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Gabriel Boric na noite da vitória, dezembro de 2021

Chile · 2021

Um milhão de portas

¡Un millón de puertas!

Em espanhol, “Um milhão de portas!”: nome e meta do porta a porta lançado pelo comando de Boric no início de dezembro de 2021; não há total verificado de portas.

Em 28 dias, Gabriel Boric passou de segundo colocado a presidente, levando às urnas jovens e mulheres que não tinham votado. Veja como a campanha saiu das redes para as portas.

Uma homenagem aos voluntários dos comandos, aos coletivos feministas, de bairro e de fãs que fizeram campanha por conta própria, e aos apoderados de mesa. Projeto independente, sem ligação a Boric, à Frente Ampla, ao Apruebo Dignidad ou a qualquer partido.

Em 30 segundos

  1. Cerca de 1,25 milhão de votantes a mais. Boric perdeu o 1.º turno para Kast por dois pontos e venceu o 2.º com 55,87%, com voto voluntário.

  2. “Un millón de puertas”. Com mapas de calor do 1.º turno, a campanha mandou voluntários aos bairros periféricos e a quem não tinha votado.

  3. 2.º turno com voto voluntário: decide quem ainda não votou. Vá à porta para ouvir e amplie a mensagem sem largar a base.

Os primeiros passos

  1. Mapear coletivos, sindicatos, juntas de bairro e grupos de fãs que já se organizam na sua área
  2. Criar comandos locais com contatos e consentimento, meses antes da eleição
  3. Preparar um kit de materiais editáveis e um quadro de orientações

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Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Quem fez

A virada teve um comando central pequeno e uma multidão de grupos que nunca pediram autorização.

A virada teve um comando central pequeno e uma multidão de grupos que nunca pediram autorização. Estes são os organizadores cujos relatos (em entrevistas, discursos e reportagens baseadas em conversas com eles) sustentam este playbook.

  • Izkia Siches

    Presidente do Colegio Médico até 23 nov. 2021; depois chefe de campanha de Boric no segundo turno

    Deixou o Colegio Médico dois dias depois do primeiro turno e fez uma volta de 12 dias pelo país, de Arica a Los Lagos, com a filha bebê, seguindo um mapa de comunas prioritárias do comando.

    Fontes
  • Karol Cariola

    Deputada do Partido Comunista, organizadora da volta “Un millón de puertas por Boric”

    Coordenou a campanha nacional de porta a porta em 66 comunas, com pelo menos 45 “embaixadoras e embaixadores” vindos de movimentos sociais, artes, cultura e política.

    Fontes
  • Giorgio Jackson e Irací Hassler

    Deputado (Revolución Democrática) e prefeita de Santiago (PC)

    Comandaram o arranque do porta a porta na Região Metropolitana em 5 dez. 2021, com a ordem de escutar quem não tinha votado ou tinha votado em outro candidato.

    Fontes
  • Matías Grau e Nicolás Cataldo

    Engenheiro civil industrial, à frente da inteligência de dados; e coordenador territorial da campanha (PC)

    Grau desenhou com a sua equipe de dados e pesquisas o novo desdobramento territorial a partir de mapas de calor; Cataldo coordenou o território, dividido por regiões e por zonas periféricas.

    Fontes
  • Sebastián Kraljevich

    Sociólogo, principal estrategista do comando de Boric

    Explicou depois da vitória que o resultado do primeiro turno mostrou o perigo e mobilizou, e que o candidato precisava tranquilizar os eleitores.

    Fontes
  • Tito Bofill e Nicole Otazo (Cooperativa Cuarto de Guerra)

    Redator e analista de narrativa; coordenadora geral de redes sociais, numa cooperativa de 11 jovens profissionais

    Contaram como a campanha digital combinou canais oficiais com centenas de contas autogeridas “xBoric”, materiais fáceis de reproduzir e um quadro de orientações, sem bots.

    Fontes
  • Matías Toledo e a Coordinadora Social Shishigang

    Líder social de Puente Alto e os seus “Comandos por el Buen Vivir”, autônomos

    Juntou assembleias, juntas de vizinhos, clubes de futebol e panelas comuns numa das comunas com mais votos novos para Boric.

    Fontes
  • Gracia Ortiz (Kpopers por Boric)

    Designer e integrante de um pequeno grupo de fãs de K-pop que fez campanha no segundo turno

    Organizou ações online e eventos presenciais, guias para votar com segurança e para denunciar discurso de ódio e notícias falsas.

    Fontes
  • Javiera Cabello, Felipe Heusser e Nataly Campusano

    Chefe de campanha, chefe de comunicações e responsável territorial na campanha das primárias (julho de 2021)

    Montaram a campanha das primárias, com 357 comandos territoriais autofinanciados e uma franja, roteirizada por Pablo Paredes, que consumiu quase metade dos 87 milhões de pesos arrecadados.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Paráfrases de entrevistas e declarações dos próprios organizadores.

Paráfrases de entrevistas e declarações dos próprios organizadores. Citações curtas estão entre aspas e traduzidas do espanhol.

Mais 6 citações
  • A ordem para os voluntários era escutar primeiro — “prestar muita atenção” — a quem não votou ou votou em outro candidato, e só depois apresentar propostas.

    Giorgio Jackson, no arranque do porta a porta em Santiago, Chilevisión, 5 dez. 2021

  • O eleitor percebeu que havia “uma ameaça real”. E o candidato precisava deixar claro que o seu governo não vinha tirar nada de ninguém.

