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Vista aérea noturna da multidão diante do Congresso argentino iluminado de verde, Buenos Aires, junho de 2018

Argentina · 2020

A maré verde

Aborto legal para não morrer

Último trecho do lema impresso no lenço: “Educación sexual para decidir, anticonceptivos para no abortar, aborto legal para no morir”.

Em dezembro de 2020, o Senado argentino legalizou o aborto por 38 a 29, dois anos após rejeitá-lo. A Campanha chegou lá com um lenço verde, a rua e uma aliança suprapartidária.

Atualizado em 27 de outubro de 202634 min de leituraFontes (34)

Uma homenagem às organizações da Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, às fundadoras do Ni Una Menos, às legisladoras de todos os blocos e às jovens da maré verde. Projeto independente, sem ligação à Campanha.

Visão geral

Em 30 segundos

  1. 38 a 29: em 30 de dezembro de 2020, o Senado aprovou a Lei 27.610, que legalizou o aborto voluntário até a 14.ª semana.

  2. Em 2018, a Câmara aprovou o mesmo direito por 129 a 125, mas o Senado o rejeitou por 38 a 31.

  3. Cerca de 500 organizações formavam a Campanha, que apresentou o seu projeto oito vezes entre 2007 e 2019 e fez do lenço verde o seu símbolo.

  4. Pañuelazos simultâneos, vigílias diante do Congresso e uma aliança de legisladoras de todos os blocos levaram o tema da rua ao plenário.

  5. Entre dezembro de 2023 e setembro de 2025, último dado disponível, o governo Milei não entregou medicamentos para o aborto; as ativistas passaram a defender a lei com dados e uma ação coletiva.

Os primeiros passos

  1. Formar uma aliança ampla com organizações de todo o país
  2. Definir a estrutura: plenária que decide, articulação com mandato, organizações autônomas
  3. Escolher o símbolo: uma cor e um objeto que ninguém use

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Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Contexto e história

A história

Em 2015, uma marcha contra o feminicídio levou centenas de milhares de pessoas à rua.

Em 2015, uma marcha contra o feminicídio levou centenas de milhares de pessoas à rua. Em 2018, o lenço verde de uma campanha nascida em 2005 virou o símbolo de uma geração, e o aborto legal chegou pela primeira vez ao plenário. Perdeu no Senado, voltou em ano eleitoral e virou lei em 2020.

38 a 29
votos no Senado, com 1 abstenção, que aprovaram a Lei 27.610 em 30 dez. 2020oficial Fonte
129 a 125
votos na Câmara em 14 jun. 2018; o Senado rejeitou o projeto por 38 a 31 em agostooficial Fonte
200 mil+
lenços verdes distribuídos pela Campanha em 2018, contra cerca de 8 mil por ano antesdado da campanha Fonte
218.429
mensagens-modelo a legisladores replicadas pelo Activá el Congreso em 2018estudo Fonte

Do lenço à lei

  1. 2003No Encontro Nacional de Mulheres de Rosário, o aborto é pela primeira vez uma demanda central, e lenços verdes aparecem na marcha de encerramento.
  2. 28 mai. 2005É lançada a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, com o lenço verde como símbolo. Em 2007 apresenta o primeiro projeto, sem padrinho, e o reapresenta até 2019.
  3. 3 jun. 2015Ni Una Menos. Depois do feminicídio de Chiara Páez, de 14 anos, e de um tuíte de Marcela Ojeda em 11 de maio, entre 200 e 300 mil pessoas se reúnem diante do Congresso, com atos em cerca de 80 cidades.
  4. 19 fev. 2018Um tuitaço com #AbortoLegalYa leva milhares a um pañuelazo diante do Congresso, e os lenços da Campanha acabam. Em 1.º de março, Macri libera o debate no Congresso.
  5. Mar.–mai. 2018O projeto é apresentado pela sétima vez, com 71 assinaturas de vários blocos. Entre 10 de abril e 31 de maio, 738 pessoas expõem nas audiências; as estudantes enchem as "terças verdes".
  6. 14 jun. 2018Depois de quase 24 horas de debate e de uma vigília na rua, a Câmara aprova o projeto por 129 a 125, com 1 abstenção. Votos de La Pampa e de Santiago del Estero mudam durante a sessão.
  7. 8–9 ago. 2018Na véspera, a Anistia publica no New York Times um cabide verde e o recado "El mundo te está mirando". O Senado rejeita: 38 contra, 31 a favor, 2 abstenções.
  8. 28 mai. 2019Ano de eleição presidencial: oitava apresentação do projeto, com pañuelazos em mais de 100 cidades do país e do exterior. Alberto Fernández, eleito em outubro, promete enviar um projeto.
  9. 17 nov.–11 dez. 2020Adiado pela pandemia, o Executivo envia o projeto junto com o Plano dos Mil Dias, de cuidado na gravidez e na primeira infância. A Câmara aprova por 131 a 117, com 6 abstenções.
  10. 30 dez. 2020De madrugada, depois de uma sessão de cerca de 12 horas acompanhada por milhares de manifestantes, o Senado aprova a Lei 27.610 por 38 a 29. A lei entra em vigor em 24 de janeiro de 2021.

