Em 30 segundos
500+ dias em junho de 2026: protesto diário diante do Parlamento desde que o Governo suspendeu a adesão à UE, a 28 de novembro de 2024.
Cerca de 250 mil no Daitove. Sem palco nem líder, a resistência organizou-se em grupos abertos de Facebook, colunas por profissão e bairro, e fundos para multas.
Fundos limpos, documentação e cuidado coletivo mantiveram-no vivo, mas não chegou à maioria que fica em casa nem conseguiu novas eleições.
Os primeiros passos
- Abrir o grupo aberto com regras de conduta afixadas
- Escolher administradores e substitutos em moradas diferentes
- Abrir o canal cifrado de reserva para quem coordena
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
O movimento recusa porta-vozes, mas há pessoas e organizações que construíram partes visíveis da infraestrutura e contaram como foi.
O movimento recusa porta-vozes, mas há pessoas e organizações que construíram partes visíveis da infraestrutura e contaram como foi. São as fontes principais deste playbook.
Ilia Glonti
Cofundador do grupo de Facebook Daitove
Ajudou a criar o grupo a 30 de abril de 2024 para alojar quem vinha das regiões; tornou-se fonte de informação na eleição e, depois de 28 de novembro, o principal ponto para propor e convocar marchas.
FontesNanuka Zhorzholiani
Apresentadora de televisão; fundadora da Nanuka Foundation
Abriu o seu fundo de caridade aos manifestantes em 2024 para comprar máscaras de gás e capacetes e ajudar detidos; no início de dezembro de 2024, disse ter recebido 254 246 GEL em donativos num só dia.
FontesLela Tsiskarishvili (GCRT) e Human Rights House Tbilisi
Reabilitação de vítimas de tortura; fundo de multas
O GCRT montou apoio psicológico de emergência e, com a GYLA, uma missão independente para documentar a tortura; a Human Rights House pagou cerca de 500 multas, perto de 500 mil GEL, até fevereiro de 2025.
FontesISFED (Sociedade Internacional por Eleições Justas e Democracia)
Observação eleitoral independente
A 26 de outubro de 2024 colocou cerca de 1000 observadores nas assembleias de voto, 85 equipas móveis e 23 advogados num centro de queixas, fez uma contagem paralela e, em 2026, continua a expor redes de contas falsas pró-governo.
FontesColigação My Vote e GYLA
Observação eleitoral e litigância
A My Vote, com 30 organizações, vigiou 1200 assembleias de voto; a Associação de Jovens Advogados da Geórgia (GYLA) pediu a anulação de 2263 assembleias com voto eletrónico e, com o GCRT, documentou a tortura de detidos.
FontesGota Chanturia e Tatia Dvali
Ativistas do Movimento pela Social-Democracia
Organizaram as marchas diárias da televisão pública até ao Parlamento contra a cobertura parcial; Chanturia acumulou 76 multas por bloquear a via e fez o balanço mais duro do 4 de outubro de 2025.
FontesDato Simonia
Ilustrador e designer gráfico
Criou a série “Quem está em Rustaveli”, que desenha e conta a história de cada manifestante, uma forma de dar rosto a um movimento sem rosto.
FontesTamta Khalvashi
Antropóloga e participante nos protestos de 2024
Escreveu a partir de dentro dos protestos da primavera de 2024 sobre a auto-organização dos estudantes e o nascimento do Daitove.
FontesProtest.24 e Tako Lochoshvili
Conta de Instagram com a agenda diária; influenciadora crítica do governo
A Protest.24 publica todos os dias a lista de protestos em georgiano e inglês, com táticas e recursos; Lochoshvili diz que o seu público fica mais envolvido nos dias de protesto e enfrenta denúncias em massa para lhe fecharem a conta.
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que organizadores, observadores, defensores de direitos humanos e manifestantes disseram sobre o próprio trabalho.
O que organizadores, observadores, defensores de direitos humanos e manifestantes disseram sobre o próprio trabalho. Paráfrases, com citações curtas quando essenciais.
Comparou o formato sem líder às assembleias da Grécia antiga: ninguém no grupo quer falar de cima para os outros, e qualquer pessoa pode propor um protesto para o dia seguinte.
Ilia Glonti (Daitove), OC Media, How social media has shaped Georgia's protests (14 jan. 2025)
Depois de a polícia lhe revistar a casa e levar o telemóvel e o computador, disse que a incerteza sobre possíveis acusações faz parte da estratégia do governo.
Ilia Glonti (Daitove), OC Media, How social media has shaped Georgia's protests (14 jan. 2025)
Em 2024 o Daitove juntou cerca de 170 mil pessoas em poucos dias; para ela, recusar o planeamento de cima para baixo era precisamente o que confundia o governo.
Tamta Khalvashi, e-flux Notes, In the Name of Sovereignty (9 mai. 2024)
Os grupos de Facebook foram a principal arma contra a desinformação; quando a repressão chegou ao Facebook, quem coordenava passou para o Signal.
Salome Gogebashvili, estudante da Universidade Estatal de Tbilisi, NATO Association of Canada, “Democracy Is Never A Guarantee” (mai. 2025)
Mais 6 citações
Cada grupo social organiza o próprio protesto com os próprios responsáveis; por isso o governo não encontra um único líder para derrubar o movimento.
