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Cartaz do Led By Donkeys a citar um tweet de Boris Johnson, Hull, março de 2019

Reino Unido · 2019–2026

Led By Donkeys

Com as palavras deles

O princípio de cada peça: citar, palavra por palavra e com data, o que o próprio político disse.

Em 2019, quatro amigos colaram um tweet antigo de David Cameron sobre um anúncio em Londres. A fotografia tornou-se viral e o público pagou centenas de outdoors. Vê como, dentro da lei.

Uma homenagem a Ben Stewart, James Sadri, Oliver Knowles e Will Rose, e à equipa e aos milhares de pequenos doadores que pagaram cada outdoor. Projeto independente, sem ligação ao grupo.

Em 30 segundos

  1. Janeiro de 2019. O grupo britânico Led By Donkeys começa a pôr em outdoors as próprias palavras de políticos pró-Brexit.

  2. Seguiram-se Boris Johnson, Liz Truss, Nigel Farage e Donald Trump, em outdoors, projeções e faixas gigantes.

  3. 499 mil libras de 16 492 pessoas, só até novembro de 2019: são pequenos doadores que pagam a ação seguinte.

  4. O motor é um circuito: ação física pensada para ser fotografada, imagem que circula nas redes, imprensa que a repercute, doadores que pagam a seguinte.

  5. Cada ação precisa de frase verificável, lugar que lhe dá sentido, imagem que cabe num telemóvel, momento certo e verificação jurídica.

Os primeiros passos

  1. Definir o núcleo criativo e quem trata de imprensa, jurídico, imagem e donativos
  2. Abrir o arquivo de frases com original, ligação, captura de ecrã e data
  3. Escolher um advogado e pedir o primeiro parecer sobre a lei local

Experimentar já Adaptar com o coach

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Quem fez

Quatro amigos, dois deles então funcionários da Greenpeace, com experiência em ação direta e imprensa.

Quatro amigos, dois deles então funcionários da Greenpeace, com experiência em ação direta e imprensa. Trabalharam anónimos até maio de 2019 e hoje contam o método em entrevistas, palestras e livros.

  • Ben Stewart

    Cofundador e porta-voz

    Explicou a teoria da mudança do grupo (tornar famosas as frases esquecidas) e fala em nome do grupo depois de cada ação; foi detido após a ação contra Liz Truss em agosto de 2024.

    Fontes
  • James Sadri

    Cofundador

    Deu o nome ao grupo, a partir da expressão sobre os soldados da I Guerra Mundial, “leões comandados por burros”, e coordenou a instalação das roupas de crianças na praia de Bournemouth.

    Fontes
  • Oliver Knowles

    Cofundador

    Descreve a rede de colaboradores (operadores de vídeo, editores, logística) e a decisão de cancelar ações quando o momento não serve.

    Fontes
  • Will Rose

    Cofundador e designer

    Desenhou os cartazes e encurtou o nome para a hashtag #LedByDonkeys.

    Fontes
  • Covid-19 Bereaved Families for Justice

    Parceiro (famílias enlutadas pela covid)

    Com o grupo, pintou mais de 150 mil corações no Muro Nacional da Memória da Covid, em frente ao Parlamento, em 2021.

    Fontes
  • Crowdfunder.co.uk

    Plataforma de financiamento colaborativo

    Alojou as campanhas que pagaram os outdoors; em 2019 foi a maior campanha política financiada assim no Reino Unido, segundo a plataforma e o grupo.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

O que os fundadores disseram sobre o próprio método.

O que os fundadores disseram sobre o próprio método. Paráfrases, com citações curtas quando a expressão é deles.

Mais 6 citações
  • Escolhem temas que a sociedade deveria discutir. Fechada a ideia, vem a “tirania da ideia”: fazê-la acontecer, por mais difícil que seja a logística.

    James Sadri, Creative Review, entrevista, 1 out. 2024

  • O humor não é o ponto de partida, mas é útil no momento certo. E muitas ideias morrem: uma faixa para Glastonbury foi cancelada horas antes, porque o público não ia querer saber.

    Oliver Knowles, Creative Review, entrevista, 1 out. 2024

  • O financiamento colaborativo livra-os da burocracia e das reuniões das grandes ONG e põe o processo criativo em primeiro lugar.

    Fundadores do Led By Donkeys, segundo a Creative Review, Creative Review, entrevista, 1 out. 2024

  • O humor ajuda a combater o desânimo: é uma forma de “reclaim some of that power”, recuperar algum poder.

    James Sadri, Prospect, entrevista, 7 abr. 2022

  • Vídeos longos funcionam quando a mensagem importa: o grupo prefere dar mais crédito ao público do que a regra dos 90 segundos.

    Ben Stewart, Prospect, entrevista, 7 abr. 2022

  • Antes de Windsor tinham feito 25 ou 30 projeções sem detenções; pediram parecer jurídico e projetaram antes da chegada de Trump para não criar receios de segurança.

