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Mural com a palavra YES em listas arco-íris numa parede de tijolo cinzenta em Redfern, Sydney, setembro de 2017

Austrália · 2017

Equality Campaign

O teu Sim pelo correio

No original: #PostYourYES, a hashtag das selfies de quem devolvia o formulário pelo correio.

Em 2017, 7,8 milhões de australianos devolveram pelo correio um Sim ao casamento igualitário. Vê como a Equality Campaign encontrou os apoiantes, ao telefone e à porta, e os levou a votar.

Atualizado a 28 de outubro de 202632 min de leituraFontes (33)

Uma homenagem a Tiernan Brady, Anna Brown, Alex Greenwich, Tim Gartrell, Sally Rugg e aos milhares de voluntários das sessões de chamadas. Projeto independente, sem ligação à campanha.

Visão geral

Em 30 segundos

  1. 61,6% de Sim e 79,5% de participação no inquérito postal voluntário de 2017; o Parlamento aprovou o casamento igualitário a 7 de dezembro.

  2. Mais de 1 milhão de chamadas, segundo a GetUp: voluntários em sessões de chamadas encontraram apoiantes e pediram-lhes que enviassem o formulário no dia em que chegasse.

  3. 98 mil novos eleitores, 65 mil dos quais com 18 a 24 anos, entraram nos cadernos eleitorais entre 8 e 24 de agosto, quando o prazo fechou.

  4. Tiernan Brady, antigo diretor político da Yes Equality irlandesa, manteve um tom respeitoso, centrado nas famílias e nos amigos, e não respondeu à negatividade do Não.

  5. A campanha contestou o inquérito em tribunal e montou a operação ao mesmo tempo: Tim Gartrell assumiu a direção na manhã seguinte ao anúncio.

Os primeiros passos

  1. Formar a coligação com uma marca própria e uma copresidência das organizações fundadoras
  2. Escolher a direção executiva e a de campanha
  3. Montar a base de apoiantes por e-mail, com consentimento

Experimentar já Adaptar com o assistente

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Contexto e história

A história

Ninguém do lado do Sim queria esta votação: era cara, voluntária, por correio e sem efeito legal.

Ninguém do lado do Sim queria esta votação: era cara, voluntária, por correio e sem efeito legal. Mas, quando o governo a convocou em agosto de 2017, a campanha teve cerca de 13 semanas para levar uma maioria antiga a devolver os formulários. O plano tinha três partes: recensear quem faltava, encontrar os apoiantes um a um e lembrar cada um de enviar o voto.

61,6%
de Sim (7.817.247 respostas); 133 dos 150 círculos federais votaram Simoficial Fonte
79,5%
de participação: responderam 12,7 milhões de eleitores inscritosoficial Fonte
+1 milhão
de chamadas de voluntários para mobilizar o voto, segundo a GetUpdado da campanha Fonte
65 mil
jovens de 18 a 24 anos inscreveram-se nos cadernos eleitorais de 8 a 24 de agostooficial Fonte

Do Senado ao altar

  1. 2004A Lei do Casamento é alterada para definir o casamento como a união entre um homem e uma mulher.
  2. 2016Tiernan Brady começa a trabalhar com a Australian Marriage Equality em março. A 27 de outubro é lançada a Equality Campaign; a 7 de novembro, o Senado chumba o plebiscito.
  3. Ago. 2017O Senado volta a travar o plebiscito (9 ago.) e o governo manda a ABS fazer um inquérito postal voluntário. Na manhã seguinte ao anúncio, Tim Gartrell assume a direção da campanha.
  4. 23–24 ago.Começam as sessões de chamadas. Fecham os cadernos eleitorais: 98 mil novos eleitores, 65 mil com 18 a 24 anos, e 933 mil inscrições ou atualizações em 16 dias.
  5. 29–30 ago.Estreia o primeiro anúncio do Não na televisão, com três mães e o tema das escolas. Logo a seguir, o Sim põe no ar uma resposta da médica Kerryn Phelps.
  6. 7–12 set.O Tribunal Superior valida o inquérito; os formulários começam a ser enviados. O guião das chamadas passa a pedir às pessoas que enviem já o voto e falem com quem amam.
  7. 23 set.–3 out.Fim de semana de porta a porta em todo o país. A 3 de outubro, a ABS estima 57,5% de formulários devolvidos e a GetUp conta 650 mil chamadas.
  8. 15 nov.61,6% de Sim, com 79,5% de participação. Brady atribui a vitória a milhares de conversas positivas; Anna Brown pede ao Parlamento que vote a lei quanto antes.
  9. 29 nov.–9 dez.O Senado aprova a lei por 43 votos contra 12 e a Câmara dos Representantes a 7 de dezembro, sem emendas. Em vigor desde 9 de dezembro de 2017.
  10. Set. 2024A Equality Australia, nascida da campanha e dirigida por Anna Brown, critica a exclusão das pessoas LGBTIQ+ do Censo; o governo recua e inclui perguntas sobre orientação sexual e género no Censo de 2026, mas não sobre pessoas intersexo. O Censo fez essas perguntas pela primeira vez a 11 de agosto de 2026.

