DIYfor change
PT-PT
Urna cheia de boletins de voto nas eleições de 2023 na Polónia

Polónia · 2023

A multicampanha

A 15 de outubro de 2023, 74,38% dos polacos votaram, recorde desde a queda do comunismo. Campanhas, autarquias e artistas fizeram do voto uma norma, sem comando único.

Uma homenagem às organizadoras e aos organizadores do Strajk Kobiet, da Akcja Demokracja, da Inicjatywa Głos Kobiet, da Wschód, da Fundação Batory e às pessoas que esperaram até às 2h45 na fila de Jagodno.

Em 30 segundos

  1. 74,38%. Foi a participação na Polónia a 15 de outubro de 2023. O PiS ficou em primeiro, mas perdeu a maioria.

  2. 46,4% → cerca de 69–71%. A participação dos jovens dos 18 aos 29 anos disparou de 2019 para 2023; as mulheres votaram mais do que os homens.

  3. Pelo menos 27 campanhas apartidárias de ONG, kits abertos para câmaras municipais, autocarros nos campi para mudar o local de voto e celebridades a falar em nome próprio.

  4. Pelo menos 407 milhões de visualizações, somadas sem comando único, com redes locais herdadas dos protestos de 2020.

  5. As campanhas transformaram a raiva do protesto em “algo pelo que votar”, eliminaram obstáculos à inscrição antes do prazo e deixaram dezenas de mensageiros repetir a mesma norma.

Os primeiros passos

  1. Mapear as outras organizações que vão fazer campanhas de participação
  2. Abrir uma mesa de coligação com reunião fixa
  3. Fazer grupos focais com quem não tenciona votar

Experimentar já Adaptar com o coach

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Quem fez

Esta foi uma mobilização sem general.

Esta foi uma mobilização sem general. Seguem-se as pessoas e organizações que planearam, executaram e depois mediram as campanhas, com os sítios onde contaram o que fizeram.

  • Marta Lempart (Ogólnopolski Strajk Kobiet)

    Líder da Greve Nacional das Mulheres

    Coordenou os protestos de 2020 em mais de 600 cidades e, em 2023, a campanha “Vota pelo aborto!”, dirigida a quem tinha ido para a rua.

    Fontes
  • Bogumił Kolmasiak e Anna Tomaszewska (Akcja Demokracja)

    Organizadores dos “sztaby społeczne” (comités cívicos de campanha)

    Formaram, desde abril de 2023, uma rede de comités locais apartidários com kit comum, grupos de WhatsApp e reuniões por Zoom, sob a marca “Idę na #WYBO23” (Vou às #ELEIÇÕES23).

    Fontes
  • Zofia Sanejko (Inicjatywa Głos Kobiet)

    Porta-voz da coligação de mais de uma dezena de organizações de direitos das mulheres

    Lançou com a Fundação Batory a campanha “To Twój Wybór” (A escolha é tua), com a caneta cor-de-rosa como símbolo, dirigida a mulheres dos 18 aos 34 anos.

    Fontes
  • Ewa Kulik-Bielińska (Fundação Stefan Batory)

    Dirigente da fundação que apoiou e financiou campanhas e mediu o seu efeito

    Apoiou a campanha das mulheres; no lançamento, lembrou que há áreas em que os governantes retiram ou limitam o direito de escolha das mulheres.

    Fontes
  • Aleksandra Jaworska-Surma, Edwin Bendyk e Szymon Gutkowski

    Autores do relatório “Fenomen wyborczej mobilizacji” (Fundação Batory)

    Listaram as 27 campanhas, somaram o alcance e conduziram um inquérito e grupos focais com os novos eleitores logo depois da votação.

    Fontes
  • Anna Pięta (Inicjatywa Wschód)

    Ativista da organização que fez o vídeo “Cicho już byłyśmy” (Já estivemos caladas)

    Defendeu publicamente a campanha mais viral dos últimos dias, dirigida a mulheres jovens que não tencionavam votar.

    Fontes
  • Câmara Municipal de Gdańsk e União das Metrópoles Polacas

    Autoras da campanha municipal “Nie śpij, bo cię przegłosują” (Não durmas, senão votam por ti)

    Publicaram grafismos gratuitos para qualquer câmara municipal usar com a mesma hashtag; Wrocław e Katowice levaram a campanha para a rua.

    Fontes
  • Przemysław Sadura (Universidade de Varsóvia / Krytyka Polityczna)

    Sociólogo que fez grupos focais com eleitores jovens depois da eleição

    Identificou dois grupos de novos eleitores: mulheres jovens ativadas pelos protestos de 2020 e pessoas trazidas pelas campanhas de participação.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Paráfrases do que organizadores e investigadores disseram ou escreveram, com citações curtas traduzidas quando a frase é essencial.

Paráfrases do que organizadores e investigadores disseram ou escreveram, com citações curtas traduzidas quando a frase é essencial.

Mais 6 citações

A história

Em 2020, a quase proibição do aborto levou centenas de milhares de pessoas às ruas de mais de 600 cidades.