Zurab Japaridze (Coligação pela Mudança), OC Media, How social media has shaped Georgia's protests (14 jan. 2025)
Os espancamentos seguiam o mesmo método em vários locais; documentar com provas forenses serve a responsabilização futura, porque até então ninguém tinha sido punido.
Lela Tsiskarishvili (GCRT), Human Rights House, entrevista com Lela Tsiskarishvili (11 fev. 2025)
Apesar de a contagem paralela coincidir com a oficial, a soma das violações antes e durante a votação fazia com que os resultados “não possam refletir a vontade dos eleitores”.
ISFED, ISFED, declaração sobre a eleição de 26 de outubro de 2024 (27 out. 2024)
Os organizadores de 4 de outubro tentaram dirigir o protesto sem consultar os outros grupos e deixaram mais presos e mais propaganda; a rua em Rustaveli é uma linha de defesa.
Gota Chanturia (Movimento pela Social-Democracia), OC Media, Between frustration and persistence (16 out. 2025)
O tempo é um problema para o partido no poder, mas não joga necessariamente a favor de quem protesta: muitos perdem o emprego, acumulam multas ou emigram.
Simon Janashia (Praça da Liberdade), OC Media, Between frustration and persistence (16 out. 2025)
Descreveu o primeiro ano como um ano de sobrevivência, física e moral, e disse que, se a resistência de Tbilisi quebrar, a repressão cairá com mais força sobre as regiões.
Dato Simonia, OC Media, “Till the end!” (29 nov. 2025)
A história
Foram três vagas encadeadas: a luta contra a lei de “agentes estrangeiros” na primavera de 2024, a eleição de 26 de outubro e a resistência…
Foram três vagas encadeadas: a luta contra a lei de “agentes estrangeiros” na primavera de 2024, a eleição de 26 de outubro e a resistência diária que começou a 28 de novembro. Cada vaga deixou uma ferramenta para a seguinte.
- 500+
- dias seguidos de protesto em frente ao Parlamento, contados em jun. 2026estimativa
- ~250 mil
- membros no grupo de Facebook Daitove, que propõe e convoca marchasdado da plataforma
- 3500+
- observadores independentes da ISFED, My Vote e GYLA na eleição de 2024dado da campanha
- ~500
- multas pagas por um só fundo, perto de 500 mil GEL, até fev. 2025dado da campanha
Da lei à resistência diária
- 3 abr.–1 mai. 2024O Sonho Georgiano volta a apresentar a lei da “transparência da influência estrangeira”. Protestos diários; a 30 de abril nasce o Daitove para alojar quem vem das regiões.
- 11–14 mai. 2024Cerca de 50 mil marcham em Tbilisi; estudantes de quase todas as grandes universidades boicotam as aulas. A 14 de maio a lei é aprovada por 84 votos contra 30.
- 18 mai.–2 jun. 2024A presidente Salome Zourabichvili veta; a 28 de maio o veto é ultrapassado por 84 contra 4. Um concerto solidário angaria 124 700 dólares para presos e multados.
- 26 out. 2024Eleição: 53,93% para o Sonho Georgiano. Mais de 3500 observadores registam compra de votos, vigilância de eleitores e quebra do sigilo; a oposição boicota o novo Parlamento.
- 28 nov. 2024Kobakhidze suspende a adesão à UE até 2028. Começa o protesto diário em Rustaveli; mais de 450 detidos nas duas primeiras semanas, a maioria a relatar maus-tratos.
- 13 dez. 202416.º dia: colunas de profissionais de informática, empresários, estudantes, músicos, advogados e viticultores partem de pontos diferentes, a horas marcadas, e convergem à noite no Parlamento.
- fev.–abr. 2025A detenção administrativa passa a ir até 60 dias (7 fev.); as contas de cinco fundos de apoio são congeladas (17 mar.); lei ao estilo da FARA e limites aos donativos estrangeiros.
- 4 out. 2025Eleições locais boicotadas pela maior parte da oposição: 81,73% para o Sonho Georgiano. Cerca de 20 mil saem à rua; um grupo pequeno força a vedação do palácio presidencial; os cinco organizadores são detidos nessa noite e alvo de processos-crime.
- 6 nov. 2025Pela primeira vez a polícia impede o bloqueio de Rustaveli; a lei já previa prisão para quem voltasse a bloquear. O protesto passa para os passeios e ruas laterais.
- jun.–out. 2026O protesto ultrapassa os 500 dias; o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos comunica ao governo o caso das contas de ONG congeladas em agosto de 2025 (25 jun.); a 21 de outubro o Tribunal Constitucional começa a julgar o pedido para proibir cinco partidos da oposição.
Três camadas
Ninguém dirigia o movimento. Qualquer pessoa podia reforçar uma das três camadas.
- EstarPresença todas as noites em frente ao Parlamento, colunas por profissão, bairro e região durante o dia, datas simbólicas e um cartaz com o número do dia.
- ProvarObservadores nas assembleias de voto, contagem paralela, vídeos da violência policial, testemunhos com provas forenses, relatórios sobre redes de contas falsas.
- Aguentar em conjuntoFundos que pagam multas e advogados, apoio psicológico, cartas e aniversários à porta das prisões, ajuda a quem foi despedido por protestar.
O que não se sabe. Os números variam: o Daitove aparece com 170 mil membros em maio de 2024 e 250 mil em janeiro de 2025; o total de mais de 2 milhões de GEL em multas entre novembro de 2024 e março de 2025 vem da Wikipédia, sem fonte primária consultável, e não foi auditado.
