Em 30 segundos
190 a 0. Horas depois de Yoon declarar a lei marcial, a 3 de dezembro de 2024, os deputados anularam o decreto, com cidadãos aos portões da Assembleia.
8 a 0. A 4 de abril de 2025, o Tribunal Constitucional destituiu Yoon; a 3 de junho, Lee Jae-myung venceu as eleições antecipadas.
1700 organizações numa coligação que seguia o calendário do Parlamento e do Tribunal, ao lado de jovens mulheres com bastões de K-pop, sindicatos e agricultores.
Uma rua à qual se queria voltar: bastões de luz, músicas pedidas pelo público, palco aberto com regra contra o ódio, comida pré-paga à distância.
A primeira hora travou o decreto; os sábados seguintes, pacíficos e acolhedores, com uma exigência institucional clara, levaram à destituição.
Os primeiros passos
- Lista de organizações aliadas com um contacto cada
- Canal público de convocatória e canal em direto testados
- Lista de advogados e equipa médica voluntária
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
Não houve um líder.
Não houve um líder. Houve quem coordenasse, abrisse o palco e montasse a logística; os relatos destas pessoas e organizações são as fontes principais deste playbook.
Lee Ji-hyun (PSPD)
Secretária-geral da Solidariedade Popular pela Democracia Participativa; copresidente da coligação Emergency Action
Ajudou a coordenar a coligação de cerca de 1700 grupos e explicou como a equipa de planeamento usava listas de músicas pedidas pelo público, um compromisso contra discursos de ódio e apoio médico e jurídico nas concentrações.
FontesLee Ho-rim
Ativista LGBTQ; copresidente da Emergency Action
Defendeu um lugar para as pessoas LGBTQ na direção da coligação e contou como o palco aberto mudou entre 2016 e 2024.
FontesSeo Chae-wan
Advogado; cochefe da sala de situação da Emergency Action
Coordenou o calendário de ações na reta final e apresentou ao Tribunal Constitucional o parecer da coligação a favor da destituição.
FontesPark Seok-woon
Representante da Korea Progressive Alliance; membro do comité de memória da coligação
Apelou à concentração na praça depois da libertação de Yoon em março de 2025 e, mais tarde, ajudou a criar o arquivo e o livro branco do movimento.
FontesKim Hu-ju (@향연 no X)
Agricultora e ativista
Publicou o vídeo da polícia a cercar os tratores em Namtaeryeong, visto 4,8 milhões de vezes, que levou milhares de jovens à colina durante a madrugada.
FontesHa Won-o (Jeonnong)
Presidente da Liga Camponesa Coreana
A sua organização conduziu a marcha de tratores que a polícia bloqueou em Namtaeryeong; contou como a solidariedade das jovens mudou a relação entre agricultores e cidade.
FontesCriador do mapa «시위도 밥먹고»
Cidadão anónimo
Montou um mapa nacional de cafés e restaurantes com comida pré-paga para manifestantes, com o stock e o horário de cada sítio, sem anúncios nem patrocínio.
FontesLee Jae-myung
Líder da oposição em 2024; presidente eleito em 2025
Transmitiu em direto no YouTube a sua chegada à Assembleia, saltando o muro cercado por tropas, e pediu às pessoas que fossem até lá.
FontesWoo Won-shik
Presidente da Assembleia Nacional em 2024
Saltou a vedação para entrar na Assembleia e convocou de imediato a sessão plenária que anulou a lei marcial por 190 a 0, à 1h02.
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que coordenadores, agricultoras, ativistas e manifestantes disseram sobre o próprio trabalho.
O que coordenadores, agricultoras, ativistas e manifestantes disseram sobre o próprio trabalho. Paráfrases, com citações curtas quando essenciais.
As mulheres de 20 e 30 anos já estavam nas praças — depois do homicídio de Gangnam em 2016, no #MeToo e em Hyehwa em 2018 —, só que a imprensa não olhava para elas.
