Em 30 segundos
56% contra 42% entre homens de 18 a 29 anos para Trump; no voto jovem total, Harris venceu por 51% a 47% (AP VoteCast, análise CIRCLE).
37% dos americanos de 18 a 29 anos informavam-se regularmente através de influenciadores (Pew). A campanha foi aos programas onde já estavam: comédia, luta, videojogos.
Conversas de uma a três horas, depois excertos espalhados pelo X, TikTok e contas aliadas.
Aprende-se: ir onde o público já está, com conversa longa e mensageiros que ele conhece.
Nunca: afirmações falsas sem contraditório, boatos que desumanizam imigrantes, dinheiro associado ao registo de eleitores. Para responder: chegar primeiro, com factos e mensageiros de confiança.
Como ler este caso
Aqui não há toolkit para copiar. Há a mecânica do que funcionou, as linhas vermelhas que foram cruzadas (e o que custaram) e como responder quando este playbook for usado contra a tua campanha.
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
A voz dos estrategas vem das entrevistas de Alex Bruesewitz e de assessores ouvidos pela Time; a da campanha de Harris, das avaliações…
A voz dos estrategas vem das entrevistas de Alex Bruesewitz e de assessores ouvidos pela Time; a da campanha de Harris, das avaliações públicas da sua direção. O resto foi documentado por investigadores, verificadores de factos, jornalistas e tribunais. Esta página não inclui ligações para contas de extremistas.
Alex Bruesewitz
Consultor republicano, fundador da X Strategies (2017) e autor de Winning the Social Media War (2022)
Encarregado por Susie Wiles, no fim de julho de 2024, de montar a lista de podcasts e de propor cada um a Trump, muitas vezes por telefone. Em 2025, segundo a CJR, era também conselheiro sénior do PAC Never Surrender e geria o digital de boa parte da operação política de Trump, incluindo @TrumpWarRoom e @TeamTrump no X.
FontesSusie Wiles e Chris LaCivita
Direção da campanha de Trump em 2024
Desenharam a estratégia centrada nos homens que votam pouco, com o especialista em sondagens Tony Fabrizio e James Blair, segundo a reconstituição da Time.
FontesBarron Trump
Filho do candidato, então com 18 anos (segundo a Time e Bruesewitz)
Segundo a Time e o próprio Bruesewitz, foi consultado por Trump sobre cada podcast e sugeriu começar pelo streamer Adin Ross.
FontesJen O'Malley Dillon, Stephanie Cutter e David Plouffe
Presidente da campanha, diretora de comunicação e conselheiro sénior de Kamala Harris
Avaliaram publicamente, no Pod Save America, por que razão a campanha não chegou a Rogan e o que fariam de diferente com os podcasts.
FontesPew Research Center
Centro de investigação apartidário
Mediu quantos norte-americanos se informam através de influenciadores de notícias e traçou o perfil de 500 deles (2024 e 2025).
FontesCIRCLE (Universidade Tufts)
Centro de investigação sobre participação cívica jovem
Analisou o voto jovem de 2024 por género a partir do AP VoteCast.
FontesNYU CSMaP
Melina Much, Kylan Rutherford, Jonathan Nagler, Joshua A. Tucker e Jason Greenfield
Analisaram 36 659 episódios de podcasts de 2024 e concluíram que os podcasts explicam apenas uma pequena parte da diferença de género no voto jovem.
FontesVerificadores: CNN (Daniel Dale) e PolitiFact
Verificação de factos
A CNN contou pelo menos 32 afirmações falsas na entrevista a Rogan; o PolitiFact elegeu o boato de Springfield a Mentira do Ano de 2024.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Paráfrases de estrategas das duas campanhas e conclusões de investigadores.
Paráfrases de estrategas das duas campanhas e conclusões de investigadores. Citações curtas entre aspas e traduzidas. Boatos e slogans que atacam grupos não são reproduzidos.
Resumiram a tese da campanha como "maximizar os homens e segurar as mulheres". O alvo eram homens com menos de 40 anos que votam pouco e se informam por podcasts e redes sociais.
Assessores de Trump, à Time, Time, "How Trump Won", 6 nov. 2024
Repetia como mantra uma frase atribuída a Churchill: tentar estar seguro em todo o lado é ser forte em lado nenhum. A campanha aceitou o risco de investir em quem quase não liga à política.
