Em 30 segundos
3,16% em 2019, 42,31% no 1º turno presidencial de 21/9/2024 (55,89% após as segundas preferências): o NPP elegeu Anura Kumara Dissanayake presidente.
159 de 225 cadeiras. Em 14/11/2024, o NPP teve 61,56% nas legislativas, dois anos depois de a Aragalaya forçar a renúncia de Gotabaya Rajapaksa.
Militantes disciplinados em quase todas as aldeias cingalesas, coletivos de profissionais e mulheres e uma só mensagem: acabar com a corrupção, sem alianças com velhos partidos.
Queda para 43,26% nas eleições locais de maio de 2025.
A Aragalaya abriu a janela; quem passou foi uma organização presente em quase todas as aldeias.
Os primeiros passos
- Definir um núcleo organizador estável, que funcione entre eleições
- Escrever a mensagem em uma frase: o problema, o culpado (um sistema) e a promessa
- Listar o que vocês nunca farão: alianças com quem causou o problema, ataques comunais, contas falsas
Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos
Quem fez
A vitória de 2024 tem duas linhagens: a Aragalaya, que se recusou a ter líderes, e o NPP, que já existia e esperou o momento.
A vitória de 2024 tem duas linhagens: a Aragalaya, que se recusou a ter líderes, e o NPP, que já existia e esperou o momento. Os relatos abaixo vêm de ambas. Há poucos relatos públicos e detalhados dos organizadores do NPP sobre a máquina de campanha; onde faltam, o playbook avisa.
Anura Kumara Dissanayake (AKD)
Líder do JVP desde 2014 e do NPP desde 2019; presidente desde 23 set. 2024
Usou o Facebook desde por volta de 2014 para falar por cima de uma mídia que o ignorava, fez a ronda da diáspora em 2023–2024 e encabeçou a campanha sem declarar gastos pessoais.
FontesHarini Amarasuriya
Antropóloga, sindicalista universitária, vice-secretária do NPP; primeira-ministra desde 24 set. 2024
Entrou pela National Intellectuals Organization em 2019 e, segundo analistas, ajudou a tornar o NPP confiável para profissionais e classe média; em 2024 teve 655.289 votos preferenciais em Colombo, recorde do distrito.
FontesTilvin Silva
Secretário-geral do JVP, partido que é o núcleo do NPP
Dirige a organização partidária de Pelawatte, cuja rede disciplinada chega a quase todas as aldeias; resumiu as prioridades do novo governo em desenvolvimento, fim da corrupção e democracia com prestação de contas.
FontesRuwanthie de Chickera
Dramaturga e diretora de teatro; coordenadora na GotaGoGama (2022)
Descreveu por dentro como a aldeia de protesto da Galle Face nasceu sem organização formal e se manteve descentralizada, com biblioteca, “parlamento do povo”, posto médico e escola.
FontesMangala Jayasekera
Técnico de dados em Brisbane; organizador na diáspora australiana
Ajudou a organizar encontros comunitários pela Austrália, alguns com Dissanayake vindo do Sri Lanka para falar à diáspora.
FontesSulochana Peiris
Documentarista, autora de #GoHomeGota
Filmou a Aragalaya enquanto acontecia, juntou imagens de outros participantes e fez do filme uma ferramenta para ensinar como um movimento de protesto se organiza.
FontesRamindu Perera
Sociólogo da Open University of Sri Lanka
Documentou a rede de Kottasha Sabhas (conselhos de circunscrição) e os comícios só de mulheres que reuniram milhares de pessoas, sobretudo em zonas rurais.
FontesSanjana Hattotuwa
Pesquisador de mídias sociais e desinformação (Groundviews)
Analisou o debate no Facebook sobre os candidatos de 2024 e o papel das redes na mobilização da Aragalaya.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Paráfrases de entrevistas e declarações de participantes da Aragalaya, dirigentes do NPP e apoiadores.
Paráfrases de entrevistas e declarações de participantes da Aragalaya, dirigentes do NPP e apoiadores. Citações curtas estão entre aspas e traduzidas.
No começo não havia organização nenhuma: as pessoas vieram sozinhas e, à noite, armaram barracas. Quando o Parlamento convidou 20 representantes para conversar, recusaram, porque “ninguém está liderando isto”.
Ruwanthie de Chickera, coordenadora na GotaGoGama, The Week, “People came in by themselves”, 19 jul. 2022
Não havia dinheiro para fretar ônibus. O trabalho do núcleo foi informar as pessoas dos seus direitos e dar coragem ao movimento — o resto, diz ela, as redes sociais fizeram ao expor a reação do presidente.
Ruwanthie de Chickera, The Week, 19 jul. 2022
Resumiu a ausência de líderes numa frase: “foi a maior força e a maior fraqueza” do movimento.
Ativista da Aragalaya ouvido pela Carnegie, David G. Timberman, Carnegie Endowment, 27 ago. 2025
Defendia que o mandato do protesto estava na rua, não no Parlamento — uma posição que deixou a Aragalaya sem peso na sucessão de Rajapaksa.
Wasantha Mudalige, dirigente da Federação Interuniversitária de Estudantes (IUSF), Citado em Carnegie Endowment, 27 ago. 2025
Mais 7 citações
A “mudança de sistema” que todos pediam nunca foi definida com clareza, porque os grupos tinham ideologias diferentes. Mas ficou mais consciência política na base e conselhos populares que recolhem as aspirações das pessoas.
Sulochana Peiris, documentarista, Groundviews, “Documenting and Understanding a People's Uprising”, 7 fev. 2024
Na campanha, respondeu às suspeitas sobre o dinheiro do NPP: “nenhum país estrangeiro me financia”; as viagens à China e à Índia foram pagas pelos governos que o convidaram.
Anura Kumara Dissanayake, Daily Mirror, 6 ago. 2024
Pediu ao Norte tâmil que fosse “parte interessada nesta mudança” — um apelo que críticos tâmeis leram como pressão, e não como convite.
Anura Kumara Dissanayake, em comício em Jaffna, Tamil Guardian, 6 set. 2024
A cultura política não incentiva pessoas com princípios a entrar na política, e o assédio online afasta as mulheres dos cargos públicos.