Três camadas

Uma coligação com sede profissional, uma direção de terreno em cada estado e uma multidão que fazia as chamadas onde estivesse.

  • A coligaçãoAustralian Marriage Equality e Australians for Equality sob a marca Equality Campaign. Copresidentes Anna Brown e Alex Greenwich, diretor executivo Tiernan Brady, diretor de campanha Tim Gartrell e, no auge, mais de 80 funcionários pagos, segundo a SBS.
  • O terrenoDireção nacional de terreno (Patrick Batchelor), diretores em cada estado e território, sede em Sydney e bases como o Victorian Trades Hall. As chamadas foram montadas com a GetUp.
  • A multidãoCerca de 15 mil voluntários, segundo a SBS, e sessões de chamadas organizadas por sindicatos, igrejas, empresas, clubes e amigos, além de quem contou a própria história em vídeo.
O que não se sabe. O milhão de chamadas é um número da GetUp, sem auditoria; os dados de setembro mostram uma taxa de contacto baixa (40 mil atendidas em 300 mil) e, segundo a GetUp, mais de 75% das conversas com quem já votava Sim.

Nenhum estudo público isola o efeito das chamadas ou do porta a porta na participação, e o resultado ficou perto do apoio que as sondagens já mostravam. O “maior porta a porta” da história australiana é uma afirmação da campanha, sem medição independente. Os 98 mil novos eleitores são dados oficiais da AEC; ativistas apelaram à inscrição, mas nenhuma fonte consultada mede o papel da campanha nesse aumento. Os 15 mil voluntários e 80 funcionários vêm da página da SBS sobre o documentário Australia Says Yes. O livro Yes Yes Yes não foi lido na íntegra; o playbook usa o excerto publicado pela SBS. O anúncio de resposta com Kerryn Phelps está confirmado, mas não o seu texto nem a hora exata em que foi para o ar. O gasto total da campanha não aparece nas fontes públicas consultadas.

O terreno

O que era específico da Austrália de 2017 e pode faltar noutro país.

O que era específico da Austrália de 2017 e pode faltar noutro país.

Plataformas

Sessões de chamadas
O motor da campanha. Desde 23 de agosto, voluntários telefonavam em grupo através de uma ferramenta automática de marcação para números de bases de dados comerciais compradas, escolhidos por género e idade. Sindicatos, igrejas, empresas, clubes e grupos de amigos organizaram as suas próprias sessões; a meio de setembro, a campanha contava 305 eventos registados.
Porta a porta
A campanha chamou ao fim de semana de 23 e 24 de setembro o maior porta a porta da Austrália. Em Leichhardt, um bairro de Sydney, equipas de voluntários foram às casas pedir às pessoas que enviassem o voto a tempo.
O correio
O formulário em papel foi enviado pelo correio a partir de 12 de setembro e todos estavam entregues até 25 de setembro; a ABS pedia a devolução até 27 de outubro, e o prazo final era 7 de novembro. Por isso o pedido central era enviá-lo logo.
E-mail e redes sociais
E-mail à base de apoiantes para lançar o #PostYourYES, com selfies junto ao marco do correio no Twitter, Instagram e Facebook, e vídeos de histórias pessoais, como os de Pat, de 88 anos, e de uma família.
Televisão e rádio
Anúncios do Sim com australianos de várias origens a irem ao marco do correio deixar o formulário, e uma resposta rápida ao primeiro anúncio do Não. Até 26 de setembro, a Ebiquity estimou cerca de 2,9 milhões de dólares australianos em anúncios dos dois principais grupos do Sim, contra cerca de 4 milhões da Coalition for Marriage.
SMS em massa
A 23 de setembro, uma mensagem de texto pelo Sim chegou a números gerados aleatoriamente e provocou queixas de privacidade, também de quem votava Sim. Fica registada como parte do terreno; o playbook não a recomenda.

Condições locais

  • O voto é obrigatório nas eleições australianas, mas este inquérito era voluntário, por correio e sem efeito legal: o trabalho passou a ser levar cada apoiante a votar.
  • O apoio ao casamento igualitário rondava os 62% havia anos, segundo a GetUp, e, até 2014, 16 projetos de lei sobre o tema tinham falhado no Parlamento, segundo a SBS.
  • O Senado chumbou o plebiscito obrigatório em novembro de 2016 e outra vez a 9 de agosto de 2017; o governo pediu então à ABS um inquérito postal, que o Tribunal Superior validou a 7 de setembro.
  • Só cerca de duas semanas para a inscrição nos cadernos eleitorais (prazo de 24 de agosto); menores de 18 anos excluídos; mais de um milhão de australianos no estrangeiro ainda por devolver o formulário em outubro.
  • Sem as regras normais da propaganda eleitoral, o Parlamento aprovou à pressa uma lei temporária de salvaguardas, em vigor de 14 de setembro a 15 de novembro.
  • Um debate público sobre a vida de uma minoria: as agressões verbais e físicas relatadas por pessoas LGBTIQ mais do que duplicaram nos três meses após o anúncio.
  • Um movimento já organizado: a Australian Marriage Equality, a Australians for Equality, a Equality Campaign lançada em outubro de 2016, a GetUp e os sindicatos.
  • O diretor executivo, Tiernan Brady, tinha sido diretor político da Yes Equality no referendo irlandês de 2015 (vê o playbook Irlanda 2015).

