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Estados Unidos · 2024

Do outro lado: caso de estudo, não modelo

A rota dos podcasts

Em 2024, Trump passou horas com Joe Rogan, Theo Von e outros apresentadores para alcançar homens jovens longe do noticiário. Estudo de caso: como funcionou, o que nunca copiar, como responder.

Caso documentado por Time, Columbia Journalism Review, NPR, NBC News, CNN, PolitiFact, Pew Research Center, CIRCLE (Tufts), NYU CSMaP e por decisões e processos judiciais. Estudo de caso independente; não liga para conteúdo extremista.

Em 30 segundos

  1. 56% a 42% entre homens de 18 a 29 anos para Trump; no voto jovem total, Harris venceu por 51% a 47% (AP VoteCast, análise CIRCLE).

  2. 37% dos americanos de 18 a 29 anos se informavam regularmente com influenciadores (Pew). A campanha foi aos programas onde eles já estavam: comédia, luta, games.

  3. Conversas de uma a três horas, depois cortes espalhados por X, TikTok e contas aliadas.

  4. Pode ser aprendido: ir aonde o público já está, com conversa longa e mensageiros que ele conhece.

  5. Nunca: afirmações falsas sem contestação, boatos que desumanizam imigrantes, dinheiro atrelado a cadastros de eleitores. Para responder: chegar antes, com fatos e mensageiros de confiança.

Como ler este caso

Aqui não há toolkit para copiar. Há a mecânica do que funcionou, as linhas vermelhas que foram cruzadas (e o que custaram) e como responder quando este playbook for usado contra você.

Ver as lições Como responder

Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Quem fez

A voz dos estrategistas vem das entrevistas de Alex Bruesewitz e de assessores ouvidos pela Time; a da campanha de Harris, das avaliações…

A voz dos estrategistas vem das entrevistas de Alex Bruesewitz e de assessores ouvidos pela Time; a da campanha de Harris, das avaliações públicas da sua direção. O resto foi documentado por pesquisadores, checadores, jornalistas e tribunais. Esta página não traz links para contas de extremistas.

  • Alex Bruesewitz

    Consultor republicano, fundador da X Strategies (2017) e autor de Winning the Social Media War (2022)

    Encarregado por Susie Wiles, no fim de julho de 2024, de montar a lista de podcasts e de propor cada um a Trump, muitas vezes por telefone. Em 2025, segundo a CJR, também era conselheiro sênior do PAC Never Surrender e cuidava do digital de boa parte da operação política de Trump, incluindo @TrumpWarRoom e @TeamTrump no X.

    Fontes
  • Susie Wiles e Chris LaCivita

    Direção da campanha de Trump em 2024

    Desenharam a estratégia centrada nos homens que votam pouco, com o pesquisador Tony Fabrizio e James Blair, segundo a reconstrução da Time.

    Fontes
  • Barron Trump

    Filho do candidato, então com 18 anos (segundo a Time e Bruesewitz)

    Segundo a Time e o próprio Bruesewitz, foi consultado por Trump sobre cada podcast e sugeriu começar pelo streamer Adin Ross.

    Fontes
  • Jen O'Malley Dillon, Stephanie Cutter e David Plouffe

    Presidente da campanha, chefe de comunicação e assessor sênior de Kamala Harris

    Avaliaram em público, no Pod Save America, por que a campanha não chegou a Rogan e o que faria diferente com os podcasts.

    Fontes
  • Pew Research Center

    Centro de pesquisa apartidário

    Mediu quantos americanos se informam com influenciadores de notícias e traçou o perfil de 500 deles (2024 e 2025).

    Fontes
  • CIRCLE (Universidade Tufts)

    Centro de pesquisa sobre participação cívica jovem

    Analisou o voto jovem de 2024 por gênero a partir do AP VoteCast.

    Fontes
  • NYU CSMaP

    Melina Much, Kylan Rutherford, Jonathan Nagler, Joshua A. Tucker e Jason Greenfield

    Analisaram 36.659 episódios de podcasts de 2024 e concluíram que os podcasts explicam só uma pequena parte da diferença de gênero no voto jovem.

