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Anura Kumara Dissanayake a sorrir, retrato oficial de 2024

Sri Lanka · 2024

Da praça à maioria

Em 2022, a Aragalaya derrubou o presidente do Sri Lanka. Em 2024, a frente NPP, que tivera 3,16% em 2019, conquistou a presidência e o Parlamento. Vê como, e o que falhou.

Uma homenagem a quem acampou na Galle Face em 2022 e a quem organizou bairros, aldeias e coletivos depois. Projeto independente, sem ligação ao NPP, ao JVP, ao governo ou a qualquer partido.

Em 30 segundos

  1. 3,16% em 2019, 42,31% na primeira contagem das presidenciais de 21/9/2024 (55,89% após as segundas preferências): o NPP elegeu Anura Kumara Dissanayake presidente.

  2. 159 de 225 lugares. A 14/11/2024, o NPP teve 61,56% nas legislativas, dois anos depois de a Aragalaya forçar a renúncia de Gotabaya Rajapaksa.

  3. Militantes disciplinados em quase todas as aldeias cingalesas, coletivos de profissionais e mulheres e uma só mensagem: acabar com a corrupção, sem alianças com velhos partidos.

  4. Queda para 43,26% nas eleições locais de maio de 2025.

  5. A Aragalaya abriu a janela; atravessou-a uma organização presente em quase todas as aldeias.

Os primeiros passos

  1. Definir um núcleo organizador estável, que funcione entre eleições
  2. Escrever a mensagem numa frase: o problema, o culpado (um sistema) e a promessa
  3. Listar as linhas vermelhas: alianças com quem causou o problema, ataques comunitaristas, contas falsas

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Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Quem fez

A vitória de 2024 tem duas linhagens: a Aragalaya, que recusou ter líderes, e o NPP, que já existia e esperou o momento.

A vitória de 2024 tem duas linhagens: a Aragalaya, que recusou ter líderes, e o NPP, que já existia e esperou o momento. Os relatos abaixo vêm de ambas. Há poucos relatos públicos e detalhados dos organizadores do NPP sobre a máquina de campanha; onde faltam, o playbook assinala-o.

  • Anura Kumara Dissanayake (AKD)

    Líder do JVP desde 2014 e do NPP desde 2019; presidente desde 23 set. 2024

    Usou o Facebook desde cerca de 2014 para falar por cima de uma comunicação social que o ignorava, percorreu a diáspora em 2023–2024 e encabeçou a campanha sem declarar despesas pessoais.

    Fontes
  • Harini Amarasuriya

    Antropóloga, sindicalista universitária, secretária-adjunta do NPP; primeira-ministra desde 24 set. 2024

    Entrou pela National Intellectuals Organization em 2019 e, segundo analistas, ajudou a tornar o NPP fiável para profissionais e classe média; em 2024 teve 655 289 votos preferenciais em Colombo, recorde do distrito.

    Fontes
  • Tilvin Silva

    Secretário-geral do JVP, o partido no centro do NPP

    Dirige a organização partidária de Pelawatte, cuja rede disciplinada chega a quase todas as aldeias; resumiu as prioridades do novo governo em desenvolvimento, fim da corrupção e democracia com prestação de contas.

    Fontes
  • Ruwanthie de Chickera

    Dramaturga e encenadora; coordenadora na GotaGoGama (2022)

    Descreveu por dentro como a aldeia de protesto da Galle Face nasceu sem organização formal e se manteve descentralizada, com biblioteca, «parlamento do povo», posto médico e escola.

    Fontes
  • Mangala Jayasekera

    Técnico de dados em Brisbane; organizador na diáspora australiana

    Ajudou a organizar encontros comunitários pela Austrália, alguns com Dissanayake vindo do Sri Lanka para falar à diáspora.

    Fontes
  • Sulochana Peiris

    Documentarista, autora de #GoHomeGota

    Filmou a Aragalaya enquanto acontecia, reuniu imagens de outros participantes e fez do filme uma ferramenta para ensinar como se organiza um movimento de protesto.

    Fontes
  • Ramindu Perera

    Sociólogo da Open University of Sri Lanka

    Documentou a rede de Kottasha Sabhas (conselhos de círculo) e os comícios só de mulheres que juntaram milhares de pessoas, sobretudo em zonas rurais.

    Fontes
  • Sanjana Hattotuwa

    Investigador de redes sociais e desinformação (Groundviews)

    Analisou o debate no Facebook sobre os candidatos de 2024 e o papel das redes na mobilização da Aragalaya.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Paráfrases de entrevistas e declarações de participantes da Aragalaya, dirigentes do NPP e apoiantes.

Paráfrases de entrevistas e declarações de participantes da Aragalaya, dirigentes do NPP e apoiantes. Citações curtas entre aspas e traduzidas.

  • No início não havia organização nenhuma: as pessoas vieram por si e, à noite, montaram tendas. Quando o Parlamento convidou 20 representantes para conversar, recusaram, porque «ninguém está a liderar isto».

    Ruwanthie de Chickera, coordenadora na GotaGoGama, The Week, «People came in by themselves», 19 jul. 2022

  • Não havia dinheiro para alugar autocarros. O trabalho do núcleo foi informar as pessoas dos seus direitos e dar coragem ao movimento — o resto, diz, fizeram-no as redes sociais ao expor a reação do presidente.

    Ruwanthie de Chickera, The Week, 19 jul. 2022

  • Resumiu a ausência de líderes numa frase: «foi a maior força e a maior fraqueza» do movimento.

    Ativista da Aragalaya ouvido pela Carnegie, David G. Timberman, Carnegie Endowment, 27 ago. 2025

  • Defendia que o mandato do protesto estava na rua, não no Parlamento — uma posição que deixou a Aragalaya sem peso na sucessão de Rajapaksa.

