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Zohran Mamdani sorrindo, de terno e gravata

Nova York · 2025

Mamdani

O terreno ganha campanhas

No original: “Field really wins campaigns” (Gabriella Zutrau, estratégia digital da campanha).

Em 2025, um deputado estadual que começou com cerca de 1% nas pesquisas virou prefeito de Nova York, com vídeos de celular e mais de 100 mil voluntários. Eis como.

Uma homenagem às mais de 100 mil pessoas voluntárias de Zohran for NYC, à equipe de campo de Tascha Van Auken e ao NYC-DSA. Projeto independente, sem ligação com a campanha, o DSA ou a prefeitura.

Em 30 segundos

  1. Cerca de 1%. Era o que Zohran Mamdani tinha nas pesquisas ao lançar a candidatura a prefeito de Nova York, em outubro de 2024.

  2. 56,4% e 50,78%. Venceu a primária democrata de junho de 2025 (contagem final por voto ranqueado) e a eleição de novembro, com a maior participação desde 1993.

  3. Mais de 100 mil voluntários, 3 milhões de portas. Vídeos curtos levavam a uma inscrição; a inscrição, a um turno de porta a porta liderado por voluntários.

  4. O ciclo fechava nas portas: o que se ouvia ali voltava para a mensagem, sempre em torno de três promessas sobre custo de vida.

  5. Comece o campo meses antes, forme líderes e não só recrute, ligue cada vídeo a uma ação concreta e fale a língua das pessoas.

Os primeiros passos

  1. Escolher três promessas concretas sobre custo de vida e escrevê-las numa frase cada
  2. Mapear as organizações que podem dar os primeiros líderes de campo
  3. Confirmar com um advogado as regras de financiamento, tetos, dados pessoais e propaganda

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Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Quem fez

Este playbook foi construído a partir do que os organizadores disseram em entrevistas, palestras, podcasts e textos próprios.

Este playbook foi construído a partir do que os organizadores disseram em entrevistas, palestras, podcasts e textos próprios. A imprensa serviu para confirmar fatos e números.

  • Tascha Van Auken

    Diretora de campo da campanha; depois chefe do Escritório de Engajamento em Massa da prefeitura

    Montou do zero, a partir de dezembro de 2024, o modelo de formação de líderes que chegou a mais de 700 líderes de campo e 3 milhões de portas.

    Fontes
  • NYC-DSA (Grace Mausser, Gustavo Gordillo, Álvaro López, Michael Carter)

    Seção de Nova York dos Socialistas Democráticos da América

    Forneceu os primeiros líderes de campo, a estrutura de bairros e grupos de trabalho que se reuniam toda semana com a campanha.

    Fontes
  • Andrew Epstein

    Diretor de comunicação e depois diretor criativo da campanha

    Concebeu o vídeo com eleitores de Trump de novembro de 2024 e liderou a comunicação que apresentava Mamdani como guia de uma Nova York acessível.

    Fontes
  • Melted Solids e equipe de vídeo (Anthony DiMieri, Debbie Saslaw, Donald Borenstein, Olivia Becker)

    Produtora do Brooklyn e equipe de vídeo da campanha

    Filmaram e editaram os vídeos orgânicos (às vezes em 24 horas) com câmera na mão, som da rua e enquadramento 4:3. A Melted Solids trabalhava com Mamdani desde 2020; os anúncios pagos eram de outra empresa, a Fight Agency.

    Fontes
  • Gabriella Zutrau

    Consultora de estratégia digital da campanha

    Montou o chatbot de comentário para mensagem direta no Instagram que transformou comentários em inscrições, por US$ 318.

    Fontes
  • Mohamed Alharbii

    Gerente de campo para os eleitorados muçulmano e sul-asiático

    Organizou mesquitas, templos e cafés com voluntários escolhidos por língua e congregação, e contou o método na conferência Progress 2026.

    Fontes
  • Katie Riley

    Vice-coordenadora da campanha

    Desenhou a estratégia de encontros: festas em casa com guia para anfitriões, comícios com clima de festa e a caça ao tesouro.

    Fontes
  • Morris Katz

    Estrategista principal e de mídia da campanha (Fight Agency)

    Fez os anúncios pagos de TV e digitais e defendeu enquadrar o custo de vida com promessas concretas e nomear os responsáveis pela crise.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Citações curtas no original, com tradução, ou paráfrases fiéis.

Citações curtas no original, com tradução, ou paráfrases fiéis. Cada uma leva à fonte.

Mais 6 citações

A história

Em outubro de 2024, Zohran Mamdani era um deputado estadual de 33 anos do Queens, com cerca de 1% nas pesquisas.

Em outubro de 2024, Zohran Mamdani era um deputado estadual de 33 anos do Queens, com cerca de 1% nas pesquisas. Em março de 2025 entrou na disputa um ex-governador conhecido por todos, depois apoiado por super PACs milionários. A campanha decidiu que o campo seria a espinha dorsal, e que os vídeos trariam gente para dentro dele.

104 mil
voluntários ao longo da campanhadado da campanha
3 M
portas batidas; a 3 milionésima no dia da eleiçãodado da campanha
4,4 M
ligações feitas por voluntáriosdado da campanha
50,78%
na eleição geral de 4 nov. 2025 (1,11 milhão de votos)oficial