Três camadas

A maré verde não teve dono. Três camadas se reforçavam, cada uma com a sua lógica.

  • A CampanhaUma aliança federal de cerca de 500 organizações: partidos, sindicatos, espaços acadêmicos, organizações sociais, conselhos profissionais e redes de comunicadoras. Uma plenária nacional decide e uma articulação com mandato de um ano executa.
  • A aliança no CongressoDeputadas e senadoras de todos os blocos, as "sororas", com laços criados na lei de paridade de 2017. Assinavam juntas, contavam votos e, em 2020, coordenaram Câmara e Senado.
  • A maréO Ni Una Menos, as adolescentes das escolas, jornalistas, atrizes, médicas e organizações como a Anistia: gente que não respondia à Campanha, mas usava o mesmo lenço e a mesma demanda.
O que não se sabe. Os números de rua variam muito: para a primeira marcha do Ni Una Menos, a imprensa fala em 200 a 300 mil pessoas; para junho de 2018, a La Nación fala em cerca de um milhão de pessoas circulando diante do Congresso, sem contagem independente.

A votação de 2018 no Senado aparece como 8 ou 9 de agosto porque a sessão atravessou a madrugada. Os números de lenços distribuídos são da Campanha, citados por terceiros. Não foi possível abrir o site da Campanha; a estrutura interna é descrita a partir de documentos e entrevistas das integrantes. A Campanha conta oito apresentações até 2019; uma reportagem de 2020 fala em "ao menos seis" tentativas fracassadas. Nenhum dado isola o efeito dos lenços, das vigílias ou das redes: a lei passou quando mudaram o presidente, a postura dos governadores e parte do Senado. Os dados de 2024 e 2025 vêm do orçamento aberto e de pedidos de acesso à informação, compilados pelo Chequeado; Buenos Aires e San Juan não informaram os seus números de 2024 ao governo nacional. Não foi encontrada decisão de mérito na ação coletiva depois de fevereiro de 2026.

O terreno

O que era específico da Argentina de 2015 a 2020 e pode faltar em outro país.

O que era específico da Argentina de 2015 a 2020 e pode faltar em outro país.

Plataformas

O lenço verde
O meio de comunicação mais barato da campanha: um lenço de pano com o lema impresso, usado no pescoço ou amarrado na mochila. Antes de 2018, a Campanha distribuía cerca de 8 mil por ano; em 2018, mais de 200 mil.
Twitter
Onde nasceu o #NiUnaMenos e onde o #AbortoLegalYa virou assunto do momento no tuitaço de 19 de fevereiro de 2018. Entre as contas que mais puxaram a hashtag, jornalistas formavam o maior grupo, seguidos de políticos eleitos, ativistas e figuras públicas.
Facebook e vídeos curtos
A página do Ni Una Menos, criada três meses antes, tinha mais de 130 mil seguidores nos dias anteriores à primeira marcha. O Women's Equality Center transformou depoimentos de profissionais de saúde em vídeos curtos para as redes.
TV e celebridades
Atrizes, apresentadoras e humoristas levaram o tema a programas de grande audiência, como o Intrusos; o coletivo Actrices Argentinas nasceu nesse debate, e artistas passaram a participar dos atos da Campanha.
Transmissão das audiências
As audiências de 2018 na Câmara foram transmitidas pela internet, com audiência de até 70 mil pessoas, e iniciativas cidadãs retransmitiam os debates.
Activá el Congreso
Iniciativa cidadã de pressão sobre deputados e senadores contrários ou indecisos, com mensagens-modelo e um contador de votos; as mensagens foram replicadas 218.429 vezes em 2018.
WhatsApp e Zoom
Em 2020, o Executivo coordenou a votação com legisladores por grupos de WhatsApp e reuniões por Zoom, em plena pandemia.

Condições locais

  • Uma tradição federal de encontros: desde 1986, os Encontros Nacionais de Mulheres levantavam a demanda, e o de Rosário, em 2003, pôs o aborto no centro.
  • A herança dos direitos humanos: os lenços brancos das Mães e Avós da Praça de Maio deram ao lenço verde uma gramática que todo argentino reconhece.
  • Aborto permitido só em poucos casos e, na prática, clandestino: em 2018, o próprio ministro da Saúde estimou 254 mil abortos por ano.
  • Um Senado de 72 cadeiras, três por província e três pela cidade de Buenos Aires, em que as províncias mais conservadoras pesam muito; em 2018 os governadores pressionaram os seus legisladores, e em 2020 vários dos que tinham pressionado contra deixaram o voto livre.
  • Oposição organizada de grupos católicos e evangélicos, que falavam em nome da vida.
  • Um presidente que liberou o debate em 2018 (Macri) e um sucessor que prometeu e enviou o projeto (Alberto Fernández, 2019–2023).
  • Uma geração de adolescentes politizadas pelo Ni Una Menos, que levou o lenço às mochilas e às escolas e encheu a praça nas terças verdes.