    Wasantha Mudalige, dirigente da Federação Interuniversitária de Estudantes (IUSF), Citado em Carnegie Endowment, 27 ago. 2025

Mais 7 citações
  • A «mudança de sistema» que todos pediam nunca foi definida com clareza, porque os grupos tinham ideologias diferentes. Mas ficou mais consciência política na base e conselhos populares que recolhem as aspirações das pessoas.

    Sulochana Peiris, documentarista, Groundviews, «Documenting and Understanding a People's Uprising», 7 fev. 2024

  • Na campanha, respondeu às suspeitas sobre o dinheiro do NPP: «nenhum país estrangeiro me financia»; as viagens à China e à Índia foram pagas pelos governos que o convidaram.

    Anura Kumara Dissanayake, Daily Mirror, 6 ago. 2024

  • Pediu ao Norte tâmil que fosse «parte interessada nesta mudança» — um apelo que críticos tâmeis leram como pressão, e não como convite.

    Anura Kumara Dissanayake, num comício em Jaffna, Tamil Guardian, 6 set. 2024

  • A cultura política não incentiva pessoas com princípios a entrar na política, e o assédio online afasta as mulheres dos cargos públicos.

    Harini Amarasuriya, então candidata pela lista nacional do NPP, Daily Mirror, 16 jul. 2020

  • As prioridades do novo governo: desenvolver o país, erradicar a corrupção e aprofundar a democracia com prestação de contas.

    Tilvin Silva, secretário-geral do JVP, Citado em Jacobin, 22 nov. 2024

  • O que convenceu a diáspora foi a biografia: Dissanayake «veio do nada», sem colégio privado caro nem família política — para ele, «um tipo limpo».

    Mangala Jayasekera, organizador na diáspora em Brisbane, ABC News (Austrália), 25 set. 2024

  • Num comício entre as duas eleições, disse que o NPP não foi feito pelos grandes meios de comunicação: foram jovens, no país e fora, «com os seus ecrãs de 4 polegadas».

    Bimal Rathnayake, deputado e dirigente do NPP, Vídeo de comício traduzido por Sanjana Hattotuwa, Groundviews, 26 nov. 2024

A história

Em 2019, Gotabaya Rajapaksa foi eleito com 6,9 milhões de votos.

Em 2019, Gotabaya Rajapaksa foi eleito com 6,9 milhões de votos. Três anos depois, sem combustível, sem gás e com inflação recorde, centenas de milhares de pessoas expulsaram-no. O NPP não comandou a revolta, mas era a organização pronta para recolher a vontade de «mudar o sistema».

3,16% → 42,31%
de Dissanayake nas presidenciais de 2019 e na primeira contagem de 21 set. 2024oficial
61,56%
e 6,86 milhões de votos para o NPP nas legislativas de 14 nov. 2024 (3,84% em 2020)oficial
21
mulheres eleitas para o Parlamento em 2024, o maior número da históriaoficial
Rs 528 milhões
gastos pelo NPP na campanha presidencial, contra Rs 1,12 mil milhões de Premadasa (relatórios à Comissão Eleitoral)dado da campanha

Do acampamento ao governo

  1. 2014–2019Dissanayake assume a liderança do JVP a 2 de fevereiro de 2014 e começa a usar o Facebook para contornar a comunicação social. A 13 de julho de 2019, o JVP e mais de 20 grupos fundam o NPP; em novembro, Dissanayake tem 3,16%.
  2. ago. 2020Legislativas: o NPP fica com 3,84% e 3 lugares. Harini Amarasuriya entra no Parlamento pela lista nacional.
  3. 31 mar.–9 abr. 2022Protesto junto à casa do presidente em Mirihana; a 3 de abril, o governo bloqueia as redes sociais durante cerca de 15 horas. A 9 de abril nasce a GotaGoGama, a aldeia de protesto na Galle Face; o #GoHomeGota espalha-se pelo Facebook e pelo Twitter.
  4. 9 mai. 2022Apoiantes do governo atacam os acampamentos; segue-se violência de retaliação contra casas de deputados. O primeiro-ministro Mahinda Rajapaksa demite-se nessa noite.
  5. 9–22 jul. 2022Manifestantes ocupam a residência e o secretariado do presidente; Gotabaya foge a 13 de julho e demite-se. O Parlamento elege Ranil Wickremesinghe e, a 22 de julho, as tropas desmantelam o acampamento.
  6. 2023–mar. 2024O NPP monta Kottasha Sabhas (conselhos de círculo), lança uma plataforma de mulheres com comícios em todo o país e percorre a diáspora: EUA em 2023, Toronto e Vancouver em março de 2024.
  7. 26 ago. 2024Lançamento do manifesto presidencial. O NPP publica também um manifesto separado para pessoas com deficiência, o primeiro do género no país.
  8. 21–24 set. 2024Dissanayake tem 42,31% na primeira contagem e 55,89% depois da contagem das segundas preferências; toma posse a 23 de setembro. No dia 24, nomeia Harini Amarasuriya primeira-ministra e dissolve o Parlamento.
  9. 14 nov. 2024Em 54 dias, o NPP passa de 42% para 61,56%: 159 de 225 lugares, vitória em 21 de 22 distritos (incluindo Jaffna, pela primeira vez para um partido não tâmil) e 21 mulheres eleitas.
  10. 6 mai. 2025Eleições locais: o NPP vence a maioria dos conselhos, mas cai para 43,26%, com uma participação de 61,88%.

Três camadas

O NPP funcionava em três camadas sobrepostas.

