Visão geral
Em 30 segundos
38 a 29: a 30 de dezembro de 2020, o Senado aprovou a Lei 27.610, que legalizou o aborto voluntário até à 14.ª semana.
Em 2018, a Câmara dos Deputados aprovou o mesmo direito por 129 a 125, mas o Senado rejeitou-o por 38 a 31.
Cerca de 500 organizações formavam a Campanha, que apresentou o seu projeto oito vezes entre 2007 e 2019 e fez do lenço verde o seu símbolo.
Pañuelazos simultâneos, vigílias diante do Congresso e uma aliança de legisladoras de todos os blocos levaram o tema da rua ao plenário.
Entre dezembro de 2023 e setembro de 2025, último dado disponível, o governo de Milei não entregou medicamentos para o aborto; as ativistas passaram a defender a lei com dados e uma ação coletiva.
Os primeiros passos
- Formar uma aliança ampla com organizações de todo o país
- Definir a estrutura: plenário que decide, articulação com mandato, organizações autónomas
- Escolher o símbolo: uma cor e um objeto que ninguém use
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Contexto e história
A história
Em 2015, uma marcha contra o feminicídio levou centenas de milhares de pessoas à rua.
Em 2015, uma marcha contra o feminicídio levou centenas de milhares de pessoas à rua. Em 2018, o lenço verde de uma campanha nascida em 2005 tornou-se o símbolo de uma geração, e o aborto legal chegou pela primeira vez ao plenário. Perdeu no Senado, voltou em ano eleitoral e passou a lei em 2020.
- 38 a 29
- votos no Senado, com 1 abstenção, que aprovaram a Lei 27.610 a 30 dez. 2020oficial Fonte
- 129 a 125
- votos na Câmara dos Deputados a 14 jun. 2018; o Senado rejeitou o projeto por 38 a 31 em agostooficial Fonte
- 200 mil+
- lenços verdes distribuídos pela Campanha em 2018, contra cerca de 8 mil por ano antesdado da campanha Fonte
- 218.429
- mensagens-modelo a legisladores replicadas pelo Activá el Congreso em 2018estudo Fonte
Do lenço à lei
- 2003No Encontro Nacional de Mulheres de Rosário, o aborto é pela primeira vez uma reivindicação central, e aparecem lenços verdes na marcha de encerramento.
- 28 mai. 2005É lançada a Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito, com o lenço verde como símbolo. Em 2007 apresenta o primeiro projeto, sem padrinho, e volta a apresentá-lo até 2019.
- 3 jun. 2015Ni Una Menos. Depois do feminicídio de Chiara Páez, de 14 anos, e de um tweet de Marcela Ojeda a 11 de maio, entre 200 e 300 mil pessoas juntam-se diante do Congresso, com ações em cerca de 80 cidades.
- 19 fev. 2018Um tuitaço com #AbortoLegalYa leva milhares a um pañuelazo diante do Congresso, e os lenços da Campanha esgotam. A 1 de março, Macri abre o debate no Congresso.
- Mar.–mai. 2018O projeto é apresentado pela sétima vez, com 71 assinaturas de vários blocos. Entre 10 de abril e 31 de maio, 738 pessoas intervêm nas audições; as estudantes enchem as "terças verdes".
- 14 jun. 2018Depois de quase 24 horas de debate e de uma vigília na rua, a Câmara dos Deputados aprova o projeto por 129 a 125, com 1 abstenção. Votos de La Pampa e de Santiago del Estero mudam durante a sessão.
- 8–9 ago. 2018Na véspera, a Amnistia publica no New York Times um cabide verde e o recado "El mundo te está mirando". O Senado rejeita: 38 contra, 31 a favor, 2 abstenções.
- 28 mai. 2019Ano de eleições presidenciais: oitava apresentação do projeto, com pañuelazos em mais de 100 cidades do país e do estrangeiro. Alberto Fernández, eleito em outubro, promete enviar um projeto.
- 17 nov.–11 dez. 2020Adiado pela pandemia, o Executivo envia o projeto juntamente com o Plano dos Mil Dias, de cuidados na gravidez e na primeira infância. A Câmara aprova por 131 a 117, com 6 abstenções.
- 30 dez. 2020De madrugada, depois de uma sessão de cerca de 12 horas acompanhada por milhares de manifestantes, o Senado aprova a Lei 27.610 por 38 a 29. A lei entra em vigor a 24 de janeiro de 2021.
Três camadas
A maré verde não teve dono. Três camadas reforçavam-se, cada uma com a sua lógica.
- A CampanhaUma aliança federal de cerca de 500 organizações: partidos, sindicatos, espaços académicos, organizações sociais, ordens profissionais e redes de comunicadoras. Um plenário nacional decide e uma articulação com mandato de um ano executa.
- A aliança no CongressoDeputadas e senadoras de todos os blocos, as "sororas", com laços criados na lei da paridade de 2017. Assinavam juntas, contavam votos e, em 2020, coordenaram as duas câmaras.
- A maréO Ni Una Menos, as adolescentes das escolas, jornalistas, atrizes, médicas e organizações como a Amnistia: gente que não respondia à Campanha, mas usava o mesmo lenço e a mesma reivindicação.
O que não se sabe. Os números de rua variam muito: para a primeira marcha do Ni Una Menos, a imprensa fala em 200 a 300 mil pessoas; para junho de 2018, o La Nación fala em cerca de um milhão de pessoas a circular diante do Congresso, sem contagem independente.