Método e evidências

O método

A maré verde juntou um símbolo que qualquer pessoa pode repetir, uma pressão de rua com data marcada em todo o país e o trabalho paciente…

A maré verde juntou um símbolo que qualquer pessoa pode repetir, uma pressão de rua com data marcada em todo o país e o trabalho paciente de contar votos com legisladoras de todos os partidos, sobre 15 anos de organização.

Três frentes

Um símbolo que todos repetem
Uma cor, um objeto barato e um lema de três partes. O lenço não precisava de explicação, cabia em qualquer mochila e transformava quem o usava num cartaz ambulante.
A rua com data marcada
Pañuelazos simultâneos em dezenas de cidades, as terças verdes durante as audiências e vigílias diante do Congresso nas votações. A convocação era feita nas redes, e a organização, em cada cidade.
Votos contados um a um
Um projeto escrito em fóruns e assinado por deputados de vários blocos, 738 exposições nas audiências de 2018 e legisladoras que contavam votos província a província e, em 2020, combinaram o texto com o Senado antes do plenário.

O ciclo da Campanha

O mesmo ciclo rodou de 2007 a 2020, a cada nova apresentação do projeto; a partir de 2018, com a maré na rua, ganhou velocidade.

  1. Construir consenso Fóruns em várias cidades discutem o texto, e a plenária nacional o aprova. Em março de 2016, a plenária de Paraná aprovou a versão levada ao Congresso em 2018.
  2. Reapresentar sempre Quando o projeto perde validade, volta ao Congresso, de preferência em 28 de maio, com assinaturas de deputados de vários blocos e um pañuelazo na porta.
  3. Convocar na rede, organizar fora Tuitaço, hashtag e vídeos de artistas para chamar; organizações locais para levar gente à praça, às escolas e às cidades do interior.
  4. Levar evidências e histórias Médicos, enfermeiras, juristas e mulheres com experiência própria nas audiências e nos meios. No estudo do Women's Equality Center, os médicos locais eram os mensageiros mais convincentes.
  5. Contar e trabalhar votos Saber, legislador por legislador, quem é Sim, Não ou indeciso, que pressão sofre na sua província e quem pode falar com ele.
  6. Encher a praça no dia Vigília diante do Congresso durante toda a sessão e réplicas nas províncias, para que cada voto seja dado diante de uma multidão.
  7. Voltar depois da derrota Reapresentar o projeto, transformar o tema em pergunta eleitoral e cobrar dos candidatos uma posição pública.
  8. Defender a aplicação Depois da lei, informar como ter acesso, vigiar o fornecimento de medicamentos e denunciar barreiras.

E recomeça.

Quem fez

Este playbook se apoia no que as próprias organizadoras escreveram e disseram: documentos e entrevistas de integrantes da Campanha, o…

Este playbook se apoia no que as próprias organizadoras escreveram e disseram: documentos e entrevistas de integrantes da Campanha, o relato das fundadoras do Ni Una Menos, depoimentos de legisladoras da aliança suprapartidária e um podcast de estratégia com quem testou as mensagens. A imprensa e a pesquisa confirmam fatos e números.

  • Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito

    Aliança federal de organizações e pessoas, lançada em 28 de maio de 2005

    Fez do lenço verde o seu símbolo, apresentou o projeto de lei oito vezes entre 2007 e 2019 e organizou pañuelazos e vigílias em todo o país.

    Fontes
  • María Alicia Gutiérrez

    Socióloga e professora da UBA; integrante da Campanha desde o início

    Explicou como a Campanha se organiza e como o projeto foi reformulado durante um ano em fóruns por todo o país e discutido artigo por artigo na plenária de Paraná, em 2016.

    Fontes
  • María Teresa Bosio e Marta Alanis

    Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) Argentina, organização integrante da Campanha

    Bosio, presidenta da CDD, escreveu sobre as táticas da Campanha e a revolução das filhas; Alanis falou pela Campanha na oitava apresentação do projeto, em 2019, cobrando os senadores.

    Fontes
  • Marcela Ojeda e as jornalistas do Ni Una Menos

    Jornalistas, escritoras e comunicadoras que convocaram a marcha de 3 de junho de 2015

    Um tuíte de Ojeda virou uma marcha em 23 dias; cerca de vinte comunicadoras organizaram a logística, dividiram o trabalho territorial e de articulação política e, em plena campanha eleitoral, pediram aos candidatos que assinassem cinco pontos.

    Fontes
  • Silvia Lospennato, Mónica Macha, Brenda Austin e as "sororas"

    Deputadas e senadoras de vários blocos (PRO, UCR, peronismo, esquerda)

    Formaram a aliança suprapartidária que contou votos, aprovou o projeto na Câmara em 2018 e, com senadoras como Anabel Fernández Sagasti e Gladys González, levou-o à lei em 2020.

