Em 30 segundos
Cerca de 53% e 365 votos eleitorais. Barack Obama venceu as primárias democratas e depois a eleição de 4 de novembro de 2008.
13 milhões de e-mails, cerca de 4 milhões de doadores. A divisão digital tinha o mesmo peso que o terreno, as finanças e a comunicação.
O terreno assentava na organização comunitária: Camp Obama, organizadores pagos, fellows e equipas de bairro com papéis definidos nos estados decisivos.
O digital recruta; contacto humano rápido, formação em narrativa pessoal e equipas locais com metas e dados transformam um inscrito num líder.
Ganz chama mito à auto-organização espontânea.
Os primeiros passos
- Confirmar com um advogado as regras de dados, mensagens e donativos do teu país
- Mapear os bairros prioritários com os resultados públicos por secção de voto
- Publicar a página de adesão com consentimento
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram em artigos, entrevistas, palestras e livros, e em…
Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram em artigos, entrevistas, palestras e livros, e em investigações que entrevistaram dezenas deles. A imprensa confirma datas e números.
Marshall Ganz
Organizador (movimento dos direitos civis, United Farm Workers) e professor em Harvard; ajudou a desenhar a Camp Obama
Montou com a campanha as formações de 2,5 dias que lançavam equipas de liderança e ensinou os voluntários a contar a própria história (de si, de nós, de agora).
FontesTemo Figueroa
Diretor nacional de terreno nas primárias; antigo organizador sindical
Impôs que os voluntários recebessem formação em organização antes de irem para o trabalho de rua e chamou Ganz para as formações.
FontesJon Carson
Diretor nacional de terreno
Iniciou a Camp Obama em Chicago e dirigiu a estrutura de terreno que usou equipas de bairro à escala nacional na eleição geral.
FontesJeremy Bird
Diretor de terreno na Carolina do Sul (primárias) e depois no Ohio
Testou na Carolina do Sul o modelo de house meetings e equipas de bairro e, no Ohio, avaliou os organizadores pelos líderes formados e não pelos contactos feitos.
FontesJoy Cushman
Organizadora; introduziu o modelo de equipas na Carolina do Sul e dirigiu o programa de fellows
Coordenou a formação de 3.600 Obama Fellows no verão de 2008, com um manual de 368 páginas.
FontesJoe Rospars
Diretor de New Media; cofundador da Blue State Digital
Dirigiu tudo o que era online: design, vídeo, e-mail em massa, SMS, anúncios, organização online e angariação de fundos.
FontesChris Hughes
Diretor de organização online; cofundador do Facebook
Liderou o my.barackobama.com (MyBO), a rede social da campanha para criar eventos, grupos e páginas de angariação de fundos.
FontesDavid Plouffe
Diretor de campanha; autor de The Audacity to Win (2009)
Pôs o digital no centro da campanha, como divisão autónoma, e apostou numa operação movida por pessoas comuns.
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que os organizadores disseram sobre o próprio trabalho.
O que os organizadores disseram sobre o próprio trabalho. Paráfrases, salvo as citações curtas entre aspas.
Os participantes chegavam à Camp Obama à espera de aprender a história de Obama. Aprendiam a contar a sua, porque é isso que liga uma pessoa a outra.
Marshall Ganz, Entrevista à Maclean's, 27 ago. 2015
A auto-organização espontânea online é um mito: os grupos do MyBO multiplicavam-se sem direção estratégica até haver organizadores a formar e a acompanhar os voluntários.
Marshall Ganz, Organizing Obama: Campaign, Organization, Movement (artigo, 2009)
A maioria das campanhas põe o voluntário logo no trabalho braçal (telefonemas, panfletos, portas). Esta dava-lhe formação primeiro.
Temo Figueroa, The American Prospect, “The Year of the Organizer”, fev. 2008
A liderança deve parecer um floco de neve, com muitos centros, e não uma roda de bicicleta com um líder no eixo.
Jeremy Bird, Christian Science Monitor, 13 dez. 2007
Mais 6 citações
No Ohio, durante o verão, os organizadores não seriam avaliados pelo número de contactos com eleitores, mas pelos voluntários recrutados, formados e testados.
Jeremy Bird, Zack Exley, “The New Organizers”, Huffington Post, out. 2008
O conceito não era novo. Novos eram o volume de gente a querer ajudar e a tecnologia que tornava fácil encontrar a campanha.
Jon Carson, Washington Post, “Obama Camp Relying Heavily on Ground Effort”, 12 out. 2008
Chamou ao programa de fellows “a maior formação em organização da história”.
Joy Cushman, The Nation, 13 ago. 2008
A independência da divisão digital foi decisiva: “Podíamos dizer não à comunicação”.
Michael Slaby (diretor-adjunto de New Media), Daniel Kreiss, Taking Our Country Back (2012), excerto
Apresentou o Action Center do MyBO como o sítio onde cada pessoa ficava a saber exatamente o que a campanha precisava dela naquele dia.
Chris Hughes, Citado em Rahaf Harfoush, Yes We Did (2009), cap. 6
A campanha partiu de uma folha em branco: estudou a história das campanhas anteriores, mas não se sentiu presa a ela.
David Plouffe, Entrevista à NPR sobre The Audacity to Win, nov. 2009
A história
Obama começou em 2007 como o menos favorito contra Hillary Clinton.