A votação de 2018 no Senado aparece como 8 ou 9 de agosto porque a sessão entrou pela madrugada. Os números de lenços distribuídos são da Campanha, citados por terceiros. Não foi possível abrir o site da Campanha; a estrutura interna é descrita a partir de documentos e entrevistas das integrantes. A Campanha conta oito apresentações até 2019; uma reportagem de 2020 fala em "pelo menos seis" tentativas falhadas. Nenhum dado isola o efeito dos lenços, das vigílias ou das redes: a lei passou quando mudaram o presidente, a posição dos governadores e parte do Senado. Os dados de 2024 e 2025 vêm do orçamento aberto e de pedidos de acesso à informação, compilados pelo Chequeado; Buenos Aires e San Juan não comunicaram os seus números de 2024 ao governo nacional. Não foi encontrada decisão de mérito na ação coletiva depois de fevereiro de 2026.
O terreno
O que era específico da Argentina de 2015 a 2020 e pode faltar noutro país.
O que era específico da Argentina de 2015 a 2020 e pode faltar noutro país.
Plataformas
- O lenço verde
- O meio de comunicação mais barato da campanha: um lenço de pano com o lema impresso, usado ao pescoço ou atado à mochila. Antes de 2018, a Campanha distribuía cerca de 8 mil por ano; em 2018, mais de 200 mil.
- Onde nasceu o #NiUnaMenos e onde o #AbortoLegalYa chegou às tendências no tuitaço de 19 de fevereiro de 2018. Entre as contas que mais puxaram a hashtag, os jornalistas eram o maior grupo, seguidos de políticos eleitos, ativistas e figuras públicas.
- Facebook e vídeos curtos
- A página do Ni Una Menos, criada três meses antes, tinha mais de 130 mil seguidores nos dias anteriores à primeira marcha. O Women's Equality Center transformou depoimentos de profissionais de saúde em vídeos curtos para as redes.
- Televisão e celebridades
- Atrizes, apresentadoras e humoristas levaram o tema a programas de grande audiência, como o Intrusos; o coletivo Actrices Argentinas nasceu nesse debate, e artistas passaram a participar nas ações da Campanha.
- Transmissão das audições
- As audições de 2018 na Câmara dos Deputados foram transmitidas pela internet, com uma audiência de até 70 mil pessoas, e iniciativas cidadãs retransmitiam os debates.
- Activá el Congreso
- Iniciativa cidadã de pressão sobre deputados e senadores contra ou indecisos, com mensagens-modelo e um contador de votos; as mensagens foram replicadas 218.429 vezes em 2018.
- WhatsApp e Zoom
- Em 2020, o Executivo coordenou a votação com os legisladores por grupos de WhatsApp e reuniões por Zoom, em plena pandemia.
Condições locais
- Uma tradição federal de encontros: desde 1986, os Encontros Nacionais de Mulheres levantavam a reivindicação, e o de Rosário, em 2003, pôs o aborto no centro.
- A herança dos direitos humanos: os lenços brancos das Mães e Avós da Praça de Maio deram ao lenço verde uma gramática que qualquer argentino reconhece.
- Aborto permitido só em poucos casos e, na prática, clandestino: em 2018, o próprio ministro da Saúde estimou 254 mil abortos por ano.
- Um Senado de 72 lugares, três por província e três pela cidade de Buenos Aires, onde as províncias mais conservadoras pesam muito; em 2018 os governadores pressionaram os seus legisladores, e em 2020 vários dos que tinham pressionado contra deram liberdade de voto.
- Oposição organizada de grupos católicos e evangélicos, que falavam em nome da vida.
- Um presidente que abriu o debate em 2018 (Macri) e um sucessor que prometeu e enviou o projeto (Alberto Fernández, 2019–2023).
- Uma geração de adolescentes politizadas pelo Ni Una Menos, que levou o lenço para as mochilas e as escolas e encheu a praça nas terças verdes.
Método e evidência
O método
A maré verde juntou um símbolo que qualquer pessoa pode repetir, uma pressão de rua com data marcada em todo o país e o trabalho paciente…
A maré verde juntou um símbolo que qualquer pessoa pode repetir, uma pressão de rua com data marcada em todo o país e o trabalho paciente de contar votos com legisladoras de todos os partidos, sobre 15 anos de organização.
Três frentes
- Um símbolo que todos repetem
- Uma cor, um objeto barato e um lema em três partes. O lenço não precisava de explicação, cabia em qualquer mochila e fazia de quem o usava um cartaz ambulante.
- A rua com data marcada
- Pañuelazos simultâneos em dezenas de cidades, as terças verdes durante as audições e vigílias diante do Congresso nas votações. A convocatória fazia-se nas redes, e a organização, em cada cidade.
- Votos contados um a um
- Um projeto escrito em fóruns e assinado por deputados de vários blocos, 738 intervenções nas audições de 2018 e legisladoras que contavam votos província a província e, em 2020, acertaram o texto com o Senado antes do plenário.
O ciclo da Campanha
O mesmo ciclo repetiu-se de 2007 a 2020, a cada nova apresentação do projeto; a partir de 2018, com a maré na rua, ganhou velocidade.
- Construir consenso Fóruns em várias cidades discutem o texto, e o plenário nacional aprova-o. Em março de 2016, o plenário de Paraná aprovou a versão levada ao Congresso em 2018.
- Reapresentar sempre Quando o projeto caduca, volta ao Congresso, de preferência a 28 de maio, com assinaturas de deputados de vários blocos e um pañuelazo à porta.
- Convocar na rede, organizar fora Tuitaço, hashtag e vídeos de artistas para chamar; organizações locais para levar gente à praça, às escolas e às cidades do interior.
- Levar provas e histórias Médicos, enfermeiras, juristas e mulheres com experiência própria nas audições e nos meios de comunicação. No estudo do Women's Equality Center, os médicos locais eram os mensageiros mais convincentes.
