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Alexandria Ocasio-Cortez sorrindo, retrato oficial de 2018

Nova York · 2018

Pessoas contra dinheiro

People vs. money

“Pessoas contra dinheiro”: a ideia central do vídeo de lançamento, maio de 2018.

Em 2018, Alexandria Ocasio-Cortez, 28 anos, gastou cerca de dez vezes menos e venceu na primária um deputado de dez mandatos. Veja como ampliou o eleitorado e o que não se repetiu.

Uma homenagem aos voluntários de Queens e do Bronx que bateram nas portas. Projeto independente, sem ligação a Ocasio-Cortez, ao Justice Democrats, ao DSA ou a partidos.

Em 30 segundos

  1. 56,7%. Ocasio-Cortez venceu a primária democrata de 2018 contra Joe Crowley, que não enfrentava primária havia 14 anos e gastou cerca de dez vezes mais.

  2. Mais de 120 mil portas, segundo a campanha. Com o DSA e grupos locais, o campo tentou falar com todos os democratas registrados, não só com os prováveis.

  3. Com baixa participação, quem amplia o eleitorado muda o resultado, desde que a candidata vem da comunidade e tem gente na rua. O recrutamento nacional, sozinho, não se repetiu.

Os primeiros passos

  1. Abrir um formulário público de indicação de candidatos
  2. Ler as indicações procurando trabalho comunitário
  3. Conversar com a pessoa e percorrer o distrito com ela

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Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Quem fez

Uma campanha pequena (o núcleo inicial tinha cerca de cinco pessoas) apoiada por uma rede de recrutamento nacional e por organizações locais.

Uma campanha pequena (o núcleo inicial tinha cerca de cinco pessoas) apoiada por uma rede de recrutamento nacional e por organizações locais.

  • Alexandria Ocasio-Cortez

    Candidata

    Organizadora do Bronx que trabalhava num restaurante quando lançou a campanha; escreveu o roteiro e gravou a narração do vídeo de lançamento e fez campanha de rua durante quase um ano.

    Fontes
  • Saikat Chakrabarti

    Cofundador do Brand New Congress e do Justice Democrats; gerente e depois presidente da campanha

    Ex-engenheiro fundador da Stripe e dirigente da campanha de Sanders em 2016, ajudou a recrutar a candidata, dirigiu a campanha e promoveu voluntários a cargos pagos; foi chefe de gabinete dela até agosto de 2019.

    Fontes
  • Corbin Trent

    Cofundador do Brand New Congress; diretor de comunicação

    Porta-voz da campanha; descreveu a sequência de contato com eleitores e divulgou os números do campo no dia da primária.

    Fontes
  • Alexandra Rojas

    Cofundadora do Brand New Congress; diretora de campo nos dois últimos meses

    Vinda do programa de barnstorms de Sanders, trabalhou no recrutamento de candidatos e dirigiu o campo na reta final; assumiu o Justice Democrats em maio de 2018.

    Fontes
  • Naureen Akhter

    Diretora de organização; cofundadora do Muslims for Progress

    Começou coletando assinaturas nas esquinas e passou a coordenar voluntários por causa e por comunidade, com encontros com líderes locais.

    Fontes
  • Virginia Ramos Rios

    Gerente de campanha (segundo legendas da AP, 2018)

    Vinda do marketing de seguros, integrou a equipe pequena e pouco convencional que tocou o dia a dia da campanha.

    Fontes
  • Means of Production (Naomi Burton e Nick Hayes)

    Coletivo de vídeo de Detroit, membros do DSA

    Ofereceram-se à campanha em março de 2018 e fizeram o vídeo The Courage to Change por menos de US$ 10 mil, sem cobrar pelo próprio trabalho.

    Fontes
  • Queens DSA (Aaron Taube e voluntários)

    Organização militante que fez boa parte do porta a porta

    Depois do apoio de 22 de abril de 2018, fez canvass quase diário; a equipe de 103 voluntários de Queens bateu em mais de 11 mil portas.

    Fontes
  • Jake DeGroot e Leo Sussan

    Voluntários da campanha; criadores do app Reach

    Montaram um app para os voluntários procurarem e registrarem eleitores onde quer que estivessem, não só porta a porta, e depois o levaram a outras campanhas progressistas.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

O que a candidata, a equipe, os cineastas e os voluntários disseram sobre como a campanha foi feita.