Em 2020, a quase proibição do aborto levou centenas de milhares de pessoas às ruas de mais de 600 cidades. A lei não mudou, mas uma geração percebeu que era numerosa. Em 2023, organizações nascidas ou reforçadas nesses protestos, fundações, agências e câmaras municipais transformaram essa energia numa operação de participação eleitoral dirigida exatamente a quem nunca votava: jovens e mulheres jovens.

74,38%
de participação a 15 out. 2023, contra 61,74% em 2019oficial
46% → 69–71%
participação dos jovens dos 18 aos 29 anos, de 2019 para 2023estimativa
27
campanhas cívicas apartidárias, com pelo menos 407 milhões de visualizaçõesestudo
1,4 M
pedidos para votar fora do local de residência, contra cerca de 400 mil em 2019oficial

De 2020 às urnas

  1. 22–28 out. 2020O Tribunal Constitucional restringe o aborto. A 28 de outubro há 410 manifestações com mais de 400 mil pessoas; os protestos duram cerca de 100 dias.
  2. 21 abr. 2023A Akcja Demokracja dá formação aos primeiros comités cívicos locais: apartidários, com marca comum, WhatsApp e Zoom.
  3. Ago. 2023O governo do PiS anuncia, entre 11 e 14 de agosto, as perguntas de um referendo no mesmo dia da eleição. ONG e oposição respondem com campanhas para recusar o boletim.
  4. 7 set. 2023Gdańsk lança #NieŚpijBoCięPrzegłosują com grafismos gratuitos para qualquer câmara municipal usar.
  5. 14–15 set. 2023A KO lança o autocarro “Kobiety na wybory” (Mulheres às urnas). A Inicjatywa Głos Kobiet e a Fundação Batory lançam “To Twój Wybór” com a caneta cor-de-rosa.
  6. 1 out. 2023A KO organiza a Marcha de Um Milhão de Corações em Varsóvia. Voluntários dos comités cívicos distribuem folhetos na marcha.
  7. 9–12 out. 2023Um autocarro Ikarus percorre os campi de Wrocław para mudar o local de voto. “Cicho już byłyśmy” torna-se viral. Prazo final: 1,4 milhões de pedidos no país e 608 mil inscritos no estrangeiro.
  8. 15–16 out. 202374,38% de participação. Em Jagodno (Wrocław), a última pessoa vota às 2h45. Filas em Haia, Londres e Palermo.
  9. 20 out.–3 nov. 2023A Batory estuda o efeito: 55% dos polacos viram as campanhas, 65% entre os jovens.

Três camadas

A mobilização não teve um centro. Três camadas falaram ao mesmo tempo com os mesmos públicos, sem coordenação formal, e foi a soma que criou a sensação de que “toda a gente vai votar”.

  • Rede cívicaPelo menos 27 campanhas de ONG, coletivos feministas, LGBT+, ambientais e de direitos humanos, quase todas digitais, algumas com televisão, rádio e cinema. Celebridades e criadores falaram em nome próprio.
  • Instituições locaisAs câmaras municipais das grandes cidades e a União das Metrópoles Polacas, as universidades e os conselhos de bairro trataram dos lembretes e da logística: prazos, certidões, autocarros nos campi.
  • Partidos da oposiçãoCampanhas próprias para mulheres e jovens, a grande marcha de 1 de outubro, anúncios pagos e a orientação para não levantar o boletim do referendo.
O que não se sabe. Não há prova causal do efeito das campanhas.

A Batory encontrou uma correlação: no relatório final, 81% de quem viu as campanhas disse ter votado, contra 63% de quem não as viu (os resultados preliminares de novembro de 2023 davam 87–88% contra 74–77%). Estima que, sem a mobilização da reta final, a participação teria sido cerca de 7 pontos mais baixa, mas esse número assenta no momento em que as pessoas disseram ter decidido votar. A participação dos jovens varia consoante a fonte (68,8% na sondagem à boca das urnas da Ipsos; cerca de 70–71% noutras análises). Os números de alcance por campanha só existem para algumas, e o de “To Twój Wybór” vem da própria agência. Nem a Batory nem as fontes consultadas detalham o que fizeram, em 2023, a Kampania Przeciw Homofobii ou as redes locais do Strajk Kobiet para além do comunicado nacional. Há mais dois enviesamentos: nos inquéritos, as pessoas declaram ter votado mais do que realmente votaram, e quem viu as campanhas tende a ser quem já se interessa por política. A diferença entre 81% e 63% mistura efeito e seleção.

O terreno

A mobilização aconteceu num país com uma televisão pública alinhada com o governo, um partido no poder com muito mais dinheiro para…

A mobilização aconteceu num país com uma televisão pública alinhada com o governo, um partido no poder com muito mais dinheiro para anúncios e um eleitorado jovem que quase não votava. Noutro país, algo disto pode faltar.

