Em 30 segundos
25,2% e 11 de 41 vereadores. A 24 de maio de 2015, Barcelona en Comú ficou em primeiro e Ada Colau tornou-se a primeira presidente da câmara.
30 mil assinaturas antes de se tornar candidatura. Depois: reuniões de bairro, código ético e programa escritos em participação aberta, primárias e campanha financiada sem bancos.
A plataforma ganhou legitimidade antes de pedir votos e aplicou primeiro a si própria as novas regras: salário, mandatos, dinheiro.
Os primeiros passos
- Reunir um grupo-piloto paritário e diverso, com gente de organização, finanças, comunicação e facilitação
- Escolher porta-vozes, mais do que um
- Escrever o manifesto (diagnóstico da cidade) e um texto curto de princípios e compromissos
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
Barcelona en Comú fez questão de não ser 'a candidatura de uma pessoa'.
Barcelona en Comú fez questão de não ser 'a candidatura de uma pessoa'.
Ada Colau
Cofundadora e porta-voz da PAH (2009–2014); impulsionadora de Guanyem; presidente da câmara de Barcelona (2015–2023)
Deu rosto e credibilidade ao projeto, mas insistiu desde o lançamento que não era um projeto pessoal e que a candidatura seria escolhida pelos membros.
FontesGerardo Pisarello
Jurista, n.º 2 da lista de Barcelona en Comú em 2015
Assinou, com o Comité Internacional, a introdução do guia Fearless Cities (2019), que documenta a rede municipalista nascida da vitória de Barcelona.
FontesJoan Subirats
Politólogo (UAB), entre os primeiros impulsionadores de Guanyem
Apresentou a plataforma no Raval a 26 de junho de 2014 e mais tarde contou como as assinaturas e as reuniões de bairro deram legitimidade à decisão de concorrer.
FontesJaume Asens
Advogado, coporta-voz no lançamento de Guanyem
Defendeu no lançamento que a candidatura não seria uma 'sopa de letras' de partidos, a ideia que deu origem ao conceito de confluência.
FontesKate Shea Baird
Ativista de Barcelona en Comú e autora sobre municipalismo
Escreveu sobre a organização vista por dentro (plenário, grupos de bairro, SomComuns) e é coautora do capítulo do Fearless Cities sobre como criar uma candidatura participativa.
FontesXavi Ferrer, Pantxo Ramas e Yolanda Sánchez
Barcelona en Comú; autores do capítulo sobre código ético e financiamento
Contaram como a campanha de financiamento coletivo e de microcréditos venceu o desconforto do próprio grupo em pedir dinheiro e juntou mais de 90 mil euros.
FontesAdrià Rodríguez
Barcelona en Comú; coautor do capítulo sobre comunicação
Coautor, com Alejandra Calvo (Ahora Madrid), do capítulo sobre comunicação municipalista: linguagem concreta, humor, 'enxame' e o Movimento de Libertação Gráfica.
FontesJavier Toret e Pablo Aragón
Investigadores de tecnopolítica ligados ao 15M e ao projeto europeu D-CENT
Montaram e estudaram as ferramentas online usadas para debater o código ético e o programa, e mediram a participação e a rede no Twitter.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Paráfrases e citações curtas de quem organizou a plataforma, com a fonte de cada uma.
Paráfrases e citações curtas de quem organizou a plataforma, com a fonte de cada uma.
No lançamento, recusou o papel de candidata natural: a plataforma "no es el chiringuito de Ada Colau" (não é a quinta de Ada Colau) e seriam os membros a escolher quem encabeçaria a lista.
Ada Colau, Apresentação de Guanyem Barcelona no Raval, relatada pelo Rebelión, 27 jun. 2014
A candidatura não queria juntar siglas: "No queremos ser una sopa de letras." (Não queremos ser uma sopa de letras.)
Jaume Asens, Apresentação de Guanyem Barcelona, Rebelión, 27 jun. 2014
As 30 mil assinaturas chegaram em cerca de um mês, e a equipa fez umas 30 a 40 reuniões de bairro para apresentar o manifesto. A máquina foi construída para ganhar ("in order to win"), não para participar.
Joan Subirats, Entrevista ao Remix the Commons (jun. 2017), citada no P2P Foundation Wiki
Deve haver uma só plataforma cidadã por cidade, nascida da realidade social local, não dirigida por nenhum partido e com equilíbrio de género desde o primeiro dia.
Comité Internacional de Barcelona en Comú, How to win back the city en comú, março de 2016, p. 5
Mais 6 citações
Não deixar que o 'perfeito' seja inimigo do 'suficientemente bom'; e testar o apoio popular com uma meta de assinaturas, por exemplo 1% da população.
Kate Shea Baird, Claudia Delso e Manuela Zechner, Fearless Cities, cap. 5 'How to create a participatory municipalist candidacy', 2019
O maior obstáculo à angariação era o próprio grupo, desconfortável em pedir dinheiro. A saída foi criar uma onda de alegria e repetir as condições do microcrédito até à exaustão.
Equipa de finanças (Ferrer, Capella, Ramas, Sánchez), Fearless Cities, cap. 6 'Code of ethics and financing', 2019
A comunicação não substitui a participação nem a organização; o objetivo é comunicar como um enxame, com todos os nós sincronizados no mesmo alvo.
Adrià Rodríguez e Alejandra Calvo, Fearless Cities, cap. 8 'Communication for municipalist transformation', 2019
Só há democracia com uma cidadania ativa que se corresponsabiliza, governe quem governar; Barcelona estava a ser vendida como montra para turistas e grandes investidores.
Ada Colau, Entrevista à revista El Temps, 3 mar. 2015, p. 22
Na noite da vitória, prometeu governar "para mandar obedeciendo" (para mandar obedecendo), a fórmula do código ético.