    Sebastián Kraljevich, estrategista do comando, The Clinic / Página/12, 23 dez. 2021

  • Criaram materiais que qualquer pessoa podia fazer e compartilhar sem inscrição nem hierarquia, e um quadro central de orientações para manter a coerência e antecipar ações arriscadas. Escolheram não usar bots.

    Tito Bofill e Nicole Otazo, Cooperativa Cuarto de Guerra, Beers & Politics, entrevista, 11 fev. 2022

  • Talvez o meme sozinho não importe muito: para converter o apoio online, “tem de haver também uma campanha territorial”.

    J., administrador da Brigada Otaku Antifascista (92 mil seguidores), Interferencia, “Poblaciones, memes y K-Pop”, 28 nov. 2021

  • Tudo foi pensado a partir de uma pergunta: o que podiam fazer como fãs de K-pop para mobilizar as pessoas.

    Gracia Ortiz, Kpopers por Boric, CNN Chile, dez. 2021

  • Recrutou primeiros votantes e militantes antigos; segundo ela, dos 4.900 votos de Boric na comuna no segundo turno, 1.500 eram novos, e o comando cobriu todas as mesas com 55 apoderados.

    Judith Leiva, comando autoconvocado de Colbún (Maule), CIPER, 5 jan. 2022

A história

Boric, ex-dirigente estudantil de 35 anos, ganhou as primárias contra o comunista Daniel Jadue com 60,42% e chegou ao primeiro turno com…

Boric, ex-dirigente estudantil de 35 anos, ganhou as primárias contra o comunista Daniel Jadue com 60,42% e chegou ao primeiro turno com uma campanha muito apoiada nas redes. Perdeu por dois pontos. O que se seguiu foi uma campanha diferente, feita em quatro semanas.

55,87%
para Boric no segundo turno, 19 dez. 2021 (4.620.890 votos)oficial
+1,25 mi
votantes a mais do que no primeiro turno (8.363.910 contra 7.114.318)oficial
+2,8 mi
votos para Boric entre os dois turnos (de 1,8 para 4,6 milhões)oficial
58% → 67%
comparecimento das mulheres de 30 a 50 anos, do primeiro para o segundo turno (DecideChile)estimativa

Do estallido à virada

  1. 18 out. 2019Começa a revolta social contra o aumento da tarifa do metrô de Santiago. Em 15 de novembro, Boric assina a título pessoal o acordo que abre o processo constituinte, o que lhe custa críticas e saídas no próprio partido.
  2. 25 out. 2020Plebiscito: 78,31% aprovam uma nova Constituição, com cerca de 51% de comparecimento.
  3. 18 jul. 2021Boric vence as primárias do Apruebo Dignidad contra Daniel Jadue (60,42%). A campanha tem 357 comandos autogeridos; a de Jadue tinha 1.200.
  4. 21 nov. 2021Primeiro turno: Kast 27,91%, Boric 25,82%, Parisi 12,81%. Comparecimento de 47,33%. Na mesma noite, a Coordinadora Feminista 8M se reúne e convoca uma assembleia antifascista que junta perto de 2.000 pessoas.
  5. 22–23 nov. 2021Izkia Siches deixa o Colegio Médico e assume a chefia da campanha. O comando se reorganiza em três áreas (política, comunicação, território) e a equipe de dados desenha mapas de calor.
  6. início dez. 2021Lançamento de “Un millón de puertas por Boric” em Pudahuel, com uma volta por 66 comunas, e da “Ruta de la Esperanza” de Siches, que parte de Arica e percorre todas as regiões até Los Lagos em 12 dias.
  7. 5 dez. 2021Começa o período legal de propaganda. Jackson e Hassler lançam o porta a porta na Região Metropolitana; Boric está no Biobío e Siches em Iquique.
  8. 10 e 13 dez. 2021Os dois únicos debates aceitos pelo comando (Archi e Anatel). Kast critica os poucos debates; o comando responde que a prioridade é o território.
  9. 19 dez. 2021Boric 55,87%, Kast 44,13%, quase 971 mil votos de diferença. Comparecimento de 55,64%, o maior desde o fim do voto obrigatório. Cerca de 100 mil pessoas festejam no centro de Santiago.
  10. 11 mar. 2022Boric toma posse aos 36 anos, o presidente mais jovem da história do Chile. Siches se torna a primeira mulher ministra do Interior.

Três camadas, uma só campanha

A virada se apoiou em três camadas sobrepostas, com graus diferentes de controle.

  • O comando centralPequeno: dados e pesquisas, comunicação, território dividido por regiões entre dirigentes partidários, com prefeitos e vereadores ganhando peso. Decidia prioridades, mapas e mensagem.
  • Os rostos que viajamSiches no norte e nas regiões, Boric no sul, Cariola com 45 embaixadores em 66 comunas, Jackson e Hassler em Santiago. Cada volta seguia o mapa de comunas prioritárias.
  • O desborde cidadãoComandos autoconvocados, coletivos feministas, juntas de vizinhos, clubes de futebol, artistas, humoristas e fandoms que fizeram campanha própria, muitas vezes mais rápido do que o comando oficial.
O que não se sabe. Os números de resultados vêm do Servel (via Wikipedia); os de comparecimento por idade e sexo são estimativas da DecideChile/Unholster a partir de dados por mesa, e variam ligeiramente entre publicações (55,55% a 55,64% de comparecimento).

