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Girassol diante do Yuan Legislativo em Taipé, março de 2014

Taiwan · 2014

Girassóis e g0v

Você é o ninguém

Lema do g0v: não pergunte por que ninguém está fazendo isso: o “ninguém” é você.

Em março de 2014, estudantes ocuparam o parlamento de Taiwan; a comunidade g0v transmitiu, transcreveu e traduziu tudo ao vivo. Veja como a transparência virou mobilização e deliberação.

Uma homenagem aos ocupantes do Legislativo Yuan, às ONGs da rua e aos milhares de contribuidores do g0v. Projeto independente, sem ligação ao movimento, ao governo de Taiwan ou a partidos.

Em 30 segundos

  1. Em cerca de 30 segundos, o partido do governo deu por concluída a revisão de um acordo comercial com a China. Em 18/3/2014, estudantes ocuparam o plenário.

  2. Em 6 de abril, o presidente do parlamento prometeu uma lei de supervisão; em 10 de abril, os ocupantes saíram, depois de limpar o plenário.

  3. Cerca de 20 streams ao vivo, transcrição e tradução por voluntários da g0v e coordenação em documentos abertos, sem login.

  4. 500 mil pessoas nas ruas em 30 de março; uma vaquinha pagou anúncios no Apple Daily e no New York Times em menos de três horas.

  5. Mostre em vez de afirmar, abra a infraestrutura a todos e passe da rua à deliberação, que esfria sem uma instituição comprometida.

Os primeiros passos

  1. Fazer um primeiro encontro aberto de tecnologia cívica
  2. Escolher um projeto de dados abertos útil para a causa
  3. Criar o modelo do portal de links e da planilha de logística

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Quem fez

O movimento não tinha um dono: estudantes, ONGs, usuários de fóruns e hackers cívicos dividiram o trabalho.

O movimento não tinha um dono: estudantes, ONGs, usuários de fóruns e hackers cívicos dividiram o trabalho.

  • Audrey Tang (唐鳳)

    Contribuidora do g0v; ministra sem pasta (2016–2022), ministra de Assuntos Digitais (2022–2024), embaixadora itinerante desde outubro de 2024

    Levou cabos de rede para ligar o plenário ocupado à rua, manteve a retaguarda das ferramentas e depois levou o método para dentro do governo como facilitadora do vTaiwan.

    Fontes
  • g0v (零時政府)

    Comunidade de tecnologia cívica fundada em 2012

    Começou com hackathons bimestrais e projetos de dados abertos; na ocupação montou o portal de streams, a transcrição ao vivo, mapas e planilhas de suprimentos, e depois criou o vTaiwan.

    Fontes
  • Lin Fei-fan (林飛帆)

    Líder estudantil da ocupação; depois vice-secretário-geral do DPP (2019–2023) e, desde maio de 2024, do Conselho de Segurança Nacional

    Foi um dos rostos da ocupação e convocou o grande ato de 30 de março; dez anos depois, defendeu publicamente que a decisão de ocupar estava certa.

    Fontes
  • Chen Wei-ting (陳為廷)

    Líder estudantil da ocupação

    Liderou a ocupação com Lin Fei-fan e Huang Kuo-chang; foi absolvido da acusação de incitação em 2017, decisão confirmada em 2018.

    Fontes
  • Huang Kuo-chang (黃國昌)

    Acadêmico e porta-voz da ocupação; presidente do Partido do Novo Poder (NPP) a partir de 2015; presidente do TPP desde fevereiro de 2025

    Apresentou as reivindicações em 19 de março de 2014, foi eleito deputado pelo NPP em 2016 e, uma década depois, preside um partido aliado ao KMT.

    Fontes
  • Black Island Nation Youth Front (黑島青)

    Grupo estudantil e página no Facebook do movimento

    A página passou de alguns milhares para mais de 200 mil curtidas em poucos dias e espalhou as chamadas para encher as ruas; a administradora Chen Ting-ru recrutou voluntários para vídeos em quatro línguas.

    Fontes
  • Usuários do PTT e equipe 3621

    Fórum online e equipe de financiamento coletivo

    Abriram a vaquinha no FlyingV que pagou a capa do Apple Daily e um anúncio no New York Times, desenhado por 聶永真 (Aaron Nieh), e ajudaram a montar o site 4am.tw.

    Fontes
  • Voluntários do vTaiwan

    Comunidade de deliberação, hoje sem apoio do governo

    Um núcleo de cinco a sete pessoas mantém os encontros, agora com Pol.is, votação ao vivo e resumos feitos com IA; o coordenador Peter Jia Wei Cui relatou a experiência em 2025.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

O que organizadores, hackers cívicos e críticos internos disseram sobre o método.