    Fontes
  • Checadores: CNN (Daniel Dale) e PolitiFact

    Checagem de fatos

    A CNN contou pelo menos 32 afirmações falsas na entrevista a Rogan; o PolitiFact elegeu o boato de Springfield a Mentira do Ano de 2024.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Paráfrases de estrategistas das duas campanhas e conclusões de pesquisadores.

Paráfrases de estrategistas das duas campanhas e conclusões de pesquisadores. Citações curtas entre aspas e traduzidas. Boatos e slogans que atacam grupos não são reproduzidos.

  • Resumiram a tese da campanha como "maximizar os homens e segurar as mulheres". O alvo eram homens com menos de 40 anos que votam pouco e se informam por podcasts e redes.

    Assessores de Trump, à Time, Time, "How Trump Won", 6 nov. 2024

  • Repetia uma frase atribuída a Churchill como mantra: tentar estar seguro em todo lugar é ser forte em lugar nenhum. A campanha aceitou o risco de investir em quem quase não liga para política.

    Chris LaCivita, codiretor da campanha, Time, "How Trump Won", 6 nov. 2024

  • Para ele, podcasters fizeram perguntas melhores do que muitos jornalistas; cita a discussão sobre fertilização in vitro no programa de Andrew Schulz. Influenciadores seriam celebridades que não dependem de porteiros tradicionais.

    Alex Bruesewitz, Columbia Journalism Review, "The Influencer", 30 abr. 2025

  • Descreveu os podcasts como um "jogo de números", porque cada um tem audiência própria, e disse que quanto mais as pessoas ouviam Trump diretamente, mais gostavam dele. Confirmou ter ouvido Barron sobre a estratégia.

    Alex Bruesewitz, Podcast Ruthless, relatado pela Fox News, 6 fev. 2025

Mais 6 citações
  • Disse que a campanha deveria ter mostrado mais cedo a sua estratégia de podcasts, dado o pouco tempo que teve.

    Jen O'Malley Dillon, presidente da campanha de Harris, Pod Save America, relatado pela Inside Radio, nov.–dez. 2024

  • Os podcasts de Trump chegaram a homens jovens com quem Harris tinha dificuldade; uma ida a Rogan teria rompido a bolha, mas, para ela, não teria mudado o resultado.

    Stephanie Cutter, chefe de comunicação de Harris, Pod Save America, relatado pela Inside Radio, nov.–dez. 2024

  • Pressionado na CNN sobre o boato de Springfield, disse que, se precisasse "criar histórias" para a imprensa prestar atenção, o faria. Negou qualquer relação com as ameaças de bomba.

    JD Vance, candidato a vice, CNN State of the Union, 15 set. 2024 (WOUB)

  • Entre 500 influenciadores de notícias, 63% eram homens, 27% se declaravam de direita e 21% de esquerda, e 77% nunca tinham trabalhado numa redação.

    Pew Research Center, "America's News Influencers", 18 nov. 2024

  • Os podcasts são uma parte possivelmente relevante do ambiente de mídia, mas parecem explicar só uma pequena parte da diferença de gênero; o público se separa por gosto masculino ou feminino, não por ideologia.

    Much, Rutherford, Nagler, Tucker e Greenfield (NYU CSMaP), Working paper "Did Podcasts Help Trump Win Young Men?", 17 set. 2026

  • Depois das críticas de podcasters ao caso Epstein, avaliou que o tema não deve mudar votos, mas pode desanimar quem votou e levar parte a ficar em casa.

    Eric Wilson, estrategista digital republicano, NPR, 30 jul. 2025

A história

A ideia não nasceu em 2024: Trump já tinha ido aos Nelk Boys em 2022.

A ideia não nasceu em 2024: Trump já tinha ido aos Nelk Boys em 2022. Mas foi depois da troca de Biden por Harris que a campanha fez dos podcasts a sua rota principal até os homens jovens, com fatos e falsidades misturados na mesma conversa, e dinheiro e boatos circulando em volta.

