DIYfor change
PT-PT
Zohran Mamdani a sorrir, de fato e gravata

Nova Iorque · 2025

Mamdani

O terreno ganha campanhas

No original: “Field really wins campaigns” (Gabriella Zutrau, estratégia digital da campanha).

Em 2025, um deputado estadual que partiu de cerca de 1% nas sondagens ganhou a câmara de Nova Iorque com vídeos de telemóvel e mais de 100 mil voluntários. Eis como.

Uma homenagem às mais de 100 mil pessoas voluntárias de Zohran for NYC, à equipa de terreno de Tascha Van Auken e ao NYC-DSA. Projeto independente, sem ligação à campanha, ao DSA ou à câmara municipal.

Em 30 segundos

  1. Cerca de 1%. Era o que Zohran Mamdani tinha nas sondagens ao lançar a candidatura à câmara de Nova Iorque, em outubro de 2024.

  2. 56,4% e 50,78%. Venceu a primária democrata de junho de 2025 (contagem final por voto preferencial) e a eleição de novembro, com a maior participação desde 1993.

  3. Mais de 100 mil voluntários, 3 milhões de portas. Vídeos curtos levavam a uma inscrição; a inscrição, a um turno de porta a porta liderado por voluntários.

  4. O ciclo fechava-se às portas: o que ali se ouvia voltava para a mensagem, sempre em torno de três promessas sobre o custo de vida.

  5. A campanha começou o terreno meses antes, formou líderes e não só recrutou, ligou cada vídeo a uma ação concreta e falou a língua das pessoas.

Os primeiros passos

  1. Escolher três promessas concretas sobre o custo de vida e escrever cada uma numa frase
  2. Mapear as organizações que podem dar os primeiros líderes de terreno
  3. Confirmar com um advogado as regras de financiamento, tetos, dados pessoais e propaganda

Experimentar já Adaptar com o coach

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Quem fez

Este playbook assenta no que os organizadores disseram em entrevistas, conferências, podcasts e textos próprios.

Este playbook assenta no que os organizadores disseram em entrevistas, conferências, podcasts e textos próprios. A imprensa confirma factos e números.

  • Tascha Van Auken

    Diretora de terreno da campanha; depois chefe do Gabinete de Mobilização em Massa da câmara municipal

    Montou do zero, a partir de dezembro de 2024, o modelo de formação de líderes que chegou a mais de 700 líderes de terreno e 3 milhões de portas.

    Fontes
  • NYC-DSA (Grace Mausser, Gustavo Gordillo, Álvaro López, Michael Carter)

    Secção de Nova Iorque dos Socialistas Democráticos da América

    Forneceu os primeiros líderes de terreno, a estrutura de bairros e grupos de trabalho que se reuniam todas as semanas com a campanha.

    Fontes
  • Andrew Epstein

    Diretor de comunicação e depois diretor criativo da campanha

    Concebeu o vídeo com eleitores de Trump de novembro de 2024 e liderou a comunicação que apresentava Mamdani como guia de uma Nova Iorque acessível.

    Fontes
  • Melted Solids e equipa de vídeo (Anthony DiMieri, Debbie Saslaw, Donald Borenstein, Olivia Becker)

    Produtora de Brooklyn e equipa de vídeo da campanha

    Filmaram e editaram os vídeos orgânicos (às vezes em 24 horas) com câmara ao ombro, som da rua e enquadramento 4:3. A Melted Solids trabalhava com Mamdani desde 2020; os anúncios pagos eram de outra empresa, a Fight Agency.

    Fontes
  • Gabriella Zutrau

    Consultora de estratégia digital da campanha

    Montou o chatbot que passava de um comentário para uma mensagem direta no Instagram e transformou comentários em inscrições, por 318 dólares.

    Fontes
  • Mohamed Alharbii

    Responsável de terreno para os eleitorados muçulmano e sul-asiático

    Organizou mesquitas, templos e cafés com voluntários escolhidos por língua e congregação, e contou o método na conferência Progress 2026.

    Fontes
  • Katie Riley

    Diretora-adjunta da campanha

    Desenhou a estratégia de encontros: festas em casa com guia para anfitriões, comícios com ambiente de festa e a caça ao tesouro.

    Fontes
  • Morris Katz

    Estratega principal e de meios da campanha (Fight Agency)

    Fez os anúncios pagos de televisão e digitais e defendeu que se enquadrasse o custo de vida com promessas concretas e se nomeassem os responsáveis pela crise.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Citações curtas no original, com tradução, ou paráfrases fiéis.

Citações curtas no original, com tradução, ou paráfrases fiéis. Cada uma remete para a fonte.

Mais 6 citações

A história

Em outubro de 2024, Zohran Mamdani era um deputado estadual de 33 anos, de Queens, com cerca de 1% nas sondagens.

Em outubro de 2024, Zohran Mamdani era um deputado estadual de 33 anos, de Queens, com cerca de 1% nas sondagens. Em março de 2025 entrou na corrida um ex-governador conhecido de todos, depois apoiado por super PAC milionários. A campanha decidiu que o trabalho de terreno seria a espinha dorsal e que os vídeos trariam gente para dentro dele.

104 mil
voluntários ao longo da campanhadado da campanha
3 M
portas batidas; a 3 milionésima no dia da eleiçãodado da campanha
4,4 M
chamadas feitas por voluntáriosdado da campanha
50,78%
na eleição geral de 4 nov. 2025 (1,11 milhões de votos)oficial