Plataformas

Facebook e Instagram
O principal canal das campanhas cívicas, com alcance orgânico e pago. Foi daí que veio a maior parte dos dados de alcance que o relatório da Batory conseguiu somar.
YouTube e TV/rádio doados
Os vídeos de “To Twój Wybór” tiveram 13 milhões de visualizações no YouTube, segundo a agência. Entre as 27 campanhas listadas pela Batory está uma feita com a rádio RMF, “Budzę się, idę na wybory” (Acordo e vou votar).
TikTok
A rede dos mais jovens. Algumas ONG criaram perfis próprios, como “Orientuj się” (Stowarzyszenie 61 e Pacyfika), e a hashtag “Idź na wybory” (Vai votar) somou milhares de milhões de visualizações.
WhatsApp, Zoom e grupos locais no Facebook
A espinha dorsal dos comités da Akcja Demokracja: um grupo de WhatsApp para a coordenação, reuniões regulares por Zoom e um grupo “Akcja Wybory [cidade]” para cada localidade.
gov.pl, Registo Central de Eleitores e mObywatel
Em 2023 era possível mudar o local de voto pela internet até 12 de outubro, com Perfil de Confiança, e-dowód, banco online ou a aplicação mObywatel. Foi isso que permitiu a estudantes e trabalhadores deslocados votar onde estavam.
Registo eletrónico do Ministério dos Negócios Estrangeiros
Os polacos no estrangeiro inscreviam-se online para votar num consulado; o sistema avisava quando uma secção de voto estava cheia. Houve 608 mil inscritos.
Papel e rua
Autocolantes “Idę na WYBO23”, stencils para spray, 50 modelos de cartaz, bancas em festas locais, um grande despertador em Katowice e um autocarro Ikarus histórico nos campi de Wrocław.

Condições locais

  • Televisão pública capturada: a TVP funcionava como porta-voz do governo, por isso o alcance fora da bolha dependia das redes sociais, dos meios de comunicação privados e das pessoas.
  • Desigualdade de dinheiro: o PiS gastou cerca de 7,7 milhões de złoty em anúncios online, contra 5,6–5,7 milhões da KO, além de campanhas pagas por empresas públicas e fundações próximas do governo.
  • Uma ferida aberta: a decisão do Tribunal Constitucional de 22 de outubro de 2020 quase proibiu o aborto e levou centenas de milhares de pessoas para a rua em 2020; três anos depois, a lei continuava igual.
  • Ponto de partida baixo: em 2019 só 46,4% dos jovens dos 18 aos 29 anos votaram, e meses antes de 2023 menos de metade das mulheres com menos de 34 anos dizia que ia votar.
  • Um referendo do governo no mesmo dia (migrações, privatizações, idade da reforma): a oposição e as ONG apelaram à recusa do boletim, e o referendo não atingiu os 50% necessários (ficou nos cerca de 40%).
  • Regras logísticas apertadas: prazo até 12 de outubro para mudar o local de voto, secções sobrecarregadas nos bairros novos das grandes cidades e, no estrangeiro, 24 horas para entregar a contagem, sob pena de anulação.
  • Voto não obrigatório: o adversário a vencer era a abstenção, não a escolha do candidato.
  • Muitos anúncios nas redes sociais não estavam identificados como eleitorais, o que dificultou medir e fiscalizar a campanha.

O método

Ninguém escreveu o manual antes.

Ninguém escreveu o manual antes. Ele aparece quando se juntam os documentos de formação da Akcja Demokracja, o estudo da Batory e as palavras das organizadoras. São três frentes e um ciclo que se repetiu em dezenas de organizações.

Três frentes

Transformar raiva em capacidade de ação
Pegar na energia de um protesto que não mudou a lei e dizer: “agora a decisão é tua”. O guarda-chuva preto dos protestos deu lugar à caneta cor-de-rosa: “troquemos os guarda-chuvas por canetas”.
Eliminar obstáculos
Para quem estuda ou trabalha fora, o problema não era a vontade, era a inscrição. Prazos, formulários online, certidões e autocarros nos campi resolveram o obstáculo antes do dia da eleição.
Criar uma norma social
Dezenas de mensageiros diferentes, de câmaras municipais a cantoras, a repetir a mesma ideia sem logótipo partidário, até votar parecer aquilo que toda a gente da mesma idade ia fazer.

O ciclo de uma campanha de participação

Cada campanha bem-sucedida passou por estes passos, a escalas muito diferentes.