Treze meses

  1. Out. 2024Mamdani lança a candidatura. O NYC-DSA o apoia no mesmo mês.
  2. Nov. 2024Poucos dias após a vitória de Trump, ele grava em avenidas do Queens e do Bronx perguntando a eleitores de Trump por que não votaram nos democratas. O vídeo sai cinco dias depois e define o tema: custo de vida.
  3. Dez. 2024Um encontro do DSA com mais de 300 pessoas forma os primeiros líderes de campo; duas semanas depois, 400 voluntários saem no primeiro dia de porta a porta, em cerca de oito pontos da cidade.
  4. Jan. 2025Vídeo “Halalflation” sobre o preço do prato de rua halal; começa o treinamento regular de voluntários.
  5. 24 mar. 2025Com cerca de 18 mil doadores, a campanha bate o teto de 8 milhões de dólares da primária (contando os fundos públicos) e passa a focar em mobilizar eleitores.
  6. 13 jun. 2025Na véspera da votação antecipada, Mamdani e Brad Lander anunciam apoio cruzado para o voto ranqueado.
  7. 20–21 jun. 2025Ele caminha mais de 19 km (12 milhas), de Inwood até a Battery, na madrugada da última sexta-feira antes da primária.
  8. 24 jun. 2025Vence a primária: 43,8% no 1.º turno da contagem e 56,4% no final. Cerca de um quarto dos votantes tinha conversado com um voluntário na porta.
  9. 24 ago. 2025Caça ao tesouro pela cidade, anunciada na véspera: 500 cartões somem em 15 minutos e a campanha fala em mais de 4 mil participantes.
  10. 4 nov. 2025Vence com 50,78% contra 41,32% de Cuomo; votam 2,2 milhões de pessoas. Por volta do meio-dia, a campanha bate na 3 milionésima porta.

Três camadas

O vídeo era a parte visível. Por baixo havia uma máquina de conversão e uma rede de campo que vinha de antes da campanha.

  • AtençãoVídeos curtos e orgânicos, em várias línguas, criadores de conteúdo, mídia étnica, podcasts e eventos que viravam conteúdo.
  • ConversãoChamada à ação no fim de cada vídeo, chatbot de mensagem direta, página de inscrição, CRM com confirmações e lembretes automáticos, canal de transmissão e e-mail.
  • CampoLançamentos de turno liderados por voluntários, duplas com o aplicativo do cadastro eleitoral, organização por comunidade e língua, ligações e mensagens para os próprios contatos.
O que não se sabe. Quase todos os números vêm da própria campanha e mudam conforme a fonte: 95, 100 ou 104 mil voluntários; 4,4 ou 4,5 milhões de ligações; os 236 milhões de visualizações no Instagram no último mês da primária foram noticiados pelo POLITICO e repetidos por outros.

Nenhum estudo publicado isola o efeito do porta a porta ou dos vídeos no resultado, e a própria equipe de vídeo diz que os vídeos sozinhos não ganharam a primária. O NYC-DSA levou anos para construir a base de que a campanha partiu. Uma meta-análise de 49 experimentos de campo nos EUA concluiu que o efeito persuasivo do contato de campanha em eleições gerais é, em média, perto de zero; só aparece quando o outro candidato tem posições muito impopulares e a campanha identifica antes os eleitores persuadíveis, ou quando o contato é muito cedo, e então se apaga (Kalla e Broockman). Numa primária e para pôr gente para votar, o cálculo é outro. Ainda sem fonte aberta: as ferramentas de ligações, de SMS e de mensagens relacionais de 2025, a plataforma de doação usada em 2025, as pesquisas internas, os painéis de dados e o custo de cada ferramenta além do chatbot. Também não há registro de Slack, Discord ou Mobilize na campanha.

O terreno

Regras e hábitos de Nova York que pesaram no método.

Regras e hábitos de Nova York que pesaram no método. Em outro país, algumas destas peças não existem.

Plataformas

Instagram (Reels, mensagens diretas, canal de transmissão)
Foi a plataforma prioritária. Os Reels davam alcance, as mensagens diretas automáticas convertiam e o canal de transmissão reunia o público mais quente: 66 mil membros na primária, mais de 180 mil depois.
TikTok, YouTube, X e Bluesky
Recebiam os mesmos vídeos. O anúncio da caça ao tesouro saiu no Bluesky e as pessoas souberam dela pelo Instagram e pelo TikTok.
Facebook
Não era prioridade, mas só repostar os vídeos ali fez o engajamento crescer, segundo Gabriella Zutrau.
WhatsApp
Grupos para coordenar cada turno em tempo real. Nas comunidades imigrantes, as mensagens de apoio circulavam em urdu, bengali, árabe, híndi e dezenas de outras línguas.
MiniVAN
Aplicativo de porta a porta ligado ao cadastro eleitoral americano, que é público e traz nome, idade e filiação partidária, agrupados por prédio.
Mídia étnica e em outras línguas
TV sul-asiática, um canal paquistanês, TV punjabi e jornais bengalis. Uma mensagem simples sobre aluguel e ônibus se traduzia bem em qualquer língua.
Criadores de conteúdo e podcasts
Mais de 70 criadores, a maioria de cultura e estilo de vida, foram recebidos na sede para perguntas abertas, sem roteiro.
Anúncios de TV
A campanha também comprou televisão: o primeiro anúncio em TV aberta, contra Cuomo, foi ao ar em 24 de abril de 2025. Segundo a AdImpact, foram 6,3 milhões de dólares em anúncios na primária e 5,8 milhões na geral, feitos pela Fight Agency. O vídeo orgânico chegou antes do pago, não em vez dele.

Condições locais

  • Voto ranqueado na primária democrata: o eleitor ordena até cinco nomes. Ser a segunda escolha de alguém vale votos.
  • Primária fechada: só votam democratas registrados até um prazo. A campanha fez vídeos só para lembrar esse prazo.
  • Financiamento público: a cidade paga 8 dólares por cada dólar doado por moradores de Nova York, até os primeiros 250 dólares de cada doação, com teto de gastos de 8 milhões na primária.
  • Super PACs sem limite do outro lado: o comitê Fix the City gastou quase 23 milhões de dólares por Cuomo só na primária.
  • Cidade densa, de prédios e transporte público: dá para bater em dezenas de portas por hora e chegar a qualquer bairro de metrô.
  • Mais de 800 línguas faladas e cerca de 35% dos moradores nascidos fora dos EUA.
  • Uma seção do DSA com quase uma década de máquina eleitoral, cerca de 5.900 membros em outubro de 2024 e lideranças já testadas.
  • Imprensa tradicional e tabloides hostis, ataques por religião e origem, e um establishment democrata que demorou a apoiar.
  • Na eleição de 2024, bairros de imigrantes tinham virado à direita (como Jamaica Hills, no Queens, quase 25 pontos) ou deixado em branco o voto para presidente (bairros paquistaneses e bengalis do Brooklyn).

