Em 30 segundos
24% → 36,9%. Das sondagens às urnas: o Labour mudou de líder a sete semanas das eleições e, mesmo em segundo, formou governo com NZ First e Verdes.
72 horas para refazer o plano. Ardern fixou no 1.º dia um tom de positividade implacável e fez da primeira conferência de imprensa um recomeço de campanha.
Uma mudança no topo é notícia durante poucos dias: o Labour decidiu o tom na primeira hora, tinha estrutura para receber quem chegava e recuou a 14 de setembro, quando os impostos se tornaram o alvo.
Os primeiros passos
- Montar a base de dados de eleitores, apoiantes e voluntários
- Recrutar e formar líderes voluntários que acompanhem outros voluntários
- Escrever um plano de sucessão: quem assume, quem fala, o que se refaz
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
Este playbook assenta no que as pessoas do Labour disseram e escreveram: sobretudo o relato da própria Ardern no livro Stardust and…
Este playbook assenta no que as pessoas do Labour disseram e escreveram: sobretudo o relato da própria Ardern no livro Stardust and Substance (2018), as declarações da direção de campanha à imprensa em agosto de 2017, a reportagem do Newsroom sobre a operação de terreno, com entrevistas aos organizadores, e o Estudo Eleitoral da Nova Zelândia (NZES), publicado em livro de acesso aberto pela ANU Press.
Jacinda Ardern
Líder do Labour desde 1 ago. 2017; primeira-ministra de 2017 a 2023
Assumiu a liderança a 53 dias das eleições, decidiu o tom e o slogan nas primeiras horas e contou depois as decisões da campanha num capítulo do livro Stardust and Substance e nas memórias A Different Kind of Power (2025).
FontesAndrew Little
Líder do Labour até 1 ago. 2017
Assumiu a culpa pelas sondagens, deixou o cargo, propôs Ardern ao grupo parlamentar e prometeu-lhe apoio total durante a campanha.
FontesAndrew Kirton
Secretário-geral do Labour e diretor da campanha de 2017
Falou pela campanha nos primeiros dias, descreveu a vaga de donativos e voluntários e apresentou o Labour como o mais fraco diante de um National bem financiado.
FontesNeale Jones
Chefe de gabinete de Ardern na campanha (antes, de Little)
Chefe de gabinete de Little e depois de Ardern, teve um papel sénior na campanha e integrou a equipa que negociou a coligação com o NZ First e os Verdes; contou a campanha no podcast Brave New Words.
FontesAnaru Ryall
Diretor de terreno do Labour
Dirigiu a rede de voluntários (Community Action Network) e quatro organizadores de terreno, confrontando todos os dias chamadas e portas batidas com as metas.
FontesAlice Soper
Organizadora de terreno do Labour em Wellington
Uma das quatro organizadoras sob Ryall; explicou que conversar sobre o que importa ao eleitor forma o voluntário e que, com a onda de agosto, só faltavam os braços; o sistema para os receber já existia.
FontesRob Salmond
Vice-chefe de gabinete do líder, responsável pelos dados
Explicou à imprensa o Labour Connect, a base de dados adaptada do Partido Trabalhista australiano, e como a análise de dados passou a prever apoiantes melhor do que os palpites dos voluntários.
FontesGrant Robertson
Porta-voz do Labour para as finanças
Respondeu à acusação de buraco orçamental e deu a cara, a 14 de setembro, pelo recuo na política fiscal.
FontesJennifer Curtin, Lara Greaves e Jack Vowles
Investigadores do Estudo Eleitoral da Nova Zelândia (NZES)
Mediram de onde vieram os votos do efeito Ardern, quem mudou e como homens e mulheres avaliaram os líderes, no livro A Populist Exception? (ANU Press, 2020).
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que as pessoas da campanha disseram sobre as decisões que tomaram.
O que as pessoas da campanha disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação em contrário.
Deu à equipa 72 horas para rever o plano, mas conta que muita coisa ficou decidida logo no primeiro dia — na verdade, na primeira hora.
Jacinda Ardern, Stardust and Substance (VUP, 2018), excerto publicado no The Spinoff, 12 set. 2018
Escolheu a positividade implacável de propósito, para desfazer a imagem de um partido negativo depois de nove anos na oposição; o programa quase não mudou, mudou a ênfase: habitação, rios limpos, saúde e educação.
Jacinda Ardern, Stardust and Substance, excerto no The Spinoff, 12 set. 2018
O slogan Let's do this nasceu quase por acaso, de uma mensagem de uma jornalista, e ganhou força com a primeira publicação dela nas redes como líder; o número dois, Kelvin Davis, gostou logo.
Jacinda Ardern, Stardust and Substance, excerto no The Spinoff, 12 set. 2018
Perante as sondagens: «Não vamos sair destas eleições com 24%.»
Jacinda Ardern, na primeira conferência de imprensa como líder, Newsroom, Jacinda vs the media: a tale in two acts, 1 ago. 2017
Mais 6 citações
Responder sobre os seus próprios planos de ter filhos não a incomodava; perguntar isso a mulheres no local de trabalho era «totalmente inaceitável em 2017».
Jacinda Ardern, no The AM Show, NZHistory, 'Prime Minister AND a mum', sobre a entrevista de 2 ago. 2017
Assumiu a responsabilidade pelas sondagens e disse que Ardern teria o seu apoio a 100%.
Andrew Little, ao demitir-se, RNZ, Little walks the plank, 1 ago. 2017
Os militantes apareciam nas sedes locais a querer ajudar, por todo o país; mas o National continuava a ser um rolo compressor bem financiado e organizado, e o Labour, o mais fraco.
Andrew Kirton, diretor de campanha, Newstalk ZB, Labour attracts volunteers, donations after leadership change, 6 ago. 2017
O modelo de terreno era um regresso à velha escola: conversa cara a cara, como faziam os candidatos do Labour nos anos 1970 e 1980.
Anaru Ryall, diretor de terreno, Newsroom, Labour's plan to be outstanding in their field, ago. 2017
Assumiu o erro em público: «A decisão foi minha, foi minha.»