56% × 42%
Trump × Harris entre homens de 18 a 29 anos; entre mulheres, 41% × 58% (AP VoteCast, análise CIRCLE)
37%
dos americanos de 18 a 29 anos se informavam regularmente com influenciadores de notícias em 2024 (Pew)
~50 mi × ~890 mil
visualizações no YouTube de Trump em Rogan e de Harris em Call Her Daddy, segundo dados citados pela Inside Radio
32
afirmações falsas, no mínimo, contadas pela CNN nas quase três horas com Rogan (25 out. 2024)

De 2022 a 2026

  1. 2022Trump vai ao podcast dos Nelk Boys, incentivado por Dana White. O episódio passa de 5 milhões de visualizações em 24 horas e é removido pelo YouTube por violar a política contra desinformação eleitoral.
  2. jul. 2024Musk apoia Trump depois do atentado na Pensilvânia. Com Harris no lugar de Biden, Susie Wiles pede a Bruesewitz uma lista de podcasts; Trump responde por telefone, do campo de golfe, para consultar Barron.
  3. ago.–out. 2024Trump começa pelo stream de Adin Ross (pico de cerca de 600 mil espectadores) e segue para Logan Paul, Theo Von, Flagrant, Lex Fridman e outros: quase uma dúzia de podcasts no fim do verão e no outono.
  4. 6–16 set. 2024Um boato falso sobre imigrantes haitianos comendo animais em Springfield viraliza no X; Vance o repete em 9 de setembro e Trump no debate de 10. A cidade recebe pelo menos 33 ameaças de bomba, segundo o governador republicano Mike DeWine.
  5. out. 2024Harris aparece em Call Her Daddy (6 out.), Club Shay Shay e All the Smoke; as conversas com Rogan não chegam a data. Musk oferece 47 e depois 100 dólares por eleitor indicado para a petição do America PAC e 1 milhão por dia a signatários; o Departamento de Justiça adverte que pode ser ilegal (23 out.).
  6. 25 out. 2024Quase três horas no Joe Rogan Experience, arranjadas por Jared Kushner e Ivanka Trump, segundo Bruesewitz. A CNN conta pelo menos 32 afirmações falsas.
  7. 4–5 nov. 2024Rogan declara apoio a Trump; um juiz da Filadélfia deixa o sorteio de Musk continuar. Trump vence a eleição e ganha entre homens de 18 a 29 anos (56% a 42%), enquanto perde o voto jovem total (47% a 51%).
  8. 2025A Casa Branca cria um lugar para "novas mídias" na sala de imprensa. Rogan, Theo Von e Andrew Schulz criticam deportações e o caso Epstein; numa pesquisa da NBC de agosto–setembro, só 47% dos homens de 18 a 29 anos aprovam Trump.
  9. set.–out. 2026Um working paper da NYU conclui que os podcasts explicam só uma pequena parte da diferença de gênero de 2024. Pesquisas citadas pela imprensa apontam queda da imagem de Rogan e de Trump entre homens jovens antes das eleições de meio de mandato.

Três camadas

O alcance não vinha só do episódio: vinha da combinação entre os programas, a máquina de cortes e uma rede de dinheiro e amplificação em volta.

  • Os programasPodcasts e streams de comédia, luta, games e estilo de vida, com audiência masculina, jovem e pouco política. Conversas longas e informais, com o candidato como convidado e não como alvo de entrevista.
  • Os cortesTrechos curtos dos episódios em X, TikTok, YouTube e Instagram, por contas da campanha, aliados e fãs. Bruesewitz somou cerca de 110 milhões de visualizações dos cortes do stream de Adin Ross. É um número da campanha, não auditado. Ele disse à CJR ter sido o primeiro a contar esse “mercado secundário” de cortes, em vez de só as visualizações oficiais, e levou a soma a Trump no dia seguinte.
  • Dinheiro e amplificaçãoMusk e o X, o America PAC com pagamentos por petição e porta a porta, influenciadores alinhados e contas que espalharam boatos como o de Springfield. Nesta camada estão os problemas documentados por checadores, jornalistas e tribunais.
O que não se sabe. O papel de Barron Trump vem de assessores ouvidos pela Time e de Bruesewitz, não de declarações do próprio Barron.

