DIYfor change
PT-BR
André Janones sorrindo, de camisa polo azul

Brasil · 2026

Janonismo

Pessoal, urgente!

Como Janones abria cada missão no canal.

Em 21 dias, um canal de WhatsApp juntou 10,9 milhões de pessoas e ajudou a virar uma eleição presidencial.

Método criado por André Janones. Projeto independente, sem ligação ao deputado, a partidos ou a campanhas.

Em 30 segundos

O que é o janonismo?

Janonismo é o nome que André Janones deu ao seu método de comunicação política no livro Janonismo cultural (2023). Tem três frentes: distrair o adversário, ganhar votos falando da vida concreta e mobilizar. Em 2026, o Exército do Lula, um canal de WhatsApp que passou de 50 mil para 10,9 milhões de pessoas, levou a frente da mobilização ao 2.º turno, com missões diárias curtas para os apoiadores.

  1. −2,2 M → +4,4 M. Lula perdeu o 1.º turno por 2,2 milhões de votos e venceu o 2.º por 4,4 milhões.

  2. 50 mil → 10,9 M. Um dos motores da virada foi o Exército do Lula, canal de WhatsApp onde André Janones dava várias missões por dia.

  3. O que dá para levar: canal próprio antes de precisar, voz com autoridade, missões curtas com meta e prova, regras éticas e legais desde o início.

Os primeiros passos

  1. Definir quem é a voz e quem a substitui
  2. Criar o canal e o canal de reserva
  3. Confirmar com um advogado as regras eleitorais do seu país

Experimente agora Adapte com o coach

Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Quem fez

O método tem um autor que o escreveu antes de o usar em grande escala.

O método tem um autor que o escreveu antes de o usar em grande escala. A equipe que o apoiou em 2026 nunca foi identificada publicamente.

  • André Janones

    Deputado federal (Rede-MG), administrador do canal

    Criou o canal, gravava os áudios e decidia as missões. Descreveu o método no livro Janonismo cultural, sobre a campanha de 2022.

    Fontes
  • Luiz Inácio Lula da Silva

    Candidato

    Gravou o convite para o canal no dia 7 e entrou nele a 22 de outubro para dar ordens diretamente.

    Fontes
  • Porta-Vozes do Lula (PT)

    Programa oficial de militância digital

    Rede do partido com missões e ranking de apoiadores, lançada em junho de 2026; foi no lançamento que Janones expôs sua doutrina.

    Fontes
  • Fandoms pelo Brasil

    Rede de fã-clubes

    Movimento de fã-clubes que aderiu à campanha por iniciativa própria e lançou a ação “Mudou o local? Tem que avisar!” sobre locais de votação.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

O que Janones escreveu e disse sobre o próprio método.

O que Janones escreveu e disse sobre o próprio método. Paráfrases, com a página do livro ou a fonte.

  • O janonismo tem três frentes: distrair o adversário, ganhar votos falando da vida concreta e mobilizar. Em 2022, a mobilização foi o ponto fraco.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 72

  • Notícia falsa não se desmente: para o algoritmo, a acusação e o desmentido são o mesmo assunto.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 36

  • Conte um assunto como uma novela, em capítulos. Nunca duas novelas ao mesmo tempo, porque o algoritmo divide a relevância.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 29–30

  • Comunicação em teia, com um ponto central que distribui uma orientação única. Pouco democrática, admite, mas a melhor opção em campanha.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 62–63

Mais 6 citações
  • O caseiro vence o produzido; a selfie rende mais engajamento. Ou estética ou entrega, nunca as duas.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 21–22, 37

  • O chão de fábrica do voto está no Facebook e nos grupos de compra e venda do interior.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 25, 46–47

  • Nunca leu teoria sobre redes: aprendeu por tentativa e erro e só conheceu ferramentas de métricas durante a campanha.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 20, 37

  • “Razão não ganha eleição.” A emoção vale mais do que os números do governo.

    André Janones, Lançamento do Porta-Vozes do Lula, junho de 2026 (Poder360)

  • Na reta final, mais escândalos sobre o adversário já não mexiam na bolha mais fiel dele; o foco tinha de passar para indecisos e para quem não votou no 1.º turno.