- Contar e trabalhar votos Saber, legislador a legislador, quem é Sim, Não ou indeciso, que pressão sofre na sua província e quem pode falar com ele.
- Encher a praça no dia Vigília diante do Congresso durante toda a sessão e réplicas nas províncias, para que cada voto seja dado diante de uma multidão.
- Voltar depois da derrota Reapresentar o projeto, transformar o tema em pergunta eleitoral e exigir aos candidatos uma posição pública.
- Defender a aplicação Depois da lei, informar sobre como ter acesso, vigiar o fornecimento de medicamentos e denunciar barreiras.
E recomeça.
Quem fez
Este playbook assenta no que as próprias organizadoras escreveram e disseram: documentos e entrevistas de integrantes da Campanha, o relato…
Este playbook assenta no que as próprias organizadoras escreveram e disseram: documentos e entrevistas de integrantes da Campanha, o relato das fundadoras do Ni Una Menos, depoimentos de legisladoras da aliança suprapartidária e um podcast de estratégia com quem testou as mensagens. A imprensa e a investigação confirmam factos e números.
Campanha Nacional pelo Direito ao Aborto Legal, Seguro e Gratuito
Aliança federal de organizações e pessoas, lançada a 28 de maio de 2005
Fez do lenço verde o seu símbolo, apresentou o projeto de lei oito vezes entre 2007 e 2019 e organizou pañuelazos e vigílias em todo o país.
FontesMaría Alicia Gutiérrez
Socióloga e professora da UBA; integrante da Campanha desde o início
Explicou como a Campanha se organiza e como o projeto foi reformulado durante um ano em fóruns por todo o país e discutido artigo a artigo no plenário de Paraná, em 2016.
FontesMaría Teresa Bosio e Marta Alanis
Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) Argentina, organização integrante da Campanha
Bosio, presidente da CDD, escreveu sobre as táticas da Campanha e a revolução das filhas; Alanis falou pela Campanha na oitava apresentação do projeto, em 2019, a pedir contas aos senadores.
FontesMarcela Ojeda e as jornalistas do Ni Una Menos
Jornalistas, escritoras e comunicadoras que convocaram a marcha de 3 de junho de 2015
Um tweet de Ojeda deu numa marcha em 23 dias; cerca de vinte comunicadoras organizaram a logística, dividiram o trabalho territorial e de articulação política e, em plena campanha eleitoral, pediram aos candidatos que assinassem cinco pontos.
FontesSilvia Lospennato, Mónica Macha, Brenda Austin e as "sororas"
Deputadas e senadoras de vários blocos (PRO, UCR, peronismo, esquerda)
Formaram a aliança suprapartidária que contou votos, aprovou o projeto na Câmara em 2018 e, com senadoras como Anabel Fernández Sagasti e Gladys González, o levou a lei em 2020.
FontesSilvia Augsburger
Militante da Campanha e da comissão redatora; primeira deputada nacional a levar a iniciativa ao Congresso
Contou como a Campanha recolheu assinaturas em 2005, apresentou o projeto sem padrinho em 2007 e com assinaturas de legisladores em 2008; em 2025, descreveu como as ativistas sustentam o acesso.
FontesMariela Belski, Paula Ávila Guillén e Luciana Peker
Diretora da Amnistia Internacional Argentina; diretora do Women's Equality Center; jornalista e autora
No podcast Words to Win By, de Anat Shenker-Osorio, explicaram como o Women's Equality Center testou mensagens e mensageiros nas províncias, o anúncio da Amnistia no New York Times e a "revolução das filhas".
FontesIngrid Beck e Gabriela Pepe
Jornalistas da Letra P
Acompanharam de perto as votações de 2018 e 2020 e resumiram o que mudou entre a derrota e a vitória: consenso entre blocos, foco na saúde pública, empenho do Executivo e governadores que deram liberdade de voto.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Declarações de participantesO que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram.
O que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação em contrário; as citações curtas estão no original em espanhol.
"Es una organización horizontal, transversal, plural y diversa." O plenário nacional decide e uma articulação com mandato de um ano executa.
María Alicia Gutiérrez, Campanha Nacional, El Salto, Pañuelos verdes: una historia de lucha feminista, 1 ago. 2018
O mensageiro tinha de ser local: o médico ou a médica da própria pessoa, a contar a história de uma paciente. "La decisión va a venir del estómago."
Paula Ávila Guillén, Women's Equality Center, Words to Win By, episódio 6 (Legalizing Abortion in Argentina), transcrição em espanhol, 2023
Falar em "feminismo" podia levar o eleitor persuadível a erguer um muro; persuadir exige muitas vezes dizer algo novo, sem debater no terreno do adversário.
Anat Shenker-Osorio, estratega de mensagem (Words to Win By), Words to Win By, episódio 6, 2023
Os lenços vêm das Mães e Avós da Praça de Maio; depois, o México e o Chile adotaram o símbolo.
Mariela Belski, Amnistia Internacional Argentina, Words to Win By, episódio 6, 2023
Mais 6 citações
Cinco anos depois da lei, "quienes sostenemos el aborto legal somos las activistas": sem campanhas oficiais de informação, a Campanha aciona a rede de profissionais e as autoridades provinciais de saúde.
Silvia Augsburger, Campanha Nacional (Rosário), La Capital, A cinco años del aborto legal, 30 dez. 2025
O 19F de 2020 não se limitaria ao ato diante do Congresso: seria uma "jornada federal e internacional", com um pañuelazo às 19h como eixo.
Fernanda Fernández, articulação da Campanha (Tucumán), Tiempo Argentino, El 19F será masivo, 16 fev. 2020
Na oitava apresentação do projeto, em ano eleitoral: "No puede ser que los senadores nos den la espalda."
