Em 30 segundos
74,38%. Foi o comparecimento na Polônia em 15 de outubro de 2023. O PiS ficou em primeiro, mas perdeu a maioria.
46,4% → cerca de 69–71%. O comparecimento dos jovens de 18 a 29 anos saltou de 2019 para 2023; as mulheres votaram mais que os homens.
Pelo menos 27 campanhas apartidárias de ONGs, kits abertos para prefeituras, ônibus nos campi para mudar o local de votação e celebridades falando em nome próprio.
Pelo menos 407 milhões de visualizações, somadas sem comando único, com redes locais herdadas dos protestos de 2020.
Transforme a raiva do protesto em “algo para votar”, tire o atrito do registro antes do prazo e deixe dezenas de mensageiros repetirem a mesma norma.
Os primeiros passos
- Mapear as outras organizações que vão fazer campanha de participação
- Abrir uma mesa de coalizão com reunião fixa
- Fazer grupos focais com quem não pretende votar
Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos
Quem fez
Esta foi uma mobilização sem general.
Esta foi uma mobilização sem general. Abaixo estão as pessoas e organizações que planejaram, executaram e depois mediram as campanhas, com os lugares onde contaram o que fizeram.
Marta Lempart (Ogólnopolski Strajk Kobiet)
Líder da Greve Nacional das Mulheres
Coordenou os protestos de 2020 em mais de 600 cidades e, em 2023, a campanha “Vote pelo aborto!” dirigida a quem tinha ido às ruas.
FontesBogumił Kolmasiak e Anna Tomaszewska (Akcja Demokracja)
Organizadores dos “sztaby społeczne” (comitês cívicos de campanha)
Treinaram desde abril de 2023 uma rede de comitês locais apartidários com kit comum, grupos de WhatsApp e reuniões por Zoom, sob a marca “Idę na #WYBO23”.
FontesZofia Sanejko (Inicjatywa Głos Kobiet)
Porta-voz da coalizão de mais de uma dezena de organizações de direitos das mulheres
Lançou com a Fundação Batory a campanha “To Twój Wybór”, com a caneta rosa como símbolo, para mulheres de 18 a 34 anos.
FontesEwa Kulik-Bielińska (Fundação Stefan Batory)
Dirigente da fundação que apoiou e financiou campanhas e mediu o efeito delas
Apoiou a campanha das mulheres; no lançamento, lembrou que há áreas em que os governantes tiram ou limitam o direito de escolha das mulheres.
FontesAleksandra Jaworska-Surma, Edwin Bendyk e Szymon Gutkowski
Autores do relatório “Fenomen wyborczej mobilizacji” (Fundação Batory)
Listaram as 27 campanhas, somaram o alcance e conduziram pesquisa e grupos focais com os eleitores novos logo depois da votação.
FontesAnna Pięta (Inicjatywa Wschód)
Ativista da organização que fez o vídeo “Cicho już byłyśmy” (Já ficamos caladas)
Defendeu publicamente a campanha mais viral dos últimos dias, dirigida a mulheres jovens que não pretendiam votar.
FontesPrefeitura de Gdańsk e União das Metrópoles Polonesas
Autoras da campanha municipal “Nie śpij, bo cię przegłosują” (Não durma, senão votam por você)
Publicaram gráficos gratuitos para qualquer prefeitura usar com a mesma hashtag; Wrocław e Katowice levaram a campanha para a rua.
FontesPrzemysław Sadura (Universidade de Varsóvia / Krytyka Polityczna)
Sociólogo que fez grupos focais com eleitores jovens depois da eleição
Identificou dois grupos de eleitores novos: mulheres jovens ativadas pelos protestos de 2020 e pessoas trazidas pelas campanhas de participação.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Paráfrases do que organizadores e pesquisadores disseram ou escreveram, com citações curtas traduzidas quando a frase é essencial.
Paráfrases do que organizadores e pesquisadores disseram ou escreveram, com citações curtas traduzidas quando a frase é essencial.
O partido no poder tinha empresas estatais, a TV pública e recursos enormes; com um orçamento “microscópico”, só restava agir com inteligência: comitês apartidários, que defendem pautas e não candidatos, sob uma marca comum mas com liberdade local.
Bogumił Kolmasiak e Anna Tomaszewska, Akcja Demokracja, Apresentação de treinamento “Społeczne sztaby wyborcze”, 21 abr. 2023
O lema do movimento recusava o voto resignado: “Queremos a Polônia dos nossos desejos, não do mal menor”.
Akcja Demokracja, Apresentação de treinamento dos comitês cívicos, abr. 2023 (tradução)
Resumiu o resultado em duas frases: “As mulheres votaram. Os jovens votaram.” A campanha prometia às eleitoras um pacto: vocês entregam o voto, nós entregamos a pressão pela lei.
Marta Lempart, Strajk Kobiet, Comunicado pós-eleitoral do Polish Women's Strike, 17 out. 2023
A campanha não decidia pelas mulheres nem dizia em quem votar; só mostrava que elas tinham algo pelo que votar.
Organizadoras de “To Twój Wybór” (Inicjatywa Głos Kobiet e Fundação Batory), RMF24, lançamento de “To Twój Wybór”, 15 set. 2023
Mais 6 citações
Há mais de 3,6 milhões de mulheres de 18 a 34 anos, o dobro da população de Varsóvia; se metade não votar, as decisões sobre a vida delas serão tomadas sem elas.
Zofia Sanejko, Inicjatywa Głos Kobiet, RMF24, 15 set. 2023
Os entrevistados contaram que a quantidade de campanhas visíveis fez a eleição parecer decisiva e criou uma norma nova: “é preciso ir votar”. A raiva e o cansaço mobilizaram mais do que o entusiasmo.
Aleksandra Jaworska-Surma e equipe, Fundação Batory, Relatório “Fenomen wyborczej mobilizacji”, 2023–2024
Sobre os protestos de 2020: as pessoas “se viram, se contaram e sentiram a própria força”. Esse foi o ponto de virada que levou as mulheres jovens às urnas três anos depois.