O que a candidata, a equipe, os cineastas e os voluntários disseram sobre como a campanha foi feita. Paráfrases, salvo as citações curtas entre aspas.

Mais 6 citações
  • A campanha calculou que a participação subiu 68% em relação à primária de setembro de 2014 — número da própria campanha, não verificado.

    Saikat Chakrabarti, The Intercept, 1 jul. 2018

  • Em 2018 a campanha contratou como staff quem tinha começado como voluntário; ele repetiu o método na própria candidatura em 2026.

    Saikat Chakrabarti, Comunicado da campanha Saikat, 27 abr. 2026

  • Os voluntários liam as indicações procurando histórias de trabalho comunitário; sobre a candidata, resumiu: “She's just a natural.”

    Alexandra Rojas, HuffPost, entrevista sobre o Justice Democrats (2019)

  • Candidatos de movimento atraem voluntários dispostos a aparecer no vídeo — por isso quase todos na tela eram vizinhos, voluntários ou família, e o custo ficou baixo.

    Nick Hayes (Means of Production), The Intercept, 5 jun. 2018

  • A proposta de abolir o ICE funcionava em todo o distrito: em casas de língua espanhola e bengali em Jackson Heights e entre progressistas brancos em Astoria.

    Aaron Taube (Queens DSA), WNYC, 27 jun. 2018

  • Num território de 80 casas, em duas horas, falava com 10 a 20 pessoas; num dia bom, cinco prometiam votar nela.

    Miriam Bensman (voluntária), Dissent, “They Had Money, We Had People”, 9 jul. 2018

A história

Depois da derrota de Sanders em 2016, um grupo de ex-voluntários decidiu recrutar centenas de candidatos comuns para desafiar o Congresso.

Depois da derrota de Sanders em 2016, um grupo de ex-voluntários decidiu recrutar centenas de candidatos comuns para desafiar o Congresso. Uma das indicações que chegaram pelo site foi a de uma organizadora do Bronx que trabalhava numa taqueria de Manhattan. Dezoito meses depois, ela derrubou um dos homens mais poderosos do partido.

56,7%
16.898 votos contra 12.880 de Crowley, 26 jun. 2018oficial
29.778
votos na primária; a campanha esperava cerca de 15 miloficial
120 mil+
portas batidas, segundo a campanha, com 170 mil ligações e 175 mil SMSdado da campanha
< US$ 10 mil
custo do vídeo de lançamento; Crowley gastou cerca de US$ 3,4 milhõesdado da campanha

De uma indicação a uma vitória

  1. abr. 2016Cerca de 20 ex-voluntários de Sanders fundam o Brand New Congress com um plano de recrutar mais de 400 candidatos.
  2. fim de 2016O irmão de Ocasio-Cortez a indica pelo site. Logo depois de ela voltar de Standing Rock, em dezembro, o grupo liga para ela.
  3. jan.–mar. 2017Nasce o Justice Democrats (23 jan.), que se une ao Brand New Congress e soma 8.300 indicações até março.
  4. abr. 2017Depois de um encontro de candidatos em Kentucky, com treino de mídia, e de percorrer o distrito, Ocasio-Cortez lança a campanha contra Crowley, ainda trabalhando num restaurante em Union Square.
  5. abr. 2018Voluntários coletam assinaturas nas ruas de Queens; mais de 5 mil são entregues. Em 22 de abril, o DSA de Nova York declara apoio e começa o canvass quase diário.
  6. 30 mai. 2018Sai o vídeo The Courage to Change: cerca de 300 mil visualizações em um dia e doações pequenas que superam o que ele custou.
  7. jun. 2018Debate na NY1 em 15 de junho. Nos últimos quatro dias, quase 20 mil conversas em pessoa, por telefone e por SMS.
  8. 26 jun. 2018Ocasio-Cortez vence com 56,7%. A participação é quase o dobro do que a campanha esperava.
  9. 6 nov. 2018Vence a eleição geral com 78%. Chakrabarti vira chefe de gabinete; o documentário Knock Down the House estreia em janeiro de 2019.