O que organizadores, hackers cívicos e críticos internos disseram sobre o método. Paráfrases, com a fonte.

Mais 6 citações

A história

Em 17 de março de 2014, o deputado do KMT Chang Ching-chung declarou encerrada, em cerca de 30 segundos, a revisão do Acordo de Comércio de…

Em 17 de março de 2014, o deputado do KMT Chang Ching-chung declarou encerrada, em cerca de 30 segundos, a revisão do Acordo de Comércio de Serviços entre os dois lados do Estreito e mandou-o ao plenário. Na noite seguinte, estudantes pularam a grade e ocuparam o Legislativo Yuan. A comunidade g0v, que havia anos construía versões abertas de sites do governo, pôs a sua infraestrutura a serviço da ocupação.

24 dias
de ocupação do plenário, de 18 mar. a 10 abr. 2014oficial
~500 mil
pessoas no ato de 30 mar. 2014, segundo os organizadores (polícia: 116 mil; cálculo por SIG: cerca de 440 mil)dado da campanha
NT$ 6,33 M
arrecadados no FlyingV em menos de 3 horas para anúncios no Apple Daily e no New York Times, 24 mar. 2014dado da plataforma
80%
dos cerca de 28 casos do vTaiwan levaram a ação do governo ou do parlamento, segundo Audrey Tang e Glen Weyldado da campanha

De um anúncio vazio a uma ministra hacker

  1. 1 dez. 2012Primeiro hackathon do g0v, em Taipei. A comunidade nasceu depois de um anúncio oficial de 40 segundos que não explicava nada e de um projeto que visualizava o orçamento público.
  2. 17 mar. 2014O KMT dá por encerrada a revisão do acordo de serviços com a China em cerca de 30 segundos.
  3. 18–21 mar.Estudantes ocupam o plenário por volta das 21h. Os streams com celulares e tablets passam de 2 milhões de visualizações; o g0v monta o portal de transmissões e a transcrição ao vivo.
  4. 23–24 mar.Uma parte do movimento ocupa a sede do Executivo Yuan. A desocupação dura cerca de 10 horas, com canhões de água: 61 presos e mais de 150 feridos.
  5. 24 mar.Usuários do PTT abrem uma vaquinha no FlyingV: a capa do Apple Daily é paga em 35 minutos e o anúncio no New York Times em menos de três horas.
  6. 30 mar.O maior ato em Taiwan desde os anos 1980: cerca de meio milhão de pessoas, segundo os organizadores.
  7. 6–10 abr.Wang Jin-pyng promete adiar a revisão até haver uma lei de supervisão. Os ocupantes anunciam a saída e deixam o plenário em 10 de abril, depois de limpá-lo.
  8. Fim de 2014–2016Nasce o vTaiwan, com encontros semanais abertos. A deliberação sobre a Uber chega a sete recomendações com Pol.is, depois ratificadas em regulamento.
  9. Jan.–out. 2016O DPP volta ao poder e o novo Partido do Novo Poder ganha cinco cadeiras. Em 1.º de outubro, Audrey Tang toma posse como ministra sem pasta, encarregada de governo aberto e participação.
  10. 2024–2026Os protestos do Pássaro Azul (maio de 2024) evocam os girassóis; a grande campanha de destituição de deputados do KMT fracassa em julho e agosto de 2025; Tang recebe o Right Livelihood Award em dezembro de 2025; o vTaiwan segue só com voluntários.

Três camadas ao mesmo tempo

A ocupação funcionou porque três camadas diferentes trabalharam em paralelo, cada uma com a sua lógica.

  • O plenárioAlgumas centenas de ocupantes, porta-vozes e um grupo de decisão que negociava e definia as reivindicações, e que foi criticado por decidir em nome da base.
  • A infraestrutura abertaO g0v e voluntários: streams, transcrição, tradução, mapas, planilhas de suprimentos e turnos, o portal único, a vaquinha e os anúncios.
  • A rua e a sociedadeCerca de 20 ONGs acampadas em volta, sessões de deliberação nas ruas, uma Assembleia do Povo com 51 grupos para comparar propostas de lei e o ato de 30 de março.
O que não se sabe. Os números de participação variam muito conforme a fonte (de 116 mil a 500 mil em 30 de março), e os relatos sobre o número de doadores da vaquinha se contradizem (mil ou três mil).

