Em 30 segundos
Até 2 horas e 2 imagens: a regra para responder a cada boato em alta, com texto curtíssimo, de preferência com humor e assinatura oficial.
Em setembro de 2018, um boato sobre o resgate de taiwaneses num aeroporto japonês inundou as redes; depois, morreu um diplomata criticado por causa dele.
Três meses depois, o governo mandou cada ministério montar uma equipa de resposta rápida.
O Cofacts, um robô de verificação aberto no LINE, e o Taiwan FactCheck Center verificavam de forma independente; o governo evitava remover conteúdos.
O governo respondia no mesmo ciclo noticioso, com uma correção mais fácil de partilhar do que o boato, e deixava a verificação a independentes.
Os primeiros passos
- Escolher o porta-voz coordenador e o seu substituto, com o mesmo poder de aprovação
- Distribuir os temas: quem responde por voto, saúde, economia, segurança
- Definir as funções: vigilância, verificação, redação, design, imprensa, distribuição, revisão jurídica
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
O método nasceu dentro do governo, mas só funcionou porque a sociedade civil verificava por conta própria.
O método nasceu dentro do governo, mas só funcionou porque a sociedade civil verificava por conta própria. As equipas de cada ministério quase nunca foram identificadas pelo nome.
Audrey Tang
Ministra sem pasta (2016–2022) e primeira ministra dos Assuntos Digitais (2022–2024)
Propôs o “humor over rumor” ao governo em 2017, formulou a regra das duas horas e explicou o método em dezenas de entrevistas, todas transcritas e publicadas.
FontesKolas Yotaka
Porta-voz do Executivo Yuan (jul. 2018–mai. 2020)
Coordenou a parte operacional da resposta à desinformação e pôs em prática a regra dos “três dois” nos ministérios.
FontesSu Tseng-chang
Primeiro-ministro durante a pandemia de 2020
Tornou-se a cara dos memes: riu-se de si próprio para acalmar a corrida ao papel higiénico e respondeu em menos de uma hora a um boato sobre multas por fazer permanente.
FontesJohnson Liang e Billion Lee
Fundadores do Cofacts (comunidade g0v)
Criaram em 2017 um robô no LINE que recebe mensagens suspeitas e devolve verificações escritas por voluntários, com base de dados e código abertos.
FontesTaiwan FactCheck Center (Summer Chen, Eve Chiu)
Verificador independente, fundado em 2018
Redação de jornalistas que publica verificações completas, recusa dinheiro de governos e partidos e é signatária da IFCN desde novembro de 2018.
FontesCharles Yeh (MyGoPen)
Fundador de um serviço de verificação no LINE
Começou em 2015 um blogue para ajudar a sogra a reconhecer burlas; em 2020 o serviço tinha mais de 300 mil subscritores no LINE.
FontesResponsável de participação do Ministério da Saúde
Funcionário que criava os memes do ministério (nome não divulgado)
Fazia os memes, sugeriu ao ministro usar máscara cor-de-rosa em solidariedade com um rapaz e é o dono do Zongchai, o cão porta-voz.
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que os autores do método disseram sobre ele.
O que os autores do método disseram sobre ele. Paráfrases, com a entrevista e a data; as citações curtas estão traduzidas.
Quando um boato entra em alta, o ministério responsável tem de publicar duas imagens, cada uma com até 200 caracteres, em até duas horas — no mesmo ciclo noticioso. É o princípio dos “três dois”.
Audrey Tang, Entrevista à Associated Press, 10 dez. 2020
A ideia surgiu em 2017, mas a adesão foi morna: os funcionários não achavam os boatos suficientemente graves. Ganhou força antes das eleições e referendos de 2018, com Kolas Yotaka.
Audrey Tang, Entrevista à Associated Press, 10 dez. 2020
Quem se ri da correção descarrega a raiva no humor e fica menos recetivo à indignação. Por isso a correção é partilhada mais do que o boato.
Audrey Tang, Conversa com Aaron Huang, 20 jan. 2020
O compromisso é de no máximo duas horas para cada boato em alta; muitos ministérios já conseguem em 60 minutos. “Também somos engenheiros meméticos.”
Audrey Tang, Conversa com Aaron Huang, 20 jan. 2020
Mais 6 citações
A crise do aeroporto de Kansai cresceu porque a resposta foi lenta e saiu num comunicado de imprensa que não chegava a quem espalhava o boato. “A rapidez continua a ser o mais importante.”
Audrey Tang, Newtalk, 11 dez. 2019
Os editores de redes sociais dos ministérios fazem engenharia de memes, mas sempre com a sua identidade oficial, nunca fingindo ser cidadãos comuns.
Audrey Tang, Newtalk, 11 dez. 2019
O problema mais urgente do governo era que os funcionários públicos, em geral, não tinham experiência de trabalhar na internet.
Kolas Yotaka, Newtalk, 24 dez. 2018
Taiwan escolheu o “aviso público” em vez do “aviso e remoção”: o trabalho jornalístico nunca é removido, recebe contexto. Remover alimenta teorias da conspiração.