Chris LaCivita, codiretor da campanha, Time, "How Trump Won", 6 nov. 2024
Para ele, os podcasters fizeram melhores perguntas do que muitos jornalistas; dá como exemplo a discussão sobre fertilização in vitro no programa de Andrew Schulz. Os influenciadores seriam celebridades que não dependem dos guardiões tradicionais.
Alex Bruesewitz, Columbia Journalism Review, "The Influencer", 30 abr. 2025
Descreveu os podcasts como um "jogo de números", porque cada um tem audiência própria, e disse que quanto mais as pessoas ouviam Trump diretamente, mais gostavam dele. Confirmou ter ouvido Barron sobre a estratégia.
Alex Bruesewitz, Podcast Ruthless, relatado pela Fox News, 6 fev. 2025
Mais 6 citações
Disse que a campanha deveria ter mostrado mais cedo a sua estratégia de podcasts, dado o pouco tempo de que dispunha.
Jen O'Malley Dillon, presidente da campanha de Harris, Pod Save America, relatado pela Inside Radio, nov.–dez. 2024
Os podcasts de Trump chegaram a homens jovens com quem Harris tinha dificuldade; uma ida a Rogan teria furado a bolha, mas, para ela, não teria mudado o resultado.
Stephanie Cutter, diretora de comunicação de Harris, Pod Save America, relatado pela Inside Radio, nov.–dez. 2024
Pressionado na CNN sobre o boato de Springfield, disse que, se tivesse de "criar histórias" para a imprensa prestar atenção, o faria. Negou qualquer relação com as ameaças de bomba.
JD Vance, candidato a vice-presidente, CNN State of the Union, 15 set. 2024 (WOUB)
Entre 500 influenciadores de notícias, 63% eram homens, 27% declaravam-se de direita e 21% de esquerda, e 77% nunca tinham trabalhado numa redação.
Pew Research Center, "America's News Influencers", 18 nov. 2024
Os podcasts são uma parte possivelmente relevante do ambiente mediático, mas parecem explicar apenas uma pequena parte da diferença de género; o público separa-se por gosto masculino ou feminino, não por ideologia.
Much, Rutherford, Nagler, Tucker e Greenfield (NYU CSMaP), Working paper "Did Podcasts Help Trump Win Young Men?", 17 set. 2026
Depois das críticas de podcasters ao caso Epstein, considerou que o tema dificilmente mudará votos, mas pode desmobilizar quem votou e levar parte a ficar em casa.
Eric Wilson, estratega digital republicano, NPR, 30 jul. 2025
A história
A ideia não nasceu em 2024: Trump já tinha ido aos Nelk Boys em 2022.
A ideia não nasceu em 2024: Trump já tinha ido aos Nelk Boys em 2022. Mas foi depois da troca de Biden por Harris que a campanha fez dos podcasts a sua rota principal até aos homens jovens, com factos e falsidades misturados na mesma conversa, e dinheiro e boatos a circular à volta.
- 56% × 42%
- Trump × Harris entre homens dos 18 aos 29 anos; entre mulheres, 41% × 58% (AP VoteCast, análise do CIRCLE)
- 37%
- dos norte-americanos dos 18 aos 29 anos informavam-se regularmente através de influenciadores de notícias em 2024 (Pew)
- ~50 M × ~890 mil
- visualizações no YouTube de Trump em Rogan e de Harris em Call Her Daddy, segundo números citados pela Inside Radio
- 32
- afirmações falsas, no mínimo, contadas pela CNN nas quase três horas com Rogan (25 out. 2024)
De 2022 a 2026
- 2022Trump vai ao podcast dos Nelk Boys, incentivado por Dana White. O episódio passa os 5 milhões de visualizações em 24 horas e é removido pelo YouTube por violar a política contra a desinformação eleitoral.
- jul. 2024Musk apoia Trump depois do atentado na Pensilvânia. Com Harris no lugar de Biden, Susie Wiles pede a Bruesewitz uma lista de podcasts; Trump responde por telefone, do campo de golfe, que consulte Barron.
- ago.–out. 2024Trump começa pelo stream de Adin Ross (pico de cerca de 600 mil espectadores) e segue para Logan Paul, Theo Von, Flagrant, Lex Fridman e outros: quase uma dúzia de podcasts no fim do verão e no outono.