Os números de visualizações são, em parte, contagens da campanha ou estimativas da imprensa, e não foram auditados. Os resultados por idade vêm de pesquisas de saída e do AP VoteCast e variam de fonte para fonte (a NBC deu 42% a Trump entre 18 e 29 anos; o AP VoteCast, 47%). A reportagem sobre pagamentos a criadores do lado democrata (Way to Win) está em parte atrás de paywall. A afirmação de que Harris se arrependeu de não ir a Rogan foi lida num artigo de opinião do Boston Globe. O desfecho da queixa da Haitian Bridge Alliance contra Trump e Vance não foi verificado, nem o número total de ganhadores do sorteio de Musk.

O terreno

Nos Estados Unidos de 2024, um em cada cinco adultos e quase quatro em cada dez jovens de 18 a 29 anos se informavam regularmente com…

Nos Estados Unidos de 2024, um em cada cinco adultos e quase quatro em cada dez jovens de 18 a 29 anos se informavam regularmente com influenciadores, e os grandes podcasts de comédia, luta e games tinham audiências majoritariamente masculinas. A campanha de Harris, que substituiu Biden em julho, teve pouco mais de cem dias.

Plataformas

Podcasts em vídeo no YouTube e no Spotify
Conversas de uma a três horas com Rogan, Theo Von, Flagrant ou Nelk Boys, com audiência própria e fiel. Segundo a Edison, citada pela NPR, mais de 70% dos ouvintes desses programas são homens e a maioria tem menos de 45 anos.
Streams ao vivo (Adin Ross)
Transmissões de games e celebridades, com público muito jovem. A entrevista de agosto de 2024 chegou a cerca de 600 mil espectadores simultâneos, segundo a CJR.
X
Bruesewitz geria contas como @TrumpWarRoom e @TeamTrump. O dono da plataforma, Elon Musk, apoiou Trump em julho de 2024 e publicou mais de mil posts sobre imigração e fraude eleitoral, com mais de 10 bilhões de visualizações, segundo a Bloomberg.
TikTok e cortes
Os trechos das conversas e memes circulavam muito além do episódio: um vídeo zombando da dança de Trump tinha cerca de 70 milhões de visualizações, segundo a CJR.
Circuito da luta e do entretenimento masculino
Dana White, presidente do UFC, abriu portas para os Nelk Boys em 2022 e sugeriu nomes à campanha. Comédia, luta, golfe e games funcionavam como porta de entrada, não como mídia política.
Mídia tradicional
Segundo a Time, a campanha de Trump evitou deliberadamente a maior parte das entrevistas tradicionais; Bruesewitz disse que as críticas da imprensa até reforçaram a estratégia.

Condições locais

  • Diferença de gênero crescente entre jovens: em 2024, mulheres de 18 a 29 anos votaram 58% em Harris e homens 56% em Trump (AP VoteCast, análise CIRCLE).
  • Homens pouco propensos a votar: a vantagem de Trump era maior entre homens com menos de 40 anos que votam de forma irregular, muitos insatisfeitos com a economia e com a idade de Biden (Time).
  • Informação por influenciadores: 21% dos adultos e 37% dos jovens de 18 a 29 anos se informavam regularmente com influenciadores em 2024; 38% dos jovens em 2025 (Pew).
  • Campanha curta do lado democrata: Harris substituiu Biden em julho e a direção da campanha disse não ter encontrado datas para Rogan.
  • Dinheiro sem teto em comitês independentes: Musk deu cerca de 277 milhões de dólares a Trump e aliados em 2024, segundo o Washington Post, e financiou quase sozinho o America PAC.
  • Proteção ampla à liberdade de expressão: nos EUA, afirmações falsas de candidatos em entrevistas raramente têm consequência legal; a resposta passa por checagem, plataformas e eleitores.

O método

Não há um manual publicado.