    Porta-voz do Led By Donkeys, PA, via Express & Star, 17 set. 2025

A história

Em dezembro de 2018, quatro amigos irritados com o Brexit decidiram num pub de Stoke Newington, no norte de Londres, “guardar” um tweet de…

Em dezembro de 2018, quatro amigos irritados com o Brexit decidiram num pub de Stoke Newington, no norte de Londres, “guardar” um tweet de 2015 de David Cameron e quatro promessas de ministros pró-Brexit. Colaram-nos em outdoors, à noite, com uma escada e cola. A partir daí, cada ação passou a ser pensada para ser fotografada, partilhada, noticiada e paga por quem a viu.

499 mil £
angariadas em três campanhas no Crowdfunder até 15 nov. 2019dado da plataforma
16 492
doadores nessas campanhas, cerca de 30 libras por pessoa, em médiadado da plataforma
330+
outdoors comprados até novembro de 2019, com alcance estimado de 30 milhões de pessoasdado da campanha
25–30
projeções feitas antes da primeira detenção, segundo o grupo (set. 2025)dado da campanha

De uma escada a Windsor

  1. 8 jan. 2019Primeiro cartaz: o tweet de Cameron, colado sobre um anúncio na A10, em Stoke Newington. É tapado no dia seguinte, mas a fotografia já circula.
  2. 16 jan. 2019Quatro outdoors em Dover, entre eles a frase de Dominic Raab sobre a travessia Dover-Calais. Tornam-se virais; a empresa dos outdoors retira-os no dia seguinte. A primeira meta de 10 mil libras é atingida em poucas horas.
  3. Mar.–mai. 2019Bandeira gigante na Parliament Square, carrinhas atrás da marcha de Farage, projeção nas falésias de Dover. A 25 de maio, os quatro revelam a identidade.
  4. 24 jul. 2019Horas antes de Boris Johnson ser chamado a formar governo, uma projeção no Palácio de Buckingham chama-lhe mentiroso.
  5. Nov.–dez. 2019499 mil libras de 16 492 doadores, mais de 330 outdoors. Em dezembro, 250 mil libras em 24 horas para anúncios no Facebook. Johnson ganha a maioria: o objetivo político falha.
  6. 2020–2022Covid e Partygate: cronologia projetada no castelo de Barnard Castle, Muro da Memória com as famílias enlutadas, paródias de Line of Duty, placa “The UK was crashed here” na Tufton Street.
  7. Mar. 2023Uma empresa sul-coreana falsa, a Hanseong Consulting, contacta 20 deputados; Matt Hancock e Kwasi Kwarteng discutem honorários de cerca de 10 mil libras por dia. Nenhum foi acusado de irregularidade: os deputados podem ter atividades externas, e o porta-voz de Hancock disse que ele agiu dentro das regras.
  8. Fev.–ago. 2024Cinco quilómetros de roupas de crianças na praia de Bournemouth pelas mais de 11 mil crianças mortas desde 7 de outubro de 2023 na guerra entre Israel e o Hamas; faixa “I ♡ Nigel” com Putin num evento de Farage; alface “I crashed the economy” atrás de Liz Truss em Beccles.
  9. 16 set. 2025Filme de 9 minutos sobre Trump e Epstein projetado no Castelo de Windsor, a partir de um quarto de hotel, na véspera da visita de Estado. Quatro homens detidos; a 22 de outubro, a polícia encerra o caso sem acusação.
  10. Dez. 2025–2026Debate com as Pussy Riot em Bristol (1 dez. 2025) e digressão de livros. Em 2026, o grupo divulga nas suas páginas a investigação “Dirty Money”, do projeto Verbatim, sobre o financiamento do Reform UK.

Três camadas

Cada ação foi desenhada para viver em três lugares ao mesmo tempo.

  • A ruaO outdoor, a projeção, a faixa, a praia: vistos por milhares de pessoas e, sobretudo, fotografáveis.
  • A redeA fotografia ou o vídeo publicados pelo próprio grupo minutos depois, com a fonte da frase e a ligação para doar.
  • A redaçãoJornais locais, regionais e nacionais repercutem; os jornalistas passam a usar a frase para confrontar quem a disse.
O que não se sabe. O impacto nos votos nunca foi medido: o grupo não travou o Brexit e os próprios fundadores dizem que é difícil avaliar a reação ao que publicam online.

Os números de alcance (200 milhões no Twitter, 1,4 mil milhões de alcance editorial) vêm da candidatura do grupo a um prémio em 2019, não de uma auditoria. Não foi possível apurar o desfecho da detenção de Ben Stewart em agosto de 2024. Uma crítica de outubro de 2025 diz que os detidos de Windsor foram acusados; a polícia informou a 22 de outubro de 2025 que não haveria mais diligências. A ligação entre o grupo e o projeto Verbatim, para além da divulgação, não está confirmada.

O terreno

O método nasceu num país com um mercado de outdoors aberto a quem paga, uma imprensa nacional e regional forte e o Brexit a dominar a conversa.

O método nasceu num país com um mercado de outdoors aberto a quem paga, uma imprensa nacional e regional forte e o Brexit a dominar a conversa.