Przemysław Sadura, sociólogo, Capítulo em “The Defeat of Populists in Poland”, FES, 1 mar. 2024 (tradução)
As celebridades que funcionaram postaram vídeos próprios, sem logo nem marca, explicando por que iam votar, embora coordenados dentro de uma campanha; os áudios da Fundação Basta, pagos por pequenos doadores, viralizaram.
Ewelina Kycia, ativista pró-democracia, Center for Digital Action, “How women and youth led a digital-driven progressive victory in Poland”
Na fila que durou até as 2h45, os vizinhos se conheceram, trocaram telefones e se revezaram cuidando das crianças; o conselho transformou o 15 de outubro num dia anual de integração do bairro.
Małgorzata Konieczna, presidente do conselho de moradores de Jagodno, wroclaw.pl, “Pocztówka z Jagodna”
Para os jovens poloneses, 2020 foi o ano de virada: os protestos fizeram a política entrar na vida cotidiana deles.
Dominik Kuc, GrowSPACE, Notes from Poland, “The growing frustration driving Poland's record youth turnout”, 11 ago. 2025
A história
Em 2020, a quase proibição do aborto levou centenas de milhares de pessoas às ruas de mais de 600 cidades.
Em 2020, a quase proibição do aborto levou centenas de milhares de pessoas às ruas de mais de 600 cidades. A lei não mudou, mas uma geração se viu numerosa. Em 2023, organizações nascidas ou fortalecidas nesses protestos, fundações, agências e prefeituras transformaram essa energia numa operação de participação eleitoral dirigida exatamente a quem nunca votava: jovens e mulheres jovens.
- 74,38%
- de comparecimento em 15 out. 2023, contra 61,74% em 2019oficial
- 46% → 69–71%
- comparecimento dos jovens de 18 a 29 anos, de 2019 para 2023estimativa
- 27
- campanhas cívicas apartidárias, com pelo menos 407 milhões de visualizaçõesestudo
- 1,4 M
- pedidos para votar fora do domicílio, contra cerca de 400 mil em 2019oficial
De 2020 às urnas
- 22–28 out. 2020O Tribunal Constitucional restringe o aborto. Em 28 de outubro há 410 manifestações com mais de 400 mil pessoas; os protestos duram cerca de 100 dias.
- 21 abr. 2023A Akcja Demokracja treina os primeiros comitês cívicos locais: apartidários, com marca comum, WhatsApp e Zoom.
- Ago. 2023O governo do PiS anuncia, entre 11 e 14 de agosto, as perguntas de um referendo no mesmo dia da eleição. ONGs e oposição respondem com campanhas para recusar a cédula.
- 7 set. 2023Gdańsk lança #NieŚpijBoCięPrzegłosują com gráficos gratuitos para qualquer prefeitura usar.
- 14–15 set. 2023A KO lança o ônibus “Kobiety na wybory”. A Inicjatywa Głos Kobiet e a Fundação Batory lançam “To Twój Wybór” com a caneta rosa.
- 1 out. 2023A KO reúne a Marcha de um Milhão de Corações em Varsóvia. Voluntários dos comitês cívicos distribuem folhetos na marcha.
- 9–12 out. 2023Um ônibus Ikarus percorre os campi de Wrocław para mudar o local de votação. Viraliza “Cicho już byłyśmy”. Prazo final: 1,4 milhão de pedidos no país e 608 mil inscritos no exterior.
- 15–16 out. 202374,38% de comparecimento. Em Jagodno (Wrocław), a última pessoa vota às 2h45. Filas em Haia, Londres e Palermo.
- 20 out.–3 nov. 2023A Batory pesquisa o efeito: 55% dos poloneses viram as campanhas, 65% entre os jovens.
Três camadas
A mobilização não teve um centro. Três camadas falaram ao mesmo tempo com os mesmos públicos, sem se coordenar formalmente, e foi a soma que criou a sensação de que “todo mundo vai votar”.
- Rede cívicaPelo menos 27 campanhas de ONGs, coletivos feministas, LGBT+, ambientais e de direitos humanos, quase todas digitais, algumas com TV, rádio e cinema. Celebridades e criadores falaram em nome próprio.
- Instituições locaisPrefeituras de grandes cidades e a União das Metrópoles Polonesas, universidades e conselhos de bairro cuidaram do lembrete e da logística: prazos, certificados, ônibus nos campi.
- Partidos da oposiçãoCampanhas próprias para mulheres e jovens, a grande marcha de 1º de outubro, anúncios pagos e a orientação para não pegar a cédula do referendo.
O que não se sabe. Não há prova causal do efeito das campanhas.
A Batory encontrou uma correlação: no relatório final, 81% de quem viu as campanhas disse ter votado, contra 63% de quem não viu (os resultados preliminares de novembro de 2023 davam 87–88% contra 74–77%). Estima que, sem a mobilização da reta final, o comparecimento teria sido cerca de 7 pontos menor, mas esse número vem do momento em que as pessoas disseram ter decidido votar. O comparecimento dos jovens varia conforme a fonte (68,8% na boca de urna da Ipsos; cerca de 70–71% em outras análises). Os números de alcance por campanha só existem para algumas, e o de “To Twój Wybór” vem da própria agência. Nem a Batory nem as fontes consultadas detalham o que fizeram, em 2023, a Kampania Przeciw Homofobii ou as redes locais do Strajk Kobiet além do comunicado nacional. Há dois vieses a mais: em pesquisas as pessoas declaram ter votado mais do que de fato votaram, e quem viu as campanhas tende a ser quem já se interessa por política. A diferença de 81% para 63% mistura efeito e seleção.
O terreno
A mobilização aconteceu num país com TV pública alinhada ao governo, um partido no poder com muito mais dinheiro para anúncios e um…
A mobilização aconteceu num país com TV pública alinhada ao governo, um partido no poder com muito mais dinheiro para anúncios e um eleitorado jovem que quase não votava. Estas foram as ferramentas e as condições que pesaram.