Marta Alanis, Católicas pelo Direito de Decidir, pela Campanha, La Voz de San Justo, Con un pañuelazo masivo, presentaron el proyecto, 28 mai. 2019
Em 2018, "deberíamos haber trabajado articuladamente con senadoras y senadores"; em 2020, o acordo com o Senado tinha de vir antes, e a confiança entre legisladoras continuava igualmente forte.
Brenda Austin, deputada (UCR), Letra P, Aborto legal: las sororas se organizan en las dos cámaras, 24 nov. 2020
Cerca de metade das deputadas votou contra em 2018: mulheres que pensavam o tema em termos patriarcais. A mudança cultural pesou sobretudo entre os deputados homens mais jovens.
Mónica Macha, deputada (Frente para la Victoria), Salud Colectiva, diálogo com Dora Barrancos e Patricia Rosemberg, 2018
A horizontalidade é "su potencia, pero también su perdición": repartir a representação gera confusão e disputas internas.
Luciana Peker, jornalista, Fundación Carolina, El feminismo latinoamericano es una apuesta al futuro, 21 out. 2021
Materiais e exercícios
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
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Um símbolo que qualquer pessoa pode usar
Uma cor, um objeto barato e um lema impresso que qualquer pessoa usa no corpo, sem pedir licença. Na Argentina, a Campanha passou de cerca de 8 mil lenços por ano para mais de 200 mil em 2018, e o símbolo chegou ao Chile, ao México e à Colômbia.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a causa precisa de visibilidade diária e de um sinal de pertença que não dependa de nenhuma organização.
- Não usar quando
- Não funciona se a cor ou o objeto já pertencem a um partido, ou se usar o símbolo expõe as pessoas a perigo sem proteção.
- Semana −40 Escolher uma cor e um objeto que nenhum partido ou movimento use
- Semana −38 Imprimir no objeto um lema curto, que comece pela prevenção
- Semana −30 Produzir em grande quantidade, a preço de custo, com um ponto de entrega por cidade
- Semana −20 Distribuir em cada ação e pedir às pessoas que o usem no dia a dia
- Semana −12 Convidar artistas, jornalistas e profissionais de saúde a usá-lo em público
- Semana do dia D Usá-lo todos juntos no dia da votação, na praça e nas províncias
Equipa
- Produção: encomenda, stock e preço de custo
- Distribuição local: um ponto de entrega por cidade
- Imprensa: leva o símbolo a quem tem palco
O que medir: Símbolos entregues em mão por cidade, a pessoas que se inscreveram para a ação seguinte.
Riscos a vigiar: Quem usa o símbolo pode ser hostilizado, e na Argentina houve escolas que proibiram o lenço: orienta as pessoas a andar em grupo, tem um contacto para denúncias e não pressiones menores a exporem-se.
-
Pañuelazo federal com hora marcada
Uma ação simultânea, curta e fácil de copiar, levantar o lenço à mesma hora, convocada nas redes e organizada por grupos locais. Na Argentina, o 19F de 2018 levou milhares ao Congresso e, em 2019, houve pañuelazos em mais de 100 cidades.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando já existe uma rede local em muitas cidades e um marco no calendário: apresentação do projeto, votação ou data simbólica.
- Não usar quando
- Não funciona como substituto da organização: sem grupos locais, fica uma hashtag sem gente na praça.
- Semana −8 Fixar a data e a hora da ação, a mesma em todo o país
- Semana −6 Abrir um mapa onde cada cidade regista ponto de encontro e responsável
- Semana −5 Enviar um kit às organizadoras locais: lema, cartaz, regras de segurança
- Semana −1 Convocar com tuitaço e vídeos de artistas na semana da ação
- Semana do dia D Fazer o pañuelazo e publicar fotos de todas as cidades
- 1 semana(s) depois Agradecer e convidar quem foi para a ação seguinte
Equipa
- Articulação: mantém o mapa e fala com as cidades
- Organizadora local: ponto de encontro, segurança e fotos
- Comunicação: tuitaço, vídeos e galeria de cidades
O que medir: Cidades que fizeram a ação com uma responsável registada no mapa, e pessoas presentes contadas por elas.
Riscos a vigiar: Ações simultâneas sem responsável local podem acabar em confronto ou abandono: só marca no mapa cidades com uma pessoa de contacto e regras claras de segurança.
-
Aliança de todos os partidos, voto a voto
Legisladoras e legisladores de todos os blocos assinam juntos o projeto, contam os votos nominalmente e falam com a outra câmara antes do plenário. Na Argentina, 71 deputados de vários blocos assinaram em 2018; a aliança ganhou na Câmara por 129 a 125 e, em 2020, aprovou a lei.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando o tema atravessa partidos e existe pelo menos uma pessoa de confiança em cada bloco.
- Não usar quando
- Não funciona se a causa se torna bandeira de um só partido, ou se ninguém ouve a câmara com poder de veto antes da votação.
- Semana −26 Reunir com legisladores de cada bloco meses antes da apresentação
- Semana −14 Apresentar o projeto com coautores de vários partidos
- Semana −12 Abrir a folha de contagem de votos, legislador a legislador
- Semana −10 Levar médicos e especialistas às audições e aos gabinetes indecisos
- Semana −6 Falar com a outra câmara sobre o texto antes do plenário
- Semana −1 Atualizar a contagem todos os dias na semana da votação
- 1 semana(s) depois Agradecer em público a quem votou, de todos os partidos
Equipa
- Legisladoras de cada bloco: contam e trabalham os seus colegas
- Incidência da sociedade civil: leva provas e mensageiros
- Contagem: mantém a folha e atualiza-a todos os dias
O que medir: Legisladores que passaram de indecisos a Sim depois de uma reunião registada na folha.