- 6–16 set. 2024Um boato falso sobre imigrantes haitianos a comer animais de estimação em Springfield torna-se viral no X; Vance repete-o a 9 de setembro e Trump no debate de dia 10. A cidade recebe pelo menos 33 ameaças de bomba, segundo o governador republicano Mike DeWine.
- out. 2024Harris aparece em Call Her Daddy (6 out.), Club Shay Shay e All the Smoke; as conversas com Rogan não chegam a ter data. Musk oferece 47 e depois 100 dólares por eleitor indicado para a petição do America PAC e 1 milhão por dia a signatários; o Departamento de Justiça avisa que pode ser ilegal (23 out.).
- 25 out. 2024Quase três horas no Joe Rogan Experience, combinadas por Jared Kushner e Ivanka Trump, segundo Bruesewitz. A CNN conta pelo menos 32 afirmações falsas.
- 4–5 nov. 2024Rogan declara apoio a Trump; um juiz de Filadélfia deixa o sorteio de Musk continuar. Trump vence a eleição e ganha entre homens dos 18 aos 29 anos (56% contra 42%), mas perde o voto jovem total (47% contra 51%).
- 2025A Casa Branca cria um lugar para "novos media" na sala de imprensa. Rogan, Theo Von e Andrew Schulz criticam as deportações e o caso Epstein; numa sondagem da NBC de agosto–setembro, apenas 47% dos homens dos 18 aos 29 anos aprovam Trump.
- set.–out. 2026Um working paper da NYU conclui que os podcasts explicam apenas uma pequena parte da diferença de género de 2024. Sondagens citadas pela imprensa apontam para uma queda da imagem de Rogan e de Trump entre os homens jovens antes das eleições intercalares.
Três camadas
O alcance não vinha só do episódio: vinha da combinação entre os programas, a máquina de cortes e uma rede de dinheiro e amplificação à volta.
- Os programasPodcasts e streams de comédia, luta, videojogos e estilo de vida, com audiência masculina, jovem e pouco política. Conversas longas e informais, com o candidato como convidado e não como alvo de entrevista.
- Os cortesExcertos curtos no X, TikTok, YouTube e Instagram, publicados por contas da campanha, de aliados e de fãs. Bruesewitz somou cerca de 110 milhões de visualizações dos cortes do stream de Adin Ross. É um número da campanha, não auditado. Disse à CJR ter sido o primeiro a contar esse “mercado secundário” de cortes, em vez de apenas as visualizações oficiais, e levou a soma a Trump no dia seguinte.
- Dinheiro e amplificaçãoMusk e o X, o America PAC com pagamentos por petição e porta a porta, influenciadores alinhados e contas que espalharam boatos como o de Springfield. É nesta camada que estão os problemas documentados por verificadores, jornalistas e tribunais.
O que não se sabe. O papel de Barron Trump vem de assessores ouvidos pela Time e de Bruesewitz, não de declarações do próprio Barron.
Os números de visualizações são, em parte, contagens da campanha ou estimativas da imprensa, e não foram auditados. Os resultados por idade vêm de sondagens à boca das urnas e do AP VoteCast e variam consoante a fonte (a NBC deu 42% a Trump entre os 18 e os 29 anos; o AP VoteCast, 47%). A reportagem sobre pagamentos a criadores do lado democrata (Way to Win) está em parte reservada a assinantes. A afirmação de que Harris se arrependeu de não ir a Rogan foi lida num artigo de opinião do Boston Globe. O desfecho da queixa da Haitian Bridge Alliance contra Trump e Vance não foi verificado, nem o número total de vencedores do sorteio de Musk.
O terreno
Nos Estados Unidos de 2024, um em cada cinco adultos e quase quatro em cada dez jovens dos 18 aos 29 anos informavam-se regularmente…
Nos Estados Unidos de 2024, um em cada cinco adultos e quase quatro em cada dez jovens dos 18 aos 29 anos informavam-se regularmente através de influenciadores, e os grandes podcasts de comédia, luta e videojogos tinham audiências maioritariamente masculinas. A campanha de Harris, que substituiu Biden em julho, teve pouco mais de cem dias.
Plataformas
- Podcasts em vídeo no YouTube e no Spotify
- Conversas de uma a três horas com Rogan, Theo Von, Flagrant ou os Nelk Boys, cada um com audiência própria e fiel. Segundo a Edison, citada pela NPR, mais de 70% dos ouvintes destes programas são homens e a maioria tem menos de 45 anos.