Obama começou em 2007 como o menos favorito contra Hillary Clinton. A campanha decidiu duas coisas cedo: dar ao digital uma divisão própria, ao nível das outras, e montar o trabalho de terreno com métodos de organização comunitária em vez de se limitar a contratar quem batesse às portas. Nas palavras de Mitch Stewart, diretor no Iowa, a campanha “juntou a operação profissional e a operação de movimento”.
- 13 M
- endereços de e-mail na lista no fim da campanhadado da campanha
- ~4 M
- doadores, segundo a campanha (dez. 2008)dado da campanha
- 200 mil
- eventos presenciais criados pelos apoiantes no MyBOdado da campanha
- 1,5 M
- pessoas em atividade voluntária coordenada, segundo Ganzestimativa
Do lançamento à vitória
- 10 fev. 2007Obama lança a candidatura em Springfield, no Illinois. O my.barackobama.com, feito com Chris Hughes, abre no início do ano.
- 2007Ganz começa a trabalhar com a campanha. A Camp Obama sai de Chicago para a Califórnia: sessões de 2,5 dias lançam 200 equipas de voluntários em duas semanas.
- Out. 2007Na Carolina do Sul, cerca de 400 house meetings reúnem 4.000 pessoas. Daí sairão 15 mil voluntários no dia da votação.
- 3 jan. 2008Vitória no Iowa por oito pontos, com equipas nos 1.781 distritos. Em poucas horas entram mais de 6 milhões de dólares online.
- Jan. 2008Carolina do Sul: 532 mil votantes nas primárias democratas, contra 293 mil em 2004; 27% votam pela primeira vez.
- Abr.–ago. 2008Programa Obama Organizing Fellows: 3.600 pessoas em formação durante seis semanas, com o lema “Respect, Empower, Include” (Respeitar, Capacitar, Incluir).
- 3–19 jun. 2008Obama garante a nomeação (3 jun.) e renuncia ao financiamento público (19 jun.), para apostar nos donativos dos apoiantes.
- 22–23 ago. 2008O nome do candidato a vice-presidente, Joe Biden, chega por SMS a 2,9 milhões de telemóveis; segundo a Nielsen, a maior ação de marketing móvel nos EUA até então.
- Set.–out. 2008Mais de 150 milhões de dólares angariados em setembro. Mais de 700 sedes locais; o Ohio aponta a 1.231 bairros com equipas. A ferramenta Neighbor to Neighbor põe voluntários a telefonar a partir de casa.
- 4 nov. 2008Obama vence com cerca de 53% e 365 votos eleitorais. A participação chega aos 61,6% dos eleitores elegíveis, a mais alta desde 1968.
Três camadas
O digital era uma divisão com orçamento e poder de decisão, ligada ao terreno por ferramentas e dados.
- Direção em ChicagoPlouffe e a equipa central definiam a estratégia, as metas e o orçamento e contavam todos os dias os resultados do terreno.
- New MediaRospars, Hughes e Slaby: site, MyBO, e-mail, SMS, vídeo, anúncios e angariação de fundos online. Captava gente e dinheiro e entregava ferramentas ao terreno.
- TerrenoCarson, Figueroa e os diretores estaduais: Camp Obama, milhares de organizadores pagos (cerca de 3.000, segundo Ganz), fellows e equipas de bairro conduzidas por voluntários.
O que não se sabe. Nenhuma experiência mede o efeito do programa de terreno ou do digital, mas um estudo observacional (Masket, Public Opinion Quarterly, 2009) encontrou um aumento desproporcional do voto democrata nos condados com escritórios de terreno de Obama, suficiente para virar três estados.
Pesaram também o candidato, o dinheiro e o contexto político de 2008, que este playbook não analisa. Os números variam conforme a fonte: perfis no MyBO entre 2 e 3 milhões, total angariado entre 670 e 750 milhões de dólares consoante a data do balanço, e os 2,2 milhões de voluntários do livro Groundbreakers somam 2008 e 2012. A prática também foi desigual entre estados: Ganz relata que o New Hampshire quase não teve organização no início e que a formação nacional só existiu a partir do fim da primavera de 2008.
O terreno
Os Estados Unidos de 2008 tinham regras e ferramentas que muitos países não têm.
Os Estados Unidos de 2008 tinham regras e ferramentas que muitos países não têm.
Plataformas
- Era o canal direto mais forte. A lista chegou a 13 milhões de endereços, contra 3 milhões de Kerry em 2004. Todas as mensagens em massa passavam pela divisão digital.
- my.barackobama.com (MyBO)
- Rede social própria da campanha: perfis, grupos, eventos, blogues e páginas pessoais de angariação de fundos. Cerca de 2 milhões de perfis e 200 mil eventos presenciais.
- SMS (número curto)
- Em 2008 ainda não havia aplicações de mensagens em massa. A lista de SMS chegou a 1 milhão de subscritores, e o anúncio do candidato a vice-presidente chegou a 2,9 milhões de telemóveis. Uma aplicação para iPhone ordenava os contactos pelos estados prioritários para o utilizador telefonar, mostrava o escritório mais próximo e trazia, mesmo sem ligação, os argumentos por tema.
- Ficheiro de eleitores (VAN/Votebuilder)
- Nos EUA, os cadernos eleitorais com histórico de voto são acessíveis aos partidos. A campanha ligava esses dados às ferramentas de porta a porta e de telefone.
- Redes sociais de terceiros
- O Facebook e outras redes eram ainda pequenos e serviam sobretudo para levar gente ao MyBO: perfis em mais de 15 comunidades e cerca de 5 milhões de apoiantes.