  • O núcleo: JVPUm partido marxista-leninista de quadros, com disciplina rígida e uma rede hierárquica que chega a quase todas as aldeias, sobretudo nas zonas cingalesas. Dá a infraestrutura, a militância e a decisão centralizada.
  • A frente: 21 grupos e coletivosNational Intellectuals Organization, Doctors for Social Justice, University Teachers for Social Justice, Progressive Women's Collective, artistas, sindicatos, funcionários públicos e monges. Dá credibilidade junto de profissionais e da classe média.
  • O território: Kottasha SabhasConselhos por círculo, abertos a ativistas locais que antes apoiavam os grandes partidos, com espaços para mulheres e pessoas com deficiência. Dão alcance para lá da militância do JVP.
O que não se sabe. Os números eleitorais são oficiais (Comissão Eleitoral, via relatórios de observação e enciclopédias).

Não foram encontrados relatos detalhados e públicos dos organizadores do NPP sobre a máquina digital (número de voluntários, redes de criadores de conteúdos, orçamento de anúncios ou peso dos pequenos donativos), por isso este playbook não os quantifica. O dirigente Bimal Rathnayake atribuiu a vitória a jovens com telemóveis, sem dar números. Os relatórios de despesas são declarados pelos próprios partidos e a Comissão não tem poder legal para os auditar. O efeito isolado das redes, dos comícios de mulheres ou dos Kottasha Sabhas no resultado não foi medido: o colapso dos partidos tradicionais e a crise pesaram tanto como o método.

O terreno

O Sri Lanka de 2022–2024 saía da pior crise económica da sua história independente, com televisões alinhadas com os grandes partidos e uma…

O Sri Lanka de 2022–2024 saía da pior crise económica da sua história independente, com televisões alinhadas com os grandes partidos e uma internet que chegava a pouco mais de metade da população. O NPP combinou redes sociais, comícios e uma rede militante de aldeia em aldeia.

Plataformas

Facebook
Canal principal das três campanhas mais fortes; cerca de 8,5 milhões de utilizadores no país (estimativa de 2023). Dissanayake usava-o desde cerca de 2014 para chegar a quem a televisão não lhe dava acesso. Na campanha de 2024, foi o único dos três favoritos cujo número de seguidores cresceu muito, e as suas publicações eram partilhadas quase o dobro das vezes (missão de observação da UE).
YouTube
Com o Facebook, a plataforma mais popular do país. Discursos longos e debates, em que os dirigentes do NPP mostravam domínio dos temas e humor, circulavam ali, fora da televisão.
TikTok
A rede que mais cresce e, segundo a observação da UE, a principal via para chegar aos jovens; com cerca de 1 milhão de novos eleitores em 2024, segundo uma estimativa citada por Hattotuwa, era o terreno de quem votava pela primeira vez.
WhatsApp
A aplicação de mensagens mais usada; os partidos mantinham muitos grupos de apoiantes para distribuir conteúdos e coordenar.
Comícios e ecrãs gigantes
Os três favoritos fizeram grandes comícios; o NPP transmitia atos em ecrã gigante (como no 1.º de Maio em Colombo) e criou comícios distritais só para mulheres.
Encontros com a diáspora
Dissanayake percorreu cidades dos EUA em 2023 e Toronto e Vancouver em março de 2024, além de encontros organizados por apoiantes na Austrália. O objetivo eram recursos, influência sobre a família e imagem, e não o voto (votar obriga a ir ao país).

Condições locais

  • Crise económica: inflação de 74% em setembro de 2022 e, em junho desse ano, 6,3 milhões de pessoas (28% da população) em insegurança alimentar moderada ou grave.
  • Conectividade desigual: cerca de 56,3% da população com acesso à internet em 2024 e literacia digital de 68%; nas zonas rurais e nas plantações, muito menor.
  • Comunicação social enviesada: a Hiru TV deu a Premadasa metade do seu noticiário do horário nobre em tom positivo; a estatal Rupavahini favoreceu o presidente em funções; o NPP era excluído dos grandes órgãos de comunicação social.
  • Lei restritiva: a Online Safety Act (janeiro de 2024) criminaliza «declarações falsas» sem definir o termo; em abril de 2022, o governo bloqueou redes sociais e mensagens durante cerca de 15–16 horas.
  • Regras de campanha: porta a porta com mais de cinco pessoas restringido por lei, cartazes e bandeiras só em comícios e sedes de campanha, período de reflexão antes do voto e limite de despesas de 109 rupias por eleitor.
  • Sistema eleitoral: presidente eleito com voto preferencial (em 2024, pela primeira vez, foi preciso contar as segundas preferências) e Parlamento proporcional por distrito com voto preferencial em candidatos.
  • Peso da história: o JVP liderou insurreições armadas em 1971 e no fim dos anos 1980, que mataram milhares; o partido teve de convencer os eleitores de que tinha mudado.
  • Divisão étnica: os tâmeis são cerca de 12% da população; o Norte e o Leste nunca tinham votado num partido do Sul, e a Aragalaya teve pouca participação no Norte.

O método

A Aragalaya espalhou a raiva contra a corrupção por todo o país.

A Aragalaya espalhou a raiva contra a corrupção por todo o país. O NPP tinha uma organização pronta, alargou-a para lá do partido e manteve uma só mensagem durante anos, até a janela se abrir.