Treze meses

  1. Out. 2024Mamdani lança a candidatura. O NYC-DSA apoia-o no mesmo mês.
  2. Nov. 2024Poucos dias depois da vitória de Trump, grava em avenidas de Queens e do Bronx a perguntar a eleitores de Trump porque não votaram nos democratas. O vídeo sai cinco dias depois e define o tema: o custo de vida.
  3. Dez. 2024Um encontro do DSA com mais de 300 pessoas forma os primeiros líderes de terreno; duas semanas depois, 400 voluntários saem no primeiro dia de porta a porta, em cerca de oito pontos da cidade.
  4. Jan. 2025Vídeo “Halalflation” sobre o preço do prato halal vendido na rua; começa a formação regular de voluntários.
  5. 24 mar. 2025Com cerca de 18 mil doadores, a campanha atinge o teto de 8 milhões de dólares da primária (contando os fundos públicos) e passa a concentrar-se em mobilizar eleitores.
  6. 13 jun. 2025Na véspera do voto antecipado, Mamdani e Brad Lander anunciam apoio cruzado para o voto preferencial.
  7. 20–21 jun. 2025Caminha mais de 19 km (12 milhas), de Inwood até à Battery, pela madrugada da última sexta-feira antes da primária.
  8. 24 jun. 2025Vence a primária: 43,8% na 1.ª ronda da contagem e 56,4% no fim. Cerca de um quarto dos votantes tinha falado com um voluntário à porta.
  9. 24 ago. 2025Caça ao tesouro pela cidade, anunciada na véspera: 500 cartões desaparecem em 15 minutos e a campanha fala em mais de 4 mil participantes.
  10. 4 nov. 2025Vence com 50,78% contra 41,32% de Cuomo; votam 2,2 milhões de pessoas. Por volta do meio-dia, a campanha bate à 3 milionésima porta.

Três camadas

O vídeo era a parte visível. Por baixo havia uma máquina de conversão e uma rede de terreno que vinha de antes da campanha.

  • AtençãoVídeos curtos e orgânicos, em várias línguas, criadores de conteúdos, media étnicos, podcasts e eventos que se tornavam conteúdo.
  • ConversãoApelo à ação no fim de cada vídeo, chatbot de mensagem direta, página de inscrição, CRM com confirmações e lembretes automáticos, canal de difusão e email.
  • TerrenoArranques de turno liderados por voluntários, duplas com a aplicação do registo eleitoral, organização por comunidade e língua, chamadas e mensagens para os próprios contactos.
O que não se sabe. Quase todos os números vêm da própria campanha e variam consoante a fonte: 95, 100 ou 104 mil voluntários; 4,4 ou 4,5 milhões de chamadas; os 236 milhões de visualizações no Instagram no último mês da primária foram noticiados pelo POLITICO e repetidos por outros.

Nenhum estudo publicado isola o efeito do porta a porta ou dos vídeos no resultado, e a própria equipa de vídeo diz que os vídeos sozinhos não ganharam a primária. O NYC-DSA levou anos a construir a base de que a campanha partiu. Uma meta-análise de 49 experiências de campo nos EUA concluiu que o efeito persuasivo do contacto de campanha em eleições gerais é, em média, próximo de zero; só aparece quando o outro candidato tem posições muito impopulares e a campanha identifica antes os eleitores persuadíveis, ou quando o contacto é muito cedo, e depois desvanece-se (Kalla e Broockman). Numa primária, e para pôr pessoas a votar, a conta é outra. Ainda sem fonte aberta: as ferramentas de chamadas, de SMS e de mensagens relacionais de 2025, a plataforma de donativos usada em 2025, as sondagens internas, os painéis de dados e o custo de cada ferramenta além do chatbot. Também não há registo de Slack, Discord ou Mobilize na campanha.

O terreno

Regras e hábitos de Nova Iorque que pesaram no método.

Regras e hábitos de Nova Iorque que pesaram no método. Noutro país, algo disto pode faltar.

Plataformas

Instagram (Reels, mensagens diretas, canal de difusão)
Foi a plataforma prioritária. Os Reels davam alcance, as mensagens diretas automáticas convertiam e o canal de difusão reunia o público mais empenhado: 66 mil membros na primária, mais de 180 mil depois.
TikTok, YouTube, X e Bluesky
Recebiam os mesmos vídeos. O anúncio da caça ao tesouro saiu no Bluesky e as pessoas souberam dela pelo Instagram e pelo TikTok.
Facebook
Não era prioridade, mas bastou voltar a publicar lá os vídeos para a interação crescer, segundo Gabriella Zutrau.
WhatsApp
Grupos para coordenar cada turno em tempo real. Nas comunidades imigrantes, as mensagens de apoio circulavam em urdu, bengali, árabe, hindi e dezenas de outras línguas.
MiniVAN
Aplicação de porta a porta ligada ao registo eleitoral americano, que é público e inclui nome, idade e filiação partidária, agrupados por prédio.
Media étnicos e noutras línguas
Televisão sul-asiática, um canal paquistanês, televisão punjabi e jornais bengalis. Uma mensagem simples sobre rendas e autocarros traduzia-se bem em qualquer língua.
Criadores de conteúdos e podcasts
Mais de 70 criadores, a maioria de cultura e estilo de vida, foram recebidos na sede para perguntas abertas, sem guião.
Anúncios de televisão
A campanha também comprou televisão: o primeiro anúncio em sinal aberto, contra Cuomo, foi para o ar a 24 de abril de 2025. Segundo a AdImpact, foram 6,3 milhões de dólares em anúncios na primária e 5,8 milhões na geral, feitos pela Fight Agency. O vídeo orgânico chegou antes do pago, não em vez dele.

Condições locais

  • Voto preferencial na primária democrata: o eleitor ordena até cinco nomes. Ser a segunda escolha de alguém vale votos.
  • Primária fechada: só votam os democratas inscritos até uma certa data. A campanha fez vídeos só para lembrar esse prazo.
  • Financiamento público: a cidade paga 8 dólares por cada dólar doado por residentes de Nova Iorque, até aos primeiros 250 dólares de cada donativo, com um teto de despesa de 8 milhões na primária.
  • Super PAC sem limites do outro lado (comités independentes que podem angariar e gastar sem teto): o comité Fix the City gastou quase 23 milhões de dólares por Cuomo só na primária.
  • Cidade densa, de prédios e transportes públicos: é possível bater a dezenas de portas por hora e chegar a qualquer bairro de metro.
  • Mais de 800 línguas faladas e cerca de 35% dos residentes nascidos fora dos EUA.
  • Uma secção do DSA com quase uma década de máquina eleitoral, cerca de 5.900 membros em outubro de 2024 e lideranças já testadas.
  • Imprensa tradicional e tabloides hostis, ataques pela religião e pela origem, e um establishment democrata que demorou a dar apoio.
  • Na eleição de 2024, bairros de imigrantes tinham virado à direita (como Jamaica Hills, em Queens, quase 25 pontos) ou deixado em branco o voto para presidente (bairros paquistaneses e bengalis de Brooklyn).