    André Janones, Diário do Grande ABC / Estadão Conteúdo, 20 out. 2026

  • Não lhe parece saudável institucionalizar o janonismo durante um mandato.

    André Janones, Janonismo cultural (Civilização Brasileira, 2023), p. 88

A história

No primeiro turno, Lula ficou 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro.

No primeiro turno, Lula ficou 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro. A campanha perdia nas redes: os perfis oficiais dos candidatos estavam fora dos algoritmos de recomendação por regra do TSE, e era proibido pagar influenciadores. O alcance para fora da bolha só podia vir das contas pessoais dos apoiadores.

−2,2 M
votos atrás no 1.º turno, 4 de outubrooficial
10,9 M
seguidores no canal a 26 out., contra 50 mil a 5 out.dado da plataforma
+10,4 M
votos novos de Lula entre os turnosoficial
+4,4 M
votos à frente no 2.º turno, 25 de outubrooficial

Três semanas

  1. 5 out.Janones reconverte para Lula um canal de WhatsApp criado em abril e convoca os primeiros “soldados”.
  2. 7 out.2 milhões de seguidores em dois dias. Lula grava com ele um convite para o canal.
  3. 11–15 out.O presidente do TSE suspende o canal duas vezes; ele volta, registrado como meio oficial da campanha. Depois da primeira suspensão, Janones diz ter ganho 1 milhão de inscritos.
  4. 17 out.Cerca de 5 milhões. Missão do verde-amarelo: fotos fazendo o “L” com a camisa da Seleção, a que o próprio Lula adere.
  5. 18–20 out.Missões em tempo real durante o debate. Janones é internado com arritmia; o canal fica 19 horas parado e, segundo participantes, a rede inventa as próprias missões.
  6. 22 out.Lula entra no canal para dar ordens diretamente.
  7. 25 out.Lula vence com 51,79%. A abstenção cai de cerca de 33 para 30 milhões de eleitores.

O canal não estava sozinho

A campanha tinha três camadas emitindo para os mesmos milhões de pessoas. O canal foi a que deu escala.

  • Comando oficialTV, perfis de Lula e coordenação política, refeitos nos primeiros dias depois do 1.º turno.
  • Distribuição oficialContas do candidato, canal oficial de WhatsApp com 3,1 milhões e as redes de missões do partido.
  • Redes paralelasO canal de Janones, deputados com audiência própria, fã-clubes, artistas, grupos de bairro e as ruas.
O que não se sabe. Nenhum dado publicado isola o efeito do canal nos votos.

No mesmo período mudaram a coordenação, a TV, os debates e a mobilização de rua. O que mudou sem dúvida foi a atenção: entre 5 e 17 de outubro, Lula somou 110,7 milhões de interações nas redes contra 31,3 milhões do adversário. Entre organizadores circulou a versão de que Janones pediu a cada membro do canal que virasse um voto; nenhuma reportagem publicada a confirma. O documentado é menos: em 20 de outubro ele mudou o foco para indecisos e para quem não votou no 1.º turno, a convencer “com argumentação” (Estadão Conteúdo), e prometeu uma “última grande missão” cujo conteúdo não foi noticiado (Prensa Mercosur). O pedido explícito para conversar com quem se absteve veio de Lula, no ato da Avenida Paulista de 11 de outubro (Agência Pública). Os textos de conversa um a um e de local de votação em “Da tela à urna” são adaptação deste playbook, não mensagens reproduzidas do canal.

O resto da virada

O canal foi só uma peça.

O canal foi só uma peça. Nos dias depois do 1.º turno, a campanha de Lula mudou comando, mensagem e formato. Ainda não há balanço de quem coordenou; este quadro será revisto quando houver.