- Streams em direto (Adin Ross)
- Transmissões de videojogos e celebridades, com público muito jovem. A entrevista de agosto de 2024 chegou a cerca de 600 mil espectadores em simultâneo, segundo a CJR.
- X
- Bruesewitz geria contas como @TrumpWarRoom e @TeamTrump. O dono da plataforma, Elon Musk, apoiou Trump em julho de 2024 e publicou mais de mil posts sobre imigração e fraude eleitoral, com mais de 10 mil milhões de visualizações, segundo a Bloomberg.
- TikTok e cortes
- Os excertos das conversas e os memes circulavam muito para lá do episódio: um vídeo a troçar da dança de Trump tinha cerca de 70 milhões de visualizações, segundo a CJR.
- Circuito da luta e do entretenimento masculino
- Dana White, presidente do UFC, abriu as portas dos Nelk Boys em 2022 e sugeriu nomes à campanha. Comédia, luta, golfe e videojogos funcionavam como porta de entrada, não como media política.
- Media tradicionais
- Segundo a Time, a campanha de Trump evitou deliberadamente a maior parte das entrevistas tradicionais; Bruesewitz disse que as críticas da imprensa até reforçaram a estratégia.
Condições locais
- Diferença de género crescente entre jovens: em 2024, as mulheres dos 18 aos 29 anos votaram 58% em Harris e os homens 56% em Trump (AP VoteCast, análise do CIRCLE).
- Homens com pouca propensão para votar: a vantagem de Trump era maior entre homens com menos de 40 anos que votam de forma irregular, muitos insatisfeitos com a economia e com a idade de Biden (Time).
- Informação por influenciadores: 21% dos adultos e 37% dos jovens dos 18 aos 29 anos informavam-se regularmente através de influenciadores em 2024; 38% dos jovens em 2025 (Pew).
- Campanha curta do lado democrata: Harris substituiu Biden em julho e a direção da campanha disse não ter encontrado datas para Rogan.
- Dinheiro sem teto em comités independentes: Musk deu cerca de 277 milhões de dólares a Trump e aliados em 2024, segundo o Washington Post, e financiou quase sozinho o America PAC.
- Proteção ampla da liberdade de expressão: nos EUA, as afirmações falsas de candidatos em entrevistas raramente têm consequências legais; a resposta passa pela verificação de factos, pelas plataformas e pelos eleitores.
O método
Não há um manual publicado.
Não há um manual publicado. O que se segue é a mecânica reconstituída a partir das entrevistas de Bruesewitz, da Time e da CJR.
Três frentes
- Escolher quem não vota
- A campanha concentrou-se em homens jovens que votam pouco e quase não consomem notícias, aceitando o risco de investir num público instável em vez de disputar apenas os indecisos clássicos.
- Ir onde eles já estão
- Programas não políticos com audiência própria: comédia, luta, videojogos, estilo de vida. O candidato entra como convidado de uma conversa longa e informal, não como entrevistado de telejornal.
- Transformar a conversa em cortes
- Cada episódio rendia excertos curtos para o X, o TikTok e o YouTube, espalhados por contas da campanha, de aliados e de fãs, muito para lá do público do programa.
O ciclo de um episódio
Do convite ao corte viral, cada participação seguia um circuito semelhante, segundo as reportagens citadas.
- Mapear Lista de programas com audiência jovem e masculina, com sugestões de Dana White e de pessoas do público-alvo, como Barron.
- Validar Bruesewitz propunha a Trump, muitas vezes por telefone; a família ajudava a decidir e, no caso de Rogan, a organizar. Antes de cada conversa, segundo a CJR, preparava o candidato procurando um assunto em comum com o apresentador: com Adin Ross, o rapper Young Thug, amigo do streamer.
- Conversar Uma a três horas, tom descontraído, temas pessoais, humor e desporto misturados com política; pouco contraditório sobre os factos.
- Cortar Excertos curtos, engraçados ou polémicos, publicados por contas da campanha e de aliados.
- Amplificar Partilhas por influenciadores alinhados e, no X, por Musk; o próprio Trump divulgava os números.
- Absorver a crítica Verificações de factos e críticas da imprensa tornavam-se mais conversa; Bruesewitz disse que a cobertura negativa reforçou a estratégia.
