Em 30 segundos
56,7%. Ocasio-Cortez venceu as primárias democratas de 2018 contra Joe Crowley, que não enfrentava primárias há 14 anos e gastou cerca de dez vezes mais.
Mais de 120 mil portas, segundo a campanha. Com o DSA e grupos locais, tentou chegar a todos os democratas recenseados, não só aos prováveis votantes.
Com baixa participação, quem alarga o eleitorado muda o resultado, desde que a candidata venha da comunidade e tenha gente na rua. O recrutamento nacional, sozinho, não se repetiu.
Os primeiros passos
- Abrir um formulário público de indicação de candidatos
- Ler as indicações à procura de trabalho comunitário
- Conversar com a pessoa e percorrer o distrito com ela
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
Uma campanha pequena (o núcleo inicial tinha cerca de cinco pessoas) apoiada por uma rede de recrutamento nacional e por organizações locais.
Uma campanha pequena (o núcleo inicial tinha cerca de cinco pessoas) apoiada por uma rede de recrutamento nacional e por organizações locais.
Alexandria Ocasio-Cortez
Candidata
Organizadora do Bronx que trabalhava num restaurante quando lançou a campanha; escreveu o guião e gravou a narração do vídeo de lançamento e fez campanha na rua durante quase um ano.
FontesSaikat Chakrabarti
Cofundador do Brand New Congress e do Justice Democrats; diretor e depois presidente da campanha
Antigo engenheiro fundador da Stripe e dirigente da campanha de Sanders em 2016, ajudou a recrutar a candidata, dirigiu a campanha e promoveu voluntários a cargos pagos; foi chefe de gabinete dela até agosto de 2019.
FontesCorbin Trent
Cofundador do Brand New Congress; diretor de comunicação
Porta-voz da campanha; descreveu a sequência de contacto com os eleitores e divulgou os números do terreno no dia das primárias.
FontesAlexandra Rojas
Cofundadora do Brand New Congress; diretora de terreno nos dois últimos meses
Vinda do programa de barnstorms de Sanders, trabalhou no recrutamento de candidatos e dirigiu o terreno na reta final; assumiu o Justice Democrats em maio de 2018.
FontesNaureen Akhter
Diretora de organização; cofundadora do Muslims for Progress
Começou por recolher assinaturas nas esquinas e passou a coordenar voluntários por causa e por comunidade, com encontros com líderes locais.
FontesVirginia Ramos Rios
Diretora de campanha (segundo legendas da AP, 2018)
Vinda do marketing de seguros, integrou a equipa pequena e pouco convencional que geria o dia a dia da campanha.
FontesMeans of Production (Naomi Burton e Nick Hayes)
Coletivo de vídeo de Detroit, membros dos DSA
Ofereceram-se à campanha em março de 2018 e fizeram o vídeo The Courage to Change por menos de 10 mil dólares, sem cobrar pelo próprio trabalho.
FontesQueens DSA (Aaron Taube e voluntários)
Organização militante que fez boa parte do porta a porta
Depois do apoio de 22 de abril de 2018, fez ações de porta a porta quase diárias; a equipa de 103 voluntários de Queens bateu a mais de 11 mil portas.
FontesJake DeGroot e Leo Sussan
Voluntários da campanha; criadores da aplicação Reach
Montaram uma aplicação para os voluntários procurarem e registarem eleitores onde quer que estivessem, não só porta a porta, e depois levaram-na a outras campanhas progressistas.
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que a candidata, a equipa, os realizadores e os voluntários disseram sobre como a campanha foi feita.
O que a candidata, a equipa, os realizadores e os voluntários disseram sobre como a campanha foi feita. Paráfrases, salvo as citações curtas entre aspas.
Sobre o vídeo de lançamento: nenhum consultor participou nele. Ela escreveu o guião e a narração.
Alexandria Ocasio-Cortez, Publicação no Twitter citada por The Intercept, 5 jun. 2018
Na noite da vitória, em espanhol: «Este no es el fin, es el principio» (Isto não é o fim, é o princípio).
Alexandria Ocasio-Cortez, Discurso de vitória, 26 jun. 2018 (Expansión, 27 jun. 2018)
A sequência: chegar a cerca de 75 mil eleitores «mais ou menos prováveis» com anúncios digitais e depois bater à porta, enviar correio e telefonar.
Corbin Trent, City & State NY, 27 jun. 2018
Admitiu que houve «um elemento de sorte» na vitória, ao lado do trabalho de terreno.