O método

Michael Carter, do DSA, resumiu a regra de ouro: tudo na campanha existe para servir o terreno.

Michael Carter, do DSA, resumiu a regra de ouro: tudo na campanha existe para servir o terreno. O vídeo enche o funil; o terreno converte e forma líderes; o que se ouve à porta volta para a mensagem.

Três frentes

Uma mensagem, três promessas
Custo de vida, dito sempre da mesma maneira: congelar as rendas das casas com renda regulada, autocarros rápidos e gratuitos, creche universal. Promessas concretas, com os responsáveis pela crise identificados.
Vídeo que convida
O candidato como guia de uma cidade que ama: na rua, a ouvir primeiro, com humor e na língua de cada bairro. Cada vídeo termina com um convite para agir.
Terreno que forma líderes
Começar cedo, pôr voluntários no comando dos turnos e promover sempre quem quer fazer mais. Quem chega como canvasser sai como líder de terreno.

O ciclo de um voluntário

O caminho de alguém que vê um vídeo até liderar um turno, repetido em escala ao longo de um ano.

  1. Ouvir À porta e na rua, perguntar o que preocupa as pessoas. O guião de conversa é revisto com o retorno de quem bate às portas.
  2. Filmar Transformar o que se ouviu num vídeo curto e rápido, com um problema concreto e um convite no fim.
  3. Captar Quem comenta uma palavra-chave recebe por mensagem direta o link de inscrição; nome, email e código postal entram na base de dados. Na prática: ManyChat no Instagram e no Facebook, com etiquetas para não repetir mensagens e o email pedido na própria conversa.
  4. Confirmar O CRM envia email, SMS e convite de calendário. Menos faltas, e os líderes ficam livres para o trabalho presencial. Na campanha, era o Solidarity Tech, ligado à página de turnos com mapa.
  5. Arrancar Num ponto de encontro, um líder de terreno recebe os voluntários, forma duplas (novato com experiente) e distribui as ruas. A coordenação do turno faz-se num grupo de WhatsApp.
  6. Conversar e classificar Cada conversa é registada numa escala de 1 a 5, adaptada ao voto preferencial (2A e 2B). Na reta final, só os 1 e 2 são contactados de novo. Na persuasão entram os indecisos que votam; na mobilização, os apoiantes que podem faltar. O registo é feito no MiniVAN, e são esses dados que definem quem é contactado de novo.
  7. Promover Os líderes indicam quem volta sempre e quer fazer mais. Essas pessoas passam a líderes de terreno e o ciclo cresce.
  8. Devolver O que funciona às portas volta para a mensagem e para os vídeos. A campanha aprende depressa o que ressoa.

E recomeça.

Toolkit

Quem é preciso, que ferramentas usar e como gravar e escrever, dentro das regras desta página.

Quem é preciso, que ferramentas usar e como gravar e escrever, dentro das regras desta página.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Em dezembro de 2024, Tascha Van Auken era a única pessoa da equipa de terreno e o material era embalado no apartamento dela. A escala veio de uma escada de liderança voluntária.

Equipa e escada de liderança

Direção de terreno
Desenha o modelo, as fases e as metas (a primeira foi 1 milhão de portas) e protege o tempo dos voluntários.
Coordenadores de terreno
Gerem os líderes de terreno, os horários dos turnos e os materiais por região.
Líderes de terreno
Voluntários que formam os novatos, abrem o turno e resolvem problemas na rua. Foram mais de 400 na primária e mais de 700 no fim; no fim da primária, cerca de 80% já não vinham do DSA.
Canvassers
Voluntários em duplas que batem às portas e fazem chamadas. Podem vir só para um turno ou subir na escada.
Canvassers pagos multilingues
Entre 40 e 50 pessoas contratadas para bairros de difícil acesso e línguas que poucos voluntários falavam.
Organização por comunidade
Responsáveis por eleitorados específicos (como o muçulmano e o sul-asiático) que fazem corresponder voluntários a congregações e línguas.
Equipa de vídeo e direção criativa
Um diretor criativo e uma pequena produtora. O contrato inicial previa dois vídeos por mês; no último mês da primária, foram todos os que fosse possível fazer.
Estratégia digital
Chatbot, canal de difusão, email e programa de criadores de conteúdos ligados à base de voluntários.
Encontros e eventos
Festas em casa com guia para anfitriões, arranques de turno, comícios e ações pela cidade com um objetivo definido.

Ritmo e fases

  1. Todas as semanasOs copresidentes do DSA reuniam-se com o candidato e com a diretora-adjunta da campanha; os grupos de terreno, finanças e comunicação do DSA reuniam-se com os seus homólogos na campanha.
  2. Dezembro a janeiroConstruir o modelo e a liderança: primeiros turnos, primeiros líderes, guião inicial.
  3. Pouco mais de um mêsRecolha de assinaturas para a candidatura, sobretudo na rua.
  4. Depois, sem pararPersuasão: chegar a eleitores novos e identificar apoiantes. Segundo Van Auken, a persuasão nunca terminou.
  5. Últimas semanasMobilização para o voto somada à persuasão, por causa do voto antecipado. Só os 1 e 2 da escala são contactados de novo.
  6. Maio e junho: voto preferencialEnsinar a ordenar os candidatos passou a fazer parte do trabalho: a escala separava 2A e 2B; a 30 de maio, o Working Families Party divulgou uma lista de cinco nomes e pediu que se deixasse Cuomo de fora; a 13 de junho, véspera do voto antecipado, Mamdani e Lander anunciaram apoio cruzado. No voto antecipado e no dia da primária, voluntários com folhetos ficavam à frente das assembleias de voto, a mais de 30 metros (100 pés) da entrada.
  7. Julho a novembro: eleição geralO mesmo modelo de campo continuou contra Cuomo, agora independente: cerca de 60 turnos numa só noite na reta final, sindicatos municipais a juntar as suas próprias equipas, televisão em horário nobre e o teto de angariação atingido a 5 de setembro.