Riscos a vigiar: Negociar o texto tem custo: a lei de 2020 incluiu a objeção de consciência e perdeu a palavra "integral" com o veto. Decide antes o que é inegociável e explica as cedências à base.
-
Vigília no dia da votação
Encher a praça diante do Parlamento durante toda a sessão, com réplicas nas províncias, para que cada voto seja dado diante de uma multidão. Na Argentina, a vigília de junho de 2018 atravessou quase 24 horas de debate, e milhares acompanharam na rua a votação de dezembro de 2020.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a votação tem data marcada e o resultado está em aberto por poucos votos.
- Não usar quando
- Não funciona sem estrutura de segurança e de cuidados; perto de uma contramanifestação, sem separação clara, torna-se um risco.
- Semana −4 Pedir as autorizações de ocupação da via pública e de som
- Semana −3 Montar palco, som e equipas de cuidados, saúde e segurança
- Semana −2 Acertar com as autoridades zonas separadas da contramanifestação
- Semana −1 Convocar réplicas nas capitais das províncias
- Semana do dia D Fazer a vigília, com pontos da contagem de hora a hora
- Semana do dia D Encerrar com um próximo passo, ganhe-se ou perca-se
Equipa
- Logística: palco, ecrãs, som e casas de banho
- Cuidados: saúde, segurança e pontos de encontro para menores
- Informação: traduz a contagem para a praça
O que medir: Pessoas que se inscreveram como voluntárias de cuidados e cumpriram o turno na vigília.
Riscos a vigiar: Multidão de noite, com adolescentes e contramanifestação perto: zonas separadas, equipa de cuidados identificada e plano de saída acertado com as autoridades.
-
Da derrota ao compromisso eleitoral
Depois de perder uma votação, reapresentar a reivindicação e transformá-la em pergunta eleitoral, com um pedido de posição pública aos candidatos. Na Argentina, a Campanha voltou ao Congresso em maio de 2019, em ano de eleições presidenciais, e o presidente eleito enviou o projeto em novembro de 2020.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há eleições próximas e o tema já tem maioria na rua, mas não no Parlamento.
- Não usar quando
- Não funciona se o compromisso fica pela fotografia: sem assinatura, prazo e acompanhamento, ninguém pede contas depois.
- Semana −40 Fazer um balanço público da derrota e marcar a nova apresentação
- Semana −22 Reapresentar o projeto na data simbólica, com pañuelazos
- Semana −12 Enviar a todos os candidatos um compromisso de poucos pontos para assinar
- Semana −6 Publicar quem assinou e quem não assinou
- Semana −3 Perguntar em debates e entrevistas, sempre com a mesma frase
- 4 semana(s) depois Depois da eleição, exigir prazo para o envio do projeto
Equipa
- Compromissos: redige o texto e recolhe as assinaturas
- Imprensa: publica a lista e prepara a pergunta para os debates
- Acompanhamento: pede contas sobre os prazos depois da eleição
O que medir: Candidatos que assinaram o compromisso por escrito, e quantos cumpriram depois de eleitos.
Riscos a vigiar: A causa pode ser capturada por um partido e tornar-se alvo do outro: pede compromisso a todos e agradece a quem cumprir, de qualquer lado.
Toolkit
O que a maré verde montou, organizado para poder ser copiado.
O que a maré verde montou, organizado para poder ser copiado. Serve para mudar uma lei, conquistar um direito ou manter uma causa viva durante anos até a janela política se abrir.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Uma rede horizontal e federal, sem líder único, com um plenário que decide e uma articulação que executa, ligada a uma aliança parlamentar de todos os blocos. Durou 15 anos com esta forma; o custo apontado pelas próprias militantes são as disputas internas.
Estrutura mínima
- Plenário nacional
- Instância de decisão: reúne as integrantes, aprova o projeto e define a estratégia. O de Paraná, em março de 2016, discutiu o texto artigo a artigo.
- Articulação com mandato de um ano
- Executa as decisões do plenário e fala com outros atores; a composição muda todos os anos.
- Comissão redatora
- Juristas, médicas e militantes que escreveram o projeto a partir dos fóruns abertos em 2015 em várias cidades.
- Comunicação e redes
- Convoca e responde à atualidade. Em 2018, a conta da Campanha foi a conta organizativa com mais publicações e influência na #AbortoLegalYa.
- Incidência política
- Pede a legisladores e candidatos que digam em público como vão votar.
- Organizações integrantes
- Partidos, sindicatos, espaços académicos, organizações sociais, ordens profissionais e redes de comunicadoras, com autonomia em cada província.
- Aliança parlamentar
- Fora da Campanha, mas em diálogo com ela: legisladoras de todos os blocos que contam votos e coordenam as duas câmaras.
Ritmo anual e de votação
- 19 de fevereiroEm 2018, tuitaço e pañuelazo diante do Congresso; em 2020, a Campanha repetiu a data como jornada federal e internacional, com pañuelazo às 19h, oficinas e intervenções artísticas.
- 8 de março e 28 de setembroDatas feministas em que a Campanha mobiliza: Dia Internacional da Mulher e dia de ação pela descriminalização do aborto na América Latina e nas Caraíbas.
- 28 de maioApresentação do projeto: lançamento no Congresso à tarde e pañuelazo federal logo a seguir (em 2019, às 15h30 e às 17h30).
- Terças e quintas (2018)Dias das audições na Câmara, das 9h30 às 18h, com até sete minutos por orador; as estudantes enchiam a praça nas terças verdes.