Plataformas
- Facebook e Instagram
- O principal canal das campanhas cívicas, com alcance orgânico e pago. Foi daí que veio a maior parte dos dados de alcance que o relatório da Batory conseguiu somar.
- YouTube e TV/rádio doados
- Os vídeos de “To Twój Wybór” tiveram 13 milhões de visualizações no YouTube, segundo a agência. Entre as 27 campanhas listadas pela Batory está uma feita com a rádio RMF, “Budzę się, idę na wybory” (Acordo e vou votar).
- TikTok
- A rede dos mais jovens. Algumas ONGs criaram perfis próprios, como “Orientuj się” (Stowarzyszenie 61 e Pacyfika), e a hashtag “Idź na wybory” somou bilhões de visualizações.
- WhatsApp, Zoom e grupos locais no Facebook
- A espinha dorsal dos comitês da Akcja Demokracja: um grupo de WhatsApp para coordenação, reuniões regulares por Zoom e um grupo “Akcja Wybory [cidade]” para cada localidade.
- gov.pl, Registro Central de Eleitores e mObywatel
- Em 2023 era possível mudar o local de votação pela internet até 12 de outubro, com Perfil de Confiança, e-dowód, banco on-line ou o app mObywatel. Foi o que permitiu a estudantes e trabalhadores fora de casa votarem onde estavam.
- Registro eletrônico do Ministério das Relações Exteriores
- Os poloneses no exterior se registravam on-line para votar num consulado; o sistema avisava quando uma seção estava lotada. Foram 608 mil inscritos.
- Papel e rua
- Adesivos “Idę na WYBO23”, estêncil para spray, 50 modelos de cartaz, barracas em festas locais, um grande despertador em Katowice e um ônibus Ikarus histórico nos campi de Wrocław.
Condições locais
- TV pública capturada: a TVP funcionava como porta-voz do governo, por isso o alcance para fora da bolha dependia de redes sociais, mídia privada e pessoas.
- Desigualdade de dinheiro: o PiS gastou cerca de 7,7 milhões de złoty em anúncios on-line contra 5,6–5,7 milhões da KO, além de campanhas pagas por empresas estatais e fundações próximas do governo.
- Uma ferida aberta: a decisão do Tribunal Constitucional de 22 de outubro de 2020 quase proibiu o aborto e levou centenas de milhares de pessoas às ruas em 2020; três anos depois, a lei continuava igual.
- Ponto de partida baixo: em 2019 só 46,4% dos jovens de 18 a 29 anos votaram, e meses antes de 2023 menos da metade das mulheres com menos de 34 anos dizia que ia votar.
- Um referendo do governo no mesmo dia (migração, privatizações, idade de aposentadoria): a oposição e ONGs pediram para recusar a cédula, e o referendo não atingiu os 50% necessários (cerca de 40%).
- Regras de logística apertadas: prazo de 12 de outubro para mudar o local de votação, seções sobrecarregadas nos bairros novos das grandes cidades e, no exterior, 24 horas para entregar a contagem, sob pena de anulação.
- Voto não obrigatório: o adversário a vencer era a abstenção, não a escolha de candidato.
- Muitos anúncios em redes sociais não estavam rotulados como eleitorais, o que dificultou medir e fiscalizar a campanha.
O método
Ninguém escreveu o manual antes.
Ninguém escreveu o manual antes. Ele aparece quando se juntam os documentos de treinamento da Akcja Demokracja, a pesquisa da Batory e as falas das organizadoras. São três frentes e um ciclo que se repetiu em dezenas de organizações.
Três frentes
- Transformar raiva em agência
- Pegar a energia de um protesto que não mudou a lei e dizer: agora a decisão é sua. O guarda-chuva preto dos protestos virou caneta rosa: “troquemos os guarda-chuvas por canetas”.
- Tirar o atrito
- Para quem estuda ou trabalha fora, o problema não era a vontade, era o registro. Prazos, formulários on-line, certificados e ônibus nos campi resolveram o obstáculo antes do dia da eleição.
- Criar uma norma social
- Dezenas de mensageiros diferentes, de prefeituras a cantoras, repetindo a mesma ideia sem logo de partido, até que votar parecesse o que todo mundo da sua idade ia fazer.
O ciclo de uma campanha de participação
Cada campanha bem-sucedida passou por estes passos, em escalas muito diferentes.
- Ouvir Pesquisa qualitativa com quem não pretende votar. Em 2023 surgiram duas barreiras, em paráfrase: a sensação de que não há ninguém em quem votar e a de que o voto não muda nada.
- Escolher o público Mulheres de 18 a 39 anos, jovens de 18 a 29, estudantes fora de casa, diáspora. Um público por campanha.
- Formular Mostrar que há algo pelo que votar, mesmo sem alguém em quem votar. Dizer o que está em jogo na vida concreta, não em quem votar.
- Abrir o kit Publicar gráficos, adesivos, estêncis e textos para qualquer pessoa, ONG ou prefeitura usar, com uma versão sem logo.
- Multiplicar mensageiros Celebridades, criadores, prefeituras, universidades e vizinhos falam em nome próprio, no próprio perfil, com as próprias palavras.
- Resolver a logística Antes do prazo de registro: como mudar o local de votação, onde pegar o certificado, como se inscrever no exterior. Levar o serviço até onde as pessoas estão.
- Último quilômetro Lembrete no dia, votar cedo, ficar na fila mesmo depois do fechamento das urnas, porque quem está na fila às 21h vota. Peça um plano: a que horas, de onde sai, com quem vai. Em experimento nos EUA, chamadas que pediam um plano de voto aumentaram a participação em 4,1 pontos entre os contatados, e em 9,1 pontos em casas com um só eleitor (Nickerson e Rogers, 2010).
- Medir e devolver Pesquisa pós-eleitoral com quem votou pela primeira vez, publicada para todo o setor aprender.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para organizar uma campanha de participação no estilo polonês, seja você uma ONG, um coletivo, uma prefeitura ou uma coalizão.