Três frentes

Organização antes do momento
Uma rede militante presente em quase todas as aldeias, uma frente de 21 grupos e conselhos locais construídos de 2019 a 2024. Quando o sistema partidário ruiu, havia gente em cada lugar para receber quem chegava.
Uma só mensagem, com prova de vida
Corrupção, «mudança de sistema» e uma nova cultura política, repetidas desde 2014. A prova era a própria biografia: um candidato filho de família pobre de Anuradhapura, educado na escola pública, sem família política, e a recusa de alianças com figuras dos velhos partidos.
Canais próprios onde a comunicação social exclui
Facebook e YouTube para discursos e debates, TikTok para os jovens, grupos de WhatsApp para distribuir, comícios transmitidos em ecrã gigante, comícios só de mulheres e a diáspora a falar com a família no país.

O ciclo da campanha

Reconstruído a partir do que o NPP fez entre 2022 e 2024.

  1. Estar sem capturar Durante a Aragalaya, membros do NPP participaram, mas o partido evitou uma presença organizada, para não parecer que queria controlar o protesto.
  2. Dar nome à raiva Transformar a revolta difusa num enquadramento simples e repetido: corrupção, uma elite que capturou a política desde 1948, «limpar o Parlamento».
  3. Organizar por setor Coletivos de profissionais, professores universitários, médicos, artistas, funcionários públicos e mulheres: cada um fala com os seus pares e produz propostas.
  4. Organizar por território Um conselho por círculo, aberto a quem vem de outros partidos, com fóruns, oficinas e reuniões públicas sobre os problemas locais.
  5. Mostrar Comícios grandes e organizados, discursos longos com números e humor, excertos para as redes, e atos só para mulheres com mulheres no palco.
  6. Recusar o atalho Nenhuma aliança com partidos ou personalidades do velho sistema, antes ou depois do voto.
  7. Converter a vitória em maioria Depois dos 42% nas presidenciais, dissolver o Parlamento de imediato e fazer uma campanha curta para dar ao presidente os meios de governar: 54 dias depois, 61,56%.
  8. Prestar contas Declarar as despesas, mostrar resultados e aceitar que a bandeira da limpeza será usada contra quem a levantou.

E recomeça.

Toolkit

O que é preciso para construir algo parecido: uma organização que dure entre eleições, uma frente que vá além dela, conselhos locais e…

O que é preciso para construir algo parecido: uma organização que dure entre eleições, uma frente que vá além dela, conselhos locais e canais próprios. Serve para uma nova frente eleitoral, um partido pequeno ou uma coligação cidadã, desde que respeites as regras desta página.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

O NPP juntou uma estrutura de quadros a uma frente aberta. A tensão entre as duas (quem decide e quem apenas apoia) é o principal ponto de atenção para quem copiar o modelo.

Funções essenciais

Núcleo organizador
Um grupo pequeno, disciplinado e estável que mantém a organização viva entre eleições, guarda a mensagem e decide prioridades. No caso, o JVP.
Coletivos setoriais
Grupos de profissionais (médicos, professores universitários, intelectuais, funcionários públicos, artistas) que produzem propostas, falam com os seus pares e dão credibilidade.
Coordenação de mulheres
Uma plataforma própria que organiza atos só para mulheres em cada distrito e garante mulheres no palco dos comícios gerais.
Conselhos de círculo
Um conselho por círculo que recebe ativistas locais, incluindo de outros partidos, discute problemas locais e organiza a campanha naquele território.
Equipa digital
Publica discursos e debates completos, corta excertos curtos para Facebook, YouTube e TikTok e alimenta grupos de WhatsApp de apoiantes.
Comícios e eventos
Logística de grandes atos, transmissão em ecrã gigante e formatos específicos (mulheres, jovens, cultura).
Diáspora
Apoiantes no estrangeiro que organizam encontros com dirigentes, reúnem recursos dentro da lei e conversam com a família no país.
Finanças e conformidade
Um fundo central de campanha, registo de despesas e entrega do relatório à autoridade eleitoral no prazo legal.

Ritmo

  1. Anos entre eleiçõesManter a mensagem, formar coletivos e conselhos, publicar discursos e debates com regularidade. Foi o trabalho de 2014 a 2024.
  2. Quando a rua explodeOs membros participam como cidadãos; a organização não põe bandeiras nem tenta dirigir. Escuta e regista o que as pessoas pedem.
  3. Meses antes da eleiçãoComícios por distrito, atos só de mulheres, encontros com a diáspora, manifestos setoriais.
  4. Campanha oficialCerca de oito semanas nas presidenciais (de 26 de julho a 21 de setembro de 2024); comícios diários e conteúdos diários nas redes.
  5. Período de reflexãoParar a publicação de campanha quando a lei o determina; a observação da UE registou campanhas que continuaram online no dia da votação.
  6. Entre duas eleições seguidas54 dias das presidenciais às legislativas: escolher candidatos novos, repetir a mensagem e pedir os meios para governar.

O NPP levou dez anos de mensagem constante e cinco de frente ampla para ganhar em dois meses. Quem tentar encurtar este tempo precisa de uma organização já existente em que se apoiar.

Plano B

  • Várias plataformas ao mesmo tempo (Facebook, YouTube, TikTok, WhatsApp): o governo já bloqueou as redes durante cerca de 15 horas em 2022.
  • Comícios e conselhos presenciais para quem não está online, perto de metade da população.
  • Uma rede territorial própria, para não depender da televisão que exclui.
  • Porta-vozes de vários perfis (dirigente do partido, académica, profissionais), para não depender de um só rosto.
  • Registo de despesas e donativos desde o primeiro dia, para responder às acusações de financiamento estrangeiro.
  • Apoio jurídico para a Online Safety Act e para incidentes de campanha.

Tecnologia

O NPP usou sobretudo plataformas gratuitas e o trabalho de militantes. Gastou menos de metade do segundo classificado nas presidenciais: o dinheiro foi para comícios e logística, segundo os relatórios oficiais; o detalhe por rubrica não foi publicado nas fontes consultadas.