Jacinda Ardern, sobre o recuo fiscal, Newsroom, Labour hits pause at 23:59 on doomsday clock, 14 set. 2017
Recorda que, nos dias da mudança, por vezes se via de fora, como observadora de acontecimentos rápidos demais; e defende que a dúvida sobre si próprio obriga um líder a preparar-se e a ouvir quem sabe.
Jacinda Ardern, oito anos depois, PBS NewsHour, entrevista sobre A Different Kind of Power, 6 jun. 2025
A história
No fim de julho de 2017, o Labour caminhava para o pior resultado em décadas.
No fim de julho de 2017, o Labour caminhava para o pior resultado em décadas. Os Verdes cresciam à sua custa, as sondagens televisivas davam 24% e a sondagem interna, 23%. A sete semanas da votação, o partido mudou de líder. Manteve o programa e recomeçou a campanha a partir de uma conferência de imprensa, de uma série de entrevistas e de uma estrutura de terreno que já estava montada.
- 24% → 36,9%
- do Labour, das sondagens televisivas antes da mudança ao resultado de 23 de setembrooficial
- 53 dias
- entre a chegada de Ardern à liderança e o dia da votaçãooficial
- 300 mil NZ$
- em donativos em menos de dois dias, com cerca de 1200 ofertas de voluntáriosdado da campanha
- 475 mil
- chamadas e portas batidas por mais de 6500 voluntários inscritos, segundo Arderndado da campanha
Do fundo do poço ao governo
- 16 jul. 2017Metiria Turei, colíder dos Verdes, admite ter omitido rendimentos quando recebia um subsídio nos anos 1990. Os Verdes sobem para perto de 14% e o Labour cai.
- 26 jul.Com a sondagem interna a caminho dos 20%, Little pondera sair e sugere Ardern, número dois do partido há cinco meses. Ela recusa e pede-lhe que fique.
- 1 ago.Com a TVNZ e a Newshub a darem 24%, Little demite-se. Ardern é eleita sem oposição, com Kelvin Davis como número dois. Na primeira conferência de imprensa, pede 72 horas, promete positividade implacável e diz que não haverá plano B. À noite, no The Project, perguntam-lhe se teria de escolher entre carreira e filhos.
- 2–3 ago.No The AM Show, Mark Richardson insiste na pergunta sobre filhos; Ardern considera-a inaceitável quando feita a mulheres no trabalho. O partido anuncia 250 mil NZ$ em menos de um dia e mais de 300 mil em menos de dois, com cerca de 1200 ofertas de voluntários.
- 9–11 ago.Turei demite-se. Dez dias depois da primeira conferência de imprensa, a sondagem Newshub-Reid dá ao Labour 33%, contra 25%; quase dois terços do ganho vêm das mulheres.
- 20–22 ago.Lançamento oficial da campanha a 20 de agosto, com o slogan Let's do this. Os primeiros anúncios televisivos vão para o ar cerca de três semanas após a mudança. A 22 de agosto, Ardern diz que agiria logo no primeiro mandato sobre as recomendações de um grupo de trabalho fiscal.
- 31 ago.A Colmar Brunton dá ao Labour 43%, contra 41% do National: a primeira liderança em 12 anos. Ardern pede cautela. Uma hora depois, no primeiro debate, os comentadores dão uma vitória tangencial a Bill English.
- 4–14 set.Steven Joyce, coordenador da campanha do National, acusa um buraco de 11,7 mil milhões NZ$ nas contas do Labour; Grant Robertson diz que a acusação é falsa. A 14 de setembro, o Labour recua: nenhum imposto novo antes de 2021 e qualquer imposto sobre mais-valias só com mandato nas eleições seguintes.
- 23 set.National 44,4% (56 lugares), Labour 36,9% (46), NZ First 7,2% (9), Verdes 6,3% (8). Participação de 79,8%. Os votos especiais, contados duas semanas depois, tiram dois lugares ao National.
- 19 out.Winston Peters anuncia que o NZ First formará governo com o Labour; os Verdes garantem apoio parlamentar em votações de confiança e orçamento. Ardern toma posse como primeira-ministra a 26 de outubro, aos 37 anos.
Três camadas
Três camadas trabalharam a ritmos diferentes, e cada uma precisava de algo das outras.
- O gabinete da líderArdern, o número dois Kelvin Davis, o chefe de gabinete Neale Jones e o porta-voz para as finanças Grant Robertson. Decidiam o tom, a agenda mediática, os debates e as respostas aos ataques.
- O partido e a campanhaO secretário-geral e diretor de campanha Andrew Kirton, o presidente Nigel Haworth e a agência criativa Augusto. Refizeram em semanas cartazes, anúncios de televisão, rádio, internet e correio direto, e geriram o dinheiro que chegava.
- O terrenoO diretor Anaru Ryall, quatro organizadores regionais, líderes voluntários formados entre maio e junho e milhares de voluntários. Receberam a vaga de inscrições e transformaram-na em chamadas e portas batidas.
O que não se sabe. Os números de donativos e voluntários dos primeiros dias foram divulgados pelo próprio partido e repetidos pela imprensa; não são auditados e variam consoante o dia (250 mil NZ$ em menos de um dia, mais de 300 mil em menos de dois, pico de 700 NZ$ por minuto).
Os 6500 voluntários e as 475 mil chamadas e portas batidas vêm do relato de Ardern e não foram verificados de forma independente. O NZES mostra que boa parte do ganho do Labour, sobretudo entre as mulheres, veio dos Verdes e não do National: foi em grande medida uma reorganização do voto de esquerda. O Labour ficou em segundo lugar nos votos e caiu na última semana. Não foi possível ouvir na íntegra o podcast com Neale Jones nem ler diretamente o livro Stardust and Substance (só o excerto de Ardern) e as memórias de 2025; o que se diz deles vem de excertos, entrevistas e recensões. As fontes chamam a Kirton diretor de campanha e secretário-geral; não há documento público sobre a preparação dos debates, pelo que o que este playbook propõe sobre isso é adaptação, não relato.