Anos depois, resumiu o argumento a favor de disputar o poder: ganhar a eleição é o primeiro passo para conseguir fazer alguma coisa ("Winning the election is the first step to getting anything done.").
Kate Shea Baird, Mark e Paul Engler, Waging Nonviolence, republicado no Janata Weekly, 13 jan. 2024
A história
A 26 de junho de 2014, cerca de 2 mil pessoas encheram uma escola pública no Raval para ouvir Ada Colau, Joan Subirats e Jaume Asens…
A 26 de junho de 2014, cerca de 2 mil pessoas encheram uma escola pública no Raval para ouvir Ada Colau, Joan Subirats e Jaume Asens apresentar Guanyem Barcelona. Faltavam 333 dias para as eleições municipais. A plataforma não se declarou candidata: pediu 30 mil assinaturas e propostas dos bairros antes de decidir.
- 30 mil
- assinaturas pedidas para legitimar a candidatura, alcançadas em agosto de 2014dado da campanha
- 1.049
- pessoas validaram online o código ético, com 96,7% a favordado da campanha
- +90 mil €
- em donativos, com mais de 200 microcréditos e nenhum empréstimo bancáriodado da campanha
- 11 de 41
- vereadores e 25,2% dos votos a 24 de maio de 2015, em primeiro lugaroficial
De um movimento à câmara municipal
- fev. 2009Nasce em Barcelona a PAH, a Plataforma de Afetados pela Hipoteca. Ada Colau é a porta-voz.
- 5 fev. 2013A PAH entrega ao Congresso 1,4 milhões de assinaturas por uma lei de habitação. Colau ganha projeção nacional na audição parlamentar.
- 26 jun. 2014Lançamento de Guanyem Barcelona no Raval. Meta: 30 mil assinaturas até setembro, metade de residentes em Barcelona.
- ago. 2014A plataforma ultrapassa as 30 mil assinaturas e decide avançar. Dois dias antes do registo, outra pessoa regista o nome 'Guanyem'.
- 10–11 out. 2014Oficina presencial aberta sobre o código ético, com cerca de 350 pessoas; seguem-se debate online, reedição e validação online até 3 de dezembro.
- fev. 2015Nasce o nome Barcelona en Comú. O Podem vota 91% a favor de entrar e junta-se à ICV-EUiA, ao Procés Constituent e ao Equo na confluência.
- 7–12 mar. 2015Primárias online: 4.583 participantes escolhem a cabeça de lista, os candidatos por distrito e a ordem das 40 medidas do programa.
- 24 mai. 2015Barcelona en Comú vence com 176.612 votos (25,2%) e 11 vereadores; a CiU do presidente da câmara Xavier Trias fica com 10.
- 13 jun. 2015Ada Colau é investida presidente da câmara por maioria absoluta do plenário e forma um governo minoritário.
- 9–11 jun. 2017Primeira cimeira Fearless Cities em Barcelona: mais de 700 participantes de todos os continentes.
Três camadas
Três camadas sustentaram a candidatura. A regra era que todos participassem a título individual, sem quotas por organização.
- O núcleo cidadãoGuanyem: ativistas da PAH, de associações de bairro, da cultura e da universidade, que lançaram o manifesto e organizaram os grupos de bairro e as comissões.
- Os partidos que aceitaram diluir-seA ICV-EUiA (com vereadores na câmara), o Podem, o Procés Constituent e o Equo entraram numa lista comum, sem quotas e sem as suas siglas no boletim de voto.
- As redes criativas e digitaisO Movimento de Libertação Gráfica de Barcelona (artistas e designers) e a rede de ciberativistas SomComuns ampliaram a campanha para lá da organização.
O que não se sabe. O efeito de cada técnica no resultado não pode ser isolado: a vitória também dependeu da notoriedade de Colau, da queda do PSC (de 11 para 4 vereadores) e de uma fragmentação que fez de 25% o primeiro lugar.
Algumas fontes divergem nos números: a lista de Colau teve 91,7% dos votos nas primárias segundo a imprensa e 87,8% segundo o estudo da Nesta; a cimeira de 2017 teve entre 600 e 700 participantes, consoante a fonte; e uma reportagem afirma que as assinaturas passaram das 50 mil. A participação de 63% e o aumento de 40% do voto nos bairros pobres vêm do relato de Joan Subirats, não de dados oficiais aqui consultados. Não foram encontradas fontes fiáveis sobre o uso do Telegram na campanha de 2015. As fontes consultadas descrevem pouco o contacto direto com eleitores e a mobilização no dia (porta a porta, telefone, lembretes). Num caso novo, planeia-os como parte do método.
O terreno
O método nasceu de uma combinação específica: uma crise de habitação brutal, um movimento com credibilidade, a cultura de assembleias do…
O método nasceu de uma combinação específica: uma crise de habitação brutal, um movimento com credibilidade, a cultura de assembleias do 15M e uma lei eleitoral municipal que permite a uma lista com 25% dos votos chegar à liderança da câmara.
Plataformas
- Manifesto com formulário de adesão
- A página do manifesto 'Guanyem Barcelona' tinha um botão de adesão e listas públicas de primeiros signatários e de apoiantes. Era ao mesmo tempo prova de apoio, lista de contactos e convite para entrar.
- Reuniões abertas nos bairros
- Escolas, praças e associações de moradores: reuniões para apresentar o manifesto e recolher problemas e propostas.
- DemocracyOS
- Software livre de deliberação usado, numa versão adaptada pelo projeto europeu D-CENT, para comentar e emendar o rascunho do código ético e as propostas do programa. No código ético, houve 365 utilizadores, 321 comentários, 957 avaliações e 139 respostas.
