Em 30 segundos
6 de abril de 2016. Emmanuel Macron lança o En Marche! sem partido nem base de dados, com milhares de comités locais abertos a qualquer pessoa.
66,1%. A 7 de maio de 2017, Macron venceu Marine Le Pen na segunda volta; em junho, a sua maioria conquistou cerca de 351 dos 577 lugares.
300 mil portas, 100 mil conversas, 25 mil questionários. A escuta da Grande Marche tornou-se diagnóstico público e pauta para a imprensa.
4 horas. Foi o que a equipa preparada para ataques digitais levou a responder à fuga de 21 075 e-mails, sem violar o período de reflexão.
A campanha ouviu e publicou o que ouviu, tinha protocolos de imprensa e segurança digital antes da crise e partia do princípio de que cada e-mail podia ser divulgado.
Os primeiros passos
- Escrever cinco a oito perguntas abertas, iguais para todos
- Escolher bairros com dados eleitorais e demográficos públicos
- Recrutar voluntários pela página de adesão e formá-los em entrevista
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
A campanha foi feita por um núcleo pequeno de assessores na casa dos trinta anos, por uma startup de estratégia eleitoral e por voluntários.
A campanha foi feita por um núcleo pequeno de assessores na casa dos trinta anos, por uma startup de estratégia eleitoral e por voluntários. Os relatos dos protagonistas abaixo são as fontes principais deste playbook. Vários falaram só depois, em livros e entrevistas, e alguns pontos chegam por terceiros.
Guillaume Liegey
Cofundador da Liegey Muller Pons (LMP); dirigiu o porta a porta de François Hollande em 2012
Desenhou com a equipa a operação de escuta da Grande Marche e contou que o movimento começou sem qualquer base de dados e teve de recolher os dados diretamente junto dos eleitores.
FontesArthur Muller e Vincent Pons
Cofundadores da LMP; Pons é economista em Harvard
Trouxeram para França o porta a porta que tinham praticado na campanha de Obama em 2008; Pons mediu depois, numa experiência à escala nacional, o efeito das visitas de 2012 no voto.
FontesLudovic Chaker
Responsável pelas operações e pelos comícios; primeiro secretário-geral do En Marche!
Coordenou os cerca de 4000 voluntários da Grande Marche no terreno.
FontesIsmaël Emelien
Conselheiro de estratégia e comunicação de Macron; depois conselheiro especial no Palácio do Eliseu
Pilotou a estratégia e o digital da campanha; comentou a troca do Telegram pelo WhatsApp depois do aviso da ANSSI e, em 2019, fez com David Amiel um balanço crítico em livro e em debates públicos.
FontesMounir Mahjoubi
Responsável digital da campanha e da célula de resposta rápida online
Treinou a equipa contra o phishing, tornou públicas as tentativas de ataque e conduziu a resposta técnica e comunicacional aos #MacronLeaks.
FontesSibeth Ndiaye
Conselheira de imprensa da campanha; depois chefe de imprensa no Eliseu e porta-voz do governo (2019)
Organizou as viagens e as dezenas de entrevistas do candidato e vigiou a sua imagem, com um estilo de confronto que os jornalistas criticaram.
FontesJean-Paul Delevoye
Presidente da comissão nacional de investidura para as legislativas de 2017
Conduziu a triagem de cerca de 19 000 candidaturas abertas pela internet, com entrevistas, até aos 428 candidatos anunciados a 11 de maio de 2017.
FontesJean-Baptiste Jeangène Vilmer
Investigador do IRSEM (Ministério das Forças Armadas), autor do post-mortem do Atlantic Council
Reconstituiu, com entrevistas e fontes abertas, a cronologia da fuga e as 15 lições da resposta francesa.
FontesFrançois-Régis Chaumartin (Proxem)
Fundador da Proxem, startup de análise semântica
Tratou as respostas abertas da Grande Marche, que recebeu numa folha de cálculo com mais de 1,5 milhões de palavras, e alertou que mapear frustrações assim pode levar ao populismo.
FontesChristian Dargnat
Presidente da associação de financiamento do En Marche!; ex-diretor-geral da BNP Paribas Asset Management
Conduziu a angariação de fundos desde a criação do movimento, incluindo uma deslocação a Londres que gerou perguntas na Assembleia Nacional.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Paráfrases de entrevistas e declarações dos próprios participantes.
Paráfrases de entrevistas e declarações dos próprios participantes. As citações curtas estão entre aspas e traduzidas.
No início não havia base de dados. A lei francesa de privacidade não permite comprar ou copiar cadernos eleitorais como nos EUA, por isso foi preciso recolher a informação a bater à porta.
Guillaume Liegey, Liegey Muller Pons, VentureBeat, "Meet the French presidential candidate who's using the internet to reinvent politics", 8 jan. 2017
O que fazemos é "combinar dados, digital e humano" — coordenar muita gente no terreno, não fazer consultoria de redes sociais nem angariar fundos.
Guillaume Liegey, VentureBeat, 8 jan. 2017
Todas as semanas a equipa recebia capturas de ecrã de todos os endereços de phishing encontrados; a única forma de estar preparado é treinar as pessoas.
Mounir Mahjoubi, responsável digital, The Daily Beast, "Fighting Back Against Putin's Hackers", 25 abr. 2017
Os ataques servem para desconcentrar a campanha. "O meu papel nesta campanha é garantir que a nossa mensagem passa."