Harini Amarasuriya, então candidata pela lista nacional do NPP, Daily Mirror, 16 jul. 2020
As prioridades do novo governo: desenvolver o país, erradicar a corrupção e aprofundar a democracia com prestação de contas.
Tilvin Silva, secretário-geral do JVP, Citado em Jacobin, 22 nov. 2024
O que convenceu a diáspora foi a biografia: Dissanayake “veio do nada”, sem escola privada cara nem família política — para ele, “um cara limpo”.
Mangala Jayasekera, organizador na diáspora em Brisbane, ABC News (Austrália), 25 set. 2024
Num comício entre as duas eleições, disse que o NPP não foi feito pela grande mídia: foram jovens, no país e fora, “com as suas telas de 4 polegadas”.
Bimal Rathnayake, deputado e dirigente do NPP, Vídeo de comício traduzido por Sanjana Hattotuwa, Groundviews, 26 nov. 2024
A história
Em 2019, Gotabaya Rajapaksa foi eleito com 6,9 milhões de votos.
Em 2019, Gotabaya Rajapaksa foi eleito com 6,9 milhões de votos. Três anos depois, sem combustível, sem gás e com inflação recorde, centenas de milhares de pessoas o expulsaram. O NPP não comandou a revolta, mas era a organização pronta para recolher a vontade de “mudar o sistema”.
- 3,16% → 42,31%
- de Dissanayake na eleição presidencial de 2019 e no 1.º turno de 21 set. 2024oficial
- 61,56%
- e 6,86 milhões de votos para o NPP nas legislativas de 14 nov. 2024 (3,84% em 2020)oficial
- 21
- mulheres eleitas para o Parlamento em 2024, o maior número da históriaoficial
- Rs 528 milhões
- gastos pelo NPP na campanha presidencial, contra Rs 1,12 bilhão de Premadasa (relatórios à Comissão Eleitoral)dado da campanha
Do acampamento ao governo
- 2014–2019Dissanayake assume a liderança do JVP em 2 de fevereiro de 2014 e começa a usar o Facebook para contornar a mídia. Em 13 de julho de 2019, o JVP e mais de 20 grupos fundam o NPP; em novembro, Dissanayake tem 3,16%.
- ago. 2020Legislativas: o NPP fica com 3,84% e 3 cadeiras. Harini Amarasuriya entra no Parlamento pela lista nacional.
- 31 mar.–9 abr. 2022Protesto perto da casa do presidente em Mirihana; em 3 de abril, o governo bloqueia as redes sociais por cerca de 15 horas. Em 9 de abril nasce a GotaGoGama, a aldeia de protesto na Galle Face; o #GoHomeGota se espalha pelo Facebook e pelo Twitter.
- 9 mai. 2022Apoiadores do governo atacam os acampamentos; depois vem a violência de retaliação contra casas de deputados. O primeiro-ministro Mahinda Rajapaksa renuncia nessa noite.
- 9–22 jul. 2022Manifestantes ocupam a residência e o gabinete do presidente; Gotabaya foge em 13 de julho e renuncia. O Parlamento elege Ranil Wickremesinghe, e em 22 de julho as tropas desalojam o acampamento.
- 2023–mar. 2024O NPP monta Kottasha Sabhas (conselhos de circunscrição), lança uma plataforma de mulheres com comícios em todo o país e faz a ronda da diáspora: EUA em 2023, Toronto e Vancouver em março de 2024.
- 26 ago. 2024Lançamento do manifesto presidencial. O NPP também publica um manifesto separado para pessoas com deficiência, o primeiro do gênero no país.
- 21–24 set. 2024Dissanayake tem 42,31% no primeiro turno e 55,89% depois da contagem das segundas preferências; toma posse em 23 de setembro. No dia 24, nomeia Harini Amarasuriya primeira-ministra e dissolve o Parlamento.
- 14 nov. 2024Em 54 dias, o NPP passa de 42% para 61,56%: 159 de 225 cadeiras, vitória em 21 de 22 distritos (incluindo Jaffna, pela primeira vez para um partido não tâmil) e 21 mulheres eleitas.
- 6 mai. 2025Eleições locais: o NPP vence a maioria dos conselhos, mas cai para 43,26%, com comparecimento de 61,88%.
Três camadas
O NPP funcionava em três camadas sobrepostas.
- O núcleo: JVPUm partido marxista-leninista de quadros, com disciplina rígida e uma rede hierárquica que chega a quase todas as aldeias, sobretudo nas zonas cingalesas. Dá a infraestrutura, a militância e a decisão centralizada.
- A frente: 21 grupos e coletivosNational Intellectuals Organization, Doctors for Social Justice, University Teachers for Social Justice, Progressive Women's Collective, artistas, sindicatos, servidores públicos e monges. Dá credibilidade junto a profissionais e à classe média.
- O território: Kottasha SabhasConselhos por circunscrição, abertos a ativistas locais que antes apoiavam os grandes partidos, com espaços para mulheres e pessoas com deficiência. Dão alcance além da militância do JVP.
O que não se sabe. Os números eleitorais são oficiais (Comissão Eleitoral, via relatórios de observação e enciclopédias).
Não foram encontrados relatos detalhados e públicos dos organizadores do NPP sobre a máquina digital (número de voluntários, redes de criadores de conteúdo, orçamento de anúncios ou peso das pequenas doações), por isso este playbook não os quantifica. O dirigente Bimal Rathnayake atribuiu a vitória a jovens com celulares, sem dar números. Os relatórios de gastos são declarados pelos próprios partidos e a Comissão não tem poder legal para os auditar. O efeito isolado das redes, dos comícios de mulheres ou dos Kottasha Sabhas no resultado não foi medido: o colapso dos partidos tradicionais e a crise pesaram tanto quanto o método.
O terreno
O Sri Lanka de 2022–2024 saía da pior crise econômica da sua história independente, com uma mídia de TV alinhada aos grandes partidos e uma…
O Sri Lanka de 2022–2024 saía da pior crise econômica da sua história independente, com uma mídia de TV alinhada aos grandes partidos e uma internet que chegava a pouco mais de metade da população. O NPP combinou redes sociais, comícios e uma rede militante de aldeia em aldeia.