Método e evidência

O método

A campanha partiu de um diagnóstico: a maioria já existia, e o maior risco era a abstenção numa votação voluntária e por correio.

A campanha partiu de um diagnóstico: a maioria já existia, e o maior risco era a abstenção numa votação voluntária e por correio. Quase tudo serviu um objetivo, encontrar cada apoiante e levá-lo a devolver o formulário, sem perder o tom respeitoso.

Três frentes

Participação antes de conversão
Chamadas e portas foram para prováveis apoiantes, escolhidos por género e idade. O objetivo, segundo a reportagem do Guardian, era ativar os eleitores do Sim para que devolvessem o formulário e agissem eles próprios.
Pessoas conhecidas, tom respeitoso
Famílias, amigos e colegas no centro da mensagem. Brady recusou imitar a negatividade do Não e pediu milhões de conversas respeitosas; vídeos de histórias pessoais circularam nas redes.
Resposta rápida com mensageiro de confiança
Quando o Não levou as escolas para a televisão, o Sim respondeu logo com a médica Kerryn Phelps, e um diretor de escola desmentiu na imprensa uma das histórias do anúncio.

O ciclo da campanha

O ciclo seguiu o calendário oficial: prazo de inscrição, chegada dos formulários, data recomendada de devolução e fecho.

  1. Recensear Antes do prazo, levar aos cadernos eleitorais quem não está inscrito ou mudou de morada, sobretudo os jovens.
  2. Recrutar Reuniões públicas, e-mail à base de apoiantes e sessões de chamadas que qualquer grupo pode organizar.
  3. Encontrar Telefonar e bater à porta para encontrar apoiantes e saber se vão devolver o formulário.
  4. Pedir Enviar o formulário no dia em que chega, e falar com a família e os amigos.
  5. Tornar visível #PostYourYES, selfies junto ao marco do correio, figuras conhecidas como Ian Thorpe a enviar o formulário e vídeos de histórias pessoais.
  6. Responder Cada medo lançado pelo adversário recebe uma resposta curta, rápida e com um mensageiro de confiança; depois a conversa volta às pessoas.
  7. Medir Contar chamadas, atendimentos e conversas; acompanhar as estimativas de devolução da ABS e combater a complacência.
  8. Converter No dia do resultado, pedir ao Parlamento que aprove a lei quanto antes.

E recomeça.

Quem fez

Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram: o relato de Alex Greenwich e Shirleene Robinson no livro Yes…

Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram: o relato de Alex Greenwich e Shirleene Robinson no livro Yes Yes Yes, entrevistas de Tiernan Brady e Anna Brown durante e depois da campanha, o balanço de Sally Rugg, da GetUp, e o relato de um voluntário vindo da Yes Equality irlandesa. Os dados oficiais vêm da ABS e da AEC.

  • Tiernan Brady

    Diretor executivo da Equality Campaign (2016–2017); antes, diretor político da Yes Equality na Irlanda (2015)

    Começou a trabalhar na Austrália em 2016 com a regra do referendo irlandês: persuadir com conversas respeitosas e nunca responder à negatividade com negatividade.

    Fontes
  • Anna Brown

    Copresidente da Equality Campaign; advogada do Human Rights Law Centre; diretora executiva da Equality Australia desde dezembro de 2018

    Levou ao Tribunal Superior a contestação jurídica da Australian Marriage Equality e, na campanha, resumiu a mensagem: o casamento igualitário “não é um quê, é um quem”.

    Fontes
  • Alex Greenwich

    Copresidente da Australian Marriage Equality e da Equality Campaign; deputado estadual na Nova Gales do Sul

    Porta-voz da campanha e coautor, com Shirleene Robinson, de Yes Yes Yes (2018), o relato visto de dentro, feito com mais de 40 entrevistas.

    Fontes
  • Tim Gartrell

    Diretor da campanha do Sim no inquérito postal; chefe de gabinete do primeiro-ministro Anthony Albanese desde maio de 2022

    Antigo secretário nacional do Partido Trabalhista (2003–2008) e antigo gestor da campanha Recognise; foi nomeado na manhã seguinte ao anúncio do inquérito.

    Fontes
  • Sally Rugg

    Diretora para o casamento igualitário da GetUp

    A GetUp montou com a Equality Campaign as sessões de chamadas; Rugg contou depois que os voluntários passaram de 1 milhão de telefonemas.

    Fontes
  • Patrick Batchelor e os diretores estaduais de terreno

    Direção nacional de terreno; Georgia Kriz e Audrey Marsh (Nova Gales do Sul), Wil Stracke (Vitória) e equipas em cada estado e território

    Montaram bases em todo o país, como o Victorian Trades Hall, em Vitória, e encheram salas, corredores e escadas de voluntários ao telefone.