As fontes não descrevem um horário diário fixo. O que se sabe é a escala: na reta final, a campanha lançava cerca de 60 turnos numa só noite, e no total foram mais de 5.700 turnos em 243 bairros.

Plano B

  • Uma base de líderes que não depende de uma só organização: no fim, a maioria vinha de fora do DSA.
  • Uma lista própria de voluntários e apoiantes com consentimento, num CRM que a campanha controla.
  • Canais diretos para lá do algoritmo: canal de difusão, email e SMS.
  • Material impresso em oito línguas para quando o telemóvel não chega.
  • Canvassers pagos para os bairros e as línguas que a rede de voluntários não cobre.
  • Um plano para a lista depois da eleição, com governação e objetivos definidos antes do dia da votação.

Tecnologia

Ferramentas baratas ou gratuitas, ligadas numa só linha: vídeo com palavra-chave → mensagem direta do ManyChat → página de inscrição → Solidarity Tech (confirmação, SMS e convite de calendário) → turno com líder de campo → MiniVAN à porta → dados de volta para o novo contacto e para a mensagem. O que saiu caro foi o tempo das pessoas, a televisão e, nos EUA, o acesso ao registo eleitoral.

  • Vídeo curto (Reels, TikTok, YouTube, X)Equipamento simples; custo da produtora não divulgado

    Câmara ao ombro (a equipa começou com uma Panasonic GH5), som ambiente da rua, enquadramento 4:3 para servir na horizontal e na vertical. Às vezes ideia, gravação e edição em 24 horas. Feito pela Melted Solids, contratada para dois vídeos por mês, e por uma equipa interna de vídeo. Cada vídeo terminava com uma palavra-chave ou um link: o passo seguinte do funil.

  • Chatbot de comentário para mensagem direta (ManyChat)318 dólares em cerca de dois meses

    Montado em abril de 2025 por Gabriella Zutrau: três fluxos de comentário para mensagem direta, uma resposta automática a mensagens e outra a quem identificava a conta nas stories. Palavras-chave como FREEZE, CanvassNow, vote ou Bronx enviavam o link para bater a portas, telefonar, doar ou recensear-se para votar. Etiquetas e condições evitavam mensagens repetidas, e quem ainda não tinha email na base passava para um fluxo que o pedia na própria conversa. Até julho: mais de 77 mil mensagens, 20 mil cliques, 76% de cliques nas palavras-chave e, numa estimativa que ela considera conservadora, mais de 10 mil pessoas na lista; de maio a novembro, mais de 144 mil mensagens.

  • Canal de difusão do InstagramGrátis

    De um para muitos, para o público mais envolvido, fora do feed: 66 mil membros na primária, mais de 180 mil depois. Zutrau passou a geri-lo juntamente com o email; servia para avisos e apelos à ação a quem já estava perto da campanha.

  • CRM de voluntários (Solidarity Tech)Não divulgado

    A página de inscrição grava os dados no Solidarity Tech, que envia sozinho a confirmação por email, o SMS de lembrete e o convite de calendário do turno. Isto tirou aos líderes os lembretes feitos à mão, por mensagem e por telefone. Nasceu para organizar motoristas de plataformas de transporte; a campanha, a primeira grande disputa dos EUA a usá-lo, ficou com o funil e os lembretes e não usou as funções relacionais.

  • Página de voluntariado com mapa de eventosDomínio e alojamento

    Mostra os turnos pela cidade e permite a inscrição em poucos cliques; os lembretes automáticos e as indicações de amigos ficam registados. Os formulários perguntavam a disponibilidade a pensar em cada público, como a sexta-feira à tarde, em torno da oração na mesquita.

  • Aplicação de porta a porta (MiniVAN)Acesso através do partido ou de parceiros; custo não divulgado

    Recebe a lista de eleitores-alvo tirada do registo eleitoral, agrupada por prédio, com nome, idade e partido; na primária, democratas registados. Cada dupla ficava com um troço de cerca de dois quarteirões, de 60 a 75 portas. Regista "ausente", "mudou de casa", "faleceu" e a escala de 1 a 5 com 2A e 2B; são esses dados que definem quem é contactado de novo na reta final.

  • Mensagens relacionaisVariável

    Cada voluntário envia mensagens aos próprios contactos para confirmar que têm um plano para ir votar. As fontes abertas não dizem que aplicação foi usada em 2025; na campanha de Mamdani para deputado estadual, em 2020, era o REACH.

  • Grupos de WhatsAppGrátis

    Um grupo por turno ou bairro para resolver problemas em tempo real; grupos de conversa separados por comunidade ou mesquita para quem organizava nesses espaços.

  • Códigos QR nas pastas dos voluntáriosGrátis

    Levam o eleitor aos apoios recebidos pela candidatura e ajudaram depois a mapear o envolvimento.

  • Página de pequenos donativosCusto não divulgado

    Donativos de residentes multiplicados por 8 pelos fundos públicos, até aos primeiros 250 dólares de cada um; no início, pedia-se até à porta. Parou ao atingir o teto: a 24 de março de 2025 na primária e a 5 de setembro na eleição geral. A 18 de maio, já sem poder angariar, Mamdani pediu num vídeo donativos para Adrienne Adams, que também concorria contra Cuomo, na véspera do prazo dela para os fundos públicos.

  • Email (Mailchimp)Não divulgado

    Os emails escritos na conversa do chatbot iam para o Mailchimp: mais de 3 mil em poucas semanas. O email lembrava turnos e, nos últimos dias, enviava assuntos curtos e urgentes, como “ONE LAST PUSH”, para levar a mais um turno e a votar.

  • SMS e chamadasNão divulgado

    Mais de 1 milhão de SMS até à reta final e mais de 4,4 milhões de chamadas feitas por voluntários; a juventude do DSA organizou uma maratona de chamadas e SMS para a mobilização final. As fontes abertas não nomeiam as ferramentas usadas.