Três camadas

A vitória juntou uma rede nacional que achou a candidata, uma campanha local mínima e um movimento que pôs gente na rua.

  • Recrutamento nacionalBrand New Congress e Justice Democrats: site de indicações, leitura por voluntários, encontro de candidatos, treino, apoio de comunicação e uma diretora de campo na reta final.
  • Campanha local mínimaA candidata, Chakrabarti, Trent, Rojas, Akhter e Ramos Rios num escritório apertado em Elmhurst, com voluntários promovidos a staff.
  • Movimento e coalizãoDSA de Queens e de Nova York, Bronx Progressives, Indivisible, Black Lives Matter, Muslims for Progress e o coletivo Means of Production, de Detroit.
O que não se sabe. Nenhum dado isola o efeito de cada peça.

Os números de portas, ligações e SMS e o aumento de 68% na participação são da própria campanha. A análise da The Intercept com dados por distrito eleitoral sugere que o melhor resultado veio de bairros em gentrificação como Astoria e Sunnyside, e não mostrou vantagem clara nas áreas mais latinas. O efeito específico do contato em espanhol não está medido. A pesquisa que, segundo Susan Kang (DSA), a punha 36 pontos atrás três semanas antes não foi verificada. Os valores de arrecadação variam conforme a data do relatório; aqui são usados os gastos de Crowley informados pela AP. O próprio Trent admitiu um elemento de sorte.

O terreno

Uma primária fechada, de baixa participação, num distrito que tinha mudado mais depressa do que a máquina do partido.

Uma primária fechada, de baixa participação, num distrito que tinha mudado mais depressa do que a máquina do partido.

Plataformas

Porta a porta com app de campo
O centro do método. Voluntários percorriam listas de democratas registrados e lançavam cada conversa num app móvel. Nas três últimas semanas, a campanha usou o Reach, criado por voluntários, que permitia procurar eleitores no cadastro em qualquer lugar e registrar a conversa; segundo um dos criadores, 15% dos eleitores contatados foram alcançados pelo app.
Telefone e SMS
Phone banks em casa para quem não podia ir a Queens e mensagens de texto de pessoa para pessoa: segundo a campanha, mais de 170 mil ligações e 175 mil SMS.
Vídeo de lançamento nas redes
The Courage to Change saiu no Twitter em 30 de maio de 2018, teve cerca de 300 mil visualizações no primeiro dia e mais de 2 milhões em quatro semanas, sem passar na TV.
Twitter e Instagram da candidata
Ela mesma gerenciava as contas e passou Crowley em seguidores no Twitter antes da primária. O uso intensivo de stories e lives no Instagram está documentado sobretudo depois da eleição.
Anúncios digitais e rádio
A publicidade foi quase toda digital, com algum rádio, dirigida a cerca de 75 mil eleitores com alguma probabilidade de votar.
Folhetos bilíngues e conversas em várias línguas
Material em inglês e espanhol, voluntários que falavam espanhol e conversas em casas de língua espanhola e bengali, num distrito de maioria não branca.

Condições locais

  • Primária fechada, só para democratas registrados, em junho, separada da primária estadual de setembro: participação muito baixa. Votaram 29.778 pessoas; a campanha esperava cerca de 15 mil, num distrito em que 178 mil votaram na eleição geral de 2016.
  • Incumbente acomodado: Crowley, presidente da bancada democrata e chefe do partido em Queens, não enfrentava uma primária havia 14 anos e mandou uma representante a um debate.
  • Distrito em mudança: segundo John Mollenkopf (CUNY), a população branca em idade de votar caiu cerca de 39 mil, enquanto a hispânica cresceu mais de 44 mil e a asiática quase 27 mil.
  • Diferença de dinheiro: Crowley gastou cerca de US$ 3,4 milhões, cerca de dez vezes mais; a candidata recusou doações de empresas.
  • Clima nacional de 2018: reação a Trump e à separação de famílias na fronteira, que deu peso à proposta de abolir o ICE num distrito de imigrantes.
  • Infraestrutura herdada de 2016: ex-voluntários de Sanders, um DSA em crescimento e grupos como Indivisible, Bronx Progressives e Muslims for Progress.
  • Assinaturas como porta de entrada: para entrar na cédula, a campanha entregou mais de 5 mil assinaturas, coletadas por voluntários a partir de abril.