  • Página e perfil no FacebookGrátis

    Discursos completos, transmissões em direto e excertos. No Sri Lanka, o canal principal de todas as campanhas.

  • Canal no YouTubeGrátis

    Discursos longos, debates e entrevistas, que circulam fora da televisão.

  • TikTokGrátis

    Excertos curtos de comícios e debates para eleitores jovens e de primeira votação.

  • Grupos de WhatsApp de apoiantesGrátis

    Distribuição de conteúdos e coordenação local, um grupo por conselho ou coletivo.

  • Transmissão em direto e ecrãs gigantesBaixo a médio

    Transmitir os grandes atos online e em ecrãs gigantes para quem não cabe no local.

  • Calendário de comícios e atos de mulheresLogística e transporte

    Mapa de comícios por distrito, com atos próprios para mulheres e para jovens.

  • Ficha de adesão aos conselhos locaisGrátis

    Um formulário simples para quem quer participar no conselho do seu círculo, com consentimento para contacto.

  • Base de contactos dos coletivosGrátis (folha de cálculo) ou baixo

    Quem é quem em cada coletivo e conselho, e o que cada pessoa pode fazer.

  • Fundo central e registo de despesasTrabalho de conformidade

    Uma só conta de campanha, registo de cada despesa e donativo, relatório à Comissão Eleitoral no prazo de 21 dias.

  • Escuta e verificaçãoGrátis a baixo

    Acompanhar ataques e boatos (como o de que Dissanayake proibiria o budismo) e responder com factos, em parceria com verificadores independentes.

  • Anúncios declaradosVariável

    Onde a lei permite, anúncios identificados e registados na biblioteca de anúncios da plataforma. A UE observou que só a do Facebook dava transparência.

  • Centro de denúncias de violações e site com assistenteBaixo a médio

    A 27 de julho de 2024, ao inaugurar o Centro de Políticas do NPP, Dissanayake prometeu uma campanha «não confrontacional», anunciou um centro para registar e tornar públicas as violações e lançou um site com IA para responder de imediato às perguntas dos eleitores.

Guias rápidos por canal

Colunas do registo do conselho local

Data · Círculo · Tipo de atividade (fórum, reunião, comício, porta a porta) · Pessoas presentes · Novos participantes · Vêm de outro partido? (sim/não) · Problema local levantado · Responsável pelo seguimento

Presidenciais de 2024: o NPP declarou Rs 528 milhões (cerca de 1,8 milhões de dólares), através do fundo central do partido e sem despesas pessoais do candidato; Premadasa declarou Rs 1,12 mil milhões e Wickremesinghe Rs 990 milhões. O teto legal era de 109 rupias por eleitor. A lei não limitava os donativos individuais nem obrigava a publicá-los antes do voto.

Comunicação

O NPP repetiu a mesma mensagem durante dez anos e fez da biografia do candidato e da recusa de alianças a prova dessa mensagem.

A fórmula de uma mensagem anticorrupção

  1. O problema Um facto que todos viveram, dito sem rodeios: a crise, as filas, a inflação.
  2. O culpado Um sistema, não uma etnia nem uma religião: a elite política que governa desde 1948.
  3. A prova de vida Porque somos diferentes: quem somos, de onde vimos, o que nunca fizemos.
  4. A recusa O que não faremos: alianças com os velhos partidos, compra de apoios, ataques comunitaristas.
  5. A proposta concreta Duas ou três medidas que mudam a vida: alívio imediato, escola e saúde públicas, fim da impunidade.
  6. O convite Uma forma de participar já: o conselho local, o coletivo, o comício.

Regras de escrita

  • Repete a mesma mensagem durante anos, em vez de a mudar a cada campanha.
  • Ataca o sistema e as práticas, nunca grupos étnicos ou religiosos.
  • Mostra números e domínio dos temas: o eleitor desconfiado quer saber se a frente sabe governar.
  • Usa humor nos debates, sem insultos pessoais.
  • Fala a cada setor na língua dele: médicos para médicos, professores para professores.
  • Põe mulheres no palco e organiza espaços só para elas.
  • Fala também em tâmil e nas regiões onde o partido nunca ganhou; pede adesão, não obediência.
  • Nunca prometas o que não vais cumprir: a bandeira da limpeza será usada contra ti.

Exemplo

Durante anos disseram-nos que a política é assim: as mesmas famílias, os mesmos acordos, as mesmas promessas. Não temos família política, não fizemos acordo com nenhum dos que nos trouxeram até esta crise e não o vamos fazer. Queremos três coisas: alívio já para quem não consegue pagar as contas, escolas e hospitais públicos que funcionem, e o fim da impunidade para quem roubou. Se concorda, venha à reunião do conselho do seu bairro na quinta-feira. Traga o problema da sua rua.

Levar para o teu contexto

Parte do que funcionou no Sri Lanka serve em qualquer lugar; outra parte dependeu de um colapso económico raro e de um partido de quadros…

Parte do que funcionou no Sri Lanka serve em qualquer lugar; outra parte dependeu de um colapso económico raro e de um partido de quadros com 50 anos de história. Separa as duas antes de copiar.

Funciona em qualquer lado

  • Construir a organização antes da crise: quem só se organiza quando a rua explode chega tarde.
  • Estar no protesto sem tentar capturá-lo nem pôr bandeiras.
  • Uma mensagem simples e constante sobre corrupção e mudança de sistema, sustentada pela biografia de quem a diz.
  • Coletivos por profissão e setor para ganhar credibilidade junto de quem desconfia de militantes.
  • Conselhos locais abertos a quem vem de outros partidos, com fóruns sobre os problemas do lugar.
  • Espaços próprios para mulheres e mulheres no palco.
  • Canais próprios em várias plataformas para não depender de uma comunicação social que exclui.
  • Despesas declaradas e transparência desde o início.
  • Depois de ganhar, pedir os meios para governar, mas preparar-se para ser julgado pela própria bandeira.