O que é preciso para organizar uma campanha de participação no estilo polonês, seja você uma ONG, um coletivo, uma prefeitura ou uma coalizão. Funciona melhor quando muitas organizações fazem isso ao mesmo tempo.
Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Na Polônia, o trabalho foi feito por muitas equipes pequenas. Uma operação mínima precisa destes papéis, mesmo que uma pessoa acumule vários.
Equipe mínima
- Articulação
- Uma fundação ou mesa de coalizão que conhece as outras campanhas, evita sobreposição, consegue mídia doada e financia a medição. Na Polônia, a Fundação Batory apoiou campanhas (com a Inicjatywa Głos Kobiet e com a rádio RMF) e encomendou a medição depois da eleição; as fontes não descrevem uma coordenação formal entre as campanhas.
- Pesquisa
- Grupos focais e uma pesquisa curta antes de criar, para achar a barreira real do público. Depois da eleição, a mesma equipe mede o efeito.
- Criação
- Agência ou coletivo que transforma a barreira em conceito e símbolo. “To Twój Wybór” teve apoio de especialistas de comunicação pro bono; segundo o estudo de caso da própria agência, a VML Poland desenvolveu o conceito e o testou em pesquisa qualitativa.
- Comitês locais
- Voluntários que montam barracas, colam adesivos, organizam debates e levam o kit para cidades pequenas. A Akcja Demokracja reuniu aposentados, estudantes, ex-opositores do comunismo e pessoas sem experiência. Os comitês também transmitiram debates com candidatos e participaram da fiscalização cidadã das eleições e da verificação da acessibilidade das seções para pessoas com deficiência.
- Parcerias institucionais
- Prefeituras, universidades e associações de moradores que cuidam de prazos, certificados, locais e transporte.
- Mensageiros
- Pessoas com audiência que gravam o próprio vídeo, sem logo, explicando por que vão votar. Alguém da equipe só coordena o calendário e confere as informações.
- Conformidade
- Confere a lei eleitoral, o silêncio eleitoral, a rotulagem de anúncios e a origem do dinheiro antes de publicar.
Ritmo da campanha
- 6 meses antesTreinar comitês locais e combinar regras: reuniões por vídeo a cada poucas semanas e um grupo de mensagens por região.
- 8 semanas antesPublicar o kit aberto e a hashtag comum para quem quiser aderir.
- 4–5 semanas antesLançar as campanhas de massa para cada público, com porta-vozes e mídia doada.
- 2 semanas antesGrande momento coletivo: marcha, evento ou data simbólica que domina as redes.
- Semana do prazoTudo sobre registro: como mudar o local de votação, ônibus nos campi, inscrição no exterior. Contagem pública de quem já se registrou.
- Dia da eleiçãoVotar cedo, levar alguém junto, ficar na fila. Nada que viole o silêncio eleitoral.
- DepoisPesquisa com eleitores novos e publicação dos resultados.
Na Polônia, muitos jovens decidiram votar só no último mês ou na última semana. Guarde energia e orçamento para a reta final e para a semana do prazo de registro.
Plano B
- Muitas campanhas independentes em vez de uma: se uma falha ou é atacada, as outras continuam.
- Uma versão do kit sem logo, para que qualquer organização possa usar mesmo se a sua marca virar alvo.
- Material impresso e estêncil para quando o alcance on-line cair ou os anúncios forem barrados.
- Uma lista própria de contatos com consentimento, para não depender de uma plataforma.
- Informação sobre filas e seções lotadas em tempo real no dia, com orientação para não sair da fila.
Tecnologia
Ferramentas baratas. Pesaram mais a mídia doada, o trabalho pro bono e o tempo de voluntários.
- Páginas e anúncios no Facebook e InstagramGrátis; anúncios conforme orçamento
Canal principal de alcance em 2023. Hoje é diferente: desde 6 de outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais na UE, e o Google também deixou de aceitá-los em 2025. Na UE, conte com orgânico, mensageiros, criadores com parceria declarada, mídia doada e rua.
- Vídeo curto (YouTube, TikTok, Reels)Grátis
Spots da campanha e vídeos gravados pelos próprios mensageiros. Um perfil temático próprio no TikTok funcionou para algumas ONGs.
- Grupos de WhatsApp por regiãoGrátis
Coordenação dos comitês locais: avisos, pedidos de material, dúvidas.
- Reuniões por vídeoGrátis a poucos euros por mês
Encontros regulares com todos os comitês, com as mesmas regras: câmera ligada, ninguém interrompe, qualquer pessoa pode liderar.
- Grupos locais no FacebookGrátis
Um grupo por cidade para recrutar e marcar barracas, debates e colagens.
- Página do kit abertoGrátis a 10 €/ano
Download de cartazes, adesivos, estêncis e gráficos, com versão sem logo. Gdańsk publicou o seu em niespij.pl.
- Formulário de adesãoGrátis
“Junte-se aos comitês”: nome, cidade, contato e consentimento explícito.
- Links para os serviços oficiaisGrátis
Links diretos e QR codes para mudar o local de votação, pedir certificado ou se inscrever no exterior, com o prazo em destaque.
- Material de ruaImpressão e transporte
Adesivos, cartazes, estêncil, barraca em festas locais e um ônibus ou ponto móvel nos campi.
- Pequenas doaçõesTaxa da plataforma
Vaquinha ou plataforma de apoiadores recorrentes para uma peça específica, como os áudios da Fundação Basta.
- Pesquisa antes e depoisPro bono ou orçamento próprio
Grupos focais e pesquisa telefônica e on-line para achar a barreira e medir o efeito. A Batory conseguiu institutos de pesquisa pro bono: a Research Collective preparou e coordenou o estudo, a GfK e a IQS fizeram o campo on-line por iniciativa da associação dos institutos (OFBOR), e a PBS ajudou na análise.
- Registro de açõesGrátis
Planilha com cada peça, público, canal, data, alcance e quem aprovou. Serve para medir e para prestar contas.