Audrey Tang, Ministério dos Assuntos Digitais, entrevista de enquadramento
Partilhar desinformação está “à distância de um botão”; combatê-la exige muita pesquisa e muitos cliques. Por isso o robô devolve a resposta a quem perguntou.
Johnson Liang (Cofacts), Code for All, mai. 2023
O centro não conseguia rastrear a origem exata dos boatos de 2020; a maioria parecia feita para dividir a sociedade taiwanesa.
Summer Chen (Taiwan FactCheck Center), Global Voices, 28 fev. 2020
A história
Em setembro de 2018, um tufão inundou o aeroporto de Kansai, no Japão.
Em setembro de 2018, um tufão inundou o aeroporto de Kansai, no Japão. No PTT circulou a notícia de que a China tinha resgatado taiwaneses com 15 autocarros, enquanto o escritório de Taiwan em Osaka nada fazia. Era falso, mas foi repetido por órgãos de comunicação taiwaneses e pelos media estatais chineses. O chefe do escritório, Su Chii-cherng, pôs termo à vida a 14 de setembro, no dia de uma reunião de avaliação do caso. A viúva disse depois que a carta não referia diretamente a pressão das notícias falsas, mas que ele não queria ser humilhado nem punido injustamente, e acusou políticos de distorcer os factos. O caso mostrou ao governo que um desmentido lento, em formato de comunicado, não chega a quem espalha o boato.
- 2 h
- prazo máximo de resposta a um boato em alta; muitos ministérios já o faziam em 60 min (jan. 2020)oficial
- 46 mil
- mensagens enviadas ao Cofacts em três meses de 2018; 35 180 respondidas automaticamentedado da plataforma
- 1,5 mil+
- esclarecimentos devolvidos pelo LINE a quem sinalizou boatos, até 20 jan. 2020dado da plataforma
- 60%
- dos eleitores de 2018 nunca tinham ouvido falar do serviço de esclarecimento do governo, ou nunca o usaramestudo
De um boato trágico a um sistema
- 2017Audrey Tang propõe ao governo responder a boatos com humor; a adesão é morna. Nasce o Cofacts, com uma bolsa de protótipos cívicos da g0v.
- 16 jul. 2018Kolas Yotaka, antiga jornalista, torna-se porta-voz do Executivo Yuan.
- 5–15 set. 2018O boato de Kansai espalha-se no dia 5; o diretor do escritório em Osaka morre por volta do dia 14; o Taiwan FactCheck Center publica a verificação no dia 15.
- 24 nov. 2018Eleições locais com referendos, cheias de boatos. Depois, mais de metade dos eleitores não sabia distinguir a versão correta das principais notícias falsas.
- 13 dez. 2018O primeiro-ministro Lai Ching-te manda cada ministério montar uma equipa dedicada de resposta rápida: porta-voz, monitorização, redação, design, vídeo, imprensa e redes.
- 2019O TFC torna-se o primeiro parceiro de verificação do Facebook em Taiwan (maio). Com o LINE Today, o governo testa a regra das duas horas e conclui que responder numa hora funciona melhor.
- 31 dez. 2019O parlamento aprova a Lei Anti-Infiltração por 67 votos a 0, com boicote do KMT, que a acusa de ameaçar liberdades.
- 11 jan. 2020Tsai Ing-wen é reeleita com 57,13% e 74,9% de participação. Boatos sobre tinta invisível da CIA são desmentidos com professores de química e youtubers a filmar a contagem.
- fev.–abr. 2020Na pandemia, o método torna-se montra: o meme do primeiro-ministro contra a corrida ao papel higiénico, o cão porta-voz Zongchai e as máscaras cor-de-rosa.
- dez. 2025O TFC, com 14 pessoas e 200 a 300 pedidos de verificação por dia, entra em crise: a Meta, que pagava quase metade do orçamento, pode terminar o contrato em janeiro de 2026.
Três camadas
O governo respondia depressa, mas não decidia o que era verdade para a sociedade. Cada camada tinha o seu papel.
- GovernoEquipas de resposta rápida em cada ministério, coordenadas pelo porta-voz do Executivo: esclarecimentos curtos, com humor, assinados com a identidade oficial.
- Verificadores independentesTaiwan FactCheck Center (jornalistas), MyGoPen e Rumor & Truth: verificações completas, sem dinheiro de governos ou partidos.
- Comunidade e plataformasVoluntários do Cofacts a responder no LINE; LINE, Facebook e Google a mostrar as verificações e a publicar anúncios políticos às claras.
O que não se sabe. Não há estudo publicado que meça o efeito dos memes do governo sobre a crença em boatos.
Os números de rapidez vêm do próprio governo e variam entre versões (Tang fala em duas horas, numa hora e, em 2021, numa média de 16 minutos); a própria regra aparece como 200 caracteres ou 20 caracteres consoante a fonte. A reeleição de 2020 teve muitas causas, e a pandemia juntou o método a um governo popular. Este é um caso de comunicação governamental: uma campanha não tem ministérios nem a mesma autoridade.