    Fontes
  • Shirleene Robinson

    Historiadora, membro da direção da Australian Marriage Equality

    Coautora de Yes Yes Yes: Australia's Journey to Marriage Equality (NewSouth, 2018).

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Declarações de participantesO que organizadores e voluntários disseram sobre as decisões que tomaram.

O que organizadores e voluntários disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação em contrário.

Mais 6 citações
  • A campanha descobriu aliados e apoio que não sabia que existiam; hoje, nas reuniões com o governo, ela sabe que tem 62% do país do seu lado.

    Anna Brown, diretora executiva da Equality Australia, Allens Alumni, entrevista, jan. 2020

  • A sede montou a estrutura e deu informação e recursos, mas o Sim dependia de australianos comuns mobilizarem o voto nas suas próprias comunidades.

    Alex Greenwich e Shirleene Robinson, SBS Voices, excerto de Yes Yes Yes, 13 nov. 2018

  • Faltavam listas, telefones, comida, cadeiras e salas para tanta gente nas sessões de fim de semana, “um problema incrível de se ter”.

    Wil Stracke, diretora de terreno em Vitória, SBS Voices, excerto de Yes Yes Yes, 13 nov. 2018

  • Especialistas dos EUA disseram à equipa que o mais importante para mobilizar o voto é a conversa; os voluntários fizeram mais de 1 milhão de chamadas.

    Sally Rugg, GetUp, VICE, artigo de opinião após o resultado, 20 nov. 2017

  • Das primeiras 300 mil chamadas, cerca de 40 mil chegaram a um eleitor e 19 mil deram conversas significativas; mais de 75% delas com eleitores do Sim.

    Ben Raue, GetUp, The Guardian (via PressReader), 19 set. 2017

  • A campanha tinha a responsabilidade de pedir a cada australiano que devolvesse o formulário, através do porta a porta, da comunicação social, da publicidade, das redes e de SMS.

    Alex Greenwich, copresidente, Manning River Times (Fairfax), 23 set. 2017

Materiais e exercícios

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. Campanha de recenseamento antes do prazo

    Levar quem está fora dos cadernos eleitorais, sobretudo jovens, a inscrever-se ou atualizar a morada antes do prazo. Na Austrália, 98 mil pessoas inscreveram-se em duas semanas, 65 mil delas com 18 a 24 anos; o peso da campanha nesse aumento não foi medido.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando o teu apoio é maior entre quem tem menos probabilidade de estar inscrito e o prazo é público.
    Não usar quando
    Não funciona com o prazo já fechado nem se passares informação errada sobre as regras: remete sempre para a fonte oficial.
    1. Semana −12 Confirmar na fonte oficial o prazo e as regras de inscrição
    2. Semana −12 Mapear onde estão os não inscritos: universidades, primeiro emprego, quem mudou de casa
    3. Semana −11 Publicar a ligação oficial de inscrição em todos os canais, com o prazo
    4. Semana −11 Pedir a cada apoiante que confirme a sua inscrição e a de três pessoas
    5. Semana −11 Fazer um último esforço nas 48 horas antes do fecho
    6. Semana −10 Guardar, com consentimento, o contacto de quem se inscreveu para o lembrete

    Equipa

    • Coordenação do recenseamento: prazo, regras e ligação oficial
    • Grupos de estudantes e jovens: levam a mensagem a universidades e locais de trabalho
    • Lista: guarda os contactos consentidos para a fase do lembrete

    O que medir: Apoiantes que respondem a confirmar que verificaram ou fizeram a inscrição, a sua e a de outras pessoas, antes do prazo.

    Riscos a vigiar: Informação errada sobre prazos ou pedidos de documentos geram desconfiança e problemas legais: remete sempre para o site oficial e não recolhas documentos.

  2. Sessões de chamadas para mobilizar o voto

    Voluntários telefonam juntos, durante cerca de duas horas e meia, para prováveis apoiantes: perguntam se apoiam e pedem-lhes que votem já. Na Austrália, sindicatos, igrejas, empresas e amigos organizaram centenas destas sessões, e a GetUp contou mais de 1 milhão de chamadas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a maioria já existe, o risco é a abstenção e há listas legais para telefonar.
    Não usar quando
    Não serve para convencer quem é contra nem com listas compradas onde a lei de proteção de dados o proíbe; e a taxa de atendimento é baixa (40 mil em 300 mil nas primeiras chamadas).
    1. Semana −10 Escolher a ferramenta de marcação e montar listas legais e consentidas
    2. Semana −10 Escrever o guião: apoia? vai votar? quando?
    3. Semana −9 Abrir a organização de sessões: qualquer grupo marca a sua com o mesmo guião
    4. Semana −8 Dar 15 minutos de formação antes de cada sessão e conversar em grupo no fim
    5. Semana −6 Mudar o guião para “vota hoje” quando os boletins chegarem
    6. Semana −1 Voltar a telefonar a quem prometeu votar e ainda não votou

    Equipa

    • Anfitrião: sala, telefones, comida e a formação rápida
    • Coordenação de listas: só números legais, pedidos de exclusão respeitados na hora
    • Apoio: acolhe quem recebeu uma chamada agressiva

    O que medir: Conversas completas por sessão em que um apoiante se comprometeu a votar ou a enviar o voto nesse dia.