Não há um manual publicado. O que se segue é a mecânica reconstruída a partir das entrevistas de Bruesewitz, da Time e da CJR.

Três frentes

Escolher quem não vota
A campanha concentrou-se em homens jovens que votam pouco e quase não consomem notícias, aceitando o risco de investir num público instável em vez de disputar só os indecisos clássicos.
Ir aonde eles já estão
Programas não políticos com audiência própria: comédia, luta, games, estilo de vida. O candidato entra como convidado de uma conversa longa e informal, não como entrevistado de telejornal.
Transformar a conversa em cortes
Cada episódio rendia trechos curtos para X, TikTok e YouTube, espalhados por contas da campanha, aliados e fãs, muito além do público do programa.

O ciclo de um episódio

Do convite ao corte viral, cada participação seguia um circuito parecido, segundo as reportagens citadas.

  1. Mapear Lista de programas com audiência jovem e masculina, com sugestões de Dana White e de gente do público-alvo, como Barron.
  2. Validar Bruesewitz propunha a Trump, muitas vezes por telefone; a família ajudava a decidir e, no caso de Rogan, a organizar. Antes de cada conversa, segundo a CJR, ele preparava o candidato buscando um assunto em comum com o apresentador: com Adin Ross, o rapper Young Thug, amigo do streamer.
  3. Conversar Uma a três horas, tom de bate-papo, temas pessoais, humor e esporte misturados com política; pouca contestação de fatos.
  4. Cortar Trechos curtos e engraçados ou polêmicos publicados por contas da campanha e de aliados.
  5. Amplificar Repostagens por influenciadores alinhados e, no X, por Musk; o próprio Trump divulgava os números.
  6. Absorver a crítica Checagens e críticas da imprensa viravam mais conversa; Bruesewitz disse que a cobertura negativa reforçou a estratégia.
  7. Repetir Um novo programa a cada semana ou duas, de agosto a novembro, até a conversa com Rogan nos últimos dez dias.

E recomeça.

O que aprender e o que nunca copiar

Parte do que a campanha de Trump fez é simples competência de comunicação: ir aonde o público está e falar com calma e por muito tempo.

Parte do que a campanha de Trump fez é simples competência de comunicação: ir aonde o público está e falar com calma e por muito tempo. Outra parte é o que checadores, tribunais e jornalistas documentaram como falsidade, dano e dinheiro opaco.

Nunca copiar

5
Afirmações falsas sem contestação
A CNN contou pelo menos 32 falsidades na entrevista a Rogan, sobre a eleição de 2020, imigração, economia e energia. O episódio de 2022 com os Nelk Boys foi removido pelo YouTube por desinformação eleitoral.
Boatos que desumanizam imigrantes
O boato de Springfield foi desmentido pela polícia, pelo prefeito e pelo governador, todos sem provas de qualquer caso; a cidade recebeu pelo menos 33 ameaças de bomba, escolas e universidades suspenderam atividades e haitianos relataram assédio. O PolitiFact o elegeu Mentira do Ano de 2024.
Dinheiro atrelado a cadastros de eleitores
O America PAC pagou 47 e depois 100 dólares por indicação de eleitores registrados e 1 milhão por dia a signatários. O Departamento de Justiça advertiu que podia ser ilegal; em tribunal, os advogados de Musk admitiram que os ganhadores não eram sorteados, mas escolhidos como porta-vozes pagos. Houve processos de participantes e de cabos eleitorais por pagamentos não feitos.
Criadores pagos sem transparência, de qualquer lado
Em 2024, o Departamento de Justiça acusou dois funcionários da RT de financiar em segredo, com quase 10 milhões de dólares, uma empresa que pagava influenciadores de direita, que disseram não saber. Do lado democrata, segundo uma reportagem de Lee Fang com a RealClearInvestigations, o grupo Way to Win gastou mais de 9,1 milhões com mais de 550 criadores, num arranjo que o autor descreve como feito para ocultar os pagamentos dos eleitores; a reportagem não aponta ilegalidade.
"Criar histórias" para pautar a imprensa
Vance admitiu na CNN estar disposto a criar histórias para chamar atenção. O custo recaiu sobre uma comunidade real e sobre a confiança pública; a Haitian Bridge Alliance apresentou queixa contra Trump e Vance, que um tribunal enviou ao procurador do condado.