Não há um total oficial de portas batidas nem de voluntários: “um milhão de portas” era uma meta, não um número verificado. Os números por comuna (Maipú, Puente Alto, Colbún, Antofagasta) foram relatados pelos organizadores ou por reportagens. Nenhum estudo isola o efeito do porta a porta: o medo de Kast, o apoio da antiga Concertación, os debates e a viagem de Kast aos EUA durante a campanha também pesaram. O papel de Siches e as decisões internas do comando vêm sobretudo de reportagens baseadas em fontes do comando, não de relatos publicados por ela.

O terreno

O Chile de 2021 vinha de uma revolta social (2019), de um plebiscito constitucional ganho com 78% (2020) e de uma pandemia.

O Chile de 2021 vinha de uma revolta social (2019), de um plebiscito constitucional ganho com 78% (2020) e de uma pandemia. O voto era voluntário desde 2012: metade do eleitorado não votava, e foi aí que a eleição se decidiu.

Plataformas

Porta a porta e conversas de vizinhança
O centro da virada. Com voto voluntário, a tarefa era encontrar quem não tinha votado e convencê-lo a ir; voluntários levavam um roteiro para quem se absteve e para eleitores de outros candidatos.
Volta pelas regiões (“Ruta de la Esperanza”)
Izkia Siches viajou de ônibus do norte ao sul, com encontros com pequenos empresários, dirigentes sociais e profissionais de saúde, onde Boric tinha ido mal no primeiro turno.
Twitter, Instagram e TikTok
Conversa política e cultura pop: memes feitos por apoiadores, contas de fandoms (K-pop, Taylor Swift, anime), contas autogeridas “xBoric”. O próprio Boric compartilhava os melhores.
Facebook (anúncios)
Na última semana, Boric gastou cerca de 35,8 milhões de pesos em anúncios no Facebook, contra 137,9 milhões de Kast: a vantagem não veio do dinheiro em mídia paga.
Franja eleitoral e debates na TV
Dez minutos diários de propaganda gratuita na TV, divididos entre os dois candidatos, e dois debates escolhidos pelo comando (10 e 13 dez. 2021).
Rádio local e cartas
Comandos pequenos pagaram programas e spots em rádios locais; a Unholster enviou cartas a 28.500 pessoas que tinham votado no plebiscito mas não na eleição da Convenção.

Condições locais

  • Voto voluntário com inscrição automática: o comparecimento era elástico (47,33% no primeiro turno, 55,64% no segundo), por isso mobilizar abstencionistas valia tanto quanto convencer indecisos.
  • Herança do estallido de 18 out. 2019: assembleias de bairro, coletivos feministas, panelas comuns da pandemia e grupos do processo constituinte se reativaram contra Kast.
  • Um adversário que assustava: Kast propunha, entre outras coisas, indultar idosos condenados da era Pinochet e uma vala na fronteira com a Bolívia; o medo de perder direitos mobilizou mulheres e jovens.
  • Um primeiro turno fragmentado: Franco Parisi (12,81%), que fez campanha a partir dos EUA, ganhou no norte; os seus eleitores estavam disponíveis para os dois lados.
  • Um prazo curto e regulado: quatro semanas entre turnos e propaganda legal só de 5 a 16 de dezembro, três dias antes da votação.
  • Escândalos passados de financiamento político deixaram os eleitores sensíveis ao dinheiro de grandes doadores. A campanha pediu doações nas redes e na franja, mas, até 10 de dezembro, 92% dos recursos declarados por Boric vinham de crédito bancário (940 milhões de pesos, contra 1,4 bilhão de Kast), segundo a Ex-Ante.
  • Desinformação: em início de dezembro circularam notícias falsas vindas do entorno de Kast; checadores, universidades e apoiadores as desmontaram.
  • Uma coligação de esquerda (Apruebo Dignidad: Frente Ampla e PC) que, no segundo turno, recebeu o apoio da antiga Concertación, incluindo Ricardo Lagos e Michelle Bachelet.

O método

Ninguém escreveu um manual da virada.

Ninguém escreveu um manual da virada. Os relatos dos organizadores descrevem um diagnóstico rápido, uma campanha aberta a quem queria ajudar e a busca de quem não tinha votado.

Três frentes

Ir buscar quem não votou
Num sistema de voto voluntário, a reserva de votos está nos abstencionistas. Mapas de calor do primeiro turno indicaram bairros periféricos e comunas prioritárias; voluntários e cartas procuraram quem tinha faltado.
Abrir a campanha sem controlá-la
Comandos autoconvocados, coletivos e fandoms fizeram campanha própria com materiais fáceis de reproduzir. O comando deu um quadro de orientações.
Alargar sem abandonar a base
Mudança de tom e de figurino, segurança pública no discurso, garantias sobre o que não mudaria, apoio da antiga Concertación, mantendo as causas que mobilizavam mulheres e jovens.

O ciclo de quatro semanas

Da noite da derrota no primeiro turno ao dia da votação, a campanha seguiu este circuito e repetiu os passos 3 a 6 todos os dias.

  1. Diagnosticar Na mesma semana, perguntar onde estão os votos possíveis: comparar o primeiro turno com o plebiscito e as primárias, por comuna e por mesa.
  2. Reorganizar Três áreas (política, comunicação, território), um rosto novo que alarga a coligação e responsáveis nomeados para cada zona prioritária.
  3. Mapear Mapas de calor e listas de comunas prioritárias para orientar as voltas dos rostos e o porta a porta dos comandos.
  4. Escutar na porta Roteiro que começa por perguntar e escutar, com versões para quem não votou e para quem votou em outro candidato.
  5. Soltar a criatividade Materiais que qualquer grupo pode produzir e compartilhar: cartazes, músicas, memes, eventos culturais, campanhas de fãs.
  6. Alargar a mensagem Responder ao medo do adversário com garantias concretas e apoios de figuras moderadas, e ao medo do próprio eleitorado com o que está em jogo.
  7. Proteger o voto Apoderados de mesa em todas as seções, informação sobre onde e como votar e um último empurrão de comparecimento.