  • Televisão e anúncios digitais pagos (Fight Agency)6,3 M de dólares na primária e 5,8 M na geral (AdImpact)

    Morris Katz, da Fight Agency, liderou a estratégia de meios e fez os anúncios: na eleição geral, peças que imitavam programas de televisão, emitidas em horário nobre, em jogos dos Knicks e também na Fox News. A compra de espaço passou por uma agência de Los Angeles, que recebeu mais de 3 milhões de dólares até julho de 2025 para televisão, produção e digital. Os anúncios repetiam a mensagem dos vídeos: custo de vida.

  • Fundos públicos (Campaign Finance Board)7,05 M + 5,74 M em dinheiro público

    Cada dólar doado por um residente de Nova Iorque vale mais 8 dólares públicos, até aos primeiros 250. O órgão eleitoral paga em parcelas depois de cada prestação de contas, e cada donativo precisa de todos os dados do doador: Cuomo ficou sem a primeira parcela por causa de um campo que o software dele não recolhia. Mamdani recebeu 7,05 milhões na primária e 5,74 milhões na geral até 30 de outubro de 2025; em troca, aceitou um teto de despesa de 8 milhões em cada fase.

  • Triagem de criadores no chatbotIncluído no ManyChat

    O chatbot separava as conversas por número de seguidores, verificação e etiquetas. Contas com mais de 25 mil seguidores recebiam um formulário de criador (contacto, agente, público e nicho). A campanha convidava criadores para encontros abertos, sem guião, como o de mais de 70 criadores na sede.

  • Dossiês distritais do NYC-DSATrabalho voluntário

    Antes de escolher onde bater, a secção do DSA mantinha dossiês por distrito com histórico eleitoral, densidade sindical e membros do DSA na zona, e calculava o número de votos necessário para vencer, na ordem das centenas de milhares.

Guias rápidos por canal

Colunas do registo de turno

Data e hora · Bairro / ruas · Líder de terreno · Voluntários (novos / que voltaram) · Portas batidas · Conversas · Escala: 1 / 2A / 2B / 3 / 4 / 5 · Inscritos como voluntários à porta · Língua das conversas · O que ouvimos (para o guião e os vídeos) · Candidatos a líder

A campanha não divulgou o custo de cada ferramenta. Na primária, todas as despesas tinham um teto de 8 milhões de dólares, já contando com os fundos públicos; na eleição geral, outro teto de 8 milhões. A maior parte foi para anúncios: 6,3 milhões na primária e 5,8 milhões na geral, segundo a AdImpact. O chatbot custou 318 dólares. Para começar em pequeno, bastam um telemóvel, uma folha de cálculo, um formulário com consentimento e grupos de mensagens.

Comunicação

O tom é o de um guia apaixonado pela cidade: alegre, curioso, concreto, com humor até perante os ataques. A mensagem é sempre a mesma; o formato muda a toda a hora.

A fórmula de um vídeo

  1. Lugar real Uma esquina, um autocarro, uma banca de comida. A cidade é o cenário.
  2. As pessoas falam primeiro Pergunta e escuta. No vídeo com eleitores de Trump, o candidato quase não falou.
  3. Um problema palpável O preço do prato de rua, o autocarro lento, a renda. Com números.
  4. Quem é responsável Nomeia a causa: burocracia, especulação, preços abusivos. Sem atacar o eleitor.
  5. A promessa Uma das três, sempre com as mesmas palavras.
  6. A língua do bairro Grava ou legenda na língua de quem queres alcançar, misturada com a língua comum, como as pessoas fazem.
  7. O convite Uma só ação, fácil: comentar uma palavra, inscrever-se num turno, recensear-se para votar.

Regras de produção

  • Uma mensagem simples e repetível; muda o formato, não a mensagem.
  • Rapidez vale mais do que polimento: grava hoje, publica amanhã.
  • Testa formatos novos em vez de repetir o que já resultou.
  • Mantém o som da rua; a autenticidade ouve-se no áudio.
  • Cuidado com o excesso de “walking and talking”: andar e falar sem que nada aconteça é sinal de vídeo fraco, segundo Anthony DiMieri.
  • Responde aos ataques com humor e com a tua agenda, não com notas de desmentido.
  • Os criadores de conteúdos recebem acesso e informação, não guião.
  • Todos os vídeos levam a uma ação fora do ecrã.
  • Mostra os voluntários: o vídeo de maio de 2025 tinha 30 voluntários e quase nada do candidato.

Exemplo

[Gravado na paragem do autocarro, com o barulho do trânsito] Candidato: Quanto tempo espera por este autocarro todos os dias? Passageira: Quarenta minutos. E o bilhete voltou a subir. Candidato: Autocarros rápidos e gratuitos: é isso que vamos fazer. Se concorda, comente AUTOCARRO e envio-lhe o link para bater a portas no seu bairro este sábado.

Levar para o teu contexto

Parte do método funciona em qualquer lado.

Parte do método funciona em qualquer lado. Outra parte dependia das leis e dos hábitos de Nova Iorque. Vê o que trocar.

Funciona em qualquer lado

  • Começar o trabalho de terreno meses antes de precisar dele e medir quantos líderes se formam, não só quantos inscritos se têm.
  • Uma mensagem sobre a vida concreta, com poucas promessas fáceis de repetir em qualquer língua.
  • Vídeos curtos e autênticos que terminam sempre com um convite para agir.
  • Automatizar o que é repetitivo (confirmações, lembretes) para os líderes ficarem com o trabalho humano.
  • Duplas de novato e experiente, guião revisto com o retorno de quem está na rua.
  • Organizar por comunidade e por língua, com presença repetida e respeito pelas regras de cada espaço.
  • Eventos com um propósito claro, alegres e abertos às famílias.
  • Planear antes da eleição o que acontece à rede depois dela.