    Fontes
  • Silvia Augsburger

    Militante da Campanha e da comissão redatora; primeira deputada nacional a levar a iniciativa ao Congresso

    Contou como a Campanha coletou assinaturas em 2005, apresentou o projeto sem padrinho em 2007 e com assinaturas de legisladores em 2008; em 2025, descreveu como as ativistas sustentam o acesso.

    Fontes
  • Mariela Belski, Paula Ávila Guillén e Luciana Peker

    Diretora da Anistia Internacional Argentina; diretora do Women's Equality Center; jornalista e autora

    No podcast Words to Win By, de Anat Shenker-Osorio, explicaram como o Women's Equality Center testou mensagens e mensageiros nas províncias, o anúncio da Anistia no New York Times e a "revolução das filhas".

    Fontes
  • Ingrid Beck e Gabriela Pepe

    Jornalistas da Letra P

    Cobriram de perto as votações de 2018 e 2020 e resumiram o que mudou entre a derrota e a vitória: consenso entre blocos, foco em saúde pública, empenho do Executivo e governadores que liberaram o voto.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Declarações de participantesO que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram.

O que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação; as citações curtas estão no original em espanhol.

Mais 6 citações

Materiais e exercícios

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.

  1. Um símbolo que qualquer um pode usar

    Uma cor, um objeto barato e um lema impresso que qualquer pessoa usa no corpo, sem pedir licença. Na Argentina, a Campanha passou de cerca de 8 mil lenços por ano a mais de 200 mil em 2018, e o símbolo chegou ao Chile, ao México e à Colômbia.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a causa precisa de visibilidade diária e de um sinal de pertença que não dependa de nenhuma organização.
    Não use quando
    Não funciona se a cor ou o objeto já pertencem a um partido, ou se usar o símbolo expõe as pessoas a perigo sem proteção.
    1. Semana −40 Escolher uma cor e um objeto que nenhum partido ou movimento use
    2. Semana −38 Imprimir no objeto um lema curto, que comece pela prevenção
    3. Semana −30 Produzir em grande quantidade, a preço de custo, com um ponto de entrega por cidade
    4. Semana −20 Distribuir em cada ato e pedir que as pessoas o usem no dia a dia
    5. Semana −12 Convidar artistas, jornalistas e profissionais de saúde a usá-lo em público
    6. Semana do dia D Usar todos juntos no dia da votação, na praça e nas províncias

    Equipe

    • Produção: encomenda, estoque e preço de custo
    • Distribuição local: um ponto de entrega por cidade
    • Imprensa: leva o símbolo a quem tem palco

    O que medir: Símbolos entregues em mãos por cidade, a pessoas que se inscreveram para o próximo ato.

    Riscos a vigiar: Quem usa o símbolo pode ser hostilizado, e na Argentina escolas chegaram a proibir o lenço: oriente a andar em grupo, tenha um contato para denúncias e não pressione menores a se expor.

  2. Pañuelazo federal com hora marcada

    Uma ação simultânea, curta e fácil de copiar, levantar o lenço à mesma hora, convocada nas redes e organizada por grupos locais. Na Argentina, o 19F de 2018 levou milhares ao Congresso e, em 2019, houve pañuelazos em mais de 100 cidades.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando já existe uma rede local em muitas cidades e um marco no calendário: apresentação do projeto, votação ou data simbólica.
    Não use quando
    Não funciona como substituto da organização: sem grupos locais, fica uma hashtag sem gente na praça.
    1. Semana −8 Fixar a data e a hora da ação, a mesma em todo o país
    2. Semana −6 Abrir um mapa onde cada cidade registra ponto de encontro e responsável
    3. Semana −5 Enviar um kit às organizadoras locais: lema, cartaz, regras de segurança
    4. Semana −1 Convocar com tuitaço e vídeos de artistas na semana do ato
    5. Semana do dia D Fazer o pañuelazo e publicar fotos de todas as cidades
    6. 1 semana(s) depois Agradecer e convidar quem foi para a próxima ação

    Equipe

    • Articulação: mantém o mapa e fala com as cidades
    • Organizadora local: ponto de encontro, segurança e fotos
    • Comunicação: tuitaço, vídeos e galeria de cidades

    O que medir: Cidades que fizeram a ação com uma responsável registrada no mapa, e pessoas presentes contadas por elas.

    Riscos a vigiar: Ações simultâneas sem responsável local podem terminar em confronto ou abandono: só marque no mapa cidades com uma pessoa de contato e regras claras de segurança.