  1. Ouvir Estudo qualitativo com quem não tenciona votar. Em 2023 surgiram duas barreiras, em paráfrase: a sensação de que não há ninguém em quem votar e a de que o voto não muda nada.
  2. Escolher o público Mulheres dos 18 aos 39 anos, jovens dos 18 aos 29, estudantes deslocados, diáspora. Um público por campanha.
  3. Formular Mostrar que há algo pelo que votar, mesmo sem haver alguém em quem votar. Dizer o que está em jogo na vida concreta, não em quem votar.
  4. Abrir o kit Publicar grafismos, autocolantes, stencils e textos para qualquer pessoa, ONG ou câmara municipal usar, com uma versão sem logótipo.
  5. Multiplicar mensageiros Celebridades, criadores, câmaras municipais, universidades e vizinhos falam em nome próprio, no próprio perfil, com as próprias palavras.
  6. Resolver a logística Antes do prazo de inscrição: como mudar o local de voto, onde levantar a certidão, como se inscrever no estrangeiro. Levar o serviço até onde as pessoas estão.
  7. Último quilómetro Lembrete no dia, votar cedo, ficar na fila mesmo depois do fecho das urnas, porque quem está na fila às 21h vota. Pede um plano: a que horas, de onde sai, com quem vai. Numa experiência nos EUA, chamadas que pediam um plano de voto aumentaram a participação em 4,1 pontos entre os contactados, e em 9,1 pontos em casas com um só eleitor (Nickerson e Rogers, 2010).
  8. Medir e partilhar Inquérito pós-eleitoral a quem votou pela primeira vez, publicado para que todo o setor aprenda.

E recomeça.

Toolkit

O que é preciso para organizar uma campanha de participação ao estilo polaco, seja numa ONG, num coletivo, numa câmara municipal ou numa coligação.

O que é preciso para organizar uma campanha de participação ao estilo polaco, seja numa ONG, num coletivo, numa câmara municipal ou numa coligação. Funciona melhor quando muitas organizações o fazem ao mesmo tempo.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Na Polónia, o trabalho foi feito por muitas equipas pequenas. Uma operação mínima precisa destes papéis, mesmo que uma pessoa acumule vários.

Equipa mínima

Articulação
Uma fundação ou mesa de coligação que conhece as outras campanhas, evita sobreposições, consegue espaço cedido nos meios de comunicação e financia a medição. Na Polónia, a Fundação Batory apoiou campanhas (com a Inicjatywa Głos Kobiet e com a rádio RMF) e encomendou a medição depois da eleição; as fontes não descrevem uma coordenação formal entre as campanhas.
Estudo
Grupos focais e um inquérito curto antes de criar, para encontrar a barreira real do público. Depois da eleição, a mesma equipa mede o efeito.
Criação
Agência ou coletivo que transforma a barreira em conceito e símbolo. “To Twój Wybór” contou com especialistas de comunicação pro bono; segundo o estudo de caso da própria agência, a VML Poland desenvolveu o conceito e testou-o em estudos qualitativos.
Comités locais
Voluntários que montam bancas, colam autocolantes, organizam debates e levam o kit às localidades pequenas. A Akcja Demokracja juntou reformados, estudantes, antigos opositores do comunismo e pessoas sem experiência. Os comités também transmitiram debates com candidatos e participaram na fiscalização cidadã das eleições e na verificação da acessibilidade das secções de voto para pessoas com deficiência.
Parcerias institucionais
Câmaras municipais, universidades e associações de moradores que tratam de prazos, certidões, locais e transporte.
Mensageiros
Pessoas com audiência que gravam o próprio vídeo, sem logótipo, a explicar porque vão votar. Alguém da equipa limita-se a coordenar o calendário e a verificar a informação.
Conformidade
Verifica a lei eleitoral, o período de reflexão, a identificação dos anúncios e a origem do dinheiro antes de publicar.

Ritmo da campanha

  1. 6 meses antesFormar os comités locais e acordar regras: reuniões por vídeo de poucas em poucas semanas e um grupo de mensagens por região.
  2. 8 semanas antesPublicar o kit aberto e a hashtag comum para quem quiser aderir.
  3. 4–5 semanas antesLançar as campanhas de massas para cada público, com porta-vozes e espaço cedido nos meios de comunicação.
  4. 2 semanas antesGrande momento coletivo: marcha, evento ou data simbólica que domina as redes.
  5. Semana do prazoTudo sobre a inscrição: como mudar o local de voto, autocarros nos campi, inscrição no estrangeiro. Contagem pública de quem já se inscreveu.
  6. Dia da eleiçãoVotar cedo, levar alguém, ficar na fila. Nada que viole o período de reflexão.
  7. DepoisInquérito aos novos eleitores e publicação dos resultados.

Na Polónia, muitos jovens só decidiram votar no último mês ou na última semana. Convém guardar energia e orçamento para a reta final e para a semana do prazo de inscrição.

Plano B

  • Muitas campanhas independentes em vez de uma: se uma falha ou é atacada, as outras continuam.
  • Uma versão do kit sem logótipo, para que qualquer organização a possa usar mesmo que a sua marca se torne alvo.
  • Material impresso e stencils para quando o alcance online cair ou os anúncios forem bloqueados.
  • Uma lista própria de contactos com consentimento, para não depender de uma plataforma.
  • Informação em tempo real, no dia, sobre filas e secções cheias, com a indicação de não sair da fila.

Tecnologia

Ferramentas baratas. Pesaram mais o espaço cedido nos meios de comunicação, o trabalho pro bono e o tempo dos voluntários.