O método

Michael Carter, do DSA, resumiu a regra de ouro: tudo na campanha existe para servir ao campo.

Michael Carter, do DSA, resumiu a regra de ouro: tudo na campanha existe para servir ao campo. O vídeo enche o funil; o campo converte e forma líderes; o que se ouve na porta volta para a mensagem.

Três frentes

Uma mensagem, três promessas
Custo de vida, dito sempre da mesma forma: congelar o aluguel dos apartamentos regulados, ônibus rápidos e gratuitos, creche universal. Promessas concretas, com os responsáveis pela crise nomeados.
Vídeo que convida
O candidato como guia de uma cidade que ele ama: na rua, ouvindo primeiro, com humor e na língua de cada bairro. Cada vídeo termina com um convite para agir.
Campo que forma líderes
Começar cedo, colocar voluntários no comando dos turnos e promover sempre quem quer fazer mais. Quem chega como canvasser sai como líder de campo.

O ciclo de um voluntário

O caminho de alguém que vê um vídeo até liderar um turno, repetido em escala ao longo de um ano.

  1. Ouvir Na porta e na rua, perguntar o que preocupa as pessoas. O roteiro de conversa é revisto com o retorno de quem bate nas portas.
  2. Filmar Transformar o que se ouviu num vídeo curto, rápido, com um problema concreto e um convite no fim.
  3. Captar Quem comenta uma palavra-chave recebe por mensagem direta o link de inscrição; nome, e-mail e CEP vão para a base de dados. Na prática: ManyChat no Instagram e no Facebook, com etiquetas para não repetir mensagens e o e-mail pedido na própria conversa.
  4. Confirmar O CRM manda e-mail, SMS e convite de calendário. Menos faltas, e os líderes ficam livres para o trabalho presencial. Na campanha, era o Solidarity Tech, ligado à página de turnos com mapa.
  5. Lançar Num ponto de encontro, um líder de campo recebe os voluntários, forma duplas (novato com experiente) e distribui as ruas. A coordenação do turno corre num grupo de WhatsApp.
  6. Conversar e classificar Cada conversa é registrada numa escala de 1 a 5, adaptada ao voto ranqueado (2A e 2B). Na reta final, só 1 e 2 são recontatados. Na persuasão vão os indecisos que votam; na mobilização, os apoiadores que podem faltar. O registro é feito no MiniVAN, e são esses dados que definem quem é recontatado.
  7. Promover Os líderes indicam quem volta sempre e quer fazer mais. Essas pessoas viram líderes de campo e o ciclo cresce.
  8. Devolver O que funciona nas portas volta para a mensagem e para os vídeos. A campanha aprende rápido o que ressoa.

E recomeça.

Toolkit

Quem é preciso, que ferramentas usar e como gravar e escrever, dentro das regras desta página.

Quem é preciso, que ferramentas usar e como gravar e escrever, dentro das regras desta página.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Em dezembro de 2024, Tascha Van Auken era a única pessoa da equipe de campo e o material era empacotado no apartamento dela. A escala veio de uma escada de liderança voluntária.

Equipe e escada de liderança

Direção de campo
Desenha o modelo, as fases e as metas (a primeira foi 1 milhão de portas) e protege o tempo dos voluntários.
Coordenadores de campo
Gerenciam os líderes de campo, os horários dos turnos e os materiais por região.
Líderes de campo
Voluntários que treinam novatos, abrem o turno, resolvem problemas na rua. Foram mais de 400 na primária e mais de 700 no fim; ao fim da primária, cerca de 80% já não vinham do DSA.
Canvassers
Voluntários em duplas que batem portas e fazem ligações. Podem vir para um turno só ou subir na escada.
Canvassers pagos multilíngues
Entre 40 e 50 pessoas contratadas para bairros de difícil acesso e línguas que poucos voluntários falavam.
Organização por comunidade
Responsáveis por eleitorados específicos (como o muçulmano e o sul-asiático) que casam voluntários com congregações e línguas.
Equipe de vídeo e direção criativa
Um diretor criativo e uma pequena produtora. O contrato inicial previa dois vídeos por mês; no último mês da primária, foi tudo o que fosse possível.
Estratégia digital
Chatbot, canal de transmissão, e-mail e programa de criadores de conteúdo ligados à base de voluntários.
Encontros e eventos
Festas em casa com guia para anfitriões, lançamentos de turno, comícios e ações pela cidade com objetivo definido.

Ritmo e fases

  1. Toda semanaOs co-presidentes do DSA se reuniam com o candidato e a coordenadora da campanha; os grupos de campo, finanças e comunicação do DSA se reuniam com seus pares na campanha.
  2. Dezembro a janeiroConstruir o modelo e a liderança: primeiros turnos, primeiros líderes, roteiro inicial.
  3. Pouco mais de um mêsColeta de assinaturas para a candidatura, sobretudo na rua.
  4. Depois, sem pararPersuasão: alcançar eleitores novos e identificar apoiadores. Segundo Van Auken, a persuasão nunca terminou.
  5. Últimas semanasMobilização para votar somada à persuasão, por causa da votação antecipada. Só os 1 e 2 da escala são recontatados.
  6. Maio e junho: voto ranqueadoEnsinar a ranquear virou parte do trabalho: a escala separava 2A e 2B; em 30 de maio, o Working Families Party divulgou uma chapa de cinco nomes e pediu para deixar Cuomo de fora; em 13 de junho, véspera da votação antecipada, Mamdani e Lander anunciaram apoio cruzado. Na votação antecipada e no dia da primária, voluntários com panfletos ficavam na frente dos locais de votação, a mais de 30 metros (100 pés) da entrada.
  7. Julho a novembro: eleição geralO mesmo modelo de campo continuou contra Cuomo, agora independente: cerca de 60 turnos numa só noite na reta final, sindicatos municipais somando as próprias equipes, TV no horário nobre e o teto de arrecadação atingido em 5 de setembro.