Plataformas

Outdoors comerciais
No Reino Unido, os espaços de publicidade exterior são vendidos local a local a quem pagar; foi isso que permitiu trocar a colagem ilegal das primeiras semanas pela compra legal de mais de 330 espaços em 2019.
Twitter (hoje X)
Em 2019 era onde jornalistas e políticos britânicos liam a conversa política; a fotografia de cada outdoor nascia ali. O grupo tinha cerca de 340 mil seguidores em novembro de 2019.
Imprensa nacional e regional
Jornais locais e regionais publicavam as fotografias dos cartazes da cidade; a imprensa nacional fez eco dos cartazes de Dover. Cada notícia levava a frase a quem não estava nas redes.
YouTube, Facebook, Instagram e TikTok
Onde vivem os vídeos longos das projeções e as paródias; em dezembro de 2019, 250 mil libras angariadas em 24 horas pagaram anúncios no Facebook.
Monumentos e espaços simbólicos
Falésias de Dover, Parlamento, castelos, praias: lugares que já são imagem e dão sentido à frase projetada ou escrita.
Crowdfunder.co.uk
Plataforma britânica de financiamento colaborativo; cada campanha tinha a meta no próprio título, como “Let's paste these tweets all over Britain”.

Condições locais

  • Brexit: um país dividido, com promessas de 2016 que se podiam confrontar com a realidade de 2019.
  • Colar cartazes sobre anúncios sem autorização é ilegal; os fundadores temiam multas e condenações e, por isso, começaram anónimos.
  • Regras para campanhas de terceiros: perto das eleições de 2019, a lei (o chamado Lobbying Act) obrigou o grupo a identificar-se.
  • Policiamento de protestos relativamente tolerante com projeções, até Windsor, em 2025, quando quatro pessoas foram detidas.
  • Fundadores com anos de Greenpeace: sabiam fazer ação direta, fotografá-la e vendê-la à imprensa.

O método

Os fundadores não partiram de um plano: colaram um cartaz, viram o que acontecia e investiram no que funcionou.

Os fundadores não partiram de um plano: colaram um cartaz, viram o que acontecia e investiram no que funcionou. O método é a soma do que repetiram em mais de sete anos.

Três frentes

Usar as palavras deles
Nenhuma opinião do grupo no cartaz: a frase exata do político, com data e fonte. É difícil de desmentir, difícil de levar a tribunal e fácil de citar para quem entrevista o autor.
Um ativo que circula
A ação física existe para produzir uma imagem: legível num telemóvel, num lugar que dá sentido à frase e no momento certo da agenda noticiosa.
O público paga a seguinte
Cada imagem que se torna viral leva à ligação para doar. Pequenos doadores, sem grandes financiadores, pagam a compra de espaço e mantêm o grupo independente.

O ciclo de uma ação

Do outdoor de 2019 à projeção de 2025, cada ação passa pelos mesmos oito passos.

  1. Ler a agenda Que decisão, visita, votação ou aniversário se aproxima? O grupo começou a planear Windsor quando as datas da visita de Trump foram anunciadas, em julho.
  2. Encontrar a frase Uma citação verificável do alvo que contradiz o que ele faz agora. Guardar o original: ligação, captura de ecrã, data, contexto.
  3. Escolher o lugar O lugar que dá sentido à frase: Raab e a travessia Dover-Calais em Dover; Cummings em Barnard Castle; Trump num castelo real.
  4. Verificar a lei Parecer jurídico primeiro: autorização do local, lei eleitoral, difamação, regras de protesto, plano para o caso de alguém ser detido.
  5. Executar e registar Equipa pequena, muitas vezes de noite. A fotografia e o vídeo principais fazem-se antes de tudo, porque a peça pode ser retirada em minutos.
  6. Publicar primeiro O grupo publica a própria imagem logo a seguir, com a fonte. A imprensa recebe as fotografias e o contexto; os jornais da região, a versão local.
  7. Pedir e agradecer A ligação para doar acompanha a imagem enquanto a atenção está alta, e a atualização seguinte mostra em que foi gasto o dinheiro.
  8. Medir e arquivar Primeiro o que aconteceu fora do ecrã: jornalistas que usaram a frase para confrontar o autor, notícias obtidas, donativos e inscrições na lista em 48 horas. Visualizações só como contexto. Regista o que falhou; ideias cujo momento passou vão para a gaveta.

E recomeça.

Toolkit

Pessoas, ferramentas e um guia de imprensa para ações de cobertura espontânea com as palavras dos poderosos.

Pessoas, ferramentas e um guia de imprensa para ações de cobertura espontânea com as palavras dos poderosos.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Quatro fundadores geram as ideias; uma rede de colaboradores (operadores de vídeo, editores, logística, voluntários) executa-as. Em ações grandes, como a praia de Bournemouth, foram cerca de 100 voluntários. Para replicar, atribui um responsável a cada função. Para os vídeos, o grupo recorreu a colaboradores conhecidos, como o antigo apresentador do Newsnight Gavin Esler, e, na marcha de 23 de março de 2019, alugou um helicóptero para filmar a multidão do alto.