    Riscos a vigiar: Chamadas indesejadas irritam e podem violar a lei de proteção de dados: usa listas consentidas, respeita o “não voltem a ligar” na hora e diz sempre em nome de quem telefonas.

  3. Enviar hoje: o voto visível

    Uma só ação, com data e visível: devolver o voto no dia em que o boletim chega e mostrá-lo. Na Austrália, a campanha enviou um e-mail à base para lançar o #PostYourYES, com selfies junto ao marco do correio, e a hashtag entrou nos assuntos do momento do Twitter em poucas horas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona em votações por correio ou antecipadas, quando cada voto devolvido cedo liberta a campanha para ir atrás de quem falta.
    Não usar quando
    Não funciona onde fotografar o voto é proibido: mostra o envelope ou a fila, nunca o boletim preenchido.
    1. Semana −7 Preparar o kit: como votar, prazo e onde fica o marco do correio mais próximo
    2. Semana −6 Enviar um e-mail à base no dia em que os boletins começam a chegar
    3. Semana −6 Pedir a primeira leva de fotos do envelope a ir para o correio
    4. Semana −5 Partilhar quem votou e pedir a cada um que identifique três amigos
    5. Semana −2 Acompanhar a taxa oficial de devolução e insistir contra a complacência
    6. Semana do dia D Fazer o último apelo até à hora de fecho

    Equipa

    • Digital: e-mail à base e curadoria das fotos
    • Informação de voto: confirma prazos e regras na fonte oficial
    • Porta-vozes: repetem que nada está ganho

    O que medir: Apoiantes que confirmam, por resposta ou formulário, que já enviaram o voto, em proporção aos que se comprometeram.

    Riscos a vigiar: A foto do boletim preenchido pode ser ilegal e pressiona quem prefere o voto secreto: pede a foto do envelope, nunca do voto, e respeita quem não quer mostrar.

  4. Resposta rápida com mensageiro de confiança

    Quando o adversário puxa o debate para um medo lateral, responder depressa, com alguém em quem o público confia, e voltar ao teu tema. Na Austrália, logo depois do primeiro anúncio do Não sobre as escolas, o Sim pôs no ar uma resposta da médica Kerryn Phelps, e um diretor de escola desmentiu uma das histórias do anúncio.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando o ataque tem um facto verificável e tens um mensageiro respeitado pelos indecisos.
    Não usar quando
    Não funciona se a resposta repete o ataque em destaque ou se o porta-voz parece parte interessada.
    1. Semana −12 Listar os três medos que o adversário deve usar e preparar a resposta a cada um
    2. Semana −11 Recrutar mensageiros de confiança e dar-lhes formação para a comunicação social
    3. Semana −10 Deixar gravação e aprovação prontas para sair em 24 horas
    4. Semana −8 Verificar os factos da peça adversária com fontes diretas
    5. Semana −8 Publicar a resposta e enviar a frase-chave a quem faz chamadas e portas
    6. Semana −7 Voltar ao tema central: as pessoas que o eleitor conhece

    Equipa

    • Resposta rápida: monitoriza, verifica e aprova em horas
    • Mensageiros de confiança: profissionais respeitados pelos indecisos
    • Terreno: leva a frase-chave para as chamadas e as portas

    O que medir: Voluntários das chamadas e do porta a porta que receberam a resposta e a usaram nas conversas da mesma semana.

    Riscos a vigiar: Atacar as pessoas que aparecem na peça adversária vira notícia contra ti: contesta o facto, não a pessoa, e cita a fonte da verificação.

  5. Cuidar de quem está a ser votado

    Uma votação sobre a vida de uma minoria cobra-lhe caro. Na Austrália, as agressões verbais e físicas relatadas por pessoas LGBTIQ mais do que duplicaram depois do anúncio; Brady pediu às pessoas que cuidassem umas das outras, e a campanha marcou eventos para os apoiantes se encontrarem.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona, e é obrigatório, sempre que o que está em votação são os direitos de um grupo específico.
    Não usar quando
    Não substitui serviços profissionais de saúde mental nem justifica expor pessoas vulneráveis como porta-vozes sem preparação.
    1. Semana −12 Mapear serviços de apoio e linhas de ajuda e publicá-los no site
    2. Semana −10 Dar formação aos voluntários para lidar com abusos e encaminhar quem precisa
    3. Semana −8 Marcar encontros regulares para a comunidade se ver e descansar
    4. Semana −6 Abrir um canal para relatar ataques e acompanhar cada caso
    5. Semana do dia D Preparar a noite do resultado para os dois cenários
    6. 1 semana(s) depois Fazer um encontro de cuidado depois do resultado, ganhe-se ou perca-se

    Equipa

    • Coordenação de cuidado: serviços, protocolo e acompanhamento
    • Anfitriões de encontros: espaço seguro e regular
    • Porta-vozes: preparados e livres para desistir

    O que medir: Pessoas da comunidade e voluntários que participaram num encontro de apoio ou foram encaminhados para um serviço.