Corbin Trent, City & State NY, 27 jun. 2018
Mais 6 citações
A campanha calculou que a participação subiu 68% face às primárias de setembro de 2014 — número da própria campanha, não verificado.
Saikat Chakrabarti, The Intercept, 1 jul. 2018
Em 2018 a campanha contratou como staff quem tinha começado como voluntário; repetiu o método na própria candidatura em 2026.
Saikat Chakrabarti, Comunicado da campanha Saikat, 27 abr. 2026
Os voluntários liam as indicações à procura de histórias de trabalho comunitário; sobre a candidata, resumiu: «She's just a natural» (é um talento natural).
Alexandra Rojas, HuffPost, entrevista sobre o Justice Democrats (2019)
Candidatos de movimento atraem voluntários dispostos a aparecer no vídeo — por isso quase todos no ecrã eram vizinhos, voluntários ou família, e o custo ficou baixo.
Nick Hayes (Means of Production), The Intercept, 5 jun. 2018
A proposta de abolir o ICE funcionava em todo o distrito: em casas de língua espanhola e bengali em Jackson Heights e entre progressistas brancos em Astoria.
Aaron Taube (Queens DSA), WNYC, 27 jun. 2018
Num território de 80 casas, em duas horas, falava com 10 a 20 pessoas; num dia bom, cinco prometiam votar nela.
Miriam Bensman (voluntária), Dissent, «They Had Money, We Had People», 9 jul. 2018
A história
Depois da derrota de Sanders em 2016, um grupo de antigos voluntários decidiu recrutar centenas de candidatos comuns para desafiar o Congresso.
Depois da derrota de Sanders em 2016, um grupo de antigos voluntários decidiu recrutar centenas de candidatos comuns para desafiar o Congresso. Uma das indicações que chegaram pelo site foi a de uma organizadora do Bronx que trabalhava numa taqueria de Manhattan. Dezoito meses depois, derrubou um dos homens mais poderosos do partido.
- 56,7%
- 16 898 votos contra 12 880 de Crowley, 26 jun. 2018oficial
- 29 778
- votos nas primárias; a campanha esperava cerca de 15 miloficial
- 120 mil+
- portas batidas, segundo a campanha, com 170 mil chamadas e 175 mil SMSdado da campanha
- < 10 mil $
- custo do vídeo de lançamento; Crowley gastou cerca de 3,4 milhões de dólaresdado da campanha
De uma indicação a uma vitória
- abr. 2016Cerca de 20 antigos voluntários de Sanders fundam o Brand New Congress com um plano para recrutar mais de 400 candidatos.
- fim de 2016O irmão de Ocasio-Cortez indica-a pelo site. Logo depois de ela voltar de Standing Rock, em dezembro, o grupo telefona-lhe.
- jan.–mar. 2017Nasce o Justice Democrats (23 jan.), que se une ao Brand New Congress e soma 8300 indicações até março.
- abr. 2017Depois de um encontro de candidatos no Kentucky, com formação em comunicação social, e de percorrer o distrito, Ocasio-Cortez lança a campanha contra Crowley, ainda a trabalhar num restaurante em Union Square.
- abr. 2018Voluntários recolhem assinaturas nas ruas de Queens; são entregues mais de 5 mil. A 22 de abril, os DSA de Nova Iorque declaram apoio e começa o porta a porta quase diário.
- 30 mai. 2018Sai o vídeo The Courage to Change: cerca de 300 mil visualizações num dia e pequenos donativos que superam o que custou.
- jun. 2018Debate na NY1 a 15 de junho. Nos últimos quatro dias, quase 20 mil conversas presenciais, por telefone e por SMS.
- 26 jun. 2018Ocasio-Cortez vence com 56,7%. A participação é quase o dobro do que a campanha esperava.
- 6 nov. 2018Vence as eleições gerais com 78%. Chakrabarti torna-se chefe de gabinete; o documentário Knock Down the House estreia em janeiro de 2019.
Três camadas
A vitória juntou uma rede nacional que encontrou a candidata, uma campanha local mínima e um movimento que pôs gente na rua.
- Recrutamento nacionalBrand New Congress e Justice Democrats: site de indicações, leitura por voluntários, encontro de candidatos, formação, apoio de comunicação e uma diretora de terreno na reta final.
- Campanha local mínimaA candidata, Chakrabarti, Trent, Rojas, Akhter e Ramos Rios num escritório apertado em Elmhurst, com voluntários promovidos a staff.
- Movimento e coligaçãoDSA de Queens e de Nova Iorque, Bronx Progressives, Indivisible, Black Lives Matter, Muslims for Progress e o coletivo Means of Production, de Detroit.