O terreno
O que era específico da Nova Zelândia em 2017 e pode faltar noutro país.
O que era específico da Nova Zelândia em 2017 e pode faltar noutro país.
Plataformas
- Televisão generalista e as sondagens televisivas
- Os noticiários da TVNZ (sondagem Colmar Brunton) e da Newshub (Reid Research) marcavam a narrativa da campanha: foram duas sondagens de 24% que derrubaram Little, e a de 31 de agosto, com o Labour à frente, foi para o ar uma hora antes do primeiro debate.
- Programas da manhã e talk shows
- The AM Show, The Project e as rádios de conversa foram o palco das primeiras entrevistas. Foi aí, nas primeiras 24 horas, que surgiram as perguntas sobre maternidade.
- Debates televisivos
- Vários debates entre os dois principais líderes a partir de 31 de agosto, na TVNZ, na Newshub e na Stuff, além de um debate sobre finanças. Pesaram mais como prova de preparação de uma líder nova do que como viragem de votos.
- Facebook e YouTube
- Sessões semanais de perguntas e respostas em direto no Facebook com a líder, e vídeos segmentados no YouTube e no Facebook.
- Rádio com anúncios de contexto
- Anúncios pensados para o momento de escuta, por exemplo sobre transportes em Auckland durante o boletim de trânsito.
- Cartazes de rua (hoardings)
- Milhares de cartazes com o rosto do líder anterior tiveram de ser substituídos; o novo slogan foi preparado como modelo para todos os candidatos e círculos.
- Labour Connect, telefone e porta a porta
- Base de dados adaptada do Partido Trabalhista australiano, com cadernos eleitorais, censos e dados do partido; chamadas registadas em formato digital, bancos de chamadas e conversa porta a porta.
Condições locais
- Sistema proporcional misto (MMP), com cláusula-barreira de 5%: quem fica em primeiro não governa necessariamente; o que conta é a soma de lugares com os parceiros.
- Nove anos de governo do National, um primeiro-ministro novo (Bill English) e uma oposição que oscilava entre 23% e 30% nas sondagens.
- Um país pequeno, com poucos grandes meios de comunicação nacionais: um punhado de noticiários, programas da manhã e jornais chega a quase todo o eleitorado.
- Uma campanha curta: 53 dias entre a mudança de líder e a votação, com voto antecipado a partir de 11 de setembro e cerca de 1,24 milhões de votos entregues antes do dia.
- Escândalos nos partidos vizinhos: a colíder dos Verdes, Metiria Turei, demitiu-se a 9 de agosto, e uma fuga de informação sobre a pensão de Winston Peters, do NZ First, a 27 de agosto, fez o partido cair nas sondagens.
- Precedente de mulheres no topo (Jenny Shipley e Helen Clark) e, mesmo assim, perguntas sobre maternidade dirigidas à nova líder nas primeiras 24 horas.
- Os impostos eram o ponto fraco histórico do Labour: um imposto sobre mais-valias tinha sido usado contra o partido em 2011 e 2014.
O método
O Labour não tinha tempo para construir uma campanha nova.
O Labour não tinha tempo para construir uma campanha nova. Tinha um momento de atenção máxima, uma líder nova e uma estrutura de terreno montada meses antes. Usou a atenção para mudar o tom e a perceção, e a estrutura para pôr os recém-chegados a trabalhar.
Três frentes
- Fazer da mudança o recomeço
- A mudança de líder é a maior notícia da campanha, e dura poucos dias. Decidir tom e slogan na primeira hora, pedir um prazo curto e público para o novo plano e ocupar todos os programas nas 48 horas seguintes.
- Positividade com as expectativas controladas
- Um tom otimista e propositivo para desfazer a imagem de partido negativo, mas sem cantar vitória: o mais fraco diante de um adversário forte, cautela com as sondagens boas, firmeza para dizer que o resultado não ficaria nos 24%.
- Uma estrutura pronta para receber a vaga
- Base de dados, organizadores e líderes voluntários formados antes da mudança. Quando milhares de pessoas se inscreveram, já havia para onde as encaminhar e o que pedir a cada uma.
O ciclo do recomeço
A sequência que o Labour seguiu de 1 de agosto a 19 de outubro, organizada para ser repetida numa mudança de candidato, numa crise ou numa mudança de rumo.
- Decidir na primeira hora Tom, slogan e três prioridades. Ardern conta que muito ficou fixado na primeira hora. O resto pode esperar 72 horas.
- Abrir com a conferência de imprensa Agradecer a quem saiu, responder com uma palavra à pergunta sobre preparação, nomear o tom, pedir um prazo definido e recusar o rótulo do adversário.
- Correr os programas Televisão da noite, rádio e programas da manhã nas primeiras 24 horas. Contar com as perguntas pessoais e de género, e ter a resposta pronta.
- Converter atenção em ação Donativos e inscrições de voluntários abertos no primeiro dia, com um pedido claro e encaminhamento imediato para o grupo local.
- Refazer o material Cartazes, anúncios e modelos para todos os candidatos com a nova marca. No Labour, os primeiros anúncios televisivos saíram em três semanas.
- Medir e conversar Chamadas e portas batidas contadas todos os dias face às metas, com prioridade para bairros com muito apoio e pouca participação.
- Fechar flancos Identificar o ponto que o adversário vai atacar (no Labour, os impostos) e resolvê-lo antes que defina a reta final, com o porta-voz certo e a líder a assumir a decisão.
- Mobilizar o voto e negociar Voto antecipado tratado como dia de eleições nas duas últimas semanas; depois do apuramento, negociação respeitosa com os parceiros possíveis.
E recomeça.
Toolkit
O que o Labour montou, organizado para ser copiado numa mudança de candidato, numa crise de liderança ou num recomeço de campanha.
O que o Labour montou, organizado para ser copiado numa mudança de candidato, numa crise de liderança ou num recomeço de campanha. O que está documentado vem do caso; o que é proposta operacional para preencher lacunas está assinalado como tal.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Três círculos: um gabinete pequeno que decide e fala, uma sede que produz e angaria fundos, e um terreno que já existia antes da mudança. Numa mudança no topo, o gabinete precisa de papéis definidos em horas, não em semanas.