  3. Aliança de todos os partidos e voto a voto

    Legisladoras e legisladores de todos os blocos assinam juntos o projeto, contam os votos nominalmente e conversam com a outra casa antes do plenário. Na Argentina, 71 deputados de vários blocos assinaram em 2018; a aliança ganhou na Câmara por 129 a 125 e, em 2020, aprovou a lei.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando o tema atravessa partidos e existe pelo menos uma pessoa de confiança em cada bloco.
    Não use quando
    Não funciona se a causa vira bandeira de um só partido, ou se ninguém ouve a casa com poder de veto antes da votação.
    1. Semana −26 Reunir-se com legisladores de cada bloco meses antes da apresentação
    2. Semana −14 Apresentar o projeto com coautores de vários partidos
    3. Semana −12 Abrir a planilha de contagem de votos, legislador por legislador
    4. Semana −10 Levar médicos e especialistas às audiências e aos gabinetes indecisos
    5. Semana −6 Conversar com a outra casa sobre o texto antes do plenário
    6. Semana −1 Atualizar a contagem todos os dias na semana da votação
    7. 1 semana(s) depois Agradecer em público a quem votou, de todos os partidos

    Equipe

    • Legisladoras de cada bloco: contam e trabalham os seus colegas
    • Incidência da sociedade civil: leva evidências e mensageiros
    • Contagem: mantém a planilha e a atualiza todo dia

    O que medir: Legisladores que passaram de indecisos a Sim depois de uma reunião registrada na planilha.

    Riscos a vigiar: Negociar o texto tem custo: a lei de 2020 incluiu a objeção de consciência e perdeu a palavra "integral" no veto. Decida antes o que é inegociável e explique as concessões à base.

  4. Vigília no dia da votação

    Encher a praça diante do Parlamento durante toda a sessão, com réplicas nas províncias, para que cada voto seja dado diante de uma multidão. Na Argentina, a vigília de junho de 2018 atravessou quase 24 horas de debate, e milhares acompanharam na rua a votação de dezembro de 2020.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a votação tem data marcada e o resultado está em aberto por poucos votos.
    Não use quando
    Não funciona sem estrutura de segurança e cuidado; perto de uma contramobilização, sem separação clara, vira risco.
    1. Semana −4 Pedir as autorizações de rua e de som
    2. Semana −3 Montar palco, som e equipes de cuidado, saúde e segurança
    3. Semana −2 Combinar com as autoridades áreas separadas da contramanifestação
    4. Semana −1 Convocar réplicas nas capitais das províncias
    5. Semana do dia D Fazer a vigília, com informes da contagem a cada hora
    6. Semana do dia D Encerrar com um próximo passo, ganhe ou perca

    Equipe

    • Logística: palco, telões, som e banheiros
    • Cuidado: saúde, segurança e pontos de encontro para menores
    • Informes: traduzem a contagem para a praça

    O que medir: Pessoas que se inscreveram como voluntárias de cuidado e cumpriram o turno na vigília.

    Riscos a vigiar: Multidão de noite, com adolescentes e contramanifestação perto: áreas separadas, equipe de cuidado identificada e plano de saída combinado com as autoridades.

  5. Da derrota ao compromisso eleitoral

    Depois de perder uma votação, reapresentar a demanda e transformá-la em pergunta eleitoral, pedindo aos candidatos uma posição pública. Na Argentina, a Campanha voltou ao Congresso em maio de 2019, em ano de eleição presidencial, e o presidente eleito enviou o projeto em novembro de 2020.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há eleição próxima e o tema já tem maioria na rua, mas não no Parlamento.
    Não use quando
    Não funciona se o compromisso fica na foto: sem assinatura, prazo e acompanhamento, ninguém cobra depois.
    1. Semana −40 Fazer um balanço público da derrota e marcar a nova apresentação
    2. Semana −22 Reapresentar o projeto na data simbólica, com pañuelazos
    3. Semana −12 Enviar a todos os candidatos um compromisso de poucos pontos para assinar
    4. Semana −6 Publicar quem assinou e quem não assinou
    5. Semana −3 Perguntar em debates e entrevistas, com a mesma frase
    6. 4 semana(s) depois Depois da eleição, cobrar prazo para o envio do projeto

    Equipe

    • Compromissos: redige o texto e coleta as assinaturas
    • Imprensa: publica a lista e prepara a pergunta para debates
    • Acompanhamento: cobra prazos depois da eleição

    O que medir: Candidatos que assinaram o compromisso por escrito, e quantos deles cumpriram depois de eleitos.

    Riscos a vigiar: A causa pode ser capturada por um partido e virar alvo do outro: peça compromisso a todos e agradeça a quem cumprir, de qualquer lado.

Toolkit

O que a maré verde montou, organizado para você copiar.

O que a maré verde montou, organizado para você copiar. Serve para mudar uma lei, ganhar um direito ou manter uma causa viva durante anos até a janela política se abrir.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Uma rede horizontal e federal, sem líder único, com uma plenária que decide e uma articulação que executa, ligada a uma aliança parlamentar de todos os blocos. Durou 15 anos com essa forma; o custo apontado pelas próprias militantes são as disputas internas.