O que não se sabe. Nenhum dado isola o efeito de cada peça.
Os números de portas, chamadas e SMS e o aumento de 68% na participação são da própria campanha. A análise da The Intercept com dados por secção de voto sugere que o melhor resultado veio de bairros em gentrificação como Astoria e Sunnyside, e não mostrou vantagem clara nas zonas mais latinas. O efeito específico do contacto em espanhol não está medido. A sondagem que, segundo Susan Kang (DSA), a colocava 36 pontos atrás três semanas antes não foi verificada. Os valores de angariação variam conforme a data do relatório; aqui usam-se os gastos de Crowley indicados pela AP. O próprio Trent admitiu um elemento de sorte.
O terreno
Primárias fechadas, de baixa participação, num distrito que tinha mudado mais depressa do que a máquina do partido.
Primárias fechadas, de baixa participação, num distrito que tinha mudado mais depressa do que a máquina do partido.
Plataformas
- Porta a porta com aplicação de terreno
- O centro do método. Os voluntários percorriam listas de democratas recenseados e registavam cada conversa numa aplicação móvel. Nas três últimas semanas, a campanha usou o Reach, criado por voluntários, que permitia procurar eleitores no recenseamento em qualquer lugar e registar a conversa; segundo um dos criadores, 15% dos eleitores contactados foram alcançados pela aplicação.
- Telefone e SMS
- Sessões de chamadas a partir de casa para quem não podia ir a Queens e mensagens de texto de pessoa para pessoa: segundo a campanha, mais de 170 mil chamadas e 175 mil SMS.
- Vídeo de lançamento nas redes
- The Courage to Change saiu no Twitter a 30 de maio de 2018, teve cerca de 300 mil visualizações no primeiro dia e mais de 2 milhões em quatro semanas, sem passar na televisão.
- Twitter e Instagram da candidata
- Era ela própria quem geria as contas e ultrapassou Crowley em seguidores no Twitter antes das primárias. O uso intensivo de stories e diretos no Instagram está documentado sobretudo depois da eleição.
- Anúncios digitais e rádio
- A publicidade foi quase toda digital, com alguma rádio, dirigida a cerca de 75 mil eleitores com alguma probabilidade de votar.
- Folhetos bilingues e conversas em várias línguas
- Material em inglês e espanhol, voluntários que falavam espanhol e conversas em casas de língua espanhola e bengali, num distrito de maioria não branca.
Condições locais
- Primárias fechadas, só para democratas recenseados, em junho, separadas das primárias estaduais de setembro: participação muito baixa. Votaram 29 778 pessoas; a campanha esperava cerca de 15 mil, num distrito onde 178 mil votaram nas eleições gerais de 2016.
- Um titular acomodado: Crowley, presidente da bancada democrata e chefe do partido em Queens, não enfrentava primárias há 14 anos e mandou uma representante a um debate.
- Um distrito em mudança: segundo John Mollenkopf (CUNY), a população branca em idade de votar caiu cerca de 39 mil, enquanto a hispânica cresceu mais de 44 mil e a asiática quase 27 mil.
- Diferença de dinheiro: Crowley gastou cerca de 3,4 milhões de dólares, cerca de dez vezes mais; a candidata recusou donativos de empresas.
- O clima nacional de 2018: reação a Trump e à separação de famílias na fronteira, que deu peso à proposta de abolir o ICE num distrito de imigrantes.
- Infraestrutura herdada de 2016: antigos voluntários de Sanders, uns DSA em crescimento e grupos como Indivisible, Bronx Progressives e Muslims for Progress.
- Assinaturas como porta de entrada: para entrar no boletim de voto, a campanha entregou mais de 5 mil assinaturas, recolhidas por voluntários a partir de abril.
O método
Três ideias antigas pela ordem certa: encontrar a pessoa certa antes de haver campanha, deixá-la contar a própria história e usar o terreno…
Três ideias antigas pela ordem certa: encontrar a pessoa certa antes de haver campanha, deixá-la contar a própria história e usar o terreno para trazer quem raramente vota.
Três frentes
- Recrutar na base
- Abrir a indicação de candidatos ao público e escolher quem já faz trabalho comunitário e comunica bem os seus valores, não quem tem nome ou dinheiro.
- Contar a história com a própria voz
- A candidata escreve o guião, vizinhos e família aparecem no ecrã e a mensagem cabe numa frase: pessoas contra dinheiro.
- Alargar o eleitorado
- Numas primárias em que pouca gente vota, tentar falar com todos os eleitores recenseados, incluindo os que nunca votam em primárias, em várias línguas.