O terreno
O método encaixou num país muito exposto à desinformação, com redes fechadas de mensagens e uma sociedade civil técnica forte.
O método encaixou num país muito exposto à desinformação, com redes fechadas de mensagens e uma sociedade civil técnica forte. Noutro país, algo disto pode faltar.
Plataformas
- LINE
- A aplicação de mensagens dominante (cerca de 17 milhões de utilizadores em 2018). Os boatos circulavam em grupos fechados de família, invisíveis para jornalistas e plataformas, por isso a verificação tinha de entrar no próprio LINE.
- Onde cada ministério publicava os seus memes. Em 2020 a Meta publicou uma biblioteca de anúncios em tempo real e reduzia o alcance do que os verificadores marcavam como falso.
- PTT
- O grande fórum taiwanês. Foi onde o boato de Kansai ganhou força em 2018. Começou numa conta do Weibo na China continental e a primeira publicação no PTT foi de um fotojornalista chinês; mas a conta que acusou o escritório de Osaka de desleixo era, segundo a polícia, de um universitário taiwanês (depois absolvido), e o Ministério Público acusou uma influenciadora ligada ao DPP, o partido do governo, de pagar a membros de um grupo no LINE para espalharem informações falsas.
- LINE Today
- Portal de notícias do LINE, parceiro do governo para publicar as respostas aos boatos no espaço de uma hora.
- Cofacts e MyGoPen
- Robôs de verificação dentro do LINE: a pessoa reencaminha a mensagem suspeita e recebe a resposta na mesma conversa.
- YouTube e transmissões em direto
- Na contagem de 2020, youtubers de várias tendências filmaram o apuramento dos votos e confirmaram em conjunto que foi limpo.
Condições locais
- O V-Dem classifica Taiwan como o território mais exposto do mundo à desinformação estrangeira, sobretudo vinda da China, há 11 anos seguidos.
- Uma televisão polarizada: num estudo de 2018, os espectadores de canais pró-unificação acreditavam mais em notícias falsas.
- Uma comunidade de tecnologia cívica (g0v) já organizada, que constrói ferramentas abertas e voluntárias.
- Uma cultura de memes (“梗”) que o governo aprendeu a usar, e um primeiro-ministro disposto a rir-se de si próprio.
- Eleições de dois em dois anos, muitas vezes com referendos, que dão ciclos de boatos previsíveis.
- Um governo que preferiu responder e contextualizar a remover conteúdos, ao mesmo tempo que aprovava leis contra a interferência estrangeira, criticadas por defensores da liberdade de expressão.
O método
Audrey Tang resumia-o em três palavras: rápido, justo e divertido.
Audrey Tang resumia-o em três palavras: rápido, justo e divertido. Na prática, uma correção que chega no mesmo ciclo noticioso, é mais fácil de partilhar do que o boato e deixa a verificação a quem é independente.
Três frentes
- Rápido
- Responder dentro do mesmo ciclo noticioso (até duas horas, idealmente uma), para que os jornalistas possam publicar os dois lados sem esperar pelo governo.
- Divertido
- Trocar a indignação pelo riso. Uma correção engraçada e sem maldade é partilhada por quem nem tinha visto o boato e funciona como vacina.
- Justo
- Não remover: acrescentar contexto. Deixar a verificação a uma sociedade civil independente e aberta, e assinar sempre com o próprio nome.
O ciclo de um boato
Cada boato em alta passava pelos mesmos passos, com o relógio a contar desde o momento da deteção.
- Detetar Monitorizar temas em alta, fóruns, a imprensa e o que as pessoas sinalizam nos robôs de verificação e no painel do LINE.
- Triar Decidir se o boato está mesmo a crescer e a quem cabe responder: o ministério dono do tema, não um gabinete central.
- Confirmar Juntar o facto correto e a fonte: dados oficiais, a empresa envolvida, um especialista. No boato da tinta invisível, foram professores de química.
- Produzir Duas imagens, texto curtíssimo, de preferência com humor: a rir da situação ou de si próprio, nunca de quem acreditou.
- Assinar e publicar Na conta oficial do responsável, com a sua identidade, e nos canais parceiros, como o LINE Today.
- Levar à imprensa Enviar o esclarecimento aos jornalistas que estão a acompanhar o assunto, antes de o ciclo noticioso fechar.
- Devolver aos grupos Fazer a correção voltar ao sítio onde o boato circulou: robôs que respondem nos grupos, avisos a quem sinalizou, mensagens privadas a quem partilhou.
- Registar Anotar hora de deteção, hora de resposta, alcance e fonte. É o que permite aprender e provar que se respondeu.
E recomeça.
