link do chat de cada cidade, para quem quer entrar encontrar o grupo mais próximo.

  • Gerador de imagensGrátis

    Ferramenta para fazer cartões, logos com o nome da cidade, mapas de percurso e animações curtas no estilo do movimento (no caso alemão, o Toolpic).

  • Lista de imprensa e e-mail do grupoGrátis

    Planilha com redações, jornalistas, editorias, contatos e o que já publicaram; e-mail do grupo para enviar avisos de pauta e fotos.

  • Registro de pedidos de imprensaGrátis

    Tabela compartilhada com cada pedido: veículo, prazo, quem foi indicado e por quê, o que saiu. É a memória e a prova de que a distribuição é justa.

  • Enquetes e votaçõesGrátis

    Ferramenta de enquete para datas e decisões simples; votação com contas verificadas quando cada voto tem de ser conferido.

  • Videochamadas abertasGrátis

    BigBlueButton ou Jitsi para plenários e a call nacional, sem obrigar ninguém a criar conta.

  • Encurtador e página de linksGrátis

    Links curtos e atualizáveis para o chat e uma página que junta redes, canais e site.

  • ClippingGrátis

    Alertas de notícias com o nome do movimento e da cidade, para montar o clipping semanal.

  • E-mail anônimo e rede de defesaGrátis

    Endereços que não revelam a identidade de quem está em risco e contato prévio com uma rede de apoio jurídico e de segurança a ativistas.

Guias rápidos por canal

Colunas do registro de imprensa

Data do pedido · Veículo e jornalista · Formato e prazo · Alcance (local ou nacional) · Quem foi indicado · Critério da escolha · Briefing feito (sim/não) · O que saiu (link) · Avaliação

Custo para começar: zero. Um domínio próprio, cerca de 10 € por ano, e material para cartazes. O caro é o tempo de quem coordena, sobretudo em época de provas.

Comunicação

A imprensa levou a greve longe. Funcionou porque havia uma imagem forte, uma exigência simples e uma regra clara sobre quem fala. O tom: urgente e calmo, com a ciência por trás e a sua própria voz na frente.

A fórmula de um aviso de pauta

  1. Título O quê, onde e quando numa linha: “Greve pelo clima diante da Câmara Municipal, sexta, 12h.”
  2. A imagem O que haverá para fotografar: cartazes feitos à mão, a faixa, a marcha, o número de escolas.
  3. A exigência Uma frase, baseada na ciência, dirigida a quem decide.
  4. O gancho Por que agora: a votação, a cúpula, o calor do verão, a data global em X países.
  5. Quem fala Os porta-vozes disponíveis e as figuras locais confirmadas: cientistas, médicos, professores.
  6. O contato Nome e telefone do contato de imprensa, e o e-mail do grupo. Nunca o telefone pessoal de um menor.
  7. O depois A promessa de mandar fotos e o número de participantes até uma hora concreta, e cumpri-la.

Regras de comunicação

  • Uma só pessoa recebe os pedidos de imprensa do grupo; quem dá a entrevista é decidido por critério, não por quem atendeu o telefone.
  • Pedidos de alcance nacional vão para a equipe nacional, cedo. Ninguém aceita sozinho um talk show em nome do movimento.
  • Muitos rostos, não um: ponha rostos novos à frente e os mais conhecidos atrás. Um só rosto atrai todo o ódio e vira alvo fácil.
  • Confira quem aparece na foto antes de enviá-la. Se a imprensa cortar alguém, peça a correção em público, sem perder a exigência de vista.
  • Fale pelo seu grupo. Os grupos são autônomos: diga quando uma posição é do grupo local e quando é do movimento.
  • Escreva o cartaz e a fala com a sua voz: por que você se importa e o que quer que aconteça. Os números, com fonte científica.
  • Não responda a ataques pessoais com outro ataque; volte à exigência e aos fatos.
  • Nada de nomes completos, escola ou endereço de menores sem consentimento dos responsáveis; fotos de crianças só com autorização.
  • O logo é de quem faz greve: nunca de partidos nem para vender.