As fontes não descrevem um horário diário fixo. O que se sabe é a escala: na reta final, a campanha lançava cerca de 60 turnos numa só noite, e no total foram mais de 5.700 turnos em 243 bairros.

Plano B

  • Uma base de líderes que não depende de uma só organização: no fim, a maioria vinha de fora do DSA.
  • Uma lista própria de voluntários e apoiadores com consentimento, num CRM que a campanha controla.
  • Canais diretos além do algoritmo: canal de transmissão, e-mail e SMS.
  • Material impresso em oito línguas para quando o celular não chega.
  • Canvassers pagos para os bairros e as línguas que a rede voluntária não cobre.
  • Um plano para a lista depois da eleição, com governança e objetivos definidos antes do dia da votação.

Tecnologia

Ferramentas baratas ou gratuitas, ligadas numa linha só: vídeo com palavra-chave → mensagem direta do ManyChat → página de inscrição → Solidarity Tech (confirmação, SMS e convite de calendário) → turno com líder de campo → MiniVAN na porta → dados de volta para o recontato e para a mensagem. O caro foi o tempo das pessoas, a TV e, nos EUA, o acesso ao cadastro eleitoral.

  • Vídeo curto (Reels, TikTok, YouTube, X)Equipamento simples; custo da produtora não divulgado

    Câmera na mão (a equipe começou com uma Panasonic GH5), som ambiente da rua, enquadramento 4:3 para servir na horizontal e na vertical. Às vezes ideia, gravação e edição em 24 horas. Feito pela Melted Solids, contratada para dois vídeos por mês, e por uma equipe interna de vídeo. Cada vídeo terminava com uma palavra-chave ou um link: o passo seguinte do funil.

  • Chatbot de comentário para mensagem direta (ManyChat)US$ 318 em cerca de dois meses

    Montado em abril de 2025 por Gabriella Zutrau: três fluxos de comentário para mensagem direta, uma resposta automática a mensagens e outra a quem marcava a conta nos stories. Palavras-chave como FREEZE, CanvassNow, vote ou Bronx disparavam o link para bater portas, ligar, doar ou se registrar para votar. Etiquetas e condições evitavam mensagens repetidas, e quem ainda não tinha e-mail na base ia para um fluxo que o pedia na própria conversa. Até julho: mais de 77 mil mensagens, 20 mil cliques, 76% de cliques nas palavras-chave e, numa estimativa que ela chama de conservadora, mais de 10 mil pessoas na lista; de maio a novembro, mais de 144 mil mensagens.

  • Canal de transmissão do InstagramGrátis

    Um para muitos para o público mais engajado, fora do feed: 66 mil membros na primária, mais de 180 mil depois. Zutrau passou a cuidar dele junto com o e-mail; servia para avisos e chamadas à ação para quem já estava perto da campanha.

  • CRM de voluntários (Solidarity Tech)Não divulgado

    A página de inscrição grava os dados no Solidarity Tech, que manda sozinho a confirmação por e-mail, o SMS de lembrete e o convite de calendário do turno. Isso tirou dos líderes os lembretes feitos à mão, por mensagem e por telefone. Nasceu para organizar motoristas de aplicativo; a campanha, a primeira grande disputa dos EUA a usá-lo, ficou com o funil e os lembretes e não usou os recursos relacionais.

  • Página de voluntariado com mapa de eventosDomínio e hospedagem

    Mostra os turnos pela cidade e inscreve em poucos cliques; os lembretes automáticos e as indicações de amigos são registrados. Os formulários perguntavam a disponibilidade pensando em cada público, como a sexta à tarde, em torno da oração na mesquita.

  • Aplicativo de porta a porta (MiniVAN)Acesso via partido ou parceiros; custo não divulgado

    Recebe a lista de eleitores-alvo tirada do cadastro eleitoral, agrupada por prédio, com nome, idade e partido; na primária, democratas registrados. Cada dupla pegava um trecho de cerca de dois quarteirões, de 60 a 75 portas. Registra não está, mudou-se, faleceu e a escala de 1 a 5 com 2A e 2B; são esses dados que definem quem é recontatado na reta final.

  • Mensagens relacionaisVariável

    Cada voluntário manda mensagem aos próprios contatos para confirmar que têm um plano para votar. As fontes abertas não dizem que aplicativo foi usado em 2025; na campanha de Mamdani para deputado estadual, em 2020, era o REACH.

  • Grupos de WhatsAppGrátis

    Um grupo por turno ou bairro para resolver problemas em tempo real; grupos de conversa separados por comunidade ou mesquita para quem organizava nesses espaços.

  • QR codes nas pastas dos voluntáriosGrátis

    Levam o eleitor aos apoios recebidos pela candidatura e ajudaram depois a mapear o engajamento.

  • Página de doações pequenasCusto não divulgado

    Doações de moradores multiplicadas por 8 pelos fundos públicos, até os primeiros 250 dólares de cada uma; no início, pedia-se até na porta. Parou ao atingir o teto: em 24 de março de 2025 na primária e em 5 de setembro na eleição geral. Em 18 de maio, já sem poder arrecadar, Mamdani pediu num vídeo doações para Adrienne Adams, que também concorria contra Cuomo, na véspera do prazo dela para os fundos públicos.

  • E-mail (Mailchimp)Não divulgado

    Os e-mails digitados na conversa do chatbot iam para o Mailchimp: mais de 3 mil em poucas semanas. O e-mail lembrava turnos e, nos últimos dias, mandava assuntos curtos e urgentes, como “ONE LAST PUSH”, para levar a mais um turno e a votar.

