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Ada Colau a sorrir, em 2015

Barcelona · 2015

Barcelona en Comú

Guanyem!

Em catalão, “Ganhemos!”: o nome da plataforma cidadã que deu origem à candidatura.

Uma plataforma nascida do movimento contra os despejos pediu 30 mil assinaturas antes de concorrer e, 11 meses depois, conquistou a Câmara de Barcelona. Vê como ganhar legitimidade antes de pedir votos.

Uma homenagem aos milhares de pessoas que construíram Guanyem e Barcelona en Comú, e ao seu Comité Internacional, que publicou o método para que outras cidades o usassem. Projeto independente, sem ligação à organização.

Em 30 segundos

  1. 25,2% e 11 de 41 vereadores. A 24 de maio de 2015, Barcelona en Comú ficou em primeiro e Ada Colau tornou-se a primeira presidente da câmara.

  2. 30 mil assinaturas antes de se tornar candidatura. Depois: reuniões de bairro, código ético e programa escritos em participação aberta, primárias e campanha financiada sem bancos.

  3. A plataforma ganhou legitimidade antes de pedir votos e aplicou primeiro a si própria as novas regras: salário, mandatos, dinheiro.

Os primeiros passos

  1. Reunir um grupo-piloto paritário e diverso, com gente de organização, finanças, comunicação e facilitação
  2. Escolher porta-vozes, mais do que um
  3. Escrever o manifesto (diagnóstico da cidade) e um texto curto de princípios e compromissos

Experimentar já Adaptar com o coach

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Quem fez

Barcelona en Comú fez questão de não ser 'a candidatura de uma pessoa'.

Barcelona en Comú fez questão de não ser 'a candidatura de uma pessoa'.

  • Ada Colau

    Cofundadora e porta-voz da PAH (2009–2014); impulsionadora de Guanyem; presidente da câmara de Barcelona (2015–2023)

    Deu rosto e credibilidade ao projeto, mas insistiu desde o lançamento que não era um projeto pessoal e que a candidatura seria escolhida pelos membros.

    Fontes
  • Gerardo Pisarello

    Jurista, n.º 2 da lista de Barcelona en Comú em 2015

    Assinou, com o Comité Internacional, a introdução do guia Fearless Cities (2019), que documenta a rede municipalista nascida da vitória de Barcelona.

    Fontes
  • Joan Subirats

    Politólogo (UAB), entre os primeiros impulsionadores de Guanyem

    Apresentou a plataforma no Raval a 26 de junho de 2014 e mais tarde contou como as assinaturas e as reuniões de bairro deram legitimidade à decisão de concorrer.

    Fontes
  • Jaume Asens

    Advogado, coporta-voz no lançamento de Guanyem

    Defendeu no lançamento que a candidatura não seria uma 'sopa de letras' de partidos, a ideia que deu origem ao conceito de confluência.

    Fontes
  • Kate Shea Baird

    Ativista de Barcelona en Comú e autora sobre municipalismo

    Escreveu sobre a organização vista por dentro (plenário, grupos de bairro, SomComuns) e é coautora do capítulo do Fearless Cities sobre como criar uma candidatura participativa.

    Fontes
  • Xavi Ferrer, Pantxo Ramas e Yolanda Sánchez

    Barcelona en Comú; autores do capítulo sobre código ético e financiamento

    Contaram como a campanha de financiamento coletivo e de microcréditos venceu o desconforto do próprio grupo em pedir dinheiro e juntou mais de 90 mil euros.

    Fontes
  • Adrià Rodríguez

    Barcelona en Comú; coautor do capítulo sobre comunicação

    Coautor, com Alejandra Calvo (Ahora Madrid), do capítulo sobre comunicação municipalista: linguagem concreta, humor, 'enxame' e o Movimento de Libertação Gráfica.

    Fontes
  • Javier Toret e Pablo Aragón

    Investigadores de tecnopolítica ligados ao 15M e ao projeto europeu D-CENT

    Montaram e estudaram as ferramentas online usadas para debater o código ético e o programa, e mediram a participação e a rede no Twitter.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Paráfrases e citações curtas de quem organizou a plataforma, com a fonte de cada uma.

Paráfrases e citações curtas de quem organizou a plataforma, com a fonte de cada uma.

Mais 6 citações

A história

A 26 de junho de 2014, cerca de 2 mil pessoas encheram uma escola pública no Raval para ouvir Ada Colau, Joan Subirats e Jaume Asens…

A 26 de junho de 2014, cerca de 2 mil pessoas encheram uma escola pública no Raval para ouvir Ada Colau, Joan Subirats e Jaume Asens apresentar Guanyem Barcelona. Faltavam 333 dias para as eleições municipais. A plataforma não se declarou candidata: pediu 30 mil assinaturas e propostas dos bairros antes de decidir.

