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As torres gémeas e as cúpulas do Congresso Nacional, de Oscar Niemeyer, em Brasília

Brasil · 2025

Justiça tributária

Taxação BBB

“BBB”: bilionários, bancos e bets (casas de apostas online), o mote que o PT e aliados usaram a partir de junho de 2025.

Em 2025, movimentos, sindicatos, o PT e criadores levaram a isenção do imposto sobre o rendimento até R$ 5 mil a um plebiscito popular e às redes. O Congresso aprovou por unanimidade.

Atualizado a 27 de outubro de 202634 min de leituraFontes (42)

Uma homenagem às militantes e aos militantes que montaram urnas em escolas, feiras e portões de fábrica, e aos criadores que puseram o país a rir do privilégio. Projeto independente, sem ligação a governo, partidos ou movimentos.

Visão geral

Em 30 segundos

  1. 2,1 milhões de votos. Entre julho e outubro de 2025, o Plebiscito Popular de movimentos e sindicatos perguntou sobre a isenção do imposto e a taxação dos super-ricos.

  2. 4,4 milhões de menções em 11 dias. Após a derrota no IOF, o PT, aliados e criadores encheram as redes de vídeos com IA e do mote “taxação BBB”.

  3. Cerca de 270 criadores. A 2 de julho, o PT reuniu influenciadores, pediu-lhes conteúdo próprio e ofereceu orientação jurídica contra calúnia e difamação.

  4. 493 votos a favor, nenhum contra. A 1 de outubro, horas após a entrega de 1,5 milhões de votos do plebiscito, a Câmara aprovou a isenção.

  5. Lei 15.270/2025. O Senado aprovou por unanimidade a 5 de novembro, Lula promulgou a 26 de novembro e a isenção vigora desde janeiro de 2026.

Os primeiros passos

  1. Confirmar em sondagens que a causa já tem apoio amplo
  2. Juntar frentes, sindicatos, movimentos, igrejas e partidos
  3. Fechar no máximo duas perguntas

Experimentar já Adaptar com o assistente

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Contexto e história

A história

Em junho de 2025, o governo Lula perdeu no Congresso a disputa sobre o aumento do IOF e estava em baixo nas sondagens.

Em junho de 2025, o governo Lula perdeu no Congresso a disputa sobre o aumento do IOF e estava em baixo nas sondagens. Em poucos dias, três frentes diferentes passaram a falar de justiça tributária: o governo, com o discurso de Lula e da Secom; o PT e os partidos aliados, com vídeos e uma rede de criadores; e os movimentos, com um plebiscito popular que vinha a ser preparado desde março. A 1 de outubro, a Câmara aprovou a isenção do imposto até R$ 5 mil sem nenhum voto contra; o Senado fez o mesmo em novembro.

2,1 M
votos no Plebiscito Popular (2.118.419), em urna e online, de 1 de julho a 12 de outubro de 2025dado da campanha Fonte
493
votos a favor e nenhum contra na Câmara, a 1 de outubro de 2025; no Senado, aprovação unânime a 5 de novembrooficial Fonte
4,4 M
menções ao confronto entre governo e Congresso de 24 de junho a 4 de julho, 61% delas críticas ao Congressoestudo Fonte
63%
dizem que o governo deve aumentar o imposto dos mais ricos para reduzir o dos mais pobres (Quaest, julho de 2025)estudo Fonte

Do IOF à lei

  1. Mar. 2025O governo envia ao Congresso o PL 1.087/2025: isenção até R$ 5 mil e imposto mínimo para quem ganha mais de R$ 600 mil por ano. Os movimentos começam a preparar o plebiscito, com quatro meses de conversa para definir as perguntas.
  2. Jun. 2025Plenários e formações nos estados; no RS, formação presencial na UFRGS a 28 de junho. A 20 de junho, o perfil Brasil Sátira do Poder publica o que parece ser o primeiro “Hugo Nem Se Importa”, feito com IA.
  3. 25 jun.A Câmara anula o decreto do IOF por 383 votos contra 98. No dia seguinte, 26 de junho, o PT lança o primeiro vídeo da “taxação BBB”, feito com IA, com trabalhadores a carregar sacos de imposto.
  4. 1 jul.Começa a recolha de votos do plebiscito, com urnas fixas, volantes e votação online.
  5. 2 jul.O PT reúne em videoconferência cerca de 270 criadores, com apoio do Planalto. Num evento em Salvador, Lula mostra o cartaz da “taxação BBB” e publica-o com a frase “Mais justiça tributária e menos desigualdade”.
  6. 4 jul.A Quaest conta 4,4 milhões de menções de 24 de junho a 4 de julho, 61% críticas ao Congresso. Alexandre de Moraes, no STF, suspende o decreto e a anulação.
  7. 10 jul.Protesto no Masp, em São Paulo, convocado por Boulos e organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pelo MTST, por centrais sindicais e pelo PT de São Paulo. A Quaest de 10 a 14 de julho mostra a aprovação do governo a subir de 40% para 43%.
  8. 1 out.De manhã, o plebiscito entrega 1,5 milhões de votos a Hugo Motta; depois, a Lula. No mesmo dia, a Câmara aprova o projeto com 493 votos a favor, com Arthur Lira como relator.
  9. 12 out. a 5 nov.O plebiscito fecha com 2.118.419 votos. A 5 de novembro, o Senado aprova o texto por unanimidade, em votação simbólica, com Renan Calheiros como relator.
  10. 26 nov.Lula promulga a Lei 15.270/2025, publicada no Diário Oficial a 27 de novembro. A isenção vigora desde janeiro de 2026.