  • Novo comandoO senador Camilo Santana entrou como coordenador político, ao lado do presidente do PT, Edinho Silva; Rui Costa passou a cuidar da agenda e o governador Rafael Fonteles da comunicação. O Povo, 9 out. 2026
  • Fã-clubes põem as redes à disposiçãoLogo após o 1.º turno (4 e 5 out.), administradores de perfis de fãs de Taylor Swift, BTS, Beyoncé, Anitta e outros mandaram a @LulaOficial uma mensagem padrão oferecendo as redes, com foco em indecisos e em quem se absteve ou votou branco ou nulo. A equipe de Lula respondeu por mensagem privada. São páginas de fãs, não apoio dos artistas. Congresso em Foco, 5 out. 2026
  • Fã-clubes no Planalto, antes da campanhaEm agosto, representantes de fã-clubes se reuniram com Lula no Planalto; vieram dois decretos, contra cambistas digitais e por água gratuita em shows. Em 11 de outubro, Lula abriu o comício na Avenida Paulista agradecendo aos fandoms. BNews São Paulo, 11 out. 2026
  • Nordeste contra a abstençãoA coordenação nordestina foi chamada para aumentar a votação na região e trazer de volta quem tinha se abstido no 1.º turno. O Povo, 9 out. 2026
  • Mensagem mais dura em segurançaLula subiu o tom na segurança pública e apoiou a PEC da Segurança, com o lema “Para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão.” CNN Brasil/Itatiaia, 8 out. 2026
  • Vídeos gravados pelo próprio LulaUma das primeiras mudanças foram vídeos em formato selfie, gravados por ele, um formato a que antes resistia. CNN Brasil/Itatiaia, 8 out. 2026
  • Autocrítica públicaLula atribuiu a derrota no 1.º turno à falta de mobilização e chamou a campanha de a menos organizada de que participou desde 1989. CNN Brasil/Itatiaia, 8 out. 2026
  • Marketing reorganizado antesDesde agosto, o marketing estava com Raul Rabelo, depois de Lula manter Sidônio Palmeira apenas na Secom. Tribuna PR, 10 ago. 2026

O terreno

O Brasil de 2026 tinha regras e hábitos que o método aproveitou.

O Brasil de 2026 tinha regras e hábitos que o método aproveitou. Em outro país, alguns faltam.

Plataformas

WhatsApp
No interior do Brasil funciona como jornal. Os canais permitem falar com milhões sem expor números de telefone.
Instagram, TikTok e Kwai
Onde as missões de vídeo ganhavam alcance pelas contas pessoais dos apoiadores.
X
Palco do duelo de hashtags e dos assuntos do momento; serve para disputar a atenção, menos para ganhar votos.
Google
Buscas em massa sincronizadas com a TV fizeram termos subir no Google Trends, e quando ligaram o nome de um adversário a acusações, viraram risco de insinuação e crítica.
Facebook e grupos locais
Onde está o público mais velho e das classes C e D.

Condições locais

  • Uma regra do TSE tirou os perfis oficiais dos candidatos da recomendação algorítmica e a lei proíbe pagar influenciadores.
  • O Google não aceitou anúncios eleitorais pagos em 2026.
  • Sistema de dois turnos: três semanas entre a derrota e a decisão.
  • Um autor com audiência própria, construída desde 2018 com vídeos diretos sobre causas populares.
  • Uma Justiça Eleitoral que suspendeu e repôs o canal no meio da campanha.
  • Voto obrigatório para alfabetizados de 18 a 70 anos; facultativo aos 16 e 17 anos, depois dos 70 e para analfabetos. Quem falta tem de justificar ou pagar multa e, até regularizar, não tira passaporte nem carteira de identidade (TSE). Por isso a reta final aqui é sobretudo remover obstáculos práticos: transporte, distância, horário, título em outro município.

O método

Janones descreveu o método três anos antes, no livro Janonismo cultural (2023), sobre a campanha de 2022.

Janones descreveu o método três anos antes, no livro Janonismo cultural (2023), sobre a campanha de 2022. Em 2026 aplicou-o num canal de WhatsApp.

Três frentes

Ganhar votos
Falar todos os dias da vida concreta das pessoas (preços, salário, benefícios) na linguagem delas, onde elas estão.
Disputar a atenção
Decidir a pauta em vez de responder à do adversário. Não desmentir o que ele diz: desmentido também espalha.
Mobilizar
Uma voz central dá a ordem, milhões executam ao mesmo tempo, o resultado é mostrado e o ciclo recomeça.

O ciclo de uma missão

Cada missão passava pelos mesmos oito passos, várias vezes por dia.