- Dia da votaçãoVigília diante do Congresso durante toda a sessão, que em junho de 2018 durou quase 24 horas.
- Uma vez por anoEncontro nacional da Campanha para balanço e estratégia.
O mesmo projeto foi reapresentado oito vezes entre 2007 e 2019, até a rua e o Congresso estarem prontos ao mesmo tempo.
Plano B
- Nenhuma líder indispensável: decisões em plenário e uma articulação renovada todos os anos.
- Organizações com autonomia para agir em cada província quando a coordenação nacional não chega.
- Um símbolo físico que funciona sem internet, sem dinheiro e sem autorização.
- Projeto sempre reapresentado: depois da derrota de 2018, a oitava apresentação chegou em maio de 2019.
- Depois da lei, dados e tribunais: quando o governo deixou de entregar medicamentos, a disputa passou para o orçamento aberto e para uma ação coletiva.
Tecnologia
Quase nada era sofisticado. A maré juntou redes abertas, um objeto físico e ferramentas cidadãs de pressão sobre o Congresso.
- Hashtags e tuitaços (#NiUnaMenos, #AbortoLegalYa)Grátis
Convocatória com hora marcada: a 19 de fevereiro de 2018, um tuitaço das 12h às 14h pôs #AbortoLegalYa nas tendências. 72% das mensagens na hashtag eram retweets.
- Facebook e vídeos curtosGrátis (produção à parte)
A página do Ni Una Menos ultrapassou os 130 mil seguidores antes da primeira marcha; o Women's Equality Center transformou depoimentos de profissionais de saúde em vídeos curtos para as redes.
- Bancas de rua e recolha de assinaturasBaixo custo
Em 2005, bancas em cidades de todo o país recolheram assinaturas pela legalização, na primeira ação pública federal da Campanha.
- Mensagens-modelo a legisladores (Activá el Congreso)Grátis (iniciativa cidadã)
As pessoas escreviam com as próprias contas a deputados e senadores contra ou indecisos, a partir de modelos; 218.429 réplicas em 2018.
- Contadores de votos em diretoGrátis (iniciativas cidadãs)
O Activá el Congreso mostrava a posição prevista de cada legislador e um contador de votos; o coletivo Economía Femini(s)ta montou um painel com os votos por província e por bloco.
- Transmissão das audiçõesNão divulgado
Audições e sessões transmitidas pela internet, com retransmissão por iniciativas cidadãs.
- Lista de cidades com hora únicaGrátis
Em maio de 2019, a convocatória marcava o pañuelazo federal às 17h30 em mais de 100 cidades do país e do estrangeiro.
- Grupos de WhatsApp e reuniões por ZoomGrátis
Em 2020, o Executivo coordenou a votação com os legisladores por grupos de WhatsApp e Zoom; entre as duas câmaras, havia conversas sem uma mesa formal.
Colunas de uma folha de contagem de votos
Legislador(a) · Província e bloco · Posição declarada (Sim, Não, indeciso, abstenção) · Data da última conversa · Quem falou com ele ou ela · Principal dúvida ouvida · Pressão local (governador, igreja, comunicação social) · Próximo passo e responsável · Fonte da informação
A Campanha não publica um orçamento consolidado e as fontes lidas não trazem números. O que se sabe: o símbolo era um pedaço de pano; ferramentas como o Activá el Congreso foram iniciativas cidadãs; e ações caras, como o anúncio no New York Times, foram feitas por aliadas como a Amnistia Internacional. A folha acima é uma sugestão deste playbook, inspirada na contagem de votos descrita pelas legisladoras.
Comunicação
A maré verde falou em duas camadas: um lema fixo, impresso no lenço, que unia toda a gente, e mensagens adaptadas a cada público, com mensageiros que esse público já respeitava.
A fórmula da mensagem
- O lema em três partes Educação sexual para decidir, contracetivos para não abortar, aborto legal para não morrer. A ordem começa pela prevenção e chega ao aborto como último recurso.
- Saúde pública e dívida da democracia Em 2018, o próprio ministro da Saúde estimou 254 mil abortos clandestinos por ano. Em 2020, a Campanha chamou ao aborto legal "una deuda de la democracia".
- Um mensageiro de confiança Segundo Paula Ávila Guillén, do Women's Equality Center, o mensageiro tinha de ser um médico ou uma médica da própria província. Os advogados de direitos humanos, os porta-vozes mais comuns, convencem menos, segundo Anat Shenker-Osorio.
- A história na terceira pessoa Quando um profissional contava a história de uma paciente, a resistência de quem tinha dúvidas caía, segundo Paula Ávila Guillén.
- Disputar a palavra vida Segundo Anat Shenker-Osorio, a mensagem geral dos vídeos do Women's Equality Center era "salvemos miles de vidas"; Ávila Guillén quis reclamar a palavra vida, em vez de a deixar ao adversário.
- Falar à emoção Para Ávila Guillén, a decisão do indeciso vem "del estómago": a história de uma paciente pesa mais do que o argumento jurídico.
Regras de mensagem
- Uma cor, um objeto e um lema fixos; o resto pode variar de cidade para cidade.
- Manter a mesma reivindicação todos os anos.
- Escolhe o porta-voz pela confiança que inspira no público que falta, e não pelo cargo na organização.
- Fala com o indeciso na língua dele; o jargão da militância pode erguer um muro.
- Não debatas no terreno do adversário.
- Pede aos políticos um compromisso público e assinado, como fez o Ni Una Menos com #DeLaFotoALaFirma.
- Nunca uses a dor de alguém sem consentimento, preparação e acompanhamento.