  • Páginas e anúncios no Facebook e no InstagramGratuito; anúncios conforme o orçamento

    Principal canal de alcance em 2023. Hoje é diferente: desde 6 de outubro de 2025, a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais na UE, e o Google também deixou de os aceitar em 2025. Na UE, conta com alcance orgânico, mensageiros, criadores com parceria declarada, espaço cedido pelos meios de comunicação e rua.

  • Vídeo curto (YouTube, TikTok, Reels)Gratuito

    Spots da campanha e vídeos gravados pelos próprios mensageiros. Um perfil temático próprio no TikTok funcionou para algumas ONG.

  • Grupos de WhatsApp por regiãoGratuito

    Coordenação dos comités locais: avisos, pedidos de material, dúvidas.

  • Reuniões por vídeoGratuito a poucos euros por mês

    Encontros regulares com todos os comités, sempre com as mesmas regras: câmara ligada, ninguém interrompe, qualquer pessoa pode conduzir.

  • Grupos locais no FacebookGratuito

    Um grupo por cidade para recrutar e marcar bancas, debates e colagens.

  • Página do kit abertoGratuito a 10 €/ano

    Cartazes, autocolantes, stencils e grafismos para descarregar, com versão sem logótipo. Gdańsk publicou o seu em niespij.pl.

  • Formulário de adesãoGratuito

    “Junte-se aos comités”: nome, localidade, contacto e consentimento explícito.

  • Ligações para os serviços oficiaisGratuito

    Ligações diretas e códigos QR para mudar o local de voto, pedir a certidão ou inscrever-se no estrangeiro, com o prazo em destaque.

  • Material de ruaImpressão e transporte

    Autocolantes, cartazes, stencils, banca em festas locais e um autocarro ou posto móvel nos campi.

  • Pequenos donativosTaxa da plataforma

    Angariação ou plataforma de apoiantes recorrentes para uma peça específica, como os áudios da Fundação Basta.

  • Estudo antes e depoisPro bono ou orçamento próprio

    Grupos focais e inquéritos telefónicos e online para encontrar a barreira e medir o efeito. A Batory conseguiu empresas de sondagens a trabalhar pro bono: a Research Collective preparou e coordenou o estudo, a GfK e a IQS fizeram o inquérito online por iniciativa da associação do setor (OFBOR), e a PBS ajudou na análise.

  • Registo de açõesGratuito

    Folha de cálculo com cada peça, público, canal, data, alcance e quem aprovou. Serve para medir e para prestar contas.

Guias rápidos por canal

Colunas do registo

Data · Campanha / organização · Público-alvo · Canal · Peça (ligação) · Pago ou orgânico · Alcance · Identificação como anúncio político (sim/não) · Quem aprovou

Os orçamentos das campanhas cívicas não foram publicados. Sabe-se que houve trabalho pro bono de agências e de empresas de sondagens, espaço cedido nos meios de comunicação e, no caso dos comités da Akcja Demokracja, cofinanciamento dos EEA/Norway Grants (Fundo para Cidadãos Ativos).

Comunicação

O tom vencedor reconheceu a raiva e o cansaço das pessoas e devolveu-lhes a decisão. Nenhuma das campanhas cívicas que resultaram disse em quem votar.

A fórmula de uma mensagem de participação

  1. Quem fala Uma pessoa real, do mesmo grupo do público, a falar em nome próprio.
  2. O que está em jogo Algo concreto da vida dela: corpo, renda da casa, salário, escola, clima. Não um partido.
  3. A emoção reconhecida Dizer em voz alta o cansaço ou a raiva: “já estivemos caladas”.
  4. O número que dá força “Somos 3,6 milhões”, “somos 52% da população”. O público conta-se.
  5. A ação e o prazo Mudar o local de voto até ao dia X; votar no dia Y.
  6. O símbolo Um objeto ou gesto fácil de copiar: a caneta cor-de-rosa, um despertador.

Regras de escrita

  • Não dizer em quem votar. Dizer porque vale a pena votar.
  • “Algo pelo que votar” funciona melhor do que “alguém em quem votar”.
  • Reaproveitar os símbolos do protesto e dar-lhes um gesto novo: do guarda-chuva à caneta.
  • Deixar os mensageiros usar as próprias palavras e o próprio perfil, sem logótipo.
  • Falar do prazo de inscrição antes de falar do dia da eleição.
  • Um público por peça. Mulheres dos 18 aos 34 anos não são homens jovens dos 18 aos 29.
  • Mostra a dimensão do grupo: as pessoas votam quando acham que os outros também vão votar. Diz quantos vão votar, não quantos ficam em casa: em experiências, “muita gente vota” motivou mais do que “muita gente não vota”, sobretudo entre quem vota pouco (Gerber e Rogers, 2009).
  • Identificar todos os anúncios pagos e dizer quem paga.