Equipa mínima

Núcleo criativo (3–4 pessoas)
Escolhe alvo, frase, lugar e momento. Decide também matar ideias: se o momento passou ou o público não vai querer saber, a ação é cancelada. O grupo também abriu concursos: o público fazia paródias da campanha oficial “Get Ready for Brexit”, com Armando Iannucci e David Schneider no júri, e os cinco vencedores foram para outdoors.
Pesquisa e verificação
Mantém o arquivo de frases: original, ligação, captura de ecrã, data, contexto. Nenhuma frase sai sem duas pessoas terem confirmado a fonte.
Jurídico
Advogado consultado antes de cada ação e contactável na noite dela. Revê a frase (difamação), o local (autorização), a lei eleitoral (registo e despesas) e a lei de protesto.
Produção e logística
Impressão, compra de espaço, aluguer de projetor ou carrinha, reconhecimento do local, teste na véspera, transporte e recolha do material.
Imagem
Fotógrafo e operador de vídeo com uma lista de planos definida antes: o plano geral que mostra o lugar, o pormenor legível da frase, a reação de quem passa. Entrega o material em 30 minutos.
Imprensa
Uma só pessoa fala com jornalistas. Prepara o comunicado, a pasta de fotografias de uso livre, o dossiê das fontes da frase e a lista de contactos nacionais e locais. Telefona, não se limita a enviar e-mails.
Porta-voz
Uma voz pública, como Ben Stewart tem sido para o grupo, com um substituto. Treinada em três mensagens: o que o grupo fez, a frase e a fonte, o que pede.
Redes e donativos
Publica a imagem do grupo, responde, atualiza a página de donativos com a fotografia da última ação e presta contas do que foi gasto.
Segurança e apoio
Um observador fora da ação, o número do advogado com todos, um plano para detenções e apoio a quem for detido. Ninguém vai sozinho.

Calendário de uma ação

  1. D−60 a D−30A data entra na agenda (visita, votação, aniversário de uma promessa). O núcleo escolhe frase e lugar; a pesquisa abre o dossiê de fontes; o jurídico dá o primeiro parecer.
  2. D−14Orçamento fechado. Compra de espaço ou reserva de projetor, carrinha, hotel. Se faltar dinheiro, campanha de donativos com uma meta específica e a prova da ação anterior.
  3. D−7Reconhecimento do local: de onde se fotografa, por onde se sai. Imprensa: lista e contactos prontos, sem avisos, porque a surpresa faz parte do efeito; no máximo, um jornalista de confiança sob embargo.
  4. D−1Teste: em Windsor, o grupo projetou primeiro o brasão real para acertar o enquadramento. Comunicado, pasta de fotografias e dossiê prontos. Revisão final do jurídico.
  5. Dia D, hora zeroExecução, com a fotografia e o vídeo principais feitos nos primeiros minutos. Observador e advogado em linha.
  6. D + 30 minutosO grupo publica a própria imagem com a fonte da frase. Imprensa: comunicado e fotografias para agências, jornais nacionais e o jornal da cidade; telefonemas aos jornalistas que já cobriram o tema.
  7. D + 1 diaPorta-voz em entrevistas. Atualização para os doadores. Se o político responder, uma resposta curta que volta à frase e à fonte.
  8. D + 3 diasMedir: peças obtidas, visualizações, donativos em 48 horas, jornalistas que usaram a frase. Arquivar tudo e registar o que mudar na próxima.

Quando a notícia o exige, o ciclo encolhe para horas (a projeção em Buckingham surgiu horas antes de Johnson ser chamado a formar governo), mas as verificações de fonte e de lei nunca se saltam.

Plano B

  • Fotografar e filmar antes de tudo: em Dover, os outdoors duraram um dia; a fotografia continua a circular.
  • Um segundo local ou formato preparado, caso o dono do espaço recuse o primeiro ou a polícia o impeça.
  • Porta-voz substituto e uma segunda pessoa com acesso às contas do grupo.
  • Advogado com número conhecido por todos e um fundo de apoio jurídico para quem for detido.
  • Uma lista própria de e-mails com consentimento, para não depender de uma rede social.
  • Critério para cancelar: se o momento passou, se o risco jurídico mudou ou se o público não vai querer saber, a ação não avança.

Tecnologia

O que custa dinheiro é o espaço e o equipamento, não o software. Os pequenos donativos pagam o espaço; o resto cabe em ferramentas gratuitas.

  • Página de donativosComissão da plataforma sobre cada donativo

    Plataforma de financiamento colaborativo com a meta no título e a fotografia da última ação; donativo mensal para planear e pontual para os picos. O grupo diz recusar grandes doadores.

  • Lista de e-mailsGrátis até alguns milhares de contactos

    Inscrição com confirmação por e-mail e política de privacidade; é por ela que se anuncia a próxima campanha de donativos.

  • Contas próprias nas redesGrátis

    X, Instagram, TikTok, YouTube, Facebook: onde a imagem nasce. Publica primeiro, com a fonte na legenda.

  • Kit de vídeoDo telemóvel que já tens ao aluguer à diária

    Câmara ou um bom telemóvel, tripé, microfone; edição rápida com legendas para vídeos curtos e montagem cuidada para os longos.

  • Compra de espaço exteriorVaria por local e semana; pede orçamento

    Outdoors, ecrãs digitais, carrinhas com ecrã. Pede orçamento a vários donos de espaço: podem recusar ou retirar mensagens políticas.

  • Projetor de alta potênciaAluguer por noite; pede orçamento

    Alugado com técnico. Projeções noturnas grandes exigem muita luz; testa o enquadramento na véspera.

  • Arquivo de frases e de açõesGrátis

    Folha de cálculo partilhada: cada frase com o original e a fonte, cada ação com verificação jurídica, cobertura obtida e resultado. É a memória e a defesa do grupo.