Três camadas

As três camadas falavam do mesmo tema, mas tinham donos diferentes, e convém não confundir quem fez o quê.

  • O governoLula, o ministro Fernando Haddad e a Secom de Sidônio Palmeira trocaram o mote “União e Reconstrução” pela justiça tributária, levaram o tema aos perfis oficiais e recorreram ao STF contra a anulação do IOF; o Planalto apoiou a reunião do PT com criadores.
  • O partido e os aliadosA secretaria de comunicação do PT e o marketeer Otávio Antunes fizeram a “taxação BBB”, com dois vídeos por semana; deputados da base aliada publicaram mais de mil posts; Boulos e o PSOL foram para a rua contra o “centrão inimigo do povo”.
  • Os movimentos e os criadoresAs frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, a CUT, o MST, o Levante, igrejas e sete partidos fizeram o plebiscito com urnas próprias. Perfis sem ligação declarada ao PT, como Brasil Sátira do Poder e Mídia Ninja, fizeram sátira e convocatórias por conta própria.
O que não se sabe. Comprovado: as datas e os números das votações, a lei e o total de votos do plebiscito indicado pela organização.

Não comprovado: que a mobilização tenha mudado votos no Congresso. A causa já tinha 70% de apoio em abril, antes da ofensiva, e o texto passou também com os votos da oposição. O site Vermelho atribui parte desses votos à pressão do plebiscito e dos protestos contra a PEC da Blindagem, mas é uma avaliação do próprio órgão. Felipe Nunes, da Quaest, explicou a subida de julho com três fatores, e o confronto com Trump por causa das tarifas era um deles. Luis Fakhouri, da Palver, não viu o debate chegar às conversas de WhatsApp e Telegram no início de julho. A origem de “Congresso inimigo do povo” não foi apurada: Tatto negou que a linha fosse atacar o Congresso, o relatório da Bites para O Globo diz que contas petistas, muitas de pouca relevância, começaram a usá-la, e a Folha regista que perfis de esquerda já usavam a expressão antes. O número de criadores na reunião varia entre 200 e 300 conforme a fonte. A frase “Não tem que esperar o governo, não tem que esperar o PT” é atribuída a Tatto pelo Brado Jornal e a “um dos presentes” pela Revista Oeste. O plebiscito não tem auditoria independente, e as páginas lidas não indicam a percentagem de Sim em cada pergunta. As datas, o resultado na Câmara, os relatores e a lei foram confirmados nas páginas oficiais da Câmara, do Senado e do Planalto; a unanimidade e a votação simbólica no Senado vêm da imprensa. A lei final também mexeu nos dividendos, com retenção de 10% acima de R$ 50 mil por mês.

O terreno

O que era específico do Brasil de 2025 e pode faltar noutro país.

O que era específico do Brasil de 2025 e pode faltar noutro país.

Plataformas

Urnas de papel e bancas
O centro do plebiscito. Mais de 10 mil urnas registadas até 22 de julho, fixas em locais de trabalho e espaços comunitários, e volantes em terminais de autocarros, igrejas e ruas comerciais.
Site de votação online
Quem não passava por uma urna votava no site do plebiscito. As duas formas somaram 2.118.419 votos em 103 dias.
TikTok e Instagram
Onde circularam os vídeos curtos: o vídeo com IA do PT com trabalhadores a carregar sacos de imposto, a sátira “Hugo Nem Se Importa” e o “Boteco do Brasa”, do PT, que passou os 2 milhões de visualizações no Instagram.
X (Twitter)
Uma das redes em que deputados da base aliada publicaram sobre o tema e onde circulou a hashtag #InimigosDoPovo, com mais de 300 mil menções a partir de 25 de junho, segundo a Quaest.
WhatsApp
Na recolha, pelo menos um sindicato (Sind-REDE/BH) pedia que a fotografia da lista de votantes e da contagem semanal fosse enviada para um número de telemóvel da coordenação. Na conversa política, a Palver não viu o debate chegar aos grupos do dia a dia no início de julho.
Protestos de rua e plenários
Plenários estaduais online, formações presenciais e o protesto de 10 de julho no Masp. As entregas simbólicas dos votos em Brasília foram notícia nos dias de votação.