E recomeça.

Toolkit

O que é preciso para tentar uma virada de segundo turno (ou de qualquer reta final) com pouco dinheiro e muita gente.

O que é preciso para tentar uma virada de segundo turno (ou de qualquer reta final) com pouco dinheiro e muita gente. Serve para uma eleição nacional, uma prefeitura ou um referendo, desde que respeite as regras desta página.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

O comando era pequeno e o trabalho estava espalhado. A regra prática: o centro decide onde e o quê; os comandos decidem como.

Funções essenciais

Chefia de campanha que alarga
Uma figura com credibilidade fora da coligação, capaz de viajar e falar com setores que o candidato não alcança. No Chile, uma médica conhecida pela pandemia.
Inteligência de dados
Uma equipe pequena que cruza resultados por comuna e por mesa, produz mapas de calor e lista as zonas prioritárias. Atualiza todas as semanas.
Coordenação territorial
Responsáveis por região e por zona periférica prioritária, que ligam o comando aos comandos locais, prefeitos e vereadores.
Embaixadores do porta a porta
Pessoas conhecidas dos movimentos sociais, da cultura e da política que puxam voluntários em cada comuna. No Chile, pelo menos 45 em 66 comunas.
Comandos locais
Grupos de bairro, de comuna ou temáticos (mulheres, saúde, previdência, educação) que se formam sozinhos e escolhem as suas ações dentro do quadro de orientações.
Comunicação e kit aberto
Uma equipe que escreve a narrativa, produz peças e, sobretudo, materiais que qualquer pessoa pode adaptar, com orientações para evitar ações arriscadas.
Escuta e resposta
Quem acompanha a conversa nas redes, identifica notícias falsas e alimenta checadores e apoiadores com respostas verificadas.
Apoderados de mesa
Fiscais acreditados em cada mesa de votação, da abertura à contagem. Um comando pequeno como o de Colbún cobriu todas as suas mesas com 55.

Ritmo

  1. Noite do primeiro turnoReunião dos coletivos e declaração pública; no comando, decisão de reorganizar. Não espere a semana seguinte.
  2. Primeiras 72 horasNova chefia, três áreas, primeiros mapas de calor e lista de comunas prioritárias.
  3. Todos os diasUm grande ato ou volta por dia em algum ponto do país; porta a porta dos comandos nas zonas do mapa; compartilhamento do melhor conteúdo dos apoiadores.
  4. Toda semanaAtualizar o mapa com pesquisas e relatos dos comandos; redistribuir voluntários para onde há mais votos possíveis.
  5. Período legal de propagandaNo Chile, de 5 a 16 de dezembro: franja na TV, dois debates escolhidos, ritmo máximo no terreno.
  6. Última semanaEvento final, lembrete de onde votar, apoderados confirmados, transporte e horários combinados nos comandos.

Quatro semanas é pouco: a virada só foi possível porque já existiam 357 comandos, coletivos ativos desde 2019 e uma base com experiência de campanha (plebiscito, Convenção). Comece a construir essa rede muito antes de precisar dela.

Plano B

  • Vários rostos viajando ao mesmo tempo, para não depender da agenda de um só.
  • Comandos autônomos que continuam trabalhando mesmo se o comando central falhar ou se atrasar.
  • Materiais em formato aberto e editável, para que cada grupo os reproduza sem esperar pela gráfica central.
  • Uma rede de checadores, universidades e apoiadores para desmontar notícias falsas rapidamente.
  • Apoderados suplentes para cada mesa.
  • Contato direto (porta, telefone, carta) para chegar a quem não está nas redes.

Tecnologia

O que contou foram dados públicos bem lidos, materiais abertos e conversas na porta.

  • Mapas de calor do primeiro turnoDados públicos do órgão eleitoral; análise por voluntários ou consultora

    Resultados por comuna e por mesa cruzados com o plebiscito e as primárias, para achar bolsões de votos possíveis e abstencionistas. No Chile, produzidos pela Unholster para o comando.

  • Roteiro e kit de porta a portaImpressão

    Roteiro com versão para quem não votou e para quem votou em outro candidato, folheto com as propostas e com o local de votação.

  • Registro de portas e conversasGrátis

    Uma planilha compartilhada por comando, com as colunas abaixo, para saber onde já se passou e o que as pessoas disseram.

  • Formulário para comandos e voluntáriosGrátis

    No Chile, os comandos se formaram sozinhos; um formulário simples (nome do grupo, zona, contato, consentimento) ajuda a saber quem existe e a enviar o mapa a cada grupo.

  • Grupos de coordenação dos comandosGrátis

    Um grupo por comando e um de responsáveis por zona. O caso chileno não documenta a ferramenta: use o mensageiro dominante no seu país.

  • Kit criativo abertoGrátis a baixo

    Peças editáveis, símbolos e músicas que qualquer pessoa pode adaptar; no Chile, cartazes, adesivos, a árvore do primeiro turno e a playlist colaborativa “El Árbol”, com 307 canções originais (cerca de 18 horas), embora o “Disco Kast”, no Spotify, tenha tido mais ouvintes e chegado ao topo do Top 50 Chile.