- Participa + Agora Voting
- Portal de votação com recenseamento de inscritos e voto seguro, usado nas primárias, na validação da lista e na hierarquização das 40 medidas do programa.
- Twitter e Facebook
- O Twitter foi central na comunicação e na organização da campanha de maio de 2015: um estudo analisou 373.818 retweets. A rede de ciberativistas SomComuns fazia campanha ali e no Facebook, ao lado das contas oficiais e da candidata.
- Vídeo e streaming
- Vídeos curtos (a apresentação, as reuniões de bairro, 'Now's the time to win') e transmissão em direto das iniciativas, a cargo da comissão de comunicação.
- Decidim (depois da vitória)
- Plataforma de participação de código aberto criada pela câmara municipal em fevereiro de 2016 para o plano de governo. Não fez parte da campanha de 2015, mas é a herança técnica mais conhecida do método.
Condições locais
- Crise pós-2008: desemprego de 26% em Espanha em 2013, despejos em massa e uma lei hipotecária que permitia ao banco ficar com a casa por atrasos curtos.
- Um movimento com credibilidade acumulada: a PAH, fundada em Barcelona em fevereiro de 2009, travava despejos e levou ao Congresso, em 2013, uma iniciativa legislativa popular com 1,4 milhões de assinaturas.
- A cultura de assembleias e de tecnopolítica do 15M (2011) e a irrupção do Podemos nas eleições europeias de maio de 2014, um mês antes do lançamento de Guanyem.
- Descrédito dos partidos tradicionais por casos de corrupção e pelas políticas de austeridade.
- Turismo massivo: de 1,7 milhões de turistas alojados em hotéis em 1990 para quase 7,9 milhões em 2014, com pressão sobre as rendas.
- Lei eleitoral espanhola: listas fechadas e proporcionais para 41 vereadores; o presidente da câmara (alcalde) é eleito pelo plenário municipal. Os agrupamentos de eleitores podem concorrer sem partido se recolherem assinaturas.
- O debate sobre a independência da Catalunha: a plataforma defendeu o direito a decidir sem tomar partido sobre a independência, para não se dividir.
- Cidade bilingue (catalão e castelhano), com uma rede densa de associações de moradores e de movimentos sociais.
O método
O guia que a própria Barcelona en Comú publicou em 2016 divide a construção em fases: antes do lançamento, do lançamento à campanha, a…
O guia que a própria Barcelona en Comú publicou em 2016 divide a construção em fases: antes do lançamento, do lançamento à campanha, a campanha e o governo. Por trás das fases, há três frentes e um ciclo que se repetia em cada decisão importante. Numa câmara de 41 vereadores eleitos por listas proporcionais, a meta era ficar em primeiro e ter apoios para a investidura.
Três frentes
- Legitimidade antes da candidatura
- Anunciar objetivos e pedir licença à cidade antes de ter candidato. Assinaturas, reuniões de bairro e diagnósticos locais provam que há uma maioria possível antes de pedir votos.
- Mudar primeiro as regras em casa
- Um código ético com teto salarial, limite de mandatos e agendas públicas, e finanças sem bancos e com contas abertas, mostram na prática a política que se promete.
- Construir em comum
- Programa, código e lista feitos com participação aberta; partidos que entram como pessoas e não como siglas; paridade de género em todos os espaços.
O ciclo de construção coletiva
O mesmo ciclo serviu para o manifesto, o código ético, o programa e a lista. Cada volta deixava mais gente comprometida.
- Propor uma base Um grupo-piloto paritário redige um rascunho curto: manifesto, princípios, minuta do código ou documento-quadro por tema.
- Ouvir nos bairros Reuniões abertas em cada bairro para apresentar a base e recolher problemas e propostas de quem lá vive.
- Abrir a emendas Publicar o rascunho online e em papel, com prazos curtos (12 dias no programa), para comentários e novas propostas.
- Sintetizar Os grupos temáticos agrupam, avaliam a viabilidade e devolvem uma versão nova, em que explicam o que entrou e o que ficou de fora.
- Votar e hierarquizar Os inscritos validam ou ordenam as propostas: 40 medidas hierarquizadas, código aprovado com 96,7%, lista validada nas primárias.
- Comprometer-se em público O resultado torna-se um compromisso assinado (o mandato cidadão, o código ético), não uma promessa eleitoral solta.
- Comunicar como um enxame A comissão de comunicação, os grupos de bairro, os artistas e os ciberativistas espalham o resultado ao mesmo tempo, cada um no seu canal.
- Prestar contas Contas, agendas e salários públicos. O ciclo recomeça na fase seguinte, com mais gente e mais legitimidade.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para construir uma plataforma municipal cidadã: estrutura, ferramentas e linguagem.
O que é preciso para construir uma plataforma municipal cidadã: estrutura, ferramentas e linguagem. O guia de Barcelona en Comú diz que a estrutura muda de cidade para cidade, mas deve ser sempre horizontal, transparente e fácil de integrar.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Durante a campanha eleitoral, cerca de mil pessoas estavam ativas nos grupos de bairro e umas 250 nas comissões técnicas. A estrutura era quase toda voluntária e tentava equilibrar horizontalidade e eficácia.
Estrutura mínima
- Plenário
- O principal espaço de decisão estratégica, aberto a quem participa em qualquer grupo. Reúne-se pelo menos de duas em duas semanas e pode abrir decisões à consulta de todos os cidadãos.
- Equipa de coordenação
- Porta-vozes, candidatos e as respetivas equipas, dois representantes de cada comissão e um da extensão territorial. Decide o urgente e leva o estratégico ao plenário. Duas pessoas moderam e redigem a ata.