  • Monitorização da coberturaGrátis

    Alertas do Google, pesquisa de notícias e das redes pela frase e pelo nome da ação, para contar a cobertura obtida.

  • Ligações rastreadasGrátis

    Ligações com UTM na legenda, no comunicado e no código QR do material, para saber de onde vieram os donativos.

  • Comunicação segura da equipaGrátis

    Signal com mensagens temporárias para a logística da noite; nada de planos sensíveis em grupos abertos.

  • Dossiês públicos e sites de paródiaDomínio e alojamento

    Sites que guardam as frases com a fonte para jornalistas e público: johnsondossier.com, com discursos e colunas de Johnson; followtherules.co.uk, com as 100 vezes em que ele pediu que se cumprissem as regras da covid; e uma paródia do site do Brexit Party.

Guias rápidos por canal

Colunas do arquivo de ações

Data e hora · Ação e local · Frase exata · Fonte original, data e contexto · Quem verificou · Parecer jurídico (quem, quando) · Custo e quem pagou · Fotografia e vídeo principais (ligação) · Peças obtidas (meio, ligação) · Visualizações nas contas próprias · Donativos nas 48 horas seguintes · O que mudar na próxima

Os números de 2019 dão a escala: 499 mil libras de 16 492 pessoas pagaram mais de 330 outdoors, carrinhas, projeções e dois sites de paródia. Começa pequeno: um cartaz bem fotografado e uma página de donativos.

Comunicação

A peça não opina: deixa o político falar. O tom do grupo é seco e, no momento certo, engraçado. O alvo é sempre quem tem poder.

A fórmula de uma ação

  1. A frase Palavra por palavra, com nome, data e meio. Sem cortes que mudem o sentido.
  2. O contraste A frase só funciona se o leitor já sabe o que aconteceu depois. Escolhe promessas que a realidade desmentiu.
  3. O lugar Onde a frase ganha sentido sozinha: a fronteira, o edifício, a cidade do político.
  4. O momento Um gancho noticioso: a votação, a visita, o aniversário da promessa, a véspera de um anúncio.
  5. A imagem Um enquadramento legível num telemóvel: a frase grande, o lugar reconhecível, de preferência com pessoas a olhar.
  6. A fonte Na legenda e no comunicado: ligação para o original. Para frases que não vêm do Twitter, nota de rodapé no próprio cartaz.
  7. O pedido Um só: doe para a próxima, partilhe, assine. Com ligação rastreada.

Regras de escrita e de imprensa

  • Cita palavra por palavra e guarda a prova. Quando Jacob Rees-Mogg contestou o contexto de uma frase, o grupo passou a pôr notas de rodapé nas citações que não vinham de tweets.
  • Aponta a quem tem poder, nunca a um grupo de pessoas. Um cartaz sobre Ann Widdecombe foi lido como um ataque a pessoas homossexuais: o grupo retirou-o em 24 horas e pediu desculpa.
  • Fotografa antes de tudo: a peça pode ser retirada no dia seguinte; a imagem fica.
  • Publica primeiro nas tuas contas, com a fonte; depois envia à imprensa. Quem publica primeiro define o enquadramento.
  • A imprensa local e regional conta: dá ao jornal da cidade as fotografias do outdoor da cidade.
  • Uma pessoa fala com jornalistas e um porta-voz dá entrevistas. Três mensagens: o que o grupo fez, a frase e a fonte, o que pede.
  • Humor no momento certo, não como ponto de partida. A alface atrás de Liz Truss funcionou porque o país já conhecia a piada.
  • Em temas de dor, como a covid ou a guerra, trabalha com quem foi atingido desde a conceção: no Muro da Memória, as famílias enlutadas pela covid foram parceiras da ação do início ao fim.
  • Se o momento passou, guarda a ideia. Uma ação fora de tempo gasta dinheiro e credibilidade.
  • Se o alvo responder, não entres em discussão: volta à frase e à fonte.

Exemplo de comunicado de imprensa

PARA PUBLICAÇÃO IMEDIATA: Esta noite, um outdoor em frente à estação de [cidade] mostra, palavra por palavra, o que [nome] prometeu em [data]: “[frase]”. Fonte: [ligação]. Fotografias em alta resolução, de uso livre com crédito, e o dossiê da citação: [ligação]. A ação foi paga por [número] pequenos doadores. Porta-voz disponível para entrevistas: [nome, telefone].

Levar para o teu contexto

O que funciona em qualquer lado e o que tem de ser trocado.

O que funciona em qualquer lado e o que tem de ser trocado. Escolhe o teu país no topo do toolkit para veres as ferramentas equivalentes.

Funciona em qualquer lado

  • Usar as palavras exatas de quem tem poder, com data e fonte, em vez de opinião própria.
  • Desenhar cada ação física para produzir uma imagem que circula.
  • Escolher o lugar e o momento que dão sentido à frase.
  • Publicar primeiro nas próprias contas e depois levar à imprensa, com dossiê de fontes.
  • Pequenos donativos para pagar o espaço, com prestação de contas pública.
  • Parecer jurídico antes de cada ação e plano para detenções.
  • Abandonar ideias quando o momento passa.