30 mil
assinaturas pedidas para legitimar a candidatura, alcançadas em agosto de 2014dado da campanha
1.049
pessoas validaram online o código ético, com 96,7% a favordado da campanha
+90 mil €
em donativos, com mais de 200 microcréditos e nenhum empréstimo bancáriodado da campanha
11 de 41
vereadores e 25,2% dos votos a 24 de maio de 2015, em primeiro lugaroficial

De um movimento à câmara municipal

  1. fev. 2009Nasce em Barcelona a PAH, a Plataforma de Afetados pela Hipoteca. Ada Colau é a porta-voz.
  2. 5 fev. 2013A PAH entrega ao Congresso 1,4 milhões de assinaturas por uma lei de habitação. Colau ganha projeção nacional na audição parlamentar.
  3. 26 jun. 2014Lançamento de Guanyem Barcelona no Raval. Meta: 30 mil assinaturas até setembro, metade de residentes em Barcelona.
  4. ago. 2014A plataforma ultrapassa as 30 mil assinaturas e decide avançar. Dois dias antes do registo, outra pessoa regista o nome 'Guanyem'.
  5. 10–11 out. 2014Oficina presencial aberta sobre o código ético, com cerca de 350 pessoas; seguem-se debate online, reedição e validação online até 3 de dezembro.
  6. fev. 2015Nasce o nome Barcelona en Comú. O Podem vota 91% a favor de entrar e junta-se à ICV-EUiA, ao Procés Constituent e ao Equo na confluência.
  7. 7–12 mar. 2015Primárias online: 4.583 participantes escolhem a cabeça de lista, os candidatos por distrito e a ordem das 40 medidas do programa.
  8. 24 mai. 2015Barcelona en Comú vence com 176.612 votos (25,2%) e 11 vereadores; a CiU do presidente da câmara Xavier Trias fica com 10.
  9. 13 jun. 2015Ada Colau é investida presidente da câmara por maioria absoluta do plenário e forma um governo minoritário.
  10. 9–11 jun. 2017Primeira cimeira Fearless Cities em Barcelona: mais de 700 participantes de todos os continentes.

Três camadas

Três camadas sustentaram a candidatura. A regra era que todos participassem a título individual, sem quotas por organização.

  • O núcleo cidadãoGuanyem: ativistas da PAH, de associações de bairro, da cultura e da universidade, que lançaram o manifesto e organizaram os grupos de bairro e as comissões.
  • Os partidos que aceitaram diluir-seA ICV-EUiA (com vereadores na câmara), o Podem, o Procés Constituent e o Equo entraram numa lista comum, sem quotas e sem as suas siglas no boletim de voto.
  • As redes criativas e digitaisO Movimento de Libertação Gráfica de Barcelona (artistas e designers) e a rede de ciberativistas SomComuns ampliaram a campanha para lá da organização.
O que não se sabe. O efeito de cada técnica no resultado não pode ser isolado: a vitória também dependeu da notoriedade de Colau, da queda do PSC (de 11 para 4 vereadores) e de uma fragmentação que fez de 25% o primeiro lugar.

Algumas fontes divergem nos números: a lista de Colau teve 91,7% dos votos nas primárias segundo a imprensa e 87,8% segundo o estudo da Nesta; a cimeira de 2017 teve entre 600 e 700 participantes, consoante a fonte; e uma reportagem afirma que as assinaturas passaram das 50 mil. A participação de 63% e o aumento de 40% do voto nos bairros pobres vêm do relato de Joan Subirats, não de dados oficiais aqui consultados. Não foram encontradas fontes fiáveis sobre o uso do Telegram na campanha de 2015. As fontes consultadas descrevem pouco o contacto direto com eleitores e a mobilização no dia (porta a porta, telefone, lembretes). Num caso novo, planeia-os como parte do método.

O terreno

O método nasceu de uma combinação específica: uma crise de habitação brutal, um movimento com credibilidade, a cultura de assembleias do…

O método nasceu de uma combinação específica: uma crise de habitação brutal, um movimento com credibilidade, a cultura de assembleias do 15M e uma lei eleitoral municipal que permite a uma lista com 25% dos votos chegar à liderança da câmara.

Plataformas

Manifesto com formulário de adesão
A página do manifesto 'Guanyem Barcelona' tinha um botão de adesão e listas públicas de primeiros signatários e de apoiantes. Era ao mesmo tempo prova de apoio, lista de contactos e convite para entrar.
Reuniões abertas nos bairros
Escolas, praças e associações de moradores: reuniões para apresentar o manifesto e recolher problemas e propostas.
DemocracyOS
Software livre de deliberação usado, numa versão adaptada pelo projeto europeu D-CENT, para comentar e emendar o rascunho do código ético e as propostas do programa. No código ético, houve 365 utilizadores, 321 comentários, 957 avaliações e 139 respostas.
Participa + Agora Voting
Portal de votação com recenseamento de inscritos e voto seguro, usado nas primárias, na validação da lista e na hierarquização das 40 medidas do programa.
Twitter e Facebook
O Twitter foi central na comunicação e na organização da campanha de maio de 2015: um estudo analisou 373.818 retweets. A rede de ciberativistas SomComuns fazia campanha ali e no Facebook, ao lado das contas oficiais e da candidata.
Vídeo e streaming
Vídeos curtos (a apresentação, as reuniões de bairro, 'Now's the time to win') e transmissão em direto das iniciativas, a cargo da comissão de comunicação.
Decidim (depois da vitória)
Plataforma de participação de código aberto criada pela câmara municipal em fevereiro de 2016 para o plano de governo. Não fez parte da campanha de 2015, mas é a herança técnica mais conhecida do método.