  1. Observar Acompanhar as redes do candidato, dos aliados e dos adversários, a TV e os debates ao vivo.
  2. Decidir Escolher a missão do momento. Uma de cada vez.
  3. Produzir Gravar o áudio, preparar o vídeo, o card ou a hashtag e fixar uma meta.
  4. Disparar Publicar no canal com urgência. As reações medem a adesão.
  5. Executar Milhões de pessoas agem ao mesmo tempo em várias plataformas.
  6. Amplificar O conteúdo segue para grupos de família, de bairro, fã-clubes e para a rua.
  7. Provar Mostrar o resultado: o trending, as buscas, as visualizações.
  8. Recrutar Cada pessoa traz mais três. O canal cresce e o ciclo recomeça maior.

E recomeça.

Toolkit

Quem é preciso, que ferramentas usar e como escrever as missões, dentro das regras desta página.

Quem é preciso, que ferramentas usar e como escrever as missões, dentro das regras desta página.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Janones fazia quase tudo sozinho: quando foi parar na UTI, o canal ficou 19 horas parado.

Equipe mínima

A voz
Uma pessoa com audiência, autoridade e linguagem popular. Grava os áudios, decide as missões. Tem sempre uma substituta preparada.
Vigilância
Acompanha redes, TV e adversários em turnos e alerta a voz para o que está acontecendo agora.
Produção
Corta vídeos, faz cards, escreve legendas e o texto de cada missão.
Métricas
Confirma trending, buscas e visualizações e prepara a prova que volta para o canal.
Conformidade
Valida mensagens sensíveis, cuida do registro do canal e do arquivo de tudo o que foi publicado.
Rede local
Voluntários que coordenam grupos de cidade, bairro, escola ou fã-clube e levam as missões para fora do canal.

Ritmo diário

  1. 7hReunião curta: o que aconteceu, qual é o tema do dia.
  2. 8hPrimeira missão. Uma só.
  3. 12h–14hMissão de almoço, quando as pessoas pegam no celular.
  4. 18h–22hHorário nobre: TV, debates, missões em tempo real.
  5. 23hBalanço do dia no canal e meta para amanhã.

Entre três e seis missões por dia. Uma prioridade de cada vez: quando lançar várias hashtags juntas, diga qual é a principal, como fazia o canal.

Plano B

  • Um segundo administrador com acesso ao canal.
  • Um canal de reserva noutra plataforma, anunciado desde o primeiro dia.
  • Uma lista própria de contatos com consentimento, para não depender de uma única empresa.
  • Advogado de plantão nas semanas decisivas.

Tecnologia

As ferramentas são gratuitas. O gasto está nas horas de vigilância, produção e métricas.

  • Canal de WhatsAppGrátis

    Comunicação de um para muitos: só os administradores publicam, os seguidores reagem e encaminham. Os números de telefone ficam ocultos. É criado em Atualizações › Canais.

  • Canais de reservaGrátis

    Canal de transmissão no Instagram, canal no Telegram, live no YouTube. Para o dia em que o principal cair.

  • Página de adesãoGrátis a 10 €/ano

    Uma página simples com o link e o QR code do canal, as regras e o formulário de consentimento para a lista própria.

  • MonitoramentoGrátis

    Google Trends em tempo real, assuntos do momento no X, Biblioteca de Anúncios da Meta, alertas do Google.

  • Registro de missõesGrátis

    Uma planilha compartilhada com cada missão: data, hora, texto, objetivo, resultado e link de prova. É a memória da operação e o seu arquivo legal.

  • Links com UTMGrátis

    Links marcados para saber quantos cliques vieram do canal.

Guias rápidos por canal

Colunas do registro

Data e hora · Tipo de missão · Texto enviado · Plataforma · Meta · Resultado · Prova (link ou print) · Quem aprovou

Software: quase zero (um domínio, cerca de 10 € por ano). O custo real é gente (vigilância em turnos, produção, métricas e conformidade durante semanas) e um advogado de plantão. Orce horas de pessoas antes de orçar ferramentas.

Comunicação

O tom é de mensagem entre amigos, com urgência. A marca do canal foi o “Pessoal, urgente”, que virou meme.