- Anúncios online
- Mais de 16 milhões de dólares em 2008, cerca de 45% no Google (pesquisa e display), sobretudo para captar e-mails e donativos.
- Televisão
- A maior rubrica de meios: cerca de 280 milhões de dólares em anúncios de televisão de janeiro de 2007 a 1 de novembro de 2008, segundo a TNS/CMAG, contra menos de 134 milhões de McCain. O estratega David Axelrod chefiava a área dos meios. O terreno e o digital funcionaram ao lado da televisão, não em vez dela; para os boatos, a campanha abriu a 12 de junho de 2008 um site que respondia a cada um, da nacionalidade à religião do candidato.
- NationalField (rede interna do terreno)
- Nasceu de funcionários na Geórgia que refizeram o relatório e a agregação dos dados de cada noite: uma rede social interna em que cada nível via o que faziam os níveis abaixo e cada organizador se podia comparar com os colegas.
Condições locais
- Sistema de primárias e caucuses estado a estado: o Iowa e a Carolina do Sul exigiam uma organização local fina muito antes da eleição geral.
- Lei de financiamento que permite donativos individuais online; a 19 de junho de 2008, Obama tornou-se o primeiro candidato de um grande partido a renunciar ao financiamento público na eleição geral desde a criação do sistema.
- Cultura de voluntariado e de porta a porta já consolidada, com tradição de organização comunitária (Saul Alinsky, Industrial Areas Foundation, United Farm Workers).
- Acesso legal aos dados dos eleitores com histórico de participação, o que permite listas de porta a porta e de telefone muito precisas.
- Um candidato que tinha sido organizador comunitário em Chicago e uma forte adesão de estudantes (o Students for Barack Obama tinha mais de 36 mil membros no MyBO).
- Smartphones ainda raros (o iPhone tinha saído em 2007): o computador de casa e a sede de campanha eram os centros de trabalho.
O método
Ganz resumiu o espírito numa frase dita em 2008: não confundir o carpinteiro com as ferramentas.
Ganz resumiu o espírito numa frase dita em 2008: não confundir o carpinteiro com as ferramentas. A tecnologia ampliou um método antigo de organização comunitária, que a campanha aplicou em cinco práticas: narrativa, relações, estrutura em equipas, estratégia e metas medidas.
Três frentes
- Plataforma própria
- Lista de e-mail, SMS e uma rede social da campanha para captar apoiantes, dinheiro e voluntários sem depender de terceiros. Cada conteúdo tinha uma ligação e um botão de donativo.
- Organizar pessoas
- Transformar voluntários em líderes: conversa um a um, narrativa pessoal, equipas de bairro com papéis definidos e formação contínua.
- Ligar o online ao terreno
- Cada inscrição online dá origem a um telefonema de um organizador; cada ação gera dados que voltam à base e às metas da equipa.
A escada de liderança
O caminho de um apoiante desde o clique até liderar uma equipa, tal como o descreveram os organizadores do Ohio e Ganz.
- Captar A pessoa inscreve-se no site, faz um donativo, entra na lista de SMS ou aparece num comício ou na sede.
- Telefonar Um organizador de terreno telefona à pessoa que se inscreveu e convida-a para algo concreto. A regra prática deste playbook: em 24 horas, no máximo.
- Conversar Uma conversa um a um para conhecer a história e os motivos da pessoa.
- Testar Um primeiro compromisso: receber uma house meeting, trazer amigos, organizar um turno.
- Liderar uma ação Conduzir um porta a porta ou uma sessão de telefonemas e mostrar que consegue pôr outros a trabalhar.
- Formar Passar por uma formação (Camp Obama, fellows) e começar a formar outros voluntários.
- Assumir um papel Tornar-se coordenador ou líder de uma equipa de bairro, com responsabilidades por escrito, metas e prazos.
- Reportar e recrutar A equipa envia os dados ao organizador duas vezes por semana e recruta a leva seguinte. O organizador parte para construir outra equipa.
E recomeça.
Toolkit
O objetivo, nas palavras de Buffy Wicks, que dirigia o terreno na Califórnia: “criar organizadores comunitários a partir dos nossos ativistas”.
O objetivo, nas palavras de Buffy Wicks, que dirigia o terreno na Califórnia: “criar organizadores comunitários a partir dos nossos ativistas”.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Um organizador pago ou fellow não gere o bairro sozinho: recruta um líder, que monta uma equipa, que gere os voluntários. Assim, o organizador fica livre para construir a equipa seguinte.
A equipa de bairro
- Organizador de terreno
- Funcionário ou fellow. Recruta e forma líderes, acompanha as metas e telefona a cada novo inscrito da sua zona (regra deste playbook: em 24 horas, no máximo).
- Líder da equipa de bairro
- Voluntário responsável por um bairro de 8 a 12 secções de voto. Responde ao organizador e garante as metas.
- Coordenador de porta a porta
- Organiza os turnos de rua, distribui as listas e faz o balanço no regresso.
- Coordenador de telefone
- Monta as sessões de telefonemas e dá formação a quem telefona.
- Coordenador de voluntários
- Recruta gente nova e faz as chamadas de confirmação na véspera de cada turno.
- Coordenador de dados
- Introduz os resultados na base de dados e mantém a equipa informada sobre o que falta.
- Equipa digital
- Gere a lista, o e-mail, o SMS e as ferramentas online, e encaminha cada inscrição para o organizador certo.