Exemplo de convocatória
Terça, 19h, em frente à Câmara Municipal e em todas as cidades que se juntarem: pañuelazo verde. Traz o teu lenço; quem não tiver recebe um na praça. Uma reivindicação só: educação sexual para decidir, contracetivos para não abortar, aborto legal para não morrer. Organiza na tua cidade e marca no mapa. (Exemplo do playbook, inspirado nas convocatórias da Campanha.)
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Argentina de 2015 a 2020.
O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Argentina de 2015 a 2020.
Funciona em qualquer lado
- Adotar um símbolo físico, barato e de uma só cor, que qualquer pessoa possa usar sem pedir licença.
- Escrever a reivindicação em consenso e reapresentá-la sempre, de preferência numa data simbólica, até a janela política se abrir.
- Fazer ações simultâneas em muitas cidades, com hora marcada, em vez de um único grande ato na capital.
- Construir uma aliança com legisladores de todos os partidos, com contagem nominal de votos e conversa com a segunda câmara antes do plenário.
- Escolher mensageiros pela confiança do público que falta convencer.
- Depois de uma derrota, transformar o tema em pergunta eleitoral e exigir compromissos públicos.
- Depois da vitória, vigiar o orçamento, os medicamentos e a informação ao público.
Depende do contexto
- Os lenços das Mães da Praça de Maio
- O verde dialogava com um símbolo que qualquer argentino respeitava e não pertencia a nenhum movimento. No teu país, procura uma cor, uma peça de roupa ou um gesto com memória positiva e sem dono partidário.
- Encontros Nacionais de Mulheres
- Onde não existe uma tradição anual de encontros federais, cria uma data fixa por ano e faz rodar a sede entre cidades.
- Congresso bicameral com Senado federal
- Mapeia onde está o veto (Senado, tribunal constitucional, referendo) e começa por aí. Em sistemas unicamerais ou com referendo, a contagem de votos muda de alvo.
- Twitter como praça de jornalistas
- Usa a rede onde estão jornalistas e políticos no teu país (pode ser X, Instagram, WhatsApp ou TikTok); a convocatória com hora marcada funciona em todas.
- Um presidente disposto a enviar o projeto
- Sem um Executivo aliado, o caminho é mais longo: exigir compromissos aos candidatos, trabalhar o Parlamento e preparar o terreno para a eleição seguinte.
- O aborto como tema
- O método serve outras causas de direitos, como o casamento igualitário, a identidade de género ou a educação sexual. Onde o tema expõe as pessoas a processos, protege ainda mais quem dá testemunho.
Praticar
ExercícioTreina com as missões e situações do caso.
Decidir como a Campanha
Seis momentos da maré verde. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano em 5 fases
A sequência da maré verde, desde os anos de preparação até à defesa da lei, como lista de verificação.
A sequência da maré verde, desde os anos de preparação até à defesa da lei, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Construir a base (anos antes)
Pôr na agenda (meses antes)
Ganhar o debate (semanas antes)
Votação
Depois
Verificar
ExercícioCinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Limites e fontes
Regras
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha e as pessoas que se expõem nela.
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha e as pessoas que se expõem nela.
- Só pessoas identificadas
- Mensagens a legisladores só de cidadãos com o próprio nome. Nada de perfis falsos, robôs ou envios em massa em nome de quem não autorizou.
- Proteger quem dá testemunho
- Consentimento informado, opção de anonimato, preparação e acompanhamento. Em abril de 2018, um procurador de La Plata apresentou queixa por apologia do crime contra a enfermeira Vilma Ripoll, que disse à imprensa, diante do Congresso, ter feito cerca de 500 abortos.
- Cuidado com menores
- As adolescentes foram protagonistas: não as exponhas sem autorização, tem pontos de encontro e adultos de referência nas ações e não publiques rostos sem consentimento.
- Segurança na rua
- Ações com milhares de adolescentes e contramanifestações perto pedem grupos, um contacto para denúncias e zonas separadas. Algumas escolas argentinas chegaram a proibir o lenço.
- Dados de saúde são sensíveis
- Nunca registes quem fez um aborto. Na Argentina aplica-se a Lei 25.326 de proteção de dados; no Brasil, a LGPD; na União Europeia, o RGPD.
- Informação de saúde de fonte oficial
- Orienta sobre o acesso pelos serviços oficiais. Onde o aborto é crime, dar indicações pode ter consequências legais: consulta advogados antes.
- Publicidade identificada
- Anúncios pagos, como o da Amnistia no New York Times, devem dizer quem paga. Segue a lei eleitoral e as regras de publicidade política do teu país.
- Respeito pelo adversário
- Nada de assédio, ameaças ou exposição de dados pessoais de legisladores ou ativistas contrários. A pressão é pública e com argumentos.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não é rápido
- Do primeiro projeto, em 2007, à lei, em 2020, passaram treze anos e oito apresentações, sobre décadas de Encontros Nacionais de Mulheres.
- A rua não substitui os votos
- Mesmo com a maré na rua, o Senado rejeitou o projeto em 2018. A lei veio quando mudaram o presidente e a posição dos governadores, que deram liberdade de voto em 2020.
- Ganhar a lei não garante o acesso
- Com Milei, o governo nacional não entregou medicamentos para o aborto entre dezembro de 2023 e setembro de 2025, último dado disponível. Os registos oficiais somaram 107.505 interrupções em 2023 e 79.186 em 2024, com dados de 2024 incompletos (Buenos Aires e San Juan não tinham informado o governo nacional), e a Amnistia registou o triplo das queixas por barreiras em 2025.