O método

Três ideias antigas na ordem certa: achar a pessoa certa antes de ter campanha, deixá-la contar a própria história e usar o campo para…

Três ideias antigas na ordem certa: achar a pessoa certa antes de ter campanha, deixá-la contar a própria história e usar o campo para trazer quem quase nunca vota.

Três frentes

Recrutar de baixo
Abrir a indicação de candidatos ao público e escolher quem já faz trabalho comunitário e comunica bem os seus valores, não quem tem nome ou dinheiro.
Contar a história com a própria voz
A candidata escreve o roteiro, vizinhos e família aparecem na tela, e a mensagem cabe numa frase: pessoas contra dinheiro.
Ampliar o eleitorado
Numa primária em que pouca gente vota, tentar falar com todos os eleitores registrados, inclusive os que nunca votam em primárias, em várias línguas.

O ciclo da campanha

Os passos se repetem em escalas diferentes, da indicação ao último fim de semana.

  1. Indicar Qualquer pessoa sugere alguém da sua comunidade por um formulário público, com a história de trabalho dessa pessoa.
  2. Escolher Voluntários leem as indicações, ouvem vídeos e áudios, ligam, convidam para um encontro e avaliam o distrito com a candidata.
  3. Testar no campo A coleta de assinaturas para entrar na cédula é o primeiro teste: forma voluntários, revela os bairros e cria a lista própria.
  4. Somar organizações Buscar o apoio formal de grupos com voluntários (no caso, o DSA) e de coletivos locais que trazem comunidades inteiras.
  5. Lançar a história Um vídeo curto e barato, escrito pela candidata, que dá nome ao conflito e gera doações pequenas e inscrições.
  6. Bater, ligar, mandar mensagem Canvass quase diário, phone banks em casa e SMS de pessoa para pessoa, com cada conversa registrada no app.
  7. Promover Quem aparece toda semana vira capitão de canvass; quem lidera vira staff.
  8. Convocar na reta final Nos últimos dias, voltar a quem disse sim, lembrar o dia e o local e levar a candidata às ruas com os voluntários.

E recomeça.

Toolkit

O que é preciso para aplicar o método numa primária, numa eleição interna de partido ou numa eleição local de baixa participação: poucas…

O que é preciso para aplicar o método numa primária, numa eleição interna de partido ou numa eleição local de baixa participação: poucas pessoas pagas, muitas voluntárias e ferramentas baratas.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

O núcleo inicial tinha cerca de cinco pessoas. O resto foi trabalho voluntário organizado por organizações parceiras e por capitães locais.

Equipe mínima

A candidata
Alguém da comunidade com história de trabalho local. Escreve a própria mensagem, faz campanha de rua e cuida das próprias redes.
Direção da campanha
Planeja metas de contato, orçamento e calendário; promove voluntários a staff.
Comunicação
Imprensa, anúncios digitais segmentados e números do campo prontos para divulgar.
Organização comunitária
Liga a campanha a mesquitas, associações, coletivos de imigrantes e grupos por causa, cada um com a sua coordenação.
Direção de campo
Divide o distrito em territórios, monta turnos, treina e acompanha as metas de portas, ligações e SMS.
Capitães de canvass
Voluntários que puxam saídas quase diárias de cinco a quinze pessoas no seu bairro.
Vídeo
Uma equipe pequena e afinada com a causa, que filma a candidata no dia a dia e chama gente real para a tela.

Ritmo

  1. Meses antesCandidata na rua, em reuniões de bairro e de organizações; lista própria crescendo.
  2. Semanas de assinaturasFins de semana de coleta em pontos de grande circulação; cada assinante é um contato.
  3. Dias de semanaCanvass ao fim da tarde, com média de seis pessoas por saída; phone banks em casa para quem não pode ir.
  4. Fins de semanaSaídas maiores, com a candidata quando possível, e treino de quem chega.
  5. Últimos quatro diasTudo em contato: no caso, quase 20 mil conversas em pessoa, por telefone e por SMS.