O ciclo da campanha
Os passos repetem-se em escalas diferentes, da indicação ao último fim de semana.
- Indicar Qualquer pessoa sugere alguém da sua comunidade através de um formulário público, com o percurso de trabalho dessa pessoa.
- Escolher Voluntários leem as indicações, veem vídeos e ouvem áudios, telefonam, convidam para um encontro e avaliam o distrito com a candidata.
- Testar no terreno A recolha de assinaturas para entrar no boletim é o primeiro teste: forma voluntários, revela os bairros e cria a lista própria.
- Somar organizações Procurar o apoio formal de grupos com voluntários (no caso, os DSA) e de coletivos locais que trazem comunidades inteiras.
- Lançar a história Um vídeo curto e barato, escrito pela candidata, que dá nome ao conflito e gera pequenos donativos e inscrições.
- Bater, telefonar, enviar mensagens Porta a porta quase diário, chamadas a partir de casa e SMS de pessoa para pessoa, com cada conversa registada na aplicação.
- Promover Quem aparece todas as semanas passa a capitão de porta a porta; quem lidera passa a staff.
- Mobilizar na reta final Nos últimos dias, voltar a quem disse sim, lembrar o dia e o local e levar a candidata às ruas com os voluntários.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para aplicar o método numas primárias, numa eleição interna de partido ou numa eleição local de baixa participação: poucas…
O que é preciso para aplicar o método numas primárias, numa eleição interna de partido ou numa eleição local de baixa participação: poucas pessoas pagas, muitas voluntárias e ferramentas baratas.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
O núcleo inicial tinha cerca de cinco pessoas. O resto foi trabalho voluntário organizado por organizações parceiras e por capitães locais.
Equipa mínima
- A candidata
- Alguém da comunidade com percurso de trabalho local. Escreve a própria mensagem, faz campanha na rua e gere as próprias redes.
- Direção da campanha
- Planeia metas de contacto, orçamento e calendário; promove voluntários a staff.
- Comunicação
- Imprensa, anúncios digitais segmentados e números do terreno prontos a divulgar.
- Organização comunitária
- Liga a campanha a mesquitas, associações, coletivos de imigrantes e grupos por causa, cada um com a sua coordenação.
- Direção de terreno
- Divide o distrito em territórios, monta turnos, forma e acompanha as metas de portas, chamadas e SMS.
- Capitães de porta a porta
- Voluntários que puxam saídas quase diárias de cinco a quinze pessoas no seu bairro.
- Vídeo
- Uma equipa pequena e afinada com a causa, que filma a candidata no dia a dia e chama gente real para o ecrã.
Ritmo
- Meses antesCandidata na rua, em reuniões de bairro e de organizações; lista própria a crescer.
- Semanas de assinaturasFins de semana de recolha em locais de muita passagem; cada pessoa que assina é um contacto.
- Dias úteisPorta a porta ao fim da tarde, com uma média de seis pessoas por saída; chamadas a partir de casa para quem não pode ir.
- Fins de semanaSaídas maiores, com a candidata sempre que possível, e formação de quem chega.
- Últimos quatro diasTodos em contacto: no caso, quase 20 mil conversas presenciais, por telefone e por SMS.
Um território de 80 casas rende 10 a 20 conversas em duas horas. Planeia a meta de conversas, não de portas, e conta quantas pessoas prometeram votar. Em eleições gerais, a melhor estimativa do efeito persuasivo do contacto é zero (Kalla e Broockman, 49 experiências); numa primária de baixa participação, a alavanca é quem vota. Por isso, mede: compara a participação nos territórios visitados e nos não visitados.
Plano B
- Várias organizações parceiras, para não depender de uma só.
- Voluntários preparados para passar a staff se alguém sair.
- Lista própria de voluntários e eleitores, com consentimento, fora de qualquer rede social.
- Material bilingue pronto antes da reta final.
Tecnologia
O caro foi o tempo das pessoas. As ferramentas são as habituais de uma campanha de terreno; escolhe as equivalentes no teu país.
- Formulário de indicação de candidatosGratuito
Página pública onde qualquer pessoa indica alguém da sua comunidade, com o percurso de trabalho e, se existir, vídeo ou áudio.
- Página de voluntáriosGratuito
Inscrição para recolher assinaturas, bater às portas e telefonar, com consentimento para contacto.
- Aplicação de porta a porta (no caso, o Reach)Variável; muitas vezes cedida por partido ou organização
Listas de eleitores recenseados por território no telemóvel; cada conversa é registada no momento.