Condições locais

  • Crise pós-2008: desemprego de 26% em Espanha em 2013, despejos em massa e uma lei hipotecária que permitia ao banco ficar com a casa por atrasos curtos.
  • Um movimento com credibilidade acumulada: a PAH, fundada em Barcelona em fevereiro de 2009, travava despejos e levou ao Congresso, em 2013, uma iniciativa legislativa popular com 1,4 milhões de assinaturas.
  • A cultura de assembleias e de tecnopolítica do 15M (2011) e a irrupção do Podemos nas eleições europeias de maio de 2014, um mês antes do lançamento de Guanyem.
  • Descrédito dos partidos tradicionais por casos de corrupção e pelas políticas de austeridade.
  • Turismo massivo: de 1,7 milhões de turistas alojados em hotéis em 1990 para quase 7,9 milhões em 2014, com pressão sobre as rendas.
  • Lei eleitoral espanhola: listas fechadas e proporcionais para 41 vereadores; o presidente da câmara (alcalde) é eleito pelo plenário municipal. Os agrupamentos de eleitores podem concorrer sem partido se recolherem assinaturas.
  • O debate sobre a independência da Catalunha: a plataforma defendeu o direito a decidir sem tomar partido sobre a independência, para não se dividir.
  • Cidade bilingue (catalão e castelhano), com uma rede densa de associações de moradores e de movimentos sociais.

O método

O guia que a própria Barcelona en Comú publicou em 2016 divide a construção em fases: antes do lançamento, do lançamento à campanha, a…

O guia que a própria Barcelona en Comú publicou em 2016 divide a construção em fases: antes do lançamento, do lançamento à campanha, a campanha e o governo. Por trás das fases, há três frentes e um ciclo que se repetia em cada decisão importante. Numa câmara de 41 vereadores eleitos por listas proporcionais, a meta era ficar em primeiro e ter apoios para a investidura.

Três frentes

Legitimidade antes da candidatura
Anunciar objetivos e pedir licença à cidade antes de ter candidato. Assinaturas, reuniões de bairro e diagnósticos locais provam que há uma maioria possível antes de pedir votos.
Mudar primeiro as regras em casa
Um código ético com teto salarial, limite de mandatos e agendas públicas, e finanças sem bancos e com contas abertas, mostram na prática a política que se promete.
Construir em comum
Programa, código e lista feitos com participação aberta; partidos que entram como pessoas e não como siglas; paridade de género em todos os espaços.

O ciclo de construção coletiva

O mesmo ciclo serviu para o manifesto, o código ético, o programa e a lista. Cada volta deixava mais gente comprometida.

  1. Propor uma base Um grupo-piloto paritário redige um rascunho curto: manifesto, princípios, minuta do código ou documento-quadro por tema.
  2. Ouvir nos bairros Reuniões abertas em cada bairro para apresentar a base e recolher problemas e propostas de quem lá vive.
  3. Abrir a emendas Publicar o rascunho online e em papel, com prazos curtos (12 dias no programa), para comentários e novas propostas.
  4. Sintetizar Os grupos temáticos agrupam, avaliam a viabilidade e devolvem uma versão nova, em que explicam o que entrou e o que ficou de fora.
  5. Votar e hierarquizar Os inscritos validam ou ordenam as propostas: 40 medidas hierarquizadas, código aprovado com 96,7%, lista validada nas primárias.
  6. Comprometer-se em público O resultado torna-se um compromisso assinado (o mandato cidadão, o código ético), não uma promessa eleitoral solta.
  7. Comunicar como um enxame A comissão de comunicação, os grupos de bairro, os artistas e os ciberativistas espalham o resultado ao mesmo tempo, cada um no seu canal.
  8. Prestar contas Contas, agendas e salários públicos. O ciclo recomeça na fase seguinte, com mais gente e mais legitimidade.

E recomeça.

Toolkit

O que é preciso para construir uma plataforma municipal cidadã: estrutura, ferramentas e linguagem.

O que é preciso para construir uma plataforma municipal cidadã: estrutura, ferramentas e linguagem. O guia de Barcelona en Comú diz que a estrutura muda de cidade para cidade, mas deve ser sempre horizontal, transparente e fácil de integrar.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Durante a campanha eleitoral, cerca de mil pessoas estavam ativas nos grupos de bairro e umas 250 nas comissões técnicas. A estrutura era quase toda voluntária e tentava equilibrar horizontalidade e eficácia.