A contagem diária está confirmada por reportagens até junho de 2026; não houve verificação independente de que continue ininterrupta até hoje. Nas fontes consultadas, o Telegram aparece só como canal de notícias; o centro da coordenação foram os grupos de Facebook e, depois, o Signal. As teorias de que a vedação do palácio foi enfraquecida de propósito a 4 de outubro de 2025 não foram comprovadas. O que é certo: o movimento não conseguiu novas eleições nem a retoma da adesão à UE, e em outubro de 2026 o regime está mais fechado do que em 2024.
O terreno
A resistência georgiana cresceu num país pequeno e muito ligado à internet, mas com o poder concentrado num partido, nos tribunais e na polícia.
A resistência georgiana cresceu num país pequeno e muito ligado à internet, mas com o poder concentrado num partido, nos tribunais e na polícia. Noutro país, algo disto pode faltar.
Plataformas
- Grupos de Facebook (Daitove)
- O Daitove (“fica”) nasceu para alojar quem vinha das regiões e chegou a cerca de 250 mil membros. Qualquer pessoa propõe uma marcha; se o grupo adere, ela acontece no dia seguinte.
- Instagram (Protest.24)
- Contas como a Protest.24 publicavam todos os dias a lista de protestos, em georgiano e em inglês, além de materiais sobre táticas.
- Signal
- Segundo uma estudante que participou, quando o governo reprimiu a organização pelo Facebook, quem coordenava passou para o Signal.
- TikTok, transmissões e canais de notícias
- Vídeos e transmissões em direto feitos por manifestantes mostravam a violência policial em tempo real; canais locais no Telegram e televisões independentes faziam o resto circular, incluindo para a diáspora.
- Fundos de solidariedade e transferências bancárias
- Fundações com conta em bancos georgianos recebiam donativos e pagavam multas, advogados e equipamento de proteção, até o Ministério Público congelar as contas em março de 2025.
- Rede de observação eleitoral
- ISFED, My Vote e GYLA, com mais de 3500 observadores, contagem paralela, equipas móveis e advogados, produziram a prova que sustentou a contestação da eleição.
Condições locais
- A Constituição obriga o governo a procurar a integração na UE e na NATO; por isso a suspensão de 28 de novembro de 2024 tornou-se uma causa que atravessa partidos, com bandeiras georgianas e europeias lado a lado.
- Um partido, o Sonho Georgiano, governa desde 2012 e está ligado ao bilionário Bidzina Ivanishvili, sancionado pelos EUA em dezembro de 2024.
- Tribunais vistos como capturados: juízes sancionados pelo Reino Unido, queixas eleitorais rejeitadas e quase todos os detidos multados ou presos em audiências rápidas.
- Oposição dividida e com pouca confiança do público; por isso o movimento recusou palcos de partidos.
- A memória do 9 de abril de 1989, quando tropas soviéticas mataram 21 pessoas em Tbilisi, e da guerra de 2008, com 20% do território ocupado pela Rússia.
- Desde dezembro de 2024, uma sequência de leis aumentou as multas, criou pena de prisão para quem bloqueia vias e restringiu o financiamento estrangeiro de ONG e da comunicação social.
O método
O movimento escolheu distribuir tudo (a convocação, o cuidado, a prova, o dinheiro) para que prender uma pessoa não pare nada, e ficar na…
O movimento escolheu distribuir tudo (a convocação, o cuidado, a prova, o dinheiro) para que prender uma pessoa não pare nada, e ficar na rua por tempo indeterminado em vez de apostar num dia decisivo.
Três frentes
- Presença sem dono
- Um lugar fixo, uma hora fixa, todos os dias. Qualquer grupo pode trazer a sua coluna; ninguém sobe a um palco.
- Prova antes da acusação
- Observadores, vídeo, testemunho e relatório antes de qualquer denúncia. Quando os tribunais não ouvem, a prova fica guardada para tribunais internacionais e para o futuro.
- O custo dividido
- O Estado aposta em multas, detenções e despedimentos para cansar as pessoas. Fundos, advogados e cuidado coletivo repartem esse custo por milhares.
O ciclo de um dia de resistência
O mesmo ciclo repetiu-se centenas de vezes, ajustado a cada nova lei.
- Propor Alguém publica no grupo aberto: “amanhã, médicos saem do hospital tal às 17h”. Se a ideia pega, torna-se convocação.
- Convocar por identidade Cada coluna reúne uma profissão, um bairro, uma região ou uma escola, com ponto de partida simbólico e hora própria.
- Convergir As colunas atravessam a cidade de dia e chegam à noite ao mesmo lugar, onde a presença diária as espera.
- Documentar Filmar a polícia, registar detenções, guardar nomes e horas. A transmissão protege e informa quem está longe.
- Proteger Advogados de prevenção, primeiros socorros, apoio psicológico, informação em tempo real sobre onde atua a polícia de choque.
- Pagar em conjunto Multas e honorários pagos por fundos com comprovativo; quem é multado não fica sozinho com a conta.
- Adaptar Quando uma lei nova pune uma tática, troca a tática e não o lugar: da faixa de rodagem para os passeios, de uma avenida para ruas laterais.
- Lembrar Contar os dias, desenhar quem está na rua, celebrar aniversários de presos à porta das prisões, ler as cartas deles.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para sustentar uma resistência longa e pacífica contra um governo que não cede, ou para proteger uma eleição.