Ritmo
- A cada inscriçãoContacto de um organizador em 24 horas.
- Véspera de cada turnoChamada de confirmação a todos os inscritos; quem falta é acompanhado.
- Cada turnoCerca de quatro horas, 40 a 45 moradas por lista e uma conversa de balanço no fim.
- Duas vezes por semanaO líder de equipa reporta os resultados ao organizador.
- Todas as semanasFormação da equipa: estratégia, técnicas de contacto, resolução de problemas.
- Todos os dias (direção)Os resultados de todo o país são contados e avaliados.
Ganz contava as metas de organização (conversas um a um, house meetings, novos anfitriões) a par das metas de ação (portas, telefonemas) e criticava a pressão de Chicago para cumprir apenas os números diários de identificação de eleitores. Medir só isso esvazia a equipa.
Plano B
- Equipas com vários papéis: se um líder sai, outro coordenador assume. Não passar o testemunho a ninguém antes de haver alguém a correr ao mesmo ritmo.
- Lista própria de e-mail e SMS, com consentimento: o contacto com as pessoas não depende de uma rede social.
- Ferramentas para trabalhar a partir de casa (telefonar a partir de uma lista online) para quem está longe de uma sede.
- Formações gravadas e manuais escritos, para que qualquer novo líder aprenda o mesmo método.
Tecnologia
Em 2008, a campanha construiu as suas ferramentas com a Blue State Digital. Hoje há tudo pronto, gratuito ou barato. O que continua a ser caro é o tempo dos organizadores.
- Página de adesãoGratuito a baixo custo
Formulário simples: nome, e-mail, telemóvel, código postal e a pergunta “porque apoia?”. Cada inscrição vai para o organizador da zona.
- E-mail em massaGratuito até alguns milhares de contactos; depois pago por volume
Mensagens segmentadas por região, temas escolhidos e histórico de donativos. Cada e-mail tem um pedido concreto e uma ligação.
- SMS ou canal de mensagensSMS pago por mensagem; canais de mensagens gratuitos
Lista com consentimento para avisos de eventos, pedidos de ajuda e lembretes de voto. Em 2008 era SMS; hoje pode ser WhatsApp, Telegram ou Signal.
- Plataforma de eventos e gruposGratuito a baixo custo
Onde os apoiantes criam eventos e grupos locais e encontram o mais próximo. O MyBO tinha também um índice de atividade de 1 a 10 que valorizava mais o trabalho presencial.
- Ferramenta de contacto com guiãoGratuito a pago, consoante a ferramenta
Como o Neighbor to Neighbor: lista de eleitores, guião no ecrã e botões para registar cada resposta. Serve para telefone e porta a porta.
- Base de dados de contactosGratuito a pago
Onde ficam os voluntários, os contactos e os resultados. Nos EUA era o VAN/Votebuilder; noutros países, uma base própria com consentimento.
- Páginas pessoais de angariaçãoComissão por donativo
Cada apoiante tem a sua página, com meta e termómetro, e pede aos amigos. Em 2008, 70 mil páginas angariaram mais de 30 milhões de dólares.
- Folhas de cálculo partilhadasGratuito
Para turnos, metas por bairro e balanços. Os voluntários de 2008 usavam a base oficial e folhas de cálculo do Google.
- Anúncios onlineVariável; a campanha gastou mais de 16 milhões de dólares em 2008
Pesquisa e display para captar e-mails e donativos, onde a lei o permite e sempre declarados.
Colunas do registo da equipa
Data · Bairro / equipa · Tipo de ação (porta, telefone, house meeting) · Voluntários presentes · Contactos feitos · Respostas (escala 1–5) · Novos voluntários · Novos líderes testados · Meta da próxima semana
Para começar: um domínio e uma ferramenta de e-mail gratuita. O que pesou no orçamento de 2008 foram as pessoas e os espaços: milhares de organizadores pagos e mais de 700 sedes, com 4,3 milhões de dólares em rendas e despesas correntes até agosto.
Comunicação
O voluntário não recita a biografia do candidato. Conta porque está ali. A Camp Obama ensinava a narrativa pública de Ganz: uma história de si, uma história de nós e uma história de agora.
A fórmula da narrativa pública
- História de si Porque é que esta causa te chamou: um momento concreto da tua vida, um desafio que enfrentaste e o que escolheste fazer.
- História de nós O que partilhas com quem ouve: experiências e valores de uma comunidade, de um bairro, de uma geração.
- História de agora O desafio urgente de hoje e a escolha que ele exige. Porque tem de ser agora.
- O pedido Uma ação concreta: votar, entrar num turno, receber uma reunião em casa.
- O plano Perguntar quando, onde e como a pessoa vai agir, em vez de lho dizer. Quem faz o próprio plano cumpre mais.
- O registo Anotar a resposta e marcar o seguimento.
Regras de conversa e de escrita
- Conta a própria história, não a do candidato.
- Nada de campanha negativa à porta. Sê cortês, mesmo perante hostilidade ou racismo.
- Todas as conversas com um apoiante terminam num convite para ser voluntário.
- Pergunta ao eleitor onde, quando e como vai votar.
- Cada e-mail tem um pedido claro e uma ligação; empurra sempre para uma ação presencial.
- Segmenta: região, temas que a pessoa escolheu e o que já deu.
- Respeita quem pede para não ser contactado. Três chamadas seguidas cansam.
- Volta das portas com uma história e conta-a à equipa.