A fórmula de uma missão

  1. Chamada Uma linha que para tudo: “Pessoal, urgente!”
  2. Ação Um único verbo: assistir, compartilhar, publicar, convidar, conversar.
  3. Onde A plataforma exata.
  4. Quando Agora, ou uma hora concreta.
  5. Meta Um número que todos possam ver se foi alcançado.
  6. Por quê Uma frase. Não mais.
  7. Prova A promessa de mostrar o resultado, e cumpri-la.

Regras de escrita

  • Uma missão de cada vez.
  • Não amplifique o que ainda não chegou ao seu público: citar um boato pequeno dá alcance a ele. Quando o boato já circula entre indecisos, responda (fato primeiro, boato uma vez só, fato de novo) e volte ao seu tema. Se você sabe que um ataque vem, explique-o antes que ele chegue.
  • Conteúdo próprio vence repost: peça às pessoas que gravem a própria versão.
  • Celular na mão bate estúdio. Selfie, falando com emoção, sempre com legendas.
  • Peça que assistam até o fim e comentem com as próprias palavras. Não organize curtidas em série para enganar o algoritmo: é o tipo de coordenação que as plataformas punem.
  • Um tema de cada vez, contado em capítulos ao longo de dias.
  • Crie uma identidade para o grupo: um nome, um gesto, uma palavra. Lá foi “soldado”; escolha a sua.
  • Celebre cada meta batida, no mesmo dia.

Exemplo

Pessoal, urgente! O vídeo de hoje sobre o preço dos alimentos acabou de sair. Assistam até o fim, curtam e compartilhem no Instagram agora: [link]. Meta: 1 milhão de visualizações até as 22h. Quem decide quem vê é o algoritmo, e o algoritmo somos nós. Às 22h eu mostro aqui o resultado.

Levar para o seu contexto

O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado.

O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado. Escolha o seu país no topo do toolkit para ver as ferramentas equivalentes.

Funciona em qualquer lugar

  • Ter um canal próprio, de um para muitos, antes de precisar dele.
  • Uma voz com autoridade e linguagem popular, com substituta preparada.
  • Uma missão de cada vez, com hora, meta e prova do resultado.
  • Conteúdo próprio dos apoiadores em vez de repost.
  • Não amplificar o adversário: pautar o seu tema.
  • Ligar a tela à rua e à logística do voto na reta final.
  • Conformidade legal, arquivo e redundância desde o primeiro dia.

Depende do contexto

Canal de WhatsApp
Onde a app dominante é outra (Telegram, Viber, LINE, KakaoTalk, Messenger), use o canal de transmissão dessa app. O seletor de país indica a mais usada.
Kwai
Troque pela rede de vídeo curto mais usada no seu país.
Três semanas entre turnos
Aplique o mesmo ritmo à reta final de qualquer campanha, a uma votação ou a um prazo decisivo de uma causa.
Um deputado com audiência própria
A voz pode ser uma criadora de conteúdo, uma líder sindical, um porta-voz estudantil. Alguém em quem as pessoas já confiam.
Registro no TSE
Confirme com um advogado o que a autoridade eleitoral do seu país exige para canais e contas de campanha.
Proibição de influenciadores pagos
Onde é permitido, declare sempre; onde não é, a rede de pessoas reais é a única via, e também a mais credível.
Voto obrigatório
Onde votar é facultativo, logística não chega: peça a cada pessoa um plano de voto (hora, de onde sai, com quem vai) e diga quantos vão votar, não quantos ficam em casa.

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit. Cada uma funciona sozinha ou combinada com jogadas de outros playbooks.

  1. Canal de missões com meta e prova

    Um canal de um para muitos em que uma voz com autoridade dá várias missões curtas por dia (assistir, compartilhar, conversar, votar), cada uma com hora, meta e prova do resultado. No Brasil, o canal passou de 50 mil para 10,9 milhões de seguidores em três semanas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando já existe uma voz em quem as pessoas confiam e um prazo curto e decisivo que justifica a urgência.
    Não use quando
    Não funciona sem alguém para provar cada resultado nem quando as missões se acumulam: várias ordens ao mesmo tempo dispersam a rede, e a urgência sem fim cansa.
    1. Semana −12 Criar o canal próprio e escolher a voz e a sua substituta
    2. Semana −10 Abrir a planilha de registro: data, texto, meta, resultado, prova e quem aprovou
    3. Semana −6 Montar a equipe mínima: vigilância, produção, métricas e conformidade
    4. Semana −3 Lançar o canal com um vídeo da voz explicando porquê
    5. Semana −3 Fixar o ritmo: de três a seis missões por dia, uma prioridade de cada vez
    6. Semana −2 Mostrar a prova de cada meta batida e fazer o balanço do dia às 23h
    7. Semana do dia D No dia da votação, agradecer e anunciar a próxima missão