Colunas do registro
Data · Campanha / organização · Público-alvo · Canal · Peça (link) · Pago ou orgânico · Alcance · Rótulo de anúncio político (sim/não) · Quem aprovou
Os orçamentos das campanhas cívicas não foram publicados. Sabe-se que houve trabalho pro bono de agências e institutos de pesquisa, mídia doada e, no caso dos comitês da Akcja Demokracja, cofinanciamento dos EEA/Norway Grants (Fundo para Cidadãos Ativos).
Comunicação
O tom vencedor reconheceu a raiva e o cansaço das pessoas e devolveu a decisão a elas. Nenhuma das campanhas cívicas que funcionaram disse em quem votar.
A fórmula de uma mensagem de participação
- Quem fala Uma pessoa real, do mesmo grupo do público, falando em nome próprio.
- O que está em jogo Algo concreto da vida dela: corpo, aluguel, salário, escola, clima. Não um partido.
- A emoção reconhecida Dizer em voz alta o cansaço ou a raiva: “já ficamos caladas”.
- O número que dá força “Somos 3,6 milhões”, “somos 52% da população”. O público se conta.
- A ação e o prazo Mudar o local de votação até o dia X; votar no dia Y.
- O símbolo Um objeto ou gesto fácil de copiar: a caneta rosa, um despertador.
Regras de escrita
- Não diga em quem votar. Diga por que vale a pena votar.
- “Algo para votar” funciona melhor que “alguém para votar”.
- Reaproveite os símbolos do protesto e dê a eles um novo gesto: do guarda-chuva à caneta.
- Deixe os mensageiros usarem as próprias palavras e o próprio perfil, sem logo.
- Fale do prazo de registro antes de falar do dia da eleição.
- Um público por peça. Mulheres de 18 a 34 anos não são jovens homens de 18 a 29.
- Mostre o tamanho do grupo: as pessoas votam quando acham que os outros também vão. Diga quantos vão votar, não quantos ficam em casa: em experimentos, “muita gente vota” motivou mais do que “muita gente não vota”, sobretudo entre quem vota pouco (Gerber e Rogers, 2009).
- Rotule todo anúncio pago e diga quem paga.
Exemplo
Você não tem em quem votar? Tudo bem. Mas tem algo pelo que votar: o seu corpo, o seu aluguel, a sua escola. Somos 3,6 milhões de mulheres entre 18 e 34 anos. E cada vez mais de nós vamos votar. Vai estar fora da sua cidade no domingo? Mude o local de votação até quinta-feira, 23h59, neste link: [link]. Já ficamos caladas. Agora é a nossa vez. Mensagem da [organização], que não apoia nenhum partido.
Levar para o seu contexto
Parte do que funcionou na Polônia funciona em qualquer lugar; outra parte dependia de regras e redes polonesas.
Parte do que funcionou na Polônia funciona em qualquer lugar; outra parte dependia de regras e redes polonesas. Veja o que trocar.
Funciona em qualquer lugar
- Comece pela barreira real de quem não vota, descoberta em pesquisa, e não pelo que a sua organização quer dizer.
- Uma mobilização de protesto pode virar mobilização eleitoral se alguém fizer a ponte e der um novo gesto ao símbolo antigo.
- Muitas campanhas independentes com a mesma norma vencem uma campanha central com uma só marca.
- Remover o atrito do registro e do deslocamento rende mais do que mais um vídeo motivacional.
- Mensageiros falando em nome próprio, sem logo, passam por cima da desconfiança nas instituições.
- Medir depois, com dados públicos, faz o setor inteiro aprender para a próxima eleição.
Depende do contexto
- Mudança de local de votação on-line (Registro Central de Eleitores)
- Onde há registro prévio de eleitores, faça campanha de inscrição com prazo; no Brasil, foque na transferência de título e na data de fechamento do cadastro, meses antes da eleição.
- Voto facultativo
- Onde o voto é obrigatório, o adversário é a abstenção de fato e o voto nulo: troque “vá votar” por “não deixe outros decidirem” e por logística (transporte, documento, justificativa).
- Facebook e Instagram como canal principal
- Onde o WhatsApp ou o Telegram dominam, use canais e listas com consentimento; onde o TikTok é central para jovens, crie um perfil temático em vez de só impulsionar spots.
- Prefeituras aliadas (União das Metrópoles)
- Onde as prefeituras são hostis ou neutras, troque por universidades, sindicatos estudantis, clubes esportivos e associações de moradores para a logística.
- Uma fundação articuladora (Batory)
- Sem uma fundação grande, monte uma mesa de coalizão com reunião semanal e um documento compartilhado com o calendário de todas as campanhas.
- Aborto como tema que tornou o voto concreto
- Escolha o tema que já levou o seu público para a rua ou que mexe com a vida dele: aluguel, clima, salário, segurança, liberdade.
- Diáspora com registro consular
- Onde a diáspora vota por correio ou on-line, a campanha é de prazos e envio; onde precisa ir ao consulado, organize caronas e informação sobre filas.
Jogadas para levar
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit. Cada uma funciona sozinha ou combinada com jogadas de outros playbooks.
-
Algo para votar, não alguém
Uma mensagem de participação que não diz em quem votar: mostra o que está em jogo na vida concreta do público, reconhece a raiva e faz o grupo se contar. Na Polônia, “To Twój Wybór” trocou o guarda-chuva preto dos protestos pela caneta rosa, e o comparecimento dos jovens de 18 a 29 anos subiu de 46% para cerca de 69–71%, sem prova de que as campanhas tenham causado o salto.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando o público já tem uma causa que o levou à rua, mas acha que não há ninguém em quem votar ou que o voto não muda nada.
- Não use quando
- Não funciona se a campanha se diz apartidária e pede voto num partido, nem quando mistura públicos: mulheres de 18 a 34 anos não são homens de 18 a 29.