Mounir Mahjoubi, The Daily Beast, 25 abr. 2017
Mais 6 citações
Sobre trocar o Telegram pelo WhatsApp depois do aviso da ANSSI, brincou: "Entre o KGB e a NSA, escolhemos a NSA."
Ismaël Emelien, conselheiro de estratégia, Libération, 10 ago. 2017, citado em Vilmer, The Macron Leaks Operation, Atlantic Council/IRSEM, jun. 2019, p. 32
Havia três níveis de comunicação: o banal e logístico por e-mail, o confidencial em aplicações cifradas e o sensível só cara a cara. Por isso a fuga não tinha piadas sobre jornalistas nem nada que ofendesse.
Membro da equipa de campanha (anónimo), Libération, 10 ago. 2017, citado em Vilmer, Atlantic Council/IRSEM, 2019, p. 37
Reagir em excesso teria sido inoportuno e arriscado: daria importância a algo cujo eco, fora do Twitter, era fraco, e o candidato violaria a lei eleitoral.
Advogado do movimento, France Info, 8 mai. 2017, citado em Vilmer, Atlantic Council/IRSEM, 2019, p. 34
O processo pedia currículo, carta de motivação e entrevista; segundo ele, cerca de 20% dos entrevistados foram recusados por falta de capacidade para ser deputado.
Jean-Paul Delevoye, comissão de investidura, Politis, "Le business des investitures En Marche", 12 mai. 2017
Dois anos depois, perante os coletes amarelos, reconheceu: "Não nos preocupamos o suficiente com o terreno."
David Amiel, ex-conselheiro de Macron, Sciences Po Lyon, 29 abr. 2019, relatado pela VL Média
O rumo estava certo, mas a forma de fazer tinha de mudar: as decisões não podem ser impostas de cima, na vertical.
Ismaël Emelien, France Inter e Sciences Po Lyon, mar.–abr. 2019 (Public Sénat; VL Média)
A história
Macron era ministro da Economia, sem partido e com pouco percurso político.
Macron era ministro da Economia, sem partido e com pouco percurso político. Em vez de começar com um programa, começou com uma pergunta feita porta a porta. Um ano depois era presidente, e a sua equipa tinha resistido a um ataque de hack-and-leak nas vésperas da votação.
- 300 mil
- portas batidas na Grande Marche, com 100 mil conversas e 25 mil questionários (verão de 2016)dado da campanha
- 66,1%
- dos votos na segunda volta contra Marine Le Pen, 7 mai. 2017oficial
- 21 075
- e-mails divulgados (15 GB) a 5 mai. 2017, horas antes do período de reflexãoestudo
- 19 mil
- candidaturas abertas às legislativas; 428 investidos na primeira lista, 50% mulheresdado da campanha
Treze meses
- 6 abr. 2016Macron, ainda ministro, lança em Amiens o movimento En Marche!, sem partido e sem base de dados.
- 28 mai. 2016Começa a Grande Marche: oito perguntas abertas, como "o que funciona em França?". Cerca de 12 mil pessoas inscrevem-se para ir de porta em porta.
- out. 2016O diagnóstico é apresentado em três assembleias transmitidas em direto, com um resumo de 40 páginas e uma análise de 176. As palavras-chave passam a alimentar os discursos.
- 26 out. 2016A ANSSI reúne os partidos numa sessão sobre ciberameaças. A partir de dezembro, a campanha deteta tentativas de phishing.
- fev. 2017A ANSSI visita a sede e avisa a equipa; o núcleo troca o Telegram pelo WhatsApp. Em abril, a Trend Micro atribui o phishing ao grupo APT28.
- 23–27 abr. 2017Macron fica em primeiro na primeira volta (24,01%). A campanha recusa acreditação à RT e à Sputnik, que acusa de difundir notícias falsas.
- 3 mai. 2017Duas horas antes do debate final, documentos falsos sobre uma suposta conta offshore circulam no 4chan. No dia seguinte, a campanha denuncia uma campanha de desinformação digital.
- 5 mai. 2017Por volta das 20h, circulam ligações para 15 GB de dados roubados com #MacronLeaks. Às 23h56, quatro minutos antes do período de reflexão, a campanha publica o seu comunicado.
- 6–7 mai. 2017A CNCCEP pede aos órgãos de comunicação social que não divulguem o conteúdo; a maioria espera pelo fim da votação. Macron vence com 66,1%.
- 11 mai.–18 jun. 2017428 candidatos investidos, metade mulheres e 52% sem mandato anterior. A maioria presidencial conquista cerca de 351 dos 577 lugares.
- 29 abr. 2025Oito anos depois, a França atribui publicamente ao APT28, ligado aos serviços de informações militares russos (GRU), a participação no ataque de 2017.
Três camadas
Cada camada transformou o contacto com pessoas em matéria-prima para a imprensa e para a organização.
- A escutaVoluntários treinados em técnicas básicas de entrevista fizeram as mesmas perguntas abertas em todo o país. As respostas (mais de 1,5 milhões de palavras numa folha de cálculo) foram analisadas pela startup Proxem com software semântico, revistas, segundo o movimento, por um grupo de cerca de 200 especialistas e devolvidas como diagnóstico público, antes de haver programa.
- Os comitésMais de 2600 comités locais que qualquer membro podia criar ou integrar, com animadores locais e referentes departamentais. A campanha dizia ter cerca de 3000 comités e 400 eventos por semana no fim de 2016.
- A comunicação blindadaUm núcleo de imprensa que planeava cada aparição, uma célula digital de resposta rápida e regras de segurança que partiam do princípio de que tudo o que se escreve pode ser divulgado.