Pode aprender

6
Ir aos programas que não são de política
Comédia, esporte, games, saúde, música: é ali que estão os eleitores que não veem telejornal. Uma campanha progressista pode levar candidatos e porta-vozes a esses programas, com o mesmo respeito pelo público e pelos fatos.
Aceitar a conversa longa
Uma ou duas horas sem roteiro mostram a pessoa por trás do candidato. Prepare dados, histórias e respostas a perguntas difíceis; a informalidade não dispensa precisão.
Ouvir quem é do público
Trump consultou alguém de 18 anos que conhecia os programas. Monte um grupo de jovens do público que quer alcançar para dizer quais vozes eles realmente ouvem.
Dizer sim depressa
A direção da campanha de Harris lamentou ter sinalizado tarde a estratégia e não ter achado data para Rogan. Defina cedo a lista de programas e reserve agenda do candidato para eles.
Mapear espaços de mídia, não só ideologia
A NYU mostrou que o público se separa por gosto (programas de cultura masculina ou feminina), não por partido. Planeje presença em espaços de homens e de mulheres jovens, sem estereótipos.
Cortes verdadeiros e identificados
Transforme cada participação em trechos curtos, publicados por contas reais e identificadas, com contexto e sem edição que distorça o que foi dito.

Como responder

6
Estar lá antes
A própria direção da campanha de Harris disse que deveria ter apostado em podcasts mais cedo; em 2025–2026, democratas como James Talarico, Bernie Sanders e Pete Buttigieg foram a Rogan ou ao Flagrant.
Prebunking de narrativas previsíveis
Imigração, fraude eleitoral e crime são temas que voltam. Explique antes, em linguagem simples, como funcionam esses boatos e quais dados existem, para que o público reconheça o padrão quando aparecer.
Mensageiros de confiança, inclusive do outro lado
Em Springfield, o desmentido mais forte veio do prefeito e do governador republicanos e da polícia local. Peça a vozes locais e respeitadas pelo público adversário que digam o que sabem.
Rebater o corte, não o episódio
O que circula é o trecho de um minuto. Responda com um vídeo curto, no mesmo formato e nas mesmas plataformas, com o fato correto e a fonte, em vez de um texto longo que ninguém compartilha.
Usar as vias legais e as regras das plataformas
A advertência do Departamento de Justiça, a ação do promotor da Filadélfia e os processos de participantes mostraram o caminho; a remoção do episódio dos Nelk Boys também. Documente com datas e capturas e leve a autoridades eleitorais, tribunais e plataformas.
Falar das preocupações reais dos homens jovens
A Time aponta a economia e a idade de Biden como motores do afastamento. Propostas concretas sobre trabalho, custo de vida e respeito, ditas por quem esse público ouve, competem melhor do que campanhas sobre os podcasters.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

A decisão é sua

Seis momentos do ponto de vista de uma campanha democrática diante deste playbook. Escolha e veja o que a evidência sugere.

Regras

O que se aplicou no caso: lei federal e estadual, decisões judiciais e políticas das plataformas.

O que se aplicou no caso: lei federal e estadual, decisões judiciais e políticas das plataformas.