Toolkit
Como montar uma célula de resposta rápida para a assessoria de imprensa de uma campanha, de uma causa ou de uma organização, usando o que…
Como montar uma célula de resposta rápida para a assessoria de imprensa de uma campanha, de uma causa ou de uma organização, usando o que Taiwan aprendeu e respeitando as regras desta página.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Em dezembro de 2018, Taiwan descreveu a equipa de cada ministério: porta-voz com sentido político, monitorização, redação, design, vídeo, imprensa e redes. Numa campanha, as mesmas funções cabem em seis a oito pessoas, algumas acumulando. O canal foi a rede de responsáveis de participação (participation officers) dos ministérios, com quem a equipa de Audrey Tang trabalhava; em 2017, um colega do gabinete, hábil com memes, apresentou a ideia a todos eles, com uma adesão morna ao início. Depois, alguns ministérios passaram a trabalhar com humoristas profissionais; no da Saúde, o próprio responsável fazia os memes.
Equipa mínima
- Porta-voz coordenador
- Decide se e como responder, aprova o texto final e fala com a imprensa. Tem um substituto com o mesmo poder de aprovação nas horas em que não está.
- Vigilância de boatos
- Monitoriza por turnos redes, fóruns, grupos abertos, imprensa e a linha de denúncias. Abre cada caso no registo com a hora de deteção.
- Verificação de factos
- Junta em 30 minutos o facto correto e a fonte primária. Fala com especialistas e com as entidades envolvidas. Nunca pressiona verificadores independentes.
- Redação e humor
- Escreve as duas ou três frases e a piada. Conhece a cultura de memes do público. Em Taiwan, era o responsável de participação de cada ministério.
- Design e vídeo
- Transforma o texto em duas imagens ou num vídeo curto a partir de modelos prontos, com legendas e texto alternativo, numa versão para o público mais velho.
- Relações com a imprensa
- Mantém a lista de jornalistas por tema, envia o esclarecimento a quem está a acompanhar o assunto e disponibiliza o porta-voz para comentários dentro do ciclo noticioso.
- Rede de distribuição
- Coordena voluntários e grupos parceiros que levam a correção aos grupos de mensagens, com consentimento e com as próprias contas.
- Revisão jurídica e ética
- Verifica em minutos se a peça respeita a lei eleitoral, a proteção de dados e as regras: sem alvo pessoal, sem expor quem partilhou, sem insinuação.
O relógio das duas horas
- 0 minBoato detetado: abrir o caso no registo, com captura de ecrã, ligação e hora.
- até 15 minTriagem: está a crescer? Quem é dono do tema? Responder, vigiar ou deixar morrer.
- até 45 minFacto correto confirmado, com fonte primária e uma frase de contexto.
- até 75 minDuas imagens e texto curto prontos a partir de modelos; revisão jurídica e aprovação do porta-voz.
- até 90 minPublicação nas contas oficiais e envio aos jornalistas que estão a acompanhar o assunto.
- até 120 minA correção chega aos grupos pela rede de distribuição; quem sinalizou recebe a resposta.
- Todos os dias, 9hReunião de 15 minutos: boatos das últimas 24 horas, tempos de resposta, o que vem a seguir na agenda.
- Todas as semanasRevisão do registo: onde se perdeu tempo, que modelos faltam, que fontes responderam depressa.
Nem todos os boatos merecem resposta: um boato que não está a crescer fica no registo, sob vigilância, para não lhe dar alcance. Em datas de risco (debates, votações, crises), reforça os turnos e deixa modelos pré-aprovados para os boatos previsíveis.
Plano B
- Dois aprovadores com o mesmo poder, para nenhuma resposta ficar parada à espera de uma pessoa.
- Modelos de imagem e de texto pré-aprovados para os boatos previsíveis do calendário (data e local de voto, regras de votação, saúde, segurança).
- Uma lista de fontes primárias e especialistas com contacto direto, atualizada antes das semanas decisivas.
- Uma relação estabelecida, e às claras, com verificadores independentes: enviar provas, não pedir favores.
- Um canal próprio, de um para muitos, para quando a imprensa não pegar no esclarecimento.
Tecnologia
Quase tudo é gratuito ou de código aberto. O que custa é ter pessoas de prevenção e modelos prontos antes do primeiro boato.
- MonitorizaçãoGratuito
Pesquisa nas plataformas, Google Trends e alertas, fóruns locais, a imprensa e a Biblioteca de Anúncios da Meta. Turnos com uma pessoa sempre a vigiar.
- Linha de denúnciasGratuito (código aberto); alojamento barato
Um número ou robô onde apoiantes e cidadãos reencaminham mensagens suspeitas. O código do Cofacts é aberto e já foi reutilizado na Tailândia.
- Registo de boatosGratuito
Uma folha de cálculo partilhada: cada boato, hora de deteção, hora de resposta, fonte, peça publicada, alcance. É a memória da equipa e o seu arquivo.
- Modelos de imagemGratuito
Duas peças-modelo por formato (quadrado e vertical) no Canva ou no Figma, com a marca, espaço para duas frases e a assinatura.