Plataformas
- Canal principal das três campanhas mais fortes; cerca de 8,5 milhões de usuários no país (estimativa de 2023). Dissanayake o usava desde por volta de 2014 para chegar a quem a TV não lhe dava acesso. Na campanha de 2024, foi o único dos três favoritos cujo número de seguidores cresceu muito, e os seus posts eram compartilhados quase o dobro das vezes (missão de observação da UE).
- YouTube
- Junto com o Facebook, a plataforma mais popular do país. Discursos longos e debates, em que os dirigentes do NPP mostravam domínio dos temas e humor, circulavam ali e fora da TV.
- TikTok
- A rede que mais cresce e, segundo a observação da UE, a principal via para chegar aos jovens; com cerca de 1 milhão de novos eleitores em 2024, segundo estimativa citada por Hattotuwa, era o terreno da primeira votação.
- O aplicativo de mensagens mais usado; os partidos mantinham muitos grupos de apoiadores para distribuir conteúdo e coordenar.
- Comícios e telões
- Os três favoritos fizeram grandes comícios; o NPP transmitia atos em telão (como no 1.º de Maio em Colombo) e criou comícios distritais só para mulheres.
- Encontros com a diáspora
- Dissanayake fez rondas por cidades dos EUA em 2023 e por Toronto e Vancouver em março de 2024, além de encontros organizados por apoiadores na Austrália. O objetivo eram recursos, influência sobre a família e imagem, e não o voto (votar exige ir ao país).
Condições locais
- Crise econômica: inflação de 74% em setembro de 2022 e, em junho daquele ano, 6,3 milhões de pessoas (28% da população) em insegurança alimentar moderada ou grave.
- Conectividade desigual: cerca de 56,3% da população com acesso à internet em 2024 e alfabetização digital de 68%; nas zonas rurais e nas plantações, muito menor.
- Mídia enviesada: a TV Hiru deu a Premadasa metade do seu noticiário do horário nobre em tom positivo; a estatal Rupavahini favoreceu o presidente em exercício; o NPP era excluído da grande mídia.
- Lei restritiva: a Online Safety Act (janeiro de 2024) criminaliza “declarações falsas” sem definir o termo; em abril de 2022, o governo bloqueou redes sociais e mensagens por cerca de 15–16 horas.
- Regras de campanha: porta a porta com mais de cinco pessoas restrito por lei, cartazes e bandeiras só em comícios e escritórios, silêncio eleitoral antes do voto e limite de gastos de 109 rúpias por eleitor.
- Sistema eleitoral: presidente com voto de preferência (em 2024, pela primeira vez, foi preciso contar as segundas preferências) e Parlamento proporcional por distrito com voto preferencial em candidatos.
- Peso da história: o JVP liderou insurreições armadas em 1971 e no fim dos anos 1980, que mataram milhares; o partido teve de convencer eleitores de que mudara.
- Divisão étnica: os tâmeis são cerca de 12% da população; o Norte e o Leste nunca tinham votado num partido do Sul, e a Aragalaya teve pouca participação no Norte.
O método
A Aragalaya espalhou a raiva contra a corrupção por todo o país.
A Aragalaya espalhou a raiva contra a corrupção por todo o país. O NPP tinha uma organização pronta, ampliou-a para além do partido e manteve uma só mensagem durante anos, até a janela abrir.
Três frentes
- Organização antes do momento
- Uma rede militante com presença em quase todas as aldeias, uma frente de 21 grupos e conselhos locais construídos de 2019 a 2024. Quando o sistema de partidos ruiu, havia gente em cada lugar para receber quem chegava.
- Uma só mensagem, com prova de vida
- Corrupção, “mudança de sistema” e uma nova cultura política, repetidas desde 2014. A prova era a própria biografia: um candidato filho de família pobre de Anuradhapura, educado na escola pública, sem família política, e a recusa de alianças com figuras dos velhos partidos.
- Canais próprios onde a mídia exclui
- Facebook e YouTube para discursos e debates, TikTok para os jovens, grupos de WhatsApp para distribuir, comícios transmitidos em telão, comícios só de mulheres e a diáspora falando com a família no país.
O ciclo da campanha
Reconstruído a partir do que o NPP fez entre 2022 e 2024.
- Estar sem capturar Durante a Aragalaya, membros do NPP participaram, mas o partido evitou presença organizada, para não parecer que queria controlar o protesto.
- Nomear a raiva Transformar a revolta difusa num enquadramento simples e repetido: corrupção, elite que capturou a política desde 1948, “limpar o Parlamento”.
- Organizar por setor Coletivos de profissionais, professores universitários, médicos, artistas, servidores e mulheres: cada um fala com os seus pares e produz propostas.
- Organizar por território Um conselho por circunscrição, aberto a quem vem de outros partidos, com fóruns, oficinas e reuniões públicas sobre os problemas locais.
- Mostrar Comícios grandes e organizados, discursos longos com números e humor, recortes para as redes, e atos só para mulheres com mulheres no palco.
- Recusar o atalho Nenhuma aliança com partidos ou personalidades do velho sistema, antes ou depois do voto.
- Converter a vitória em maioria Depois dos 42% da presidencial, dissolver o Parlamento logo e fazer uma campanha curta para dar ao presidente os meios de governar: 54 dias depois, 61,56%.
- Prestar contas Declarar os gastos, mostrar resultados e aceitar que a bandeira da limpeza será usada contra quem a levantou.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para construir algo parecido: uma organização que dure entre eleições, uma frente que vá além dela, conselhos locais e…
O que é preciso para construir algo parecido: uma organização que dure entre eleições, uma frente que vá além dela, conselhos locais e canais próprios. Serve para uma frente eleitoral nova, um partido pequeno ou uma coligação cidadã, desde que respeite as regras desta página.
Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
O NPP juntou uma estrutura de quadros a uma frente aberta. A tensão entre as duas (quem decide e quem só apoia) é o principal ponto de atenção para quem copiar o modelo.