Equipa mínima para um recomeço
- Líder e porta-voz principal
- Fala na conferência de imprensa, nos programas e nos debates. Define o tom e assume em público as decisões difíceis, como Ardern fez no recuo fiscal. Não deve ser a única voz.
- Chefe de gabinete e estratégia
- Garante a continuidade entre o líder que sai e o que entra (no Labour, Neale Jones serviu os dois), monta a agenda das primeiras 72 horas e senta-se depois à mesa das negociações.
- Diretor de campanha
- Fala pela máquina, não pela líder: números de donativos e voluntários, e o enquadramento de candidato mais fraco contra um adversário bem financiado. Foi o papel de Andrew Kirton nos primeiros dias.
- Porta-voz económico e de resposta
- Responde aos ataques sobre contas e impostos, apresenta a verificação independente do programa e dá a cara pelas correções de rumo, poupando a líder ao primeiro impacto.
- Número dois e segundo palco
- Duplica a agenda, cobre regiões e públicos a que a líder não chega e valida as decisões rápidas, como o slogan que Kelvin Davis aprovou de imediato.
- Imprensa e resposta rápida
- Prepara as respostas às perguntas previsíveis (preparação, maternidade, idade, sondagens), acompanha as entrevistas e corrige no próprio dia o que for falso. Proposta: uma pessoa dedicada só a isto nas duas primeiras semanas.
- Preparação de debates
- Proposta, porque o caso não documenta como foi feita: um pequeno grupo que ensaia com alguém a fazer de adversário e de moderador, prepara três mensagens e as respostas aos ataques já conhecidos.
- Diretor de terreno e organizadores
- Recebem as inscrições, encaminham-nas para os líderes voluntários e confrontam todos os dias os números com as metas. No Labour, um diretor e quatro organizadores regionais.
- Dados
- Mantém a base que cruza cadernos eleitorais, censos e dados do partido, e diz onde ligar e bater à porta.
- Criação e produção
- Agência ou equipa interna que refaz cartazes, anúncios e modelos para todos os candidatos em dias, com o novo slogan.
Ritmo do recomeço
- Hora 0–1Decidir tom, slogan e as três prioridades de programa. Avisar a sede e o terreno antes da conferência de imprensa.
- Dia 1Votação no grupo parlamentar, conferência de imprensa, primeira publicação nas redes com o slogan, páginas de donativos e voluntariado abertas, entrevistas da noite.
- Dias 2–3Programas da manhã e rádios. O diretor de campanha divulga números de donativos e voluntários. No fim das 72 horas, a líder apresenta o plano revisto.
- Semanas 1–3Lançamento oficial (no caso, a 20 de agosto), substituição dos cartazes, produção e estreia dos anúncios de televisão, rádio e internet.
- Todas as semanasSessão de perguntas e respostas em direto no Facebook com a líder.
- Todos os diasO diretor de terreno confronta chamadas e portas batidas com as metas: teleconferência da direção às 6h45 sobre o dia anterior, chamada com a sede às 8h, números do dia anterior enviados à equipa, à tarde os organizadores relatam como estão face às metas e, à noite, bancos de chamadas, com uma classificação diária de quem mais ligou.
- Duas últimas semanasCom o voto antecipado aberto desde 11 de setembro, cada dia tratado como dia de eleições. No dia, os voluntários lembram dezenas de milhares de apoiantes onde votar.
- Depois do apuramentoEsperar pelos votos especiais e negociar com os parceiros possíveis. A coligação foi anunciada 26 dias depois da votação.
O Labour conseguiu refazer a campanha em semanas porque o terreno já tinha passado por recrutamento (janeiro a maio) e formação de equipas (maio e junho). Sem essa base, a mesma vaga de inscrições ter-se-ia perdido.
Plano B
- Um plano de sucessão escrito antes de ser preciso: quem assume, quem fala, que material tem de ser refeito e em quanto tempo.
- Modelos de cartazes e anúncios sem o rosto do líder, prontos para trocar fotografia e slogan em dias.
- Páginas de donativos e de voluntariado que aguentem um pico de acessos e encaminhem automaticamente para o grupo local.
- Um segundo porta-voz para as más notícias: na correção fiscal, foi o porta-voz para as finanças quem deu a cara primeiro.
- Respostas preparadas para as perguntas pessoais e de género, para não improvisar em direto.
- Registo de chamadas em papel ou folha de cálculo para quando a ferramenta digital falhar ou não houver rede.
Tecnologia
Nada disto foi inventado em 2017. A diferença foi ter as ferramentas montadas antes da mudança e saber o que pedir a quem chegava.
- Labour Connect (base de dados de eleitores e voluntários)Licença entre partidos irmãos; alternativa: CRM de campanha de código aberto ou pago
Adaptada do Partido Trabalhista australiano para o sistema misto e os círculos maori; cruza cadernos eleitorais, censos e dados do partido para listar prováveis eleitores e voluntários. Segundo Rob Salmond, em 2014 os voluntários ainda previam um pouco melhor do que os dados quem apoiava o Labour; em 2017 a análise de dados passou para a frente. O National usava o sistema Feedback, vindo do Partido Liberal australiano.
- Página de voluntariadoGrátis a baixo custo
Mais de 5000 inscrições online nas três semanas após a mudança, quase duplicando a base. Cada inscrição seguia para um líder voluntário.
- Donativos onlineComissão da plataforma de pagamento
Recebeu o pico de donativos dos primeiros dias, com valores divulgados pela campanha quase em tempo real.
- Banco de chamadas com registo digitalCusto das linhas; ferramenta dentro do CRM
As chamadas passaram a ser registadas em formato digital, em vez de folhas impressas; teleconferências e classificação diária de quem mais ligou.
- Porta a portaGrátis (voluntários e material impresso)
Conversa cara a cara, com prioridade para bairros com muito apoio e pouca participação, como o sul de Auckland.