A taxa de 80% de casos do vTaiwan com ação do governo é contada pelos próprios criadores, sem auditoria independente. Nenhum dado isola o efeito do movimento nas vitórias da oposição em 2014 e 2016. E a lei de supervisão prometida nunca foi aprovada: entre 2016 e 2024 surgiram oito versões, nenhuma virou lei.

O terreno

O método nasceu num país muito conectado, com uma comunidade de hackers cívicos já organizada e uma crise política no topo.

O método nasceu num país muito conectado, com uma comunidade de hackers cívicos já organizada e uma crise política no topo.

Plataformas

Ustream e YouTube
Os streams feitos com celulares e tablets dentro do plenário passaram de 2 milhões de visualizações acumuladas em três dias; o portal do g0v reunia 17 a 20 transmissões de dentro e das ruas em volta.
Hackfoldr, Hackpad e EtherCalc
Ferramentas abertas do g0v: um portal de links como porta de entrada única, documentos colaborativos para o texto ao vivo e planilhas sem login para suprimentos e turnos. Coordenaram mais de 1.500 voluntários, e o Hackpad caiu pelo menos cinco vezes com o tráfego.
Facebook
A página do Black Island Nation Youth Front e o NTU E-Forum, com mais de 100 mil seguidores e repórteres estudantis, eram onde o público geral acompanhava e recebia as convocações.
PTT
O grande fórum online (BBS) de Taiwan: ali nasceu a vaquinha dos anúncios e ali se reuniram vídeos como possível prova de defesa nos processos.
LINE
Aplicativo de mensagens muito usado em Taiwan. A equipe de imprensa mandava atualizações a cada 15 minutos, mas os organizadores o consideravam inseguro para planejar ações sensíveis.
FlyingV
Plataforma local de financiamento coletivo. Em 24 de março de 2014 bateu a meta do Apple Daily em 35 minutos e a de NT$ 6,33 milhões em menos de três horas.
Pol.is, Loomio e Join
Depois da ocupação: Pol.is para mapear opiniões e encontrar consensos no vTaiwan, Loomio para decisões de grupos de trabalho, e a plataforma pública Join para petições: com 5 mil assinaturas, o ministério responsável tem de responder.

Condições locais

  • Uma sociedade muito conectada, com acesso amplo à internet e celulares por todo lado, o que tornou possível transmitir tudo.
  • Uma comunidade de tecnologia cívica (g0v) organizada desde 2012, com hackathons bimestrais e ferramentas já prontas quando a crise chegou.
  • Uma briga no topo do partido do governo (Ma contra Wang): o presidente do parlamento, Wang Jin-pyng, prometeu não usar a força e fez a promessa que abriu caminho para a saída.
  • Desconfiança de parte da TV, que mostrava os ocupantes como violentos; os streams sem cortes eram a resposta.
  • Uma questão de soberania diante da China e uma geração que se identificava cada vez mais como só taiwanesa (60,6% em 2014, segundo a NCCU).
  • Ocupar o parlamento é crime: mais de 400 pessoas foram interrogadas ou investigadas e sete manifestantes chegaram a ser condenados em segunda instância em 2020, ainda que os líderes tenham sido absolvidos.
  • Depois de 2016, um governo disposto a abrir portas a hackers cívicos, condição que não existe em todo lugar e que, em Taiwan, também esfriou.

O método

Três coisas cercaram a ocupação: uma comunidade que já tinha as ferramentas, a decisão de mostrar tudo ao vivo e a passagem do protesto…

Três coisas cercaram a ocupação: uma comunidade que já tinha as ferramentas, a decisão de mostrar tudo ao vivo e a passagem do protesto para processos de deliberação com regras.

Três frentes

Mostrar em vez de afirmar
Transmitir tudo sem cortes, transcrever, publicar o vídeo bruto. Quando a TV dizia que havia violência, a resposta era o stream e o vídeo publicado na manhã seguinte.
Abrir a infraestrutura
Um portal único, documentos e planilhas que qualquer pessoa edita sem pedir permissão, código aberto. Quem chega encontra uma tarefa e começa: “você é o ninguém”.
Converter energia em processo
Da ocupação para a deliberação facilitada, da deliberação para reivindicações concretas e, depois, para processos públicos (vTaiwan, Join) com regras claras de consenso e de resposta.

O ciclo de uma mobilização aberta

Cada crise passou pelos mesmos passos, e o vTaiwan repetiu a lógica, mais lenta, para leis.