Exemplo de aviso de pauta

AVISO DE PAUTA: Greve pelo clima, sexta-feira, 12h, em frente à Câmara Municipal. Estudantes de seis escolas vão parar à mesma hora que grupos em dezenas de países. Para fotografar: centenas de cartazes feitos à mão e uma faixa de 20 metros com a nossa exigência: um plano municipal para cortar as emissões em linha com o Acordo de Paris. Falam: duas porta-vozes do grupo e uma climatologista da universidade local. Contato de imprensa: [nome], [telefone], [e-mail do grupo]. Enviamos fotos e o número de participantes até as 15h.

Levar para o seu contexto

O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado.

O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado. Escolha o seu país no topo do toolkit para ver as ferramentas equivalentes.

Funciona em qualquer lugar

  • Um gesto simples que uma pessoa sozinha pode fazer amanhã e que qualquer outra pode copiar.
  • Mesmo lugar, mesma hora, toda semana, para quem chega saber aonde ir.
  • Uma franquia aberta: nome e logo livres, guia curto para abrir um grupo local, mapa para registrar cada ação.
  • Datas comuns coladas a momentos políticos, para que todos saiam juntos.
  • Um contato de imprensa por grupo e uma regra escrita sobre quem fala, sobre o quê e por quem.
  • Muitos rostos e porta-vozes diversos, com rodízio e preparação.
  • Proteção de quem é jovem e de quem está exposto: dados mínimos, consentimento, cuidado contra o assédio.

Depende do contexto

Greve escolar
Onde faltar à aula traz punições graves ou não é possível, use as alternativas do próprio movimento: greve na entrada da escola, greve silenciosa com quadro branco, greve no almoço, fita verde ou azul. Ou troque por uma ação de trabalhadores, de bairro ou de universidade.
WhatsApp e Telegram
Use o aplicativo de mensagens que domina no seu país (Signal, Viber, LINE, KakaoTalk, Messenger); onde a vigilância é um risco, prefira mensagens cifradas e grupos menores.
Imprensa livre e curiosa
Onde a mídia é controlada ou ignora o tema, as fotos e os balanços vão direto para as redes, rádios comunitárias e imprensa internacional; mantenha a mesma disciplina de quem fala.
Registro de manifestações
Confirme as regras locais: aviso prévio, som amplificado, percurso. Onde o protesto é reprimido, comece por ações pequenas, dispersas e seguras.
Grandes cúpulas como gancho
Troque a COP ou Davos pelo seu calendário: a votação do orçamento municipal, uma eleição, um licenciamento, o aniversário de um desastre.
Aliados adultos (cientistas, pais, ONGs)
Encontre as vozes com credibilidade no seu lugar (médicos, professores, sindicatos, igrejas, agricultores) e dê a elas um papel definido.

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit. Cada uma funciona sozinha ou combinada com jogadas de outros playbooks.

  1. Ritual de sexta: mesmo lugar, mesma hora

    Um gesto que uma pessoa sozinha pode começar amanhã e que qualquer outra pode copiar: mesmo lugar, mesma hora, toda semana, diante de um prédio do poder, com cartaz feito à mão e uma exigência baseada na ciência. Começou com uma estudante sozinha em Estocolmo, em 20 de agosto de 2018, mas a primeira divulgação não foi solitária: no mesmo dia, segundo o Svenska Dagbladet, o empresário Ingmar Rentzhog (We Don’t Have Time) levou um fotógrafo e publicou a foto dela e um vídeo em inglês.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há um tema urgente na cabeça de todos e um prédio do poder onde a imagem se repete e é sempre fotografável.
    Não use quando
    Não funciona se o lugar e a hora mudam a cada semana, nem onde a manifestação é reprimida: aí comece por ações pequenas, dispersas e seguras.
    1. Semana −12 Escolher o prédio do poder, o dia e a hora fixos
    2. Semana −12 Escrever o cartaz com a sua própria voz e uma exigência com fonte científica
    3. Semana −12 Informar a polícia ou a autoridade local, se a lei exigir
    4. Semana −11 Mandar hora, lugar e o que haverá para fotografar às redações locais
    5. Semana −10 Voltar toda semana, à mesma hora, mesmo com pouca gente
    6. Semana −8 Publicar fotos e o número de presentes depois de cada greve