O que não se sabe. Os números da Grande Marche, dos comités e dos membros vêm do próprio movimento e foram contestados: um levantamento citado pelo Libération estimou em cerca de 15% os membros ativos.
As horas da fuga variam entre fontes; esta página segue o post-mortem do Atlantic Council/IRSEM (2019), que reúne entrevistas com a equipa publicadas no Libération, Les Echos e The New York Times, algumas consultadas aqui apenas através dessa citação. Nenhum estudo isola o efeito da Grande Marche no voto. O número de lugares da maioria varia entre 350 e 351 conforme se contam os aliados.
O terreno
A França de 2016–2017 tinha uma imprensa nacional forte e regulada, uma lei de dados rigorosa, eleições a duas voltas e um período de…
A França de 2016–2017 tinha uma imprensa nacional forte e regulada, uma lei de dados rigorosa, eleições a duas voltas e um período de reflexão obrigatório. O En Marche! começou sem partido, sem dinheiro público e sem lista de eleitores, e teve de construir tudo a partir de conversas e de cobertura na imprensa.
Plataformas
- Porta a porta com aplicação de questionário
- Na Grande Marche, os voluntários registavam palavras-chave das respostas numa aplicação; uma aplicação de gravação de voz foi abandonada porque o som da rua era difícil de captar e exigia transcrição.
- Site de adesão (en-marche.fr)
- Aderir era gratuito e bastava um clique: 30 mil inscrições em poucas semanas. Gerou números de 'membros' muito citados na imprensa, e contestados.
- Imprensa nacional, televisão e rádio
- Num país em que a televisão e os grandes jornais ainda fazem a agenda, a campanha planeou dezenas de entrevistas, deu acesso a documentaristas e usou revistas como a Paris Match para a imagem do casal Macron.
- Facebook Live e Medium
- Transmissões em direto para o anúncio da candidatura e para apresentar o diagnóstico em três assembleias públicas em outubro de 2016.
- Onde a fuga explodiu: cerca de meio milhão de tweets com #MacronLeaks em 24 horas, muitos de contas americanas de extrema-direita. Fora do pequeno meio parisiense, o eco foi fraco.
- WhatsApp e encontros presenciais (equipa)
- Depois do aviso da agência de cibersegurança, a equipa trocou o Telegram pelo WhatsApp; o mais sensível só se dizia cara a cara.
Condições locais
- Lei de proteção de dados (CNIL) que impede comprar ou copiar ficheiros de eleitores como nos EUA: a informação tinha de ser recolhida em conversas.
- Eleição presidencial a duas voltas (23 abr. e 7 mai. 2017), seguida de legislativas (11 e 18 jun.): quem vence a presidência costuma ganhar impulso para a maioria.
- Período de reflexão obrigatório de cerca de 44 horas, da meia-noite de sexta-feira às 20h de domingo: os candidatos não podem fazer declarações públicas.
- Autoridades independentes ativas: o Conselho Constitucional, a comissão de controlo da campanha (CNCCEP), o regulador do audiovisual (CSA) e a agência de cibersegurança (ANSSI), que a 26 out. 2016 organizou uma sessão de trabalho para todos os partidos, exceto a Frente Nacional, que não compareceu.
- Precedente americano recente: o ataque ao Comité Nacional Democrata em 2016 deixou a França alertada, e a NSA avisou as autoridades francesas da atividade russa.
- Cultura política pouco sensível a escândalos da vida privada e população com fraco domínio do inglês: os boatos sobre a vida pessoal e a campanha em inglês falharam.
- Um candidato da direita tradicional enfraquecido (François Fillon) e uma segunda volta contra a extrema-direita, o que juntou eleitores de vários campos em torno de Macron.
O método
Não houve um manual único: a escuta veio da experiência da LMP com Hollande em 2012 e com Obama em 2008; a defesa digital veio das lições…
Não houve um manual único: a escuta veio da experiência da LMP com Hollande em 2012 e com Obama em 2008; a defesa digital veio das lições americanas de 2016 e da ANSSI.
Três frentes
- Ouvir antes de propor
- Uma pergunta aberta feita a milhares de pessoas, com o mesmo questionário, gera dados próprios, recruta voluntários e dá à imprensa uma história sobre o país.
- Narrativa com calendário
- Cada fase torna-se um momento de imprensa com data marcada: o lançamento, a escuta, o diagnóstico, o programa, os candidatos.
- Preparar a crise de antemão
- Higiene digital, formação semanal, autoridades avisadas e um comunicado de fuga redigido antes. Quando o ataque chega, a decisão é rápida, curta e dentro da lei.
O ciclo de uma fase de campanha
Da escuta de 2016 à resposta à fuga, cada fase seguiu este circuito.
- Perguntar Definir poucas perguntas abertas e iguais para todos, como "o que funciona? o que não funciona?".
- Ir ao terreno Voluntários em pares, com bairros escolhidos por dados eleitorais e demográficos, e uma formação curta em entrevista.
- Registar Palavras-chave numa aplicação ou formulário simples, com consentimento para contacto futuro.
- Analisar Agrupar respostas por tema e por sentimento; separar o que se ouviu do que se queria ouvir.
- Devolver em público Publicar o diagnóstico em assembleias abertas e transmitidas, com um documento curto e um documento completo para jornalistas.
- Converter Cada voluntário e cada conversa tornam-se um comité, uma tarefa ou um contacto na base.
- Proteger Rever acessos, formar a equipa contra o phishing e atualizar o protocolo de crise antes de cada fase mais exposta.