  • SMS e ligaçõesNão divulgado

    Mais de 1 milhão de SMS até a reta final e mais de 4,4 milhões de ligações feitas por voluntários; a juventude do DSA montou um mutirão de ligações e SMS para a mobilização final. As fontes abertas não nomeiam as ferramentas usadas.

  • TV e anúncios digitais pagos (Fight Agency)US$ 6,3 M na primária e 5,8 M na geral (AdImpact)

    Morris Katz, da Fight Agency, liderou a estratégia de mídia e fez os anúncios: na eleição geral, peças que imitavam programas de TV, exibidas no horário nobre, em jogos dos Knicks e também na Fox News. A compra de mídia passou por uma agência de Los Angeles, que recebeu mais de 3 milhões de dólares até julho de 2025 para TV, produção e digital. Os anúncios repetiam a mensagem dos vídeos: custo de vida.

  • Fundos públicos (Campaign Finance Board)7,05 M + 5,74 M em dinheiro público

    Cada dólar doado por morador de Nova York vale mais 8 dólares públicos, até os primeiros 250. O órgão eleitoral paga em parcelas depois de cada prestação de contas, e cada doação precisa de todos os dados do doador: Cuomo ficou sem a primeira parcela por um campo que o software dele não coletava. Mamdani recebeu 7,05 milhões na primária e 5,74 milhões na geral até 30 de outubro de 2025; em troca, aceitou um teto de gastos de 8 milhões em cada fase.

  • Triagem de criadores no chatbotIncluído no ManyChat

    O chatbot separava as conversas por número de seguidores, verificação e etiquetas. Contas com mais de 25 mil seguidores recebiam um formulário de criador (contato, agente, público e nicho). A campanha convidava criadores para encontros abertos, sem roteiro, como o de mais de 70 criadores na sede.

  • Dossiês distritais do NYC-DSATrabalho voluntário

    Antes de escolher onde bater, a seção do DSA mantinha dossiês por distrito com histórico eleitoral, densidade sindical e membros do DSA na área, e calculava o número de votos necessário para vencer, na casa das centenas de milhares.

Guias rápidos por canal

Colunas do registro de turno

Data e hora · Bairro / ruas · Líder de campo · Voluntários (novos / que voltaram) · Portas batidas · Conversas · Escala: 1 / 2A / 2B / 3 / 4 / 5 · Inscritos como voluntários na porta · Língua das conversas · O que ouvimos (para o roteiro e os vídeos) · Candidatos a líder

A campanha não divulgou o custo de cada ferramenta. Na primária, todos os gastos tinham teto de 8 milhões de dólares, já contando os fundos públicos; na eleição geral, outro teto de 8 milhões. A maior parte foi para anúncios: 6,3 milhões na primária e 5,8 milhões na geral, segundo a AdImpact. O chatbot custou 318 dólares. Para começar pequeno, bastam celular, uma planilha, um formulário com consentimento e grupos de mensagem.

Comunicação

O tom é o de um guia apaixonado pela cidade: alegre, curioso, concreto, com humor até nos ataques. A mensagem é sempre a mesma; o formato muda o tempo todo.

A fórmula de um vídeo

  1. Lugar real Uma esquina, um ônibus, uma barraca de comida. A cidade é o cenário.
  2. As pessoas falam primeiro Pergunte e escute. No vídeo com eleitores de Trump, o candidato quase não falou.
  3. Um problema que se toca O preço do prato de rua, o ônibus lento, o aluguel. Com números.
  4. Quem é responsável Nomeie a causa: burocracia, especulação, preços abusivos. Sem atacar o eleitor.
  5. A promessa Uma das três, sempre com as mesmas palavras.
  6. A língua do bairro Grave ou legende na língua de quem você quer alcançar, misturando com a língua comum como as pessoas fazem.
  7. O convite Uma ação só, fácil: comente uma palavra, inscreva-se num turno, registre-se para votar.

Regras de produção

  • Uma mensagem simples e repetível; mude o formato, não a mensagem.
  • Rapidez vale mais que polimento: grave hoje, publique amanhã.
  • Teste formatos novos em vez de repetir o que já deu certo.
  • Mantenha o som da rua; a autenticidade aparece no áudio.
  • Cuidado com “walking and talking” demais: andar e falar sem acontecer nada é sinal de vídeo fraco, segundo Anthony DiMieri.
  • Responda a ataques com humor e com a sua pauta, não com notas de desmentido.
  • Criadores de conteúdo recebem acesso e informação, não roteiro.
  • Todo vídeo leva para uma ação fora da tela.
  • Mostre os voluntários: o vídeo de maio de 2025 tinha 30 voluntários e quase nada do candidato.

Exemplo

[Gravado no ponto de ônibus, com o barulho do trânsito] Candidato: Quanto tempo você espera esse ônibus todo dia? Passageira: Quarenta minutos. E a passagem subiu de novo. Candidato: Ônibus rápido e gratuito: é isso que vamos fazer. Se você concorda, comente ÔNIBUS que eu te mando o link para bater portas no seu bairro neste sábado.

Levar para o seu contexto

Parte do método funciona em qualquer lugar.

Parte do método funciona em qualquer lugar. Outra parte dependia das leis e dos hábitos de Nova York. Veja o que trocar.

Funciona em qualquer lugar

  • Começar o campo meses antes de precisar dele e medir quantos líderes você forma, não só quantos inscritos tem.
  • Uma mensagem sobre a vida concreta, com poucas promessas fáceis de repetir em qualquer língua.
  • Vídeos curtos e autênticos que terminam sempre com um convite para agir.
  • Automatizar o que é repetitivo (confirmações, lembretes) para os líderes ficarem com o trabalho humano.
  • Duplas novato e experiente, roteiro revisto com o retorno de quem está na rua.
  • Organizar por comunidade e por língua, com presença repetida e respeito pelas regras de cada espaço.
  • Eventos com propósito claro, alegres e abertos a famílias.
  • Planejar antes da eleição o que acontece com a rede depois dela.