O que é preciso para sustentar uma resistência longa e pacífica contra um governo que não cede, ou para proteger uma eleição. Serve a um movimento nacional ou local, desde que respeites as regras desta página.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Sem líder não quer dizer sem funções. Na Geórgia, quando um administrador foi alvo de buscas ou um organizador foi preso, outros assumiram. Escreve as funções e os substitutos antes de precisares deles.
Funções
- Administradores do grupo aberto
- Aprovam membros, afixam regras de conduta, removem boatos e convocações falsas e mantêm uma lista de canais de reserva.
- Convocadores de coluna
- Uma ou duas pessoas por profissão, bairro ou região que marcam ponto de partida, hora e percurso e acompanham a coluna até ao ponto de chegada.
- Presença diária
- Um núcleo que garante que há gente no lugar todas as noites, mesmo nos dias fracos, e que conta os dias.
- Observadores eleitorais
- Acreditados por organizações independentes, com formação para registar violações com hora, fotografia e assembleia de voto e enviá-las a advogados.
- Advogados de prevenção
- Linha de emergência, acompanhamento de detidos, recursos contra multas e encaminhamento de queixas de maus-tratos.
- Tesouraria do fundo
- Pessoas identificadas que recebem donativos, pagam multas e honorários diretamente e publicam cada comprovativo.
- Documentação e cuidado
- Recolhem vídeos e testemunhos com consentimento, ligam vítimas a médicos e psicólogos e guardam provas para o futuro.
- Memória e solidariedade
- Ilustradores, fotógrafos e famílias que dão rosto ao movimento, escrevem aos presos e organizam visitas e aniversários.
Ritmo
- De diaColunas por profissão ou bairro partem de pontos simbólicos (um ministério, um hospital, uma universidade) a horas escalonadas.
- À noite (por volta das 20h)Todas as colunas convergem no lugar fixo; a presença diária fica pelo menos duas horas.
- Fim de semanaA grande marcha, a que reúne quem trabalha durante a semana.
- Datas simbólicasAniversários históricos, Dia da Europa, Dia da Independência, o 100.º, 200.º, 300.º dia: marchas maiores e mensagens para o exterior.
- Dia seguinteLista de detidos, pedidos ao fundo, recursos contra multas, publicação das contas.
Um ritmo fixo deixa qualquer pessoa entrar sem pedir licença, mas também deixa a polícia e o legislador prepararem a resposta. Na Geórgia, cada tática repetida (bloquear a via, usar máscara, partilhar a convocação) acabou punida por uma lei nova. Planeia a próxima adaptação antes de precisares dela.
Plano B
- Cada função com pelo menos duas pessoas, e administradores que não vivam na mesma morada.
- Um canal cifrado de reserva para quem coordena, anunciado antes de o grupo aberto ser atacado.
- Mais de um fundo, em mais de uma instituição, com contabilidade pronta a mostrar a um juiz.
- Números de advogados escritos em papel, não só no telemóvel que pode ser apreendido.
- Cópias das provas fora do país e fora do telemóvel de quem filmou.
Tecnologia
Quase tudo é gratuito. O caro são as multas, os advogados e o risco que as pessoas correm.
- Grupo aberto (Facebook ou equivalente)Gratuito
Onde qualquer pessoa propõe uma marcha, oferece boleia ou alojamento e pede ajuda. Regras afixadas e administradores com substitutos.
- Lista diária de protestos (Instagram ou canal)Gratuito
Uma publicação por dia com todas as colunas, horas e pontos de partida, em mais de uma língua para a diáspora e a imprensa estrangeira.
- Mensageiro cifrado (Signal)Gratuito
Para quem coordena: mensagens temporárias, nada de listas de nomes em grupos abertos.
- Vídeo curto e transmissão em diretoGratuito
Mostrar a presença e a violência em tempo real; o vídeo também é prova, se guardado com data e local.
- Calendário de colunasGratuito
Uma folha de cálculo ou mapa público com cada coluna: quem, de onde, a que horas, para onde.
- Fundo de solidariedadeComissões bancárias
Conta de uma organização registada, donativos rastreáveis, pagamento direto de multas e honorários, recibo de cada operação.
- Registo de multas e casosGratuito
Folha de cálculo com cada multa, prazo, recurso e pagamento; base para prestar contas e para litigância.
- Observação eleitoral e contagem paralelaBaixo, com voluntários
Formulários de observação, central de dados e advogados para queixas no dia da votação, a cargo de organizações acreditadas.
- Monitorização de contas falsasGratuito
Análise de datas de criação, fotografias geradas por IA e gostos em bloco para expor redes inautênticas e denunciá-las às plataformas.
Colunas do registo de multas
Data da multa · Pessoa (com consentimento) · Infração alegada e artigo · Valor · Prazo de pagamento · Recurso (sim/não, tribunal) · Pago em (data) e por que fundo · Comprovativo (ligação) · Quem aprovou (dois nomes)
Custo de software: quase zero. Custos: multas que podem chegar aos milhares por pessoa (um ativista acumulou 76), honorários, equipamento de proteção para observadores e jornalistas, e o tempo de quem fica na rua.
Comunicação
O tom é de vizinho: quem convoca fala pela própria coluna, nunca pelo movimento. A causa é de todos (a Europa, eleições limpas, a libertação dos presos), por isso nenhum logótipo de partido.