- Avaliar Medir o que aconteceu fora do ecrã (quantos voluntários continuam ativos, quantos comités se reúnem, quantas conversas se tornaram contactos com consentimento) e só depois o que a imprensa retomou; corrigir o que falhou antes da fase seguinte.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para montar algo parecido numa candidatura, causa ou movimento: uma escuta organizada, uma assessoria de imprensa com…
O que é preciso para montar algo parecido numa candidatura, causa ou movimento: uma escuta organizada, uma assessoria de imprensa com funções e protocolos, e uma defesa digital simples. A parte de comunicação está escrita para ser usada amanhã.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
A campanha de 2017 tinha um núcleo pequeno e jovem. O que a distinguiu foi dar a cada pessoa uma função clara na relação com a imprensa e na resposta a crises, e escrever antes o que cada uma faria no pior dia.
Funções
- Coordenação da escuta
- Escreve o questionário, escolhe os bairros, recruta e forma os voluntários e garante o consentimento. Em 2016, coordenou cerca de 4000 voluntários no terreno.
- Chefe de imprensa
- Dono da agenda mediática: decide que órgão recebe que entrevista e quando, prepara o candidato, acompanha todas as viagens e é o único ponto de contacto para pedidos de jornalistas.
- Assessores de imprensa por área
- Cada um acompanha um grupo de jornalistas (televisão, rádio, imprensa escrita, regional, internacional), responde em menos de uma hora e mantém o registo de pedidos e promessas feitas.
- Porta-vozes
- Duas a quatro pessoas autorizadas a falar em nome da campanha, com mensagens do dia e uma lista de temas proibidos. Mais ninguém fala on the record sobre uma crise.
- Célula de resposta rápida
- Monitoriza redes e imprensa, verifica boatos, prepara desmentidos com provas e responde publicamente, com humor quando cabe. Em 2017 era liderada pelo responsável digital.
- Segurança digital
- Gere contas e acessos, ativa a autenticação em dois passos, envia o alerta semanal de phishing, fala com a agência nacional de cibersegurança e guarda provas de cada ataque.
- Jurídico eleitoral
- Diz o que se pode dizer e quando (período de reflexão, regras de financiamento, direito de resposta), apresenta queixas e contacta o regulador eleitoral e o da comunicação social.
- Documentação e verdade
- Mantém um arquivo de factos verificados sobre o candidato (rendimentos, património, percurso) pronto a ser mostrado a jornalistas quando surge um documento falso.
Ritmo
- Todas as manhãsReunião de imprensa de 20 minutos: o que saiu, o que vem, mensagem do dia, quem fala onde, pedidos pendentes.
- Todos os dias, ao fim da tardePonto da célula de resposta rápida: boatos em circulação, o que merece resposta e o que é melhor ignorar.
- Todas as semanasAlerta de segurança a toda a equipa com capturas de ecrã dos e-mails e ligações de phishing detetados, como fazia a campanha em 2017.
- A cada faseUm momento de imprensa com data marcada (lançamento, diagnóstico, programa, candidatos), preparado com duas a três semanas de antecedência.
- Antes da reta finalSimulação de crise: uma fuga fictícia às 20h de uma sexta-feira. Quem decide, quem escreve, quem liga ao regulador, em quanto tempo.
- Hora H de uma crise (H+0 a H+4)H+0 confirmar e guardar provas; H+1 decisão do núcleo; H+2 comunicado curto; H+3 alertar regulador e polícia; H+4 briefing a jornalistas de confiança sobre o que é falso.
- Depois de cada criseRevisão de 48 horas: o que funcionou, o que foi divulgado, que regra muda.
A escuta de 2016 durou cerca de três meses; o núcleo de imprensa trabalhou sem pausa durante um ano. Planeia turnos, um substituto para cada função crítica e uma pessoa de prevenção em cada noite de fim de semana na reta final.
Plano B
- Três níveis de comunicação: logística por e-mail, confidencial em aplicação cifrada, sensível só cara a cara.
- Escreve cada e-mail como se fosse publicado amanhã: sem piadas sobre jornalistas, adversários ou celebridades.
- Comunicado de fuga pré-aprovado pelo núcleo e pelo jurídico, pronto a sair em minutos.
- Contactos diretos e testados do regulador eleitoral, do regulador da comunicação social, da agência de cibersegurança e da polícia de crimes informáticos.
- Contas da campanha com autenticação em dois passos e uma lista de quem tem acesso a quê, revista todos os meses.
- Um arquivo de factos verificados sobre o candidato para desmontar documentos falsos em minutos.
Tecnologia
Quase tudo era software comum, usado com disciplina: questionário único, dados com consentimento, canais separados por nível de sensibilidade.
- Aplicação de questionário porta a portaBaixo (ferramenta própria ou formulário gratuito)
Perguntas abertas iguais para todos e campos para palavras-chave; nada de gravação de voz, que se revelou impraticável na rua.
- Mapa de alvos por bairroConsultoria ou dados públicos tratados por voluntários
Cruzamento de resultados eleitorais e dados do recenseamento para escolher onde bater à porta. A LMP comercializa o software Cinquante Plus Un, que estima o potencial de votos em cerca de 60 mil zonas de França.
- Análise semântica das respostasMédio; há alternativas gratuitas para volumes menores
Agrupar milhares de respostas abertas por tema e sentimento. Em 2016, a startup Proxem tratou mais de 1,5 milhões de palavras.
- Página de adesão com consentimentoGratuito a baixo
Inscrição com um clique, com escolha explícita de ser contactado e de criar ou integrar um comité local.