    Equipe

    • Grevista que começa: mantém o lugar e a hora toda semana
    • Foto e redes: fotografa e publica o balanço
    • Contato de imprensa: avisa as redações e atende o telefone

    O que medir: Pessoas presentes a cada sexta e quantas vieram pela primeira vez, contadas no local.

    Riscos a vigiar: Menores em público e sob atenção: autorização dos responsáveis para fotos, nada de nome completo ou escola, e conversa prévia com a escola sobre as faltas.

  2. Grupo local com três pessoas e quatro passos

    Uma franquia aberta: qualquer grupo de três pessoas da mesma cidade abre um grupo local com chat, dois ou três delegados eleitos e substituíveis e uma única pessoa para a imprensa, com nome e logo livres. Em 20 de setembro de 2019, segundo os organizadores, houve ações em cerca de 4.500 locais de 150 países.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando o gesto já está pronto para copiar e aparecem pessoas em outras cidades querendo fazer o mesmo.
    Não use quando
    Não funciona se o nome e o logo servem a partidos ou a vendas, nem quando a autonomia vira divisão sem nenhuma regra comum para resolver desacordos.
    1. Semana −8 Publicar o guia de quatro passos e o logo livre para quem faz greve
    2. Semana −8 Juntar três pessoas da mesma cidade e abrir o grupo no Telegram ou WhatsApp
    3. Semana −8 Eleger dois ou três delegados e uma pessoa de contato com a imprensa
    4. Semana −7 Mandar o link do grupo para a página de grupos locais
    5. Semana −6 Marcar o plenário semanal com moderação rotativa e ata
    6. Semana −4 Ligar os delegados à call de coordenação, com um voto por grupo

    Equipe

    • Núcleo do grupo local: abre o chat, marca o plenário e garante a independência
    • Delegados: levam e trazem as decisões, substituíveis a qualquer momento
    • Moderação: prepara a call, escreve a ata e publica os resultados

    O que medir: Grupos locais novos abertos com chat, delegados e contato de imprensa definidos, contados na página de grupos.

    Riscos a vigiar: Dados de jovens e assédio: use e-mail do grupo em vez do pessoal de um menor, colete o mínimo e tenha um ponto de contato para ameaças.

  3. Imprensa com regra e muitos rostos

    Uma pessoa por grupo recebe todos os pedidos de imprensa, uma equipe nacional que não dá entrevistas distribui os pedidos e porta-vozes são escolhidos por critério escrito (tema, região, diversidade), com rodízio. O movimento alemão punha rostos novos à frente e os muito conhecidos mais atrás.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a imprensa já procura o movimento e há risco de poucos rostos passarem a representar todos.
    Não use quando
    Não funciona se quem atende o telefone vira quem fala sempre, nem se alguém aceita sozinho um grande programa em nome do movimento.
    1. Semana −6 Escrever a regra: quem recebe os pedidos, quem decide e por que critério
    2. Semana −6 Abrir a tabela de pedidos: veículo, prazo, quem foi indicado e por quê
    3. Semana −3 Preparar porta-vozes com duas ou três mensagens, os números e as perguntas difíceis
    4. Semana −1 Na semana da ação, escolher porta-vozes por região
    5. Semana −1 Conferir quem aparece nas fotos antes de enviá-las às redações
    6. Semana do dia D No dia, contato de imprensa com o celular ligado no local
    7. 1 semana(s) depois Depois, avaliar cada aparição e trocar a ordem do rodízio

    Equipe

    • Contato de imprensa local: recebe todos os pedidos do grupo
    • Equipe nacional de imprensa: distribui pedidos e prepara porta-vozes, sem dar entrevistas
    • Porta-vozes: várias pessoas em rodízio, escolhidas por critério
    • Cuidado e awareness: ponto de contato para ameaças e abusos

    O que medir: Porta-vozes diferentes, preparados com briefing, que de fato deram entrevista no período, contados na tabela de pedidos.