A fórmula de uma convocação de coluna
- Quem A identidade da coluna: médicos, moradores de um bairro, gente de uma região, estudantes de uma faculdade.
- De onde e quando Ponto de partida com significado e hora exata.
- Para onde O lugar fixo da presença diária, onde todos se encontram à noite.
- Porquê Uma exigência curta e comum, ligada ao que essa profissão ou esse bairro vive.
- Como se proteger Regras de paz, número jurídico, o que levar, o que diz a lei sobre a via e o rosto tapado.
- Se correr mal Onde pedir ajuda com uma multa ou uma detenção.
Regras de escrita
- Fala pela tua coluna, não pelo movimento.
- Prefere uma exigência curta e partilhada a um programa.
- Nada de violência, nem nas palavras; a provocação é o que o governo quer filmar.
- Diz o que a lei proíbe agora, porque muda depressa.
- Cada denúncia vem com prova: vídeo, hora, local.
- Diz quanto entrou no fundo e para onde foi.
- Dá nome e rosto a quem está preso, com o consentimento da família.
- Fala também com quem não está na rua: o que a crise lhe custa.
Exemplo
Amanhã, [dia], profissionais de saúde saem às 17h do Hospital [nome] e caminham até [lugar fixo]. Exigimos [exigência única]. Marcha pacífica; fique no passeio se a polícia mandar sair da via. Advogado de prevenção: [número]. Multado? Peça ajuda ao fundo [nome] em [ligação]. Hoje é o dia [n]. Até ao fim.
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado.
O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado. Escolhe o teu país no topo do toolkit para veres as ferramentas equivalentes.
Funciona em qualquer lado
- Um lugar fixo e uma hora fixa, todos os dias, que qualquer pessoa pode ocupar sem pedir licença.
- Convocar por identidade (profissão, bairro, região) para que cada pessoa traga a sua rede.
- Liderança distribuída, com funções escritas e substitutos.
- Observação independente da eleição antes de a contestar.
- Documentar a violência desde o primeiro minuto, com consentimento e cópias fora do telemóvel.
- Dividir o custo da repressão: fundos transparentes, advogados, apoio psicológico.
- Adaptar a tática a cada lei nova sem abandonar o lugar.
- Construir, ao mesmo tempo, uma alternativa política que fale com quem fica em casa.
Depende do contexto
- Grupos de Facebook
- Onde o Facebook pesa pouco, usa comunidades de WhatsApp, grupos de Telegram ou servidores de Discord, com as mesmas regras de moderação e um canal de reserva.
- Avenida Rustaveli e o Parlamento
- Escolhe o lugar que, no teu país, simboliza a decisão em disputa: a praça da câmara municipal, a frente do tribunal, a sede do governo regional.
- A bandeira da UE e o artigo da Constituição
- Identifica o horizonte que une a maioria acima dos partidos (uma lei, um direito, uma promessa constitucional) e faz dele a exigência comum.
- Fundos em bancos georgianos
- Estuda a lei sobre angariação de fundos do teu país, usa mais de uma entidade e mais de um banco, publica as contas e prepara-te para defender o fundo em tribunal, incluindo internacional.
- ISFED, My Vote e GYLA
- Procura as organizações de observação eleitoral do teu país e as regras de acreditação; onde não existirem, junta associações de advogados e universidades com antecedência.
- A diáspora georgiana
- Se muitos compatriotas teus vivem fora, publica em mais de uma língua e dá à diáspora tarefas concretas: protestos à porta das embaixadas, donativos, pressão sobre governos estrangeiros.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
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Colunas por profissão que convergem à noite
De dia, cada profissão, bairro ou região sai do seu ponto simbólico a uma hora própria, e à noite todas as colunas chegam ao mesmo lugar fixo, onde a presença diária as espera. Na Geórgia, no 16.º dia de protesto, colunas de profissionais de informática, empresários, estudantes, músicos, advogados e viticultores atravessaram Tbilissi e convergiram no Parlamento.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona numa resistência longa em que cada pessoa pode trazer a própria rede (colegas, vizinhos, conterrâneos) sem esperar por um palco.
- Não usar quando
- Não funciona como atalho para um “dia decisivo”: uma escalada anunciada por poucos, sem consultar as outras colunas, deixa mais presos e mais propaganda.
- Semana do dia D Definir o lugar fixo, a hora fixa e a exigência comum
- 1 semana(s) depois Recrutar convocadores por profissão, bairro e região
- 2 semana(s) depois Cada coluna escolhe um ponto de partida simbólico e um horário próprio
- 2 semana(s) depois Publicar o calendário de colunas e a lista diária em mais de uma língua
- 2 semana(s) depois Fazer a primeira convergência noturna no lugar fixo
- 6 semana(s) depois Marcar a grande marcha de fim de semana, para quem trabalha durante a semana
Equipa
- Convocadores de coluna: marcam ponto, horário e percurso e acompanham a coluna
- Presença diária: garante pessoas no lugar fixo todas as noites e conta os dias
- Lista diária: publica todas as colunas, horários e pontos de partida
O que medir: Colunas que saíram de facto do seu ponto e chegaram ao lugar fixo, e pessoas novas por noite, contadas pelos convocadores. Visualizações não contam.
Riscos a vigiar: Uma tática repetida acaba punida por uma lei nova: diz em cada convocação o que a lei proíbe agora, troca a tática e não o lugar, e decide qualquer escalada com os outros grupos.