Depende do contexto

Um partido de quadros (JVP) com rede em quase todas as aldeias
Onde não existe, procura a organização mais próxima: sindicatos, associações de moradores, cooperativas, movimentos de igreja. Sem uma base que dure entre eleições, a frente ampla torna-se apenas uma lista.
Facebook e YouTube como canais principais
Usa a plataforma onde o teu público já está: WhatsApp e canais no Brasil, Telegram onde domina, Instagram e TikTok entre os mais jovens. Mantém mais de uma, porque os bloqueios acontecem.
Kottasha Sabhas por círculo eleitoral
Adapta ao teu mapa: núcleos por bairro, município, freguesia ou distrito. O que importa é haver um ponto de encontro local aberto a quem chega de fora do partido.
Diáspora que não vota no estrangeiro
Onde a diáspora vota nos consulados, organiza o recenseamento e o voto; onde não vota, pede-lhe conversas com a família, tempo e recursos dentro da lei.
Restrição ao porta a porta com mais de cinco pessoas
Verifica as regras de campanha do teu país; onde o porta a porta é livre, pode substituir parte dos comícios.
Colapso dos partidos tradicionais depois de uma revolta
Sem esse colapso, o método demora mais. Usa o tempo para crescer devagar e fica pronto para a próxima janela, sem a criar com mentiras.
Dissolução do Parlamento logo após as presidenciais
Depende do sistema constitucional. Onde as eleições são simultâneas ou fixas, a lição é outra: faz campanha por uma bancada a par do candidato.

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. Conselhos locais abertos a quem vem de fora

    Um conselho por círculo recebe ativistas locais (incluindo quem antes apoiava os grandes partidos), faz fóruns sobre os problemas do lugar e organiza ali a campanha, sem negociar cargos com dirigentes de fora. No Sri Lanka, os Kottasha Sabhas deram ao NPP alcance para lá da militância do JVP, e a frente passou de 3,84% em 2020 para 61,56% em novembro de 2024.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando os partidos tradicionais perdem a confiança e há pessoas nos bairros à procura de onde se juntar.
    Não usar quando
    Não funciona se abrir se torna partilha de lugares: aceitar dirigentes dos velhos partidos em troca de cargos destrói a prova de que são diferentes.
    1. Semana −78 Dividir o mapa por círculo e nomear um responsável em cada um
    2. Semana −78 Abrir uma ficha de adesão ao conselho local, com consentimento para contacto
    3. Semana −70 Abrir os conselhos a ativistas de outros partidos, sem negociar cargos
    4. Semana −60 Fazer um fórum público por conselho sobre um problema local
    5. Semana −52 Registar atividades, novos participantes e problemas levantados
    6. Semana −8 Na campanha, cada conselho organiza a campanha no seu território
    7. 12 semana(s) depois Depois da vitória, manter os conselhos ativos para ouvir e exigir contas

    Equipa

    • Responsável de círculo: convoca o conselho e garante o seguimento de cada problema
    • Acolhimento: recebe quem chega, incluindo de outros partidos, e atribui-lhe uma tarefa
    • Registo: anota atividades, novos participantes e problemas levantados

    O que medir: Novos participantes por conselho que vêm de fora do partido e voltam a uma segunda atividade, contados no registo do conselho.

    Riscos a vigiar: Uma frente aberta com decisões fechadas gera desconfiança: escreve como os conselhos participam nas decisões e trata a corrupção no próprio campo com o mesmo rigor.

  2. Coletivos de profissionais que falam aos pares

    Grupos de médicos, professores universitários, intelectuais, funcionários públicos, artistas e mulheres produzem propostas para o seu setor e falam com os seus pares, dando credibilidade onde o partido sozinho não chega. No Sri Lanka, a frente juntou 21 grupos em torno do JVP; Harini Amarasuriya, vinda da National Intellectuals Organization, teve 655 289 votos preferenciais em Colombo, recorde do distrito.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando profissionais e classe média desconfiam dos militantes, mas confiam em colegas que conhecem o problema por dentro.
    Não usar quando
    Não funciona se os coletivos são só fachada: sem regra escrita sobre como participam nas decisões, a frente ampla torna-se uma lista de nomes.
    1. Semana −100 Convidar coletivos de profissionais, professores, médicos, artistas e funcionários
    2. Semana −96 Combinar por escrito como os coletivos participam nas decisões
    3. Semana −80 Pedir a cada coletivo uma proposta concreta para o seu setor
    4. Semana −52 Manter a base de contactos: quem é quem em cada coletivo e o que pode fazer
    5. Semana −4 Publicar os manifestos setoriais antes da campanha
    6. Semana −3 Cada setor fala aos seus pares, na língua deles: médicos para médicos

    Equipa

    • Núcleo organizador: mantém a frente viva entre eleições e guarda a mensagem
    • Coordenação de cada coletivo: reúne o setor e entrega a proposta
    • Base de contactos: sabe quem é quem e o que cada pessoa pode fazer

    O que medir: Profissionais que entraram num coletivo e entregaram trabalho concreto (uma proposta setorial, um encontro com colegas), registados na base de contactos.

    Riscos a vigiar: Um núcleo disciplinado pode engolir a frente e decidir sem transparência: publica as regras de decisão e dá aos coletivos voz real, não só montra.