Estrutura mínima

Plenário
O principal espaço de decisão estratégica, aberto a quem participa em qualquer grupo. Reúne-se pelo menos de duas em duas semanas e pode abrir decisões à consulta de todos os cidadãos.
Equipa de coordenação
Porta-vozes, candidatos e as respetivas equipas, dois representantes de cada comissão e um da extensão territorial. Decide o urgente e leva o estratégico ao plenário. Duas pessoas moderam e redigem a ata.
Grupos de bairro
Assembleias abertas a qualquer morador. Acolhem gente nova, ajudam a usar as ferramentas online, fazem o diagnóstico local e levam a campanha à rua. Enviam duas pessoas à coordenação de bairros.
Comissão de conteúdos e grupos temáticos
Saúde, educação, habitação e urbanismo, migrações, género, cultura, economia, entre outros. Recolhem, sintetizam e avaliam a viabilidade das propostas do programa.
Comissão de comunicação
Site e servidor, design gráfico, redes sociais, imprensa, vídeo, streaming, mailing, tradução e revisão, e análise de dados.
Logística e finanças
Apoio logístico, tesouraria, merchandising, apoio jurídico e os processos legais, incluindo o registo do partido.
Confluência
Gere a relação com os partidos e movimentos que se querem juntar e negoceia a lista comum.
Extensão e colaboradores
Recebe quem escreve a pedir para ajudar e organiza reuniões regulares para novos colaboradores. É a porta de entrada da plataforma.

Ritmo

  1. Fase AAntes do lançamento: grupo-piloto paritário, porta-vozes, manifesto e texto de princípios.
  2. Verão de 2014Lançamento público, recolha de assinaturas e 30 a 40 reuniões de bairro para apresentar o manifesto e ouvir.
  3. Outono de 2014Código ético em dois meses: rascunho, oficina presencial, debate online, reedição e validação.
  4. Inverno de 2014–15Diagnósticos de bairro, documentos-quadro dos grupos temáticos e negociação da confluência.
  5. Início de 2015Debate online das propostas (12 dias de emendas) e, em março, primárias com hierarquização do programa.
  6. Maio de 2015Fase C: uma comissão de campanha assume o planeamento e a execução diária até ao dia da votação.
  7. De duas em duas semanasPlenário, do princípio ao fim.

As fontes descrevem o calendário por fases e o plenário quinzenal, não um ritual diário. A diferença em relação a uma operação de campanha curta é que aqui o ritmo era o da construção: 333 dias entre o lançamento e a votação.

Plano B

  • Quando o nome 'Guanyem' foi registado por outra pessoa, o círculo de Colau registou três partidos de reserva enquanto o litígio decorria, e acabou por adotar um nome novo.
  • Vários porta-vozes desde o início, para que o projeto não dependesse de uma só figura.
  • Canais presenciais para cada etapa online, para não excluir quem tem pouca familiaridade digital ou menos tempo.
  • Financiamento distribuído por centenas de pessoas em vez de um credor único, como um banco.
  • Uma comissão com apoio jurídico permanente e o registo do partido tratado com antecedência.

Tecnologia

Quase tudo era software livre ou gratuito. O que saiu caro foi o tempo de centenas de voluntários a acompanhar quem não usava as ferramentas.

  • Página do manifesto com adesãoGratuito a 10 €/ano

    Manifesto, compromissos e formulário de assinatura com consentimento. A lista pública de apoiantes é a prova de legitimidade.

  • Recenseamento de inscritosGratuito (software livre)

    Um registo único das pessoas inscritas, que dá acesso às votações e recebe as comunicações. Em Barcelona, o portal Participa funcionava como recenseamento.

  • Deliberação online (DemocracyOS ou Decidim)Gratuito (software livre) + alojamento

    Para comentar e emendar rascunhos do código ético e do programa, com prazos curtos. Hoje o Decidim, de código aberto, faz isso e muito mais.

  • Voto seguro (Agora Voting ou equivalente)Gratuito a baixo custo

    Para primárias, validação da lista e hierarquização de medidas, com verificação da identidade de quem vota.

  • Agenda e mapa das reuniões de bairroGratuito

    Calendário público de reuniões abertas, com local e hora, e mapas para assinalar os problemas de cada bairro.

  • Redes sociais e rede de ciberativistasGratuito

    Contas oficiais mais uma rede voluntária (SomComuns) que publica de forma sincronizada. A conta da candidata não pode ser o único centro.

  • Vídeo e transmissão em diretoGratuito

    Vídeos curtos para explicar cada fase e transmissão das assembleias e iniciativas para quem não pode estar presente.

  • Financiamento coletivo e microcréditosComissões da plataforma de pagamento

    Pequenos donativos e empréstimos de pessoas, sem juros e com prazo de devolução, com identificação de quem contribui e contas publicadas.

  • Registo público de propostas e contasGratuito

    Uma folha de cálculo ou módulo que mostra cada proposta, o que lhe aconteceu e as receitas e despesas da plataforma.

  • Escuta e análise de dadosGratuito

    Acompanhar a conversa pública e medir a participação por bairro, idade e canal para corrigir desigualdades.