  • Canais oficiais do candidatoGrátis

    Contas do candidato e da campanha que publicam e compartilham o melhor conteúdo dos apoiadores, dando alcance a ele sem o controlar.

  • Escuta socialGrátis a médio

    Acompanhar a conversa pública por fases para ver que narrativa domina e onde surgem notícias falsas. No Chile, um laboratório universitário analisou o Twitter.

  • Cartas a quem faltouCorreio e impressão

    Cartas a eleitores que votaram numa eleição anterior mas faltaram à última (no Chile, 28.500 pessoas), usando apenas dados que a lei permite usar.

  • Pequenas doaçõesTaxas da plataforma

    Vaquinha como forma de participação e como contraste com o dinheiro de grandes doadores, com limites e declarações legais. No caso chileno, o grosso do segundo turno veio de crédito bancário, não de vaquinha.

  • Eventos culturaisBaixo, muitas vezes doado

    Concertos, leituras, cumbres de humor, eventos de fãs com cup sleeves, passeios de bicicleta: portas de entrada para quem não vai a comícios.

  • Anúncios declaradosCerca de 35,8 milhões de pesos no Facebook na última semana

    Anúncios em redes sociais e spots em rádios locais, todos declarados. No Chile, Boric gastou no Facebook cerca de um quarto do que Kast gastou na última semana.

  • Rede de apoderados de mesaVoluntários

    Lista de fiscais por mesa, com treino básico e contato no dia.

Guias rápidos por canal

Colunas do registro de porta a porta

Data e hora · Comuna e bairro (zona do mapa) · Voluntários · Portas batidas · Conversas · Votou no primeiro turno? (sim/não/outro candidato) · Preocupação principal · Sabe onde vota? · Quer ajudar ou ser contatado (com consentimento)

Em julho de 2021, a campanha tinha arrecadado cerca de 87 milhões de pesos, e quase metade foi para a produção da franja na TV; os comandos pagaram o seu próprio material, declarado como doação em espécie. No segundo turno, até 10 de dezembro, a campanha declarou 940 milhões de pesos, 92% deles de crédito bancário, contra 1,4 bilhão de Kast. No segundo turno, a vantagem não veio do gasto em mídia paga: Kast gastou mais no Facebook.

Comunicação

No segundo turno, a campanha trocou o tom de nicho das redes por uma mensagem para o país: esperança, garantias e o que estava em jogo para mulheres e jovens.

A fórmula de uma conversa na porta

  1. Apresentar-se Quem é, de onde vem, que é vizinho ou voluntário, não um funcionário.
  2. Perguntar e escutar Votou no primeiro turno? O que o preocupa? Escutar primeiro, como pediam os coordenadores em Santiago.
  3. Ligar à preocupação Uma proposta concreta que responde ao que a pessoa disse: saúde, previdência, segurança, educação.
  4. Dizer o que está em jogo Direitos conquistados que podem ser perdidos, sem insultar o adversário nem quem votou nele.
  5. Pedir o voto e o plano Sabe onde vota? A que horas vai? Com quem? Pode convencer mais uma pessoa?

Regras de mensagem

  • Fale para o país, não para a bolha: Boric passou de “companheiros e companheiras” para “chilenos e chilenas”.
  • Responda aos medos que o adversário explora com garantias concretas (lá: “o meu governo não vem tirar nada de você”).
  • Não fuja dos temas incômodos para a sua base: Boric falou de segurança e narcotráfico na própria noite do primeiro turno.
  • Mostre apoios que tranquilizam os indecisos (no Chile, Lagos e Bachelet) sem esconder a coligação.
  • Deixe os apoiadores falarem na sua própria língua (memes, música, fandoms) e compartilhe o melhor.
  • Use a palavra que mobiliza: lá foi “esperança”.
  • Contra notícias falsas, responda com fatos verificados e não invente nada sobre o outro lado.

Exemplo

Boa tarde, eu sou a Camila, moro aqui na vila e estou ajudando a campanha. Posso perguntar uma coisa? Você votou em novembro? Tudo bem se não, muita gente não foi. O que mais preocupa você hoje? … Entendo. É por isso que eu vou votar no dia 19: [proposta ligada ao que a pessoa disse]. Você sabe onde vota? Posso deixar aqui o endereço e o horário. E se puder levar mais alguém da sua casa, melhor ainda.

Levar para o seu contexto

Parte da virada serve em qualquer lugar; outra parte dependeu do voto voluntário e da história recente do Chile.

Parte da virada serve em qualquer lugar; outra parte dependeu do voto voluntário e da história recente do Chile. Separe as duas antes de copiar.

Funciona em qualquer lugar

  • Diagnosticar nas primeiras 72 horas, com dados públicos por mesa, onde estão os votos possíveis.
  • Ir buscar quem não votou ou votou em outro candidato com um roteiro que começa por escutar.
  • Abrir a campanha a grupos autônomos com materiais editáveis e um quadro de orientações, em vez de exigir inscrição e hierarquia.
  • Pôr na estrada um rosto que alarga a coligação e chega a regiões onde o candidato é fraco.
  • Alargar a mensagem com garantias concretas sem abandonar as causas que mobilizam a base.
  • Fiscais acreditados em todas as mesas.
  • Financiamento por pequenas doações, declarado.
  • Recusar bots e perfis falsos e dizer isso em público: vira argumento de campanha.