- Repetir Um novo programa a cada semana ou duas, de agosto a novembro, até à conversa com Rogan nos últimos dez dias.
E recomeça.
O que aprender e o que nunca copiar
Parte do que a campanha de Trump fez é simples competência de comunicação: ir onde o público está e falar com calma e durante muito tempo.
Parte do que a campanha de Trump fez é simples competência de comunicação: ir onde o público está e falar com calma e durante muito tempo. Outra parte é o que verificadores, tribunais e jornalistas documentaram como falsidade, dano e dinheiro opaco.
Nunca copiar
5
- Afirmações falsas sem contraditório
- A CNN contou pelo menos 32 falsidades na entrevista a Rogan, sobre a eleição de 2020, imigração, economia e energia. O episódio de 2022 com os Nelk Boys foi removido pelo YouTube por desinformação eleitoral.
- Boatos que desumanizam imigrantes
- O boato de Springfield foi desmentido pela polícia, pelo presidente da câmara e pelo governador, que não encontraram nenhum caso; a cidade recebeu pelo menos 33 ameaças de bomba, escolas e universidades suspenderam atividades e haitianos relataram assédio. O PolitiFact elegeu-o Mentira do Ano de 2024.
- Dinheiro associado ao registo de eleitores
- O America PAC pagou 47 e depois 100 dólares por indicação de eleitores recenseados e 1 milhão por dia a signatários. O Departamento de Justiça avisou que podia ser ilegal; em tribunal, os advogados de Musk admitiram que os vencedores não eram sorteados, mas escolhidos como porta-vozes pagos. Houve processos de participantes e de angariadores por pagamentos não feitos.
- Criadores pagos sem transparência, de qualquer lado
- Em 2024, o Departamento de Justiça acusou dois funcionários da RT de financiarem em segredo, com quase 10 milhões de dólares, uma empresa que pagava a influenciadores de direita, que disseram não saber. Do lado democrata, segundo uma reportagem de Lee Fang com a RealClearInvestigations, o grupo Way to Win gastou mais de 9,1 milhões com mais de 550 criadores, num arranjo que o autor descreve como concebido para esconder os pagamentos dos eleitores; a reportagem não aponta ilegalidade.
- "Criar histórias" para marcar a agenda da imprensa
- Vance admitiu na CNN estar disposto a criar histórias para chamar a atenção. O custo recaiu sobre uma comunidade real e sobre a confiança pública; a Haitian Bridge Alliance apresentou queixa contra Trump e Vance, que um tribunal remeteu para o procurador do condado.
O que aprender
6
- Ir aos programas que não são de política
- Comédia, desporto, videojogos, saúde, música: é aí que estão os eleitores que não veem telejornais. Uma campanha progressista pode levar candidatos e porta-vozes a esses programas, com o mesmo respeito pelo público e pelos factos.
- Aceitar a conversa longa
- Uma ou duas horas sem guião mostram a pessoa por trás do candidato. Prepara dados, histórias e respostas a perguntas difíceis; a informalidade não dispensa o rigor.
- Ouvir quem é do público
- Trump consultou alguém de 18 anos que conhecia os programas. Constitui um grupo de jovens do público que pretendes alcançar para te dizerem que vozes ouvem realmente.
- Dizer que sim depressa
- A direção da campanha de Harris lamentou ter sinalizado tarde a estratégia e não ter encontrado data para Rogan. Define cedo a lista de programas e reserva agenda do candidato para eles.
- Mapear espaços mediáticos, não só ideologia
- A NYU mostrou que o público se separa por gosto (programas de cultura masculina ou feminina), não por partido. Planeia presença em espaços de homens e de mulheres jovens, sem estereótipos.
- Cortes verdadeiros e identificados
- Transforma cada participação em excertos curtos, publicados por contas reais e identificadas, com contexto e sem edição que distorça o que foi dito.
Como responder
6
- Estar lá primeiro
- A própria direção da campanha de Harris disse que deveria ter apostado mais cedo nos podcasts; em 2025–2026, democratas como James Talarico, Bernie Sanders e Pete Buttigieg foram a Rogan ou ao Flagrant.
- Prebunking de narrativas previsíveis
- Imigração, fraude eleitoral e crime são temas que regressam. Explica antecipadamente, em linguagem simples, como funcionam estes boatos e que dados existem, para que o público reconheça o padrão quando aparecer.