Depende do contexto

Registo eleitoral público com filiação partidária (MiniVAN)
Nos EUA, cada lista de turno sai do recenseamento eleitoral cruzado com pontuações de apoio e de participação: bate-se às portas escolhidas, não a todas. Na União Europeia e no Brasil não existe uma lista partidária de eleitores à disposição das campanhas, e a opinião política é um dado sensível. Troca-a por porta a porta por ruas e freguesias, listas próprias com consentimento e registo mínimo, apagado depois da campanha.
Voto preferencial e apoio cruzado
Em sistemas a duas voltas, o equivalente é negociar cedo o apoio na segunda volta. Em listas proporcionais, a escala 2A/2B mostra quem gosta do candidato mas vota noutro partido.
Fundos públicos de 8 para 1
Onde não há dinheiro público multiplicado, usa o financiamento colaborativo dentro dos limites legais. A lição mantém-se: muitos donativos pequenos valem mais do que poucos grandes, e o teto também é uma mensagem.
Instagram como plataforma principal
Onde o WhatsApp domina (Brasil, Índia, partes de África), o funil termina num canal ou numa comunidade de WhatsApp; onde domina o TikTok, começa por lá. O princípio é o mesmo: do vídeo para uma conversa direta.
Uma secção do DSA pronta
Poucas campanhas têm uma organização com uma década de máquina eleitoral. Procura o equivalente: sindicatos, associações de moradores, coletivos estudantis, estruturas locais de partido. Se não existir, começa um ano antes.
Cidade densa e de prédios
Em cidades dispersas ou em condomínios fechados, troca parte das portas por bancas em feiras e mercados, saídas de escolas e de locais de culto, e por chamadas e mensagens aos próprios contactos.
Criadores de conteúdos
No Brasil e noutros países é proibido pagar a influenciadores para fazer propaganda eleitoral. Dá acesso e informação, sem guião, como fez a campanha com mais de 70 criadores, e nunca pagues onde a lei o proíbe.
Mais de 800 línguas
Mapeia as línguas da tua base: línguas regionais, línguas gestuais, línguas das comunidades migrantes. Recruta voluntários que as falem antes de traduzir panfletos.

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. Vídeo de rua que acaba num convite

    Vídeos curtos e orgânicos numa rua real, em que as pessoas falam primeiro, sobre um problema concreto, e um convite para agir no fim. Em Nova Iorque, o vídeo com eleitores de Trump em avenidas de Queens e do Bronx definiu o tema do custo de vida, e cada vídeo acabava com um convite que levava a uma inscrição.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando há uma mensagem simples sobre a vida concreta e alguém disposto a ir para a rua ouvir, com humor e na língua de cada bairro.
    Não usar quando
    Quando o vídeo é o plano inteiro: a própria equipa diz que os vídeos sozinhos não ganharam as primárias. Sem terreno para receber as pessoas, a atenção perde-se.
    1. Semana −32 Escolher poucas promessas e escrevê-las sempre com as mesmas palavras
    2. Semana −30 Gravar numa esquina, num autocarro ou numa banca real e deixar as pessoas falar
    3. Semana −30 Fechar cada vídeo com uma só ação: comentar uma palavra ou entrar num turno
    4. Semana −28 Gravar ou legendar na língua do bairro a alcançar
    5. Semana −20 Publicar depressa: gravar hoje, publicar amanhã, com o som da rua
    6. Semana −12 Mostrar os voluntários no vídeo, não só o candidato
    7. Semana −2 Na reta final, usar os vídeos para levar a votar e a fazer um último turno

    Equipa

    • Direção criativa: ideia, gravação e edição, por vezes em 24 horas
    • Candidato ou porta-voz: pergunta, ouve e faz o convite
    • Retorno do terreno: leva o que se ouve às portas para os temas dos vídeos

    O que medir: Inscrições em turnos vindas de cada vídeo, medidas pela palavra-chave ou pela ligação própria de cada um, não visualizações; se um vídeo muito visto não traz inscrições, muda o convite.

    Riscos a vigiar: Nada de perfis falsos ou comentários fabricados para inflacionar o vídeo, nem influenciadores pagos onde a lei proíbe: dá acesso e informação, sem guião, e identifica o que for feito com IA.

  2. Da palavra-chave à confirmação automática

    Quem comenta uma palavra-chave recebe por mensagem direta a ligação de inscrição; o CRM envia confirmação, SMS e convite de calendário, e os líderes ficam livres para o trabalho presencial. Em Nova Iorque, o piloto do chatbot custou 318 dólares e trouxe cerca de 10 mil contactos em dois meses.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando os vídeos já trazem mais interessados do que a equipa consegue responder à mão.
    Não usar quando
    Quando a ideia é enviar mensagens a quem não pediu: o chatbot da campanha só respondia a quem tinha escrito primeiro. Listas compradas e envios em massa, nunca.
    1. Semana −30 Escolher uma palavra-chave por tema, cada uma com a sua ligação de inscrição
    2. Semana −30 Montar a página com mapa de turnos e formulário curto com consentimento
    3. Semana −29 Configurar a resposta automática só para quem comentou ou escreveu primeiro
    4. Semana −28 Ligar a inscrição ao CRM: confirmação, SMS e convite de calendário
    5. Semana −24 Abrir um canal de difusão e um e-mail para quem quer acompanhar de perto
    6. Semana −20 Rever as mensagens automáticas para que não pareçam robóticas

    Equipa

    • Estratégia digital: palavras-chave, chatbot e canal de difusão
    • Dados: CRM, consentimento e acesso restrito à lista
    • Eventos: mantém o mapa de turnos atualizado

    O que medir: Inscritos que aparecem de facto no turno marcado, em proporção às inscrições; se muitos faltam, reforça os lembretes e a confirmação pessoal, não o número de publicações.

    Riscos a vigiar: Uma lista é um dado pessoal e, com opinião política, um dado sensível: consentimento expresso, acesso restrito, opção de sair em cada mensagem e prazo para apagar.