Depende do contexto

Cadastro eleitoral público com filiação partidária (MiniVAN)
Nos EUA, cada lista de turno sai do cadastro eleitoral cruzado com pontuações de apoio e de participação: bate-se nas portas escolhidas, não em todas. Na União Europeia e no Brasil não existe uma lista partidária de eleitores à disposição das campanhas, e a opinião política é dado sensível. Troque por porta a porta por ruas e seções eleitorais, listas próprias com consentimento e registro mínimo, apagado depois da campanha.
Voto ranqueado e apoio cruzado
Em sistemas de dois turnos, o equivalente é negociar desde cedo o apoio no segundo turno. Em listas proporcionais, use a lógica da escala 2A/2B para achar quem gosta do candidato mas vota em outro.
Fundos públicos de 8 para 1
Onde não há dinheiro público multiplicado, use financiamento coletivo dentro dos limites legais. A lição continua: muitas doações pequenas valem mais do que poucas grandes, e o teto também é uma mensagem.
Instagram como plataforma principal
Onde o WhatsApp domina (Brasil, Índia, partes de África), o funil termina num canal ou numa comunidade de WhatsApp; onde é o TikTok, comece lá. O princípio é o mesmo: do vídeo para uma conversa direta.
Uma seção do DSA pronta
Poucas campanhas têm uma organização com uma década de máquina eleitoral. Procure o equivalente: sindicatos, associações de moradores, coletivos estudantis, núcleos de partido. Se não existir, comece um ano antes.
Cidade densa e de prédios
Em cidades espalhadas ou em condomínios fechados, troque parte das portas por bancas em feiras, saídas de escola e de templos, e por ligações e mensagens aos próprios contatos.
Criadores de conteúdo
No Brasil e em outros países é proibido pagar influenciadores para propaganda eleitoral. Dê acesso e informação, sem roteiro, como fez a campanha com mais de 70 criadores, e nunca pague onde a lei proíbe.
Mais de 800 línguas
Mapeie as línguas da sua base: idiomas regionais, de sinais, de comunidades migrantes. Recrute voluntários que as falam antes de traduzir panfletos.

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit. Cada uma funciona sozinha ou combinada com jogadas de outros playbooks.

  1. Vídeo de rua que termina num convite

    Vídeos curtos e orgânicos numa rua real, em que as pessoas falam primeiro, sobre um problema concreto, e um convite para agir no fim. Em Nova York, o vídeo com eleitores de Trump em avenidas do Queens e do Bronx definiu o tema do custo de vida, e cada vídeo terminava com um convite que levava a uma inscrição.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando há uma mensagem simples sobre a vida concreta e alguém disposto a ir à rua ouvir, com humor e na língua de cada bairro.
    Não use quando
    Quando o vídeo é o plano inteiro: a própria equipe diz que os vídeos sozinhos não ganharam a primária. Sem campo para receber as pessoas, a atenção se perde.
    1. Semana −32 Escolha poucas promessas e escreva-as sempre com as mesmas palavras
    2. Semana −30 Grave numa esquina, num ônibus ou numa barraca real e deixe as pessoas falarem
    3. Semana −30 Feche cada vídeo com uma ação só: comentar uma palavra ou entrar num turno
    4. Semana −28 Grave ou legende na língua do bairro que você quer alcançar
    5. Semana −20 Publique rápido: grave hoje, publique amanhã, com o som da rua
    6. Semana −12 Mostre os voluntários no vídeo, não só o candidato
    7. Semana −2 Na reta final, use os vídeos para levar a votar e a fazer um último turno

    Equipe

    • Direção criativa: ideia, gravação e edição, às vezes em 24 horas
    • Candidato ou porta-voz: pergunta, escuta e faz o convite
    • Retorno de campo: traz o que se ouve nas portas para a pauta dos vídeos

    O que medir: Inscrições em turnos vindas de cada vídeo, medidas pela palavra-chave ou pelo link próprio de cada um, não visualizações; se um vídeo muito visto não traz inscrições, mude o convite.

    Riscos a vigiar: Nada de perfis falsos ou comentários fabricados para inflar o vídeo, nem influenciadores pagos onde a lei proíbe: dê acesso e informação, sem roteiro, e identifique o que for feito com IA.

  2. Da palavra-chave à confirmação automática

    Quem comenta uma palavra-chave recebe por mensagem direta o link de inscrição; o CRM manda confirmação, SMS e convite de calendário, e os líderes ficam livres para o trabalho presencial. Em Nova York, o piloto do chatbot custou 318 dólares e trouxe cerca de 10 mil contatos em dois meses.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando os vídeos já trazem mais interessados do que a equipe consegue responder à mão.
    Não use quando
    Quando a ideia é mandar mensagens a quem não pediu: o chatbot da campanha só respondia a quem tinha escrito primeiro. Listas compradas e disparos em massa, nunca.
    1. Semana −30 Escolha uma palavra-chave por tema, cada uma com o seu link de inscrição
    2. Semana −30 Monte a página com mapa de turnos e formulário curto com consentimento
    3. Semana −29 Configure a resposta automática só para quem comentou ou escreveu primeiro
    4. Semana −28 Ligue a inscrição ao CRM: confirmação, SMS e convite de calendário
    5. Semana −24 Abra um canal de transmissão e um e-mail para quem quer seguir de perto
    6. Semana −20 Reveja as mensagens automáticas para que não soem robóticas

    Equipe

    • Estratégia digital: palavras-chave, chatbot e canal de transmissão
    • Dados: CRM, consentimento e acesso restrito à lista
    • Eventos: mantém o mapa de turnos atualizado

    O que medir: Inscritos que de fato aparecem no turno marcado, em proporção às inscrições; se muitos faltam, reforce lembretes e confirmação pessoal, não o número de posts.

    Riscos a vigiar: Uma lista é dado pessoal e, com opinião política, dado sensível: consentimento expresso, acesso restrito, opção de sair em cada mensagem e prazo para apagar.