- Contas oficiais e canal próprioGratuito
As contas do porta-voz e da organização, mais um canal de difusão na aplicação de mensagens dominante (LINE, WhatsApp, Telegram).
- Grupo da rede de distribuiçãoGratuito
Um grupo de coordenação para os voluntários que levam as correções aos grupos de família e de bairro, com as próprias contas.
- Lista de imprensaGratuito
Uma base de jornalistas por tema e região, com quem pediu para receber esclarecimentos, e um endereço único para pedidos da imprensa.
Colunas do registo
Boato (texto e captura de ecrã) · Onde apareceu · Hora de deteção · Decisão (responder / vigiar) · Facto correto e fonte · Hora de publicação · Jornalistas contactados · Alcance da correção · Quem aprovou
Custo para começar: zero em software. O custo são os turnos de vigilância e um designer e um redator disponíveis nas horas de maior risco.
Comunicação
A peça tem de ser mais fácil de partilhar do que o boato: curta, visual, com o facto à frente e, quando o tema o permite, com graça. Em Taiwan, o próprio primeiro-ministro aceitou ser a piada.
A fórmula de uma correção
- O facto primeiro A frase verdadeira no topo. Não repitas o boato no título.
- Uma piada sem vítima Ri-te da situação ou de ti próprio. Nunca de quem acreditou, de grupos ou de uma tragédia.
- Duas imagens Uma com o facto, outra com o contexto ou o que fazer. Prontas a reencaminhar.
- Texto curtíssimo Em mandarim, até 200 caracteres. Em português, duas ou três frases curtas.
- A fonte Quem confirma: o dado oficial, a entidade, o especialista, com ligação.
- O que fazer Uma ação simples: não açambarcar, confirmar o local de voto, reencaminhar a correção.
- A assinatura Quem fala, com nome e cargo. Nunca uma conta anónima.
Regras de resposta
- Responde no mesmo ciclo noticioso: uma correção perfeita no dia seguinte chega tarde.
- Um comunicado não chega aos grupos fechados: leve a correção para dentro deles, em formato de imagem.
- Se o boato não está a crescer, não lhe dês alcance; vigia e regista.
- Humor só onde não há dor. Em mortes, doenças graves ou violência, sê rápido e sério.
- Fala sempre com a tua identidade. Nada de contas que fingem ser cidadãos comuns.
- Corrige a informação, não humilhes a pessoa: quem partilhou é o público que queres recuperar.
- Faz versões para o público mais velho e para as outras línguas da comunidade.
- Dá aos jornalistas o esclarecimento e um porta-voz disponível, para que publiquem os dois lados sem esperar.
- Contextualiza em vez de pedir remoção: remover alimenta a teoria da conspiração.
Exemplo
Imagem 1: “Não, votar com caneta de outra cor não anula o voto.” Imagem 2: “Pode levar a sua caneta favorita. Ou a nossa: a da cabine também funciona; já testámos, é aborrecida mas funciona.” Fonte: regulamento da autoridade eleitoral, artigo X [ligação]. Confirme o seu local de voto: [ligação]. Assessoria de imprensa da campanha, assinado por [nome do porta-voz].
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lado e o que tem de ser trocado.
O que funciona em qualquer lado e o que tem de ser trocado. Lembra-te de que Taiwan fez isto a partir do governo; numa campanha ou numa causa, as funções são as mesmas, mas a autoridade é menor.
Funciona em qualquer lado
- Responder dentro do mesmo ciclo noticioso, com um relógio e um responsável.
- Uma correção mais fácil de partilhar do que o boato: facto primeiro, imagem, texto curto.
- Humor sem vítimas quando o tema o permite; seriedade quando há dor.
- Levar a correção aos grupos fechados onde o boato circula, não só à imprensa.
- Assinar sempre com a própria identidade.
- Separar quem responde de quem verifica: verificadores independentes de quem está no poder.
- Registar cada caso para aprender e para provar o que se fez.
Depende do contexto
- LINE
- Troca pela aplicação de mensagens dominante: WhatsApp, Telegram, Viber, Messenger. Usa o canal de difusão dessa aplicação e uma linha de denúncias nela.
- Ministérios com equipa própria
- Uma campanha ou ONG não tem ministérios: atribui cada tema (saúde, economia, voto) a uma pessoa da equipa que responde por ele.
- Cofacts e a comunidade g0v
- Onde não há comunidade de tecnologia cívica, apoia um verificador da IFCN do teu país e envia-lhe boatos; o código do Cofacts é aberto, se quiseres montar o teu.
- Duas imagens de 200 caracteres
- Em línguas alfabéticas, duas ou três frases curtas por imagem, ou um vídeo vertical de 15 a 30 segundos onde o vídeo curto domina.
- A cultura de memes taiwanesa
- Usa o registo de humor do teu público e testa com pessoas de fora da equipa: o que tem graça num país pode ofender noutro.