  3. Uma só mensagem, provada pela recusa

    A mesma mensagem (corrupção, mudança de sistema, nova cultura política) repetida durante anos em canais próprios, provada pela biografia de quem a diz e pela recusa pública de alianças com o velho sistema. No Sri Lanka, Dissanayake usava o Facebook desde cerca de 2014 para contornar a comunicação social que o excluía e passou de 3,16% em 2019 para 42,31% na primeira volta de 2024.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a raiva contra a corrupção é difusa e a grande imprensa te exclui, mas há tempo para repetir a mesma ideia até a janela se abrir.
    Não usar quando
    Não funciona se a mensagem muda a cada campanha ou se o culpado passa a ser uma etnia ou religião: isso é política comunal, uma linha vermelha.
    1. Semana −104 Escrever a mensagem numa frase: o problema, o culpado (um sistema) e a promessa
    2. Semana −104 Listar as linhas vermelhas: alianças com quem causou o problema, ataques comunais
    3. Semana −100 Abrir canais próprios em pelo menos duas plataformas e publicar com regularidade
    4. Semana −52 Publicar discursos e debates completos, com números e humor
    5. Semana −8 Na campanha, cortar excertos diários para cada plataforma
    6. Semana −4 Montar escuta de boatos e responder com factos, com verificadores independentes
    7. Semana do dia D Respeitar o período de reflexão, também online

    Equipa

    • Porta-vozes de vários perfis (dirigente, académica, profissionais): repetem a mesma mensagem
    • Equipa digital: publica discursos completos e corta excertos para cada plataforma
    • Escuta e verificação: acompanha boatos e responde com factos

    O que medir: Pessoas que, depois de um discurso ou excerto, se inscreveram num conselho local ou coletivo, contadas pela ficha de adesão com a origem, e não partilhas.

    Riscos a vigiar: Quem ganha com a bandeira da limpeza é julgado por ela: o NPP caiu para 43,26% seis meses depois. Promete só o que vais cumprir e nunca uses páginas anónimas nem perfis falsos.

  4. Comícios só de mulheres e oradoras em cada ação

    Uma plataforma de mulheres com coordenação própria organiza comícios só para mulheres em cada distrito e garante oradoras nas ações gerais. No Sri Lanka, 73% das ações de campanha de Dissanayake tiveram oradoras, segundo a observação da UE, que viu metade dos comícios observados sem nenhuma mulher a falar; os comícios de mulheres juntaram milhares, sobretudo em zonas rurais, e em novembro de 2024 foram eleitas 21 mulheres, um recorde.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona onde as mulheres foram centrais na mobilização, mas quase nunca falam nos palcos da política.
    Não usar quando
    Não funciona como enfeite: pôr mulheres no palco sem coordenação própria nem lugar nas listas é só imagem.
    1. Semana −52 Criar uma plataforma de mulheres com coordenação própria
    2. Semana −40 Montar o calendário de comícios só de mulheres por distrito
    3. Semana −30 Formar oradoras locais para falar nas ações
    4. Semana −8 Garantir oradoras em todas as ações gerais da campanha
    5. Semana −8 Transmitir os comícios e cortar excertos para as redes
    6. 8 semana(s) depois Pôr candidatas nas listas da eleição seguinte

    Equipa

    • Coordenação de mulheres: organiza os comícios e escolhe as oradoras
    • Comícios e eventos: trata da logística, da transmissão e dos ecrãs gigantes
    • Formação: prepara oradoras que nunca falaram em público

    O que medir: Mulheres que falaram pela primeira vez num palco da campanha e mulheres que entraram num conselho ou coletivo depois de um comício, contadas por distrito.

    Riscos a vigiar: O assédio online afasta as mulheres da política: planeia moderação, segurança e apoio às oradoras antes de as pôr em destaque.

  5. Fundo central e despesas declaradas

    Uma só conta de campanha, cada despesa e donativo registados desde o primeiro dia e relatório entregue no prazo e publicado mesmo quando a lei não obriga. No Sri Lanka, o NPP declarou 528 milhões de rupias na presidencial, pelo fundo central e sem despesas pessoais do candidato, contra 1120 milhões de Premadasa, e respondeu com documentos às suspeitas de dinheiro estrangeiro.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a tua mensagem é anticorrupção e os adversários te vão acusar de financiamento oculto ou estrangeiro.
    Não usar quando
    Não funciona se o dinheiro passa por contas pessoais ou se a diáspora doa sem que se confirme o que a lei permite.
    1. Semana −26 Abrir uma só conta de campanha num fundo central
    2. Semana −26 Confirmar com um advogado o que a lei permite à diáspora e a doadores de fora
    3. Semana −20 Registar cada despesa e donativo no dia em que acontece
    4. Semana −8 Responder às acusações de financiamento estrangeiro com documentos
    5. Semana −1 Publicar os donativos antes do voto, mesmo sem a lei obrigar
    6. 3 semana(s) depois Entregar o relatório à autoridade eleitoral no prazo e publicá-lo

    Equipa

    • Finanças e conformidade: mantém o fundo central e o registo de despesas
    • Advogado: confirma limites de despesa e regras para doadores de fora
    • Diáspora: junta recursos só dentro da lei e documenta cada envio

    O que medir: Donativos e despesas registados com comprovativo no próprio dia, em proporção ao total, e relatório entregue no prazo legal.

    Riscos a vigiar: Onde a autoridade eleitoral não audita, a suspeita fica no ar: publica por iniciativa própria e trata qualquer irregularidade interna às claras e depressa.

Praticar

Treina com as missões e situações do caso.