Condições locais

  • A causa já era popular antes da ofensiva: em abril de 2025, o Datafolha mediu 70% de apoio à isenção até R$ 5 mil e 76% à taxação dos rendimentos altos.
  • O governo tinha enviado o projeto (PL 1.087/2025) em março, e quem decidia o ritmo era um Congresso de maioria de centro e direita.
  • O detonador foi a derrota do governo no IOF, o imposto sobre operações financeiras: a 25 de junho de 2025, a Câmara anulou o decreto por 383 votos contra 98, incluindo votos de deputados do PDT e do PSB, partidos com ministérios.
  • Até então a direita dominava as redes: segundo Altamiro Borges, do Barão de Itararé, de janeiro a maio os políticos de direita tiveram 1,4 mil milhões de interações, contra 417 milhões da esquerda.
  • As bets estavam nas notícias: em maio de 2025, a CPI das Bets (comissão parlamentar de inquérito) ouviu influenciadores que faziam publicidade a apostas.
  • A aprovação de Lula estava em baixo (40% na Quaest de maio) e as eleições de 2026 já estavam no horizonte: o próprio PT falou em “modo pré-campanha”.
  • Geradores de vídeo com IA, como o Veo 3, da Google, já permitiam fazer sátira em escala sem estúdio nem atores.
  • A esquerda brasileira tinha prática de plebiscitos populares: a metodologia existe há mais de 25 anos e conta com redes de sindicatos, movimentos e igrejas.

Método e evidência

O método

Uma causa já popular, com um número redondo (R$ 5 mil), virou ao mesmo tempo assunto de conversa na rua e piada nas redes, e chegou a…

Uma causa já popular, com um número redondo (R$ 5 mil), virou ao mesmo tempo assunto de conversa na rua e piada nas redes, e chegou a Brasília no dia de cada votação.

Três frentes

Uma pergunta que abre conversa
O plebiscito não pedia apenas uma assinatura: perguntava, e a pergunta era o pretexto para conversar com quem passava à porta da escola, do supermercado ou do metro. Nas urnas de papel, cada voto deixava nome, telefone e assinatura numa lista.
Humor para nomear o privilégio
Vídeos curtos, muitos feitos com IA, transformaram uma discussão técnica em personagens: o trabalhador com o saco de imposto, o “Boteco do Brasa”, o “Hugo Nem Se Importa”. Criadores independentes produziram por conta própria.
Pressão com data marcada
A coordenação fechou um balanço parcial para o dia da votação na Câmara e entregou os votos em mão a Hugo Motta, de manhã, e a Lula, à tarde, antes da votação. O Senado também estava na agenda de entregas.

O ciclo da campanha

O plebiscito correu por etapas (preparação de março a junho, recolha a partir de 1 de julho, entregas em outubro e novembro); a ofensiva nas redes correu semana a semana, colada às notícias.

  1. Unificar a causa Quatro meses de conversa entre frentes, centrais sindicais, partidos e igrejas para chegar a duas perguntas: jornada sem 6x1 e justiça tributária.
  2. Formar Plenários nacionais e estaduais, formações presenciais e mais de 200 militantes formados para levar as perguntas e as tarefas aos estados.
  3. Espalhar urnas Cada sindicato, escola, associação ou cozinha solidária registava a sua urna; grupos volantes iam onde o público passa.
  4. Conversar e registar Na orientação do Sind-REDE/BH: explicar com jornal ou folheto, pedir o voto, recolher nome, telefone e assinatura, entregar o boletim. Contar Sim e Não todas as semanas e enviar a fotografia da contagem.
  5. Produzir conteúdo O PT lançava dois vídeos novos por semana; criadores faziam sátira por conta própria; deputados aliados repetiam o tema nas suas contas.
  6. Cobrir o risco jurídico Orientação aos criadores para não caluniar, difamar nem injuriar, e proposta de uma equipa jurídica para tirar dúvidas.
  7. Entregar no dia da votação O resultado parcial foi levado ao presidente da Câmara e ao Presidente da República horas antes da votação; a entrega ao Senado foi marcada para a véspera da votação nessa câmara.
  8. Seguir em frente Depois do imposto na Câmara, a coordenação anunciou que ia intensificar a luta pela outra pergunta, o fim da escala 6x1, ainda parada no Senado.

E recomeça.

Quem fez

Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram: a coordenação do Plebiscito Popular e as orientações de…

Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram: a coordenação do Plebiscito Popular e as orientações de recolha de votos distribuídas aos sindicatos, a revista da Fundação Perseu Abramo, os sites da CUT e do Brasil de Fato, e as intervenções da direção de comunicação do PT na reunião com criadores. A comunicação do governo aparece à parte, na camada que lhe cabe.

  • Igor Felippe Santos

    Membro da comissão executiva nacional do Plebiscito Popular por um Brasil Mais Justo

    Foi porta-voz da consulta nacional de julho a outubro de 2025 e falou na entrega do resultado parcial a Lula, no dia da votação na Câmara.