Depende do contexto

Mercado de outdoors aberto à compra
Onde o espaço exterior é caro, controlado pelo Estado ou recusa mensagens políticas, usa projeções, faixas em eventos, carrinhas com ecrã ou intervenções efémeras, sempre com parecer jurídico.
O Twitter como redação
Publica onde os jornalistas e o público do teu país leem política hoje: Instagram, TikTok, WhatsApp, Telegram, Bluesky. O seletor de país indica a rede mais usada.
Imprensa britânica forte
Onde a imprensa está capturada, aponta a meios independentes, rádios locais, correspondentes estrangeiros e aos teus próprios canais; o dossiê de fontes protege-te a ti e ao jornalista.
Crowdfunder.co.uk
Usa a plataforma de financiamento colaborativo do teu país e confirma se a lei permite donativos a campanhas de terceiros e de quem.
Lobbying Act e Electoral Commission
Confirma com um advogado as regras do teu país para campanhas de terceiros: registo, limites de despesa, identificação de quem paga. Na UE, o Regulamento (UE) 2024/900 exige que cada anúncio político pago diga quem o patrocina e remeta para um aviso de transparência que inclui quanto custou. Vê a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
Policiamento tolerante com projeções
Em países onde o protesto simbólico leva à prisão, como aconteceu às Pussy Riot na Rússia, avalia primeiro o risco pessoal e prefere formatos legais.

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. As palavras deles, em tamanho de outdoor

    Nada de opinião no cartaz: a frase exata de quem tem poder, com nome, data e fonte, num lugar que lhe dá sentido e no momento em que a notícia a torna atual. No Reino Unido, a frase de Dominic Raab sobre a travessia Dover-Calais, posta em outdoors em Dover, tornou-se viral; frases ignoradas na internet durante semanas ganharam cerca de 10 mil retweets quando passaram a outdoor.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando o alvo fez promessas que a realidade desmentiu e o público já sabe o que aconteceu depois.
    Não usar quando
    Não funciona com frases cortadas ou fora de contexto, nem quando o alvo é um grupo de pessoas e não quem tem poder.
    1. Semana −9 Abrir o arquivo de frases: original, ligação, captura de ecrã, data e contexto
    2. Semana −9 Escolher uma promessa que a realidade desmentiu e que o público conhece
    3. Semana −8 Escolher o lugar que dá sentido, por si só, à frase
    4. Semana −4 Duas pessoas conferem a fonte; o jurídico revê difamação e local
    5. Semana −2 Comprar o espaço ou reservar o projetor, com um segundo local preparado
    6. Semana do dia D Pôr a fonte na legenda e, se não for uma publicação, em nota de rodapé no cartaz

    Equipa

    • Núcleo criativo: escolhe alvo, frase, lugar e momento, e mata ideias fora de tempo
    • Pesquisa e verificação: mantém o arquivo de frases e confere cada fonte
    • Produção: compra o espaço, imprime e faz o reconhecimento do local

    O que medir: Jornalistas que usaram a frase para confrontar o autor numa entrevista, contados pela monitorização da cobertura, não visualizações.

    Riscos a vigiar: Uma frase exata pode mesmo assim atingir o grupo errado; o grupo retirou um cartaz em 24 horas e pediu desculpa. Aponta só a quem tem poder e cita palavra por palavra, porque uma frase editada dá processo.

  2. Fotografar antes, publicar primeiro

    A ação física existe para produzir uma imagem: foto e vídeo principal nos primeiros minutos, publicação nas próprias contas em 30 minutos, com a fonte, e só depois a imprensa, incluindo o jornal da cidade. No Reino Unido, os outdoors de Dover duraram um dia, mas a foto continuou a circular, e a imprensa nacional e local fez-lhe eco.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona com qualquer ação de rua que possa ser retirada, impedida ou vista por pouca gente no local.
    Não usar quando
    Não funciona se a imagem não se lê num telemóvel ou se a imprensa a recebe antes de a publicares: quem publica primeiro define o enquadramento.
    1. Semana −1 Fazer a lista de planos: geral com o lugar, detalhe legível da frase, quem passa
    2. Semana −1 Fazer o reconhecimento do local: de onde se fotografa e por onde se sai
    3. Semana do dia D Na véspera, testar o enquadramento e preparar nota, fotos e dossiê
    4. Semana do dia D Fazer a foto e o vídeo principal nos primeiros minutos
    5. Semana do dia D Publicar a própria imagem em 30 minutos, com a fonte na legenda
    6. Semana do dia D Enviar nota e fotos às agências, à imprensa nacional e ao jornal da cidade, e telefonar
    7. Semana do dia D No dia seguinte, porta-voz em entrevistas com três mensagens

    Equipa

    • Imagem: fotógrafo e videógrafo com a lista de planos; entrega em 30 minutos
    • Imprensa: uma só pessoa fala com jornalistas e telefona, não só envia e-mails
    • Porta-voz: o que o grupo fez, a frase e a fonte, o que pede

    O que medir: Peças publicadas com a imagem do grupo, sobretudo no jornal da cidade, registadas no arquivo de ações nos três dias seguintes.

    Riscos a vigiar: Avisar a imprensa antes estraga a surpresa e pode levar ao cancelamento: no máximo um jornalista de confiança sob embargo, e se o alvo responder, não discutas; volta à frase e à fonte.