-
Grupo aberto sem dono, com reserva cifrada
Um grupo aberto onde qualquer pessoa propõe a marcha do dia seguinte (se o grupo adere, ela acontece), com regras fixadas, administradores com substitutos e um canal cifrado de reserva para quem coordena. Na Geórgia, o grupo de Facebook Daitove chegou a cerca de 250 mil membros; quando o governo reprimiu quem se organizava pelo Facebook, quem coordenava passou para o Signal, segundo uma estudante que participou.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona onde a população confia pouco nos partidos e o governo procura um líder para derrubar o movimento.
- Não usar quando
- Não funciona sem moderação: convocações falsas e boatos espalham-se, e um grupo aberto não é lugar para listas de nomes nem para decisões sensíveis.
- Semana do dia D Abrir o grupo aberto com regras de conduta fixadas no topo
- Semana do dia D Escolher administradores e substitutos que não vivam na mesma morada
- Semana do dia D Abrir o canal cifrado de reserva para quem coordena e anunciá-lo
- 1 semana(s) depois Deixar qualquer pessoa propor a marcha de amanhã; o grupo decide ao aderir
- 1 semana(s) depois Remover boatos e convocações falsas e fixar a lista de canais oficiais
- 4 semana(s) depois Combinar que qualquer escalada se decide com os outros grupos, nunca por anúncio
Equipa
- Administradores: aprovam membros, removem boatos e mantêm a lista de canais de reserva
- Substitutos: assumem a moderação se um administrador for alvo de buscas ou detido
- Coordenação cifrada: trata no Signal o que não pode estar num grupo aberto
O que medir: Propostas feitas no grupo que se tornaram marchas reais no dia seguinte, contadas pelos convocadores; se só os administradores propõem, o grupo deixou de ser aberto.
Riscos a vigiar: Administradores visíveis são alvo de buscas e acusações: substitutos em moradas diferentes, nada de listas de nomes no grupo e números de advogados também em papel.
-
Multas e advogados pagos por um fundo às claras
Um fundo de uma entidade registada recebe donativos rastreáveis e paga diretamente multas e honorários, com recibo público, enquanto advogados recorrem de cada multa. Na Geórgia, a Human Rights House pagou cerca de 500 multas, perto de 500 mil GEL, até fevereiro de 2025; em 2025, o Ministério Público congelou as contas de cinco fundos, entre eles o ligado à Human Rights House, alegando «sabotagem». Por isso cada pagamento precisa de recibo desde o primeiro dia.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando o Estado aposta em multas, detenções e despedimentos para cansar as pessoas uma a uma.
- Não usar quando
- Não funciona com dinheiro vivo em envelopes nem com donativos em contas pessoais: é impossível de defender e dá ao governo a história de financiamento oculto.
- 1 semana(s) depois Abrir a linha jurídica com advogados em turnos
- 1 semana(s) depois Criar o fundo numa entidade registada, com dois responsáveis e contas públicas
- 1 semana(s) depois Abrir o registo de multas: valor, prazo, recurso, pagamento e comprovativo
- 2 semana(s) depois Pagar cada multa e honorário diretamente, com recibo publicado
- 3 semana(s) depois Recorrer de cada multa nos tribunais, para deixar registo
- 6 semana(s) depois Ter mais de um fundo, em mais de uma entidade e banco, com contas prontas para um juiz
- 7 semana(s) depois Publicar as contas do fundo e a lista de detidos e libertados
Equipa
- Tesouraria do fundo: pessoas identificadas que pagam diretamente e publicam cada comprovativo
- Advogados de serviço: acompanham detidos e recorrem das multas
- Registo de casos: mantém a folha de multas, prazos e recursos
O que medir: Multas pagas pelo fundo dentro do prazo, com comprovativo publicado, e detidos que tiveram advogado em 24 horas.
Riscos a vigiar: Fundos visíveis podem ser congelados sob a acusação de “sabotagem”: cumpre a lei de angariação de fundos, diversifica entidades e bancos e prepara-te para defender o fundo em tribunal, incluindo internacional.
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Observadores em cada secção, prova antes
Organizações credenciadas põem observadores formados nas secções de voto, grupos móveis e advogados numa central de queixas, fazem a contagem paralela e só depois acusam. Na Geórgia, mais de 3500 observadores da ISFED, My Vote e GYLA registaram compra de votos e quebra do sigilo; a ISFED apresentou 294 queixas e o registo sustentou a contestação da eleição dentro e fora do país.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona antes de qualquer eleição em que haja risco de pressão sobre os eleitores e onde a lei permita observação independente.
- Não usar quando
- Não funciona com confronto nem com acusações sem prova: discutir com quem vigia eleitores põe o observador em risco, e uma publicação sem prova descredibiliza o trabalho de todos.
- Semana −13 Contactar as organizações de observação e conhecer as regras de credenciação
- Semana −11 Inscrever e formar voluntários: registar com hora, foto e número da secção
- Semana −8 Montar a central de dados e de advogados para queixas no dia
- Semana −6 Distribuir observadores e grupos móveis pelas secções
- Semana −5 No dia, enviar cada violação à central e fazer a contagem paralela
- Semana −5 Publicar a avaliação só com prova e apresentar as queixas formais
- Semana −4 Guardar as provas para os tribunais e para o futuro
Equipa
- Observadores credenciados: registam e enviam, sem interferir na votação
- Central de queixas: advogados que transformam cada registo numa queixa formal
- Contagem paralela: compara os resultados das secções com os oficiais
O que medir: Secções com observador credenciado presente da abertura à contagem, e violações registadas com hora, foto e secção que se tornaram queixa formal.