    Riscos a vigiar: Um só rosto atrai todo o ódio: rodízio, preparação e uma rede de defesa de ativistas pronta para ameaças e difamação.

  4. Data global colada a um momento político

    Uma data comum para todos, colada a uma eleição, cúpula ou votação, com cada ação registrada no mapa, aviso de pauta às redações e balanço no mesmo dia. Em 15 de março de 2019, cerca de 1,6 milhão de pessoas foram às ruas, segundo estimativa citada por pesquisadores, e 38% dos estudantes entrevistados iam a uma manifestação pela primeira vez.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há grupos locais suficientes e um momento político próximo que dá gancho à imprensa.
    Não use quando
    Não funciona se o número é inflado (aí ele vira a notícia), nem se a atenção não é convertida em pedidos concretos a quem decide.
    1. Semana −8 Escolher a data comum, colada a uma votação, cúpula ou eleição
    2. Semana −3 Cada grupo registra a ação no mapa e informa a autoridade, se a lei exigir
    3. Semana −3 Abrir a corrente de recrutamento: link do grupo a amigos e colegas, cartazes na escola
    4. Semana −2 Mandar o primeiro aviso de pauta às redações locais
    5. Semana −1 Mandar o segundo aviso com as imagens previstas e as figuras locais confirmadas
    6. Semana do dia D No dia, contar as pessoas, mandar fotos durante e publicar o balanço
    7. 1 semana(s) depois No dia seguinte, agradecer, juntar o clipping e anunciar a próxima data

    Equipe

    • Coordenação: marca a data e mantém o mapa
    • Recrutamento: puxa a corrente de mensagens e os cartazes
    • Imprensa: avisos de pauta, fotos e balanço

    O que medir: Locais registrados no mapa e pessoas presentes (dizendo quem contou), mais as respostas concretas que vieram de quem decide.

    Riscos a vigiar: Números inflados e anúncios fora da lei derrubam a credibilidade: diga quem contou e confirme as regras de publicidade política antes de pagar qualquer anúncio.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

Decida como a organização

Seis situações reais da história do Fridays for Future. Escolha o que faria e veja o que aconteceu e o que a experiência ensina.

Plano de 8 semanas

Da primeira greve sozinha a uma greve com imprensa preparada, como lista de verificação.

Da primeira greve sozinha a uma greve com imprensa preparada, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Semana 1: Começar

  2. Semanas 2–3: Abrir o grupo

  3. Semanas 3–4: Preparar a imprensa

  4. Semanas 5–7: Crescer até a data comum

  5. Semana 8: A greve

Regras

O movimento era feito, em grande parte, por menores de idade, sob muita atenção pública.

O movimento era feito, em grande parte, por menores de idade, sob muita atenção pública. A cultura da greve do próprio Fridays for Future já excluía violência, dano, lixo, lucro e ódio. Estas regras protegem as pessoas e a credibilidade.