- Facebook Live semanalGrátis
Perguntas e respostas em direto com a líder, todas as semanas.
- Vídeo segmentado no YouTube e no FacebookMeios pagos, dentro dos limites legais de despesa
Anúncios em vídeo dirigidos a públicos específicos, além do vídeo de lançamento feito com imagens da própria festa.
- Rádio com anúncio de contextoMeios pagos
Peças pensadas para o momento em que a pessoa ouve, como os transportes em Auckland durante o boletim de trânsito.
- Primeira publicação da líder nas redesGrátis
A fotografia de abertura com a legenda Let's do this tornou-se o slogan da campanha.
- Monitorização dos mediaGrátis (alertas) a pago (serviços de clipping)
Proposta: alertas de notícias e transcrição dos programas da manhã para apanhar, no próprio dia, as perguntas e afirmações que precisam de resposta.
Colunas da folha de contactos do dia
Data · Círculo e bairro · Voluntário · Chamadas feitas · Chamadas atendidas · Portas batidas · Portas abertas · Apoio (sim / talvez / não) · Vai votar antecipadamente? · Quer ser voluntário? · Tema levantado pela pessoa · Meta do dia e diferença
A campanha não publicou um orçamento detalhado. O que se sabe: o próprio Labour descrevia o National como muito mais bem financiado; a mudança de líder trouxe centenas de milhares de dólares em poucos dias, que pagaram cartazes e anúncios novos; a base de dados veio de um partido irmão. O maior custo foram os meses de recrutamento e formação de líderes voluntários antes da mudança.
Comunicação
O caso é, antes de mais, uma operação de relação com a imprensa: uma conferência de imprensa que redefiniu a campanha, 48 horas de entrevistas, expectativas geridas com cuidado, debates com uma líder estreante, perguntas de género respondidas com uma regra e uma correção de rumo feita em público.
A fórmula da primeira conferência de imprensa
- Agradecer a quem saiu Reconhecer o trabalho do antecessor e mostrar unidade. Little prometeu 100% de apoio; Ardern elogiou-o na conferência.
- Responder à preparação com uma palavra A primeira pergunta foi se estaria preparada para governar. Resposta: sim, e o grupo parlamentar concorda. Se insistirem, devolver a pergunta: porque não estaria?
- Nomear o tom Dizer em voz alta como será a campanha. Ardern prometeu positividade implacável e a campanha das suas vidas.
- Pedir um prazo curto e público 72 horas para rever o plano. Compra tempo sem parecer improviso e cria uma segunda notícia, a do plano revisto.
- Recusar o rótulo do adversário Pegar na alcunha que colou ao partido e negá-la com humor. Ardern brincou com a ideia de ser apenas uma demão de tinta nova.
- Ancorar a expectativa Nem prometer vitória nem aceitar a derrota: o partido não ia acabar nos 24%. Sem plano B, como dizia Helen Clark.
- Fechar com um convite Uma frase curta que chama as pessoas a participar (no caso, Let's do this) e uma página onde participar no mesmo dia.
Regras de mensagem e de imprensa
- Perguntas de género: responde por ti com calma e depois nomeia a regra para todas as mulheres. Ardern aceitou falar dos seus planos, mas considerou inaceitável exigir isso a mulheres no trabalho.
- Expectativas: quando as sondagens estiverem más, diz que o resultado será outro; quando ficarem boas, pede cautela. Ardern disse que as sondagens podiam voltar para trás no dia em que o Labour passou para a frente.
- Sempre o mais fraco: a máquina fala do adversário bem financiado; a líder fala do país. Isso protege contra a queda final e mantém os voluntários a trabalhar.
- Mantém o tom positivo e rebate na mesma as afirmações falsas com números verificados, chama-lhes o que são e volta à tua agenda.
- Rejeita o culto da personalidade: Ardern recusou o rótulo Jacindamania e falou de um momento coletivo. A campanha tem de sobreviver a uma má semana da líder.
- Fecha o flanco antes da reta final: se uma promessa se tornou alvo, corrige cedo, com o porta-voz técnico a explicar e a líder a assumir a decisão.
- Debate de estreia: o objetivo é mostrar preparação, não ganhar aos pontos. Leva três mensagens, uma resposta para cada ataque conhecido e um encerramento ensaiado.
- O mesmo slogan em tudo: a conferência, a primeira publicação, os cartazes de cada candidato e os anúncios dizem a mesma frase.
- Na noite eleitoral, não reivindiques o que os votos não deram: o sistema decide quem governa, e a negociação começa com respeito.
Exemplo de declaração de abertura
Bom dia. Hoje o grupo parlamentar escolheu-me para liderar o partido nestas eleições, e quero começar por agradecer ao meu antecessor, que pôs o partido acima de si próprio e terá um lugar central nesta campanha. Perguntaram-me se estou preparada. Estou, e a equipa também. Vou pedir 72 horas para revermos o plano com o número dois e a coordenação; na quinta-feira apresento as prioridades. Uma coisa já está decidida: esta será uma campanha de propostas, de positividade, sem ataques pessoais. Sabemos que partimos atrás e que o outro lado tem mais dinheiro. Também sei que não vamos acabar onde as sondagens nos põem hoje. Quem quiser ajudar pode inscrever-se já no nosso site. Vamos a isto.
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Nova Zelândia de 2017.
O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Nova Zelândia de 2017.
Funciona em qualquer lado
- Tratar uma mudança de candidato ou de rumo como o recomeço da campanha, com tom e slogan decididos no primeiro dia.
- Pedir um prazo curto e público para o novo plano, em vez de improvisar respostas sobre tudo.
- Gerir expectativas nos dois sentidos: firmeza quando as sondagens estão más, cautela quando melhoram.
- Ter respostas preparadas para as perguntas pessoais e de género, com uma regra clara sobre o que é ou não aceitável perguntar.
- Montar a estrutura de terreno antes de ser precisa, para que a vaga de interesse tenha para onde ir.
- Abrir donativos e voluntariado no minuto em que a atenção chega.
- Dividir os papéis: a líder fala do país; o diretor, da máquina; o porta-voz técnico, das contas.