  1. Abrir os dados Antes da crise: transformar documentos públicos difíceis em páginas legíveis: orçamento, agenda do parlamento, texto do acordo.
  2. Montar o portal Uma única página de links que reúne streams, documentos, mapas e pedidos de ajuda, atualizada a cada mudança.
  3. Transmitir e transcrever Vários streams redundantes e uma pessoa digitando ao vivo, para que qualquer um veja e leia o que acontece.
  4. Coordenar em aberto Planilhas sem login para suprimentos, turnos e pedidos; mapa do local com pontos de apoio. Planejamento sensível fica fora dos grupos abertos.
  5. Traduzir e levar para fora Textos e vídeos em várias línguas, equipe para a imprensa estrangeira e, quando a mídia não chega, comprar o espaço com dinheiro de pequenos doadores.
  6. Deliberar Grupos facilitados, cada um sobre um aspecto do problema, partindo dos fatos; no vTaiwan, Pol.is com limiar alto de acordo.
  7. Converter e sair Transformar o consenso em reivindicações que alguém com poder possa aceitar, anunciar a saída com data e explicar o que foi e o que não foi conquistado.
  8. Arquivar e institucionalizar Publicar tudo de forma aberta e pesquisável e lutar para que o canal de participação tenha dono e prazo de resposta.

E recomeça.

Toolkit

O que é preciso para aplicar o método a uma mobilização, uma assembleia ou uma consulta pública: pessoas, ferramentas e palavras.

O que é preciso para aplicar o método a uma mobilização, uma assembleia ou uma consulta pública: pessoas, ferramentas e palavras.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Em Taiwan, o trabalho se dividiu sozinho porque havia uma comunidade com hábitos de colaboração. Onde não há, defina os papéis antes do primeiro dia.

Equipe mínima

Portal
Mantém a página única de links: streams, documentos, pedidos, contatos de imprensa. Atualiza a cada mudança e arquiva o que sai.
Transmissão
Opera vários streams redundantes, cuida das baterias, da conexão e de quem aparece na câmera.
Texto ao vivo
Digita o que acontece e o que é dito, com hora; corrige boatos apontando o minuto exato do stream.
Logística aberta
Gerencia a planilha de suprimentos, turnos e pedidos; fecha um pedido quando já chegou o suficiente.
Tradução e imprensa
Traduz os textos-chave, atende jornalistas estrangeiros e prepara entrevistas em outras línguas.
Facilitação
Conduz as sessões de deliberação, cuida das regras de consenso e devolve o resultado ao grupo.
Jurídico e segurança
Advogados de plantão, arquivo de vídeos como prova, verificação de mensagens suspeitas e canais separados para o que é sensível.

Ritmo

  1. 24 horasStreams ligados sem parar, com turnos de operação e de texto ao vivo.
  2. A cada 15 minutosAtualização curta para a imprensa e para os grupos, no ritmo que a equipe de imprensa usava no LINE.
  3. ManhãPublicar o vídeo e o resumo da noite; revisar o portal e a planilha de pedidos.
  4. NoiteSessões de deliberação ou de avaliação, abertas e com relato publicado.
  5. Toda semanaDepois da crise: encontro aberto e fixo, como os do vTaiwan, para manter a comunidade e definir a próxima pauta.

Transparência é rotina: o que conta é que qualquer pessoa, a qualquer hora, possa ver o que está acontecendo e saber como ajudar.

Plano B

  • Vários streams independentes, não um só oficial.
  • Rede local e um projetor do lado de fora se a internet móvel cair, como fez a equipe do g0v.
  • Roteador 4G ou estação móvel alugada para a equipe de mídia.
  • Cópias dos documentos-chave em outro serviço, porque o principal pode cair com o tráfego.
  • Um canal fechado e verificado para decisões sensíveis e uma senha combinada para confirmar ordens.
  • Advogados de plantão e um arquivo de vídeos para a defesa.

Tecnologia

Quase tudo cabe em software livre ou gratuito. O que Taiwan tinha de raro era gente que já sabia usar essas ferramentas junto.

  • Portal de linksGrátis

    Uma página única com todos os streams, documentos, pedidos e contatos. Em 2014 foi o hackfoldr; hoje serve um HackMD, uma página estática ou um documento público.

  • Streams múltiplosGrátis (equipamento à parte)

    YouTube, Twitch ou lives de Instagram e Facebook, operados por pessoas diferentes, todos linkados no portal.

  • Texto ao vivo e atasGrátis

    Documento colaborativo (HackMD, Etherpad, Google Docs) com transcrição, hora e links para o minuto do stream.