Guias rápidos por canal

Colunas do registo de propostas

Data · Espaço de origem (bairro, grupo temático, online) · Proposta · Quem propôs · Apoios ou votos · Decisão (aceite, fundida, rejeitada) · Justificação pública · Responsável pela resposta

As ferramentas custam quase nada. Em Barcelona, a campanha angariou mais de 90 mil euros em donativos e mais de 200 microcréditos (até 10 mil euros cada, devolvidos num ano, sem juros). O custo total da campanha de 2015 não foi encontrado nas fontes consultadas; como referência, a plataforma irmã Ahora Madrid declarou um orçamento de cerca de 200 mil euros.

Comunicação

A plataforma usava a linguagem do dia a dia para falar de problemas concretos, com humor e muitas caras. Artistas e designers ofereceram imagens abertas para qualquer pessoa usar e remisturar.

A fórmula de uma mensagem municipalista

  1. Concreto Um problema que se vê da janela: a renda, o despejo, a conta da luz, o ar.
  2. Local Nomes, lugares, histórias e símbolos da cidade, não jargão ideológico.
  3. Nós O sujeito é a vizinhança organizada; a candidata é uma entre muitas vozes.
  4. Proposta O que muda, saído do programa que as próprias pessoas escreveram.
  5. Convite Uma forma de entrar já: assinar, ir à reunião do bairro, emendar, votar, doar.
  6. Alegria Humor e esperança. O medo e o ódio são a linguagem do adversário.
  7. Verdade Dados precisos e com fonte. A credibilidade é o que leva as pessoas a partilhar.

Regras de escrita

  • Fala e escreve como as pessoas normais, sem jargão de ativista.
  • Coisas concretas em vez de conceitos abstratos: 'rendas altas', não 'financeirização'.
  • Usa símbolos e referências da geografia, da história e da identidade locais.
  • Sê rigoroso: uma informação errada custa mais do que dez certas rendem.
  • Humor e ironia contra o adversário; nunca mensagens bélicas ou de ódio.
  • Abre os materiais à remistura: imagens livres, memes, formatos que qualquer pessoa possa adaptar.
  • Mostra o trabalho dos grupos de bairro e várias porta-vozes, não só a cabeça de lista.
  • A comunicação não substitui as assembleias nem a organização: cada peça deve levar a uma forma de participar.

Exemplo

Vizinha, vizinho: a renda voltou a subir? Não é o único. Esta quarta-feira, às 19h, na escola do bairro, vamos juntar num mapa os problemas da nossa rua e escrever as propostas que seguem para o programa da cidade. Há espaço para as crianças. Se não puder vir, deixe a sua proposta online até domingo: [link]. Já somos 12 mil assinaturas; a meta é chegar às 30 mil até setembro. Quem decide a cidade somos nós.

Levar para o teu contexto

Barcelona tinha condições que poucas cidades têm.

Barcelona tinha condições que poucas cidades têm. Noutro lugar, mantém a sequência e a ética e troca as ferramentas, os canais e as figuras legais.

Funciona em qualquer lado

  • Começar por objetivos partilhados e por ouvir, não por quem vai ser candidato.
  • Testar a legitimidade com uma meta pública de apoio antes de decidir concorrer (por exemplo, 1% da população).
  • Uma só plataforma por cidade: juntar em vez de competir com iniciativas parecidas.
  • As pessoas participam a título individual, sem quotas por partido ou organização.
  • Paridade de género e cuidado (horários, guarda de crianças, tempo de palavra) desde o grupo-piloto.
  • Código ético escrito e votado antes da eleição, com teto salarial, limite de mandatos e transparência.
  • Dinheiro de muita gente, contas públicas, nenhuma dívida a bancos ou a grandes doadores.
  • Cada etapa online tem um equivalente presencial, e vice-versa.
  • Dar sempre resposta: dizer o que aconteceu a cada proposta e porquê.

Depende do contexto

Agrupamento de eleitores
Em Espanha, grupos de moradores podem concorrer sem partido (em Portugal, nas autárquicas, os grupos de cidadãos eleitores também). Onde a lei exige filiação partidária (como no Brasil), negocia com um partido afim a 'casca' legal, como fez a Muitas em Belo Horizonte com o PSOL em 2016, e escreve as regras de autonomia antes de entrar.
Presidente da câmara eleito pelo plenário
Em Barcelona, a lista mais votada pode governar com 25%. Onde o presidente da câmara é eleito diretamente em duas voltas, a plataforma precisa de uma estratégia para a segunda volta e de listas próprias para o órgão deliberativo municipal.
A PAH e a figura de Colau
A credibilidade veio de anos a travar despejos. Procura o movimento local com historial de vitórias concretas e porta-vozes reconhecidas; sem isso, começa por pequenas vitórias antes de ir a eleições.
Twitter em 2015
Usa o canal onde a conversa política da tua cidade acontece hoje: canais e grupos de WhatsApp no Brasil, Telegram onde domina, Instagram ou TikTok para públicos jovens. Mantém uma lista própria com consentimento.
DemocracyOS e Agora Voting
O Decidim e o Consul são livres e mantidos por comunidades; para grupos pequenos, chegam um formulário com verificação e uma folha de cálculo pública.
Microcréditos
As regras de financiamento das campanhas variam muito. Confirma com a autoridade eleitoral se os empréstimos de pessoas singulares e o financiamento coletivo são permitidos e como identificar quem contribui.
Cultura de assembleias do 15M
Onde não há hábito de assembleia, usa formatos curtos e práticos: rodas de conversa, mapas, cartões escritos, tarefas concretas para cada pessoa.
Debate da independência
Todas as cidades têm uma clivagem capaz de partir a plataforma. Decide cedo como tratá-la, para que não engula a agenda municipal.