- Corrigir em público, e cedo, a promessa que se tornou alvo.
Depende do contexto
- Sistema proporcional com coligações (MMP)
- Onde governa quem tem mais votos (maioria simples por círculo), não há a segunda oportunidade da negociação: a meta tem de ser o primeiro lugar. Em sistemas proporcionais de listas, planeia desde o início com quem podes e não podes governar, e di-lo.
- Meios concentrados e sondagens na televisão
- Num país pequeno, uma conferência de imprensa e dois programas da manhã chegam a quase toda a gente. Onde os meios estão fragmentados, a primeira conferência tem de ser acompanhada no mesmo dia por podcasts, criadores de conteúdo, rádios regionais e transmissões em direto próprias.
- Labour Connect, vindo do partido irmão
- Sem acesso a uma ferramenta destas, usa um CRM de campanha de código aberto ou uma folha de cálculo partilhada com formulário. O que importa é cruzar quem apoia, quem vota pouco e quem quer ajudar.
- Voto antecipado alargado
- Onde não existe, concentra a mobilização no último fim de semana e no próprio dia. Onde existe, trata cada dia das duas últimas semanas como dia de eleições.
- Uma líder já conhecida e bem avaliada
- Ardern era número dois e figura popular antes da mudança. Uma substituição por alguém desconhecido exige mais tempo de apresentação e menos aposta na personalidade.
- O Facebook como rede principal em 2017
- Hoje e noutros países, troca o Facebook Live por transmissões no YouTube, Instagram, TikTok ou num canal de WhatsApp ou Telegram, conforme o sítio onde está o teu público.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
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Recomeço decidido na primeira hora
Numa troca de candidato ou de rumo, o tom, o slogan e três prioridades decidem-se na primeira hora, e a primeira conferência de imprensa pede um prazo curto e público para o resto. Na Nova Zelândia, Ardern pediu 72 horas, prometeu positividade implacável, disse que o partido não terminaria nos 24% e transformou a conferência e as entrevistas da manhã seguinte num recomeço da campanha.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a mudança é a maior notícia da campanha e todos estão a prestar atenção durante alguns dias.
- Não usar quando
- Não funciona se só se troca o rosto e se mantém o plano que falhou, nem se se tenta improvisar um programa novo em horas, o que abre flancos.
- Semana −20 Escrever antes um plano de sucessão: quem assume, quem fala, o que se refaz
- Semana −8 Na primeira hora, decidir o tom, o slogan e três prioridades
- Semana −8 Avisar a sede e o terreno antes da conferência de imprensa
- Semana −8 Na conferência: agradecer a quem saiu, responder à prontidão, nomear o tom, pedir 72 horas
- Semana −8 Publicar a primeira mensagem nas redes com o slogan e a ligação de inscrição
- Semana −8 Fazer os programas da noite e da manhã com respostas preparadas
- Semana −7 Apresentar o plano revisto no prazo prometido
Equipa
- Líder: decide o tom, fala na conferência e assume as decisões difíceis
- Chefe de gabinete: garante a continuidade e monta a agenda das primeiras 72 horas
- Diretor de campanha: fala pela máquina: donativos, voluntários e o papel de outsider
O que medir: Pessoas que agiram nas primeiras 72 horas (donativo feito ou inscrição de voluntário encaminhada a um grupo local), contadas pelas ligações da conferência e da primeira publicação.
Riscos a vigiar: Uma campanha construída em torno de uma pessoa fica exposta ao desgaste dela: muda a ênfase, não o programa, e recusa o culto da personalidade.
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Terreno pronto para receber a vaga
Meses antes, a campanha monta a base de dados e recruta e forma líderes voluntários, para que cada pessoa que chega tenha para onde ir e uma primeira tarefa. Na Nova Zelândia, a troca de líder trouxe mais de 300 mil NZ$ em menos de dois dias e cerca de 1200 ofertas de voluntários; mais de 5000 inscrições em três semanas foram, cada uma, para um líder voluntário.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando um acontecimento, como uma troca, um escândalo ou um debate, pode trazer de repente uma vaga de interesse que a estrutura precisa de absorver.
- Não usar quando
- Não funciona se a estrutura só começa quando a vaga chega: sem líderes formados antes, as inscrições perdem-se.
- Semana −34 Montar a base de dados de eleitores, apoiantes e voluntários
- Semana −30 Recrutar líderes voluntários que acompanhem outros voluntários
- Semana −17 Formar as equipas de líderes voluntários
- Semana −10 Testar as páginas de donativos e de voluntariado para um pico de acessos
- Semana −8 No dia do anúncio, abrir donativos e inscrições com encaminhamento para o grupo local
- Semana −8 Encaminhar cada nova inscrição para um líder voluntário
- Semana −7 Medir quantos inscritos fizeram o primeiro turno de chamadas ou portas
Equipa
- Diretor de terreno: recebe as inscrições e confere os números face às metas
- Líderes voluntários: telefonam a cada inscrito e levam-no ao primeiro turno
- Dados: mantém a base que cruza cadernos eleitorais, censos e dados do partido
O que medir: Novos inscritos que fizeram o primeiro turno de chamadas ou portas em sete dias, em proporção às inscrições, não apenas quantos se inscreveram.
Riscos a vigiar: Um pico de donativos traz doadores que a lei proíbe ou limita: verifica cada donativo, declara o que a lei exige e devolve o que não puderes aceitar.
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Chamadas e portas contadas face à meta
O diretor de terreno confere todos os dias chamadas e portas batidas face às metas de cada círculo, com prioridade para bairros de muito apoio e pouca participação, e nas duas últimas semanas cada dia de voto antecipado passa a ser dia de eleição. Na Nova Zelândia, segundo Ardern, mais de 6500 voluntários inscritos fizeram 475 mil chamadas e portas batidas.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há uma base de dados que diz para onde telefonar e voluntários suficientes para turnos diários.
- Não usar quando
- Não funciona se a meta é só pressão: um ranking sem acompanhamento esgota os voluntários e convida a números inflacionados.