- Mensageiros de confiança, incluindo do outro lado
- Em Springfield, o desmentido mais forte veio do presidente da câmara e do governador republicanos e da polícia local. Pede a vozes locais respeitadas pelo público adversário que digam o que sabem.
- Rebater o corte, não o episódio
- O que circula é o excerto de um minuto. Responde com um vídeo curto, no mesmo formato e nas mesmas plataformas, com o facto correto e a fonte, em vez de um texto longo que ninguém partilha.
- Usar as vias legais e as regras das plataformas
- O aviso do Departamento de Justiça, a ação do procurador de Filadélfia e os processos de participantes mostraram o caminho; a remoção do episódio dos Nelk Boys também. Documenta com datas e capturas de ecrã e leva o caso às autoridades eleitorais, aos tribunais e às plataformas.
- Falar das preocupações reais dos homens jovens
- A Time aponta a economia e a idade de Biden como motores do afastamento. Propostas concretas sobre trabalho, custo de vida e respeito, transmitidas por quem este público ouve, competem melhor do que campanhas sobre os podcasters.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a campanha
Seis momentos do ponto de vista de uma campanha democrática perante este playbook. Escolhe e vê o que a evidência sugere.
Regras
O que se aplicou no caso: lei federal e estadual, decisões judiciais e políticas das plataformas.
O que se aplicou no caso: lei federal e estadual, decisões judiciais e políticas das plataformas.
- Pagamentos ligados a eleitores recenseados
- A 23 de outubro de 2024, o Departamento de Justiça avisou Musk de que o prémio de 1 milhão a eleitores recenseados podia violar a lei federal; o professor de direito eleitoral Rick Hasen considerou-o claramente ilegal.
- Lei das lotarias da Pensilvânia
- O procurador de Filadélfia, Larry Krasner, processou Musk e o America PAC a 28 de outubro de 2024 por lotaria ilegal. A 4 de novembro, o juiz Angelo Foglietta deixou o programa continuar, depois de os advogados alegarem que os vencedores eram escolhidos, não sorteados.
- Processos de participantes e de angariadores
- Participantes do Texas e do Michigan processaram por terem sido enganados sobre o sorteio; em abril de 2025, um angariador do condado de Bucks pediu uma ação coletiva por mais de 20 mil dólares de comissões não pagas. O America PAC disse ter enviado a grande maioria dos cheques.
- Wisconsin, 2025
- Musk entregou cheques de 1 milhão antes da eleição para o Supremo Tribunal estadual; o procurador-geral contestou, mas o Supremo Tribunal do estado recusou-se a apreciar o caso. O candidato apoiado por Musk, Brad Schimel, perdeu para Susan Crawford.
- FARA e financiamento estrangeiro oculto
- Em setembro de 2024, dois funcionários da RT foram acusados de conspiração para violar a lei de registo de agentes estrangeiros (FARA) e de branqueamento de capitais, por financiarem em segredo vídeos de influenciadores norte-americanos.
- Políticas das plataformas
- O YouTube removeu o episódio de 2022 com os Nelk Boys por violar a política contra a desinformação eleitoral. As plataformas exigem a identificação de parcerias pagas; criadores pagos sem identificação violam essas regras.
- Só pessoas reais e identificadas
- Para campanhas democráticas: nada de perfis falsos, bots, criadores pagos sem identificação nem dinheiro associado ao recenseamento de eleitores.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Os podcasts explicam pouco do resultado
- O working paper da NYU (set. 2026) conclui que os podcasts parecem explicar apenas uma pequena parte da diferença de género no voto jovem; a economia, a inflação e a idade de Biden pesaram, segundo a Time.
- Harris venceu o voto jovem
- Mesmo com a vantagem entre os homens jovens, Trump perdeu o eleitorado dos 18 aos 29 anos por 47% contra 51% (AP VoteCast, análise do CIRCLE).
- Audiência não é voto
- As visualizações medem alcance, não persuasão; muitas contagens vêm da campanha. Segundo a Edison, citada pela NPR, democratas e independentes são maioria entre os ouvintes de vários destes programas.
- Uma coligação frágil
- Em 2025, Rogan, Theo Von e Andrew Schulz criticaram as deportações e o caso Epstein; Schulz disse não ter votado "em nada disto". A aprovação de Trump entre os homens dos 18 aos 29 anos caiu para 47% (NBC, ago.–set. 2025).