  • Planilha de logística sem loginGrátis

    EtherCalc ou planilha pública para suprimentos, turnos e pedidos; uma linha por pedido, com estado “aberto/fechado”.

  • Grupos de coordenaçãoGrátis

    LINE, WhatsApp, Telegram ou Signal, por equipe; cuidado com perfis desconhecidos que entram nos grupos.

  • Canal seguroGrátis

    Signal com mensagens temporárias para o que é sensível, com verificação de quem está no grupo.

  • VaquinhaTaxa da plataforma

    Plataforma local de financiamento coletivo, com meta por etapa e prestação de contas pública.

  • Pol.isGrátis (código aberto)

    Ferramenta aberta de consulta: as pessoas votam em afirmações curtas e o sistema mostra grupos de opinião e os pontos que unem todos.

  • Contato com representantesGrátis

    Uma página com os contatos públicos dos deputados por distrito, como a 123.g0v.today, para pressão educada e identificada.

  • Mapa do local e escala de turnosGrátis

    Um mapa colaborativo com palcos, banheiros e lojas em volta do protesto e uma agenda onde voluntários se inscrevem para turnos de segurança. Em 2014, o mapa #CongressOccupied, iniciado por ETBlue no Google Maps Engine, e um calendário de turnos no Legislativo Yuan com login pelo Facebook, que mostrava os turnos dos amigos; hoje, prefira uma inscrição que não exponha a rede de cada um.

Guias rápidos por canal

Colunas do registro ao vivo

Data e hora · Local ou stream · O que aconteceu · Link para o minuto do vídeo · Verificado por · Traduzido (sim/não) · Publicado em

O grosso do custo é equipamento e conexão: celulares, baterias, cabos, um roteador 4G. Em 2014, a conta mais alta foi a dos anúncios, paga por pequenos doadores.

Comunicação

O tom é de prestação de contas em tempo real: o que se está vendo, de onde vem, o que falta.

A fórmula de uma atualização

  1. Agora O que está acontecendo, numa frase, com a hora.
  2. Prova O link para o stream ou o minuto do vídeo.
  3. O que não se sabe Diga o que ainda não foi confirmado. Isso protege contra boatos.
  4. Do que se precisa Um pedido concreto, ligado à planilha: quantidade, local, prazo.
  5. Onde ajudar O link do portal ou do documento certo.
  6. Próxima atualização Uma hora concreta, e cumpri-la.

Regras de escrita

  • Mostre, não afirme: cada frase importante leva um link para a prova.
  • Responda a boatos com o vídeo bruto e a hora, não com adjetivos.
  • Fale da causa, não da marca de um partido ou de uma ONG: foi isso que manteve a coalizão unida.
  • Escreva em várias línguas desde o primeiro dia; a imprensa estrangeira precisa de textos prontos.
  • Feche os pedidos assim que forem atendidos, para não desperdiçar a generosidade das pessoas.
  • Peça consentimento antes de mostrar o rosto de alguém em close no stream.
  • Na saída, explique o que foi conquistado e o que não foi. Um relato honesto mantém a confiança para a próxima vez.

Exemplo

21h40: A assembleia aberta sobre a proposta de lei começou na praça, com quatro grupos de trabalho. Stream ao vivo: [link]. Ainda não está confirmado se a sessão do conselho de amanhã foi adiada; avisamos quando houver documento oficial. Precisamos de 30 garrafas de água e de duas pessoas para o turno das 2h: [link da planilha]. Próxima atualização às 22h15.

Levar para o seu contexto

O que funciona em qualquer lugar e o que dependia de Taiwan.

O que funciona em qualquer lugar e o que dependia de Taiwan. Escolha o seu país no topo do toolkit para ver as ferramentas equivalentes.

Funciona em qualquer lugar

  • Construir a comunidade de tecnologia cívica antes da crise: hackathons, projetos de dados abertos, hábitos de colaboração.
  • Uma porta de entrada única, onde qualquer pessoa encontra o que está acontecendo e uma tarefa para fazer.
  • Transmitir e transcrever ao vivo para que a prova esteja sempre a um link de distância.
  • Ferramentas que não pedem login nem permissão para contribuir.
  • Traduzir desde o primeiro dia e falar diretamente com a imprensa estrangeira.
  • Pequenas doações com meta clara e contas públicas.
  • Deliberação facilitada que parte dos fatos e exige acordo amplo, não só maioria.
  • Exigir que o canal de participação tenha dono, prazo e obrigação de resposta.