    Riscos a vigiar: Os relatos de ataques são dados sensíveis: guarda o mínimo, com consentimento, e só encaminha para a polícia ou serviços especializados se a pessoa quiser.

Toolkit

O que a Equality Campaign montou, organizado para copiares.

O que a Equality Campaign montou, organizado para copiares. Serve para qualquer votação em que o teu lado já é maioria e o risco é a abstenção: referendo, consulta, eleição de baixa participação.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Uma coligação com sede profissional e direção de terreno em cada estado, que abriu a operação a quem quisesse organizar sessões de chamadas. A sede dava estrutura e recursos; o voto saía das comunidades.

Equipa mínima

Copresidência
Uma pessoa de cada organização fundadora. Porta-vozes e ponte com o Parlamento e os aliados.
Direção executiva
Guarda o tom e a estratégia. No caso, alguém que já tinha ganho um referendo sobre o mesmo tema noutro país.
Direção de campanha
Gere a operação no dia a dia. Foi nomeada na manhã seguinte ao anúncio; não esperes pelo calendário oficial.
Direção de terreno nacional e estadual
Abre bases, recruta anfitriões, garante salas, telefones e listas, e soma os números.
Parceiro de chamadas
Ferramenta de marcação, guião e contagem. Na Austrália, a GetUp.
Anúncios e resposta rápida
Peças próprias e capacidade de responder logo, com um mensageiro de confiança.
Digital e histórias
E-mail à base, #PostYourYES e vídeos de pessoas comuns; reage depressa a momentos como a chegada dos primeiros formulários.
Anfitriões das sessões de chamadas
Sindicatos, igrejas, empresas, clubes e grupos de amigos que organizam as suas próprias sessões.

Ritmo

  1. Noites de semanaSessões de cerca de duas horas e meia ao telefone, sem pausa. Em Sydney, os voluntários ocupavam corredores e escadas.
  2. Fins de semanaSessões maiores, como a de 90 pessoas num domingo em Melbourne, e, a partir de 23 de setembro, porta a porta.
  3. Depois de cada sessãoConversa em grupo sobre as chamadas. Num parque de Sydney, 30 jovens trocaram relatos depois de uma hora ao telefone.
  4. 12 de setembroOs formulários começam a ser enviados e o guião muda: em vez de perguntar se a pessoa vai votar, pede-lhe que envie já o voto e fale com quem ama.
  5. Fim de setembro e outubroA ABS divulga estimativas de formulários devolvidos (57,5% a 3 de outubro); a campanha repete que não há espaço para complacência.
  6. Até 7 de novembroInsistir até ao fecho com quem ainda não enviou o voto.

As fontes públicas não descrevem uma reunião fixa da sede. O ritmo era ditado pelo calendário oficial: prazo de inscrição, chegada dos formulários, data recomendada de devolução e fecho.

Plano B

  • Faltaram telefones, cadeiras e salas: sindicatos, igrejas, empresas, clubes e amigos organizaram as suas próprias sessões.
  • Quem não podia ir a uma sede entrava numa sessão de chamadas a partir de casa e, depois, podia organizar a sua.
  • Bases em cada estado e território, além da sede em Sydney.
  • Telefonar em grupo, nunca sozinho: um voluntário adotou essa regra depois de algumas chamadas agressivas.
  • Uma única ação em todos os canais, enviar o voto já, para que nenhuma plataforma seja indispensável.

Tecnologia

Nada sofisticado: uma ferramenta de marcação, listas, e-mail, redes e anúncios. A diferença esteve na escala de gente a telefonar ao mesmo tempo.

  • Ferramenta de marcação da GetUpFerramenta da GetUp; as alternativas cobram ao minuto

    Ligava cada voluntário a um número de cada vez e registava o resultado. Usada pela sede e pelos grupos que organizavam as suas próprias sessões.

  • Listas de telefoneNão divulgado

    No caso, números de bases de dados comerciais compradas, escolhidos por género e idade. Onde a lei de proteção de dados o proíbe, usa só listas próprias e consentidas.

  • Porta a porta em equipaVoluntários e material impresso

    Equipas de voluntários a bater às portas no fim de semana de 23 e 24 de setembro, como em Leichhardt, em Sydney.

  • Site e registo de apoiantes (voteyes.org.au)Baixo custo

    Porta de entrada para quem queria ajudar, com convocatórias para reuniões públicas e sessões de chamadas.

  • E-mail à base de apoiantesBaixo custo

    Lançou o #PostYourYES entre os apoiantes mais envolvidos e convocou para as sessões.