- Chamadas e SMS de pessoa para pessoaCêntimos por contacto
Chamadas a partir de casa e mensagens enviadas uma a uma por voluntários, só para quem tem relação com a campanha ou deu consentimento.
- Base de contactosGratuito a baixo custo
Lista própria de voluntários, subscritores e eleitores contactados, com o resultado de cada conversa.
- Vídeo de lançamentoMenos de 10 mil dólares
Curta-metragem com câmara à mão, guião da candidata e gente do bairro no ecrã.
- Pequenos donativos onlineComissão por donativo
Ligação para donativos em cada vídeo e publicação; sem dinheiro de empresas.
- Anúncios digitais segmentadosConforme o orçamento
Para apresentar a candidata aos eleitores prováveis antes da visita, onde a lei o permite e sempre identificados.
Colunas do registo de terreno
Data e turno · Território · Voluntário · Portas batidas · Conversas · Língua da conversa · Promessas de voto · Novos voluntários · Tema que mais surgiu
No caso, o vídeo custou menos de 10 mil dólares e os donativos que trouxe pagaram a conta.
Comunicação
A mensagem cabia numa frase e era dita pela própria candidata. As conversas às portas eram sobre habitação, saúde e imigração, os temas do distrito.
A fórmula do vídeo de lançamento
- Quem sou De onde vem a candidata e onde trabalha: no caso, uma organizadora do Bronx que trabalhava num restaurante.
- A vida difícil O problema do dia a dia das famílias do distrito, sem jargão.
- O conflito Uma frase que nomeia os lados: pessoas contra dinheiro.
- As propostas Três ou quatro, concretas: saúde para todos, ensino superior público gratuito, garantia de emprego.
- Porquê eu Quem paga a campanha e quem não paga: sem dinheiro de empresas.
- O convite Junte-se, contribua, vote, com a ligação.
Regras de escrita
- A candidata escreve com a própria voz. Nenhum consultor fala melhor por ela.
- Gente real no ecrã: vizinhos, voluntários, família, com autorização.
- Uma frase para o conflito, repetida em tudo.
- Diz quem financia a campanha e quem não financia.
- Material em todas as línguas faladas no distrito.
- À porta, pergunta antes de falar; volta às propostas, não ao adversário.
- Usa a ausência do adversário (num debate, no bairro) como facto, sem ataque pessoal.
Exemplo de abordagem à porta
Olá, boa tarde! Chamo-me Ana, sou voluntária e moro aqui no bairro. Estou com a campanha de [nome], que trabalha em [local] e é candidata nas primárias de [data]. Posso perguntar o que mais o preocupa neste momento? […] Ela defende [proposta ligada ao que a pessoa disse] e não aceita dinheiro de empresas. Pouca gente vota nas primárias, por isso o seu voto pesa muito. Posso contar consigo no dia [data]? Quer o material em espanhol?
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lado e o que dependia de Nova Iorque em 2018.
O que funciona em qualquer lado e o que dependia de Nova Iorque em 2018. Escolhe o teu país no topo do toolkit para veres as ferramentas equivalentes.
Funciona em qualquer lado
- Recrutar candidatos por indicação da comunidade, olhando para quem já organiza.
- Deixar a candidata escrever e dizer a própria mensagem.
- Uma frase para o conflito, que caiba num vídeo e numa porta.
- Em eleições de baixa participação, apontar a quem não costuma votar, e não só aos prováveis.
- Promover voluntários a capitães e a staff.
- Falar as línguas do território.
- Somar organizações com gente, não apenas apoios formais.
Depende do contexto
- Primárias fechadas nos Estados Unidos
- Onde não há primárias, o equivalente é a eleição interna de partido, a ordenação da lista, uma eleição local ou sindical de baixa participação. Em todas, poucos votos decidem.
- Brand New Congress e Justice Democrats
- Uma rede de recrutamento pode ser um movimento, um sindicato ou um coletivo que abre um formulário de indicação e forma candidatos.
- Os DSA como força de terreno
- Troca pela organização de base com voluntários disponíveis no teu território: movimento estudantil, associação de moradores, sindicato.
- Twitter e vídeo de lançamento em 2018
- Hoje o mesmo vídeo vai para Reels, TikTok, Shorts e para o canal de mensagens dominante, com legendas e versão vertical.
- Abolir o ICE
- O tema mobilizou por ser concreto e local num distrito de imigrantes. Escolhe a questão concreta que divide o teu território entre pessoas e dinheiro.