Estrutura mínima

Plenária nacional
Instância de decisão: reúne as integrantes, aprova o projeto e define a estratégia. A de Paraná, em março de 2016, discutiu o texto artigo por artigo.
Articulação com mandato de um ano
Executa as decisões da plenária e fala com outros atores; a composição muda a cada ano.
Comissão redatora
Juristas, médicas e militantes que escreveram o projeto a partir dos fóruns abertos em 2015 em várias cidades.
Comunicação e redes
Convoca e responde à conjuntura. Em 2018, a conta da Campanha foi a conta organizativa com mais publicações e influência na #AbortoLegalYa.
Incidência política
Pede a legisladores e candidatos que digam em público como vão votar.
Organizações integrantes
Partidos, sindicatos, espaços acadêmicos, organizações sociais, conselhos profissionais e redes de comunicadoras, com autonomia em cada província.
Aliança parlamentar
Fora da Campanha, mas em diálogo com ela: legisladoras de todos os blocos que contam votos e coordenam Câmara e Senado.

Ritmo anual e de votação

  1. 19 de fevereiroEm 2018, tuitaço e pañuelazo diante do Congresso; em 2020, a Campanha repetiu a data como jornada federal e internacional, com pañuelazo às 19h, oficinas e intervenções artísticas.
  2. 8 de março e 28 de setembroDatas feministas em que a Campanha mobiliza: Dia Internacional da Mulher e dia de ação pela descriminalização do aborto na América Latina e no Caribe.
  3. 28 de maioApresentação do projeto: lançamento no Congresso à tarde e pañuelazo federal logo depois (em 2019, às 15h30 e às 17h30).
  4. Terças e quintas (2018)Dias das audiências na Câmara, das 9h30 às 18h, com até sete minutos por expositor; as estudantes enchiam a praça nas terças verdes.
  5. Dia da votaçãoVigília diante do Congresso durante toda a sessão, que em junho de 2018 durou quase 24 horas.
  6. Uma vez por anoEncontro nacional da Campanha para balanço e estratégia.

O mesmo projeto foi reapresentado oito vezes entre 2007 e 2019, até que a rua e o Congresso estivessem prontos ao mesmo tempo.

Plano B

  • Nenhuma líder indispensável: decisões em plenária e uma articulação renovada a cada ano.
  • Organizações com autonomia para agir em cada província quando a coordenação nacional não chega.
  • Um símbolo físico que funciona sem internet, sem verba e sem autorização.
  • Projeto sempre reapresentado: depois da derrota de 2018, a oitava apresentação veio em maio de 2019.
  • Depois da lei, dados e tribunais: quando o governo deixou de entregar medicamentos, a disputa passou ao orçamento aberto e a uma ação coletiva.

Tecnologia

Quase nada era sofisticado. A maré juntou redes abertas, um objeto físico e ferramentas cidadãs de pressão sobre o Congresso.

  • Hashtags e tuitaços (#NiUnaMenos, #AbortoLegalYa)Grátis

    Convocação com hora marcada: em 19 de fevereiro de 2018, um tuitaço das 12h às 14h pôs #AbortoLegalYa entre os assuntos do momento. 72% das mensagens na hashtag eram retuítes.

  • Facebook e vídeos curtosGrátis (produção à parte)

    A página do Ni Una Menos passou de 130 mil seguidores antes da primeira marcha; o Women's Equality Center transformou depoimentos de profissionais de saúde em vídeos curtos para as redes.

  • Mesas de rua e coleta de assinaturasBaixo custo

    Em 2005, mesas em cidades de todo o país recolheram assinaturas pela legalização, na primeira ação pública federal da Campanha.

  • Mensagens-modelo a legisladores (Activá el Congreso)Grátis (iniciativa cidadã)

    Pessoas escreviam com as próprias contas a deputados e senadores contrários ou indecisos, a partir de modelos; 218.429 réplicas em 2018.

  • Contadores de votos ao vivoGrátis (iniciativas cidadãs)

    O Activá el Congreso mostrava a posição prevista de cada legislador e um contador de votos; o coletivo Economía Femini(s)ta montou um painel com os votos por província e por bloco.

  • Transmissão das audiênciasNão divulgado

    Audiências e sessões transmitidas pela internet, com retransmissão por iniciativas cidadãs.

  • Lista de cidades com hora únicaGrátis

    Em maio de 2019, a convocação marcava o pañuelazo federal às 17h30 em mais de 100 cidades do país e do exterior.

  • Grupos de WhatsApp e reuniões por ZoomGrátis

    Em 2020, o Executivo coordenou a votação com legisladores por grupos de WhatsApp e Zoom; entre Câmara e Senado, havia conversas sem uma mesa formal.