Lei de manifestação
Informe a polícia ou a autoridade quando a lei exigir; confirme regras para som amplificado e percurso. O movimento avisa que raramente pode dar apoio jurídico: procure antes ONGs com advogados de protesto.
Menores e consentimento
Peça autorização dos responsáveis para fotos e entrevistas de menores; não publique nome completo, escola ou endereço; colete o mínimo de dados pessoais (RGPD, LGPD).
Escola
Faltar pode ter consequências. Fale antes com a direção e os professores, leve a informação científica e ofereça alternativas dentro da escola.
Independência
Sem ligação a partidos nem a interesses comerciais. O logo não pode ser usado por partidos nem para vender.
Só gente real
Nada de perfis falsos, bots ou contas compradas para inflar a greve, denunciar adversários ou fingir apoio. Coordenar pessoas reais para dizerem o que pensam é permitido; o que as plataformas punem é organizar curtidas, seguidores ou hashtags em série para enganar o algoritmo. O X, por exemplo, proíbe trocar engajamento e usar uma hashtag em alta para manipular a conversa.
Números honestos
Diga de onde vem a contagem (organizadores, polícia) e não a infle. Um número exagerado vira a notícia.
Proteção contra assédio
Tenha um ponto de contato para ameaças e abusos, uma rede de defesa de ativistas identificada e um procedimento para levar ameaças graves à polícia.
Dinheiro às claras
Doações registradas e relatório financeiro público; nenhum patrocínio de empresas que lucram com combustíveis fósseis.
Uso do nome de outros
Ninguém usa o nome ou a imagem de uma ativista para arrecadar dinheiro sem a sua autorização, como fez uma startup sueca com Thunberg em 2018, segundo a imprensa sueca.
Lei local
Cada país tem regras próprias sobre manifestação, dados de menores e publicidade política. Na UE, o Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência em anúncios políticos pagos, e desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais na UE (o que pode incluir anúncios sobre o clima), e o Google deixou de veicular publicidade política. Confirme com um advogado antes de começar.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Atenção, mas sem leis
Milhões nas ruas e capas de jornal não viraram, por si, as leis pedidas. Em 2025, Neubauer admitiu que esperava que as catástrofes mudassem a política, e não mudaram; o FFF alemão passou a trabalhar com sindicatos e alianças.
O pico não dura
De mais de 4 milhões num dia em 2019 a 130 mil na Alemanha em fevereiro de 2025, segundo os organizadores; na Áustria, em 2026, uma rede de cerca de 300 pessoas ativas. Já em setembro de 2019 os pesquisadores viam o “efeito Greta” diminuir.
Rostos atraem ódio
Quem aparece recebe ameaças, perseguição e campanhas de difamação, incluindo vídeos manipulados. Sem rodízio e sem cuidado, o movimento queima as pessoas que mais expõe.
A imprensa escolhe quem mostra
A foto cortada de Davos e o fim do grupo de Auckland, em 2021, por racismo contra pessoas racializadas mostram que um movimento global pode reproduzir quem já é visível.
Autonomia divide
Sem centro, não há quem resolva um desacordo. A guerra em Gaza, a partir de 2023, separou publicamente o perfil internacional e o grupo alemão, e custou confiança dos dois lados.
Depende da rua e do calendário
Férias, provas e a pandemia de 2020 travaram o ritmo. A greve online manteve o ritual, mas não a força.

Verificar

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

Cinco perguntas para confirmar o essencial. Cada resposta traz a explicação.

1. Segundo o questionário de 15 de março de 2019, como a maioria dos estudantes soube da greve?
2. Por que o guia do movimento recomenda fazer greve sempre no mesmo lugar e à mesma hora?
3. Na regra de imprensa do FFF alemão, o que faz a equipe nacional de imprensa?
4. O que é preciso, no guia alemão, para abrir um grupo local?
5. Qual é o limite mais claro do método, segundo os próprios organizadores?

Fontes

Este playbook foi construído sobretudo com os guias e documentos internos que o Fridays for Future publicou (o site internacional, os guias…

Este playbook foi construído sobretudo com os guias e documentos internos que o Fridays for Future publicou (o site internacional, os guias para grupos locais e o wiki do movimento alemão, incluindo o Pressekonzept), entrevistas e livros de organizadoras, o relatório Protest for a Future e reportagens de 2019 a 2026. Todas as páginas foram consultadas em 26 de outubro de 2026.

40 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Nick-D, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado em 26 de outubro de 2026

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