Riscos a vigiar: Tribunais capturados podem rejeitar quase todas as queixas: regista na mesma, porque a prova sustenta a contestação fora do país e a responsabilização futura.
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Documentar a violência e cuidar de quem sofre
Desde o primeiro minuto, a rede filma a polícia, regista detenções e recolhe testemunhos com consentimento e prova forense, liga as vítimas a médicos e psicólogos e mantém viva a solidariedade com quem está preso. Na Geórgia, o GCRT montou apoio psicológico de emergência e, com a GYLA, uma missão para documentar a tortura; segundo a Provedoria de Justiça, entre 78% e 88% dos detidos disseram ter sido maltratados.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona em qualquer protesto com risco de violência policial, sobretudo onde os tribunais hoje não punem ninguém.
- Não usar quando
- Não funciona se o material circula sem consentimento ou fica só no telemóvel de quem filmou, que pode ser apreendido.
- Semana do dia D Filmar a polícia e registar detenções com nome, hora e lugar
- 1 semana(s) depois Abrir o formulário de documentação de abusos, com consentimento
- 1 semana(s) depois Ligar cada vítima a médicos e psicólogos voluntários
- 2 semana(s) depois Guardar cópias das provas fora dos telemóveis e fora do país
- 3 semana(s) depois Denunciar maus-tratos à Provedoria de Justiça e a organismos internacionais
- 4 semana(s) depois Escrever aos presos e organizar visitas e aniversários em frente às prisões
Equipa
- Documentação e cuidado: recolhe testemunhos e liga vítimas a médicos e psicólogos
- Advogados: transformam os registos em queixas formais
- Memória e solidariedade: escrevem aos presos e dão rosto a quem está na prisão
O que medir: Testemunhos de abuso documentados com consentimento e prova forense que se tornaram queixa formal, e vítimas que chegaram a atendimento médico ou psicológico.
Riscos a vigiar: Expor vítimas sem autorização viola a proteção de dados e põe-nas em risco: só com consentimento, rostos tapados quando necessário e cópias guardadas longe de quem as possa apreender.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como o movimento
Seis momentos de 2024 e 2025. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano de 8 semanas para uma resistência que dure
Para um movimento que sabe que não vai ganhar num dia.
Para um movimento que sabe que não vai ganhar num dia. As primeiras semanas montam a infraestrutura; as seguintes, o ritmo. O progresso fica guardado neste navegador.
Semana 1: A rede
Semana 2: O cuidado
Semana 3: As colunas
Semanas 4–5: A prova
Semanas 6–8: O ritmo
Sempre
Regras
A resistência georgiana só se manteve legítima porque foi pacífica, documentada e às claras.
A resistência georgiana só se manteve legítima porque foi pacífica, documentada e às claras.
- Protesto pacífico e desarmado
- A Constituição da Geórgia e o artigo 11.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos protegem a reunião pacífica. Sem violência contra pessoas ou bens, mesmo perante provocações.
- Conhecer a lei que muda
- Na Geórgia mudaram as multas, a detenção máxima, as regras sobre máscaras, o aviso prévio e o bloqueio de vias. Mantém o guia jurídico atualizado e diz a cada pessoa o risco que corre.
- Dinheiro às claras
- Fundos com entidade registada, donativos rastreáveis, pagamentos diretos, recibos públicos. É o que permite defender o fundo num tribunal.
- Observação acreditada
- Os observadores seguem a lei eleitoral, usam acreditação e registam; não interferem na votação nem confrontam ninguém.
- Consentimento e proteção de dados
- Feridos, detidos e famílias só aparecem com autorização. O RGPD, a LGPD brasileira e a lei georgiana de proteção de dados aplicam-se também a quem documenta.
- Só pessoas reais
- Nada de contas falsas, bots ou gostos comprados. Expor as redes inautênticas do adversário é legítimo; imitá-las não é.
- Direito a advogado
- Quem é detido tem direito a advogado e a tratamento digno. Divulga a linha jurídica antes de cada marcha e denuncia maus-tratos ao Provedor de Justiça e a organismos internacionais.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Aguentar não é ganhar
- Depois de mais de 500 dias, não houve novas eleições nem retoma da adesão à UE. Nas eleições locais de 2025 o Sonho Georgiano teve 81,73%, com 40,93% de participação, e em outubro de 2026 o Tribunal Constitucional julga um pedido de 88 deputados para proibir cinco partidos da oposição, ainda sem decisão.
- A maioria que fica em casa
- Analistas georgianos apontam que o movimento reage mais do que propõe e não chega à grande maioria que se mantém longe dos protestos.
- O custo humano
- Centenas de pessoas relataram maus-tratos só em novembro de 2024; segundo o Provedor de Justiça, entre 78% e 88% dos detidos em 2024–2025 disseram ter sido maltratados. Em junho de 2026 mais de 150 pessoas continuavam detidas em casos ligados aos protestos, e só cinco polícias tinham sido acusados. Em dezembro de 2025, uma investigação da BBC apontou que os canhões de água de 2024 podem ter usado um agente químico da Primeira Guerra, a «camite», com base em relatos de manifestantes, de um pediatra que reuniu casos e de ex-polícias. O primeiro-ministro Kobakhidze admitiu que havia uma substância misturada na água, mas negou que fosse camite; o Serviço de Segurança do Estado abriu uma investigação e chamou entrevistados a depor.