Guias rápidos por canal

Colunas de uma planilha de contagem de votos

Legislador(a) · Província e bloco · Posição declarada (Sim, Não, indeciso, abstenção) · Data da última conversa · Quem falou com ele ou ela · Principal dúvida ouvida · Pressão local (governador, igreja, mídia) · Próximo passo e responsável · Fonte da informação

A Campanha não publica um orçamento consolidado e as fontes lidas não trazem números. O que se sabe: o símbolo era um pedaço de pano; ferramentas como o Activá el Congreso foram iniciativas cidadãs; e ações caras, como o anúncio no New York Times, foram feitas por aliadas como a Anistia Internacional. A planilha acima é uma sugestão deste playbook, inspirada na contagem de votos descrita pelas legisladoras.

Comunicação

A maré verde falou em duas camadas: um lema fixo, impresso no lenço, que unia todo mundo, e mensagens adaptadas a cada público, com mensageiros que esse público já respeitava.

A fórmula da mensagem

  1. O lema de três partes Educação sexual para decidir, anticoncepcionais para não abortar, aborto legal para não morrer. A ordem começa pela prevenção e chega ao aborto como último recurso.
  2. Saúde pública e dívida da democracia Em 2018, o próprio ministro da Saúde estimou 254 mil abortos clandestinos por ano. Em 2020, a Campanha chamou o aborto legal de "una deuda de la democracia".
  3. Um mensageiro de confiança Segundo Paula Ávila Guillén, do Women's Equality Center, o mensageiro tinha de ser um médico ou uma médica da própria província. Advogados de direitos humanos, os porta-vozes mais comuns, convencem menos, segundo Anat Shenker-Osorio.
  4. A história em terceira pessoa Quando um profissional contava a história de uma paciente, a resistência de quem tinha dúvidas caía, segundo Paula Ávila Guillén.
  5. Disputar a palavra vida Segundo Anat Shenker-Osorio, a mensagem geral dos vídeos do Women's Equality Center era "salvemos miles de vidas"; Ávila Guillén quis reclamar a palavra vida, em vez de deixá-la ao adversário.
  6. Falar à emoção Para Ávila Guillén, a decisão do indeciso vem "del estómago": a história de uma paciente pesa mais do que o argumento jurídico.

Regras de mensagem

  • Uma cor, um objeto e um lema fixos; o resto pode variar de cidade para cidade.
  • Manter a mesma demanda todos os anos.
  • Escolha o porta-voz pela confiança que inspira no público que falta, e não pelo cargo na organização.
  • Fale com o indeciso na língua dele; o jargão da militância pode levantar um muro.
  • Não debata no terreno do adversário.
  • Peça aos políticos um compromisso público e assinado, como fez o Ni Una Menos com #DeLaFotoALaFirma.
  • Nunca use a dor de alguém sem consentimento, preparação e acompanhamento.

Exemplo de convocação

Terça, 19h, diante da Câmara Municipal e em todas as cidades que se somarem: pañuelazo verde. Traga o seu lenço; quem não tiver recebe um na praça. Uma demanda só: educação sexual para decidir, anticoncepcionais para não abortar, aborto legal para não morrer. Organize na sua cidade e marque no mapa. (Exemplo do playbook, inspirado nas convocações da Campanha.)

Levar para o seu contexto

O que funciona em qualquer lugar e o que dependia da Argentina de 2015 a 2020.

O que funciona em qualquer lugar e o que dependia da Argentina de 2015 a 2020.

Funciona em qualquer lugar

  • Um símbolo físico, barato e de uma só cor, que qualquer pessoa possa usar sem pedir licença.
  • Uma demanda escrita em consenso e reapresentada sempre, de preferência numa data simbólica, até a janela política se abrir.
  • Ações simultâneas em muitas cidades, com hora marcada, em vez de um único grande ato na capital.
  • Uma aliança com legisladores de todos os partidos, com contagem de votos nominal e conversa com a segunda casa antes do plenário.
  • Mensageiros escolhidos pela confiança do público que falta convencer.
  • Depois de uma derrota, transformar o tema em pergunta eleitoral e cobrar compromissos públicos.
  • Depois da vitória, vigiar orçamento, insumos e informação ao público.

Depende do contexto

Os lenços das Mães da Praça de Maio
O verde dialogava com um símbolo que todo argentino respeitava e não pertencia a nenhum movimento. No seu país, procure uma cor, uma peça de roupa ou um gesto com memória positiva e sem dono partidário.
Encontros Nacionais de Mulheres
Onde não existe uma tradição anual de encontros federais, crie uma data fixa por ano e rode a sede entre cidades.
Congresso bicameral com Senado federal
Mapeie onde está o veto (Senado, tribunal constitucional, referendo) e comece por ele. Em sistemas unicamerais ou com referendo, a contagem de votos muda de alvo.
Twitter como praça de jornalistas
Use a rede onde estão jornalistas e políticos no seu país (pode ser X, Instagram, WhatsApp ou TikTok); a convocação com hora marcada funciona em todas.
Um presidente disposto a enviar o projeto
Sem um Executivo aliado, a rota é mais longa: cobrar compromisso dos candidatos, trabalhar o Parlamento e preparar o terreno para a próxima eleição.
Aborto como tema
O método serve a outras causas de direitos, como casamento igualitário, identidade de gênero ou educação sexual. Onde o tema expõe as pessoas a processos, proteja ainda mais quem dá testemunho.