- Base de contactos e de jornalistasGratuito a médio
Voluntários, comités e, à parte, uma lista de jornalistas por área com histórico de pedidos e entrevistas.
- Transmissões em diretoGratuito
Lançamentos e apresentação do diagnóstico em direto, com documento para a imprensa publicado ao mesmo tempo.
- Monitorização de redes e imprensaGratuito a médio
Alertas de palavras-chave e hashtags para a célula de resposta rápida detetar boatos e falsificações nas primeiras horas.
- Mensagens cifradas da equipaGratuito
Uma aplicação cifrada para o nível confidencial, escolhida com conselho técnico; em 2017, a equipa trocou o Telegram pelo WhatsApp.
- Higiene de contasBaixo
Autenticação em dois passos, chaves de segurança para o núcleo, contas separadas para o pessoal e para a campanha, alerta semanal de phishing.
- Plataforma de donativosComissão por transação
Donativos com limite legal por pessoa (7500 euros) e recibo. Não foi uma campanha de pequenos doadores. No fim de março de 2017 havia cerca de 9 milhões de euros em 35 mil donativos, com uma média de 257 euros, e 600 pessoas tinham dado metade do total com donativos acima de 5000 euros. Segundo o La Libre, as equipas de Macron fizeram uma maratona de angariação entre Paris, Londres e Nova Iorque; a associação de financiamento era presidida por Christian Dargnat.
- Grupos de comités locaisGratuito
Um grupo por comité para eventos e tarefas, com animador local e referente regional.
Colunas do registo de imprensa
Data e hora do pedido · Órgão e jornalista · Tema e ângulo · Assessor responsável · Porta-voz proposto · Prazo do jornalista · Resposta dada e quando · O que foi prometido (exclusivo, dados, entrevista) · Resultado publicado (ligação)
A campanha presidencial de 2017 custou cerca de 16,8 milhões de euros. A ajuda gratuita de consultores à campanha está sob investigação judicial desde 2022: qualquer contribuição em espécie (trabalho, software, estudos) tem de ser avaliada e declarada como despesa.
Comunicação
A campanha falou primeiro do país e só depois do candidato, e chegou à crise com o texto já escrito. Esta é a parte mais transferível do caso: um comunicado de fuga, regras para a imprensa e um calendário de pautas.
A fórmula de um comunicado de fuga
- O facto Uma frase: houve um ataque, o que circula e onde. Sem adjetivos além do necessário.
- A origem Como os dados foram obtidos e quando, sem acusar ninguém sem provas. Em 2017: e-mails obtidos semanas antes por pirataria de contas.
- O aviso Os documentos verdadeiros foram misturados com falsos para semear a dúvida. Di-lo antes que alguém pergunte.
- O contexto Porquê agora: a última hora da campanha, um padrão já visto noutros países.
- O banal O que há de verdadeiro revela o funcionamento normal de uma campanha. Tira o suspense ao conteúdo.
- As ações Queixa apresentada, autoridades avisadas, pedido de responsabilidade aos órgãos de comunicação social.
- O silêncio Publica antes do prazo legal e depois fica em silêncio.
Regras para a imprensa
- Começa pelo país, não pelo candidato: publica o que ouviste, com números e um documento completo para jornalistas.
- Uma pauta por fase, com data marcada e embargo claro; nunca duas grandes notícias no mesmo dia.
- Um único ponto de contacto para jornalistas e resposta em menos de uma hora, mesmo que seja "voltamos a falar às 18h".
- Torna públicas as tentativas de ataque quando acontecem: quem avisou antes não parece apanhado de surpresa.
- Na crise, frases curtas e verificáveis; nada de reagir a cada tweet. O exagero dá eco ao ataque.
- Pede ao regulador, não ao jornalista, que lembre as regras. Nunca pressiones redações em privado para não publicarem.
- Usa humor no absurdo e provas no falso; ignora as provocações.
- Nunca mintas à imprensa para proteger o candidato: uma mentira descoberta pesa mais do que a fuga.
- Critérios públicos de acreditação, iguais para todos; se recusares um órgão, explica porquê e aceita o debate.
Exemplo
A nossa campanha foi alvo de um ataque informático maciço e coordenado. Circulam esta noite nas redes sociais documentos internos (e-mails, contas, contratos) obtidos há algumas semanas através da pirataria de contas de membros da equipa. Quem os divulga misturou documentos verdadeiros com muitos falsos para semear a dúvida. Os verdadeiros mostram apenas o funcionamento normal de uma campanha. Apresentámos queixa e informámos a comissão eleitoral. A divulgação na última hora da campanha tem um só objetivo: desestabilizar a eleição. Até ao fim do período de reflexão, não faremos outros comentários.
Levar para o teu contexto
Parte do método serve em qualquer lugar; outra parte dependeu da França de 2017: das suas autoridades independentes, da sua lei eleitoral e…
Parte do método serve em qualquer lugar; outra parte dependeu da França de 2017: das suas autoridades independentes, da sua lei eleitoral e de uma adversária de extrema-direita na segunda volta. Separa as duas antes de copiar.
Funciona em qualquer lado
- Uma escuta organizada antes do programa: poucas perguntas abertas, iguais para todos, feitas porta a porta por voluntários formados.
- Devolver em público o que se ouviu, com um documento curto e um documento completo. Isso dá assunto à imprensa e prova seriedade.
- Calendário de imprensa por fases, com uma grande notícia de cada vez.
- Funções de imprensa escritas: chefe de imprensa, assessores por área, porta-vozes limitados, resposta rápida, jurídico.