- O dinheiro não comprou tudo
- O porta a porta pago do America PAC teve problemas: dados internos marcavam 20% a 25% das visitas no Arizona e no Nevada como possivelmente fraudulentas, segundo o Guardian. No Wisconsin, em 2025, os milhões de Musk não elegeram o seu candidato.
- Os anfitriões também têm agenda
- Os podcasters não são militantes: o mesmo espaço que recebeu Trump recebeu depois democratas como Talarico e Sanders, e Rogan disse em 2025 que Trump não tinha provas de fraude em 2020.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Estudo de caso construído com entrevistas de estrategas das duas campanhas, estudos, verificações de factos, documentos e decisões…
Estudo de caso construído com entrevistas de estrategas das duas campanhas, estudos, verificações de factos, documentos e decisões judiciais e reportagens publicadas entre setembro de 2024 e outubro de 2026. Todas as páginas foram abertas e lidas a 26 de outubro de 2026. Nenhuma fonte contém ligação direta para conteúdo extremista.
33 fontes
Quem fez
- Columbia Journalism Review: The Influencer (Alex Bruesewitz) 30 abr. 2025
- Fox News: Trump campaign adviser reveals who really was behind setting up iconic Joe Rogan interview (Bruesewitz no podcast Ruthless) 6 fev. 2025
- Time: How Trump Won 6 nov. 2024
- Inside Radio: Harris campaign team looks back at role of podcasts during 2024 campaign nov.–dez. 2024
Dados
- Pew Research Center: America's News Influencers 18 nov. 2024
- Pew Research Center: Americans' experiences with social media news influencers 18 nov. 2024
- Pew Research Center: News Influencers Fact Sheet 2025
- CIRCLE (Tufts): The Youth Vote in 2024 nov. 2024–abr. 2025
Imprensa
- Eric Cortellessa (Time): fio no X sobre a estratégia dos podcasts 6 nov. 2024
- Mediaite: 'Call Barron': Trump reportedly had youngest son vet bookings for podcast interviews 6 nov. 2024
- The American Conservative: Zoomer Power 9 nov. 2024
- La Voce di New York: How Barron Helped Trump Enter the 'Manosphere' 10 nov. 2024
- Mediaite: Harris campaign reportedly spent six figures to build set for Call Her Daddy podcast 8 nov. 2024
- Fox News: Harris paid Oprah $1 million in failed bid to help campaign: report 10 nov. 2024
- WOUB/Statehouse News Bureau: JD Vance defends false Springfield claims 16 set. 2024
- Wikipedia: Springfield pet-eating hoax consultado a 26 out. 2026
- Pennsylvania Capital-Star: Judge rules Musk's America PAC can continue $1 million prizes 4 nov. 2024
- TheWrap: Elon Musk's attempt to move $1 million giveaway lawsuit to federal court rejected 1 nov. 2024
- Boston Globe/AP: Elon Musk sued for failing to make payments over 2024 petition signatures 2 abr. 2025
- Wikipedia: America PAC consultado a 26 out. 2026
- Wikipedia: Views of Elon Musk (eleição de 2024) consultado a 26 out. 2026
- Axios: Russian influence scheme deceived right-wing content creators 4–5 set. 2024
- NPR: How Russian operatives covertly hired U.S. influencers set. 2024
- Lee Fang/RealClearInvestigations: Exclusive: Democrats' Dark Money Fund for TikTok Influencers 31 mar. 2025
- NPR (via KAXE): Podcasters who backed Trump air frustrations over handling of Epstein case 30 jul. 2025
- NBC News: Trump's support among influential podcasters is waning 5 out. 2025
- The Daily Wire: The podcasters who helped decide 2024 are seeing their influence crater 20 out. 2026
- Wikipedia: Alex Bruesewitz consultado a 26 out. 2026
- Wikipedia: Joe Rogan consultado a 26 out. 2026
Análise
- NYU CSMaP: Did Podcasts Help Trump Win Young Men? Gendered Media Spaces and Gender Gaps 17 set. 2026
- CNN (via KVIA): Fact check: 32 false claims Trump made to Joe Rogan 27 out. 2024
- Poynter/PolitiFact: Lie of the Year 2024: Springfield pet-eating claims 17 dez. 2024
- Boston Globe (opinião): The podcast pipeline that fueled Trump is breaking 17 mar. 2026
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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