- A escalada sem mandato
- O 4 de outubro de 2025 mostrou o risco de um grupo pequeno decidir pelo movimento: organizadores detidos e processados, dezenas de detidos e um pretexto para mais repressão. Não é um passo a copiar.
- Cansaço, emigração e divisão
- A participação caiu de dezenas de milhares para centenas por noite. Multas, despedimentos e prisões empurram gente para fora do país, e os grupos dividem-se até sobre apoiar outras lutas.
- Infraestrutura atacável
- Administradores alvo de buscas, fundos congelados, ONG sem financiamento estrangeiro: tudo o que é visível pode ser alvo.
- A guerra das contas falsas
- A ISFED expôs redes de centenas de contas inautênticas a favor do governo, uma delas com 424 perfis criados em dois dias em agosto de 2026. Responder com contas falsas destruiria a credibilidade do movimento; fica aqui como risco, não como tática.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Este playbook foi construído com relatos de organizadores, observadores eleitorais, defensores de direitos humanos e manifestantes,…
Este playbook foi construído com relatos de organizadores, observadores eleitorais, defensores de direitos humanos e manifestantes, confirmados por imprensa georgiana e internacional publicada entre maio de 2024 e outubro de 2026.
34 fontes
Quem fez
- OC Media: How social media has shaped Georgia's protests (Ilia Glonti, Daitove) 14 jan. 2025
- e-flux Notes: Tamta Khalvashi, In the Name of Sovereignty: Georgia's Second Attempt to Pass the “Foreign Agents” Bill 9 mai. 2024
- Human Rights House: Interview with Lela Tsiskarishvili: torturers and their handlers are being awarded 11 fev. 2025
- EPDE: ISFED Summary Statement on Georgia's Parliamentary Election on October 26, 2024 27 out. 2024
- Transparency International Georgia: Joint assessment of ISFED, My Vote and GYLA on the 26 October parliamentary elections 19 nov. 2024
- ISFED: More than 400 inauthentic accounts created in two days to support Georgian Dream 11 out. 2026
- ISFED: European Court begins examination of the merits in the case of five organisations' frozen accounts 29 jun. 2026
- OC Media: Between frustration and persistence, the Georgian protest movement reflects on 4 October 16 out. 2025
- OC Media: ‘Till the end!’, Georgia's embattled protesters reflect on one year of daily demonstrations 29 nov. 2025
- NATO Association of Canada: “Democracy Is Never A Guarantee”: Georgia's Young Protesters (Salome Gogebashvili) 9 mai. 2025
- Sakartvelos Ambebi: Nanuka Zhorzholiani: SSS requests financial records of my foundation 3 dez. 2024
Dados
- JAMnews: Systematic election violations in Georgia aimed to secure ruling party victory, say local NGOs 21 nov. 2024
- JAMnews: Georgia: 500 days of protests, crackdowns and resilience, Amnesty International report 15 jun. 2026
- Wikipedia: 2024 Georgian parliamentary election (resultados preliminares da CEC)
- Wikipedia: 2025 Georgian local elections
- Wikipedia: 2023–2024 Georgian protests (cronologia da lei de 2024)
- Wikipedia: 2024–2026 Georgian protests (cronologia desde 28 nov. 2024)
- Wikipedia: Mzia Amaglobeli
Imprensa
- Eurasianet: Tbilisi protests pass 500 days with no end in sight: ‘What choice do we have?’ 17 jun. 2026
- Global Voices / OC Media: Georgia marks a year of protests 7 dez. 2025
- JAMnews: Protests continue in Tbilisi as winemakers, doctors, IT specialists, and others march on the 16th day 13 dez. 2024
- Caucasian Knot: Marches of IT specialists, social workers and public sector employees on day 30 28 dez. 2024
- JAMnews: Human rights activists: freezing NGO accounts in Georgia is an attempt to punish protesters 18 mar. 2025
- JAMnews (georgiano): Fundos congelados na Geórgia 17 mar. 2025
- Novaya Gazeta Europe: Georgian nightmare 28 mai. 2024
- Paper Kartuli: Despite protests, the Georgian parliament passes the foreign agents law 15 mai. 2024
- Georgia Today: Daitove: Citizens offer rides during transportation shortage 25 out. 2024
- Georgia Today: Georgia's Constitutional Court opens hearings on bid to ban five opposition parties out. 2026
- JAMnews: BBC finds Georgian authorities may have used WWI-era chemicals against protesters 1 dez. 2025
- OC Media: Kobakhidze confirms substance in water cannons following BBC investigation, but rules out camite 3 dez. 2025
Análise
- EGI: Political Digest 155: Prosecutor's Office seizes funds supporting protesters 19 mar. 2025
- CIVICUS Monitor: New laws restricting freedom of peaceful assembly introduced as anti-government protests continue fev. 2025
- The New Federalist: Silencing the Streets: Georgia's Strategy to Drown Out Protests 18 mar. 2025
- OC Media: Explainer: What you need to know about the lawsuit to ban Georgia's opposition 22 out. 2026
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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