  3. O público paga a próxima ação

    Cada imagem que se torna viral leva a uma página de donativos com a meta no título e a foto da última ação; pequenos doadores pagam o espaço e mantêm o grupo independente, e cada atualização mostra em que foi gasto o dinheiro. No Reino Unido, a primeira meta de 10 mil libras foi batida em poucas horas, e até novembro de 2019 16 492 pessoas deram 499 mil libras, que pagaram mais de 330 outdoors.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando já há uma ação forte para mostrar e uma próxima que o público quer ver acontecer.
    Não usar quando
    Não funciona com grandes doadores escondidos nem sem prestar contas: um grupo que cita os outros não pode ser apanhado em contradição sobre o próprio dinheiro.
    1. Semana −4 Abrir a página de donativos com a meta no título e a foto da última ação
    2. Semana −4 Abrir a lista de e-mails com confirmação e política de privacidade
    3. Semana −2 Fechar o orçamento; se faltar, lançar uma meta específica com a prova da ação anterior
    4. Semana do dia D Pôr a ligação rastreada de donativo junto da imagem enquanto a atenção está alta
    5. Semana do dia D No dia seguinte, mostrar aos doadores em que foi gasto o dinheiro
    6. Semana do dia D Contar os donativos e as inscrições das 48 horas seguintes

    Equipa

    • Redes e donativos: publica a imagem, atualiza a página e presta contas
    • Tesouraria: regista cada despesa e confirma os limites para campanhas de terceiros
    • Lista de e-mails: avisa da próxima campanha quem deu consentimento

    O que medir: Donativos e inscrições na lista nas 48 horas após a ação, contados pela ligação rastreada de cada canal.

    Riscos a vigiar: As regras para campanhas de terceiros podem exigir registo, limite de despesas e identificação de quem paga: confirma com um advogado quem pode doar e declara tudo.

  4. Parecer jurídico e plano para detenções

    Antes de cada ação, um advogado revê a frase, o local, a lei eleitoral e a de manifestação; na noite, está de serviço, há um observador fora da ação e ninguém vai sozinho. No Reino Unido, o grupo fez 25 a 30 projeções sem detenções; em Windsor, em 2025, quatro homens foram detidos e a polícia arquivou o caso sem acusação.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona para qualquer ação em espaço público, sobretudo projeções em edifícios e ações perto de autoridades.
    Não usar quando
    Não uses pretextos nem disfarces para entrar num lugar, e onde o protesto simbólico leva à prisão, avalia primeiro o risco pessoal e prefere formatos legais.
    1. Semana −9 Pedir o primeiro parecer: frase, local, lei eleitoral e lei de manifestação
    2. Semana −4 Confirmar as regras para campanhas de terceiros: registo, despesas, quem paga
    3. Semana −1 Definir o observador fora da ação e o fundo de apoio jurídico
    4. Semana do dia D Fazer a revisão jurídica final na véspera
    5. Semana do dia D Na noite, advogado em linha e o número dele com todos
    6. Semana do dia D Se alguém for detido, apoio imediato e uma resposta pública curta

    Equipa

    • Jurídico: dá o parecer antes e fica de serviço na noite da ação
    • Segurança e apoio: observador fora da ação e plano para detenções
    • Porta-voz: responde em público, sem discutir, voltando à frase e à fonte

    O que medir: Pessoas da equipa que saíram para a ação com o número do advogado e um observador designado, e detidos que tiveram advogado no próprio dia.

    Riscos a vigiar: Projetar sem autorização pode levar a detenção mesmo sem acusação depois: tem parecer escrito, um segundo local preparado e um critério claro para cancelar se o risco mudar.

  5. Temas de dor, com quem foi atingido

    Em temas de luto ou guerra, quem foi atingido é parceiro da ação desde o conceito, e voluntários montam uma imagem que mostra a escala. No Reino Unido, o grupo e as famílias enlutadas pela covid pintaram mais de 150 mil corações no Muro Nacional da Memória, em frente ao Parlamento; em Bournemouth, cerca de 100 voluntários estenderam cinco quilómetros de roupa de criança na praia.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando um número grande demais para ser sentido precisa de se tornar algo que se vê e que as pessoas atingidas querem mostrar.
    Não usar quando
    Não funciona se a dor dos outros passa a ser só cenário: sem as famílias a decidir, a ação explora quem diz defender.
    1. Semana −8 Convidar quem foi atingido a ser parceiro desde o conceito
    2. Semana −6 Decidir com eles a frase, o lugar e o que não mostrar
    3. Semana −4 Recrutar voluntários para a montagem
    4. Semana −1 Ensaiar a logística e combinar quem fala à imprensa
    5. Semana do dia D Montar a ação e fotografar o plano geral que mostra a escala
    6. 1 semana(s) depois Devolver às famílias as imagens e o arquivo da ação

    Equipa

    • Famílias parceiras: decidem o que se mostra e falam por si
    • Coordenação de voluntários: recruta, forma e organiza a montagem
    • Imagem: regista a escala com respeito, sem expor quem não quer

    O que medir: Pessoas atingidas e voluntários que participaram na montagem, e famílias que continuaram na campanha depois, contados na lista de voluntários.