- Parceria com as plataformas
- Desde 2025 a Meta recuou no financiamento da verificação de factos; não contes com rótulos das plataformas; conta com o teu canal, a imprensa e a tua rede.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
-
Célula de resposta em até duas horas
Uma equipa com funções claras (porta-voz, vigilância, verificação, redação, design, imprensa) responde a cada boato em alta dentro do mesmo ciclo noticioso, com o relógio a contar desde a deteção. Em Taiwan, a regra era até duas horas, e em janeiro de 2020 muitos ministérios já o faziam em 60 minutos.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona em datas de risco (debates, votações, crises), quando surgem boatos previsíveis e uma resposta lenta deixa o boato sozinho nas notícias.
- Não usar quando
- Não funciona se cada resposta fica à espera de uma única pessoa para aprovar, nem se a equipa responde a todos os boatos e dá alcance ao que não estava a crescer.
- Semana −12 Definir as funções e dois aprovadores com o mesmo poder
- Semana −11 Abrir o registo: boato, hora de deteção, hora de resposta, fonte, peça, alcance
- Semana −10 Montar a lista de fontes primárias e especialistas com contacto direto
- Semana −8 Treinar o ciclo: detetar, triar, confirmar, produzir, assinar e publicar, registar
- Semana −2 Reforçar os turnos nas semanas de maior risco
- Semana do dia D Reunir 15 minutos todos os dias às 9h para rever as últimas 24 horas
Equipa
- Porta-voz coordenador: decide se e como responder e aprova o texto
- Vigilância de boatos: monitoriza por turnos e abre cada caso com a hora
- Verificação de factos: junta em 30 minutos o facto correto e a fonte primária
O que medir: Boatos em alta respondidos dentro do prazo de duas horas, com hora de deteção e de resposta no registo.
Riscos a vigiar: Responder a tudo amplia boatos pequenos e respostas apressadas erram: triagem antes de publicar e revisão jurídica e ética de cada peça.
-
Correção com humor, sem vítimas
Duas imagens, texto curtíssimo, o facto verdadeiro no topo e uma piada que ri da situação ou de si mesmo, nunca de quem acreditou, assinada com a identidade oficial. Para Audrey Tang, quem se ri da correção descarrega a raiva no humor, e a correção é partilhada mais do que o boato.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando o tema permite graça e o público tem uma cultura de memes que a equipa conhece.
- Não usar quando
- Não funciona com mortes, doenças graves ou violência (aí sê rápido e sério), nem quando a piada humilha quem partilhou.
- Semana −10 Criar modelos de duas imagens por formato, com a marca e a assinatura
- Semana −9 Preparar peças pré-aprovadas para os boatos previsíveis do calendário
- Semana −8 Testar o tom de humor com pessoas de fora da equipa
- Semana −6 Fazer versões para o público mais velho e para outras línguas da comunidade
- Semana −2 Publicar nas contas oficiais e passar à rede de distribuição
- Semana do dia D No dia da votação, ter prontas as peças sobre local, data e regras de voto
Equipa
- Redação e humor: escreve as duas ou três frases e a piada
- Design e vídeo: transforma o texto em duas imagens ou num vídeo curto
- Rede de distribuição: leva a correção aos grupos de família e de bairro
O que medir: Voluntários da rede de distribuição que levaram a correção a um grupo fechado, com as próprias contas, contados no grupo de coordenação.
Riscos a vigiar: Perfis que fingem ser cidadãos destroem a confiança: assina sempre com nome e cargo, e nada de bots ou contas compradas para espalhar a piada.
-
Linha de denúncias dentro da app de mensagens
Um número ou robô na app dominante em que as pessoas reencaminham a mensagem suspeita e recebem a resposta na mesma conversa, porque os boatos circulam em grupos fechados que ninguém de fora vê. O Cofacts recebeu 46 mil mensagens em três meses de 2018 e respondeu automaticamente a 35 180.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona onde os boatos correm em grupos de família e de bairro numa app de mensagens cifrada.
- Não usar quando
- Não funciona sem pessoas para responder (o Cofacts tinha menos de 12 editores ativos por semana), nem se os dados pessoais das mensagens forem publicados.
- Semana −12 Escolher a app dominante e abrir o número ou o robô de denúncias
- Semana −10 Divulgar a linha a apoiantes e cidadãos com uma instrução simples
- Semana −9 Montar a escala de quem responde e as respostas-modelo
- Semana −8 Apagar os dados pessoais das mensagens antes de as usar
- Semana −4 Devolver cada correção a quem perguntou
- Semana do dia D Reforçar a escala na semana da votação
- 1 semana(s) depois Depois da votação, rever as perguntas mais frequentes
Equipa
- Responsável pela linha: mantém o robô ou o número e a escala
- Respondentes: devolvem a correção a quem perguntou
- Proteção de dados: apaga informação pessoal e guarda só o necessário
O que medir: Mensagens suspeitas reencaminhadas por cidadãos e respondidas a quem perguntou, contadas na linha.
Riscos a vigiar: As mensagens recebidas podem conter dados pessoais: apaga-os antes de publicar e envia só a quem pediu (RGPD).