- Pequenos donativos sob as regras da FEC
- Antes de pedir dinheiro, confirma os limites, a declaração obrigatória e a proibição de certas fontes na lei de financiamento do teu país.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
-
Indicação aberta de candidatas
Um formulário público em que qualquer pessoa indica alguém da sua comunidade, com a história do seu trabalho local, e voluntários que leem, telefonam e escolhem quem já organiza e comunica bem os seus valores. Ocasio-Cortez foi indicada pelo irmão no site do Brand New Congress e do Justice Democrats.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando um movimento quer disputar cargos e procura pessoas da comunidade, não nomes conhecidos ou com dinheiro.
- Não usar quando
- Não funciona como fábrica de candidatos: o método encontra e apoia a pessoa certa, não a cria; dos 30 candidatos do Brand New Congress em 2018, só ela venceu a eleição geral.
- Semana −80 Abrir o formulário de indicação com a história de trabalho comunitário
- Semana −78 Formar a equipa de voluntários que lê as indicações e ouve vídeos e áudios
- Semana −76 Telefonar às pessoas indicadas e convidar as mais fortes para um encontro
- Semana −74 Avaliar com cada candidata o círculo: participação, incumbente, mudanças
- Semana −72 Formar as escolhidas e dar apoio de comunicação
- Semana −70 Registar quem foi indicado e porquê, para a próxima ronda
Equipa
- Leitura: voluntários que leem indicações e procuram trabalho comunitário
- Seleção: conversa com as indicadas e avalia o círculo com elas
- Formação: prepara as escolhidas e dá apoio de comunicação
O que medir: Indicações recebidas com história de trabalho local e candidatas que, depois do encontro, decidiram avançar.
Riscos a vigiar: Prometer apoio nacional que não chega queima candidatas: diz o que a rede pode dar e respeita as regras de pré-campanha e de financiamento.
-
Assinaturas como primeiro teste de terreno
A recolha de assinaturas para entrar no boletim forma voluntários, revela os bairros e cria a lista própria: cada subscritor é um contacto. A campanha entregou mais de 5 mil assinaturas, recolhidas por voluntários a partir de abril de 2018.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona onde a candidatura exige assinaturas ou algum apoio formal antes de entrar na disputa.
- Não usar quando
- Não funciona com assinaturas irregulares, que derrubam a candidatura, nem se os contactos não ficarem numa lista própria com consentimento.
- Semana −14 Confirmar o número e as regras das assinaturas exigidas
- Semana −13 Abrir a página de voluntários com consentimento para contacto
- Semana −12 Marcar fins de semana de recolha em pontos de grande movimento
- Semana −12 Registar cada subscritor e cada voluntário na base de contactos
- Semana −10 Verificar as assinaturas antes da entrega
- Semana −9 Convidar quem recolheu para a primeira saída porta a porta
Equipa
- Direção de terreno: organiza turnos e pontos de recolha
- Verificação: revê cada assinatura antes da entrega
- Base de contactos: regista subscritores e voluntários com consentimento
O que medir: Assinaturas válidas recolhidas e voluntários que voltaram para um segundo turno.
Riscos a vigiar: A assinatura de quem não assinou pessoalmente derruba a candidatura e pode ser crime: só assinaturas reais, verificadas antes da entrega.
-
Alargar o eleitorado, não só convencer
Numa eleição de baixa participação, tentar falar com todos os eleitores inscritos, incluindo os que nunca votam em primárias, nas línguas do círculo, com cada conversa registada na app (no caso, o Reach, criado por voluntários da campanha). Segundo a campanha, foram mais de 120 mil portas, 170 mil chamadas e 175 mil SMS, e votaram 29 778 pessoas, quando se esperavam cerca de 15 mil.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona em primárias, eleições internas ou locais em que poucos votos decidem e o círculo mudou mais depressa do que a máquina.
- Não usar quando
- Não funciona como persuasão em eleições gerais, em que a melhor estimativa do efeito do contacto é zero, nem com listas compradas ou envios sem consentimento.
- Semana −10 Dividir o círculo em territórios e definir metas de conversas, não de portas
- Semana −9 Preparar material em todas as línguas faladas no círculo
- Semana −8 Montar saídas quase diárias e telefonemas a partir de casa para quem não pode ir
- Semana −6 Promover a capitães quem aparece todas as semanas e a staff quem lidera
- Semana −4 Registar cada conversa e quem prometeu votar
- Semana −1 Nos últimos dias, voltar a quem disse sim e lembrar dia e local
- Semana do dia D No dia, levar a candidata para a rua com os voluntários
Equipa
- Direção de terreno: territórios, turnos, formação e metas
- Capitães de porta a porta: puxam saídas de cinco a quinze pessoas no bairro
- Organização comunitária: liga a campanha a associações e coletivos de imigrantes
O que medir: Conversas registadas e eleitores que prometeram votar, comparando a participação nos territórios visitados e nos não visitados.