Exemplo
Olá, Marta! Sou o João, aqui do bairro, e sou voluntário da campanha. Entrei porque vi fechar por falta de verbas a escola onde estudei e não quero isso para a minha filha. Muita gente aqui do bairro sente o mesmo, e daqui a 30 dias somos nós que decidimos. No sábado, às 10h, vamos bater às portas da nossa rua aos pares, durante três horas. Podemos contar contigo? Se sim, que horário te dá mais jeito? Na sexta ligo-te para confirmar.
Levar para o teu contexto
O método de organização funciona em qualquer país.
O método de organização funciona em qualquer país. As ferramentas e os dados dependiam muito da lei e da tecnologia dos EUA de 2008.
Funciona em qualquer lado
- Ter um canal próprio de contacto (lista com consentimento) antes de precisar dele.
- Telefonar a cada pessoa nova em 24 horas e convidá-la para algo concreto.
- Dar formação antes de pôr as pessoas a trabalhar: narrativa pessoal, conversa um a um, papéis da equipa.
- Equipas locais com papéis definidos, metas e prazos, em vez de um coordenador sozinho.
- Medir os líderes formados, não só os contactos feitos.
- Uma escada clara: cada pessoa sabe qual é o degrau seguinte.
- Dados que voltam à equipa, para ela ajustar o trabalho todas as semanas.
- Separar quem é para persuadir (indecisos que votam) de quem é para mobilizar (apoiantes que podem faltar): listas, guiões e metas diferentes.
Depende do contexto
- E-mail como canal principal
- Onde dominam o WhatsApp ou o Telegram, usa um canal de um para muitos para os avisos e grupos pequenos por equipa de bairro. O e-mail continua útil para os doadores e para guardar a lista.
- SMS por número curto
- Substitui por canais de mensagens com adesão explícita. Nunca envies mensagens para números comprados ou recolhidos sem consentimento.
- Ficheiro de eleitores com histórico de voto (VAN)
- Na maioria dos países não existe ou é proibido. Usa os resultados públicos por secção de voto para escolher bairros e a tua própria lista de apoiantes com consentimento. A opinião política é um dado sensível na LGPD e no RGPD.
- Pequenos donativos online
- Confirma a lei: no Brasil, só pessoas singulares podem doar e há regras próprias para o financiamento coletivo eleitoral; noutros países há limites e prazos. A lógica das páginas pessoais (pedir aos amigos) funciona onde for legal.
- Porta a porta e sedes de rua
- Onde bater à porta é raro ou inseguro, substitui por reuniões em casa, igrejas, feiras, locais de trabalho e escolas. As sedes podem ser casas de voluntários ou instalações de sindicatos e associações.
- Plataforma feita à medida
- O MyBO foi construído pela campanha. Hoje bastam ferramentas prontas de formulários, eventos e e-mail; o essencial é que cada inscrição chegue a uma pessoa que telefona.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
-
Telefonar a cada inscrito em 24 horas
Cada pessoa que se inscreve online recebe o telefonema de um organizador que a convida para algo concreto: é o primeiro degrau da escada de liderança. A regra das 24 horas é deste playbook; em 2008, os inscritos online recebiam telefonemas de organizadores, e Ganz conta que os grupos do MyBO se multiplicavam sem rumo até haver organizadores a formar e a acompanhar os voluntários.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando as inscrições chegam mais depressa do que a estrutura as consegue absorver e há organizadores ou voluntários formados para telefonar todos os dias.
- Não usar quando
- Não funciona se o telefonema for só um agradecimento ou um pedido de dinheiro: sem convite concreto, o inscrito arrefece; e nunca telefones a quem não deu consentimento.
- Semana −14 Confirmar com um advogado as regras de dados e de contacto do teu país
- Semana −13 Publicar a página de adesão com consentimento e a pergunta «porque apoia?»
- Semana −13 Encaminhar cada inscrição diretamente para o organizador da zona
- Semana −12 Telefonar a cada novo inscrito em 24 horas e convidá-lo para algo concreto
- Semana −12 Fazer uma conversa individual para conhecer a história e os motivos da pessoa
- Semana −11 Registar a resposta e marcar o primeiro compromisso: reunião em casa ou turno
- Semana −10 Identificar quem traz amigos e recebe reuniões: os futuros líderes
Equipa
- Organizador de terreno: telefona a cada nova inscrição da sua zona em 24 horas
- Equipa digital: encaminha cada inscrição para o organizador certo
- Coordenador de dados: regista o resultado de cada telefonema
O que medir: Inscritos que aparecem numa primeira ação presencial (reunião em casa, turno ou sessão de telefonemas) nas duas semanas a seguir à inscrição, em proporção a todos os inscritos. Se descer, muda o convite, não o volume de telefonemas.
Riscos a vigiar: A opinião política é um dado sensível: telefona só a quem se inscreveu, guarda o mínimo, restringe o acesso e retira da lista quem pede para não ser contactado. Três chamadas seguidas cansam.
-
Formar antes de pôr na rua
Antes da primeira porta, os voluntários passam por uma formação intensiva para contar a própria história (de si, de nós, de agora), fazer conversas individuais e montar uma equipa. Em 2007, sessões de 2,5 dias da Camp Obama lançaram 200 equipas de voluntários em duas semanas na Califórnia.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há voluntários dispostos a dar um fim de semana e organizadores que acompanham as equipas depois da formação.