  3. Turno lançado por voluntário, em duplas

    Num ponto de encontro, um líder de campo voluntário recebe as pessoas, forma duplas (novato com experiente), distribui as ruas e registra cada conversa numa escala de 1 a 5. Em Nova York foram mais de 5.700 turnos em 243 bairros, e cerca de um quarto dos votantes da primária tinha conversado com um voluntário na porta.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando faltam meses para a votação e há uma base que pode sair para a rua com regularidade.
    Não use quando
    Quando se copia o cadastro americano: na UE e no Brasil não há lista partidária de eleitores. Use ruas e seções, listas próprias com consentimento e registro mínimo.
    1. Semana −28 Defina pontos de encontro por bairro e um líder de campo para cada turno
    2. Semana −28 Escreva o roteiro: perguntar primeiro o que preocupa, depois as promessas
    3. Semana −26 No ponto de encontro, forme duplas novato com experiente e distribua as ruas
    4. Semana −26 Registre cada conversa na escala de 1 a 5 e o que você ouviu
    5. Semana −20 Reveja o roteiro com o retorno de quem bateu nas portas
    6. Semana −2 Na reta final, recontate só quem marcou 1 e 2 e confirme o plano de voto
    7. Semana do dia D No dia, turnos de mobilização até o fecho das urnas

    Equipe

    • Líder de campo: abre o turno, forma as duplas e resolve problemas na rua
    • Canvassers: batem portas em duplas e registram as conversas
    • Coordenação de campo: horários, materiais e mapa por região

    O que medir: Conversas registradas por dupla e por turno e, na reta final, pessoas recontatadas que confirmam um plano de voto; porta batida sem conversa não conta como avanço.

    Riscos a vigiar: Opinião política registrada é dado sensível: base legal, acesso restrito e prazo para apagar; na porta, sem discussão nem insistência, respeitando quem não quer conversar.

  4. Escada de liderança: quem volta, lidera

    Os líderes indicam quem volta sempre e quer fazer mais; essas pessoas são formadas e passam a abrir os próprios turnos. Em Nova York, a equipe de campo começou com uma só pessoa em dezembro de 2024 e chegou a mais de 700 líderes de campo voluntários; no fim da primária, cerca de 80% já não vinham do DSA.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando a rede cresce mais depressa do que a equipe paga e precisa de quem abra turnos sem depender dela.
    Não use quando
    Quando se mede só o número de inscritos: sem formar líderes, os turnos dependem de meia dúzia de pessoas e a rede some depois da eleição.
    1. Semana −30 Comece cedo: um encontro de formação dos primeiros líderes de campo
    2. Semana −28 Faça o primeiro dia de porta a porta em vários pontos da cidade
    3. Semana −26 Marque no registro de turno quem volta e quem quer fazer mais
    4. Semana −24 Convide essas pessoas para a formação de líder de campo
    5. Semana −22 Dê a cada novo líder um turno próprio, com um coordenador de apoio
    6. Semana −8 Ponha líderes em cada comunidade e língua que a rede cobre
    7. Semana −4 Decida antes da votação o que a rede faz depois: governança e objetivos

    Equipe

    • Direção de campo: desenha a escada e as metas e protege o tempo dos voluntários
    • Coordenadores de campo: acompanham os novos líderes por região
    • Líderes de campo: indicam quem promover e treinam os novatos

    O que medir: Novos líderes que já abriram pelo menos um turno sozinhos, contados por mês; se o número parar, a rede está gastando voluntários em vez de formá-los.

    Riscos a vigiar: Esgotamento e dependência de uma só organização: proteja o tempo dos voluntários, abra a escada a quem vem de fora e planeje a rede para depois. Em Nova York, a organização que herdou a lista perdeu quase toda a equipe em abril de 2026.

  5. Organizar por comunidade e por língua

    Responsáveis por comunidades específicas casam voluntários com congregações, bairros e línguas, com material traduzido e presença repetida nos mesmos lugares. Em Nova York, a campanha imprimiu material em oito línguas, contratou de 40 a 50 canvassers multilíngues para bairros de difícil acesso e deu aos voluntários um guia de conduta em mesquitas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando a base inclui comunidades migrantes ou de outras línguas que a mídia principal não alcança.
    Não use quando
    Quando é visita relâmpago ou panfleto traduzido sem gente da comunidade: recrute quem fala a língua antes de traduzir.
    1. Semana −26 Mapeie as línguas e as comunidades da sua base, bairro a bairro
    2. Semana −24 Nomeie um responsável por comunidade e recrute voluntários que falam a língua
    3. Semana −22 Traduza o material e o roteiro com esses voluntários, não só com tradutores
    4. Semana −20 Escreva um guia de conduta de uma página para templos e espaços comunitários
    5. Semana −16 Crie grupos por comunidade e volte sempre aos mesmos lugares
    6. Semana −8 Cubra com falantes contratados os bairros e línguas que a rede não alcança
    7. Semana −1 Leve o lembrete de votar em cada língua, nos mesmos espaços

    Equipe

    • Organização por comunidade: casa voluntários com congregações e línguas
    • Voluntários multilíngues: conversam nas portas e adaptam o roteiro
    • Mídia étnica: leva a mensagem à TV, rádio e jornais de cada comunidade

    O que medir: Conversas feitas em cada língua por voluntários da própria comunidade, registradas no turno; se uma língua da sua base não tem conversas, falta recrutar, não traduzir.

    Riscos a vigiar: Tratar comunidades como alvo e não como parceiras afasta as pessoas: siga as regras de cada espaço, sem discussões, e não registre religião ou origem sem base legal.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

Decida como a direção de campo

Seis momentos da campanha de 2024–2025. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.

Plano de 12 meses

A sequência da campanha, de outubro de 2024 a novembro de 2025, organizada como lista de verificação.