    Equipe

    • A voz: decide a missão do momento e grava os áudios
    • Produção: corta vídeos, faz cards e escreve o texto de cada missão
    • Métricas: confirma trending, buscas e visualizações e prepara a prova

    O que medir: Duas medidas por missão: adesão (reações em proporção aos seguidores) e conversão (quem fez algo fora do canal, como se inscrever, confirmar o local de votação ou trazer alguém, contado por link com UTM ou formulário). Se a adesão sobe e a conversão não, as missões estão produzindo barulho, não votos.

    Riscos a vigiar: Ponto único de falha: quando Janones foi internado, o canal ficou 19 horas parado. Tenha uma voz substituta e um segundo administrador, e arquive tudo o que publicar.

  2. Missões em tempo real nos debates

    Durante debates e horário nobre da TV, a vigilância acompanha ao vivo e a voz dispara missões na hora: cortes da sua proposta, uma hashtag principal, buscas pelo seu tema. No Brasil, o canal fez isso durante o debate do 2.º turno para disputar a atenção em vez de responder ao adversário.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona em momentos de audiência concentrada (debates, entrevistas, votações transmitidas), quando a atenção de todos está no mesmo lugar.
    Não use quando
    Não use para responder ao adversário nem para colar acusações ao nome de alguém nas buscas: desmentido também espalha e insinuação é risco legal.
    1. Semana −6 Montar turnos de vigilância de redes, TV e adversários
    2. Semana −3 Preparar cards, cortes e hashtags para os temas prováveis do debate
    3. Semana −2 Na véspera, anunciar no canal a hora do debate e a hashtag principal
    4. Semana −2 Durante o debate, disparar cortes da sua proposta, uma missão de cada vez
    5. Semana −2 Pedir buscas pela sua proposta, nunca pelo nome do adversário
    6. Semana −2 No fim da noite, mostrar o trending, as buscas e as visualizações

    Equipe

    • Vigilância: acompanha TV, redes e adversários em turnos e alerta a voz
    • Produção: corta o trecho certo em minutos, sempre com legendas
    • Conformidade: valida qualquer mensagem sensível antes de sair

    O que medir: Posição da hashtag principal e volume de buscas pela sua proposta durante a transmissão, comparados com o debate ou o horário nobre anterior.

    Riscos a vigiar: No Brasil, buscas em massa que ligavam o nome de um adversário a acusações viraram crítica e risco de insinuação: peça buscas só pela sua proposta e cada fato com fonte.

  3. Cada um traz mais três

    Toda semana tem uma missão de recrutamento: cada seguidor traz três pessoas para o canal, por link e QR code, com uma meta pública de crescimento mostrada todos os dias. No Brasil, o canal chegou a 2 milhões em dois dias e a cerca de 5 milhões em doze.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a causa já tem uma base engajada e cada pessoa conhece outras fora da bolha: família, trabalho, bairro.
    Não use quando
    Não funciona com listas compradas nem com mensagens a quem não pediu: isso é spam, viola a proteção de dados e queima a credibilidade da rede.
    1. Semana −8 Publicar a página de adesão com link, QR code, regras e consentimento
    2. Semana −4 Escolher o nome, o gesto e a palavra que identificam o grupo
    3. Semana −3 Anunciar uma meta pública de seguidores
    4. Semana −3 Missão: cada um manda o link para três pessoas da família e do trabalho
    5. Semana −3 Mostrar o crescimento do canal todos os dias
    6. Semana −2 Fazer uma ação simbólica com foto e o gesto do grupo

    Equipe

    • Coordenação do canal: fixa a meta de crescimento e mostra o número todos os dias
    • Rede local: leva o link e o QR code a grupos de cidade, escola e fã-clubes
    • Conformidade: garante o consentimento de quem entra na lista própria

    O que medir: Novos seguidores por dia contra a meta pública, medidos com links UTM por origem, para reforçar os grupos que mais trazem gente.