Exemplo

Não tens em quem votar? Tudo bem. Mas tens algo pelo que votar: o teu corpo, a tua renda, a tua escola. Somos 3,6 milhões de mulheres entre os 18 e os 34 anos. E cada vez mais de nós vamos votar. Vais estar fora da tua cidade no domingo? Muda o local de voto até quinta-feira, às 23h59, nesta ligação: [link]. Já estivemos caladas. Agora é a nossa vez. Mensagem da [organização], que não apoia nenhum partido.

Levar para o teu contexto

Parte do que funcionou na Polónia funciona em qualquer lado; outra parte dependia de regras e redes polacas.

Parte do que funcionou na Polónia funciona em qualquer lado; outra parte dependia de regras e redes polacas. Vê o que trocar.

Funciona em qualquer lado

  • Começar pela barreira real de quem não vota, descoberta num estudo, e não pelo que a organização quer dizer.
  • Uma mobilização de protesto pode tornar-se mobilização eleitoral se alguém fizer a ponte e der um gesto novo ao símbolo antigo.
  • Muitas campanhas independentes com a mesma norma vencem uma campanha central com uma só marca.
  • Eliminar os obstáculos da inscrição e da deslocação rende mais do que mais um vídeo motivacional.
  • Mensageiros a falar em nome próprio, sem logótipo, contornam a desconfiança nas instituições.
  • Medir depois, com dados públicos, faz o setor inteiro aprender para a próxima eleição.

Depende do contexto

Mudança de local de voto online (Registo Central de Eleitores)
Onde há inscrição prévia dos eleitores, fazer campanha de inscrição com prazo; no Brasil, centrar a campanha na transferência do título de eleitor e na data de fecho do cadastro, meses antes da eleição.
Voto facultativo
Onde o voto é obrigatório, o adversário é a abstenção de facto e o voto nulo: trocar “vai votar” por “não deixes que outros decidam” e apostar na logística (transporte, documento, justificação).
Facebook e Instagram como canal principal
Onde dominam o WhatsApp ou o Telegram, usar canais e listas com consentimento; onde o TikTok é central para os jovens, criar um perfil temático em vez de apenas promover spots.
Câmaras municipais aliadas (União das Metrópoles)
Onde as autarquias são hostis ou neutras, recorrer a universidades, associações de estudantes, clubes desportivos e associações de moradores para a logística.
Uma fundação articuladora (Batory)
Sem uma grande fundação, montar uma mesa de coligação com reunião semanal e um documento partilhado com o calendário de todas as campanhas.
O aborto como tema que tornou o voto concreto
Escolhe o tema que já levou o teu público para a rua ou que mexe com a vida dele: renda da casa, clima, salário, segurança, liberdade.
Diáspora com inscrição consular
Onde a diáspora vota por correspondência ou online, a campanha é de prazos e de envio; onde é preciso ir ao consulado, organizar boleias e informação sobre as filas.

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. Algo pelo qual votar, não alguém

    Uma mensagem de participação que não diz em quem votar: mostra o que está em jogo na vida concreta do público, reconhece a raiva e faz o grupo contar-se. Na Polónia, “To Twój Wybór” trocou o guarda-chuva preto dos protestos pela caneta cor-de-rosa, e a participação dos jovens dos 18 aos 29 anos subiu de 46% para cerca de 69–71%, sem prova de que as campanhas tenham causado o salto.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando o público já tem uma causa que o levou à rua, mas acha que não há ninguém em quem votar ou que o voto não muda nada.
    Não usar quando
    Não funciona se a campanha se diz apartidária e pede o voto num partido, nem quando mistura públicos: mulheres dos 18 aos 34 anos não são homens dos 18 aos 29.
    1. Semana −24 Fazer grupos focais com quem não tenciona votar para encontrar a barreira real
    2. Semana −20 Escolher um público por campanha e o tema que já o levou à rua
    3. Semana −16 Testar três ou mais conceitos com o público e escolher o símbolo e a hashtag
    4. Semana −6 Recrutar mensageiros que gravam o próprio vídeo, sem logótipo, com as suas palavras
    5. Semana −5 Lançar a campanha com o número que conta o grupo e o prazo de recenseamento
    6. Semana −1 Montar bancas e debates onde o público está e recolher compromissos de voto
    7. 2 semana(s) depois Inquirir os novos eleitores depois da votação e publicar o que funcionou

    Equipa

    • Estudos: grupos focais antes e medição do efeito depois
    • Criação: transforma a barreira em conceito e símbolo, muitas vezes pro bono
    • Mensageiros: gravam o próprio vídeo, sem logótipo, a explicar porque vão votar

    O que medir: Compromissos de voto assinados pelo público-alvo nas bancas e no formulário e, depois, a proporção deles que diz ter votado no inquérito pós-eleitoral. As visualizações não contam.

    Riscos a vigiar: A fronteira apartidária é frágil: identifica quem fala e quem paga em cada peça, rotula os anúncios e publica a origem do dinheiro antes que o outro lado pergunte.