- Grupos de bairro
- Assembleias abertas a qualquer morador. Acolhem gente nova, ajudam a usar as ferramentas online, fazem o diagnóstico local e levam a campanha à rua. Enviam duas pessoas à coordenação de bairros.
- Comissão de conteúdos e grupos temáticos
- Saúde, educação, habitação e urbanismo, migrações, género, cultura, economia, entre outros. Recolhem, sintetizam e avaliam a viabilidade das propostas do programa.
- Comissão de comunicação
- Site e servidor, design gráfico, redes sociais, imprensa, vídeo, streaming, mailing, tradução e revisão, e análise de dados.
- Logística e finanças
- Apoio logístico, tesouraria, merchandising, apoio jurídico e os processos legais, incluindo o registo do partido.
- Confluência
- Gere a relação com os partidos e movimentos que se querem juntar e negoceia a lista comum.
- Extensão e colaboradores
- Recebe quem escreve a pedir para ajudar e organiza reuniões regulares para novos colaboradores. É a porta de entrada da plataforma.
Ritmo
- Fase AAntes do lançamento: grupo-piloto paritário, porta-vozes, manifesto e texto de princípios.
- Verão de 2014Lançamento público, recolha de assinaturas e 30 a 40 reuniões de bairro para apresentar o manifesto e ouvir.
- Outono de 2014Código ético em dois meses: rascunho, oficina presencial, debate online, reedição e validação.
- Inverno de 2014–15Diagnósticos de bairro, documentos-quadro dos grupos temáticos e negociação da confluência.
- Início de 2015Debate online das propostas (12 dias de emendas) e, em março, primárias com hierarquização do programa.
- Maio de 2015Fase C: uma comissão de campanha assume o planeamento e a execução diária até ao dia da votação.
- De duas em duas semanasPlenário, do princípio ao fim.
As fontes descrevem o calendário por fases e o plenário quinzenal, não um ritual diário. A diferença em relação a uma operação de campanha curta é que aqui o ritmo era o da construção: 333 dias entre o lançamento e a votação.
Plano B
- Quando o nome 'Guanyem' foi registado por outra pessoa, o círculo de Colau registou três partidos de reserva enquanto o litígio decorria, e acabou por adotar um nome novo.
- Vários porta-vozes desde o início, para que o projeto não dependesse de uma só figura.
- Canais presenciais para cada etapa online, para não excluir quem tem pouca familiaridade digital ou menos tempo.
- Financiamento distribuído por centenas de pessoas em vez de um credor único, como um banco.
- Uma comissão com apoio jurídico permanente e o registo do partido tratado com antecedência.
Tecnologia
Quase tudo era software livre ou gratuito. O que saiu caro foi o tempo de centenas de voluntários a acompanhar quem não usava as ferramentas.
- Página do manifesto com adesãoGratuito a 10 €/ano
Manifesto, compromissos e formulário de assinatura com consentimento. A lista pública de apoiantes é a prova de legitimidade.
- Recenseamento de inscritosGratuito (software livre)
Um registo único das pessoas inscritas, que dá acesso às votações e recebe as comunicações. Em Barcelona, o portal Participa funcionava como recenseamento.
- Deliberação online (DemocracyOS ou Decidim)Gratuito (software livre) + alojamento
Para comentar e emendar rascunhos do código ético e do programa, com prazos curtos. Hoje o Decidim, de código aberto, faz isso e muito mais.
- Voto seguro (Agora Voting ou equivalente)Gratuito a baixo custo
Para primárias, validação da lista e hierarquização de medidas, com verificação da identidade de quem vota.
- Agenda e mapa das reuniões de bairroGratuito
Calendário público de reuniões abertas, com local e hora, e mapas para assinalar os problemas de cada bairro.
- Redes sociais e rede de ciberativistasGratuito
Contas oficiais mais uma rede voluntária (SomComuns) que publica de forma sincronizada. A conta da candidata não pode ser o único centro.
- Vídeo e transmissão em diretoGratuito
Vídeos curtos para explicar cada fase e transmissão das assembleias e iniciativas para quem não pode estar presente.
- Financiamento coletivo e microcréditosComissões da plataforma de pagamento
Pequenos donativos e empréstimos de pessoas, sem juros e com prazo de devolução, com identificação de quem contribui e contas publicadas.
- Registo público de propostas e contasGratuito
Uma folha de cálculo ou módulo que mostra cada proposta, o que lhe aconteceu e as receitas e despesas da plataforma.
- Escuta e análise de dadosGratuito
Acompanhar a conversa pública e medir a participação por bairro, idade e canal para corrigir desigualdades.
Colunas do registo de propostas
Data · Espaço de origem (bairro, grupo temático, online) · Proposta · Quem propôs · Apoios ou votos · Decisão (aceite, fundida, rejeitada) · Justificação pública · Responsável pela resposta
As ferramentas custam quase nada. Em Barcelona, a campanha angariou mais de 90 mil euros em donativos e mais de 200 microcréditos (até 10 mil euros cada, devolvidos num ano, sem juros). O custo total da campanha de 2015 não foi encontrado nas fontes consultadas; como referência, a plataforma irmã Ahora Madrid declarou um orçamento de cerca de 200 mil euros.
Comunicação
A plataforma usava a linguagem do dia a dia para falar de problemas concretos, com humor e muitas caras. Artistas e designers ofereceram imagens abertas para qualquer pessoa usar e remisturar.
A fórmula de uma mensagem municipalista
- Concreto Um problema que se vê da janela: a renda, o despejo, a conta da luz, o ar.
- Local Nomes, lugares, histórias e símbolos da cidade, não jargão ideológico.
- Nós O sujeito é a vizinhança organizada; a candidata é uma entre muitas vozes.