    Riscos a vigiar: Crescer rápido atrai contas falsas e pedidos de troca de curtidas: recrute só gente real, com consentimento, e nunca peça segundas contas.

  4. Da tela à urna

    A partir de 20 de outubro, o canal mudou o foco para indecisos e para quem não votou no 1.º turno. Vale levar isso a missões concretas: conversar com quem ainda não decidiu, confirmar o local de votação de três familiares, combinar a hora de ir juntos. No 2.º turno, a abstenção caiu de cerca de 33 para 30 milhões (sem dado que isole o efeito do canal).

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona nas duas ou três últimas semanas antes de uma votação, quando a rede já existe e há grupos locais para levar as missões para fora da tela.
    Não use quando
    Não substitui a campanha de rua nem funciona se a rede só mede curtidas: atenção não é voto.
    1. Semana −8 Recrutar coordenadores de grupos de cidade, bairro, escola e fã-clube
    2. Semana −3 Recrutar fiscais de mesa pelo canal
    3. Semana −2 Ligar o canal aos grupos locais e aos atos de rua
    4. Semana −1 Mudar o foco para indecisos e quem não votou, com missões de conversa um a um
    5. Semana −1 Informar locais de votação, transporte e horários
    6. Semana do dia D Fazer uma live longa na véspera para manter a rede mobilizada
    7. Semana do dia D No dia: lembrete para votar cedo, missão de levar a família e alertas de filas

    Equipe

    • Rede local: coordena grupos de bairro, escola ou fã-clube e leva as missões para a rua
    • A voz: muda o tom da atenção para o voto e dá as missões de conversa
    • Logística do voto: reúne locais, transporte e horários e responde aos alertas

    O que medir: Pessoas que confirmaram o próprio local de votação e o de três familiares, contadas pelas reações ou respostas à missão, em proporção ao total da rede.

    Riscos a vigiar: Pressão demais afasta indecisos e mensagens a quem não pediu violam a lei: conversas sem briga, com quem a pessoa já conhece, e informação de voto só de fontes oficiais.

  5. Voz substituta e canal de reserva

    Antes de crescer, prepare a operação para sobreviver a uma queda: voz substituta, segundo administrador, canal de reserva noutra plataforma, lista própria com consentimento, registro junto da autoridade eleitoral e arquivo de cada missão. No Brasil, o TSE suspendeu o canal duas vezes e ele ficou 19 horas parado quando Janones foi internado.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Sempre que a campanha depende de um canal numa plataforma de terceiros ou de uma única pessoa.
    Não use quando
    Não confunda reserva com duplicação: dois canais ativos com missões diferentes dividem a rede; a reserva só entra quando o principal cai.
    1. Semana −12 Escolher a voz substituta e dar acesso a um segundo administrador
    2. Semana −10 Confirmar as regras eleitorais com um advogado e registrar o canal, se a lei pedir
    3. Semana −8 Criar o canal de reserva noutra plataforma e anunciá-lo desde o primeiro dia
    4. Semana −8 Montar a lista própria de contatos com consentimento
    5. Semana −3 Arquivar cada missão na planilha, sem apagar nada
    6. Semana −2 Ter um advogado de plantão nas semanas decisivas

    Equipe

    • Conformidade: cuida do registro do canal, do arquivo e das mensagens sensíveis
    • Voz substituta: assume as missões se a voz principal parar
    • Advogado de plantão: responde a suspensões e notificações nas semanas decisivas

    O que medir: Horas sem missão quando algo falha (no Brasil foram 19): o objetivo é que a substituta ou o canal de reserva publique no mesmo turno.

    Riscos a vigiar: Suspensões judiciais e decisões das plataformas não se controlam: cumpra a lei eleitoral e de dados desde o primeiro dia e nunca apague o histórico, porque mensagem apagada vira suspeita.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

Gerador de missões

Escolha o tipo de missão, preencha os campos e copie a mensagem pronta para o canal. Nada sai do seu navegador.

Tom

Mensagem pronta

Abrir no WhatsApp

Decida como a voz

Seis situações das três semanas de 2026. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.

Plano de 21 dias

A sequência que funcionou, organizada como lista de verificação.