- Higiene digital simples: autenticação em dois passos, alerta semanal de phishing, três níveis de comunicação.
- Um comunicado de fuga escrito antes da crise, aprovado e pronto a sair em minutos.
- Seleção de candidatos aberta, com critérios públicos e paridade, para mostrar renovação.
Depende do contexto
- Lei de dados que impede comprar ficheiros de eleitores
- Onde a lei permite listas de eleitores, usa-as só dentro das regras; a escuta continua a valer porque produz dados com consentimento e voluntários. Onde a lei é ainda mais restrita, pede consentimento explícito em cada conversa.
- Período de reflexão de 44 horas
- Verifica se o teu país tem período de reflexão e quando começa. Sem ele, o comunicado sai igualmente depressa, mas precisas de um plano para dias de entrevistas sobre o tema; com ele, publica antes do prazo.
- CNCCEP, CSA e ANSSI
- Identifica os equivalentes: comissão eleitoral, regulador da comunicação social, agência ou equipa nacional de resposta a incidentes (CERT). Onde não são independentes ou não existem, apoia-te em observatórios, sindicatos de jornalistas e organizações de direitos digitais.
- Imprensa nacional forte e autorregulada
- Funcionou porque a maioria das redações aceitou esperar e verificar. Onde a imprensa é capturada ou partidária, prepara canais próprios (lista com consentimento, canal de mensagens) para que o desmentido chegue diretamente.
- Ataque em inglês, vindo de fora
- Em 2017 a fuga foi empurrada sobretudo por contas americanas. Um ataque feito na língua local e por atores nacionais será mais difícil: investe mais em monitorização e em verificadores de factos locais.
- Segunda volta contra a extrema-direita
- A vitória larga de 2017 deve muito a esse contexto. Num duelo renhido, a mesma resposta pode não bastar: prepara também uma estratégia de mobilização que não dependa do medo do adversário.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
-
Escuta porta a porta antes do programa
Poucas perguntas abertas, iguais para todos (o que funciona, o que não funciona), feitas porta a porta por voluntários em pares, com bairros escolhidos por dados e respostas registadas com consentimento. Na Grande Marche, no verão de 2016, foram 300 mil portas, 100 mil conversas e 25 mil questionários.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando começa sem base de dados nem programa e a lei não deixa comprar cadernos eleitorais.
- Não usar quando
- Não funciona se a escuta serve só de cenário: ouvir sem partilhar o poder volta como crítica, como os próprios estrategas admitiram em 2019.
- Semana −50 Escrever duas ou três perguntas abertas, iguais para todos
- Semana −48 Escolher os bairros cruzando resultados eleitorais e dados dos censos
- Semana −47 Formar os voluntários em técnicas básicas de entrevista, em pares
- Semana −46 Registar palavras-chave num formulário simples, com consentimento para contacto
- Semana −44 Ir para o terreno durante semanas, com metas por bairro
- Semana −40 Agrupar as respostas por tema e por sentimento
Equipa
- Coordenação da escuta: escreve o questionário, escolhe bairros e forma
- Voluntários em pares: fazem as conversas e registam as respostas
- Análise: agrupa respostas e separa o que se ouviu do que se queria ouvir
O que medir: Conversas completas registadas com consentimento para contacto futuro, por bairro.
Riscos a vigiar: Dados recolhidos sem consentimento violam o RGPD: pede consentimento explícito em cada conversa e usa os contactos só para o que foi prometido.
-
Devolver em público o que se ouviu
Publicar o diagnóstico em assembleias abertas e transmitidas, com um documento curto e outro completo para jornalistas, e transformar cada fase num momento de imprensa com data marcada. Em outubro de 2016, o En Marche! apresentou o diagnóstico em três assembleias públicas, antes de existir programa.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a escuta gerou material real e a campanha precisa de uma história que não seja sobre o candidato, mas sobre o país.
- Não usar quando
- Não funciona com duas grandes notícias no mesmo dia nem se o diagnóstico mostra só o que a campanha queria ouvir.
- Semana −36 Montar o calendário de fases: lançamento, escuta, diagnóstico, programa, candidatos
- Semana −32 Escrever o documento curto e o completo, com números e método
- Semana −30 Marcar as assembleias públicas e preparar a transmissão em direto
- Semana −28 Enviar à imprensa com embargo claro, uma grande notícia de cada vez
- Semana −27 Apresentar em direto e publicar o documento ao mesmo tempo
- Semana −26 Medir quem se juntou depois e corrigir antes da fase seguinte
Equipa
- Chefe de imprensa: dono da agenda: decide que órgão recebe o quê e quando
- Assessores por área: acompanham TV, rádio, imprensa escrita, regional e internacional
- Análise: prepara os números e o documento completo para jornalistas
O que medir: Pessoas que, depois da apresentação, se inscreveram, criaram ou entraram num comité, contadas pela página de adesão.
Riscos a vigiar: Exagerar os números da escuta destrói a credibilidade: diz de onde vêm, publica o método e nunca mintas à imprensa.
-
Comités locais abertos a qualquer pessoa
Aderir é gratuito e com um clique, e qualquer membro pode criar ou integrar um comité local, com animador local e referente departamental. O movimento dizia ter mais de 2600 comités e cerca de 400 eventos por semana no fim de 2016.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há muitas pessoas a querer participar e nenhum partido onde as encaixar.
- Não usar quando
- Não funciona se os números de adesão se tornam o objetivo: um levantamento estimou em cerca de 15% os membros ativos.