Funções essenciais
- Núcleo organizador
- Um grupo pequeno, disciplinado e estável que mantém a organização viva entre eleições, guarda a mensagem e decide prioridades. No caso, o JVP.
- Coletivos setoriais
- Grupos de profissionais (médicos, professores universitários, intelectuais, servidores, artistas) que produzem propostas, falam com os seus pares e dão credibilidade.
- Coordenação de mulheres
- Uma plataforma própria que organiza atos só para mulheres em cada distrito e garante mulheres no palco dos comícios gerais.
- Conselhos de circunscrição
- Um conselho por circunscrição que recebe ativistas locais, inclusive de outros partidos, discute problemas locais e organiza a campanha naquele território.
- Equipe digital
- Publica discursos e debates completos, corta trechos curtos para Facebook, YouTube e TikTok e alimenta grupos de WhatsApp de apoiadores.
- Comícios e eventos
- Logística de grandes atos, transmissão em telão e formatos específicos (mulheres, jovens, cultura).
- Diáspora
- Apoiadores no exterior que organizam encontros com dirigentes, juntam recursos dentro da lei e conversam com a família no país.
- Finanças e conformidade
- Um fundo central de campanha, registro de despesas e entrega do relatório à autoridade eleitoral no prazo legal.
Ritmo
- Anos entre eleiçõesManter a mensagem, formar coletivos e conselhos, publicar discursos e debates com regularidade. Foi o trabalho de 2014 a 2024.
- Quando a rua explodeOs membros participam como cidadãos; a organização não põe bandeiras nem tenta dirigir. Escuta e registra o que as pessoas pedem.
- Meses antes da eleiçãoComícios por distrito, atos só de mulheres, encontros com a diáspora, manifestos setoriais.
- Campanha oficialCerca de oito semanas na presidencial (de 26 de julho a 21 de setembro de 2024); comícios diários e conteúdo diário nas redes.
- Silêncio eleitoralParar a publicação de campanha quando a lei manda; a observação da UE registrou campanhas que continuaram online no dia do voto.
- Entre duas eleições seguidas54 dias da presidencial às legislativas: escolher candidatos novos, repetir a mensagem e pedir os meios para governar.
O NPP levou dez anos de mensagem constante e cinco de frente ampla para ganhar em dois meses. Quem tenta encurtar este tempo precisa de uma organização já existente para se apoiar.
Plano B
- Várias plataformas ao mesmo tempo (Facebook, YouTube, TikTok, WhatsApp): o governo já bloqueou as redes por cerca de 15 horas em 2022.
- Comícios e conselhos presenciais para quem não está online, perto de metade da população.
- Uma rede territorial própria, para não depender da TV que exclui.
- Porta-vozes de vários perfis (dirigente do partido, acadêmica, profissionais), para não depender de um só rosto.
- Registro de gastos e doações desde o primeiro dia, para responder às acusações de financiamento estrangeiro.
- Apoio jurídico para a Online Safety Act e para incidentes de campanha.
Tecnologia
O NPP usou sobretudo plataformas gratuitas e o trabalho de militantes. Gastou menos da metade do segundo colocado na presidencial: o dinheiro foi para comícios e logística, segundo os relatórios oficiais; o detalhe por rubrica não foi publicado nas fontes consultadas.
- Página e perfil no FacebookGrátis
Discursos completos, transmissões ao vivo e recortes. No Sri Lanka, o canal principal de todas as campanhas.
- Canal no YouTubeGrátis
Discursos longos, debates e entrevistas, que circulam fora da TV.
- TikTokGrátis
Recortes curtos de comícios e debates para eleitores jovens e de primeira viagem.
- Grupos de WhatsApp de apoiadoresGrátis
Distribuição de conteúdo e coordenação local, um grupo por conselho ou coletivo.
- Transmissão ao vivo e telõesBaixo a médio
Transmitir os grandes atos online e em telões para quem não cabe no local.
- Calendário de comícios e atos de mulheresLogística e transporte
Mapa de comícios por distrito, com atos próprios para mulheres e para jovens.
- Ficha de adesão aos conselhos locaisGrátis
Um formulário simples para quem quer participar do conselho da sua circunscrição, com consentimento para contato.
- Base de contatos dos coletivosGrátis (planilha) ou baixo
Quem é quem em cada coletivo e conselho, com o que cada pessoa pode fazer.
- Fundo central e registro de despesasTrabalho de conformidade
Uma só conta de campanha, registro de cada despesa e doação, relatório à Comissão Eleitoral no prazo de 21 dias.
- Escuta e verificaçãoGrátis a baixo
Acompanhar ataques e boatos (como o de que Dissanayake proibiria o budismo) e responder com fatos, em parceria com verificadores independentes.
- Anúncios declaradosVariável
Onde a lei permite, anúncios com identificação e registro na biblioteca de anúncios da plataforma. A UE observou que só a do Facebook dava transparência.
- Central de denúncias de violações e site com assistenteBaixo a médio
Em 27 de julho de 2024, ao inaugurar o Centro de Políticas do NPP, Dissanayake prometeu uma campanha “não confrontacional”, anunciou uma central para registrar e tornar públicas as violações e lançou um site com IA para responder na hora às perguntas dos eleitores.
Colunas do registro do conselho local
Data · Circunscrição · Tipo de atividade (fórum, reunião, comício, porta a porta) · Pessoas presentes · Novos participantes · Vêm de outro partido? (sim/não) · Problema local levantado · Responsável pelo seguimento
Presidencial de 2024: o NPP declarou Rs 528 milhões (cerca de US$ 1,8 milhão), pelo fundo central do partido e sem gastos pessoais do candidato; Premadasa declarou Rs 1,12 bilhão e Wickremesinghe Rs 990 milhões. O teto legal era de 109 rúpias por eleitor. A lei não limitava doações individuais nem exigia publicá-las antes do voto.
Comunicação
O NPP repetiu a mesma mensagem durante dez anos e fez da biografia do candidato e da recusa de alianças a prova dessa mensagem.