  3. Turno lançado por voluntários, em duplas

    Num ponto de encontro, um líder de terreno voluntário recebe as pessoas, forma duplas (novato com experiente), distribui as ruas e regista cada conversa numa escala de 1 a 5. Em Nova Iorque foram mais de 5700 turnos em 243 bairros, e cerca de um quarto dos votantes das primárias tinha falado com um voluntário à porta.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando faltam meses para a votação e há uma base que pode sair para a rua com regularidade.
    Não usar quando
    Quando se copia o recenseamento americano: na UE e no Brasil não há listas partidárias de eleitores. Usa ruas e secções de voto, listas próprias com consentimento e registo mínimo.
    1. Semana −28 Definir pontos de encontro por bairro e um líder de terreno para cada turno
    2. Semana −28 Escrever o guião: perguntar primeiro o que preocupa, depois as promessas
    3. Semana −26 No ponto de encontro, formar duplas novato com experiente e distribuir as ruas
    4. Semana −26 Registar cada conversa na escala de 1 a 5 e o que se ouviu
    5. Semana −20 Rever o guião com o retorno de quem bateu às portas
    6. Semana −2 Na reta final, voltar a contactar só quem marcou 1 e 2 e confirmar o plano de voto
    7. Semana do dia D No dia, turnos de mobilização até ao fecho das urnas

    Equipa

    • Líder de terreno: abre o turno, forma as duplas e resolve problemas na rua
    • Voluntários de porta a porta: batem às portas em duplas e registam as conversas
    • Coordenação de terreno: horários, materiais e mapa por zona

    O que medir: Conversas registadas por dupla e por turno e, na reta final, pessoas recontactadas que confirmam um plano de voto; porta batida sem conversa não conta como avanço.

    Riscos a vigiar: Uma opinião política registada é um dado sensível: base legal, acesso restrito e prazo para apagar; à porta, sem discussões nem insistência, respeitando quem não quer conversar.

  4. Escada de liderança: quem volta, lidera

    Os líderes indicam quem volta sempre e quer fazer mais; essas pessoas recebem formação e passam a abrir os seus próprios turnos. Em Nova Iorque, a equipa de terreno começou com uma única pessoa em dezembro de 2024 e chegou a mais de 700 líderes de terreno voluntários; no fim das primárias, cerca de 80% já não vinham do DSA.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando a rede cresce mais depressa do que a equipa paga e precisa de quem abra turnos sem depender dela.
    Não usar quando
    Quando se mede só o número de inscritos: sem formar líderes, os turnos dependem de meia dúzia de pessoas e a rede desaparece depois da eleição.
    1. Semana −30 Começar cedo: um encontro de formação dos primeiros líderes de terreno
    2. Semana −28 Fazer o primeiro dia de porta a porta em vários pontos da cidade
    3. Semana −26 Assinalar no registo de turno quem volta e quem quer fazer mais
    4. Semana −24 Convidar essas pessoas para a formação de líder de terreno
    5. Semana −22 Dar a cada novo líder um turno próprio, com um coordenador de apoio
    6. Semana −8 Pôr líderes em cada comunidade e língua que a rede cobre
    7. Semana −4 Decidir antes da votação o que a rede faz depois: governação e objetivos

    Equipa

    • Direção de terreno: desenha a escada e as metas e protege o tempo dos voluntários
    • Coordenadores de terreno: acompanham os novos líderes por zona
    • Líderes de terreno: indicam quem promover e formam os novatos

    O que medir: Novos líderes que já abriram pelo menos um turno sozinhos, contados por mês; se o número estagnar, a rede está a gastar voluntários em vez de os formar.

    Riscos a vigiar: Esgotamento e dependência de uma só organização: protege o tempo dos voluntários, abre a escada a quem vem de fora e planeia a rede para depois. Em Nova Iorque, a organização que herdou a lista perdeu quase toda a equipa em abril de 2026.

  5. Organizar por comunidade e por língua

    Responsáveis por comunidades específicas juntam voluntários a congregações, bairros e línguas, com material traduzido e presença repetida nos mesmos locais. Em Nova Iorque, a campanha imprimiu material em oito línguas, contratou 40 a 50 angariadores multilingues para bairros de difícil acesso e deu aos voluntários um guia de conduta em mesquitas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Quando a base inclui comunidades migrantes ou de outras línguas que a comunicação social dominante não alcança.
    Não usar quando
    Quando é uma visita relâmpago ou um panfleto traduzido sem gente da comunidade: recruta quem fala a língua antes de traduzir.
    1. Semana −26 Mapear as línguas e as comunidades da tua base, bairro a bairro
    2. Semana −24 Nomear um responsável por comunidade e recrutar voluntários que falam a língua
    3. Semana −22 Traduzir o material e o guião com esses voluntários, não só com tradutores
    4. Semana −20 Escrever um guia de conduta de uma página para templos e espaços comunitários
    5. Semana −16 Criar grupos por comunidade e voltar sempre aos mesmos locais
    6. Semana −8 Cobrir com falantes contratados os bairros e línguas que a rede não alcança
    7. Semana −1 Levar o lembrete de votar em cada língua, nos mesmos espaços

    Equipa

    • Organização por comunidade: junta voluntários a congregações e línguas
    • Voluntários multilingues: conversam às portas e adaptam o guião
    • Imprensa das comunidades: leva a mensagem à TV, rádio e jornais de cada comunidade

    O que medir: Conversas feitas em cada língua por voluntários da própria comunidade, registadas no turno; se uma língua da tua base não tem conversas, falta recrutar, não traduzir.

    Riscos a vigiar: Tratar comunidades como alvo e não como parceiras afasta as pessoas: segue as regras de cada espaço, sem discussões, e não registes religião ou origem sem base legal.

Praticar

Treina com as missões e situações do caso.

Decidir como a direção de terreno

Seis momentos da campanha de 2024–2025. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano de 12 meses

A sequência da campanha, de outubro de 2024 a novembro de 2025, organizada como lista de verificação.

A sequência da campanha, de outubro de 2024 a novembro de 2025, organizada como lista de verificação. Encurta as fases se tiveres menos tempo, mas não saltes a primeira. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Antes de anunciar

  2. Meses 1–2: Formar a base

  3. Meses 3–5: Assinaturas e dinheiro

  4. Meses 6–9: Persuasão em massa

  5. Últimas três semanas: Votar

  6. Depois da eleição

Regras

O método assenta em conversas entre pessoas.