- Semana −50 Abrir a página de adesão com escolha explícita de contacto e de comité
- Semana −46 Publicar o guia para criar um comité e o papel do animador local
- Semana −40 Nomear referentes por região para apoiar os animadores
- Semana −30 Converter cada voluntário da escuta num comité, numa tarefa ou num contacto
- Semana −20 Abrir um grupo por comité para eventos e tarefas
- Semana −8 Contar os comités que se reúnem, não só os criados
Equipa
- Animador local: reúne o comité e organiza eventos e tarefas
- Referente regional: apoia os animadores e liga-os à coordenação
- Base de contactos: mantém membros e comités com consentimento
O que medir: Comités que se reuniram de facto no mês e membros que fizeram uma tarefa, não adesões.
Riscos a vigiar: Um clique inflaciona os números e a imprensa desconfia: publica comités ativos e membros ativos, e não vendas adesões como mobilização.
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Protocolo de fuga de dados escrito antes
Higiene digital simples, alerta semanal de phishing, três níveis de comunicação e um comunicado de fuga de dados pré-aprovado, pronto a sair em minutos e dentro da lei. Quando 21 075 e-mails foram divulgados a 5 de maio de 2017, a campanha respondeu em quatro horas, sem violar o período de reflexão.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona em qualquer campanha exposta a ataques, sobretudo nas últimas semanas, quando um hack-and-leak tem mais efeito.
- Não usar quando
- Não funciona com iscos e documentos falsos, que misturam falsificações no espaço público, nem se a campanha reage a cada tweet e dá eco ao ataque.
- Semana −30 Ativar a verificação em dois passos e rever quem tem acesso a quê
- Semana −26 Fixar três níveis: logística por e-mail, confidencial cifrado, sensível cara a cara
- Semana −12 Escrever e aprovar com o jurídico o comunicado de fuga de dados
- Semana −4 Simular uma fuga numa sexta às 20h: quem decide, quem escreve, quem liga
- 2 semana(s) depois Na crise: H+0 provas, H+1 decisão, H+2 comunicado
- 2 semana(s) depois H+3 avisar regulador e polícia; H+4 briefing sobre o que é falso
- 3 semana(s) depois Em 48 horas, rever o que funcionou e que regra muda
Equipa
- Segurança digital: contas, acessos, alerta semanal e provas de cada ataque
- Jurídico eleitoral: diz o que se pode dizer e quando e fala com os reguladores
- Porta-vozes: duas a quatro pessoas, as únicas que falam sobre a crise
- Documentação: arquivo de factos verificados para desmontar documentos falsos
O que medir: Membros da equipa com verificação em dois passos ativa e formação antiphishing feita, e minutos até ao comunicado na simulação.
Riscos a vigiar: Atacar de volta é crime e acusar sem provas sai caro: guarda provas, apresenta queixa e deixa a atribuição às autoridades.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a equipa de 2017
Seis momentos da campanha. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano em seis fases
A sequência de 2016–2017, condensada como lista de verificação.
A sequência de 2016–2017, condensada como lista de verificação. Lá levou treze meses; ajusta os prazos ao teu calendário. O progresso fica guardado neste navegador.
1. Escutar
2. Devolver e organizar
3. Montar a assessoria de imprensa
4. Blindar
5. Preparar a reta final
6. Da vitória à maioria
Regras
Uma campanha que se apresenta como vítima séria de um ataque precisa de estar ela própria acima de suspeita.
Uma campanha que se apresenta como vítima séria de um ataque precisa de estar ela própria acima de suspeita. Estas regras valem para qualquer país; confirma a lei local com um advogado.
- Consentimento
- Recolhe contactos só com consentimento explícito e usa-os só para o que foi prometido. A proteção de dados (RGPD, LGPD ou a lei local) aplica-se às campanhas.
- Período de reflexão
- Respeita o período de reflexão: nada de declarações, publicações patrocinadas ou entrevistas depois do prazo, mesmo sob ataque.
- Dinheiro e ajuda declarados
- Trabalho gratuito de consultores, software e estudos são contribuições em espécie. Avalia-os e declara-os nas contas de campanha.
- Só gente real
- Nada de contas falsas, bots, seguidores comprados ou envios em massa sem consentimento, nem para responder a um ataque. Coordenar pessoas reais para dizerem o que pensam é permitido; o que as plataformas castigam é organizar gostos, seguidores ou hashtags em série para enganar o algoritmo. O X, por exemplo, proíbe trocar interações e usar uma hashtag em destaque para manipular a conversa.
- Não piratear de volta
- Responder a um ataque com outro ataque é crime. Guarda provas e apresenta queixa.
- Liberdade de imprensa
- Não pressiones redações em privado, não ameaces nem insultes jornalistas. Para lembrar a lei, recorre ao regulador.
- Não mentir
- Desmente só o que é falso e com provas. Uma porta-voz que admite mentir para proteger o candidato destrói a credibilidade de todos os desmentidos.
- Acusar com provas
- Não atribuas um ataque a um país ou pessoa sem provas técnicas. Em 2017, a campanha falou de "operação coordenada" e deixou a atribuição às autoridades.
- Acreditação justa
- Critérios públicos e iguais. Excluir um órgão de comunicação social é uma decisão grave: explica-a e documenta-a.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não explica sozinho a vitória
- O enfraquecimento de François Fillon e uma segunda volta contra a extrema-direita pesaram muito. Nenhum estudo isola o efeito da Grande Marche no voto; o efeito medido do porta a porta vem da campanha de Hollande em 2012.