- Proposta O que muda, saído do programa que as próprias pessoas escreveram.
- Convite Uma forma de entrar já: assinar, ir à reunião do bairro, emendar, votar, doar.
- Alegria Humor e esperança. O medo e o ódio são a linguagem do adversário.
- Verdade Dados precisos e com fonte. A credibilidade é o que leva as pessoas a partilhar.
Regras de escrita
- Fala e escreve como as pessoas normais, sem jargão de ativista.
- Coisas concretas em vez de conceitos abstratos: 'rendas altas', não 'financeirização'.
- Usa símbolos e referências da geografia, da história e da identidade locais.
- Sê rigoroso: uma informação errada custa mais do que dez certas rendem.
- Humor e ironia contra o adversário; nunca mensagens bélicas ou de ódio.
- Abre os materiais à remistura: imagens livres, memes, formatos que qualquer pessoa possa adaptar.
- Mostra o trabalho dos grupos de bairro e várias porta-vozes, não só a cabeça de lista.
- A comunicação não substitui as assembleias nem a organização: cada peça deve levar a uma forma de participar.
Exemplo
Vizinha, vizinho: a renda voltou a subir? Não é o único. Esta quarta-feira, às 19h, na escola do bairro, vamos juntar num mapa os problemas da nossa rua e escrever as propostas que seguem para o programa da cidade. Há espaço para as crianças. Se não puder vir, deixe a sua proposta online até domingo: [link]. Já somos 12 mil assinaturas; a meta é chegar às 30 mil até setembro. Quem decide a cidade somos nós.
Levar para o teu contexto
Barcelona tinha condições que poucas cidades têm.
Barcelona tinha condições que poucas cidades têm. Noutro lugar, mantém a sequência e a ética e troca as ferramentas, os canais e as figuras legais.
Funciona em qualquer lado
- Começar por objetivos partilhados e por ouvir, não por quem vai ser candidato.
- Testar a legitimidade com uma meta pública de apoio antes de decidir concorrer (por exemplo, 1% da população).
- Uma só plataforma por cidade: juntar em vez de competir com iniciativas parecidas.
- As pessoas participam a título individual, sem quotas por partido ou organização.
- Paridade de género e cuidado (horários, guarda de crianças, tempo de palavra) desde o grupo-piloto.
- Código ético escrito e votado antes da eleição, com teto salarial, limite de mandatos e transparência.
- Dinheiro de muita gente, contas públicas, nenhuma dívida a bancos ou a grandes doadores.
- Cada etapa online tem um equivalente presencial, e vice-versa.
- Dar sempre resposta: dizer o que aconteceu a cada proposta e porquê.
Depende do contexto
- Agrupamento de eleitores
- Em Espanha, grupos de moradores podem concorrer sem partido (em Portugal, nas autárquicas, os grupos de cidadãos eleitores também). Onde a lei exige filiação partidária (como no Brasil), negocia com um partido afim a 'casca' legal, como fez a Muitas em Belo Horizonte com o PSOL em 2016, e escreve as regras de autonomia antes de entrar.
- Presidente da câmara eleito pelo plenário
- Em Barcelona, a lista mais votada pode governar com 25%. Onde o presidente da câmara é eleito diretamente em duas voltas, a plataforma precisa de uma estratégia para a segunda volta e de listas próprias para o órgão deliberativo municipal.
- A PAH e a figura de Colau
- A credibilidade veio de anos a travar despejos. Procura o movimento local com historial de vitórias concretas e porta-vozes reconhecidas; sem isso, começa por pequenas vitórias antes de ir a eleições.
- Twitter em 2015
- Usa o canal onde a conversa política da tua cidade acontece hoje: canais e grupos de WhatsApp no Brasil, Telegram onde domina, Instagram ou TikTok para públicos jovens. Mantém uma lista própria com consentimento.
- DemocracyOS e Agora Voting
- O Decidim e o Consul são livres e mantidos por comunidades; para grupos pequenos, chegam um formulário com verificação e uma folha de cálculo pública.
- Microcréditos
- As regras de financiamento das campanhas variam muito. Confirma com a autoridade eleitoral se os empréstimos de pessoas singulares e o financiamento coletivo são permitidos e como identificar quem contribui.
- Cultura de assembleias do 15M
- Onde não há hábito de assembleia, usa formatos curtos e práticos: rodas de conversa, mapas, cartões escritos, tarefas concretas para cada pessoa.
- Debate da independência
- Todas as cidades têm uma clivagem capaz de partir a plataforma. Decide cedo como tratá-la, para que não engula a agenda municipal.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
-
Pedir licença à cidade antes de concorrer
Em vez de anunciar uma candidata, a plataforma publicou um manifesto e uma meta de assinaturas com prazo, e só decidiu concorrer depois de passar as 30 mil, em agosto de 2014. As assinaturas tornaram-se prova de apoio, lista de contactos e convite para entrar.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há um movimento ou uma rede local com credibilidade e vários meses pela frente até à eleição.
- Não usar quando
- Não serve se for só encenação: se a decisão de concorrer já está tomada e o resultado não muda nada, a meta passa a ser propaganda e a confiança perde-se.
- Semana −52 Reunir um grupo-piloto paritário e escrever o manifesto e os princípios
- Semana −50 Confirmar com um advogado a figura legal e registar o nome e alternativas
- Semana −47 Lançar em público num bairro popular, com meta de assinaturas e prazo
- Semana −47 Abrir a página de adesão com consentimento e um contador público
- Semana −45 Fazer reuniões abertas em todos os bairros para apresentar o manifesto e ouvir
- Semana −39 No fim do prazo, anunciar em público se a plataforma concorre e porquê
Equipa
- Grupo-piloto: escreve o manifesto e fixa o prazo
- Porta-vozes, mais de uma: apresentam nos bairros
- Extensão: acolhe quem assina e quer ajudar
- Apoio jurídico: figura legal e registo do nome
O que medir: Assinaturas válidas face à meta pública (o guia sugere algo como 1% da população), acompanhadas por bairro para ver onde ainda falta chegar.