Um território de 80 casas rende de 10 a 20 conversas em duas horas. Planeje a meta de conversas, não de portas, e conte quantas pessoas prometeram votar. Em eleições gerais, a melhor estimativa do efeito persuasivo do contato é zero (Kalla e Broockman, 49 experimentos); numa primária de baixa participação, a alavanca é quem vota. Por isso, meça: compare a participação nos territórios visitados e nos não visitados.

Plano B

  • Várias organizações parceiras, para não depender de uma só.
  • Voluntários treinados para virar staff se alguém sair.
  • Lista própria de voluntários e eleitores, com consentimento, fora de qualquer rede social.
  • Material bilíngue pronto antes da reta final.

Tecnologia

O caro foi o tempo das pessoas. As ferramentas são as comuns de campanha de campo; escolha as equivalentes no seu país.

  • Formulário de indicação de candidatosGrátis

    Página pública onde qualquer pessoa indica alguém da sua comunidade, com a história de trabalho e, se houver, vídeo ou áudio.

  • Página de voluntáriosGrátis

    Inscrição para coletar assinaturas, bater portas e ligar, com consentimento para contato.

  • App de canvass (no caso, o Reach)Varia; muitas vezes cedido por partido ou organização

    Listas de eleitores registrados por território no celular; cada conversa é lançada na hora.

  • Phone bank e SMS de pessoa para pessoaCentavos por contato

    Ligações de casa e mensagens enviadas uma a uma por voluntários, só para quem tem relação com a campanha ou consentiu.

  • Base de contatosGrátis a baixo custo

    Lista própria de voluntários, assinantes e eleitores contatados, com o resultado de cada conversa.

  • Vídeo de lançamentoMenos de US$ 10 mil

    Curta-metragem com câmera na mão, roteiro da candidata e gente do bairro na tela.

  • Doações pequenas onlineTaxa por doação

    Link de doação em cada vídeo e post; sem dinheiro de empresas.

  • Anúncios digitais segmentadosConforme o orçamento

    Para apresentar a candidata aos eleitores prováveis antes da visita, onde a lei permite e sempre identificados.

Guias rápidos por canal

Colunas do registro de campo

Data e turno · Território · Voluntário · Portas batidas · Conversas · Língua da conversa · Promessas de voto · Voluntários novos · Tema que mais apareceu

No caso, o vídeo custou menos de US$ 10 mil e as doações que ele trouxe pagaram a conta.

Comunicação

A mensagem cabia numa frase e era dita pela própria candidata. As conversas nas portas falavam de habitação, saúde e imigração, os temas do distrito.

A fórmula do vídeo de lançamento

  1. Quem sou De onde vem a candidata e onde trabalha: no caso, uma organizadora do Bronx que trabalhava num restaurante.
  2. A vida difícil O problema do dia a dia das famílias do distrito, sem jargão.
  3. O conflito Uma frase que nomeia os lados: pessoas contra dinheiro.
  4. As propostas Três ou quatro, concretas: saúde para todos, faculdade pública gratuita, garantia de emprego.
  5. Por que eu Quem paga a campanha e quem não paga: sem dinheiro de empresas.
  6. O convite Junte-se, doe, vote, com o link.

Regras de escrita

  • A candidata escreve com a própria voz. Consultor nenhum fala melhor por ela.
  • Gente real na tela: vizinhos, voluntários, família, com autorização.
  • Uma frase para o conflito, repetida em tudo.
  • Diga quem financia a campanha e quem não financia.
  • Material em todas as línguas faladas no distrito.
  • Na porta, pergunte antes de falar; volte às propostas, não ao adversário.
  • Use a ausência do adversário (num debate, no bairro) como fato, sem ataque pessoal.

Exemplo de abordagem na porta

Oi, boa tarde! Meu nome é Ana, sou voluntária e moro aqui no bairro. Estou com a campanha de [nome], que trabalha em [lugar] e é candidata na primária de [data]. Posso perguntar o que mais preocupa você hoje? […] Ela defende [proposta ligada ao que a pessoa disse] e não aceita dinheiro de empresas. Pouca gente vota na primária, então o seu voto pesa muito. Posso contar com você no dia [data]? Quer o material em espanhol?

Levar para o seu contexto

O que funciona em qualquer lugar e o que dependia de Nova York em 2018.