- A lei pode ser contestada
- Em fevereiro de 2024, deputados do La Libertad Avanza apresentaram um projeto para revogar a Lei 27.610 e agravar penas; em março, Milei chamou ao aborto "asesinato agravado por el vínculo". O governo disse não apoiar o projeto, que até dezembro de 2025 não tinha sido debatido.
- As cedências têm custo
- A lei incluiu a objeção de consciência individual, com limites. Na promulgação, o presidente vetou a palavra "integral" junto a saúde, com o argumento de que a saúde não precisa de adjetivos.
- A horizontalidade gera disputas
- Sem liderança única, a rede resiste a golpes, mas repartir a representação gera confusão e disputas internas, como alerta a jornalista Luciana Peker.
- O género não garante o voto
- Cerca de metade das deputadas votou contra em 2018, segundo Dora Barrancos e Mónica Macha. A aliança foi construída voto a voto.
Fontes
Este playbook foi construído com documentos, entrevistas e textos de integrantes da Campanha e do Ni Una Menos, depoimentos de…
Este playbook foi construído com documentos, entrevistas e textos de integrantes da Campanha e do Ni Una Menos, depoimentos de legisladoras, um podcast de estratégia com quem testou as mensagens, registos oficiais, investigação académica sobre as redes e reportagens de 2015 a 2026. Todas as páginas foram consultadas a 27 de outubro de 2026.
34 fontes
Quem fez
- Campaña Nacional por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito: documento de apresentação (projeto, plenário de Paraná, lema) c. 2016
- Campaña Nacional por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito: declaração dos 15 anos (28M) 28 mai. 2020
- El Salto: Pañuelos verdes: una historia de lucha feminista (entrevista a María Alicia Gutiérrez) 1 ago. 2018
- Words to Win By: Episode 6: Legalizing Abortion in Argentina (transcrição em espanhol; Mariela Belski, Paula Ávila Guillén, Luciana Peker) 2023
- CIEG-UNAM: María Teresa Bosio (CDD Argentina), Campaña por el Derecho al Aborto Legal, Seguro y Gratuito 2019
- Salud Colectiva: Aborto, sororidad y autonomía de los cuerpos: diálogo con la diputada nacional Mónica Macha 2018
- Tiempo Argentino: «El 19F será masivo, estamos ante una posibilidad histórica» 16 fev. 2020
- La Capital: Las primeras "pañuelos verdes" (Silvia Augsburger) 5 dez. 2020
- La Capital: A cinco años del aborto legal: "Somos las activistas las que sostenemos este derecho" (Silvia Augsburger) 30 dez. 2025
- Letra P: Aborto legal: las sororas se organizan en las dos cámaras 24 nov. 2020
Dados
- InfoLEG: Decreto 14/2021 (promulgação parcial da Lei 27.610 e veto da palavra "integral") 14 jan. 2021
- Chequeado: A 5 años de la ley de aborto, el Gobierno no entregó medicamentos y crecen las denuncias por barreras de acceso 30 dez. 2025
- Wikipedia: Abortion in Argentina (datas e votações)
- Wikipedia: Green scarf (origem e distribuição do lenço)
Imprensa
- Letra P: #NiUnaMenos: la construcción política de la marea que crece hace cinco años 1 jun. 2020
- Letra P: Con marchas a favor y en contra y 30 oradores, arranca el debate por el aborto 10 abr. 2018
- Letra P: La alianza transversal y la movilización popular quebraron el lobby conservador (Gabriela Pepe) 14 jun. 2018
- Letra P: Las cinco claves de una victoria más verde (Ingrid Beck e Gabriela Pepe) 10 dez. 2020
- La Voz de San Justo: Con un "pañuelazo" masivo, presentaron el proyecto de aborto legal 28 mai. 2019
- Perfil: Cómo surgió el movimiento Ni Una Menos 7 mar. 2019
- Crónica: Cómo nació Ni Una Menos: el tuit, el femicidio que lo disparó y la marcha que cambió todo 2 jun. 2026
- La Nación / Rolling Stone: Aborto legal: 13 hechos que marcaron un semestre histórico (Romina Zanellato) 9 ago. 2018
- La Izquierda Diario: #AbortoLegalEsVida: finalizaron las audiencias con más de 700 exposiciones a favor y en contra 1 jun. 2018
- Unidiversidad: Denunciaron a Vilma Ripoll luego de que revelara que practicó 500 abortos 16 abr. 2018
- Última Hora / EFE: La campaña por el aborto legal vuelve al Congreso argentino en año electoral 27 mai. 2019
- Unidiversidad: El proyecto del aborto legal vuelve al Congreso y habrá pañuelazos en el país y el mundo 27 mai. 2019
- Todo Jujuy: 19F: masivo pañuelazo por el aborto legal, seguro y gratuito 19 fev. 2020
- Diario de Cuyo: Argentina aprueba el aborto legal y supera décadas de intentos fallidos 30 dez. 2020
- Buenos Aires Times: Collective amparo to guarantee access to abortions 26 fev. 2026
- Río Negro: La Libertad Avanza contra el derecho al aborto: presentaron un proyecto para derogar la ley IVE 7 fev. 2024
Análise
- Palabras del Derecho: Se cumplen dos años de la sanción de la Ley de Interrupción Voluntaria del Embarazo 30 dez. 2022
- Análisis Político (Universidad Nacional de Colombia): María Camila Moncada Guevara, Marcos discursivos para la despenalización del aborto… Análisis del hashtag #abortolegalya 2023
- Fundación Carolina: Luciana Peker, El feminismo latinoamericano es una apuesta al futuro 21 out. 2021
- Chequeado: Javier Milei y su promesa a 2 años como presidente: proteger al niño desde la concepción 9 dez. 2025
Imagem: Prensa Obrera, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 27 de outubro de 2026
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