    Riscos a vigiar: Expor dor sem consentimento e entrar num lugar sob pretexto são riscos jurídicos e éticos: autorização das famílias para nomes e imagens e licença para o local.

Praticar

Treina com as missões e situações do caso.

Decidir como o grupo

Seis momentos de sete anos de ações. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano de 30 dias para a primeira ação

Uma sequência para montar a primeira ação de cobertura espontânea e a operação que a sustenta.

Uma sequência para montar a primeira ação de cobertura espontânea e a operação que a sustenta. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Semana 1: Base

  2. Semana 2: A ideia

  3. Semana 3: Produção

  4. Semana 4: A ação

  5. Depois: Medir e repetir

Regras

O grupo cita com rigor e assina as ações.

O grupo cita com rigor e assina as ações. Se enganasse o público uma vez, ninguém voltaria a confiar nas suas citações.

Espaço com autorização
Colar sobre anúncios ou pintar sem autorização é ilegal no Reino Unido e na maioria dos países. O grupo fê-lo só nas primeiras semanas e cedo passou a comprar espaço.
Projeções e protesto
Projetar em edifícios sem autorização pode levar a detenção: em Windsor, por suspeita de comunicações maliciosas e perturbação da ordem pública, mesmo sem acusação depois. Na Alemanha, a polícia investigou uma projeção de 2025 numa fábrica da Tesla por uso de símbolos proibidos. Parecer jurídico primeiro, sempre.
Dizer quem fala
O grupo começou anónimo, mas a lei britânica para campanhas de terceiros obrigou-o a identificar-se antes das eleições de 2019. Indica em cada peça quem a promove e paga, onde a lei o exigir.
Despesas transparentes
Em 2019 houve uma acusação de despesa eleitoral acima do limite; a Electoral Commission confirmou que nenhuma regra foi violada. Regista cada despesa e confirma os limites para campanhas de terceiros.
Citação exata, sem difamação
Cita palavra por palavra, com fonte e contexto. Uma frase verdadeira é a melhor defesa; uma frase editada torna-se um processo.
Paródia identificável
Sites e peças de paródia têm de ser claramente paródia. O Brexit Party enviou uma notificação extrajudicial por causa do domínio de paródia do grupo.
Só pessoas reais
Nada de perfis falsos, bots, contas compradas ou apoios fingidos. A força da ação é ser assumida.
Sem enganar o público
Nada de deepfakes nem de peças que finjam vir de outra organização. Conteúdo feito com IA é identificado como tal.
Donativos e dados
Confirma quem pode doar a campanhas de terceiros no teu país e trata a lista de e-mails de acordo com a proteção de dados (RGPD no Reino Unido e na UE, LGPD no Brasil).
Lei local
Cada país tem regras próprias sobre publicidade exterior, protesto e campanha. Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e a Google deixou de publicar publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que se aplica também offline, incluindo outdoors, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Confirma com um advogado antes de começar. Vê a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não ganha eleições sozinho
Em dezembro de 2019, apesar de 250 mil libras em anúncios e de centenas de outdoors, os partidos pró-Brexit ganharam a maioria dos lugares. A cobertura espontânea muda a conversa, não organiza votos.
Fala muito para os convencidos
Críticos na imprensa, de Dawn Foster no Guardian, em 2019, a críticas de 2024 e 2025, dizem que as ações dificilmente mudam a opinião de alguém e às vezes dão palco ao alvo, como na ação contra Liz Truss.
Impacto difícil de medir
Os fundadores admitem que é difícil avaliar a reação ao que publicam online; os números de alcance vêm do próprio grupo.
Pretextos e disfarces são um risco, não um passo
No Muro da Covid, a equipa chegou vestida de operários com placas que sugeriam autorização; em Beccles, o espaço foi preparado sob outro pretexto, segundo um relato; em 2023, o grupo usou uma empresa falsa. Mesmo com um objetivo de interesse público, enganar terceiros traz risco jurídico e de credibilidade. Este playbook não os ensina.
Custa caro a quem o faz
Detenções (Stewart em 2024, quatro pessoas em 2025), pareceres jurídicos e trabalho noturno pesam sobre um grupo pequeno. Os fundadores falam de férias “a sério”, com o computador fechado.
Depende de um núcleo pequeno
As ideias vêm de quatro pessoas. Sem elas, o método tem de ser reconstruído, e por isso vale a pena documentar cada passo.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Qual era a teoria da mudança do Led By Donkeys, segundo Ben Stewart?
2. O que transforma uma ação física num “ativo que circula”?
3. Um político diz que a citação foi tirada do contexto. O que fez o grupo num caso assim?
4. O que deve vir primeiro quando a ação está instalada?
5. Como pagou o grupo mais de 330 outdoors em 2019?

Fontes

Este playbook foi construído com entrevistas e intervenções dos fundadores entre 2019 e 2025, as páginas do próprio grupo consultadas a 26…

Este playbook foi construído com entrevistas e intervenções dos fundadores entre 2019 e 2025, as páginas do próprio grupo consultadas a 26 de outubro de 2026, dados de financiamento publicados em 2019 e 2024 e reportagens sobre cada ação.

27 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Paul Harrop, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 26 de outubro de 2026

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