Depende do contexto

Voto voluntário
Com voto obrigatório (como no Chile desde 2022, no Brasil ou na Argentina), quase todos votam: a reserva de votos está nos indecisos e nos que anulam, não nos abstencionistas. O porta a porta passa a ser de persuasão e o mapa deve procurar eleitores que mudam, não eleitores que faltam.
Herança do estallido e do processo constituinte
Sem uma rede recente de assembleias e coletivos, a mobilização espontânea será menor. Construa antes: comitês de causa, grupos de bairro e listas de contatos com consentimento, meses antes da reta final.
Um adversário de extrema direita que mobiliza pelo medo
Contra um adversário moderado, o “não a ele” mobiliza pouco. Nesse caso, a conversa na porta tem de vender mais a proposta e menos a ameaça.
Fandoms e cultura pop chilena
Troque K-pop, anime e Taylor Swift pelos públicos que organizam muito online no seu país: torcidas, comunidades de games, igrejas progressistas, grupos de música local.
Franja gratuita na TV
Onde não há tempo de antena gratuito, a TV paga pode ser cara demais; ponha esse dinheiro em material de porta a porta e em rádio local.
Uma médica conhecida pela pandemia
Procure a figura com credibilidade própria no seu contexto (uma liderança sindical, uma cientista, uma prefeita popular) e dê a ela um papel real, não só simbólico.

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

  1. Mapa de calor de quem ainda não votou

    Na semana da derrota, uma pequena equipe de dados cruza os resultados por mesa com eleições anteriores e desenha mapas de calor dos votos possíveis e da abstenção, que decidem para onde vão os voluntários e os rostos da campanha. No Chile, a pergunta era “onde estão as pessoas que poderiam votar em nós?”, e comunas periféricas como Maipú e Puente Alto deram dezenas de milhares de votos novos.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona numa reta final curta com dados públicos por mesa, quando o comparecimento é elástico ou há muitos eleitores que mudam de lado.
    Não use quando
    Não funciona se o mapa fica no comando: sem responsáveis por zona e voluntários que o sigam, é só um gráfico bonito.
    1. Semana −4 Na noite do resultado, perguntar: onde estão as pessoas que poderiam votar em nós?
    2. Semana −4 Cruzar os resultados por mesa com o plebiscito, as primárias e a eleição anterior
    3. Semana −4 Desenhar mapas de calor de abstenção e de votos possíveis por bairro
    4. Semana −4 Definir comunas e bairros prioritários, cada um com um responsável
    5. Semana −3 Mandar o mapa a cada comando local e a cada rosto que viaja
    6. Semana −2 Atualizar o mapa toda semana com pesquisas e relatos e mover voluntários
    7. Semana −1 Na última semana, concentrar os lembretes onde há mais votos possíveis

    Equipe

    • Inteligência de dados: cruza resultados por mesa e produz os mapas toda semana
    • Coordenação territorial: liga o mapa aos responsáveis de cada zona prioritária
    • Comandos locais: vão às zonas do mapa e devolvem o que ouviram

    O que medir: Conversas de porta registradas nas zonas prioritárias do mapa, em proporção ao total de conversas; se a maioria acontece onde o candidato já ganha, o mapa não está guiando o terreno.

    Riscos a vigiar: Dados mal usados violam a lei: trabalhe com resultados públicos agregados por mesa e, para contatar pessoas, só com dados que a lei permite; com voto obrigatório, procure quem muda de lado, não quem falta.

  2. Porta a porta que começa por escutar

    Voluntários e embaixadores conhecidos batem nas portas das zonas prioritárias com um roteiro que pergunta antes de falar (com versões para quem não votou e para quem votou em outro candidato) e termina num plano de voto. No Chile, “Un millón de puertas” percorreu 66 comunas com pelo menos 45 embaixadores; em Colbún, segundo a organizadora local, 1.500 dos 4.900 votos de Boric no segundo turno eram novos.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a eleição se decide entre quem faltou ou votou em outro candidato e há gente disposta a ir ao próprio bairro.
    Não use quando
    Não funciona como sermão nem como coleta de portas: insultar o adversário ou quem votou nele fecha a porta, e porta batida sem conversa não muda voto.
    1. Semana −12 Criar comandos locais com contatos e consentimento, meses antes da eleição
    2. Semana −4 Escrever o roteiro com versões para quem não votou e para quem votou em outro
    3. Semana −3 Convidar embaixadores conhecidos da cultura e dos movimentos para puxar cada comuna
    4. Semana −3 Lançar o porta a porta com uma meta pública num bairro prioritário
    5. Semana −2 Bater portas todo dia nas zonas do mapa e registrar cada conversa
    6. Semana −1 Voltar a quem ficou de pensar e perguntar: onde vota, a que horas, com quem?
    7. Semana −1 Antes do silêncio eleitoral, lembrar cada contato do local e do horário

    Equipe

    • Embaixadores do porta a porta: pessoas conhecidas que puxam voluntários em cada comuna
    • Comandos locais: escolhem as ruas e saem em grupo todos os dias
    • Registro: mantém a planilha de portas, conversas e planos de voto

    O que medir: Conversas com quem não votou ou votou em outro candidato que terminam num plano de voto (onde, a que horas, com quem), registradas na planilha, não portas batidas.

    Riscos a vigiar: Registrar dados sem consentimento ou oferecer vantagens em troca do voto é ilegal: anote só o que a pessoa aceitar, respeite o período legal de propaganda e o silêncio eleitoral.