    Fontes
  • Lucas Gertz Monteiro

    Coordenador estadual do plebiscito no Rio Grande do Sul; Levante Popular da Juventude

    Organizou formações, brigadas e urnas no estado que juntou cerca de 500 mil votos, perto de um terço do total contado a meio de outubro.

    Fontes
  • Jô Portilho e o grupo Militantes na Luta

    Militantes do PT no Rio de Janeiro

    Montavam bancas à entrada de supermercados e em estações de metro, por onde passa quem trabalha na escala 6x1 (seis dias de trabalho, um de folga).

    Fontes
  • Milton dos Santos Rezende (Miltinho)

    Secretário nacional de Mobilização da CUT

    Levou a central sindical para a recolha de votos e esteve na entrega do resultado parcial a Lula, no Planalto.

    Fontes
  • Jilmar Tatto

    Deputado federal (PT-SP) e secretário nacional de comunicação do PT

    Comandou a ofensiva do partido nas redes: dois vídeos novos por semana e a reunião virtual com cerca de 270 criadores a 2 de julho de 2025.

    Fontes
  • Otávio Antunes

    Marketeer responsável pela campanha “taxação BBB” do PT

    Apresentou aos criadores o plano por fases: primeiro chamar a atenção e fixar a ideia de justiça, depois comparações objetivas.

    Fontes
  • Brasil Sátira do Poder

    Perfil de sátira política feita com IA no TikTok, Instagram e YouTube; as fontes lidas não dizem quem o mantém

    A 20 de junho de 2025 publicou o que parece ser o primeiro vídeo feito com IA da personagem “Hugo Nem Se Importa”, paródia do presidente da Câmara.

    Fontes
  • Guilherme Boulos e a Frente Povo Sem Medo

    Deputado federal (PSOL-SP); frente de movimentos que coorganizou o plebiscito

    Convocou o protesto de 10 de julho de 2025 no Masp, em São Paulo, pela taxação dos super-ricos e pelo fim da escala 6x1, organizado com a Frente Brasil Popular, o MTST, centrais sindicais e o PT de São Paulo.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Declarações de participantesO que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram.

O que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação em contrário.

Mais 6 citações
  • Na banca, a conversa começa do zero: “Muita gente chega sem saber nem o que é o plebiscito.”

    Jô Portilho, Militantes na Luta (RJ), Fundação Perseu Abramo, Revista Focus n.º 199, 22 jul. 2025

  • Aos criadores, pediu que produzissem por conta própria: “Não tem que esperar o governo, não tem que esperar o PT.”

    Jilmar Tatto, secretário de comunicação do PT, Brado Jornal, com relatório da Bites para O Globo, 4 jul. 2025

  • Negou que o alvo fosse o Congresso: “A linha é clara: fazer o andar de cima pagar imposto.”

    Jilmar Tatto, secretário de comunicação do PT, TVT News, 2 jul. 2025

  • A primeira fase serve para chamar a atenção e trabalhar a ideia de justiça; a segunda traria comparações objetivas, como o custo do Bolsa Família face às isenções dadas a poucos produtores rurais.

    Otávio Antunes, marketeer da campanha BBB, IstoÉ, 3 jul. 2025

  • Convidado pela Secom para orientar os criadores, pediu cuidado para “não caluniar, difamar ou injuriar ninguém” e propôs uma equipa jurídica de apoio.

    Marco Aurélio de Carvalho, grupo Prerrogativas, Jornal de Brasília, 3 jul. 2025

  • Disse que a campanha unificou as redes de esquerda e defendeu o uso de IA pela esquerda: “Finalmente temos uma linha política.”

    Altamiro Borges, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, TVT News, 2 jul. 2025

Materiais e exercícios

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. Plebiscito popular com urnas e voto online

    Uma consulta com duas perguntas simples, urnas de papel em locais de trabalho, escolas e ruas e voto pela internet. No Brasil de 2025, as urnas (mais de 10 mil registadas) e o voto online somaram 2.118.419 votos em 103 dias.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a causa já tem apoio amplo e há organizações com sede física e gente disposta a ficar numa banca.
    Não usar quando
    Não funciona como prova de maioria: o resultado não tem auditoria independente e só conta quem quis votar.
    1. Semana −16 Juntar as organizações e fechar as perguntas, no máximo duas
    2. Semana −12 Fazer plenários estaduais e formar quem vai coordenar as urnas
    3. Semana −10 Abrir o registo de urnas e o voto online no mesmo site
    4. Semana −10 Distribuir boletins, listas com aviso de proteção de dados e material de conversa
    5. Semana −8 Recolher em locais fixos e com grupos volantes, contando todas as semanas
    6. Semana −2 Fazer jornadas nacionais de recolha na reta final
    7. Semana do dia D Entregar o resultado às autoridades no dia da votação

    Equipa

    • Comissão executiva: perguntas, calendário e entregas
    • Secretaria estadual: distribui urnas e soma os votos
    • Responsável pela urna: guarda, conta e envia a fotografia

    O que medir: Votos registados nas listas de papel e no site por semana, por urna; uma urna que não reporta em duas semanas recebe um telefonema.