O método assenta em conversas entre pessoas. Atalhos que fingem isso, ou usam dados sem autorização, destroem a confiança e dão armas ao adversário.

Só gente real
Nada de perfis falsos, bots, contas compradas ou comentários fabricados para inflacionar um vídeo. Coordenar pessoas reais para dizerem o que pensam é permitido; o que as plataformas castigam é organizar gostos, seguidores ou hashtags em série para enganar o algoritmo. O X, por exemplo, proíbe trocar interações e usar uma hashtag em destaque para manipular a conversa.
Consentimento para mensagens
Envia mensagens só a quem as pediu. O chatbot da campanha só respondia a quem tinha escrito primeiro; nada de listas compradas ou envios em massa.
As mensagens relacionais são pessoais
Cada voluntário fala com os próprios contactos, pelas próprias palavras, e pode parar quando a pessoa o pedir.
A opinião política é um dado sensível
A escala de 1 a 5 regista opiniões políticas. Na União Europeia (RGPD) e no Brasil (LGPD) isso exige fundamento legal, segurança, acesso restrito e prazo para apagar.
Dinheiro às claras
Respeita tetos e limites de donativos, declara tudo e não coordenes com comités externos onde a lei o proíbe.
Criadores com transparência
Não pagues a influenciadores onde a lei o proíbe. Onde é permitido, a parceria paga tem de ser declarada.
Arquivar a comunicação oficial
Quem passa a governar tem de cumprir as regras de arquivo. Grupos com mensagens que se apagam sozinhas tornaram-se um problema para a câmara municipal em 2026.
Respeito às portas e nos templos
Sem discussões, sem insistir, de acordo com as regras de cada espaço. A campanha deu aos voluntários um guia de uma página sobre conduta nas mesquitas.
IA com etiqueta
Conteúdo feito com IA é identificado como tal. Deepfakes, nunca.
Segurança de quem vai às portas
Voluntários e candidatos de minorias religiosas ou de origem imigrante são alvo de assédio e ameaças: trabalho em pares, um contacto de referência, um protocolo para incidentes e o registo de cada caso.
Lei local
Cada país tem regras próprias para porta a porta, dados, donativos e propaganda. Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e a Google deixou de publicar publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que se aplica também às eleições locais, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Confirma com um advogado antes de começar. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não nasce em seis meses
A campanha partiu de uma organização com quase uma década de experiência eleitoral. Sem essa base, começa mais cedo e com metas mais modestas.
O vídeo sozinho não ganha
A própria equipa de vídeo diz que os vídeos não ganharam a primária sozinhos. Zutrau resume: as redes só funcionaram tão bem porque o terreno era tão bom.
Depende muito do candidato
Carisma, várias línguas, disponibilidade para percorrer a cidade inteira e confiança na equipa criativa.
A atenção é instável
Os algoritmos mudam e premeiam o dramático. Governar e mobilizar a longo prazo exige outros ritmos e também a comunicação social tradicional, de que a campanha continuou a precisar.
Manter a rede é mais difícil do que montá-la
A organização que herdou a lista de voluntários perdeu quase toda a equipa em abril de 2026, e uma ação em Albany teve muito menos gente do que o esperado.
A automatização tem custos
Os chatbots podem soar robóticos e cansar. E eventos com vagas limitadas, como a caça ao tesouro, deixaram gente de fora.
No governo, o risco da opacidade
Já como presidente da câmara, a relação com mais de 1.200 criadores, por grupos de Signal e com pagamentos através de agências da cidade, foi criticada por falta de transparência. O que é legítimo em campanha precisa de outras regras no poder.
Números da própria campanha
Voluntários, portas e visualizações são números internos, que variam consoante a fonte e nunca foram auditados.
O orgânico não dispensou o pago
A história do vídeo de telemóvel deixa de fora que a maior parte do dinheiro foi para anúncios: 6,3 milhões de dólares na primária, que tinha um teto de 8 milhões (AdImpact). Fora da campanha, um comité independente gastou 1,7 milhões em televisão e digital a favor de Mamdani, e a lei proíbe coordenar com ele. Só o orgânico é metade do modelo.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Quando começou a operação de terreno para a primária de junho de 2025?
2. Para que servia a divisão entre 2A e 2B na escala de apoio?
3. Qual era a função principal do chatbot de comentário para mensagem direta?
4. No fim da primária, de onde vinha a maioria dos líderes de terreno?
5. Qual destas lições a experiência pós-eleitoral de 2026 reforça?

Para ir mais longe

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

  • Public Narrative

    Curso · Resistance School · EN

    As 15 aulas em vídeo de Marshall Ganz sobre narrativa pública (história de si, de nós e do agora), com exemplo e técnicas de coaching. Serve para formar porta-vozes e voluntários.

  • Steps in a One-on-One Organizing Conversation

    Guia · Training for Change · EN

    Guião passo a passo da conversa individual de organização: como convidar alguém, descobrir motivações e fazer um pedido concreto. Usa para treinar voluntários.

  • Doorstep meets digital — how Mamdani’s campaign ticked all the boxes for success

    Estudo de caso · European Center for Digital Action · 2026-01 · EN

    Como a campanha de Zohran Mamdani em Nova Iorque juntou porta a porta massivo e vídeo orgânico. Estudo de caso para quem quer integrar rua e redes.

Mais 3

Biblioteca

Fontes

Playbook construído com entrevistas, intervenções e textos de quem organizou a campanha, publicados entre julho de 2025 e setembro de 2026,…

Playbook construído com entrevistas, intervenções e textos de quem organizou a campanha, publicados entre julho de 2025 e setembro de 2026, verificados com reportagens e dados eleitorais. Páginas consultadas a 26 de outubro de 2026. Algumas entrevistas estão atrás de paywall; nesses casos, só foi usada a parte aberta.

66 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Dmitryshein, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 26 de outubro de 2026

Adaptar este playbook com o coach

Playbook seguinte #RejectFinanceBill2024

Adaptar ao teu país

Os toolkits trocam as ferramentas pelas mais usadas no país (por exemplo, Telegram onde domina) e mostram as regras eleitorais e o estado da internet. A escolha fica guardada só neste navegador.