- Semana −8 Fixar metas diárias de chamadas e portas por círculo
- Semana −7 Dar prioridade a bairros de muito apoio e pouca participação
- Semana −6 Abrir bancos de chamadas com registo digital e folha em papel de reserva
- Semana −6 Conferir todos os dias os números face às metas, com teleconferência das equipas
- Semana −2 Com o voto antecipado aberto, tratar cada dia como dia de eleição
- Semana do dia D No dia, lembrar a cada apoiante onde e quando votar
Equipa
- Diretor de terreno: fixa as metas e confere os números todos os dias
- Organizadores regionais: acompanham os líderes voluntários de cada região
- Dados: diz para onde telefonar e a que portas bater
O que medir: Chamadas atendidas e portas abertas por dia, face à meta de cada círculo; nas duas últimas semanas, apoiantes lembrados que confirmam ter votado.
Riscos a vigiar: Contactar quem não consentiu viola a lei de proteção de dados: usa só listas que a lei permite, respeita quem pede para não ser contactado e cuida de quem faz os turnos.
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Resposta preparada à pergunta pessoal
Antes das primeiras entrevistas, a equipa prepara respostas curtas para as perguntas previsíveis (prontidão, maternidade, idade, sondagens) e uma regra para as de género: responder por si e depois dizer o que não é aceitável perguntar a ninguém. Na Nova Zelândia, Ardern respondeu sobre os próprios planos e chamou inaceitável exigir isso a mulheres no trabalho; o episódio correu o mundo, e quase dois terços do ganho do Labour na sondagem seguinte vieram de mulheres.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona com candidatas e candidatos novos, sobretudo mulheres e jovens, que vão enfrentar perguntas que outros não enfrentam.
- Não usar quando
- Não funciona se a resposta aceita a premissa (prometer não ter filhos, por exemplo) nem se se transforma numa recusa irritada em direto, que desvia a notícia para o temperamento.
- Semana −10 Listar as perguntas previsíveis: prontidão, maternidade, idade, sondagens
- Semana −10 Escrever com a equipa uma resposta curta e uma regra para cada uma
- Semana −9 Ensaiar em direto com alguém a fazer de apresentador
- Semana −8 Nas primeiras entrevistas, responder por si e depois nomear a regra
- Semana −8 Monitorizar as entrevistas e corrigir no mesmo dia o que for falso
- Semana −7 Planear segurança, moderação de comentários e apoio à equipa
Equipa
- Imprensa e resposta rápida: prepara as respostas e monitoriza os programas
- Líder: responde com calma e transforma a pergunta numa regra para todos
- Moderação e segurança: trata dos comentários e do assédio que vem depois
O que medir: Inscrições de voluntários e donativos na semana seguinte às primeiras entrevistas, contados pelo formulário com origem “entrevista”, não a repercussão do vídeo.
Riscos a vigiar: Uma líder nova, sobretudo mulher e jovem, torna-se alvo de assédio: planeia antes a segurança e a moderação, e nunca deixes a candidata improvisar sozinha a resposta.
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Fechar o flanco antes da reta final
Quando uma promessa se torna o alvo do adversário, a campanha rebate o que for falso com números verificados e corrige cedo, com o porta-voz técnico a explicar e a líder a assumir a decisão. Na Nova Zelândia, depois de semanas de ataques sobre impostos, o Labour anunciou a 14 de setembro que não criaria impostos novos antes de 2021, e Ardern disse em público que a decisão inicial tinha sido dela.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando um ponto fraco conhecido está a definir a reta final e ainda faltam pelo menos dez dias.
- Não usar quando
- Não funciona tarde nem várias vezes: recuar na última semana ou mudar de posição duas vezes confirma a acusação de que não se pode confiar em ti.
- Semana −20 Listar antes os pontos fracos que o adversário vai explorar e decidir as respostas
- Semana −4 Rebater com números verificados qualquer afirmação falsa sobre as contas
- Semana −3 Medir se o tema domina as portas e as chamadas
- Semana −2 Decidir a correção antes dos últimos dez dias
- Semana −2 O porta-voz técnico explica primeiro; a líder assume a decisão em público
- Semana −1 Dar aos voluntários a nova resposta para as portas e voltar à agenda própria
Equipa
- Porta-voz económico: responde aos ataques e explica a correção
- Líder: assume em público a decisão, sem culpar a equipa
- Diretor de terreno: leva a nova resposta aos voluntários no mesmo dia
O que medir: Vezes que o tema surge nas portas e chamadas, registado na coluna “tema que a pessoa levantou”, semana a semana depois da correção; se não desce, a correção não chegou ao terreno.
Riscos a vigiar: Um recuo tem custo, porque o adversário dirá que não és de confiança. Fá-lo uma vez, cedo e com números, e nunca respondas com um ataque pessoal.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a direção
Seis momentos da campanha de 2017. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano em 6 fases
A sequência de um recomeço de campanha ao estilo de 2017, de meses antes até à negociação, como lista de verificação.
A sequência de um recomeço de campanha ao estilo de 2017, de meses antes até à negociação, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Antes de ser preciso (meses antes)
Hora zero e dia 1
Primeiras 72 horas
Semanas 1 a 3
Reta final
Apuramento e depois
Regras
Lei e ética aplicáveis a um recomeço de campanha como este.
Lei e ética aplicáveis a um recomeço de campanha como este. Confirma sempre a lei eleitoral do teu país.
- Donativos às claras
- Um pico de donativos traz também doadores que a lei proíbe ou limita. Verifica cada donativo, declara o que a lei manda declarar e devolve o que não puderes aceitar.
- Contacto só com consentimento
- Chamadas, mensagens e e-mails para quem se inscreveu ou para listas que a lei permite usar. Respeita quem pede para não ser contactado e as regras de proteção de dados.
- Anúncios identificados e dentro do limite
- Cada anúncio diz quem paga, e a despesa respeita os limites do período eleitoral. Segmentar é permitido.