    Riscos a vigiar: Listas com nome e telefone são dados pessoais: pede consentimento, explica para que servem, guarda-as com cuidado e nunca as uses para envios que a pessoa não pediu.

  2. Rede de criadores com linha e apoio jurídico

    Reunir criadores, dar a linha e as fases da campanha e pedir que produzam no próprio formato, com orientação jurídica. A 2 de julho de 2025, o PT reuniu cerca de 270 criadores e ofereceu uma equipa jurídica para dúvidas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando já existem criadores próximos da causa e um mote curto que cabe em qualquer formato.
    Não usar quando
    Não funciona como reunião só para ouvir a direção, nem com pagamentos escondidos: um criador pago tem de dizer que é publicidade.
    1. Semana −6 Mapear criadores próximos da causa, grandes e pequenos
    2. Semana −5 Escrever a linha numa página: mote, número, alvo e o que não dizer
    3. Semana −4 Fazer a videoconferência com tempo para os criadores falarem
    4. Semana −4 Apresentar a orientação jurídica e o contacto de quem apoia em processos
    5. Semana −3 Publicar dois vídeos próprios por semana para dar o tom
    6. Semana −2 Juntar todas as semanas os links que os criadores enviaram para urnas e protestos

    Equipa

    • Linha de conteúdo: mote, fases e vídeos da casa
    • Contacto com criadores: convida, ouve e passa pedidos
    • Apoio jurídico: orienta antes e defende depois

    O que medir: Pessoas que votaram no plebiscito ou se inscreveram num protesto pelo link de cada criador, contadas no site.

    Riscos a vigiar: Uma rede de criadores sob uma direção partidária pode passar por movimento espontâneo: diz quem convocou e, se houver pagamento, rotula como publicidade.

  3. Sátira com IA, rotulada e sem acusações falsas

    Vídeos curtos de humor, muitos feitos com IA, que transformam a causa em personagem. O “Boteco do Brasa”, do PT, passou os 2 milhões de visualizações no Instagram, e a sátira com IA “Hugo Nem Se Importa” circulou no mesmo período.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há um facto público (um voto, uma decisão) que o humor pode exagerar sem inventar.
    Não usar quando
    Não funciona quando o vídeo pode ser confundido com um registo verdadeiro ou atribui a alguém uma frase ou um crime que não existiu.
    1. Semana −4 Escolher o facto público que o vídeo vai satirizar e confirmar a fonte
    2. Semana −4 Escrever um guião de até um minuto com uma personagem e uma comparação
    3. Semana −3 Produzir com IA e pôr no ecrã o aviso de que é sátira feita com IA
    4. Semana −3 Passar o guião pelo apoio jurídico antes de publicar
    5. Semana −3 Publicar com o link do plebiscito ou do protesto na legenda
    6. Semana −2 Ler os comentários e corrigir em público qualquer erro de facto

    Equipa

    • Guião: facto, personagem e piada
    • Produção: gera o vídeo e põe o aviso
    • Verificação: confirma o facto e a orientação jurídica

    O que medir: Votos ou inscrições em protestos que chegaram pelo link do vídeo; as visualizações não contam como resultado.

    Riscos a vigiar: Um vídeo com IA de uma pessoa real pode tornar-se desinformação fora de contexto e dar processo: rotula na imagem, não ponhas frases inventadas na boca de ninguém e segue a lei eleitoral do teu país.

  4. Entregar o resultado no dia da votação

    Fechar um balanço parcial antes da sessão e entregar os votos em mão a quem decide, no mesmo dia. A 1 de outubro de 2025, o plebiscito entregou 1,5 milhões de votos a Hugo Motta e a Lula horas antes de a Câmara aprovar o projeto com 493 votos.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a data da votação se conhece com alguns dias de antecedência e a recolha já tem um número que impressiona.
    Não usar quando
    Não funciona como prova de que a pressão mudou votos: em 2025 a causa já era popular e a votação foi unânime.
    1. Semana −3 Acompanhar a agenda do plenário e apontar a provável data de votação
    2. Semana −2 Pedir audiência a quem preside a sessão e ao governo
    3. Semana −1 Fechar o balanço parcial na véspera, com números por estado
    4. Semana −1 Preparar o objeto da entrega (cartaz, caixas) e a fotografia
    5. Semana do dia D Entregar em mão e fazer ações locais no mesmo dia
    6. 4 semana(s) depois Repetir a entrega na outra câmara antes da votação seguinte

    Equipa

    • Agenda: acompanha a ordem do dia e pede as audiências
    • Balanço: fecha os números por estado
    • Imprensa: avisa os jornalistas e envia a fotografia

    O que medir: Pessoas presentes nas ações locais do dia da votação e votos novos registados na semana seguinte.