A fórmula de uma mensagem anticorrupção
- O problema Um fato que todos viveram, dito sem rodeios: a crise, as filas, a inflação.
- O culpado Um sistema, não uma etnia nem uma religião: a elite política que governa desde 1948.
- A prova de vida Por que nós somos diferentes: quem somos, de onde vimos, o que nunca fizemos.
- A recusa O que não faremos: alianças com os velhos partidos, compra de apoio, ataques comunais.
- A proposta concreta Duas ou três medidas que mudam a vida: alívio imediato, escola e saúde públicas, fim da impunidade.
- O convite Uma forma de participar já: o conselho local, o coletivo, o comício.
Regras de escrita
- Repita a mesma mensagem durante anos, em vez de mudá-la a cada campanha.
- Ataque o sistema e as práticas, nunca grupos étnicos ou religiosos.
- Mostre números e domínio dos temas: o eleitor desconfiado quer saber se você sabe governar.
- Use humor nos debates, sem insultos pessoais.
- Fale para cada setor na língua dele: médicos para médicos, professores para professores.
- Ponha mulheres no palco e organize espaços só para elas.
- Fale também em tâmil e nas regiões onde o seu partido nunca ganhou; peça adesão, não obediência.
- Nunca prometa o que não vai cumprir: a bandeira da limpeza será usada contra você.
Exemplo
Durante anos nos disseram que a política é assim: as mesmas famílias, os mesmos acordos, as mesmas promessas. Nós não temos família política, não fizemos acordo com nenhum dos que nos trouxeram até esta crise e não vamos fazer. Queremos três coisas: alívio já para quem não consegue pagar as contas, escola e hospital públicos que funcionem, e o fim da impunidade para quem roubou. Se você concorda, venha à reunião do conselho do seu bairro na quinta-feira. Traga o problema da sua rua.
Levar para o seu contexto
Parte do que funcionou no Sri Lanka serve em qualquer lugar; outra parte dependeu de um colapso econômico raro e de um partido de quadros…
Parte do que funcionou no Sri Lanka serve em qualquer lugar; outra parte dependeu de um colapso econômico raro e de um partido de quadros com 50 anos de história. Separe as duas antes de copiar.
Funciona em qualquer lugar
- Construa a organização antes da crise: quem só se organiza quando a rua explode chega tarde.
- Esteja no protesto sem tentar capturá-lo nem levar bandeira.
- Uma mensagem simples e constante sobre corrupção e mudança de sistema, sustentada pela biografia de quem a diz.
- Coletivos por profissão e setor para dar credibilidade junto a quem desconfia de militantes.
- Conselhos locais abertos a quem vem de outros partidos, com fóruns sobre os problemas do lugar.
- Espaços próprios para mulheres e mulheres no palco.
- Canais próprios em várias plataformas para não depender de uma mídia que exclui.
- Gastos declarados e transparência desde o início.
- Depois de ganhar, peça os meios para governar, mas prepare-se para ser julgado pela sua própria bandeira.
Depende do contexto
- Um partido de quadros (JVP) com rede em quase todas as aldeias
- Onde não existe, procure a organização mais próxima: sindicatos, associações de bairro, cooperativas, movimentos de igreja. Sem uma base que dure entre eleições, a frente ampla vira só uma lista.
- Facebook e YouTube como canais principais
- Use a plataforma onde o seu público já está: WhatsApp e canais no Brasil, Telegram onde domina, Instagram e TikTok entre os mais jovens. Mantenha mais de uma, porque bloqueios acontecem.
- Kottasha Sabhas por circunscrição eleitoral
- Adapte ao seu mapa: núcleos por bairro, município, zona eleitoral ou distrito. O que importa é haver um ponto de encontro local aberto a quem chega de fora do partido.
- Diáspora que não vota do exterior
- Onde a diáspora vota em consulados, organize a inscrição e o voto; onde não vota, peça conversas com a família, tempo e recursos dentro da lei.
- Restrição a porta a porta com mais de cinco pessoas
- Verifique as regras de campanha do seu país; onde o porta a porta é livre, ele pode substituir parte dos comícios.
- Colapso dos partidos tradicionais depois de uma revolta
- Sem esse colapso, o método leva mais tempo. Use-o para crescer devagar e esteja pronto para a próxima janela, sem a criar com mentiras.
- Dissolução do Parlamento logo após a presidencial
- Depende do sistema constitucional. Onde as eleições são simultâneas ou fixas, a lição é outra: fazer campanha por uma bancada junto com o candidato.
Jogadas para levar
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit. Cada uma funciona sozinha ou combinada com jogadas de outros playbooks.
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Conselhos locais abertos a quem vem de fora
Um conselho por circunscrição recebe ativistas locais (inclusive quem antes apoiava os grandes partidos), faz fóruns sobre os problemas do lugar e organiza ali a campanha, sem negociar cargos com dirigentes de fora. No Sri Lanka, os Kottasha Sabhas deram ao NPP alcance além da militância do JVP, e a frente passou de 3,84% em 2020 para 61,56% em novembro de 2024.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando os partidos tradicionais perdem a confiança e há gente nos bairros procurando onde se juntar.
- Não use quando
- Não funciona se abrir vira loteamento: aceitar dirigentes dos velhos partidos em troca de cargos destrói a prova de que vocês são diferentes.
- Semana −78 Dividir o mapa por circunscrição e nomear um responsável em cada uma
- Semana −78 Abrir uma ficha de adesão ao conselho local, com consentimento para contato
- Semana −70 Abrir os conselhos a ativistas de outros partidos, sem negociar cargos
- Semana −60 Fazer um fórum público por conselho sobre um problema local
- Semana −52 Registrar atividades, participantes novos e problemas levantados
- Semana −8 Na campanha, cada conselho organiza a campanha no seu território
- 12 semana(s) depois Depois da vitória, manter os conselhos ativos para ouvir e cobrar
Equipe
- Responsável de circunscrição: convoca o conselho e garante o seguimento de cada problema
- Recepção: recebe quem chega, inclusive de outros partidos, e o leva a uma tarefa
- Registro: anota atividades, novos participantes e problemas levantados
O que medir: Novos participantes por conselho que vêm de fora do partido e voltam a uma segunda atividade, contados no registro do conselho.