-
Esclarecimento à imprensa no mesmo ciclo
Enviar o esclarecimento e um porta-voz disponível aos jornalistas que já estão a cobrir o assunto, antes de o ciclo fechar, e deixar a verificação completa a verificadores independentes. Para o governo, a crise de Kansai cresceu porque a resposta foi lenta e saiu num comunicado que não chegava a quem espalhava o boato.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a imprensa está a publicar o boato e precisa do outro lado a tempo.
- Não usar quando
- Não funciona se a tua organização tenta ditar a verificação ou pressiona verificadores, nem se pede remoção em vez de contexto.
- Semana −10 Montar a lista de jornalistas por tema e região e um endereço único de imprensa
- Semana −9 Mapear verificadores independentes e combinar como enviar provas
- Semana −8 Definir o porta-voz de serviço para cada faixa horária
- Semana −4 Enviar o esclarecimento a quem está a cobrir o tema, com a fonte primária
- Semana −1 Na véspera da votação, reforçar o serviço e os contactos
- Semana do dia D No dia, registar quem pediu o porta-voz ou a fonte
Equipa
- Relações com a imprensa: mantém a lista e envia os esclarecimentos
- Porta-voz de serviço: atende jornalistas dentro do ciclo noticioso
- Ligação aos verificadores: envia provas, nunca pede favores
O que medir: Jornalistas e verificadores que pediram o porta-voz ou a fonte primária dentro do ciclo noticioso, contados na lista de imprensa.
Riscos a vigiar: Uma campanha é parte interessada: não pressiones nem financies verificadores de forma oculta, e prefere contexto a pedidos de remoção.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a porta-voz
Seis situações inspiradas no que Taiwan viveu entre 2018 e 2021, adaptadas a uma assessoria de imprensa. Escolhe o que farias e vê o que a evidência sugere.
Plano de 30 dias
Como montar uma célula de resposta rápida antes de uma eleição, votação ou campanha de causa.
Como montar uma célula de resposta rápida antes de uma eleição, votação ou campanha de causa. O progresso fica guardado neste navegador.
Semana 1: Montar a equipa
Semana 2: Preparar as ferramentas
Semana 3: Treinar
Semana 4: Em operação
Depois
Regras
O método funciona porque as pessoas confiam em quem corrige.
O método funciona porque as pessoas confiam em quem corrige. Tudo o que pareça manipulação destrói essa confiança.
- Dizer quem fala
- Cada correção sai com o nome e o cargo de quem a assina. Nada de contas anónimas ou perfis que fingem ser cidadãos.
- Só pessoas reais
- Sem perfis falsos, bots, contas compradas ou influenciadores pagos sem declaração. Coordenar pessoas reais para dizerem o que pensam é permitido; o que as plataformas castigam é organizar gostos, seguidores ou hashtags em série para enganar o algoritmo. O X, por exemplo, proíbe trocar interações e usar uma hashtag em destaque para manipular a conversa.
- Factos com fonte
- Cada correção mostra quem confirma. Se ainda não sabes, diz que estás a verificar; não inventes.
- Humor sem vítimas
- Ri-te da situação ou de ti próprio. Nunca de quem acreditou, de minorias, de doentes ou de mortos.
- Acrescentar contexto
- Prefere acrescentar contexto a pedir remoção. Remoção só para o que já é ilegal, por via judicial.
- Independência dos verificadores
- Não pressiones, não financies de forma oculta e não ataques verificadores. Envia provas.
- Proteção de dados
- As mensagens recebidas na linha de denúncias podem conter dados pessoais: apaga-os antes de publicar e guarda só o necessário (LGPD, RGPD).
- Consentimento
- Só envies mensagens a quem pediu e só entres em grupos para os quais foste convidado.
- IA identificada
- Imagens ou vozes feitas com IA são identificadas como tal. Deepfakes, nunca, nem a brincar.
- Lei local
- A lei eleitoral e a da publicidade política mudam de país para país. Na União Europeia, a Meta e a Google deixaram de aceitar anúncios políticos em 2025, e o Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência na publicidade política que ainda for paga. Confirma com um advogado.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Era um governo
- Taiwan respondia com a autoridade do Estado e o acesso a dados oficiais. Uma campanha é parte interessada: a sua correção vale menos do que a de um verificador independente.
- O efeito não está medido
- Não há estudo publicado que meça se os memes reduziram a crença em boatos. Uma tese de 2024 encontrou mais simpatia e comentários positivos, mas não mediu a exatidão; em 2018, 60% dos eleitores nunca tinham ouvido falar do serviço de esclarecimento do governo.
- Os grupos fechados continuam às escuras
- O LINE é cifrado de ponta a ponta. Só se vê o que as pessoas escolhem sinalizar, e o Cofacts tinha menos de 12 editores ativos por semana para centenas de mensagens novas.
- O fofinho pode suavizar demasiado
- O jornalista Brian Hioe notou que a estética fofinha ajudava a suavizar medidas intrusivas; os memes podem simplificar demais e reduzir o espírito crítico.