    Riscos a vigiar: Atribuir a vitória só à pressão pode soar falso e gastar credibilidade: diz o que foi entregue e o que foi votado, sem prometer o que a mobilização causou.

Toolkit

O que movimentos, sindicatos e criadores montaram, organizado para o poderes copiar numa campanha por uma lei ou por uma causa que já tem…

O que movimentos, sindicatos e criadores montaram, organizado para o poderes copiar numa campanha por uma lei ou por uma causa que já tem apoio difuso e precisa de pressão visível.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Uma comissão nacional pequena, secretarias estaduais a cargo das frentes de movimentos e milhares de urnas que respondiam a quem as registou. Nas redes, uma direção partidária que dava a linha e deixava os criadores produzir.

Equipa mínima

Comissão executiva nacional
Define as perguntas, o calendário e as datas de entrega; fala com a imprensa e com as autoridades.
Secretaria operacional estadual
Formada pelos movimentos das frentes em cada estado. Distribui urnas, organiza o interior e soma os votos.
Coordenação por setor
Os sindicatos mobilizam a sua classe profissional (escolas, bancos, fábricas) e levam urnas aos portões de fábrica e aos locais de trabalho.
Brigadas e grupos volantes
Militantes formados que montam bancas em terminais, feiras, supermercados e estações.
Responsável pela urna
Guarda a urna, os boletins e as listas, faz a contagem semanal e envia a fotografia da contagem.
Linha de conteúdo
No PT, a secretaria de comunicação e um marketeer definiam o mote e as fases e lançavam vídeos todas as semanas.
Rede de criadores
Influenciadores e perfis de sátira que recebem a linha e produzem por conta própria, sem esperar material feito.
Apoio jurídico
Advogados que orientam os criadores sobre calúnia, difamação e injúria e apoiam quem for processado.

Ritmo semanal e diário

  1. Março a junhoConstrução da unidade, plenários nacionais e estaduais, formações presenciais.
  2. Todas as semanasNa orientação do Sind-REDE/BH, cada urna é selada entre os dias de recolha, aberta para contar Sim e Não e recomeçada com lista nova.
  3. Duas vezes por semanaO PT publicava dois vídeos novos sobre o tema.
  4. Jornadas nacionaisDias de recolha em massa (os “mutirões”) marcados num calendário por estado, sobretudo na reta final.
  5. Dia da votaçãoEntrega simbólica dos votos em Brasília e ações locais, como a do aeroporto de Porto Alegre no dia da votação na Câmara.

A recolha durou 103 dias. O registo de votos ficou aberto até 17 de outubro, cinco dias depois do encerramento.

Plano B

  • Urna de papel e votação online ao mesmo tempo: quem não passa por uma urna vota no site.
  • Lista de votantes em papel, com nome, telefone e assinatura, guardada depois da contagem.
  • Fotografia da lista e da contagem enviada à coordenação, para não depender de uma só pessoa ou de um só papel.
  • Material próprio de cada sindicato (jornal para a classe, folheto para a comunidade), sem esperar pelo nacional.
  • Orientação jurídica antes de publicar, e uma equipa para apoiar quem for processado.

Tecnologia

Quase tudo era papel, telemóvel e ferramentas gratuitas. O que mais pesou foi a quantidade de urnas e de pessoas, não o software.

  • Urnas, boletins e listas em papelCusto de impressão

    Urnas fixas e volantes, boletim com as duas perguntas e lista de votantes. Funciona sem rede e vê-se na rua.

  • Site de votação onlineNão divulgado

    Página para votar pela internet; os votos digitais somavam-se aos de papel.

  • Lista de votantes conforme a LGPDGratuito

    Nome, telefone e assinatura, CPF (número de contribuinte) opcional, com aviso de proteção de dados. Sugestão: com consentimento explícito, pode tornar-se a lista de contactos da próxima luta.

  • Telemóvel da coordenaçãoGratuito

    Número para onde cada responsável enviava a fotografia da lista e a contagem semanal, com o nome do local. A orientação do Sind-REDE/BH não diz que aplicação usar.

  • Vídeo curto com IAGratuito a baixo custo

    Geradores de vídeo como o Veo 3 permitiram sátira e alegorias sem estúdio; os vídeos circularam no TikTok, Instagram, YouTube e X.

  • Videoconferência e liveGratuito

    Reunião com cerca de 270 criadores para passar a linha e a orientação jurídica.

  • Escuta das redesPago; alternativa gratuita: pesquisa e alertas das próprias plataformas

    Os números públicos vieram da Quaest, da Bites e da Palver. Uma campanha pequena pode acompanhar hashtags e menções com ferramentas gratuitas.

  • Protestos e plenáriosNão divulgado

    Protesto no Masp e plenários estaduais para lançar a recolha e juntar quem já votou.