Riscos a vigiar: Uma frente aberta com decisões fechadas gera desconfiança: escreva como os conselhos participam das decisões e trate a corrupção dentro do próprio campo com o mesmo rigor.
-
Coletivos de profissionais que falam aos pares
Grupos de médicos, professores universitários, intelectuais, servidores, artistas e mulheres produzem propostas para o seu setor e falam com os seus pares, dando credibilidade onde o partido sozinho não chega. No Sri Lanka, a frente reuniu 21 grupos em torno do JVP; Harini Amarasuriya, vinda da National Intellectuals Organization, teve 655.289 votos preferenciais em Colombo, recorde do distrito.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando profissionais e classe média desconfiam dos militantes, mas confiam em colegas que conhecem o problema por dentro.
- Não use quando
- Não funciona se os coletivos são só fachada: sem regra escrita de como participam das decisões, a frente ampla vira uma lista de nomes.
- Semana −100 Convidar coletivos de profissionais, professores, médicos, artistas e servidores
- Semana −96 Combinar por escrito como os coletivos participam das decisões
- Semana −80 Pedir a cada coletivo uma proposta concreta para o seu setor
- Semana −52 Manter a base de contatos: quem é quem em cada coletivo e o que pode fazer
- Semana −4 Publicar os manifestos setoriais antes da campanha
- Semana −3 Cada setor fala aos seus pares, na língua deles: médicos para médicos
Equipe
- Núcleo organizador: mantém a frente viva entre eleições e guarda a mensagem
- Coordenação de cada coletivo: reúne o setor e entrega a proposta
- Base de contatos: sabe quem é quem e o que cada pessoa pode fazer
O que medir: Profissionais que entraram num coletivo e entregaram trabalho concreto (uma proposta setorial, um encontro com colegas), registrados na base de contatos.
Riscos a vigiar: Um núcleo disciplinado pode engolir a frente e decidir sem transparência: publique as regras de decisão e dê aos coletivos voz real, não só vitrine.
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Uma só mensagem, provada pela recusa
A mesma mensagem (corrupção, mudança de sistema, nova cultura política) repetida durante anos em canais próprios, provada pela biografia de quem a diz e pela recusa pública de alianças com o velho sistema. No Sri Lanka, Dissanayake usava o Facebook desde por volta de 2014 para contornar a mídia que o excluía e passou de 3,16% em 2019 para 42,31% no primeiro turno de 2024.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a raiva contra a corrupção é difusa e a grande mídia exclui você, mas há tempo para repetir a mesma ideia até a janela abrir.
- Não use quando
- Não funciona se a mensagem muda a cada campanha ou se o culpado vira uma etnia ou religião: isso é política comunal, uma linha vermelha.
- Semana −104 Escrever a mensagem em uma frase: o problema, o culpado (um sistema) e a promessa
- Semana −104 Listar o que vocês nunca farão: alianças com quem causou o problema, ataques comunais
- Semana −100 Abrir canais próprios em pelo menos duas plataformas e publicar com regularidade
- Semana −52 Publicar discursos e debates completos, com números e humor
- Semana −8 Na campanha, cortar recortes diários para cada plataforma
- Semana −4 Montar escuta de boatos e responder com fatos, com verificadores independentes
- Semana do dia D Respeitar o silêncio eleitoral, online inclusive
Equipe
- Porta-vozes de vários perfis (dirigente, acadêmica, profissionais): repetem a mesma mensagem
- Equipe digital: publica discursos completos e corta recortes para cada plataforma
- Escuta e verificação: acompanha boatos e responde com fatos
O que medir: Pessoas que, depois de um discurso ou recorte, se inscreveram num conselho local ou coletivo, contadas pela ficha de adesão com a origem, e não compartilhamentos.
Riscos a vigiar: Quem ganha com a bandeira da limpeza é julgado por ela: o NPP caiu para 43,26% seis meses depois. Prometa só o que vai cumprir e nunca use páginas anônimas nem perfis falsos.
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Comícios só de mulheres e oradoras em cada ato
Uma plataforma de mulheres com coordenação própria organiza comícios só para mulheres em cada distrito e garante oradoras nos atos gerais. No Sri Lanka, 73% dos atos de campanha de Dissanayake tiveram oradoras, segundo a observação da UE, que viu metade dos comícios observados sem nenhuma mulher falando; os comícios de mulheres reuniram milhares, sobretudo em zonas rurais, e em novembro de 2024 foram eleitas 21 mulheres, recorde.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona onde as mulheres foram centrais na mobilização, mas quase nunca falam nos palcos da política.
- Não use quando
- Não funciona como enfeite: pôr mulheres no palco sem coordenação própria nem lugar nas listas é só imagem.
- Semana −52 Criar uma plataforma de mulheres com coordenação própria
- Semana −40 Montar o calendário de comícios só de mulheres por distrito
- Semana −30 Formar oradoras locais para falar nos atos
- Semana −8 Garantir oradoras em todos os atos gerais da campanha
- Semana −8 Transmitir os comícios e cortar recortes para as redes
- 8 semana(s) depois Pôr candidatas nas listas da eleição seguinte
Equipe
- Coordenação de mulheres: organiza os comícios e escolhe as oradoras
- Comícios e eventos: cuida da logística, da transmissão e dos telões
- Formação: prepara oradoras que nunca falaram em público
O que medir: Mulheres que falaram pela primeira vez num palco da campanha e mulheres que entraram num conselho ou coletivo depois de um comício, contadas por distrito.
Riscos a vigiar: O assédio online afasta as mulheres da política: planeje moderação, segurança e apoio às oradoras antes de pô-las em evidência.
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Fundo central e gastos declarados
Uma só conta de campanha, cada despesa e doação registrada desde o primeiro dia e relatório entregue no prazo e publicado mesmo quando a lei não obriga. No Sri Lanka, o NPP declarou Rs 528 milhões na presidencial, pelo fundo central e sem gastos pessoais do candidato, contra Rs 1,12 bilhão de Premadasa, e respondeu com papéis às suspeitas de dinheiro estrangeiro.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a sua mensagem é anticorrupção e os adversários vão acusar você de financiamento oculto ou estrangeiro.