- Não usar quando
- Não ensines a biografia e o programa do candidato para repetir à porta, nem formes sem acompanhamento: quem sai sem equipa e sem reunião marcada desiste.
- Semana −12 Escrever um manual curto: narrativa pública, conversa individual e papéis da equipa
- Semana −11 Escolher formadores que já organizaram e ensaiar a sessão com eles
- Semana −10 Convidar os voluntários que já trouxeram amigos ou receberam reuniões
- Semana −9 No fim de semana, cada pessoa escreve e conta a história de si, de nós e de agora
- Semana −9 Terminar com equipas formadas por bairro e a primeira reunião já marcada
- Semana −8 Gravar a formação e repeti-la todas as semanas, em versão curta, com as equipas
- Semana −6 Pôr os novos líderes a formar a leva seguinte de voluntários
Equipa
- Formadores: conduzem a sessão e dão retorno a cada história
- Organizador de terreno: sai da formação com as equipas da sua zona
- Documentação: grava, escreve o manual e mantém-no atualizado
O que medir: Participantes que, nas duas semanas seguintes, fazem a primeira reunião em casa ou o primeiro turno com a sua equipa, em proporção a todos os formados.
Riscos a vigiar: Jornadas longas esgotam voluntários e organizadores: fixa um ritmo sustentável, não peças mais do que cada um ofereceu e mantém a mentoria depois da formação.
-
Equipa de bairro com papéis por escrito
Um organizador recruta um líder, que monta uma equipa com coordenadores de porta a porta, telefone, voluntários e dados, cada um com responsabilidades, metas e prazos por escrito; depois, o organizador parte para a equipa seguinte. No Ohio, as equipas visavam 1231 bairros e os organizadores eram avaliados pelos líderes formados, não pelos contactos.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a campanha tem meses pela frente e quer que o trabalho continue mesmo quando um organizador ou um líder sai.
- Não usar quando
- Não funciona como uma roda com um líder no eixo nem com equipas sem metas e dados: sem estrutura, os grupos multiplicam-se e cada um faz o que quer.
- Semana −14 Mapear os bairros prioritários com os resultados públicos por secção de voto
- Semana −12 Recrutar um líder por bairro de 8 a 12 secções entre quem já fez mais
- Semana −10 Completar a equipa: porta a porta, telefone, voluntários e dados
- Semana −10 Entregar a cada papel as responsabilidades, metas e prazos por escrito
- Semana −9 Combinar um relatório ao organizador duas vezes por semana, com as colunas do registo
- Semana −6 Avaliar os organizadores pelos líderes formados e testados, não pelos contactos
- 1 semana(s) depois Depois da eleição, dar à equipa um objetivo local e os resultados do bairro
Equipa
- Líder de equipa de bairro: responde ao organizador e garante as metas
- Coordenadores: porta a porta, telefone, voluntários e dados, cada um com a sua tarefa
- Organizador de terreno: forma o líder e parte para construir a equipa seguinte
O que medir: Líderes testados por organizador (voluntários que conduziram uma ação e puseram outros a trabalhar), contados todas as semanas. Se não crescerem nos meses de construção, faltará quem faça os contactos na reta final.
Riscos a vigiar: A pressão de cima só pelos números diários de identificação de eleitores esvazia a equipa: conta as metas de organização ao lado das de ação e não passes o testemunho sem alguém pronto para assumir.
-
Turnos porta a porta confirmados na véspera
As equipas fazem turnos de cerca de quatro horas, com listas de 40 a 45 moradas, telefonema de confirmação na véspera e conversa de balanço no regresso; na reta final, perguntam a cada apoiante onde, quando e como vai votar. Em 2008, a participação chegou a 61,6% dos eleitores inscritos, a mais alta desde 1968, sem estudo que isole o efeito do terreno.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona nas últimas semanas, quando as equipas já existem e há listas de bairros ou de apoiantes para visitar.
- Não usar quando
- Não funciona onde bater à porta é raro ou inseguro (aí, troca por reuniões em casa, feiras, igrejas e locais de trabalho), nem com listas tão pequenas que a mesma pessoa recebe três visitas.
- Semana −10 Montar listas de 40 a 45 moradas por turno, a partir dos resultados por secção
- Semana −8 Treinar o guião: história de si, ouvir, convidar e registar a resposta
- Semana −7 Abrir turnos de quatro horas em pares, com ponto de encontro fixo
- Semana −7 Telefonar na véspera a todos os inscritos no turno e seguir quem falta
- Semana −6 Fazer o balanço no regresso: números, uma história e o próximo turno marcado
- Semana −1 Focar quem apoia mas pode não votar: onde, quando e como vai votar?
- Semana do dia D No dia, lembrete por mensagem e turnos finais a partir dos pontos de encontro
Equipa
- Coordenador de porta a porta: organiza os turnos, distribui listas e faz o balanço
- Coordenador de voluntários: faz os telefonemas de confirmação na véspera
- Coordenador de dados: lança os resultados na base no próprio dia
O que medir: Turnos cumpridos face aos marcados (gente que confirmou e apareceu) e conversas reais feitas por turno. Se as faltas subirem, reforça os telefonemas da véspera.
Riscos a vigiar: Hostilidade e saturação à porta: nada de campanha negativa, cortesia sempre, pares para quem tem receio e saída imediata da lista para quem pede para não ser contactado.