Guias rápidos por canal

Colunas da contagem semanal

Data · Local da urna e responsável · Votos na lista (assinaturas) · Pergunta 1: Sim · Pergunta 1: Não · Pergunta 2: Sim · Pergunta 2: Não · Fotografia enviada à coordenação · Próximo local da urna

Nenhuma das fontes lidas publica o custo do plebiscito nem o da campanha do PT nas redes. O que se sabe: a recolha apoiou-se em estruturas que já existiam (sindicatos, movimentos, igrejas) e os vídeos com IA dispensaram estúdio e atores.

Comunicação

Um tema de folha de cálculo (taxas, escalões, dividendos) ficou reduzido a um número, R$ 5 mil, e a um mote de três letras, BBB. Na rua, a conversa começava com uma pergunta; nas redes, com uma piada.

A fórmula de uma conversa na banca

  1. Abordar Quem és e de onde vens: sindicato, escola, associação do bairro. Uma vizinha, não um partido.
  2. Perguntar “Sabia que quem ganha até R$ 5 mil ainda paga imposto sobre o rendimento?” A pergunta abre o diálogo.
  3. Comparar Um número de cada lado: quem ganha até R$ 5 mil e paga imposto, e quem ganha mais de R$ 600 mil por ano e passaria a pagar um imposto mínimo.
  4. Pedir o voto Boletim na mão, nome e telefone na lista, voto na urna.
  5. Convidar Para o próximo protesto, para levar a urna para o trabalho ou para votar online com a família.
  6. Registar No fim do dia, selar a urna; no fim da semana, contar e enviar a fotografia.

Regras de mensagem

  • Um único número: isenção até R$ 5 mil. Escalões e taxas ficam para quem perguntar.
  • Nomear quem paga menos, não o eleitor do outro lado: “bilionários, bancos e bets”, ou “o andar de cima”, na linha do PT.
  • Criticar decisões e votos, não atribuir crimes: a orientação jurídica era não caluniar, difamar nem injuriar ninguém.
  • A sátira tem de parecer sátira. Quem vê precisa de saber que a personagem é ficção.
  • Ligar a causa a algo concreto do dia a dia (a escala 6x1, o salário, a conta da luz).
  • Produzir sem esperar pela direção: a linha vem de cima, o formato é de cada um.
  • Comparações que se percebem logo; um participante da reunião do PT queixou-se precisamente de que faltavam.

Exemplo de conversa

Bom dia! Sou a Carla, da associação de moradores. Posso fazer-lhe uma pergunta rápida? Sabia que quem ganha até cinco mil reais por mês ainda paga imposto sobre o rendimento? E que há um projeto para cobrar um imposto mínimo a quem ganha mais de seiscentos mil por ano? [ouvir] Pois é. Estamos a fazer um plebiscito popular sobre isso e sobre o fim da escala 6x1. É só marcar Sim ou Não aqui no boletim e deixar o nome e o telefone na lista. O resultado vai ser entregue em Brasília no dia da votação. Quer levar um boletim para alguém da família?

Levar para o teu contexto

O que funciona em qualquer lado e o que dependia do Brasil de 2025.

O que funciona em qualquer lado e o que dependia do Brasil de 2025.

Funciona em qualquer lado

  • Escolher uma causa com apoio amplo já medido e reduzi-la a um número fácil de lembrar.
  • Usar uma consulta popular como pretexto para conversar, e não só para somar assinaturas.
  • Pôr as urnas onde as pessoas já estão (porta da escola, da fábrica, do supermercado) e oferecer também o voto online.
  • Guardar nome e telefone de quem vota, com consentimento: a lista serve para a próxima luta.
  • Contar os votos todas as semanas e enviar a prova à coordenação.
  • Marcar a entrega do resultado para o dia em que o parlamento decide.
  • Dar a linha aos criadores e deixá-los produzir no formato deles, com apoio jurídico.
  • Separar quem fala pelo governo, pelo partido e pelos movimentos, para cada um manter a sua credibilidade.

Depende do contexto

Tradição de plebiscitos populares
Onde não existe esta prática, começa por uma consulta mais pequena (uma cidade, uma classe profissional) e usa parceiros com sede física, como sindicatos, igrejas ou associações.
Sindicatos e movimentos com presença em todo o território
Onde a rede organizada é fraca, a urna pode ir com voluntários avulsos inscritos por formulário, aos pares e com um ponto fixo por bairro.
TikTok e Instagram como montra dos vídeos
Usa a plataforma onde o teu público vê vídeo curto; onde dominam os grupos de mensagens, prepara versões leves para reencaminhar.
Vídeo com IA barato
Onde a lei eleitoral exige aviso de IA ou proíbe imitar pessoas reais, usa animação, bonecos ou atores e rotula sempre. No Brasil, confirma as regras do TSE sobre IA antes do período eleitoral.
Uma lei já enviada pelo governo
Sem um projeto em cima da mesa, a pressão não tem data. Pede a um deputado aliado que apresente o texto, ou pressiona para que a votação seja agendada.
As bets como vilão fácil
Cada país tem um setor que o público já vê como privilegiado. Só a pesquisa diz qual é; não o inventes.