- Depende do dinheiro de terceiros
- Em dezembro de 2025, o TFC dependia da Meta para quase metade do orçamento e da Google para mais de 30%; não foi verificado se o contrato com a Meta foi renovado em 2026.
- As leis podem ir longe demais
- A Lei Anti-Infiltração (2019) e propostas posteriores foram criticadas como ameaça à liberdade de expressão; um projeto de 2022 para multar plataformas foi arquivado.
- Não resolve a origem
- Nem os verificadores conseguiam provar de onde vinha a maior parte dos boatos de 2020. Responder bem não substitui imprensa livre, educação para os media e investigação.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Este playbook foi construído sobretudo com as transcrições públicas das entrevistas de Audrey Tang, reportagens taiwanesas de 2018 a 2020…
Este playbook foi construído sobretudo com as transcrições públicas das entrevistas de Audrey Tang, reportagens taiwanesas de 2018 a 2020 sobre o sistema do Executivo Yuan, materiais dos próprios verificadores e estudos académicos. Páginas consultadas a 26 de outubro de 2026.
39 fontes
Quem fez
- Audrey Tang: 2020-12-10 Interview with Associated Press (transcrição) 10 dez. 2020
- Audrey Tang: 2020-01-20 Aaron Huang visits (transcrição) 20 jan. 2020
- Audrey Tang: entrevista com Kate O'Flaherty (transcrição, excerto) 3 nov. 2020
- Audrey Tang: Meeting with EVC (transcrição, excerto) 4 jan. 2022
- Ministry of Digital Affairs: background information (entrevista com Audrey Tang)
- Newtalk: 唐鳳談關西機場事件與222原則 11 dez. 2019
- Newtalk: 行政院反假訊息:各部會成立快速反應小組(谷辣斯) 24 dez. 2018
- Code for All: Democratizing Fact-Checking: Inside Cofacts 30 mai. 2023
- TICTeC 2018: CoFacts: the chatbot that combats misinformation (Wu Min Hsuan) 18 abr. 2018
- Cofacts: página oficial
- Taiwan FactCheck Center: About us
- Taiwan FactCheck Center: página inicial em inglês
- Global Voices: What kind of rumours were circulating during the 2020 Taiwan presidential election? 28 fev. 2020
- TED: Audrey Tang, How digital innovation can fight pandemics and strengthen democracy jun. 2020
Dados
- Asian Journal for Public Opinion Research: Tai-Li Wang, Does Fake News Matter to Election Outcomes? Taiwan's 2018 local elections 31 mai. 2020
- Wikipedia: 2020 Taiwanese presidential election
- Wikipedia: Anti-Infiltration Act
- Wikipedia: Kolas Yotaka
- Wikipedia: Audrey Tang
- X Help Center: Platform manipulation and spam policy
- Wikipedia: Su Chii-cherng (inclui a entrevista da viúva à EBC, 20 dez. 2018)
Imprensa
- TFC / Los Angeles Times: Can fact-checkers save Taiwan from a flood of Chinese fake news?
- Nieman Lab: LINE is another chat app rife with spam, scams and bad information ago. 2018
- IJNet / Splice: Taiwanese Cofacts fact-checks information on LINE 30 out. 2018
- The Diplomat: Taiwan: The Frontline of the Disinformation Wars nov. 2018
- Quartz: Taiwan is using humor as a tool against coronavirus hoaxes 5 jun. 2020
- GovInsider: How Taiwan used memes to fight pandemic rumours
- Liberty Times: 蘇貞昌「咱只有一粒卡臣」梗圖登日本節目 2 mar. 2020
- TVBS: 防疫搶購潮 蘇揆逆向操作PO圖「多買點」 20 mar. 2020
- Newtalk: 衛福部總柴猜謎:居家檢疫與居家隔離 30 mar. 2020
- Taiwan News: Taiwan's digital minister on fighting COVID disinformation 30 jan. 2021
- Pioneers Post: SEWF 2020: Humour over rumour, five one-liners from Audrey Tang 24 set. 2020
- Asia Society: As Taiwan's first digital minister, I was asked to write my own job description 8 nov. 2021
- Taipei Times / CNA: Fact-checker ‘in crisis’ as Meta withdraws funding 13 dez. 2025
- Taiwan News: Taiwan FactCheck Center warns over Meta funding 12 dez. 2025
Análise
- Taiwan Insight: Three Musketeers against Mis/disinformation (Chiaoning Su, Wei-Ping Li) 31 mar. 2023
- Universidade de Leiden: Chiang Ching, tese sobre os memes dos ministérios de Taiwan 2024
- New Bloom: Brian Hioe, Coronavirus aesthetics in Taiwan 10 mai. 2020
- ASPI The Strategist: Disinformation and democratic resilience in Taiwan 30 mar. 2023
Atualizado a 26 de outubro de 2026
Playbook seguinte Greve pelo clima