- Contraste com factos
- A positividade não impede apontar erros do adversário, mas cada afirmação precisa de fonte. A acusação de buraco orçamental de 2017 é o exemplo do que não fazer: um número contestado por economistas que se tornou peça central da campanha.
- Proteger quem dá a cara
- Uma líder nova, sobretudo mulher e jovem, torna-se alvo de assédio. Planeia segurança, moderação de comentários e apoio à equipa antes de ser preciso.
- Transparência na coligação
- Diz antes da votação com quem aceitas governar e, depois, publica o acordo. O eleitor tem direito a saber o que foi trocado na negociação.
- Nada de táticas inautênticas
- Sem perfis falsos, robôs, compra de seguidores ou influenciadores pagos sem aviso para fabricar a vaga.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não garante o primeiro lugar
- O Labour terminou com 36,9%, contra 44,4% do National. Governou por causa do sistema proporcional e da escolha do NZ First, não porque ganhou nos votos.
- Grande parte da vaga veio do próprio campo
- O NZES mostra que o ganho entre as mulheres veio sobretudo dos Verdes, que se afundaram após a demissão de Turei. Boa parte foi uma reorganização dentro da esquerda.
- Não se planeia uma mudança a sete semanas
- Foi uma aposta de emergência que resultou graças a uma líder já conhecida, a escândalos nos vizinhos e a um terreno montado antes. Na maioria dos casos, mudar de líder tão tarde aprofunda a crise.
- A positividade não trava ataques sozinha
- Depois do pico de 31 de agosto, os ataques sobre impostos e o buraco orçamental travaram o Labour, e o partido caiu na última semana. Foi preciso recuar numa promessa.
- Dependência da pessoa
- Uma campanha construída em torno de uma líder fica exposta ao desgaste dela. Ardern demitiu-se em janeiro de 2023, Chris Hipkins sucedeu-lhe como primeiro-ministro, e o Labour perdeu as eleições desse ano.
- A coligação limita o programa
- O imposto sobre mais-valias, que o Labour tinha levado às eleições de 2011 e 2014, não entrou no acordo com o NZ First; em abril de 2019, Ardern afastou-o de vez.
- O que veio depois
- A 26 de outubro de 2026, o Labour está na oposição, liderado por Chris Hipkins, e a Nova Zelândia vota a 7 de novembro de 2026, com voto antecipado desde 26 de outubro. Ardern publicou as memórias A Different Kind of Power em junho de 2025.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Este playbook foi construído sobretudo com o relato de Ardern no livro Stardust and Substance, declarações da direção de campanha e…
Este playbook foi construído sobretudo com o relato de Ardern no livro Stardust and Substance, declarações da direção de campanha e reportagens com os organizadores publicadas entre agosto e outubro de 2017, o estudo eleitoral neozelandês publicado pela ANU Press e entrevistas posteriores. Todas as páginas foram consultadas a 26 de outubro de 2026.
33 fontes
Quem fez
- The Spinoff: "I remember the crunch point": Jacinda Ardern looks back on the 2017 election (excerto de Stardust and Substance) 12 set. 2018
- Newsroom: Stardust and Substance: the 2017 election through politicians' eyes 16 set. 2018
- Newsroom: Labour's plan to be outstanding in their field (entrevistas a Anaru Ryall, Alice Soper e Rob Salmond) 23 ago. 2017
- Newstalk ZB: Labour attracts volunteers, donations after leadership change (Andrew Kirton, Michael Wood) 6 ago. 2017
- Brave New Words (Anat Shenker-Osorio): Let's Do This, New Zealand, com Neale Jones 2019
- PBS NewsHour: Jacinda Ardern on keeping empathy in politics and new memoir 'A Different Kind of Power' 6 jun. 2025
- Augusto: Labour 2017 election campaign (portefólio da agência)
- Progressive Britain: How Jacinda did it (James Patterson, voluntário em Christchurch) 24 out. 2017
Dados
- ANU Press: Curtin e Greaves, Gender, Populism and Jacinda Ardern (cap. 6) 2020
- ANU Press: Vowles, Populism and the 2017 Election: The Background (cap. 2) 2020
- Wikipedia: 2017 New Zealand general election (resultados oficiais, debates, cronologia)
- Wikipedia: 2017 New Zealand Labour Party leadership election
- Wikipedia: 2026 New Zealand general election
Imprensa
- Newshub: New book Stardust and Substance tracks Jacinda Ardern's rise to the top set. 2018
- Newsroom: Jacinda vs the media: a tale in two acts 1 ago. 2017
- RNZ: Little walks the plank 1 ago. 2017
- RNZ: 'It's the same Labour Party' 3 ago. 2017
- Stuff/Newshub: The Jacinda effect: Labour gets $250k in less than a day 2 ago. 2017
- NZHistory: 'Prime Minister AND a mum'
- The New Daily: Jacinda Ardern hits back at sexism 2 ago. 2017
- Critic Te Ārohi: The 'Jacinda Effect' causes spike in campaign volunteers 20 ago. 2017
- Newsroom: Election 2017 live: dissecting the debate, picking through the poll 1 set. 2017
- NBR: Steven Joyce: it's a backdown ago. 2017
- Otago Daily Times: War of words needs numbers 5 set. 2017
- Newsroom: Labour hits pause at 23:59 on doomsday clock 14 set. 2017
- The Press: The long road to no (o fim do imposto sobre mais-valias) 18 abr. 2019
- 1News: 'Game on' as PM Luxon reveals 2026 election date 21 jan. 2026
- PBS NewsHour: New Zealand swears in new prime minister following Ardern's unexpected resignation 25 jan. 2023
Análise
- The Spinoff: Of tax U-turns, captain's calls and clusterfucks (Toby Manhire) 14 set. 2017
- The Conversation: New Zealand elections: same same but very different set. 2017
- ANU Press: A Populist Exception? The 2017 New Zealand General Election (Vowles e Curtin, orgs.) ago. 2020
- ANU Press: Vowles, The Unexpected Coalition (cap. 8) 2020
- Publishers Weekly: A Different Kind of Power: A Memoir (recensão) 14 abr. 2025
Imagem: Ulysse Bellier, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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