Praticar

ExercícioTreina com as missões e situações do caso.

Decidir como a coordenação

Seis momentos da campanha de 2025. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano em 5 fases

A sequência do Plebiscito Popular e da ofensiva nas redes, desde meses antes até à lei, como lista de verificação.

A sequência do Plebiscito Popular e da ofensiva nas redes, desde meses antes até à lei, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Antes da recolha (3 a 4 meses antes)

  2. Recolha (de 8 a 14 semanas)

  3. Redes (a partir do detonador)

  4. Dias de votação

  5. Depois

Verificar

ExercícioCinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Quem organizou o Plebiscito Popular de 2025?
2. O que pediu Jilmar Tatto aos criadores na reunião de 2 de julho?
3. Quando entregou o plebiscito o resultado parcial de 1,5 milhões de votos?
4. O que diz a monitorização da Palver sobre WhatsApp e Telegram no início de julho?
5. Qual destes factos está comprovado?

Limites e fontes

Regras

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha.

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha.

Proteger os dados de quem vota
Nome, telefone e assinatura são dados pessoais à luz da LGPD (e do RGPD na Europa). Explica para que servem, guarda-os com cuidado e não os uses para mensagens que a pessoa não pediu.
Sátira identificável
Todo o vídeo feito com IA deve dizer, na própria imagem, que é sátira e que foi feito com IA. Em período eleitoral, confirma as regras da justiça eleitoral sobre IA.
Crítica, não calúnia
Critica votos e decisões públicas. Não atribuas crimes nem frases inventadas a ninguém. Foi essa a orientação dada aos criadores em 2025.
Dizer quem convocou
Uma rede de criadores organizada por um partido deve dizê-lo. Um criador pago tem de rotular a publicidade.
Só gente real
Nada de perfis falsos, robôs ou compra de interações para inflacionar hashtags. Os números de 2025 contam como prova precisamente porque vieram de escuta independente.
Governo é governo
Recursos e canais públicos têm regras próprias. A comunicação oficial não pode tornar-se estrutura de campanha de um partido ou de um movimento.
Números sem exagero
Diz “votos no plebiscito popular”, não “o povo decidiu”: a consulta não tem valor legal nem auditoria independente.
Lei local
As regras de propaganda, de uso de imagem e de período eleitoral mudam de país para país. Confirma com um advogado antes de começar.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não prova que mudou votos
A isenção já tinha 70% de apoio em abril e passou por unanimidade, também com a oposição. Nenhum dado separa o efeito da mobilização do custo político de votar contra uma causa tão popular.
Não chegou a todos os grupos
No início de julho, a Palver não viu o tema entrar nas conversas comuns de WhatsApp e Telegram. A ofensiva foi forte nas redes abertas, onde a esquerda já estava.
O enquadramento divide
Na Quaest de julho, 53% disseram que falar em ricos contra pobres cria mais conflito. Estrategas como Felipe Soutello criticaram a luta de classes como anacrónica e os vídeos com IA em vez de pessoas reais.
Não resolve a outra pergunta
O plebiscito pedia também o fim da escala 6x1, que não avançou ao mesmo ritmo do IR: no início de novembro de 2025, a proposta de Paulo Paim continuava na comissão de Constituição e Justiça do Senado. O Congresso só aprovou o fim da 6x1 em outubro de 2026 (PEC 221/2019, 75 votos contra 1 no Senado a 14 de outubro, promulgada a 16 de outubro), e nenhuma fonte lida liga essa votação ao plebiscito.
A IA apaga fronteiras
Um estudo publicado em junho de 2026 nos Cadernos de Linguística mostra que estes vídeos misturam humor, informação e desinformação e põem na boca de políticos o que eles não diriam em público.
Atacar o Congresso tem um preço
O “inimigo do povo” irritou o presidente da Câmara numa altura em que o governo ainda precisava dele. A ministra Gleisi Hoffmann repudiou os ataques pessoais a Motta nas redes.
Governo e movimento confundem-se
O Planalto apoiou a reunião de criadores e o PT estava dentro do plebiscito. O próprio Tatto chamou à ofensiva “modo pré-campanha”, e especialistas ouvidos pela imprensa criticaram a estratégia.

Fontes

Este playbook foi construído sobretudo com materiais e intervenções da coordenação do Plebiscito Popular, da CUT e da direção de…

Este playbook foi construído sobretudo com materiais e intervenções da coordenação do Plebiscito Popular, da CUT e da direção de comunicação do PT, sondagens da Quaest, do Datafolha e da AtlasIntel, escuta das redes da Quaest, da Bites e da Palver, e reportagens publicadas entre junho e novembro de 2025. Todas as páginas foram consultadas a 27 de outubro de 2026.

42 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Roque de Sá / Agência Senado, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 27 de outubro de 2026

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