A sequência da campanha, de outubro de 2024 a novembro de 2025, organizada como lista de verificação. Encurte as fases se tiver menos tempo, mas não pule a primeira. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Antes de anunciar

  2. Meses 1–2: Formar a base

  3. Meses 3–5: Assinaturas e dinheiro

  4. Meses 6–9: Persuasão em massa

  5. Últimas três semanas: Votar

  6. Depois da eleição

Regras

O método depende de conversas entre pessoas.

O método depende de conversas entre pessoas. Atalhos que fingem isso, ou usam dados sem permissão, destroem a confiança e dão armas ao adversário.

Só gente real
Nada de perfis falsos, bots, contas compradas ou comentários fabricados para inflar um vídeo. Coordenar pessoas reais para dizerem o que pensam é permitido; o que as plataformas punem é organizar curtidas, seguidores ou hashtags em série para enganar o algoritmo. O X, por exemplo, proíbe trocar engajamento e usar uma hashtag em alta para manipular a conversa.
Consentimento para mensagens
Mande mensagens só a quem pediu. O chatbot da campanha só respondia a quem tinha escrito primeiro; nada de listas compradas ou disparos em massa.
Mensagens relacionais são pessoais
Cada voluntário fala com os próprios contatos, com as próprias palavras, e pode parar quando a pessoa pedir.
Opinião política é dado sensível
A escala de 1 a 5 registra opiniões políticas. Na União Europeia (RGPD) e no Brasil (LGPD) isso exige base legal, segurança, acesso restrito e prazo para apagar.
Dinheiro às claras
Respeite tetos e limites de doação, declare tudo e não coordene com comitês externos onde a lei proíbe.
Criadores com transparência
Não pague influenciadores onde a lei proíbe. Onde é permitido, a parceria paga precisa ser declarada.
Arquive a comunicação oficial
Quem passa a governar precisa cumprir as regras de arquivo. Grupos com mensagens que se apagam sozinhas viraram problema para a prefeitura em 2026.
Respeito nas portas e nos templos
Sem discussões, sem insistir, seguindo as regras de cada espaço. A campanha deu aos voluntários um guia de uma página sobre conduta em mesquitas.
IA com etiqueta
Conteúdo feito com IA é identificado como tal. Deepfakes, nunca.
Segurança de quem vai às portas
Voluntários e candidatos de minorias religiosas ou de origem imigrante são alvo de assédio e ameaças: duplas, um contato de referência, protocolo para incidentes e registro de cada caso.
Lei local
Cada país tem regras próprias para porta a porta, dados, doações e propaganda. Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e o Google deixou de veicular publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que vale também para eleições locais, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Confirme com um advogado antes de começar. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não nasce em seis meses
A campanha partiu de uma organização com quase uma década de experiência eleitoral. Sem essa base, comece mais cedo e com metas menores.
O vídeo sozinho não ganha
A própria equipe de vídeo diz que os vídeos não ganharam a primária sozinhos. Zutrau resume: as redes só funcionaram tão bem porque o campo era tão bom.
Depende muito do candidato
Carisma, várias línguas, disponibilidade para andar a cidade toda e confiança na equipe criativa.
Atenção é instável
Os algoritmos mudam e premiam o dramático. Governar e mobilizar no longo prazo exige outros ritmos e também a mídia tradicional, que a campanha continuou a precisar.
Manter a rede é mais difícil que montá-la
A organização que herdou a lista de voluntários perdeu quase toda a equipe em abril de 2026 e um ato em Albany teve muito menos gente do que o esperado.
Automatização tem custo
Chatbots podem soar robóticos e cansar. E eventos com vagas limitadas, como a caça ao tesouro, deixaram gente de fora.
No governo, o risco da opacidade
Já como prefeito, a relação com mais de 1.200 criadores, por grupos de Signal e com pagamentos por agências da cidade, foi criticada por falta de transparência. O que é legítimo em campanha precisa de outras regras no poder.
Números da própria campanha
Voluntários, portas e visualizações são números internos, que mudam conforme a fonte e nunca foram auditados.
O orgânico não dispensou o pago
A história do vídeo de celular deixa de fora que a maior parte do dinheiro foi para anúncios: 6,3 milhões de dólares na primária, que tinha teto de 8 milhões (AdImpact). Fora da campanha, um comitê independente gastou 1,7 milhão em TV e digital a favor de Mamdani, e a lei proíbe coordenar com ele. Só o orgânico é metade do modelo.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Quando começou a operação de campo para a primária de junho de 2025?
2. Para que servia a divisão entre 2A e 2B na escala de apoio?
3. Qual era a função principal do chatbot de comentário para mensagem direta?
4. No fim da primária, de onde vinha a maioria dos líderes de campo?
5. Qual destas lições a experiência pós-eleição de 2026 reforça?

Para ir mais longe

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

  • Public Narrative

    Curso · Resistance School · EN

    As 15 aulas em vídeo de Marshall Ganz sobre narrativa pública (história de si, de nós e do agora), com exemplo e técnicas de coaching. Serve para formar porta-vozes e voluntários.

  • Steps in a One-on-One Organizing Conversation

    Guia · Training for Change · EN

    Roteiro passo a passo da conversa individual de organização: como convidar alguém, descobrir motivações e fazer um pedido concreto. Use para treinar voluntários.

  • Doorstep meets digital — how Mamdani’s campaign ticked all the boxes for success

    Estudo de caso · European Center for Digital Action · 2026-01 · EN

    Como a campanha de Zohran Mamdani em Nova York juntou porta a porta massivo e vídeo orgânico. Estudo de caso para quem quer integrar rua e redes.

Mais 3

Biblioteca

Fontes

Playbook construído com entrevistas, palestras e textos de quem organizou a campanha, publicados entre julho de 2025 e setembro de 2026,…

Playbook construído com entrevistas, palestras e textos de quem organizou a campanha, publicados entre julho de 2025 e setembro de 2026, conferidos com reportagens e dados eleitorais. Páginas consultadas em 26 de outubro de 2026. Algumas entrevistas estão atrás de paywall; nesses casos, só a parte aberta foi usada.

66 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Dmitryshein, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado em 26 de outubro de 2026

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