A sequência que funcionou, organizada como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Antes de começar

  2. Semana 1: Juntar gente

  3. Semana 2: Ganhar a atenção

  4. Semana 3: Converter em votos

  5. Dia da votação

Regras

O método depende de milhões de pessoas agindo ao mesmo tempo.

O método depende de milhões de pessoas agindo ao mesmo tempo. Contas falsas destroem a confiança, dão armas ao adversário nos tribunais e põem a rede em risco.

Diga quem fala
Cada mensagem de propaganda identifica o responsável.
Registre o canal
Onde a lei eleitoral exige, informe o canal à autoridade antes de usá-lo. No Brasil, foi o TSE que obrigou a campanha a fazê-lo.
Não apague o histórico
Arquive cada missão. Mensagens apagadas viram suspeita.
Só gente real
Nada de perfis falsos, bots, contas compradas ou contas criadas para se passar por outra pessoa.
Fatos com fonte
Nada de insinuações nem de buscas feitas para colar acusações ao nome de alguém.
Consentimento
Só envie mensagens a quem pediu. Proteção de dados (LGPD, RGPD) também vale em campanha.
Dinheiro às claras
Não pague influenciadores onde a lei proíbe. Declare todo o impulsionamento.
IA com etiqueta
Conteúdo feito com IA é identificado como tal. Deepfakes, nunca.
Regras das plataformas
Comportamento inautêntico coordenado é motivo de remoção em todas as grandes plataformas. O X, por exemplo, permite coordenar pessoas para expressar apoio a uma causa, mas proíbe trocar ou coordenar curtidas e seguidores e usar uma hashtag em alta para sequestrar a conversa. Peça a cada pessoa que diga o que pensa, com as próprias palavras; nunca segundas contas, comentários copiados e colados, grupos de troca de curtidas ou invasão das hashtags do adversário.
Lei local
Cada país tem regras próprias. Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e o Google deixou de veicular publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Confirme com um advogado antes de começar. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Atenção não é voto
Seguidores, trending e visualizações medem força, não conversão. Meça também a participação nos lugares que importam.
Não dura sozinho
Três semanas de urgência cansam. Uma mobilização permanente precisa de outro ritmo e de outros objetivos.
Não substitui a rua
Em 2026 o canal funcionou ao lado de atos, conversas cara a cara e de uma campanha oficial que também mudou.
Depende de terceiros
O canal existiu porque a plataforma o manteve e porque um tribunal o restabeleceu.
Não desmentir tem limite
A regra de Janones serve para ataques de pouco alcance. A pesquisa sobre correções mostra que desmentir funciona e que o efeito ricochete é raro; o que não funciona é passar a campanha reagindo. Melhor ainda é vacinar antes: avisar o seu público do ataque que vem e de como ele funciona.
O canal fala com quem já está do seu lado
Quem segue um canal de campanha já apoia. O valor dele para ganhar votos está no que os seguidores fazem com a família, o trabalho e o bairro. Por isso as missões de conversa e de logística do voto valem mais do que as de trending.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Por que, em 2026, o alcance para fora da bolha tinha de vir das contas pessoais dos apoiadores?
2. Quantas missões devem estar ativas ao mesmo tempo?
3. O adversário espalha uma mentira sobre o candidato. O que recomenda o método?
4. Qual destes indicadores mede melhor se a mobilização está se convertendo em votos?
5. Qual foi a maior fragilidade operacional do canal em 2026?

Para ir mais longe

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Mais 3

Biblioteca

Fontes

Este playbook foi construído com reportagens publicadas entre junho e outubro de 2026 (e duas de 2022), contas oficiais consultadas em 26…

Este playbook foi construído com reportagens publicadas entre junho e outubro de 2026 (e duas de 2022), contas oficiais consultadas em 26 de outubro de 2026, relatos de participantes e o livro do autor do método.

48 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Lula Oficial, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado em 26 de outubro de 2026

Adaptar este playbook com o coach

Próximo playbook Os estudantes vencem

Adaptar ao seu país

Os toolkits trocam as ferramentas pelas que mais se usam no país (por exemplo, Telegram onde ele domina) e mostram as regras eleitorais e o estado da internet desse país. A escolha fica só neste navegador.