- Não use quando
- Não funciona se o dinheiro passa por contas pessoais ou se a diáspora doa sem você conferir o que a lei permite.
- Semana −26 Abrir uma só conta de campanha num fundo central
- Semana −26 Confirmar com um advogado o que a lei permite à diáspora e a doadores de fora
- Semana −20 Registrar cada despesa e doação no dia em que acontece
- Semana −8 Responder às acusações de financiamento estrangeiro com documentos
- Semana −1 Publicar as doações antes do voto, mesmo sem a lei obrigar
- 3 semana(s) depois Entregar o relatório à autoridade eleitoral no prazo e publicá-lo
Equipe
- Finanças e conformidade: mantém o fundo central e o registro de despesas
- Advogado: confirma limites de gastos e regras para doadores de fora
- Diáspora: junta recursos só dentro da lei e documenta cada envio
O que medir: Doações e despesas registradas com comprovante no mesmo dia, em proporção ao total, e relatório entregue no prazo legal.
Riscos a vigiar: Onde a autoridade eleitoral não audita, a suspeita fica no ar: publique vocês mesmos, e trate qualquer irregularidade interna às claras e depressa.
Praticar
Treine com as missões e situações do caso.
Decida como o NPP
Seis momentos reais entre 2022 e 2024. Escolha o que faria e veja o que aconteceu e o que a experiência ensina.
Plano em cinco fases
A sequência do NPP, condensada como lista de verificação.
A sequência do NPP, condensada como lista de verificação. Lá levou cinco anos de frente e dois meses de campanha decisiva; ajuste os prazos ao seu calendário. O progresso fica guardado neste navegador.
1. O núcleo e a mensagem
2. A frente ampla
3. O território
4. A campanha
5. Depois da vitória
Regras
O capital do NPP era a imagem de limpeza.
O capital do NPP era a imagem de limpeza. Estas regras a protegem.
- Dinheiro às claras
- Fundo central, registro de cada despesa e doação e relatório à autoridade eleitoral no prazo (no Sri Lanka, 21 dias após o resultado). Mesmo onde a lei não obriga a publicar doações antes do voto, publique.
- Sem dinheiro estrangeiro ilegal
- Confirme o que a lei do seu país permite à diáspora e a doadores de fora, e documente-o. Acusações de financiamento estrangeiro são comuns e precisam de resposta com papéis.
- Regras de campanha locais
- Limites de gastos, regras de porta a porta (no Sri Lanka, grupos de mais de cinco pessoas eram restritos), cartazes e silêncio eleitoral variam. Confirme com um advogado.
- Só gente real
- Nada de páginas anônimas, perfis falsos, bots, seguidores comprados ou ataques plantados em grupos de entretenimento e fofoca.
- Sem política comunal
- Ataque práticas e sistemas, nunca etnias ou religiões. Num país marcado por uma guerra civil, isso é uma linha vermelha.
- Fatos com fonte
- Acusações de corrupção só com documentos ou decisões públicas. Insinuações minam a mensagem de limpeza.
- Consentimento
- Só envie mensagens a quem deu o contato e autorizou; a proteção de dados (LGPD, RGPD ou a lei local) vale para campanhas e frentes.
- Liberdade de expressão
- Leis como a Online Safety Act podem ser usadas contra críticos. Quem promete mudar o sistema deve defender o direito de crítica também quando estiver no governo.
- Não violência
- A violência de 9 de maio de 2022 afastou a classe média da Aragalaya e deu ao governo a narrativa que queria. Nenhuma forma de violência, nem de retaliação.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não se copia depressa
- A rede do JVP levou décadas para ser construída e chega a quase todas as aldeias cingalesas; fora dos seus grupos, o NPP tinha pouca organização local. Sem uma base assim, o resto do método perde força.
- A disciplina tem custo democrático
- O JVP funciona por centralismo democrático e as decisões internas são pouco transparentes. Em 2026, analistas ainda debatiam se o JVP tinha “engolido” o NPP e apontavam a influência de Tilvin Silva quase igual à do presidente.
- A Aragalaya não chegou ao poder
- Poucos jovens da Aragalaya chegaram ao governo ou às primeiras filas da oposição; mais de 70% dos 159 deputados do NPP têm mais de 45 anos.
- A bandeira da limpeza vira contra si
- Em 10 de abril de 2026, o NPP votou contra uma moção de censura (153 contra 49) que pedia a renúncia do ministro da Energia, Kumara Jayakody, a quem a comissão anticorrupção (CIABOC) tinha decidido acusar formalmente, decisão reafirmada no fim de fevereiro. Oposição e ativistas anticorrupção apontam também suspeitas de favorecimento em compras de carvão, veículos e passaportes.
- Mudar o sistema é mais lento do que prometido
- O governo manteve o programa do FMI com mudanças marginais e não avançou com a nova Constituição. Em abril de 2026, o International Crisis Group pediu que o projeto de lei antiterrorismo do governo fosse retirado ou emendado para eliminar a ameaça que representa às normas democráticas; em junho, o ministro da Justiça prometeu revogar a PTA ainda em 2026 e substituí-la por uma lei revista.
- O apoio cai depressa
- De 61,56% em novembro de 2024 para 43,26% nas locais de maio de 2025, com comparecimento de 61,88%. Em julho de 2026, a maioria ainda aprovava o presidente, mas mais da metade dizia que as finanças da família tinham piorado.
- Choques externos testam a máquina
- O ciclone Ditwah, no fim de novembro de 2025, matou mais de 800 pessoas e causou cerca de US$ 4,1 bilhões em perdas; a resposta lenta foi atribuída em parte à inexperiência do governo.
- Minorias e responsabilização
- Famílias tâmeis de desaparecidos e ativistas no Norte continuaram a sofrer assédio de militares e da polícia antiterrorista, e o governo não deu passos claros sobre os crimes da guerra. Nas locais de 2025, os partidos tâmeis recuperaram terreno no Norte.