  3. Kit aberto para comandos autoconvocados

    Em vez de exigir inscrição e hierarquia, a campanha dá a qualquer grupo (bairro, coletivo, sindicato, fandom) o mapa, o roteiro, materiais editáveis e um quadro de orientações, e os canais oficiais compartilham o melhor do que os apoiadores fazem. No Chile, a campanha já tinha 357 comandos autogeridos nas primárias, centenas de contas “xBoric” e uma playlist colaborativa com 307 canções originais, sem bots.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando já existe uma rede de coletivos e grupos organizados que querem ajudar mais rápido do que o comando consegue coordenar.
    Não use quando
    Não funciona sem quadro de orientações: centenas de grupos soltos também produzem mensagens arriscadas, como tentar “afogar” as hashtags do adversário.
    1. Semana −12 Mapear coletivos, sindicatos, juntas de vizinhos e grupos de fãs da sua área
    2. Semana −8 Preparar o kit editável (cartazes, símbolos, músicas) e o quadro de orientações
    3. Semana −4 Publicar um apelo para formar comandos, com formulário de grupo, zona e contato
    4. Semana −4 Mandar a cada comando o mapa, o roteiro da porta e o kit
    5. Semana −3 Compartilhar nos canais oficiais o melhor conteúdo feito pelos apoiadores
    6. Semana −2 Atualizar o quadro de orientações quando surgir uma ação arriscada
    7. 1 semana(s) depois Depois da votação, agradecer e convidar os comandos a continuar organizados

    Equipe

    • Comunicação e kit aberto: escreve a narrativa e faz peças que qualquer um adapta
    • Coordenação dos comandos: recebe as inscrições e manda mapa e roteiro a cada grupo
    • Escuta e resposta: acompanha as redes e alerta para notícias falsas e ações de risco

    O que medir: Comandos inscritos que relataram pelo menos uma ação fora da tela (um turno de porta a porta, um evento, mesas cobertas por apoderados); comando que só publica não conta.

    Riscos a vigiar: Bots, perfis falsos ou sequestro de hashtags dão ao adversário uma história: o quadro proíbe tudo isso por escrito, e o material dos comandos é declarado como doação em espécie.

  4. Alargar com um rosto de fora e garantias

    Uma figura respeitada fora da coligação assume a campanha e viaja às regiões onde o candidato foi mal, enquanto ele responde aos medos com garantias simples e apoios moderados, sem largar as causas da base. No Chile, a médica Izkia Siches percorreu o país em 12 dias, de Arica a Los Lagos; Boric garantiu que o seu governo não vinha tirar nada de ninguém e recebeu o apoio de Lagos e Bachelet.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona num segundo turno ou reta final em que o adversário mobiliza pelo medo e o candidato é fraco em regiões ou setores inteiros.
    Não use quando
    Não funciona se o rosto é só simbólico ou se as garantias viram troca de programa: abandonar as causas que mobilizam a base perde quem fazia a campanha.
    1. Semana −4 Escolher uma figura respeitada fora da coligação e dar a ela um papel real
    2. Semana −4 Listar os medos que o adversário explora e escrever uma garantia simples para cada um
    3. Semana −4 Planejar a volta do rosto pelas comunas prioritárias do mapa
    4. Semana −3 Fazer encontros pequenos com comerciantes, dirigentes sociais e profissionais locais
    5. Semana −3 Mostrar apoios que tranquilizam os indecisos, sem esconder a coligação
    6. Semana −2 Aceitar poucos debates de grande audiência e explicar que a prioridade é o território
    7. Semana −1 Repetir em cada parada as causas que mobilizam mulheres e jovens

    Equipe

    • Chefia de campanha que alarga: viaja e fala com quem o candidato não alcança
    • Agenda da volta: monta as paradas seguindo o mapa de comunas prioritárias
    • Comunicação: transforma cada medo do adversário numa garantia curta

    O que medir: Pessoas que se inscreveram como voluntárias ou apoderadas em cada parada da volta, registradas por comuna, não a audiência dos atos.

    Riscos a vigiar: Rostos se desgastam e popularidade de campanha não é capacidade de governo: prometa só garantias que pode cumprir e nunca insulte quem votou no adversário.

  5. Um apoderado em cada mesa

    Fiscais acreditados acompanham cada mesa de votação da abertura à contagem, com suplentes e contato no dia. No Chile, um comando pequeno como o de Colbún cobriu todas as suas mesas com 55 apoderados.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona em qualquer eleição em que a lei permite fiscais de partido ou de candidatura e você tem comandos locais para recrutá-los.
    Não use quando
    Não use os fiscais para pressionar eleitores ou interferir no voto: eles observam e reclamam pelos canais legais, e mais nada.
    1. Semana −12 Recrutar fiscais nos comandos locais, meses antes da eleição
    2. Semana −8 Treinar o básico: abertura, votação, contagem e reclamação pelos canais legais
    3. Semana −4 Cruzar a lista de mesas com os fiscais disponíveis e marcar as lacunas
    4. Semana −2 Recrutar no porta a porta e nos comandos para cada mesa vazia
    5. Semana −1 Confirmar um titular e um suplente para cada mesa, com contato no dia
    6. Semana do dia D No dia, acompanhar da abertura à contagem e enviar o resultado de cada mesa

    Equipe

    • Coordenação de apoderados: mantém a lista de mesas e de titulares e suplentes
    • Comandos locais: recrutam e levam os fiscais da sua zona
    • Equipe jurídica: treina os fiscais e responde a reclamações no dia

    O que medir: Mesas com um apoderado acreditado presente da abertura à contagem, em proporção ao total de mesas da sua zona.