Riscos a vigiar: Dados de eleitores e mensagens fora da lei: SMS só de pessoa para pessoa, lista própria com consentimento e cumprimento do RGPD.
-
Vídeo de lançamento com a própria voz
Um vídeo curto e barato, com guião e narração da candidata e vizinhos, voluntários e família no ecrã, que nomeia o conflito numa frase (pessoas contra dinheiro) e traz pequenos donativos. The Courage to Change custou menos de 10 mil dólares e passou os 2 milhões de visualizações em quatro semanas.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a candidata vem da comunidade, tem uma história própria e o adversário gasta muito mais.
- Não usar quando
- Não funciona escrito por consultores, com atores em vez de pessoas reais ou com uma mensagem que não cabe numa frase.
- Semana −8 A candidata escreve o guião: quem sou, a vida difícil, o conflito, propostas, convite
- Semana −6 Montar uma equipa pequena e próxima da causa
- Semana −5 Chamar vizinhos, voluntários e família, com autorização por escrito
- Semana −4 Gravar de câmara na mão, em sítios reais do círculo
- Semana −4 Publicar com link de donativo e de voluntariado, legendas e versão vertical
- Semana −3 Usar o vídeo nas portas e nos grupos e medir donativos e inscrições
Equipa
- A candidata: escreve e narra a própria mensagem
- Equipa de vídeo: filma o dia a dia e chama pessoas reais para o ecrã
- Comunicação: publica, mede e leva o vídeo à imprensa
O que medir: Pequenos donativos e inscrições de voluntários vindos do link do vídeo.
Riscos a vigiar: Esconder quem paga destrói o argumento central: identifica a campanha em todo o material e respeita limites e declaração de donativos.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a campanha
Seis momentos de 2016–2018 e do que veio depois. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano de 14 meses
Da indicação à votação, como lista de verificação.
Da indicação à votação, como lista de verificação. O caso decorreu de abril de 2017 a junho de 2018. O progresso fica guardado neste navegador.
Antes da candidatura
Meses 1–6: Construir a base
Meses 7–10: Assinaturas e lançamento
Meses 11–13: Terreno
Últimas semanas e dia da votação
Regras
Vizinhos a falar com vizinhos: é todo o método.
Vizinhos a falar com vizinhos: é todo o método. Fingir pessoas ou esconder quem paga deita abaixo a acusação ao dinheiro que a campanha fez.
- Dizer quem paga
- Cada anúncio, vídeo e folheto identifica a campanha responsável, como a lei eleitoral exige.
- Financiamento transparente
- Respeita os limites e a declaração de donativos. Se recusares dinheiro de empresas, di-lo e cumpre.
- Assinaturas limpas
- Cada assinatura é de um eleitor real que assinou pessoalmente. Assinaturas irregulares podem afastar a candidatura do boletim.
- Consentimento
- Chamadas e SMS só de pessoa para pessoa e dentro da lei; nada de listas compradas nem envios automáticos sem autorização. A proteção de dados (RGPD, LGPD) também se aplica em campanha.
- Gente real no ecrã
- Quem aparece no vídeo autorizou por escrito e sabe para que serve.
- Só gente real nas redes
- Nada de perfis falsos, bots ou contas compradas para inflacionar a candidata ou atacar o adversário.
- Factos com fonte
- Críticas ao adversário (como não viver no distrito) só com factos verificáveis.
- Lei local
- Cada país tem regras próprias para pré-campanha, eleições internas e publicidade. Na União Europeia, a Meta e a Google deixaram de aceitar anúncios políticos em 2025, e o Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência na publicidade política que ainda for paga. Confirma com um advogado.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- O distrito ajudou
- Primárias de participação baixíssima, uma população que tinha mudado e um titular sem primárias há 14 anos. Sem estas condições, o mesmo esforço pode não chegar.
- A candidata não se copia
- Quem a recrutou diz que era um talento natural. O método encontra e apoia essa pessoa; não a fabrica.
- A fórmula nacional não se repetiu
- Dos 30 candidatos do Brand New Congress em 2018, só ela venceu as eleições gerais; o Justice Democrats apoiou 79 e elegeu sete, três dos quais já eram congressistas.