- Campanha online também foi dura
- Dissanayake foi o candidato mais atacado online, mas a sua própria campanha também usou com frequência mensagens negativas contra os adversários.
Verificar
Cinco perguntas para confirmar o essencial.
Cinco perguntas para confirmar o essencial. Cada resposta traz a explicação.
Fontes
Playbook construído com relatos de participantes da Aragalaya e de apoiadores do NPP, declarações de dirigentes, relatórios de observação…
Playbook construído com relatos de participantes da Aragalaya e de apoiadores do NPP, declarações de dirigentes, relatórios de observação eleitoral (UE, PAFFREL), dados oficiais e análises de pesquisadores do Sri Lanka publicados entre julho de 2022 e outubro de 2026. Todas as páginas foram abertas e lidas em 26 de outubro de 2026.
44 fontes
Quem fez
- The Week — “People came in by themselves; GotaGoGama only created the opportunity” (entrevista com Ruwanthie de Chickera) 19 jul. 2022
- Groundviews — Documenting and Understanding a People's Uprising (entrevista com Sulochana Peiris) 7 fev. 2024
- Daily Mirror — “No foreign country is funding me” (entrevista com Anura Kumara Dissanayake) 6 ago. 2024
- Daily Mirror — Cyber bullying prevents women from public positions: Harini Amarasuriya 16 jul. 2020
- EconomyNext — Factbox: Sri Lanka's new PM Harini Amarasuriya's thorny path from social health worker 25 set. 2024
- ABC News — What does the diaspora think of Anura Dissanayake? 25 set. 2024
Dados
- Centre for Policy Alternatives — A Brief Analysis of the Aragalaya (Social Indicator, inquérito nacional) mai. 2023
- EU Election Observation Mission — Sri Lanka 2024 Final Report 2025
- PAFFREL — Presidential Election 2024, First Interim Report (pre-election period) 12 set. 2024
- Transparency International Sri Lanka — Electoral Integrity: Presidential Election 2024 out. 2024
- Ada Derana — EC reveals candidates expenditure for 2024 Presidential Election 25 out. 2024
- Freedom House — Sri Lanka: Freedom on the Net 2024 2024
- Hashtag Generation — Publicações sobre monitoramento de redes nas eleições de 2024–2025 consultada 26 out. 2026
- Wikipedia — 2024 Sri Lankan presidential election consultada 26 out. 2026
- Wikipedia — 2024 Sri Lankan parliamentary election consultada 26 out. 2026
- Wikipedia — 2025 Sri Lankan local elections consultada 26 out. 2026
- Wikipedia — National People's Power consultada 26 out. 2026
- Wikipedia — NPP Kottasha Sabha consultada 26 out. 2026
- Wikipedia — Aragalaya consultada 26 out. 2026
- Wikipedia — Harini Amarasuriya consultada 26 out. 2026
Imprensa
- Tamil Guardian — What change does the NPP have for the North-East? 6 set. 2024
- Jacobin — Sri Lanka's People Have Kicked Out the Old Political Class (B. Skanthakumar) 22 nov. 2024
- Colombo Telegraph — AKD's International Crusade: Will It Come To Naught? (Vishwamithra) 9 nov. 2023
- The Diplomat — The NPP's Rise and the Opposition's Fall in Sri Lanka nov. 2024
- The Diplomat — Leftist Coalition's Seismic Victory Reshapes Sri Lanka's Political Landscape nov. 2024
- The Morning — AKD and JVP/NPP's strong public backing faces new test amid rising living costs and judicial controversy 19 jul. 2026
- Newsfirst — Sri Lanka to repeal PTA this year, new law in final stage 19 jun. 2026
- Newsfirst — NPP announces non-confrontational election campaign, launches new website 27 jul. 2024
Análise
- Carnegie Endowment — The Aragalaya Protest Movement and the Struggle for Political Change in Sri Lanka (David G. Timberman) 27 ago. 2025
- Newswire — Factum Perspective: 2024 Sri Lankan elections, the momentous rise of the populist left (Ramindu Perera) 14 out. 2024
- Social Justice (Centre for Society and Religion) — e-Edition ago.–set. 2023, com Ramindu Perera, “Politics at Crossroads” ago. 2023
- Global Voices / Groundviews — Digital partisans: Dissecting Facebook sentiment towards Sri Lanka's main presidential candidates (Sanjana Hattotuwa) 15 set. 2024
- Groundviews — Sri Lanka's Political Moment in 2024: Part 1 (Harendra Alwis) 4 out. 2024
- Groundviews — The NPP, the JVP and the Realities of Communist Party Governance (Nuwan Vimukthi) 2 set. 2024
- Colombo Telegraph — The Driving Forces Behind NPP's Popularity (Vipula Wanigasekera) 24 fev. 2024
- Asia Pacific Foundation of Canada — Sri Lanka's New Leftist President Signals Sharp Political Shift 25 set. 2024
- LINKS / Polity — Sri Lanka: Reading the General Election 2024 (Pasan Jayasinghe e Amali Wedagedara) 23 nov. 2024
- Green Agenda — Negotiating left politics in Sri Lanka: The NPP in government (Rajni Gamage e Harindra B. Dassanayake) 20 jan. 2025
- ISAS (NUS) — Sri Lanka's Parliamentary Election: The NPP Wins Historic Super Majority (Rajni Gamage) 15 nov. 2024
- Westminster Foundation for Democracy — Shifting spending patterns: Sri Lanka's 2024 general elections (Naushalya Rajapaksha) 2024
- International Crisis Group — Sri Lanka's Bumpy Road to a Political Reset (Report n.º 356) 16 abr. 2026
- NBR — Tracking the Next Generation of Leaders in Sri Lanka (Rajni Gamage) 29 mai. 2026
- The Examiner — What can the NPP learn from Latin America? (Andres Mejia Acosta e Mick Moore) 23 out. 2026
- Groundviews — Sanjana Hattotuwa, The Online Safety Act and MP Bimal Rathnayake's take on social media's role in the election victories 26 nov. 2024
Imagem: Channa udeepa jayawardhane, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado em 26 de outubro de 2026
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