Riscos a vigiar: As listas de assinaturas são dados de opinião política: pede consentimento explícito, guarda o mínimo e nunca inventes nem dupliques assinaturas para inflacionar o contador.
-
Código ético votado antes da eleição
Um código com teto salarial, limite de mandatos e agendas públicas, redigido em dois meses com uma oficina presencial, debate online e validação pelos inscritos (96,7% a favor). Mostrou na prática a política que a plataforma prometia.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a desconfiança nos políticos é o tema central e a plataforma aceita cumprir as regras que escreve.
- Não usar quando
- Não o uses como peça de marketing que ninguém vai vigiar: regras com exceções feitas à medida de uma pessoa desgastam mais do que não ter regras.
- Semana −33 Redigir uma minuta curta: teto salarial, limite de mandatos, agendas públicas
- Semana −31 Fazer uma oficina presencial aberta para discutir a minuta
- Semana −30 Abrir a minuta a comentários e emendas online, com prazo curto
- Semana −28 Reeditar e publicar o que entrou e o que ficou de fora, com justificação
- Semana −27 Validar o código por voto dos inscritos, com regras publicadas antes
- Semana −9 Pôr as candidaturas a assinar o código em público
- 2 semana(s) depois Criar um órgão que vigie o cumprimento e publicar salários e agendas
Equipa
- Redação: escreve a minuta e as versões seguintes
- Facilitação: conduz a oficina e o debate online
- Garantias: vigia o cumprimento depois da eleição
O que medir: Compromissos do código cumpridos em cada trimestre (salários dentro do teto, agendas publicadas, mandatos respeitados), verificados pelo órgão de garantias face a tudo o que as candidaturas assinaram.
Riscos a vigiar: Um código que se altera para acomodar uma figura perde o valor; escreve desde o início como se revê e quem decide as exceções.
-
Programa escrito pelos bairros
Um ciclo repetido para o programa: base curta, reuniões de bairro, emendas online durante 12 dias, síntese pelos grupos temáticos e priorização das 40 medidas nas primárias. Cada volta deixava mais gente comprometida com o resultado.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há grupos de bairro e temáticos com gente para sintetizar e responder a cada proposta.
- Não usar quando
- Não abras o processo sem capacidade de resposta: recolher propostas e não devolver nada é pior do que não perguntar.
- Semana −24 Abrir grupos temáticos e escrever documentos-marco curtos por tema
- Semana −20 Fazer diagnósticos de bairro com mapas físicos e cartões escritos
- Semana −16 Publicar os documentos para emenda online e em papel, com prazo curto
- Semana −14 Sintetizar nos grupos temáticos e avaliar a viabilidade de cada proposta
- Semana −13 Responder em público a cada proposta: aceite, fundida ou rejeitada, e porquê
- Semana −11 Priorizar as medidas por voto seguro dos inscritos
- Semana −9 Transformar o resultado num compromisso assinado e divulgá-lo
Equipa
- Comissão de conteúdos: coordena os grupos temáticos
- Grupos de bairro: fazem os diagnósticos e acolhem quem não usa o online
- Registo: mantém público o destino de cada proposta
O que medir: Pessoas presentes nos diagnósticos e reuniões de bairro, contadas na folha de presenças por bairro e idade; onde a presença for baixa, leva uma reunião até lá antes de fechar o programa.
Riscos a vigiar: O online deixa de fora quem tem menos tempo ou à-vontade digital; dá a cada etapa um equivalente presencial e verifica a identidade de quem vota.
-
Finanças sem bancos e contas abertas
A campanha angariou mais de 90 mil euros em donativos e mais de 200 microcréditos de pessoas, sem juros e devolvidos num ano, sem qualquer empréstimo bancário e com as contas publicadas. O dinheiro de muita gente tornou-se independência e argumento.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a lei permite donativos e empréstimos de pessoas singulares identificadas e há quem trate da tesouraria com rigor.
- Não usar quando
- Não uses microcréditos onde a lei eleitoral os proíbe ou sem garantir a capacidade de os devolver: uma dívida por pagar a apoiantes destrói a confiança.
- Semana −30 Confirmar com a entidade eleitoral o que é permitido: donativos, empréstimos, limites
- Semana −28 Escrever a política: sem bancos, contas públicas e contribuintes identificados
- Semana −26 Montar a comissão de finanças e a página de donativos e microcréditos
- Semana −20 Pedir apoio em todas as reuniões e repetir as condições do microcrédito
- Semana −16 Publicar receitas e despesas num registo aberto e atualizado
- Semana −4 Fazer uma campanha de angariação alegre e visível na reta final
- 26 semana(s) depois Devolver os microcréditos no prazo e publicar o fecho das contas
Equipa
- Tesouraria: regista cada entrada e cada devolução
- Comissão de finanças: pede, explica e acompanha os microcréditos
- Apoio jurídico: confirma limites e identificação
O que medir: Número de pessoas que doam ou emprestam (e não só o total angariado) e percentagem dos microcréditos devolvidos no prazo prometido. A meta é 100%.
Riscos a vigiar: As regras de financiamento variam muito: identifica cada contribuinte, respeita tetos e proibições e devolve os empréstimos no prazo prometido.