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. Pedir licença à cidade antes de concorrer

    Em vez de anunciar uma candidata, a plataforma publicou um manifesto e uma meta de assinaturas com prazo, e só decidiu concorrer depois de passar as 30 mil, em agosto de 2014. As assinaturas tornaram-se prova de apoio, lista de contactos e convite para entrar.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há um movimento ou uma rede local com credibilidade e vários meses pela frente até à eleição.
    Não usar quando
    Não serve se for só encenação: se a decisão de concorrer já está tomada e o resultado não muda nada, a meta passa a ser propaganda e a confiança perde-se.
    1. Semana −52 Reunir um grupo-piloto paritário e escrever o manifesto e os princípios
    2. Semana −50 Confirmar com um advogado a figura legal e registar o nome e alternativas
    3. Semana −47 Lançar em público num bairro popular, com meta de assinaturas e prazo
    4. Semana −47 Abrir a página de adesão com consentimento e um contador público
    5. Semana −45 Fazer reuniões abertas em todos os bairros para apresentar o manifesto e ouvir
    6. Semana −39 No fim do prazo, anunciar em público se a plataforma concorre e porquê

    Equipa

    • Grupo-piloto: escreve o manifesto e fixa o prazo
    • Porta-vozes, mais de uma: apresentam nos bairros
    • Extensão: acolhe quem assina e quer ajudar
    • Apoio jurídico: figura legal e registo do nome

    O que medir: Assinaturas válidas face à meta pública (o guia sugere algo como 1% da população), acompanhadas por bairro para ver onde ainda falta chegar.

    Riscos a vigiar: As listas de assinaturas são dados de opinião política: pede consentimento explícito, guarda o mínimo e nunca inventes nem dupliques assinaturas para inflacionar o contador.

  2. Código ético votado antes da eleição

    Um código com teto salarial, limite de mandatos e agendas públicas, redigido em dois meses com uma oficina presencial, debate online e validação pelos inscritos (96,7% a favor). Mostrou na prática a política que a plataforma prometia.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a desconfiança nos políticos é o tema central e a plataforma aceita cumprir as regras que escreve.
    Não usar quando
    Não o uses como peça de marketing que ninguém vai vigiar: regras com exceções feitas à medida de uma pessoa desgastam mais do que não ter regras.
    1. Semana −33 Redigir uma minuta curta: teto salarial, limite de mandatos, agendas públicas
    2. Semana −31 Fazer uma oficina presencial aberta para discutir a minuta
    3. Semana −30 Abrir a minuta a comentários e emendas online, com prazo curto
    4. Semana −28 Reeditar e publicar o que entrou e o que ficou de fora, com justificação
    5. Semana −27 Validar o código por voto dos inscritos, com regras publicadas antes
    6. Semana −9 Pôr as candidaturas a assinar o código em público
    7. 2 semana(s) depois Criar um órgão que vigie o cumprimento e publicar salários e agendas

    Equipa

    • Redação: escreve a minuta e as versões seguintes
    • Facilitação: conduz a oficina e o debate online
    • Garantias: vigia o cumprimento depois da eleição

    O que medir: Compromissos do código cumpridos em cada trimestre (salários dentro do teto, agendas publicadas, mandatos respeitados), verificados pelo órgão de garantias face a tudo o que as candidaturas assinaram.

    Riscos a vigiar: Um código que se altera para acomodar uma figura perde o valor; escreve desde o início como se revê e quem decide as exceções.

  3. Programa escrito pelos bairros

    Um ciclo repetido para o programa: base curta, reuniões de bairro, emendas online durante 12 dias, síntese pelos grupos temáticos e priorização das 40 medidas nas primárias. Cada volta deixava mais gente comprometida com o resultado.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há grupos de bairro e temáticos com gente para sintetizar e responder a cada proposta.
    Não usar quando
    Não abras o processo sem capacidade de resposta: recolher propostas e não devolver nada é pior do que não perguntar.
    1. Semana −24 Abrir grupos temáticos e escrever documentos-marco curtos por tema
    2. Semana −20 Fazer diagnósticos de bairro com mapas físicos e cartões escritos
    3. Semana −16 Publicar os documentos para emenda online e em papel, com prazo curto
    4. Semana −14 Sintetizar nos grupos temáticos e avaliar a viabilidade de cada proposta
    5. Semana −13 Responder em público a cada proposta: aceite, fundida ou rejeitada, e porquê
    6. Semana −11 Priorizar as medidas por voto seguro dos inscritos
    7. Semana −9 Transformar o resultado num compromisso assinado e divulgá-lo

    Equipa

    • Comissão de conteúdos: coordena os grupos temáticos
    • Grupos de bairro: fazem os diagnósticos e acolhem quem não usa o online
    • Registo: mantém público o destino de cada proposta

    O que medir: Pessoas presentes nos diagnósticos e reuniões de bairro, contadas na folha de presenças por bairro e idade; onde a presença for baixa, leva uma reunião até lá antes de fechar o programa.