- Semana −24 Fazer grupos focais com quem não pretende votar para achar a barreira real
- Semana −20 Escolher um público por campanha e o tema que já o levou à rua
- Semana −16 Testar três ou mais conceitos com o público e escolher o símbolo e a hashtag
- Semana −6 Recrutar mensageiros que gravam o próprio vídeo, sem logo, com as próprias palavras
- Semana −5 Lançar a campanha com o número que conta o grupo e o prazo de registro
- Semana −1 Montar barracas e debates onde o público está e recolher compromissos de voto
- 2 semana(s) depois Pesquisar os eleitores novos depois da votação e publicar o que funcionou
Equipe
- Pesquisa: grupos focais antes e medição do efeito depois
- Criação: transforma a barreira em conceito e símbolo, muitas vezes pro bono
- Mensageiros: gravam o próprio vídeo, sem logo, explicando por que vão votar
O que medir: Compromissos de voto assinados pelo público-alvo nas barracas e no formulário e, depois, a proporção deles que diz ter votado na pesquisa pós-eleitoral. As visualizações não contam.
Riscos a vigiar: A fronteira apartidária é frágil: identifique quem fala e quem paga em cada peça, rotule os anúncios e publique a origem do dinheiro antes que o outro lado pergunte.
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Kit aberto, sem logo, para quem quiser
Gráficos, cartazes, adesivos, estêncis e textos publicados para qualquer pessoa, ONG ou prefeitura usar, com uma versão sem logo e uma hashtag comum. Na Polônia, Gdańsk publicou os gráficos de #NieŚpijBoCięPrzegłosują para qualquer prefeitura usar, e Wrocław e Katowice levaram a campanha para a rua.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando muitas organizações querem falar com o mesmo público e a sua marca não precisa aparecer para a norma pegar.
- Não use quando
- Não funciona se o kit traz informação eleitoral errada ou desatualizada, nem se cada aderente muda a mensagem a ponto de perder a norma comum.
- Semana −10 Escrever a norma comum numa frase e escolher a hashtag
- Semana −9 Produzir cartazes, adesivos, estêncis e textos, com versão sem logo
- Semana −8 Publicar o kit numa página de download, com instruções de uso
- Semana −8 Convidar prefeituras, universidades, ONGs e associações de moradores a aderir
- Semana −6 Pedir a cada aderente que registre onde usou o material
- Semana −2 Atualizar o kit com os prazos e os links oficiais da reta final
Equipe
- Criação: produz o kit e a versão sem logo
- Parcerias institucionais: levam o kit a prefeituras, universidades e associações
- Conformidade: confere a informação eleitoral e as regras de cartazes
O que medir: Organizações e comitês que usaram o kit na rua (cartazes colados, barracas montadas, faixas) e registraram isso no formulário, por cidade.
Riscos a vigiar: Uma marca sem dono pode ser copiada por impostores com informação falsa: publique o kit numa página oficial, date cada versão e diga onde conferir os prazos.
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Comitês cívicos locais, marca comum
Uma rede de comitês locais apartidários, que defendem pautas e não candidatos, sob uma marca comum mas com liberdade local, coordenados por WhatsApp e reuniões por vídeo. Na Polônia, a Akcja Demokracja os treinou a partir de abril de 2023 com um orçamento que os próprios organizadores chamaram de “microscópico”.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando o adversário tem mais dinheiro e mídia e você tem gente espalhada: aposentados, estudantes, vizinhos sem experiência.
- Não use quando
- Não funciona com uma sede que quer aprovar cada ação, nem com comitês que viram braço de um partido sem declarar.
- Semana −26 Treinar os primeiros comitês e combinar regras comuns por vídeo
- Semana −25 Abrir o formulário de adesão com consentimento e um grupo de mensagens por região
- Semana −24 Criar um grupo local por cidade para recrutar e marcar ações
- Semana −20 Fazer reuniões por vídeo a cada poucas semanas: câmera ligada, qualquer um pode liderar
- Semana −8 Levar o kit para cidades pequenas: barracas em festas locais, debates, colagens
- Semana −2 Distribuir material nos grandes momentos coletivos da reta final
- 4 semana(s) depois Manter os comitês vivos para a próxima eleição
Equipe
- Coordenação: treina os comitês e mantém as regras comuns
- Comitê local: monta barracas, cola adesivos e organiza debates
- Conformidade: confere a lei eleitoral e as regras de anúncio antes de cada ação
O que medir: Turnos de rua cumpridos por comitê por semana (barracas, debates, colagens); se um comitê para, ligue para ele antes de mandar mais material.
Riscos a vigiar: Comitês cofinanciados por fundações viram alvo de suspeita: publique quem financia, declare se tem lado e respeite o silêncio eleitoral.
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A semana do prazo de registro
Antes de falar do dia da eleição, resolver o registro: como mudar o local de votação, pedir o certificado ou se inscrever no exterior, levando o serviço até onde as pessoas estão. Na Polônia, um ônibus percorreu os campi de Wrocław, e os pedidos para votar fora do domicílio chegaram a 1,4 milhão, contra cerca de 400 mil em 2019.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona onde há registro prévio ou mudança de local com prazo e muitos eleitores (estudantes, trabalhadores, emigrantes) estão longe de casa.
- Não use quando
- Não funciona com informação eleitoral errada nem depois do prazo: no Brasil, por exemplo, o cadastro fecha meses antes da eleição.
- Semana −12 Anotar todos os prazos oficiais de registro, mudança de local e voto no exterior
- Semana −6 Criar links diretos e QR codes para os serviços oficiais, com o prazo em destaque
- Semana −4 Combinar com universidades e prefeituras um ponto móvel nos campi e bairros novos
- Semana −2 Fazer uma campanha só sobre o prazo, em todos os canais
- Semana −2 Levar o ponto móvel aos campi e ajudar cada pessoa a fazer o pedido na hora
- Semana −1 Divulgar todos os dias quantas pessoas já se registraram
Equipe
- Logística: monta o ponto móvel e os turnos nos campi
- Parcerias institucionais: universidades, prefeituras e associações de moradores
- Conformidade: confere cada prazo e documento antes de publicar
O que medir: Pedidos de mudança de local ou de inscrição no exterior feitos no ponto móvel ou com a ajuda de um voluntário, contados no próprio dia, por local.