-
Comunicar como um enxame
A comissão de comunicação, os grupos de bairro, artistas com imagens abertas a remix e a rede de ciberativistas SomComuns publicavam ao mesmo tempo, cada um no seu canal, com linguagem de vizinhança e muitas caras. A candidata era uma voz entre muitas.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há uma rede de voluntários e criadores dispostos a publicar em sincronia e materiais livres para adaptar.
- Não usar quando
- Não substituas assembleias nem organização por comunicação: uma peça que não leva a uma forma de participar é só ruído.
- Semana −30 Criar a comissão de comunicação e uma rede de ativistas digitais voluntários
- Semana −20 Convidar artistas e designers a criar imagens livres para remix
- Semana −12 Escrever cada peça com a fórmula: concreto, local, nós, proposta, convite
- Semana −8 Combinar dia, hora e hashtag para publicar em sincronia em cada marco
- Semana −6 Transmitir em direto assembleias e atos para quem não pode estar presente
- Semana −2 Fazer atos pequenos em cada bairro em vez de um só comício
- Semana −1 Mostrar várias porta-vozes e os grupos de bairro, não só a cabeça de lista
Equipa
- Comissão de comunicação: define calendário e mensagens
- Rede de ciberativistas: publica em sincronia nos seus perfis
- Artistas e designers: criam materiais livres
- Grupos de bairro: mostram o trabalho local
O que medir: Pessoas que, a partir de cada canal, aparecem numa reunião de bairro, assinam ou se inscrevem para uma tarefa, contadas na folha de presenças ou pelo link de origem. Gostos e visualizações não contam.
Riscos a vigiar: Sincronizar não é fingir volume: só contas reais que se identificam, sem perfis falsos nem automatismos, e informação sempre com fonte.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a plataforma
Seis momentos da construção de Barcelona en Comú. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano de 11 meses
A sequência de Barcelona, com 333 dias entre o lançamento e a votação, organizada como lista de verificação.
A sequência de Barcelona, com 333 dias entre o lançamento e a votação, organizada como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Mês 0: Grupo-piloto
Meses 1–3: Lançamento e legitimidade
Meses 4–6: Regras do jogo
Meses 5–9: Programa e confluência
Meses 9–10: Primárias e lista
Mês 11: Campanha e votação
Regras
A plataforma prometeu fazer política de outra maneira, por isso cada regra quebrada custou-lhe credibilidade.
A plataforma prometeu fazer política de outra maneira, por isso cada regra quebrada custou-lhe credibilidade.
- Dinheiro identificado
- Cumpre a lei do financiamento partidário: identifica doadores e credores e publica as contas. Em Valência, a plataforma irmã transformou essa obrigação numa ferramenta de transparência.
- Sem bancos nem grandes doadores ocultos
- É uma escolha ética, não uma exigência legal. É também o que permite à plataforma dizer o que pensa.
- Código ético antes da eleição
- Vinculativo para todos, concreto, compreensível e revisível, com um órgão que vigie o seu cumprimento.
- Proteção de dados
- Listas de assinaturas, recenseamento e votações são dados pessoais e, por vezes, de opinião política. Pede consentimento explícito e cumpre o RGPD, a LGPD ou a lei local.
- Votações verificáveis
- Uma pessoa, um voto: verificação de identidade, regras publicadas antes, resultados com participação e percentagens.
- Paridade e acessibilidade
- Paridade de género na lista e nos órgãos, horários compatíveis com o trabalho e os cuidados, alternativa presencial para cada ferramenta digital.
- Registo e nome
- Confirma cedo as regras para registar um partido ou um grupo de eleitores e protege o nome antes de o anunciar.
- Só gente real
- Nada de perfis falsos, assinaturas inventadas, votos duplicados ou contas automatizadas para parecer maior.
- Factos com fonte
- Rigor na informação: a credibilidade é o principal ativo de uma plataforma cidadã.
- Lei local
- Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e a Google deixou de publicar publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que se aplica também às eleições locais, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Confirma com um advogado as regras do teu país antes de começar. Vê a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não dá maioria
- Ganhar com 25% e 11 de 41 vereadores significou governar em minoria, depender de acordos e ver projetos bloqueados, como a remunicipalização da água, travada nos tribunais.
- A participação cansa
- O recrutamento abrandou depois das eleições de 2015: entrar como membro novo foi difícil entre 2015 e 2018, e a pandemia desmobilizou ainda mais. Nas votações online, a participação caiu de 87% dos inscritos com direito de voto em março para 23% em julho de 2015, com uma queda forte entre os 30 e os 40 anos.
- A instituição muda quem entra
- Ativistas tornaram-se gestores e a organização profissionalizou-se. Uma vereadora resumiu: a instituição muda-nos mais do que nós a mudamos a ela.
- Depende de uma figura
- Apesar do discurso coletivo, o carisma de Colau segurava a coligação. A exceção ao limite de dois mandatos foi usada para ela voltar a candidatar-se, e em 2025 o código trocou essa regra por um teto de 12 anos sem exceções.
- As regras éticas também desgastam
- O fundo social alimentado pelos salários excedentes (La Filadora) distribuiu 216 mil euros na primeira edição, mas parou depois de 2018 sem explicação pública, enquanto a oposição acusava o governo de ajudar entidades próximas.
- O digital não chega a todos
- As ferramentas online deixam de fora parte das pessoas mais velhas e de quem tem menos tempo; sem canais presenciais, a participação reproduz desigualdades.
- Movimentos e governo entram em conflito
- A própria PAH criticou a lentidão no combate aos despejos. Ter os seus no poder não dispensa a pressão de fora.
- Perdeu a câmara em 2023
- Barcelona en Comú perdeu a câmara municipal em 2023 e o novo executivo cancelou parte dos projetos participativos.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Para ir mais longe
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
- Organizing Guide: People, Power, Change
O manual de organização comunitária baseado em Marshall Ganz: relações, narrativa, estrutura de equipas, estratégia e ação.