O que funciona em qualquer lugar e o que dependia de Nova York em 2018. Escolha o seu país no topo do toolkit para ver as ferramentas equivalentes.

Funciona em qualquer lugar

  • Recrutar candidatos pela indicação da comunidade, olhando para quem já organiza.
  • Deixar a candidata escrever e dizer a própria mensagem.
  • Uma frase para o conflito, que caiba num vídeo e numa porta.
  • Em eleições de baixa participação, mirar quem não costuma votar, não só os prováveis.
  • Promover voluntários a capitães e a staff.
  • Falar as línguas do território.
  • Somar organizações com gente, não só apoios formais.

Depende do contexto

Primária fechada nos Estados Unidos
Onde não há primárias, o equivalente é a eleição interna de partido, a ordem da lista, uma eleição local ou sindical de baixa participação. Em todas, poucos votos decidem.
Brand New Congress e Justice Democrats
Uma rede de recrutamento pode ser um movimento, um sindicato ou um coletivo que abre um formulário de indicação e forma candidatos.
DSA como força de campo
Troque pela organização de base com voluntários disponíveis no seu território: movimento estudantil, associação de moradores, sindicato.
Twitter e vídeo de lançamento em 2018
Hoje o mesmo vídeo vai para Reels, TikTok, Shorts e para o canal de mensagens dominante, com legendas e versão vertical.
Abolir o ICE
O tema mobilizou por ser concreto e local num distrito de imigrantes. Escolha a questão concreta que divide o seu território entre pessoas e dinheiro.
Doações pequenas sob as regras da FEC
Confirme os limites, a declaração obrigatória e a proibição de certas fontes na lei de financiamento do seu país antes de pedir dinheiro.

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

  1. Indicação aberta de candidatas

    Um formulário público em que qualquer pessoa indica alguém da sua comunidade, com a história do seu trabalho local, e voluntários que leem, ligam e escolhem quem já organiza e comunica bem os seus valores. Ocasio-Cortez foi indicada pelo irmão no site do Brand New Congress e do Justice Democrats.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando um movimento quer disputar cargos e procura gente da comunidade, não nomes conhecidos ou com dinheiro.
    Não use quando
    Não funciona como fábrica de candidatos: o método acha e apoia a pessoa certa, não a cria; dos 30 candidatos do Brand New Congress em 2018, só ela venceu a eleição geral.
    1. Semana −80 Abrir o formulário de indicação com a história de trabalho comunitário
    2. Semana −78 Formar a equipe de voluntários que lê as indicações e ouve vídeos e áudios
    3. Semana −76 Ligar para as pessoas indicadas e convidar as mais fortes para um encontro
    4. Semana −74 Avaliar com cada candidata o distrito: participação, incumbente, mudanças
    5. Semana −72 Treinar as escolhidas e dar apoio de comunicação
    6. Semana −70 Registrar quem foi indicado e por que, para a próxima rodada

    Equipe

    • Leitura: voluntários que leem indicações e procuram trabalho comunitário
    • Seleção: conversa com as indicadas e avalia o distrito com elas
    • Treino: prepara as escolhidas e dá apoio de comunicação

    O que medir: Indicações recebidas com história de trabalho local e candidatas que, depois do encontro, decidiram concorrer.

    Riscos a vigiar: Prometer apoio nacional que não chega queima candidatas: diga o que a rede pode dar e respeite as regras de pré-campanha e financiamento.

  2. Assinaturas como primeiro teste de campo

    A coleta de assinaturas para entrar na cédula forma voluntários, revela os bairros e cria a lista própria: cada assinante é um contato. A campanha entregou mais de 5 mil assinaturas, coletadas por voluntários a partir de abril de 2018.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona onde a candidatura exige assinaturas ou algum apoio formal antes de entrar na disputa.
    Não use quando
    Não funciona com assinaturas irregulares, que derrubam a candidatura, nem se os contatos não ficam numa lista própria com consentimento.
    1. Semana −14 Confirmar o número e as regras de assinaturas exigidas
    2. Semana −13 Abrir a página de voluntários com consentimento para contato
    3. Semana −12 Marcar fins de semana de coleta em pontos de grande circulação
    4. Semana −12 Lançar cada assinante e cada voluntário na base de contatos
    5. Semana −10 Conferir as assinaturas antes de entregar
    6. Semana −9 Convidar quem coletou para a primeira saída de porta a porta

    Equipe

    • Direção de campo: organiza turnos e pontos de coleta
    • Conferência: revisa cada assinatura antes da entrega
    • Base de contatos: registra assinantes e voluntários com consentimento

    O que medir: Assinaturas válidas coletadas e voluntários que voltaram para um segundo turno.