  • Vídeo e redesGrátis

    Selfies a enviar o formulário e vídeos curtos de histórias pessoais que se tornaram virais depois de partilhados pela campanha.

  • Anúncios de televisão e rádioCerca de 2,9 M AUD estimados até 26 set. para os dois principais grupos do Sim (Ebiquity)

    Peças próprias e a resposta ao anúncio do Não sobre as escolas.

  • DonativosComissões das plataformas

    Pequenos e grandes; o presidente executivo da Qantas, Alan Joyce, doou 1 milhão de dólares australianos à campanha do Sim.

  • Reuniões públicas e sessões de chamadasSalas cedidas por aliados

    Encontros abertos para recrutar e sessões marcadas por anfitriões em todo o país.

Guias rápidos por canal

Colunas sugeridas para a folha de chamadas

Data e sessão · Anfitrião · Números marcados · Atendidas · Sim firme · Sim fraco · Não · Pediu para não voltar a ser contactado · Já enviou · Promete enviar hoje · Aceitou ser voluntário · Chamada agressiva

A ABS gastou 80,5 milhões de dólares australianos (de um orçamento de 122 milhões) para realizar o inquérito. O gasto total da Equality Campaign não aparece nas fontes públicas consultadas; há só a estimativa de publicidade da Ebiquity e grandes donativos noticiados. As colunas acima são uma sugestão deste playbook, a partir das categorias que um voluntário relatou ao Guardian (Sim firme, Sim fraco, quer que o deixem em paz).

Comunicação

Duas mensagens ao mesmo tempo: para o país, “isto é sobre pessoas que conhecemos”; para cada apoiante, enviar o formulário no dia em que chegar. A fórmula abaixo foi reconstruída a partir de relatos de voluntários e do guião descrito pela imprensa.

A fórmula de uma chamada

  1. Apresentar-se Nome, que é voluntário e de onde está a ligar.
  2. Perguntar A pessoa apoia o casamento igualitário? Tenciona devolver o formulário?
  3. Separar Não: agradecer e terminar com educação. Sim: continuar.
  4. Pedir Enviar o formulário no dia em que chegar.
  5. Multiplicar Falar com a família e os amigos, publicar nas redes, tornar-se voluntário.
  6. Registar O resultado da chamada na ferramenta, logo a seguir.

Regras de mensagem

  • Fala de quem: famílias, amigos e colegas.
  • Não imites a negatividade do outro lado e não mordas o isco.
  • Responde ao medo depressa, com alguém em quem o público confia, e volta ao teu tema.
  • Pede uma ação, sem dar ordens sobre o voto de ninguém.
  • Nunca dês o voto como ganho: não há espaço para complacência até ao fecho.
  • Com quem diz Não, agradece e termina.
  • Uma só ação, simples e com data: enviar o formulário no dia em que chega.

Exemplo de chamada

Olá, fala a Joana, sou voluntária da campanha pelo Sim. Está tudo bem? É rápido: apoia o casamento igualitário? [sim] Ótimo! O seu formulário já chegou? [ainda não] Deve chegar nos próximos dias. Quando chegar, consegue pô-lo no correio no mesmo dia? Cada formulário devolvido cedo deixa-nos livres para lembrar outras pessoas. E, se puder, fale também com a sua família: para muita gente isto é sobre um filho, uma amiga, um colega. Muito obrigada!

Levar para o teu contexto

O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Austrália de 2017.

O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Austrália de 2017.

Funciona em qualquer lado

  • Quando a opinião já é favorável, trabalhar a participação: identificar apoiantes e pedir uma ação com data.
  • Pôr o recenseamento antes do prazo no plano desde o primeiro dia.
  • Abrir as sessões de chamadas a qualquer grupo, com a mesma ferramenta e o mesmo guião.
  • Mudar o guião quando muda o calendário: antes e depois de o boletim chegar.
  • Tornar visível o ato de votar, para que votar pareça aquilo que toda a gente está a fazer.
  • Responder depressa com um mensageiro de confiança, sem repetir o ataque.
  • No dia do resultado, transformar o voto num pedido concreto de lei.
  • Cuidar da comunidade que está a ser debatida, do primeiro ao último dia.

Depende do contexto

Voto por correio
Onde o voto é presencial, troca o “envia hoje” por plano de voto, boleia e horário; onde há voto antecipado, por “vota no primeiro dia”.
Listas telefónicas compradas
Na União Europeia (RGPD) e no Brasil (LGPD), isto esbarra na lei. Usa listas próprias e consentidas e chamadas relacionais: cada voluntário telefona aos seus próprios contactos.
Cultura de voto obrigatório
Os australianos estão habituados a votar. Onde o voto é sempre voluntário, a participação pesa ainda mais e o recenseamento começa meses antes.
GetUp e Victorian Trades Hall
Troca-os por uma organização de mobilização online e pelos sindicatos e associações do teu país que tenham salas, listas próprias e gente.
Anúncios de televisão
Onde a televisão é cara ou proibida para causas, usa vídeo curto do mesmo mensageiro de confiança no WhatsApp, Instagram ou TikTok.
Inquérito não vinculativo
A lei dependeu de um voto livre no Parlamento depois do resultado. Prepara a fase seguinte desde o início, seja a lei, seja a regulamentação.