  2. Comités cívicos locais, marca comum

    Uma rede de comités locais apartidários, que defendem causas e não candidatos, sob uma marca comum mas com liberdade local, coordenados por WhatsApp e reuniões por vídeo. Na Polónia, a Akcja Demokracja formou-os a partir de abril de 2023 com um orçamento que os próprios organizadores classificaram de “microscópico”.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando o adversário tem mais dinheiro e mais meios de comunicação e há gente espalhada pelo país: reformados, estudantes, vizinhos sem experiência.
    Não usar quando
    Não funciona com uma sede que quer aprovar cada ação, nem com comités que se tornam braço de um partido sem o declarar.
    1. Semana −26 Formar os primeiros comités e acordar regras comuns por vídeo
    2. Semana −25 Abrir o formulário de adesão com consentimento e um grupo de mensagens por região
    3. Semana −24 Criar um grupo local por cidade para recrutar e marcar ações
    4. Semana −20 Fazer reuniões por vídeo de poucas em poucas semanas: câmara ligada, qualquer um lidera
    5. Semana −8 Levar o kit às cidades pequenas: bancas em festas locais, debates, colagens
    6. Semana −2 Distribuir material nos grandes momentos coletivos da reta final
    7. 4 semana(s) depois Manter os comités vivos para a próxima eleição

    Equipa

    • Coordenação: forma os comités e mantém as regras comuns
    • Comité local: monta bancas, cola autocolantes e organiza debates
    • Conformidade: confirma a lei eleitoral e as regras de publicidade antes de cada ação

    O que medir: Turnos de rua cumpridos por comité por semana (bancas, debates, colagens); se um comité para, telefona-lhe antes de enviar mais material.

    Riscos a vigiar: Comités cofinanciados por fundações tornam-se alvo de suspeita: publica quem financia, declara se tens lado e respeita o período de reflexão.

  3. A semana do prazo de recenseamento

    Antes de falar do dia da eleição, resolver o registo: como mudar o local de voto, pedir o certificado ou inscrever-se no estrangeiro, levando o serviço até onde as pessoas estão. Na Polónia, um autocarro percorreu os campus de Wrocław, e os pedidos para votar fora do domicílio chegaram a 1,4 milhões, contra cerca de 400 mil em 2019.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona onde há registo prévio ou mudança de local com prazo e muitos eleitores (estudantes, trabalhadores, emigrantes) estão longe de casa.
    Não usar quando
    Não funciona com informação eleitoral errada nem depois do prazo: no Brasil, por exemplo, o cadastro fecha meses antes da eleição.
    1. Semana −12 Anotar todos os prazos oficiais de registo, mudança de local e voto no estrangeiro
    2. Semana −6 Criar ligações diretas e códigos QR para os serviços oficiais, com o prazo em destaque
    3. Semana −4 Combinar com universidades e câmaras um ponto móvel nos campus e bairros novos
    4. Semana −2 Fazer uma campanha só sobre o prazo, em todos os canais
    5. Semana −2 Levar o ponto móvel aos campus e ajudar cada pessoa a fazer o pedido no momento
    6. Semana −1 Divulgar todos os dias quantas pessoas já se registaram

    Equipa

    • Logística: monta o ponto móvel e os turnos nos campus
    • Parcerias institucionais: universidades, câmaras e associações de moradores
    • Conformidade: confirma cada prazo e documento antes de publicar

    O que medir: Pedidos de mudança de local ou de inscrição no estrangeiro feitos no ponto móvel ou com a ajuda de um voluntário, contados no próprio dia, por local.

    Riscos a vigiar: Um prazo errado tira votos a quem se quer ajudar: confirma tudo na fonte oficial, nunca recolhas palavras-passe ou documentos de ninguém e deixa a pessoa fazer o pedido no próprio telemóvel.

  4. Ir cedo, levar alguém, ficar na fila

    O último quilómetro: lembrete antes do período de reflexão, votar cedo, levar alguém e não sair da fila, porque quem está na fila à hora de fecho vota. Na Polónia, em Jagodno (Wrocław), a última pessoa votou às 2h45, e houve filas em Haia, Londres e Palermo.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona nos últimos dias, quando o público já decidiu votar e o obstáculo passa a ser a logística e o cansaço.
    Não usar quando
    Não funciona se violar o período de reflexão, nem substitui a pressão sobre o Estado por secções de voto e urnas suficientes.
    1. Semana −2 Recolher compromissos “vou votar e levo alguém”, com consentimento para um lembrete
    2. Semana −1 Confirmar na fonte oficial se lembretes neutros são permitidos no dia
    3. Semana −1 Enviar o último lembrete antes do período de reflexão
    4. Semana do dia D Avisar que quem está na fila à hora de fecho vota
    5. Semana do dia D Acompanhar filas e secções sobrelotadas, com voluntários a trocar informações
    6. 1 semana(s) depois Perguntar a quem se comprometeu se votou e agradecer sem fazer campanha

    Equipa

    • Lista: guarda os compromissos com consentimento e envia o lembrete
    • Monitores de fila: informam sobre secções sobrelotadas, dentro da lei
    • Conformidade: confirma o que o período de reflexão permite

    O que medir: Compromissos “vou votar e levo alguém” cumpridos, confirmados pela resposta no dia seguinte, em proporção aos compromissos assumidos.