- O establishment aprendeu
- Em 2024, Jamaal Bowman (25 jun.) e Cori Bush (6 ago.), vitórias de 2020, perderam as primárias depois de gastos externos de grupos pró-Israel; só na disputa de Bowman foram quase 15 milhões de dólares.
- O nome não transfere votos
- A 2 de junho de 2026, Chakrabarti, que dirigiu a campanha de 2018, ficou em terceiro lugar na disputa pelo lugar de Pelosi com 18%, apesar de mais de 350 mil portas, segundo a própria campanha, e de gastar pelo menos 8,8 milhões de dólares; ela não o apoiou.
- Mas não morreu
- Em 2026 o Justice Democrats venceu primárias como a de Donavan McKinney, que derrotou o congressista Shri Thanedar no Michigan a 4 de agosto, e Ocasio-Cortez venceu a sua a 23 de junho com cerca de 87% dos votos.
- Vitória não é base
- Os números de terreno de 2018 são da própria campanha e o resultado variou por bairro. Sem organização duradoura, a vitória fica dependente da candidata.
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Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Este playbook foi construído com relatos de quem fez (a campanha, os recrutadores, os realizadores e os voluntários), reportagens de 2018,…
Este playbook foi construído com relatos de quem fez (a campanha, os recrutadores, os realizadores e os voluntários), reportagens de 2018, dados eleitorais oficiais e notícias de 2024 a 2026, consultadas a 26 de outubro de 2026.
32 fontes
Quem fez
- Dissent: They Had Money, We Had People (Miriam Bensman, voluntária) 9 jul. 2018
- Verso Books: The Impossible Election of Alexandria Ocasio-Cortez (Susan Kang, NYC-DSA) 3 jul. 2018
- HuffPost: entrevista com Alexandra Rojas sobre o Justice Democrats e o recrutamento de Ocasio-Cortez 2019
- The Intercept: Ocasio-Cortez campaign video (entrevista com Nick Hayes, Means of Production) 5 jun. 2018
- The Ringer: The Propagandists (Means of Production) 10 out. 2018
- Detroit Metro Times: Detroiters help propel New York socialist Ocasio-Cortez to stunning primary win 27 jun. 2018
- Dhaka Tribune: The Bangladeshi organizer behind Alexandria (Naureen Akhter) 6 nov. 2018
- Saikat for Congress: Saikat's grassroots campaign knocks on 350,000 doors across San Francisco 27 abr. 2026
- Queens College Special Collections: Campaign Materials for DSA Endorsed Candidates (doação de Aaron Taube)
Dados
- Wikipedia: 2018 United States House of Representatives elections in New York (resultados oficiais)
- Wikipedia: Alexandria Ocasio-Cortez
- Wikipedia: Brand New Congress
- Wikipedia: Justice Democrats
- Wikipedia: Saikat Chakrabarti
- Wikipedia: Alexandra Rojas
- Wikipedia: Knock Down the House
Imprensa
- Detroit Metro Times: perfil de Means of Production (Naomi Burton e Nick Hayes) 12 jun. 2018
- City & State NY: How Alexandria Ocasio-Cortez won the race that shocked the country 27 jun. 2018
- WNYC: Why Alexandria Ocasio-Cortez Won 27 jun. 2018
- AP: Behind Ocasio-Cortez's upset victory, an unconventional crew 2018
- Expansión: Alexandria Ocasio-Cortez, la latina que derrota a un congresista de NY 27 jun. 2018
- Rolling Stone: Alexandria Ocasio-Cortez Will Not Log Off
- Good Morning America / ABC: Jamaal Bowman's loss a warning to progressives 27 jun. 2024
- Axios: Left-wing group mounts new push to unseat House Democrats 14 jan. 2025
- Mission Local: Saikat Chakrabarti election, Congress jun. 2026
- KOGO / iHeart: Donavan McKinney wins Michigan Democratic primary for Congress 5 ago. 2026
- GeekWire: This app helped Alexandria Ocasio-Cortez get elected; now it’s spreading to progressive campaigns across the country 24 jan. 2019
- Bloomberg: AOC's Organizing App Is Spreading to Democratic Socialist Campaigns 26 mar. 2019
Análise
- The Intercept: Data suggests that gentrifying neighborhoods powered Alexandria Ocasio-Cortez's victory 1 jul. 2018
- Z Network: A revolution has begun (George Monbiot) 18 jul. 2018
- AOL / The Hill: Opinion: Could the next AOC emerge from San Francisco? 2026
- Kalla e Broockman: The Minimal Persuasive Effects of Campaign Contact in General Elections (APSR; SSRN) consultado a 26 out. 2026
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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