Praticar

ExercícioTreina com as missões e situações do caso.

Decidir como a direção

Seis momentos da campanha de 2017. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano em 5 fases

A sequência da Equality Campaign, do anúncio ao dia do resultado, como lista de verificação; alguns itens são sugestões deste playbook.

A sequência da Equality Campaign, do anúncio ao dia do resultado, como lista de verificação; alguns itens são sugestões deste playbook. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Antes (meses antes)

  2. Semanas 1–2: recensear

  3. Semanas 2–5: encontrar os apoiantes

  4. Chegada dos boletins: enviar hoje

  5. Reta final e resultado

Verificar

ExercícioCinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Qual era o principal risco para o Sim no inquérito postal?
2. Para quem telefonavam as sessões de chamadas?
3. O que mudou no guião quando os formulários começaram a ser enviados, a 12 de setembro?
4. Como respondeu o Sim ao primeiro anúncio do Não sobre as escolas?
5. Porque é que o método não salvou o Sim no referendo da Voz de 2023?

Limites e fontes

Regras

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha e as pessoas cuja vida está em debate.

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha e as pessoas cuja vida está em debate.

Listas com consentimento
Na Austrália, a campanha usou números de bases de dados comerciais e enviou SMS para números gerados ao acaso, com queixas de privacidade. Ao abrigo do RGPD e da LGPD, telefona e escreve só a quem consentiu ou aos teus próprios contactos.
Saída sempre à mão
Quem pede para não ser contactado sai da lista na hora, e cada mensagem diz como sair.
Dizer quem fala
Cada chamada, anúncio e mensagem identifica a campanha e quem a autoriza; o site da Equality Campaign indicava o nome de quem autorizava o material.
Nunca a foto do voto
Pede uma foto do envelope ou da fila, nunca do boletim preenchido; respeita quem prefere votar em silêncio.
Respeito por quem diz Não
Agradece e termina. Ninguém insiste, ninguém insulta.
Contra a intimidação, venha de onde vier
Houve grafítis em igrejas contra eleitores do Não e um comboio grafitado com uma suástica a favor do Não. Condena em público, venha de onde vier.
Proteger a comunidade
Serviços de apoio publicados, protocolo para abusos e encontros regulares. Ninguém conta a sua história sem preparação e sem poder desistir.
Informação de voto da fonte oficial
Prazos, regras e moradas sempre com ligação para o organismo eleitoral.
Só contas autênticas
Nada de perfis falsos, robôs ou contas compradas.
Lei local
As regras de propaganda, donativos e proteção de dados mudam de país para país e até de votação para votação: na Austrália, o Parlamento teve de aprovar salvaguardas temporárias. Confirma com um advogado.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
A votação em si fez mal
Num estudo com mais de 9.500 pessoas LGBTIQ e aliados, as agressões verbais e físicas relatadas mais do que duplicaram nos três meses após o anúncio, e os relatos de depressão, ansiedade e stress subiram mais de um terço. Um estudo revisto por pares (Ecker e outros, 2019) ligou o stress do debate a sofrimento psicológico. Em fevereiro de 2018, uma comissão do Senado recomendou não voltar a usar este tipo de inquérito em temas de direitos humanos.
Não prova conversão
O resultado ficou perto do apoio que as sondagens mostravam havia anos. O método mobilizou uma maioria que já existia; nada indica que tenha criado uma.
As chamadas rendem pouco por telefonema
Das primeiras 300 mil, cerca de 40 mil foram atendidas e 19 mil deram conversas. Sem um grande volume de voluntários, as contas não fecham.
Listas compradas e SMS em massa
Deram alcance, mas irritaram até apoiantes e não seriam legais em muitos países. Não estão neste playbook como passo.
Não se transferiu para a Voz
A 14 de outubro de 2023, o referendo da Voz indígena perdeu com 60,06% de Não e em todos os estados. A coligação liberal-nacional fez campanha contra, e as sondagens mostravam o apoio em queda: mobilizar o voto não chega quando a maioria está a fugir. Esta comparação é uma leitura deste playbook.
Quem ficou de fora
Os jovens de 16 e 17 anos não votavam, e houve preocupações com as comunidades indígenas remotas e os australianos no estrangeiro. A lei só veio porque o Parlamento a votou depois.

Fontes

Este playbook foi construído com o relato publicado por Alex Greenwich e Shirleene Robinson, entrevistas de Tiernan Brady, Anna Brown e…

Este playbook foi construído com o relato publicado por Alex Greenwich e Shirleene Robinson, entrevistas de Tiernan Brady, Anna Brown e Sally Rugg, testemunhos de voluntários, os dados oficiais da ABS e da AEC, reportagens de 2016 a 2026 e estudos sobre o impacto da votação. Todas as páginas foram consultadas a 28 de outubro de 2026.

33 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: JAM Project, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 28 de outubro de 2026

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