    Riscos a vigiar: Quando votar se torna assunto de todos, aparecem impostores; houve SMS falsos que se faziam passar pelo PiS. Envia só a quem pediu, assina cada mensagem e respeita o período de reflexão.

Praticar

Treina com as missões e situações do caso.

Decidir como organizadora

Seis momentos de 2023. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano de 12 semanas

A sequência polaca adaptada como lista de verificação.

A sequência polaca adaptada como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Semanas 1–3: Ouvir e organizar

  2. Semanas 4–6: Construir

  3. Semanas 7–9: Lançar

  4. Semanas 10–11: Prazo de inscrição

  5. Semana 12: Votar

  6. Depois

Regras

As campanhas de participação vivem da confiança.

As campanhas de participação vivem da confiança. Se forem apartidárias, têm de o ser a sério; se tiverem lado, têm de o dizer.

Dizer quem fala e quem paga
Cada peça identifica a organização responsável. Todos os anúncios pagos levam a etiqueta política ou eleitoral da plataforma. Na Polónia, muitos não a levaram, e isso dificultou a fiscalização.
Apartidário é apartidário
Quem se apresenta como cívico não diz em quem votar nem usa a campanha a favor de um partido. Quem tem lado, declara-o.
Dinheiro às claras
Publicar a origem do financiamento. Em 2025, a imprensa revelou que uma fundação de participação tinha recebido, em 2023 e 2024, quase 1 milhão de złoty de fundações de empresas públicas, e a direita usou isso para contestar a independência da sua campanha.
Respeitar o período de reflexão
Onde a lei proíbe a campanha na véspera e no dia, parar. Lembretes neutros só se forem permitidos.
Consentimento
Enviar mensagens só a quem as pediu. O RGPD e a LGPD também se aplicam às ONG.
Só gente real
Nada de perfis falsos, bots, influenciadores pagos sem aviso ou mensagens que se fazem passar por outra pessoa ou partido.
Informação eleitoral exata
Prazos, documentos e locais têm de estar certos. Um erro aqui tira votos a quem se quer ajudar.
Regras da UE e do teu país
Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e a Google deixou de publicar publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que abrange também campanhas de ONG que não nomeiam partidos, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Nas orientações da Comissão de outubro de 2025, uma campanha paga para aumentar a participação conta como publicidade política mesmo sem dizer em quem votar; só as mensagens de fontes oficiais sobre como e quando votar ficam de fora. Confirmar com um advogado as regras nacionais antes de começar. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não prova a causa
Os estudos mostram uma correlação entre ver as campanhas e votar, não um efeito causal. A raiva contra o governo, a inflação e a polarização também levaram gente às urnas.
Não escolhe a direção
A mobilização jovem também ajudou a extrema-direita: entre os homens dos 18 aos 29 anos, 26,3% votaram na Konfederacja, contra 6,3% das mulheres.
Não dura sozinho
Sadura notou que só 33% dos jovens diziam ter a certeza de que votariam nas europeias de 2024. Promessas não cumpridas, como a do aborto, afastaram depois parte das jovens.
Não resolve a infraestrutura
Filas de seis a oito horas, secções subdimensionadas e o prazo de 24 horas para contar os votos no estrangeiro podem anular o esforço. É preciso pressionar também o Estado.
A fronteira apartidária é frágil
Campanhas dirigidas a públicos que tendem para um lado são lidas como partidárias pelo outro. A defesa é publicar quem paga e quem assina.
Abre espaço a impostores
Quando votar se torna assunto de todos, aparecem mensagens falsas. Os SMS de piratas informáticos que se faziam passar pelo PiS mostram o risco.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Qual era a principal barreira das mulheres jovens que não tencionavam votar, segundo o estudo da campanha “To Twój Wybór”?
2. Que mudança prática ajudou estudantes e trabalhadores deslocados a votar?
3. O que concluiu a Fundação Batory sobre o efeito das 27 campanhas?
4. Que formato de vídeo com celebridades resultou melhor nas redes?
5. Qual destas frases descreve melhor o papel dos protestos de 2020 na eleição de 2023?

Para ir mais longe

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Mais 3

Biblioteca

Fontes

Playbook construído com documentos das próprias organizações, o relatório pós-eleitoral da Fundação Batory, análises académicas e imprensa…

Playbook construído com documentos das próprias organizações, o relatório pós-eleitoral da Fundação Batory, análises académicas e imprensa polaca e internacional, consultados até 26 de outubro de 2026.

46 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Silar, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 26 de outubro de 2026

Adaptar este playbook com o coach

Playbook seguinte Together for Yes

Adaptar ao teu país

Os toolkits trocam as ferramentas pelas mais usadas no país (por exemplo, Telegram onde domina) e mostram as regras eleitorais e o estado da internet. A escolha fica guardada só neste navegador.