    Riscos a vigiar: O online deixa de fora quem tem menos tempo ou à-vontade digital; dá a cada etapa um equivalente presencial e verifica a identidade de quem vota.

  4. Finanças sem bancos e contas abertas

    A campanha angariou mais de 90 mil euros em donativos e mais de 200 microcréditos de pessoas, sem juros e devolvidos num ano, sem qualquer empréstimo bancário e com as contas publicadas. O dinheiro de muita gente tornou-se independência e argumento.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a lei permite donativos e empréstimos de pessoas singulares identificadas e há quem trate da tesouraria com rigor.
    Não usar quando
    Não uses microcréditos onde a lei eleitoral os proíbe ou sem garantir a capacidade de os devolver: uma dívida por pagar a apoiantes destrói a confiança.
    1. Semana −30 Confirmar com a entidade eleitoral o que é permitido: donativos, empréstimos, limites
    2. Semana −28 Escrever a política: sem bancos, contas públicas e contribuintes identificados
    3. Semana −26 Montar a comissão de finanças e a página de donativos e microcréditos
    4. Semana −20 Pedir apoio em todas as reuniões e repetir as condições do microcrédito
    5. Semana −16 Publicar receitas e despesas num registo aberto e atualizado
    6. Semana −4 Fazer uma campanha de angariação alegre e visível na reta final
    7. 26 semana(s) depois Devolver os microcréditos no prazo e publicar o fecho das contas

    Equipa

    • Tesouraria: regista cada entrada e cada devolução
    • Comissão de finanças: pede, explica e acompanha os microcréditos
    • Apoio jurídico: confirma limites e identificação

    O que medir: Número de pessoas que doam ou emprestam (e não só o total angariado) e percentagem dos microcréditos devolvidos no prazo prometido. A meta é 100%.

    Riscos a vigiar: As regras de financiamento variam muito: identifica cada contribuinte, respeita tetos e proibições e devolve os empréstimos no prazo prometido.

  5. Comunicar como um enxame

    A comissão de comunicação, os grupos de bairro, artistas com imagens abertas a remix e a rede de ciberativistas SomComuns publicavam ao mesmo tempo, cada um no seu canal, com linguagem de vizinhança e muitas caras. A candidata era uma voz entre muitas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há uma rede de voluntários e criadores dispostos a publicar em sincronia e materiais livres para adaptar.
    Não usar quando
    Não substituas assembleias nem organização por comunicação: uma peça que não leva a uma forma de participar é só ruído.
    1. Semana −30 Criar a comissão de comunicação e uma rede de ativistas digitais voluntários
    2. Semana −20 Convidar artistas e designers a criar imagens livres para remix
    3. Semana −12 Escrever cada peça com a fórmula: concreto, local, nós, proposta, convite
    4. Semana −8 Combinar dia, hora e hashtag para publicar em sincronia em cada marco
    5. Semana −6 Transmitir em direto assembleias e atos para quem não pode estar presente
    6. Semana −2 Fazer atos pequenos em cada bairro em vez de um só comício
    7. Semana −1 Mostrar várias porta-vozes e os grupos de bairro, não só a cabeça de lista

    Equipa

    • Comissão de comunicação: define calendário e mensagens
    • Rede de ciberativistas: publica em sincronia nos seus perfis
    • Artistas e designers: criam materiais livres
    • Grupos de bairro: mostram o trabalho local

    O que medir: Pessoas que, a partir de cada canal, aparecem numa reunião de bairro, assinam ou se inscrevem para uma tarefa, contadas na folha de presenças ou pelo link de origem. Gostos e visualizações não contam.

    Riscos a vigiar: Sincronizar não é fingir volume: só contas reais que se identificam, sem perfis falsos nem automatismos, e informação sempre com fonte.

Praticar

Treina com as missões e situações do caso.

Decidir como a plataforma

Seis momentos da construção de Barcelona en Comú. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano de 11 meses

A sequência de Barcelona, com 333 dias entre o lançamento e a votação, organizada como lista de verificação.

A sequência de Barcelona, com 333 dias entre o lançamento e a votação, organizada como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Mês 0: Grupo-piloto

  2. Meses 1–3: Lançamento e legitimidade

  3. Meses 4–6: Regras do jogo

  4. Meses 5–9: Programa e confluência

  5. Meses 9–10: Primárias e lista

  6. Mês 11: Campanha e votação

Regras

A plataforma prometeu fazer política de outra maneira, por isso cada regra quebrada custou-lhe credibilidade.