Praticar

ExercícioTreine com as missões e situações do caso.

Decida como a Campanha

Seis momentos da maré verde. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.

Plano em 5 fases

A sequência da maré verde, dos anos de preparação até a defesa da lei, como lista de verificação.

A sequência da maré verde, dos anos de preparação até a defesa da lei, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Construir a base (anos antes)

  2. Pôr na agenda (meses antes)

  3. Ganhar o debate (semanas antes)

  4. Votação

  5. Depois

Verificar

ExercícioCinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. De onde veio a ideia do lenço verde?
2. O que aconteceu com o projeto em 2018?
3. Segundo quem testou as mensagens, quem eram os porta-vozes mais convincentes?
4. O que mudou entre a derrota de 2018 e a vitória de 2020?
5. Qual é o principal problema da lei sob o governo Milei, segundo os dados?

Limites e fontes

Regras

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha e as pessoas que se expõem nela.

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha e as pessoas que se expõem nela.

Só pessoas identificadas
Mensagens a legisladores só de cidadãos com o próprio nome. Nada de perfis falsos, robôs ou envios em massa em nome de quem não autorizou.
Proteja quem dá testemunho
Consentimento informado, opção de anonimato, preparação e acompanhamento. Em abril de 2018, um promotor de La Plata denunciou por apologia do crime a enfermeira Vilma Ripoll, que disse à imprensa, diante do Congresso, ter feito cerca de 500 abortos.
Cuidado com menores
Adolescentes foram protagonistas: não as exponha sem autorização, tenha pontos de encontro e adultos de referência nos atos e não publique rostos sem consentimento.
Segurança na rua
Atos com milhares de adolescentes e contramanifestações perto pedem grupos, um contato para denúncias e áreas separadas. Algumas escolas argentinas chegaram a proibir o lenço.
Dados de saúde são sensíveis
Nunca registre quem fez um aborto. Na Argentina vale a Lei 25.326 de proteção de dados; no Brasil, a LGPD; na União Europeia, o RGPD.
Informação de saúde de fonte oficial
Oriente sobre o acesso pelos serviços oficiais. Onde o aborto é crime, dar indicações pode ter consequências legais: consulte advogados antes.
Publicidade identificada
Anúncios pagos, como o da Anistia no New York Times, devem dizer quem paga. Siga a lei eleitoral e as regras de publicidade política do seu país.
Respeito ao adversário
Nada de assédio, ameaças ou exposição de dados pessoais de legisladores ou ativistas contrários. A pressão é pública e com argumentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não é rápido
Do primeiro projeto, em 2007, à lei, em 2020, passaram treze anos e oito apresentações, sobre décadas de Encontros Nacionais de Mulheres.
A rua não substitui os votos
Mesmo com a maré na rua, o Senado rejeitou o projeto em 2018. A lei veio quando mudaram o presidente e a postura dos governadores, que liberaram o voto em 2020.
Ganhar a lei não garante o acesso
Sob Milei, o governo nacional não entregou medicamentos para o aborto entre dezembro de 2023 e setembro de 2025, último dado disponível. Os registros oficiais somaram 107.505 interrupções em 2023 e 79.186 em 2024, com dados de 2024 incompletos (Buenos Aires e San Juan não tinham informado o governo nacional), e a Anistia registrou o triplo de denúncias de barreiras em 2025.
A lei pode ser contestada
Em fevereiro de 2024, deputados de La Libertad Avanza apresentaram um projeto para revogar a Lei 27.610 e endurecer penas; em março, Milei chamou o aborto de "asesinato agravado por el vínculo". O governo disse não apoiar o projeto, que até dezembro de 2025 não fora debatido.
Concessões têm custo
A lei incluiu a objeção de consciência individual, com limites. Na promulgação, o presidente vetou a palavra "integral" ao lado de saúde, alegando que a saúde não precisa de adjetivo.
Horizontalidade gera disputas
Sem liderança única, a rede resiste a golpes, mas dividir a representação gera confusão e disputas internas, como alerta a jornalista Luciana Peker.
Gênero não garante o voto
Cerca da metade das deputadas votou contra em 2018, segundo Dora Barrancos e Mónica Macha. A aliança foi construída voto a voto.

Fontes

Este playbook foi construído com documentos, entrevistas e textos de integrantes da Campanha e do Ni Una Menos, depoimentos de…

Este playbook foi construído com documentos, entrevistas e textos de integrantes da Campanha e do Ni Una Menos, depoimentos de legisladoras, um podcast de estratégia com quem testou as mensagens, registros oficiais, pesquisa acadêmica sobre as redes e reportagens de 2015 a 2026. Todas as páginas foram consultadas em 27 de outubro de 2026.

34 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Prensa Obrera, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado em 27 de outubro de 2026

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