    Riscos a vigiar: Um fiscal que interfere no voto vira caso legal e manchete: só gente acreditada e treinada, que observa e reclama pelos canais legais, com suplentes para quem faltar.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

Decida como o comando

Seis momentos reais da virada chilena. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.

Plano em seis fases

A sequência chilena, condensada como lista de verificação para uma reta final de quatro semanas.

A sequência chilena, condensada como lista de verificação para uma reta final de quatro semanas. Ajuste ao seu calendário. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. 1. Antes de precisar

  2. 2. Primeiras 72 horas

  3. 3. Abrir a campanha

  4. 4. Semanas de terreno

  5. 5. Última semana e dia D

  6. 6. Depois

Regras

A campanha de Boric fez da recusa de bots um argumento.

A campanha de Boric fez da recusa de bots um argumento. As regras abaixo valem para qualquer reta final.

Só gente real
Nada de bots, contas falsas, seguidores comprados ou influenciadores pagos sem aviso. O comando chileno disse em público que usava “pessoas de carne e osso”. Coordenar pessoas reais para dizerem o que pensam é permitido; o que as plataformas punem é organizar curtidas, seguidores ou hashtags em série para enganar o algoritmo. O X, por exemplo, proíbe trocar engajamento e usar uma hashtag em alta para manipular a conversa.
Período legal de propaganda
No Chile, a propaganda do segundo turno só era permitida de 5 a 16 de dezembro. Confirme as datas e o silêncio eleitoral na sua lei.
Dinheiro às claras
Doações dentro dos limites legais e declaradas; material dos comandos registrado como doação em espécie, como no Chile.
Dados e consentimento
Cartas e mensagens só com dados que a lei permite usar e com consentimento quando exigido (LGPD, RGPD ou a lei local).
Hashtags e plataformas
Não sequestre hashtags do adversário nem organize denúncias em massa falsas. Denuncie discurso de ódio pelas regras das plataformas.
Fiscais dentro da lei
Apoderados acreditados, que observam e reclamam pelos canais legais; não interferem no voto.
Transporte sem compra de voto
Ajudar vizinhos a chegar ao local de votação é diferente de oferecer vantagens em troca do voto. Confirme o que a sua lei permite.
Fatos com fonte
Responda a notícias falsas com fatos verificados; nunca invente nada sobre o adversário nem sobre os eleitores dele.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Depende do voto voluntário
A virada dependeu de levar às urnas 1,25 milhão de pessoas a mais. Com voto obrigatório (reinstaurado por reforma promulgada em 27 dez. 2022), o comparecimento passou para cerca de 85% e esse reservatório desapareceu.
Vieram duas derrotas em plebiscito
Em 4 set. 2022, com voto obrigatório e 85,84% de comparecimento, a proposta de Constituição foi rejeitada por 61,87%. Uma segunda proposta foi rejeitada em 17 dez. 2023.
O mesmo adversário voltou e venceu
Em 14 dez. 2025, Kast derrotou a candidata da esquerda, Jeannette Jara, com 58,17% e venceu as 16 regiões; tomou posse em 11 mar. 2026. Analistas leram a eleição como um plebiscito sobre o governo Boric, cuja aprovação chegou a 27% em maio de 2025.
Mobilização pelo medo é frágil
O estrategista do comando reconheceu que o medo mobilizou. Sem um adversário que assusta, a mesma energia não aparece, e críticos lembram que o “não a ele” não basta.
Rostos que se desgastam
Siches foi a estrela da campanha e, como ministra do Interior, a de pior aprovação no governo. Foi substituída em 6 set. 2022, na reforma ministerial que se seguiu à derrota no plebiscito; meses antes, tinha se retratado e pedido desculpas por uma acusação falsa contra o governo anterior. Popularidade de campanha não é capacidade de governo.
Não há medição do efeito do porta a porta
Não existe um total verificado de portas ou voluntários nem um estudo que isole o efeito do terreno; apoios de ex-presidentes, debates e erros do adversário também contaram.
Zonas cinzentas nas redes
Alguns grupos de fãs tentaram “afogar” hashtags do adversário. É uma tática de risco que pode ser lida como manipulação; não a copie.
Grupos soltos saem da linha
Centenas de grupos autônomos dão energia, mas também podem produzir mensagens arriscadas. Foi por isso que o comando definiu um quadro de orientações.

Verificar

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

1. De onde vieram sobretudo os votos da virada de Boric no segundo turno de 2021?
2. Qual foi a primeira pergunta da equipe de dados depois do primeiro turno?
3. Como a campanha digital lidou com centenas de grupos e contas autogeridas?
4. Que mudança de mensagem fez Boric no segundo turno?
5. Por que a mesma receita não basta para o Chile de 2025?

Fontes

Playbook construído com relatos de organizadores (entrevistas e reportagens baseadas em conversas com eles), análises de dados eleitorais…

Playbook construído com relatos de organizadores (entrevistas e reportagens baseadas em conversas com eles), análises de dados eleitorais da DecideChile/Unholster, estudos acadêmicos e imprensa publicados entre julho de 2021 e dezembro de 2025, e dados eleitorais oficiais. Todas as páginas foram abertas e lidas em 26 de outubro de 2026.

37 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Fotografoencampana, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado em 26 de outubro de 2026

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