A plataforma prometeu fazer política de outra maneira, por isso cada regra quebrada custou-lhe credibilidade.

Dinheiro identificado
Cumpre a lei do financiamento partidário: identifica doadores e credores e publica as contas. Em Valência, a plataforma irmã transformou essa obrigação numa ferramenta de transparência.
Sem bancos nem grandes doadores ocultos
É uma escolha ética, não uma exigência legal. É também o que permite à plataforma dizer o que pensa.
Código ético antes da eleição
Vinculativo para todos, concreto, compreensível e revisível, com um órgão que vigie o seu cumprimento.
Proteção de dados
Listas de assinaturas, recenseamento e votações são dados pessoais e, por vezes, de opinião política. Pede consentimento explícito e cumpre o RGPD, a LGPD ou a lei local.
Votações verificáveis
Uma pessoa, um voto: verificação de identidade, regras publicadas antes, resultados com participação e percentagens.
Paridade e acessibilidade
Paridade de género na lista e nos órgãos, horários compatíveis com o trabalho e os cuidados, alternativa presencial para cada ferramenta digital.
Registo e nome
Confirma cedo as regras para registar um partido ou um grupo de eleitores e protege o nome antes de o anunciar.
Só gente real
Nada de perfis falsos, assinaturas inventadas, votos duplicados ou contas automatizadas para parecer maior.
Factos com fonte
Rigor na informação: a credibilidade é o principal ativo de uma plataforma cidadã.
Lei local
Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e a Google deixou de publicar publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900, que se aplica também às eleições locais, exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Confirma com um advogado as regras do teu país antes de começar. Vê a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não dá maioria
Ganhar com 25% e 11 de 41 vereadores significou governar em minoria, depender de acordos e ver projetos bloqueados, como a remunicipalização da água, travada nos tribunais.
A participação cansa
O recrutamento abrandou depois das eleições de 2015: entrar como membro novo foi difícil entre 2015 e 2018, e a pandemia desmobilizou ainda mais. Nas votações online, a participação caiu de 87% dos inscritos com direito de voto em março para 23% em julho de 2015, com uma queda forte entre os 30 e os 40 anos.
A instituição muda quem entra
Ativistas tornaram-se gestores e a organização profissionalizou-se. Uma vereadora resumiu: a instituição muda-nos mais do que nós a mudamos a ela.
Depende de uma figura
Apesar do discurso coletivo, o carisma de Colau segurava a coligação. A exceção ao limite de dois mandatos foi usada para ela voltar a candidatar-se, e em 2025 o código trocou essa regra por um teto de 12 anos sem exceções.
As regras éticas também desgastam
O fundo social alimentado pelos salários excedentes (La Filadora) distribuiu 216 mil euros na primeira edição, mas parou depois de 2018 sem explicação pública, enquanto a oposição acusava o governo de ajudar entidades próximas.
O digital não chega a todos
As ferramentas online deixam de fora parte das pessoas mais velhas e de quem tem menos tempo; sem canais presenciais, a participação reproduz desigualdades.
Movimentos e governo entram em conflito
A própria PAH criticou a lentidão no combate aos despejos. Ter os seus no poder não dispensa a pressão de fora.
Perdeu a câmara em 2023
Barcelona en Comú perdeu a câmara municipal em 2023 e o novo executivo cancelou parte dos projetos participativos.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Para que serviram as 30 mil assinaturas recolhidas no verão de 2014?
2. O que distingue uma 'confluência' de uma coligação?
3. Qual destes elementos fazia parte do código ético aprovado em 2014?
4. Como foi financiada a campanha de 2015?
5. O Decidim fez parte da campanha que elegeu Colau?

Para ir mais longe

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Mais 3
  • Small but mighty—How donations turbo-charged Možemo’s campaign in Zagreb

    Estudo de caso · European Center for Digital Action · 2025-07 · EN

    Como o partido verde-esquerda Možemo! financiou a campanha em Zagreb com pequenos donativos e voltou a ganhar. Exemplo europeu de financiamento popular.

  • Polis Knowledge Base

    Guia · The Computational Democracy Project (Polis) · EN

    Documentação do Polis: como montar uma consulta aberta, moderar comentários e ler os mapas de opinião. Usa para ouvir a base antes de fixar prioridades.

  • Beautiful Trouble Toolbox

    Toolkit · Beautiful Trouble · EN

    Centenas de tácticas, princípios, teorias e estudos de caso de ação criativa, interligados. Consulta quando precisares de uma ação que chame a atenção sem violência.

Biblioteca

Fontes

Este playbook foi construído sobretudo com materiais publicados pela própria Barcelona en Comú e pelos seus organizadores (o guia de 2016 e…

Este playbook foi construído sobretudo com materiais publicados pela própria Barcelona en Comú e pelos seus organizadores (o guia de 2016 e o livro Fearless Cities, de 2019), entrevistas e estudos com dados internos, e imprensa de 2014 a 2026, consultada a 26 de outubro de 2026.

37 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Barcelona En Comú, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 26 de outubro de 2026

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