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Lista própria que leva as pessoas para a rua
Uma lista de e-mail e mensagens com consentimento, segmentada por região e temas, em que cada envio traz um pedido concreto e um link (de preferência para uma ação fora do ecrã), e páginas pessoais em que cada apoiante pede aos amigos. Em 2008, a lista chegou a 13 milhões de e-mails e 70 mil páginas pessoais angariaram mais de 30 milhões de dólares.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a campanha precisa de um contacto direto que não dependa de uma rede social e tem gente para responder a quem se inscreve.
- Não usar quando
- Não uses números comprados ou recolhidos sem consentimento, nem trates a lista só como carteira: quem queria fazer mais e só recebe pedidos de dinheiro vai-se embora.
- Semana −14 Confirmar com um advogado as regras de dados, mensagens e donativos
- Semana −14 Escolher a ferramenta de e-mail, o canal de mensagens e a base de dados
- Semana −13 Lançar a lista com consentimento e saída fácil em cada mensagem
- Semana −12 Segmentar por região, temas escolhidos e o que a pessoa já fez
- Semana −10 Escrever cada envio com um pedido e um link, de preferência para uma ação presencial
- Semana −8 Abrir páginas pessoais de angariação, onde a lei o permitir, com contas públicas
- Semana do dia D No dia da votação, enviar lembretes e o ponto de encontro do turno final
Equipa
- Equipa digital: gere a lista, segmenta e escreve os envios
- Organizadores de terreno: recebem quem responde e levam-no para a equipa local
- Tesouraria: identifica os doadores, respeita os limites e publica as contas
O que medir: Pessoas da lista que fazem uma ação fora do ecrã em cada mês (ir a um evento, entrar num turno, receber uma reunião em casa), contadas pela inscrição e pela presença, não por aberturas nem cliques.
Riscos a vigiar: Consentimento e dinheiro às claras: envia só a quem se inscreveu, oferece sempre a saída, identifica o responsável por cada mensagem e respeita quem pode doar e os limites do teu país.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como organizador
Seis momentos da campanha de 2007–2008. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano de 90 dias
A sequência do modelo de 2008 em versão compacta, como lista de verificação.
A sequência do modelo de 2008 em versão compacta, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Antes de começar
Semanas 1–3: Captar e conversar
Semanas 4–6: Formar pessoas e equipas
Semanas 7–10: Escalar o contacto
Últimas duas semanas: Levar ao voto
Depois da eleição
Regras
O modelo funciona porque pessoas reais falam com os vizinhos em nome próprio.
O modelo funciona porque pessoas reais falam com os vizinhos em nome próprio. Tudo o que finge ser gente ou trata dados sem consentimento destrói essa confiança.
- Consentimento
- Envia e-mails e mensagens só a quem se inscreveu e oferece sempre a saída. A proteção de dados (LGPD, RGPD) aplica-se em campanha.
- Dados sensíveis
- A opinião política é um dado sensível. Guarda o mínimo, restringe o acesso e apaga o que já não é preciso.
- Dinheiro às claras
- Respeita quem pode doar, os limites e as regras de declaração do teu país. Publica as contas.
- Dizer quem fala
- O voluntário apresenta-se como voluntário da campanha. Cada mensagem identifica o responsável.
- Só gente real
- Nada de perfis falsos, bots ou contas compradas. As plataformas abertas também atraem contas falsas do lado contrário: faz moderação.
- Respeito à porta
- Sem ataques pessoais nem insinuações. Quem pede para não ser contactado sai da lista.
- Anúncios declarados
- Todos os anúncios pagos são identificados e registados onde a lei o exige. Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e a Google deixou de publicar publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. Vê a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
- IA com etiqueta
- O conteúdo gerado com IA é identificado como tal. Deepfakes, nunca.
- Lei local
- As regras de propaganda, de uso de dados e de mensagens mudam de país para país. Confirma com um advogado antes de começar.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não se auto-organiza
- Uma plataforma sem organizadores produz grupos dispersos. Ganz lembra que os voluntários precisam de acompanhamento contínuo.
- Não sobrevive sozinho à vitória
- Depois de 2008, a rede passou para a Organizing for America, dentro do partido. Os críticos, entre eles Ganz e Tim Dickinson na Rolling Stone, consideram que foi desmobilizada e que o seu potencial se perdeu.
- Desigual na prática
- Ganz relata estados quase sem organização no início, pouca mentoria e pressão de cima para as metas de identificação de eleitores em vez das de organização.
- Cansa as pessoas
- Os relatos falam de jornadas de doze horas, até entre os voluntários da sede nacional (Harfoush). Sem um ritmo sustentável, a campanha perde gente boa.
- Pode saturar os eleitores
- Universos de contacto pequenos levam a chamadas repetidas; à terceira, muitos pedem para parar.
- O dinheiro também é poder
- Obama recuou na intenção declarada de aceitar o financiamento público (os críticos falaram em promessa quebrada) e foi o primeiro candidato de um grande partido a prescindir dele na eleição geral. Mais dinheiro dá vantagem, mas não vem só de pequenos doadores: cerca de metade da receita veio de donativos abaixo de 200 dólares, a outra metade não.
- Depende de um candidato que mobiliza
- O candidato trouxe as pessoas; as relações mantiveram-nas. Sem uma causa ou uma figura que atraia, a captação inicial é muito mais lenta.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Para ir mais longe
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
- What is Organizing? The "People, Power, Change" Framework
Introdução curta às cinco práticas de liderança do método de Ganz. Usa para alinhar a equipa sobre o que significa organizar, antes de distribuir tarefas.