Depende do contexto

Ocupação do parlamento
É desobediência civil com custo penal. Em quase todo lugar, use formas legais com a mesma transparência: vigília ou acampamento autorizado, assembleia pública, audiência cidadã.
Ustream
Já não existe: use YouTube, Twitch ou as lives das redes mais usadas no seu país, sempre mais de uma.
Hackfoldr, Hackpad, EtherCalc
Troque por HackMD, Etherpad, CryptPad ou um documento público. O importante é ser aberto, sem login e com histórico.
LINE e PTT
Use o aplicativo de mensagens e o fórum dominantes no seu país: WhatsApp, Telegram, Reddit, Discord ou o fórum local.
FlyingV
Use a plataforma local de financiamento coletivo e confirme com um advogado as regras sobre doações políticas e estrangeiras.
Um governo que chamou os hackers
Onde o governo está fechado, mantenha a deliberação na sociedade civil e publique os resultados; o vTaiwan mostra que o processo sobrevive com voluntários, mas perde força sem compromisso oficial.
Join e petições com resposta obrigatória
Veja se o seu país, estado ou cidade tem iniciativa popular ou petições com resposta obrigatória e organize-se para alcançar o limiar.

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

  1. Transmitir e transcrever tudo, sem cortes

    Vários streams independentes e uma pessoa digitando ao vivo, com hora, para que a prova esteja sempre a um link de distância. Em Taiwan, os streams de dentro do plenário passaram de 2 milhões de visualizações em três dias e, quando a TV falava em violência, a resposta era o vídeo bruto.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há conexão e celulares por todo lado e quando parte da mídia distorce o que acontece.
    Não use quando
    Não funciona se o stream expõe quem não consentiu ou mostra planejamento sensível; nem com um único stream oficial que cai e leva tudo junto.
    1. Semana −8 Testar equipamento: celulares, baterias, cabos, um roteador 4G de reserva
    2. Semana −4 Definir turnos de 24 horas para operar os streams e para o texto ao vivo
    3. Semana do dia D Abrir vários streams com operadores diferentes e linkar todos no portal
    4. Semana do dia D Digitar ao vivo o que acontece e o que é dito, sempre com a hora
    5. Semana do dia D Responder a cada boato com o link para o minuto exato do vídeo
    6. Semana do dia D Pedir consentimento antes de closes e não mostrar menores nem documentos
    7. 1 semana(s) depois Publicar toda manhã o vídeo e o resumo da noite e arquivá-los como prova

    Equipe

    • Transmissão: opera os streams, cuida da bateria, da conexão e de quem aparece
    • Texto ao vivo: transcreve com hora e corrige boatos apontando o minuto do vídeo
    • Jurídico: guarda o arquivo de vídeos como prova para a defesa

    O que medir: Turnos de transmissão e de texto ao vivo efetivamente cumpridos nas 24 horas, sem buraco na escala.

    Riscos a vigiar: Expor pessoas sem consentimento ou vazar planejamento: peça autorização para closes e mantenha as decisões sensíveis fora da câmera e dos grupos abertos.

  2. Portal único e planilha sem login

    Uma página única de links reúne streams, documentos, pedidos e contatos, e planilhas abertas que qualquer pessoa edita sem pedir permissão organizam suprimentos e turnos. Em Taiwan, o hackfoldr do g0v e as planilhas sem login coordenaram mais de 1.500 voluntários.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando aparece mais gente querendo ajudar do que a coordenação consegue atender uma a uma.
    Não use quando
    Não funciona se a planilha aberta guarda telefones e endereços, nem se os pedidos ficam abertos depois de atendidos e desperdiçam a generosidade das pessoas.
    1. Semana −26 Antes da crise, reunir quem já colabora: hackathons e projetos de dados abertos
    2. Semana −4 Preparar o modelo do portal e cópias dos documentos-chave em outro serviço
    3. Semana do dia D Publicar o portal com streams, documentos, pedidos e contatos de imprensa
    4. Semana do dia D Abrir a planilha: uma linha por pedido ou turno, com estado aberto/fechado
    5. Semana do dia D Fechar cada pedido assim que chegar o suficiente e atualizar o portal
    6. 1 semana(s) depois Arquivar o que sai do portal num registro público e pesquisável

    Equipe

    • Portal: mantém a página única e atualiza a cada mudança
    • Logística aberta: gerencia pedidos e turnos e fecha o que já foi atendido
    • Segurança: verifica perfis desconhecidos e mantém o canal fechado para o que é sensível

    O que medir: Pedidos fechados porque foram entregues no local e turnos preenchidos e cumpridos, contados na planilha.