Riscos a vigiar: Um prazo errado tira votos de quem você quer ajudar: confira tudo na fonte oficial, nunca recolha senhas ou documentos de ninguém e deixe a pessoa fazer o pedido no próprio celular.
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Ir cedo, levar alguém, ficar na fila
O último quilômetro: lembrete antes do silêncio eleitoral, votar cedo, levar alguém junto e não sair da fila, porque quem está na fila no fechamento vota. Na Polônia, em Jagodno (Wrocław), a última pessoa votou às 2h45, e houve filas em Haia, Londres e Palermo.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona nos últimos dias, quando o público já decidiu votar e o obstáculo passa a ser a logística e o cansaço.
- Não use quando
- Não funciona se viola o silêncio eleitoral, nem substitui a pressão sobre o Estado por seções e urnas suficientes.
- Semana −2 Recolher compromissos “vou votar e levo alguém”, com consentimento para um lembrete
- Semana −1 Confirmar com a fonte oficial se lembretes neutros são permitidos no dia
- Semana −1 Mandar o último lembrete antes do silêncio eleitoral
- Semana do dia D Avisar que quem está na fila no fechamento vota
- Semana do dia D Acompanhar filas e seções lotadas, com voluntários trocando informações
- 1 semana(s) depois Perguntar a quem se comprometeu se votou e agradecer sem fazer campanha
Equipe
- Lista: guarda os compromissos com consentimento e manda o lembrete
- Monitores de fila: informam sobre seções lotadas, dentro da lei
- Conformidade: confere o que o silêncio eleitoral permite
O que medir: Compromissos “vou votar e levo alguém” cumpridos, confirmados pela resposta no dia seguinte, em proporção aos compromissos feitos.
Riscos a vigiar: Quando votar vira assunto de todos, aparecem impostores; houve SMS falsos que se passavam pelo PiS. Mande só para quem pediu, assine cada mensagem e respeite o silêncio eleitoral.
Praticar
Treine com as missões e situações do caso.
Decida como organizadora
Seis decisões de 2023. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.
Plano de 12 semanas
A sequência polonesa adaptada como lista de verificação.
A sequência polonesa adaptada como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Semanas 1–3: Ouvir e organizar
Semanas 4–6: Construir
Semanas 7–9: Lançar
Semanas 10–11: Prazo de registro
Semana 12: Votar
Depois
Regras
Campanhas de participação vivem de confiança.
Campanhas de participação vivem de confiança. Se forem apartidárias, têm de ser de verdade; se tiverem lado, têm de dizer.
- Diga quem fala e quem paga
- Cada peça identifica a organização responsável. Todo anúncio pago leva o rótulo político ou eleitoral da plataforma. Na Polônia, muitos não levaram, e isso atrapalhou a fiscalização.
- Apartidário é apartidário
- Se você se apresenta como cívico, não diga em quem votar e não use a campanha para um partido. Se tem lado, declare.
- Dinheiro às claras
- Publique de onde vem o financiamento. Em 2025, a imprensa revelou que uma fundação de participação tinha recebido, em 2023 e 2024, quase 1 milhão de złoty de fundações de empresas estatais, e a direita usou isso para contestar a independência da campanha dela.
- Respeite o silêncio eleitoral
- Onde a lei proíbe campanha na véspera e no dia, pare. Lembretes neutros só se forem permitidos.
- Consentimento
- Só mande mensagem a quem pediu. RGPD e LGPD valem também para ONGs.
- Só gente real
- Nada de perfis falsos, bots, influenciadores pagos sem aviso ou mensagens que se passam por outra pessoa ou partido.
- Informação eleitoral exata
- Prazos, documentos e locais têm de estar certos. Um erro aqui tira votos de quem você quer ajudar.
- Regras da UE e do seu país
- Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e o Google deixou de veicular publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que inclui também campanhas de ONGs que não nomeiam partido, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Nas orientações da Comissão de outubro de 2025, uma campanha paga para aumentar a participação conta como publicidade política mesmo sem dizer em quem votar; só as mensagens de fontes oficiais sobre como e quando votar ficam de fora. Confirme com um advogado as regras nacionais antes de começar. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não prova causa
- As pesquisas mostram correlação entre ver as campanhas e votar, não efeito causal. A raiva contra o governo, a inflação e a polarização também levaram gente às urnas.
- Não escolhe a direção
- A mobilização jovem também ajudou a extrema direita: entre os homens de 18 a 29 anos, 26,3% votaram na Konfederacja, contra 6,3% das mulheres.
- Não dura sozinho
- Sadura notou que só 33% dos jovens diziam ter certeza de que votariam nas europeias de 2024. Promessas não cumpridas, como a do aborto, afastaram depois parte das jovens.
- Não resolve a infraestrutura
- Filas de seis a oito horas, seções subdimensionadas e o prazo de 24 horas para contar votos no exterior podem anular o esforço. É preciso pressionar o Estado também.
- A fronteira apartidária é frágil
- Campanhas dirigidas a públicos que tendem a um lado são lidas como partidárias pelo outro. A defesa é publicar quem paga e quem assina.
- Abre espaço para impostores
- Quando votar vira assunto de todos, aparecem mensagens falsas. Os SMS de hackers que se passavam pelo PiS mostram o risco.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Para ir mais longe
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
- The network effect: How WhatsApp messaging boosted turnout in Italy
Como mensagens de WhatsApp entre conhecidos ajudaram a mobilizar o voto no referendo italiano de 2026. Referência para campanhas relacionais em aplicativos de mensagem.
- Over 500,000 signatures in 50 days: How an Italian petition became a mass mobilization
Como uma petição italiana virou movimento nacional por um referendo, com metas, ritmo diário e rede de voluntários. Também disponível em italiano no mesmo site.