Pagamentos ligados a eleitores registrados
Em 23 de outubro de 2024, o Departamento de Justiça advertiu Musk de que o prêmio de 1 milhão a eleitores registrados podia violar a lei federal; o professor de direito eleitoral Rick Hasen chamou-o de claramente ilegal.
Lei de loterias da Pensilvânia
O promotor da Filadélfia, Larry Krasner, processou Musk e o America PAC em 28 de outubro de 2024 por loteria ilegal. Em 4 de novembro, o juiz Angelo Foglietta deixou o programa continuar, depois de os advogados dizerem que os ganhadores eram escolhidos, não sorteados.
Processos de participantes e de cabos eleitorais
Participantes do Texas e de Michigan processaram por terem sido enganados sobre o sorteio; em abril de 2025, um cabo eleitoral de Bucks County pediu ação coletiva por mais de 20 mil dólares de comissões não pagas. O America PAC disse ter enviado a grande maioria dos cheques.
Wisconsin, 2025
Musk entregou cheques de 1 milhão antes da eleição para o Supremo estadual; o procurador-geral contestou, mas a Suprema Corte do estado recusou-se a julgar o caso. O candidato apoiado por Musk, Brad Schimel, perdeu para Susan Crawford.
FARA e financiamento estrangeiro oculto
Em setembro de 2024, dois funcionários da RT foram acusados de conspiração para violar a lei de registro de agentes estrangeiros (FARA) e de lavagem de dinheiro, por financiar em segredo vídeos de influenciadores americanos.
Políticas das plataformas
O YouTube removeu o episódio de 2022 com os Nelk Boys por violar a política contra desinformação eleitoral. As plataformas exigem marcação de parcerias pagas; criadores pagos sem identificação violam essas regras.
Só gente real e identificada
Para campanhas democráticas: nada de perfis falsos, bots, criadores pagos sem identificação nem dinheiro atrelado a registro de eleitores.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Os podcasts explicam pouco do resultado
O working paper da NYU (set. 2026) conclui que os podcasts parecem explicar só uma pequena parte da diferença de gênero no voto jovem; economia, inflação e a idade de Biden pesaram, segundo a Time.
Harris venceu o voto jovem
Mesmo com a vantagem entre homens jovens, Trump perdeu o eleitorado de 18 a 29 anos por 47% a 51% (AP VoteCast, análise CIRCLE).
Audiência não é voto
Visualizações medem alcance, não persuasão; muitas contagens vêm da campanha. Segundo a Edison, citada pela NPR, democratas e independentes são maioria entre os ouvintes de vários desses programas.
Uma coalizão frágil
Em 2025, Rogan, Theo Von e Andrew Schulz criticaram deportações e o caso Epstein; Schulz disse não ter votado "em nada disso". A aprovação de Trump entre homens de 18 a 29 anos caiu para 47% (NBC, ago.–set. 2025).
O dinheiro não comprou tudo
O porta a porta pago do America PAC teve problemas: dados internos marcavam 20% a 25% das visitas no Arizona e em Nevada como possivelmente fraudulentas, segundo o Guardian. Em Wisconsin, em 2025, os milhões de Musk não elegeram o seu candidato.
Os anfitriões também têm agenda
Podcasters não são militantes: o mesmo espaço que recebeu Trump recebeu depois democratas como Talarico e Sanders, e Rogan disse em 2025 que Trump não tinha provas de fraude em 2020.

Verificar

Cinco perguntas sobre a mecânica, as linhas vermelhas e as respostas.

Cinco perguntas sobre a mecânica, as linhas vermelhas e as respostas. Cada resposta traz a explicação.

1. Qual era o público prioritário da rota dos podcasts, segundo a Time?
2. Como votaram os jovens de 18 a 29 anos em 2024, segundo a análise do CIRCLE ao AP VoteCast?
3. O que os advogados de Musk disseram em tribunal sobre o prêmio diário de 1 milhão do America PAC?
4. Qual é a melhor resposta quando uma falsidade sai num corte viral de podcast?
5. O que o working paper da NYU (set. 2026) concluiu sobre os podcasts e o voto dos homens jovens?

Fontes

Estudo de caso construído com entrevistas de estrategistas das duas campanhas, pesquisas, checagens, documentos e decisões judiciais e…

Estudo de caso construído com entrevistas de estrategistas das duas campanhas, pesquisas, checagens, documentos e decisões judiciais e reportagens publicadas entre setembro de 2024 e outubro de 2026. Todas as páginas foram abertas e lidas em 26 de outubro de 2026. Nenhuma fonte liga diretamente a conteúdo extremista.

33 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Atualizado em 26 de outubro de 2026

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