    Riscos a vigiar: A ferramenta principal pode cair com o tráfego e as planilhas abertas atraem dados pessoais: tenha cópias noutro serviço e só registre pedidos e turnos, nunca contatos.

  3. Vaquinha para comprar o espaço que falta

    Quando a mídia não chega, pequenos doadores pagam o espaço, com meta por etapa e contas públicas. Em Taiwan, a vaquinha no FlyingV bateu a primeira meta em 35 minutos e chegou a NT$ 6,33 milhões em menos de três horas, para anúncios no Apple Daily e no New York Times.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há uma mensagem clara que a imprensa nacional ou estrangeira não está mostrando e uma comunidade pronta a doar.
    Não use quando
    Não funciona sem contas publicadas nem onde as regras sobre publicidade política e doações estrangeiras proíbem o anúncio que você quer comprar.
    1. Semana −4 Confirmar com um advogado as regras de doações políticas, estrangeiras e de anúncios
    2. Semana −2 Escolher a plataforma local e definir metas por etapa e limite por doação
    3. 1 semana(s) depois Escrever o texto do anúncio em várias línguas, centrado na causa
    4. 1 semana(s) depois Lançar a vaquinha no portal e nos fóruns com a meta da primeira etapa
    5. 1 semana(s) depois Anunciar cada meta batida e fechar a etapa quando chegar o valor
    6. 2 semana(s) depois Publicar as contas e o anúncio com rótulo de quem pagou

    Equipe

    • Finanças: abre a vaquinha, controla metas e publica as contas
    • Tradução e imprensa: escreve o texto do anúncio nas línguas certas
    • Jurídico: confirma as regras de doações e de anúncios antes do lançamento

    O que medir: Número de doadores e valor arrecadado em relação à meta de cada etapa.

    Riscos a vigiar: Doações ou anúncios fora da lei derrubam a confiança e trazem multas: na UE os anúncios de causa também exigem rótulo e transparência, e várias plataformas já não aceitam anúncios políticos.

  4. Deliberação com limiar alto de acordo

    Grupos facilitados, cada um sobre um aspecto do problema, partem dos fatos e só levam à pauta o que reúne acordo amplo, não só maioria. Em Taiwan, cerca de 20 ONGs deliberaram aspectos do acordo durante a ocupação, e o vTaiwan só aceitava afirmações com pelo menos 80% de acordo.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a energia da rua precisa virar reivindicações concretas que alguém com poder possa aceitar.
    Não use quando
    Não funciona quando um grupo pequeno decide em nome da base e chama isso de consenso, nem quando nenhuma instituição se compromete a responder.
    1. Semana do dia D Dividir o problema em aspectos e designar um facilitador para cada grupo
    2. 1 semana(s) depois Abrir as sessões com os fatos e dizer antes como o resultado será usado
    3. 1 semana(s) depois Registrar as posições e publicar o relato de cada sessão
    4. 2 semana(s) depois Votar afirmações curtas no Pol.is e manter só as com acordo amplo
    5. 3 semana(s) depois Converter o consenso em reivindicações que alguém com poder possa aceitar
    6. 3 semana(s) depois Anunciar a saída com data e explicar o que foi e o que não foi conquistado
    7. 8 semana(s) depois Exigir que o canal de participação tenha dono, prazo e obrigação de resposta

    Equipe

    • Facilitação: conduz as sessões, cuida das regras de consenso e devolve o resultado
    • Relatoria: registra as posições e publica o relato de cada sessão
    • Ligação institucional: leva as reivindicações a quem decide e cobra a resposta

    O que medir: Pessoas que participaram de uma sessão ou votaram na consulta, e reivindicações aprovadas com o limiar que receberam resposta formal de quem decide.

    Riscos a vigiar: A deliberação esfria sem dono e pode virar fachada: diga antes como o resultado será usado e nunca apresente como consenso o que poucos decidiram.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

Decida como o g0v

Seis situações reais de 2014 a 2016. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.

Plano em cinco fases

A sequência que funcionou, organizada como lista de verificação para uma mobilização ou uma consulta pública.

A sequência que funcionou, organizada como lista de verificação para uma mobilização ou uma consulta pública. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Antes da crise: a comunidade

  2. Primeiras 48 horas: tornar visível

  3. Semana 1: abrir e escalar

  4. Semanas 2–3: deliberar e decidir

  5. Depois: institucionalizar

Regras

Qualquer pessoa pode ver e verificar o que o movimento faz.