- How 80% turnout ended 16 years of autocratic rule
Webinar sobre a eleição húngara de 2026: como uma participação recorde encerrou o ciclo de Orbán. Requer conta gratuita.
Mais 3
- How Europe’s ad ban will build better campaigns
Com Meta e Google retirando anúncios políticos da UE, o texto mostra como compensar com listas próprias, conteúdo orgânico e organização.
- Mobilising Campaign Supporters' Social Influence
Pesquisa sobre que pedidos levam apoiadores a falar com amigos e família sobre a campanha. Base de evidência para programas relacionais.
- Relational SMS: Can a Text to Activists Ripple Out?
Teste sobre se uma mensagem aos próprios ativistas se espalha para vizinhos e conhecidos. Útil para desenhar ações relacionais com a base que já consentiu.
Fontes
Playbook construído com documentos das próprias organizações, o relatório pós-eleitoral da Fundação Batory, análises acadêmicas e imprensa…
Playbook construído com documentos das próprias organizações, o relatório pós-eleitoral da Fundação Batory, análises acadêmicas e imprensa polonesa e internacional, consultados até 26 de outubro de 2026.
46 fontes
Quem fez
- Fundação Batory — Fenomen wyborczej mobilizacji (relatório) 2023–2024
- Fundação Batory — Wyniki badania skuteczności kampanii profrekwencyjnych 2023 nov. 2023
- Akcja Demokracja — Społeczne sztaby wyborcze (apresentação de treinamento) 21 abr. 2023
- Akcja Demokracja — Społeczne sztaby
- Akcja Demokracja — Akcja Wybory (kit IdęNaWYBO23)
- Polish Women's Strike — Protested in 2020, then voted in 2023 (European Civic Forum) 17 out. 2023
- Polish Women's Strike — comunicado pós-eleitoral (PDF) out. 2023
- RMF24 — Zachęcić Polki do głosowania: symbolem kampanii będzie różowy długopis 15 set. 2023
- VML — It's your choice (estudo de caso da agência)
- Warto Wiedzieć — Weź udział w kampanii #NieŚpijBoCięPrzegłosują 7 set. 2023
- Uniwersytet Wrocławski — Nie śpij, bo Cię przegłosują 10 out. 2023
- wroclaw.pl — Studenci z akademików też mogą głosować we Wrocławiu out. 2023
- wroclaw.pl — Pocztówka z Jagodna: krasnal upamiętni najwytrwalszych głosujących
Dados
- wroclaw.pl — Wrocław idzie na frekwencyjny rekord: dziesiątki tysięcy zgłoszeń 11 out. 2023
- wroclaw.pl — Rekordowa frekwencja wyborcza we Wrocławiu 20 out. 2023
- Fundação Batory — Obraz kampanii w mediach (anúncios on-line, resumo) 2024
- Wikipedia — 2023 Polish referendum
- Meta — Ending political, electoral and social issue advertising in the EU (Jul 2025, updated Oct 2025) 2025-07
- Google Ads — Update to Political Content policy (September 2025) 2025-09
- European Commission — Guidelines to support the implementation of Regulation (EU) 2024/900 on the transparency and targeting of political advertising (C/2025/5514) 2025-10-10
Imprensa
- Śląska Opinia — Budzik na placu Kwiatowym w Katowicach przypomina o wyborach 3 out. 2023
- Spider's Web — Kampania „Cicho już byłyśmy” 11 out. 2023
- OKO.press — To Polki pogoniły Kaczyńskiego (Piotr Pacewicz) 17 out. 2023
- Notes from Poland — Polish opposition launch campaign to mobilise female voters 15 set. 2023
- Notes from Poland — Record 608,000 register to vote abroad 12 out. 2023
- Notes from Poland — Some overseas votes certain not to be counted in time, says spokesman 13 out. 2023
- Notes from Poland — “I've never been so happy to stand in a queue”: Poles abroad vote in record numbers 16 out. 2023
- Notes from Poland — The growing frustration driving Poland's record youth turnout 11 ago. 2025
- Euronews — More than half a million Poles abroad register to vote 11 out. 2023
- Money.pl — Głosowali do 3 w nocy out. 2023
- Infor — Chcesz zmienić miejsce głosowania? Możesz to zrobić online 2023
- Forbes Polska — Siła kobiecego głosu 11 out. 2023
- Android.com.pl — Akcja hakerów #GłosujNaPiS: SMS-y przed wyborami 16 dez. 2024
- Demagog — Nieczyste zagrywki w kampanii wyborczej 2025
Análise
- Center for Digital Action — How women and youth led a digital-driven progressive victory in Poland (Ewelina Kycia)
- FES — The Defeat of Populists in Poland (Sadura, Wojciechowski, Sutowski e outros) 1 mar. 2024
- UMCS — Dziemidok-Olszewska e Michalczuk-Wlizło, Kobiety a wybory parlamentarne 2023 2024
- Fundação Geremek — Przegląd kampanii profrekwencyjnych (europeias 2024) 2024
- Jacek Kucharczyk (ISP) — apresentação sobre as eleições polonesas de 2023
- NDI — Major voter turnout in Poland's 2023 parliamentary elections
- EESC — Polish civil society and the 2023 elections (Małgorzata Molęda-Zdziech) jan. 2024
- Heinrich Böll Stiftung — Politics against women (Aleksandra Janowska) 28 set. 2023
- Rosa-Luxemburg-Stiftung — Women will decide the outcome of Poland's elections (Zuzanna Dąbrowska) out. 2023
- Manchester Historian — What is the future of the Polish Women's Strike? 2023
- ISPS Yale — Gerber & Rogers, Descriptive Social Norms and Motivation to Vote: Everybody's Voting and So Should You (Journal of Politics) 2009
- Nickerson & Rogers — Do You Have a Voting Plan? Implementation Intentions, Voter Turnout, and Organic Plan Making (Psychological Science, PDF) 2010
Imagem: Silar, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado em 26 de outubro de 2026
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