- Escutar sem partilhar o poder
- A escuta inspirou discursos, mas o movimento foi dirigido de cima. Em 2019, depois dos coletes amarelos, Emelien e Amiel admitiram que se preocuparam pouco com o terreno e que as decisões não podiam ser impostas na vertical.
- Membros que não ficam
- Aderir com um clique inflacionou os números: o Libération estimou cerca de 15% de membros ativos e, em outubro de 2024, o partido (já Renaissance) tinha cerca de 8500 membros com quotas pagas.
- Iscas e documentos falsos
- A equipa disse ter criado contas-isca e enviado documentos falsos aos atacantes para os fazer perder tempo. Isso misturou falsificações no espaço público e alimentou teorias de que tudo era encenação. Não está neste toolkit: usa defesa técnica, transparência e as autoridades.
- Uma relação dura com a imprensa
- A chefe de imprensa classificou de "trabalho de sagouin" (porcalhão) o artigo de um jornalista (Le Monde) e disse-se pronta a "mentir" se necessário para proteger o candidato (Public Sénat); no Eliseu, a equipa passou a escolher quem acompanhava o presidente. A exclusão da RT e da Sputnik foi defendida, mas também usada por Moscovo para acusar a França de censura.
- Sorte e erros do atacante
- O ataque foi tardio, em inglês, com falsificações grosseiras e boatos sobre a vida privada que pouco chocam em França. Um ataque mais competente, na língua local, teria sido mais difícil de travar.
- Ajuda gratuita sob investigação
- Desde 2022, juízes investigam se o trabalho gratuito de consultores da McKinsey para a campanha devia ter sido declarado como despesa; a 6 nov. 2025 houve nova busca na sede da empresa em Paris. Macron não foi acusado e, como presidente em funções, está protegido pela Constituição.
- A maioria não durou
- Os cerca de 351 deputados de 2017 caíram para 245 em 2022, já sem maioria absoluta, e para 159 (Ensemble) depois da dissolução de 2024, menos 86.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Playbook construído com entrevistas e declarações de quem fez a campanha, um post-mortem de investigação baseado em entrevistas com a…
Playbook construído com entrevistas e declarações de quem fez a campanha, um post-mortem de investigação baseado em entrevistas com a equipa, dados públicos e reportagens publicadas entre maio de 2016 e janeiro de 2026. Todas as páginas foram abertas e lidas a 26 de outubro de 2026; as entrevistas ao Libération, Les Echos, France Info e The New York Times são citadas através do post-mortem do Atlantic Council/IRSEM.
25 fontes
Quem fez
- The Daily Beast: Fighting Back Against Putin's Hackers (entrevista com Mounir Mahjoubi) 25 abr. 2017
- VentureBeat: Meet the French presidential candidate who's using the internet to reinvent politics (entrevista com Guillaume Liegey) 8 jan. 2017
- Le Monde Informatique: Présidentielle 2017 : l'utilisation des data au cœur de la campagne (Guillaume Liegey) 21 abr. 2017
- Fondation Jean-Jaurès: Guillaume Liegey (página de autor)
- Public Sénat: Les « gilets jaunes » « nous disent exactement ce qu'on avait dit pendant la campagne » (Ismaël Emelien) 26 mar. 2019
- VL Média: À Lyon, les anciens stratèges de Macron entre reconquête et mea culpa (Emelien e Amiel) 30 abr. 2019
Dados
- Public Sénat: Législatives : les investitures de la République en marche en chiffres 11 mai. 2017
- Wikipédia: Affaire McKinsey (investigações do PNF sobre as campanhas de 2017 e 2022)
- Wikipédia: Renaissance (parti) consultado a 26 out. 2026
- X Help Center: Platform manipulation and spam policy
Imprensa
- BRIDGE: tradução japonesa do artigo da VentureBeat 15 jan. 2017
- Europe 1: En Marche : le mouvement d'Emmanuel Macron lance sa campagne de porte-à-porte 28 mai. 2016
- FrenchWeb: Liegey Muller Pons lève 4 millions d'euros 5 dez. 2017
- Politis: Le business des investitures En Marche (com declarações de Jean-Paul Delevoye) 12 mai. 2017
- Public Sénat: Sibeth Ndiaye, une communicante de combat 31 mar. 2019
- Connectionivoirienne (reprodução do Le Monde): Sibeth Ndiaye, gardienne de l'image d'Emmanuel Macron 11 mai. 2017
- France Télévisions: Envoyé spécial : « En marche vers l'Elysée » (Bertrand Delais) 8 mai. 2017
- La Libre Belgique: Comment la Russie aurait impacté la campagne d'Emmanuel Macron en 2017 29 abr. 2025
- L'Essentiel de l'Éco: McKinsey / Macron : la justice ne lâche pas l'affaire 18 nov. 2025
- La Libre Belgique / AFP: Vers des législatives anticipées en France ? 9 jan. 2026
- La Libre Belgique: La présidentielle, une course de fonds 22 abr. 2017
Análise
- Atlantic Council / IRSEM: The "Macron Leaks" Operation: A Post-Mortem (PDF) jun. 2019
- Atlantic Council: The Macron Leaks operation: a post-mortem (página do relatório) jun. 2019
- American Economic Review: Vincent Pons, Will a Five-Minute Discussion Change Your Mind? jun. 2018
- Slate / The Conversation: Emmanuel Macron et les journalistes, c'est compliqué (Arnaud Mercier) 2018
Imagem: Arno Mikkor, EU2017EE Estonian Presidency, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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