    Riscos a vigiar: Assinatura de quem não assinou pessoalmente derruba a candidatura e pode ser crime: só assinaturas reais, conferidas antes da entrega.

  3. Ampliar o eleitorado, não só convencer

    Numa eleição de baixa participação, tentar falar com todos os eleitores registrados, inclusive os que nunca votam em primárias, nas línguas do distrito, com cada conversa lançada no app (no caso, o Reach, criado por voluntários da campanha). Segundo a campanha, foram mais de 120 mil portas, 170 mil ligações e 175 mil SMS, e votaram 29.778 pessoas, quando se esperavam cerca de 15 mil.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona em primárias, eleições internas ou locais em que poucos votos decidem e o distrito mudou mais rápido que a máquina.
    Não use quando
    Não funciona como persuasão em eleições gerais, em que a melhor estimativa do efeito do contato é zero, nem com listas compradas ou disparos sem consentimento.
    1. Semana −10 Dividir o distrito em territórios e definir metas de conversas, não de portas
    2. Semana −9 Preparar material em todas as línguas faladas no distrito
    3. Semana −8 Montar saídas quase diárias e phone banks em casa para quem não pode ir
    4. Semana −6 Promover a capitães quem aparece toda semana e a staff quem lidera
    5. Semana −4 Registrar cada conversa e quem prometeu votar
    6. Semana −1 Nos últimos dias, voltar a quem disse sim e lembrar dia e local
    7. Semana do dia D No dia, levar a candidata às ruas com os voluntários

    Equipe

    • Direção de campo: territórios, turnos, treino e metas
    • Capitães de canvass: puxam saídas de cinco a quinze pessoas no bairro
    • Organização comunitária: liga a campanha a associações e coletivos de imigrantes

    O que medir: Conversas registradas e eleitores que prometeram votar, comparando a participação nos territórios visitados e nos não visitados.

    Riscos a vigiar: Dados de eleitores e mensagens fora da lei: SMS só de pessoa para pessoa, lista própria com consentimento e proteção de dados (LGPD, RGPD).

  4. Vídeo de lançamento com a própria voz

    Um vídeo curto e barato, com roteiro e narração da candidata e vizinhos, voluntários e família na tela, que nomeia o conflito numa frase (pessoas contra dinheiro) e traz doações pequenas. The Courage to Change custou menos de US$ 10 mil e passou de 2 milhões de visualizações em quatro semanas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a candidata vem da comunidade, tem uma história própria e o adversário gasta muito mais.
    Não use quando
    Não funciona escrito por consultores, com atores no lugar de gente real ou com uma mensagem que não cabe numa frase.
    1. Semana −8 A candidata escreve o roteiro: quem sou, a vida difícil, o conflito, propostas, convite
    2. Semana −6 Montar uma equipe pequena e afinada com a causa
    3. Semana −5 Chamar vizinhos, voluntários e família, com autorização por escrito
    4. Semana −4 Gravar com câmera na mão, em lugares reais do distrito
    5. Semana −4 Publicar com link de doação e de voluntariado, legendas e versão vertical
    6. Semana −3 Usar o vídeo nas portas e nos grupos e medir doações e inscrições

    Equipe

    • A candidata: escreve e narra a própria mensagem
    • Equipe de vídeo: filma o dia a dia e chama gente real para a tela
    • Comunicação: publica, mede e leva o vídeo à imprensa

    O que medir: Doações pequenas e inscrições de voluntários vindas do link do vídeo.

    Riscos a vigiar: Esconder quem paga destrói o argumento central: identifique a campanha em todo material e respeite limites e declaração de doações.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

Decida como a campanha

Seis decisões reais de 2016–2018 e do que veio depois. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.