- What is Organizing? The "People, Power, Change" Framework
Introdução curta às cinco práticas de liderança do método de Ganz. Usa para alinhar a equipa sobre o que significa organizar, antes de distribuir tarefas.
- The Croydon Story: How losing an election taught us how to win
Rowenna Davis conta a campanha à presidência da câmara de Croydon (Londres) e o que a derrota ensinou sobre contacto directo e confiança. Bom para balanços pós-eleição.
Mais 3
- Small but mighty—How donations turbo-charged Možemo’s campaign in Zagreb
Como o partido verde-esquerda Možemo! financiou a campanha em Zagreb com pequenos donativos e voltou a ganhar. Exemplo europeu de financiamento popular.
- Polis Knowledge Base
Documentação do Polis: como montar uma consulta aberta, moderar comentários e ler os mapas de opinião. Usa para ouvir a base antes de fixar prioridades.
- Beautiful Trouble Toolbox
Centenas de tácticas, princípios, teorias e estudos de caso de ação criativa, interligados. Consulta quando precisares de uma ação que chame a atenção sem violência.
Fontes
Este playbook foi construído sobretudo com materiais publicados pela própria Barcelona en Comú e pelos seus organizadores (o guia de 2016 e…
Este playbook foi construído sobretudo com materiais publicados pela própria Barcelona en Comú e pelos seus organizadores (o guia de 2016 e o livro Fearless Cities, de 2019), entrevistas e estudos com dados internos, e imprensa de 2014 a 2026, consultada a 26 de outubro de 2026.
37 fontes
Quem fez
- Barcelona en Comú: How to win back the city en comú: guide to building a citizen municipal platform mar. 2016
- Barcelona En Comú (org.): Fearless Cities: A Guide to the Global Municipalist Movement 2019
- Guanyem Barcelona: Let's Win Barcelona (manifesto) jun. 2014
- El Temps: Barcelona En Comú (reportagem e entrevista a Ada Colau) 3 mar. 2015
- D-CENT: Spanish pilots (Pablo Aragón e Javier Toret) dez. 2014
- openDemocracy: Kate Shea Baird, Beyond Ada Colau: the common people of Barcelona en Comú 27 mai. 2015
- Recerca (UJI): Barandiaran, Calleja-López, Monterde, Aragón et al., Decidim: redes políticas y tecnopolíticas 2017
- Rob Hopkins: entrevista a Fèlix Beltran, ativista de Barcelona en Comú 7 dez. 2017
- Metropolitics: Entrevista a Marc Serra Solé 7 abr. 2026
Dados
- Wikipedia: Barcelona en Comú (resultados eleitorais)
- Wikipedia: Ada Colau
- Wikipedia (es): Plataforma de Afectados por la Hipoteca
- Turisme de Barcelona / Ajuntament: Estadístiques de turisme 2014 (síntesi) 2015
Imprensa
- Shareable: Barcelona en Comú's guide to urban revolution 30 ago. 2016
- Rebelión: Guanyem Barcelona buscará conquistar el Ayuntamiento desde los movimientos sociales 27 jun. 2014
- betevé: Apresentação de Guanyem Barcelona no Raval 26 jun. 2014
- Green Left: Spain: Let's Win Barcelona lays down unity challenge for left jul. 2014
- CityMonitor: A new grassroots movement is trying to take control of Barcelona's government 21 ago. 2014
- NacióDigital: Ada Colau registra partits alternatius per si no pot recuperar Guanyem 30 dez. 2014
- NacióDigital: La candidatura d'Ada Colau avalada pel 91,71% dels vots a les primàries 14 mar. 2015
- Al Jazeera: Spain's 'citizen candidates' shake up politics 24 mai. 2015
- La Marea: Directo: pulso entre Trias y Colau en Barcelona 24 mai. 2015
- La Marea: CiU, PSC, Ciutadans y PP frenan la bajada de sueldos que proponía Colau jul. 2015
- Green Left: In Barcelona, the Fearless Cities gathering jun. 2017
- El Independiente: Barcelona en Comú abandona su proyecto de donaciones a causas sociales 12 fev. 2021
- VilaWeb: Barcelona en Comú canvia el codi ètic i permet que Colau torni a presentar-s'hi out. 2025
- UOC: Treinta años de los Juegos Olímpicos de Barcelona 1992 (turismo: 1,7 millones en 1990) 2022-07-12
Análise
- Nesta / D-CENT: Aragón, Borge, Calleja-López et al., When a movement becomes a party 22 out. 2015
- P2P Foundation Wiki: Barcelona en Comú (com excertos de Joan Subirats e Kate Shea Baird)
- Resilience / ROAR: Manuela Zechner, Barcelona en Comú: the city as horizon for radical democracy 6 mar. 2015
- In These Times: Erica Sagrans, 6 lessons for the U.S. from Spain's democratic revolution 29 mai. 2015
- Rosa-Luxemburg-Stiftung: França e Rodríguez, Barcelona gemeinsam: o programa de choque jun. 2015
- Oxford Urban Transformations / openDemocracy: Russell e Reyes, Eight lessons from Barcelona en Comú 23 mar. 2017
- Janata Weekly / Waging Nonviolence: Mark e Paul Engler, Lessons from Barcelona's 8-year experiment 13 jan. 2024
- Guerrilla Foundation: Romy Krämer, New municipalism and the Fearless Cities conference jul. 2017
- URBACT: Laura Colini, How new municipalism shapes public participation 31 ago. 2017
- P2P Foundation Blog: Transformative Cities, Barcelona en Comú: a movement-party wins the city 1 out. 2018
Imagem: Barcelona En Comú, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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