Decidir como o NPP

Seis momentos entre 2022 e 2024. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano em cinco fases

A sequência do NPP, condensada numa lista de verificação.

A sequência do NPP, condensada numa lista de verificação. Lá levou cinco anos de frente e dois meses de campanha decisiva; ajusta os prazos ao teu calendário. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. 1. O núcleo e a mensagem

  2. 2. A frente ampla

  3. 3. O território

  4. 4. A campanha

  5. 5. Depois da vitória

Regras

O capital do NPP era a imagem de limpeza.

O capital do NPP era a imagem de limpeza. Estas regras protegem-na.

Dinheiro às claras
Fundo central, registo de cada despesa e donativo e relatório à autoridade eleitoral no prazo (no Sri Lanka, 21 dias após o resultado). Mesmo onde a lei não obriga a publicar os donativos antes do voto, publica-os.
Sem dinheiro estrangeiro ilegal
Confirma o que a lei do teu país permite à diáspora e a doadores de fora, e documenta-o. As acusações de financiamento estrangeiro são comuns e precisam de resposta com papéis.
Regras de campanha locais
Limites de despesas, regras de porta a porta (no Sri Lanka, grupos de mais de cinco pessoas eram restringidos), cartazes e período de reflexão variam. Confirma com um advogado.
Só gente real
Nada de páginas anónimas, perfis falsos, bots, seguidores comprados ou ataques plantados em grupos de entretenimento e mexericos.
Sem política comunitarista
Ataca práticas e sistemas, nunca etnias ou religiões. Num país marcado por uma guerra civil, isto é uma linha vermelha.
Factos com fonte
Acusações de corrupção só com documentos ou decisões públicas. As insinuações minam a mensagem de limpeza.
Consentimento
Envia mensagens só a quem deu o contacto e autorizou; a proteção de dados (RGPD, LGPD ou a lei local) aplica-se a campanhas e frentes.
Liberdade de expressão
Leis como a Online Safety Act podem ser usadas contra críticos. Quem promete mudar o sistema deve defender o direito de crítica também quando estiver no governo.
Não violência
A violência de 9 de maio de 2022 afastou a classe média da Aragalaya e deu ao governo a narrativa que queria. Nenhuma forma de violência, nem de retaliação.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não se copia depressa
A rede do JVP levou décadas a construir e chega a quase todas as aldeias cingalesas; fora dos seus grupos, o NPP tinha pouca organização local. Sem uma base assim, o resto do método perde força.
A disciplina tem custo democrático
O JVP funciona por centralismo democrático e as decisões internas são pouco transparentes. Em 2026, analistas ainda debatiam se o JVP tinha «engolido» o NPP e apontavam a influência de Tilvin Silva como quase igual à do presidente.
A Aragalaya não chegou ao poder
Poucos jovens da Aragalaya chegaram ao governo ou às primeiras filas da oposição; mais de 70% dos 159 deputados do NPP têm mais de 45 anos.
A bandeira da limpeza vira-se contra ti
A 10 de abril de 2026, o NPP votou contra uma moção de censura (153 contra 49) que pedia a demissão do ministro da Energia, Kumara Jayakody, que a comissão anticorrupção (CIABOC) tinha decidido acusar formalmente, decisão reafirmada no fim de fevereiro. A oposição e ativistas anticorrupção apontam também suspeitas de favorecimento em compras de carvão, veículos e passaportes.
Mudar o sistema é mais lento do que o prometido
O governo manteve o programa do FMI com mudanças marginais e não avançou com a nova Constituição. Em abril de 2026, o International Crisis Group pediu que o projeto de lei antiterrorismo do governo fosse retirado ou emendado para eliminar a ameaça que representa para as normas democráticas; em junho, o ministro da Justiça prometeu revogar a PTA ainda em 2026 e substituí-la por uma lei revista.
O apoio cai depressa
De 61,56% em novembro de 2024 para 43,26% nas locais de maio de 2025, com uma participação de 61,88%. Em julho de 2026, a maioria ainda aprovava o presidente, mas mais de metade dizia que as finanças do agregado familiar tinham piorado.
Os choques externos testam a máquina
O ciclone Ditwah, no fim de novembro de 2025, matou mais de 800 pessoas e causou cerca de 4,1 mil milhões de dólares em perdas; a resposta lenta foi atribuída em parte à inexperiência do governo.
Minorias e responsabilização
Famílias tâmeis de desaparecidos e ativistas no Norte continuaram a sofrer assédio de militares e da polícia antiterrorista, e o governo não deu passos claros sobre os crimes da guerra. Nas locais de 2025, os partidos tâmeis recuperaram terreno no Norte.
A campanha online também foi dura
Dissanayake foi o candidato mais atacado online, mas a sua própria campanha também usou com frequência mensagens negativas contra os adversários.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Qual foi a atitude do NPP durante a Aragalaya de 2022?
2. O que eram os Kottasha Sabhas?
3. Como respondeu o NPP à exclusão dos grandes órgãos de comunicação social?
4. O que fez Dissanayake depois de ganhar a presidência com 42,31% na primeira contagem?
5. O que mostram as eleições locais de 6 de maio de 2025?

Fontes

Playbook construído com relatos de participantes da Aragalaya e de apoiantes do NPP, declarações de dirigentes, relatórios de observação…

Playbook construído com relatos de participantes da Aragalaya e de apoiantes do NPP, declarações de dirigentes, relatórios de observação eleitoral (UE, PAFFREL), dados oficiais e análises de investigadores do Sri Lanka publicados entre julho de 2022 e outubro de 2026. Todas as páginas foram abertas e lidas a 26 de outubro de 2026.

44 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Channa udeepa jayawardhane, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 26 de outubro de 2026

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