Qualquer pessoa pode ver e verificar o que o movimento faz. Enganar ou fingir apoiadores acaba com isso de uma vez.

Não violência
Disciplina não violenta, também com o patrimônio. Os ocupantes deixaram o plenário limpo. Na desocupação do Executivo Yuan houve mais de 150 feridos, e a polícia foi acusada de força excessiva, com canhões de água e golpes de escudo em manifestantes sentados: documente tudo, porque o vídeo também protege quem protesta.
Desobediência civil tem custo
Ocupar prédios públicos é crime na maioria dos países. Em Taiwan, mais de 400 pessoas foram investigadas e sete manifestantes chegaram a ser condenados em segunda instância em 2020. Ninguém deve correr esse risco sem saber e sem advogado.
Consentimento no stream
Transmitir tudo não autoriza expor qualquer pessoa. Peça consentimento para closes, proteja menores e não mostre documentos pessoais.
Dados de voluntários
Planilhas abertas são para pedidos e turnos, não para telefones e endereços. Proteção de dados (LGPD, RGPD) também vale em movimento.
Dinheiro às claras
Metas públicas, limite por doação, contas publicadas. Confirme as regras sobre doações políticas e estrangeiras no seu país.
Só gente real
Nada de perfis falsos, bots ou contas compradas. Pressão sobre representantes é por contatos públicos, identificada e educada, nunca assédio.
Consenso honesto
Diga antes como o resultado de uma consulta será usado. Nunca apresente como consenso o que foi decidido por poucos.
Independência
Trabalhar com o governo não é trabalhar para ele: publique os processos e mantenha a crítica, como Tang dizia sobre o próprio cargo.
IA com etiqueta
Resumos e traduções feitos com IA são identificados e revisados por pessoas; o vTaiwan relatou que a IA chegou a distorcer o sentido de contribuições.
Lei local
Cada país tem regras sobre protestos, transmissões e publicidade política. Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e o Google deixou de veicular publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que inclui também campanhas de causa de movimentos que não nomeiam partido, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Confirme com um advogado antes de começar. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não garante a vitória da causa
O acordo de serviços foi travado, mas a lei de supervisão prometida nunca foi aprovada: oito versões entre 2016 e 2024, nenhuma virou lei.
Transparência não é democracia interna
Tudo era transmitido, mas um pequeno grupo decidia as reivindicações e a saída. Críticos de dentro do movimento disseram que a base foi tratada como plateia.
A terceira força se dispersou
O Partido do Novo Poder ganhou cinco cadeiras em 2016 e nenhuma em 2024. Huang Kuo-chang preside hoje o TPP, aliado ao KMT contra o qual protestou em 2014.
A deliberação esfria sem dono
O vTaiwan perdeu fôlego com o fim do apoio direto do governo; hoje um núcleo de cinco a sete voluntários reúne cerca de 50 pessoas por encontro e admite não ter dados sobre quantas políticas ajudou a mudar.
Depende de condições raras
Alta conectividade, uma comunidade de hackers cívicos já organizada, um presidente do parlamento em conflito com o próprio partido e, depois, um governo disposto a abrir portas.
Mobilizar não é ganhar maiorias
A ideia vem de longe: já em 2014, o Appendectomy Project (appy.tw), uma das ferramentas dos girassóis, explicava aos cidadãos o direito de destituir deputados. Em 2025, a grande campanha da sociedade civil para destituir 31 deputados do KMT fracassou em todos os distritos: energia de rua e de rede não substitui convencer quem pensa diferente.

Verificar

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

1. Qual foi a principal resposta do movimento quando a TV mostrou os ocupantes como violentos?
2. Por que o g0v preferia planilhas e documentos sem login?
3. No vTaiwan sobre a Uber, o que era preciso para uma afirmação entrar na pauta?
4. Qual destas é uma crítica documentada ao movimento dos Girassóis?
5. O que o caso do vTaiwan ensina sobre processos de participação?

Fontes

Este playbook foi construído com transcrições de entrevistas de Audrey Tang, o livro Plurality, textos da comunidade g0v, relatos de…

Este playbook foi construído com transcrições de entrevistas de Audrey Tang, o livro Plurality, textos da comunidade g0v, relatos de organizadores e críticos de 2014, reportagens taiwanesas e internacionais de 2014 a 2026 e estudos de caso sobre o vTaiwan. Páginas consultadas em 26 de outubro de 2026.

34 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: tenz1225, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado em 26 de outubro de 2026

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