- Public Narrative
As 15 aulas em vídeo de Marshall Ganz sobre narrativa pública (história de si, de nós e do agora), com exemplo e técnicas de coaching. Serve para formar porta-vozes e voluntários.
- The Marshall Ganz playbook for progressive change
Resumo do método Ganz aplicado às campanhas progressistas europeias de hoje, com vídeo da sessão. Leitura rápida para quem não tem tempo para o curso completo.
Mais 3
- Steps in a One-on-One Organizing Conversation
Guião passo a passo da conversa individual de organização: como convidar alguém, descobrir motivações e fazer um pedido concreto. Usa para treinar voluntários.
- From Zero to Hero: Digital Infrastructure Checklist for Small Donor Fundraising
Lista de verificação da ECDA com tudo o que é preciso montar (formulários, CRM, e-mail, pagamentos) antes de pedir pequenos donativos online.
- M+R Benchmarks 2026
Estudo anual com dados de centenas de ONG sobre donativos online, taxas de abertura de e-mail, SMS e redes. Usa-o para comparar os teus números com referências reais.
Fontes
Este playbook foi construído a partir de textos, entrevistas e palestras dos organizadores e de investigações que os entrevistaram,…
Este playbook foi construído a partir de textos, entrevistas e palestras dos organizadores e de investigações que os entrevistaram, confrontados com a imprensa e com dados publicados entre 2007 e 2015. Páginas consultadas a 26 de outubro de 2026.
43 fontes
Quem fez
- Marshall Ganz: Organizing Obama: Campaign, Organization, Movement 2009
- Maclean's: Q&A: Marshall Ganz on political organizing 2015-08-27
- NPR: Excerto de The Audacity to Win, de David Plouffe 2009-11
- NPR: The Audacity to Win the Presidency (entrevista a David Plouffe) 2009-11-04
- Princeton CITP: Joe Rospars: Making Change Happen, Lessons from the Obama Campaign 2009-04-16
- Cambridge Talks: Joe Rospars: Making the Obama Digital Model Work 2010-03-08
- Rahaf Harfoush: Yes We Did, capítulo 6 (MyBO) 2009
- Sacha Chua: Notas da palestra de Rahaf Harfoush sobre as redes sociais na campanha 2008-11
- Daily Kos: Diário de um voluntário: Camp Obama em Chicago e porta a porta no Iowa 2008-05-04
- LabourList: Adrian Prandle, Respect, empower, include (voluntário no Ohio) 2009-04-30
- Lib Dem Voice: Steven Gauge, How Obama made it happen (voluntário no Ohio) 2008-11
- Obama Foundation: Yes We Can: taking up the baton 15 years later (antigos organizadores) 2023
Dados
- P2008: MyBO: Neighbor to Neighbor Phonebanking Tool 2008
- NDN: More Amazing Numbers from Obama's Online Operations (dados do Washington Post) 2008-11-21
- InformationWeek: Obama's VP text reached 2.9 million 2008-08-26
- ABC News: Final fundraising figure: Obama's $750M 2008-12-04
- ClickZ: Google grabbed most of Obama's $16 million in 2008 2009-01-06
- Wikipédia: Barack Obama 2008 presidential campaign
- Wikipédia: List of Barack Obama 2008 presidential campaign staff members
- NBC News / AP: Turnout in presidential elections hits 40-year high (dados de Michael McDonald) 2008-12-14
Imprensa
- Harvard Magazine: Perfil de Marshall Ganz 2010-10
- The American Prospect: The Year of the Organizer 2008-02-01
- Christian Science Monitor: From college classroom to Obama's campaign (Jeremy Bird) 2007-12-13
- Wabash College: Obama's field director turns organizing upside down 2008-02-11
- Washington Post (via NBC News): Obama Camp Relying Heavily on Ground Effort (Alec MacGillis) 2008-10-12
- The Nation: Community organizers discuss Obama's role (Obama Fellows) 2008-08-13
- NPR: Obama volunteers trained in organizing 2008-02-29
- epolitics: Anúncio das Obama Organizing Fellowships 2008-04-03
- MIT Technology Review: Obama's neighborhood network 2008-09-17
- Dissent: DNC Dispatches: “Respect, Empower, Include”
- Christian Science Monitor: Obama's 2.9 million texts create online frenzy 2008-08-26
- Common Dreams / Rolling Stone: Tim Dickinson, No We Can't: Obama muzzled his supporters 2010-02-10
- FactCheck.org: Advertising Money: McCain vs. Obama 2008-11
Análise
- epolitics: Excerto de Taking Our Country Back, de Daniel Kreiss (a divisão de New Media) 2012-08-15
- Huffington Post: Zack Exley, The New Organizers (parte 1) 2008-10
- Weblogsky: Zack Exley on “The New Organizers” 2008-10-10
- Open Society Foundations: Organizing and Technology in the Obama Campaign (Zack Exley) 2009-03-23
- Harvard Kennedy School: Groundbreakers (McKenna e Han)
- SNF Agora: Groundbreakers
- Portside: Recensão de Groundbreakers
- Occidental College: Seigle, tese sobre a campanha de terreno de Obama na Virgínia (entrevistas a organizadores) 2009
- Commons Library: How to structure teams for organising (modelo floco de neve)
- National Affairs: summary of Masket, “Did Obama's Ground Game Matter?” (Public Opinion Quarterly, winter 2009) 2009
Imagem: Bill Cramer (BillCramer), CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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