Plano de 14 meses

Da indicação à votação, como lista de verificação.

Da indicação à votação, como lista de verificação. O caso levou de abril de 2017 a junho de 2018. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Antes da candidatura

  2. Meses 1–6: Construir a base

  3. Meses 7–10: Assinaturas e lançamento

  4. Meses 11–13: Campo

  5. Últimas semanas e dia da votação

Regras

Vizinhos falando com vizinhos: é todo o método.

Vizinhos falando com vizinhos: é todo o método. Fingir pessoas ou esconder quem paga derruba a crítica ao dinheiro que a campanha fez.

Diga quem paga
Todo anúncio, vídeo e folheto identifica a campanha responsável, como a lei eleitoral exige.
Financiamento às claras
Respeite os limites e a declaração de doações. Se recusar dinheiro de empresas, diga e cumpra.
Assinaturas limpas
Cada assinatura é de um eleitor real que assinou pessoalmente. Assinatura irregular derruba a candidatura.
Consentimento
Ligações e SMS só de pessoa para pessoa e dentro da lei; nada de listas compradas nem disparos automáticos sem autorização. Proteção de dados (LGPD, RGPD) vale em campanha.
Gente real na tela
Quem aparece no vídeo autorizou por escrito e sabe para que serve.
Só gente real nas redes
Nada de perfis falsos, bots ou contas compradas para inflar a candidata ou atacar o adversário.
Fatos com fonte
Críticas ao adversário (como não morar no distrito) só com fatos verificáveis.
Lei local
Cada país tem regras próprias para pré-campanha, eleições internas e publicidade. Na União Europeia, Meta e Google deixaram de aceitar anúncios políticos em 2025, e o Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência na publicidade política que ainda for paga. Confirme com um advogado.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
O distrito ajudou
Primária de baixíssima participação, população que tinha mudado e um incumbente sem primária havia 14 anos. Sem essas condições, o mesmo esforço pode não bastar.
A candidata não se copia
Quem a recrutou diz que ela era um talento natural. O método acha e apoia essa pessoa; não a fabrica.
A fórmula nacional não se repetiu
Dos 30 candidatos do Brand New Congress em 2018, só ela venceu a eleição geral; o Justice Democrats apoiou 79 e elegeu sete, três deles já deputados.
O establishment aprendeu
Em 2024, Jamaal Bowman (25 jun.) e Cori Bush (6 ago.), vitórias de 2020, perderam as primárias depois de gastos externos de grupos pró-Israel; só na disputa de Bowman foram quase US$ 15 milhões.
O nome não transfere votos
Em 2 de junho de 2026, Chakrabarti, que dirigiu a campanha de 2018, ficou em terceiro na disputa pela vaga de Pelosi com 18%, apesar de mais de 350 mil portas, segundo a própria campanha, e de gastar ao menos US$ 8,8 milhões; ela não o apoiou.
Mas não morreu
Em 2026 o Justice Democrats venceu primárias como a de Donavan McKinney, que derrotou o deputado Shri Thanedar em Michigan em 4 de agosto, e Ocasio-Cortez venceu a sua em 23 de junho com cerca de 87% dos votos.
Vitória não é base
Os números de campo de 2018 são da própria campanha e o resultado variou por bairro. Sem organização duradoura, a vitória fica dependente da candidata.

Verificar

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

1. Como Ocasio-Cortez chegou ao Brand New Congress?
2. Por que falar com todos os democratas registrados, e não só com os eleitores prováveis?
3. O que tornou o vídeo de lançamento barato?
4. Qual destes dados é da própria campanha e não foi verificado de forma independente?
5. O que a experiência posterior mostra sobre replicar o método?

Fontes

Este playbook foi construído com relatos de quem fez (a campanha, os recrutadores, os cineastas e os voluntários), reportagens de 2018,…

Este playbook foi construído com relatos de quem fez (a campanha, os recrutadores, os cineastas e os voluntários), reportagens de 2018, dados eleitorais oficiais e notícias de 2024 a 2026, consultadas em 26 de outubro de 2026.

32 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Franmarie Metzler / U.S. House Office of Photography, Public domain (US government work), via Wikimedia Commons

Atualizado em 26 de outubro de 2026

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