Lee Ji-hyun (PSPD, Emergency Action), Kyunghyang Shinmun, entrevista «단도직입» (14 jan. 2025)
A equipa de planeamento recebeu cerca de 20 mil pedidos de músicas e lia em cada concentração um compromisso que proíbe falas discriminatórias contra mulheres, pessoas LGBTQ, pessoas com deficiência, jovens e migrantes.
Lee Ji-hyun (PSPD, Emergency Action), Kyunghyang Shinmun, entrevista «단도직입» (14 jan. 2025)
As organizações cívicas têm de se adaptar a formas de participação menos centradas em grupos: em vez de perguntar porque faltam os homens, convidá-los a construir concentrações seguras e alegres.
Lee Ji-hyun (PSPD, Emergency Action), Kyunghyang Shinmun, entrevista «단도직입» (14 jan. 2025)
Em 2016 contou apenas dois ativistas LGBTQ no palco; desta vez eram tantos que perdeu a conta, com pelo menos uma pessoa LGBTQ a falar em cada concentração de dia útil.
Lee Ho-rim (Emergency Action), Ildaro, entrevista com Lee Ho-rim (12 abr. 2025)
Mais 6 citações
No acampamento de Hangangjin percebeu que o seu papel não era só falar pelas pessoas LGBTQ, mas responder pela concentração inteira, em conjunto com os outros.
Lee Ho-rim (Emergency Action), Ildaro, entrevista com Lee Ho-rim (12 abr. 2025)
Depois da libertação de Yoon, a marcha de 15 de março juntaria o país inteiro em Seul, em vez de ações locais separadas, com marchas diárias às 19h até à decisão.
Seo Chae-wan (sala de situação), OhmyNews, conferência de imprensa da Emergency Action (9 mar. 2025)
Os agricultores ficaram surpreendidos com a chegada dos cidadãos; com eles ao lado, até a forma de fazer a concentração pôde mudar.
Kim Hu-ju (agricultora), Women News, encontro de participantes de Namtaeryeong (30 dez. 2024)
Recusou o elogio de «boas meninas»: «Somos concidadãs, mais do que meninas ou filhas.»
Participante de Namtaeryeong, Women News, encontro de participantes de Namtaeryeong (30 dez. 2024)
Comoveu-se ao ver mulheres jovens a estudar as quatro leis agrícolas que o governo tinha vetado; os agricultores choraram depois da concentração.
Ha Won-o (Liga Camponesa Coreana), Kyunghyang Shinmun, um mês de lei marcial (2 jan. 2025)
Queria ajudar quem ia à concentração a encontrar comida e quem pagava a escolher onde; pediu que os pagamentos fossem distribuídos por várias lojas, para não sobrecarregar nenhuma.
Criador do mapa de pré-pagamentos, Seoul Shinmun (13 dez. 2024)
A história
Na noite de 3 de dezembro de 2024, Yoon Suk Yeol anunciou na televisão uma lei marcial que suspendia a atividade política e controlava a imprensa.
Na noite de 3 de dezembro de 2024, Yoon Suk Yeol anunciou na televisão uma lei marcial que suspendia a atividade política e controlava a imprensa. Chegaram tropas de helicóptero à Assembleia Nacional. Os cidadãos chegaram antes delas ou com elas.
- 190–0
- votos dos deputados que anularam a lei marcial na madrugada de 4 dez. 2024oficial
- 204
- votos pela destituição a 14 dez. 2024 (eram precisos 200 de 300)oficial
- 61,1%
- de mulheres entre os presentes na concentração de 14 dez. junto à Assembleia, segundo dados de população por telemóvelestimativa
- 8–0
- votos do Tribunal Constitucional pela destituição, a 4 abr. 2025oficial
Da noite da lei marcial às eleições, e depois
- 3–4 dez. 2024Yoon declara a lei marcial. Lee Jae-myung transmite em direto enquanto salta o muro da Assembleia; cidadãos enfrentam soldados ao portão e um pequeno grupo cerca um blindado; lá dentro, assessores barricam as portas com móveis e usam extintores contra os soldados. Os deputados que conseguem entrar votam 190 a 0 contra o decreto; por volta das 4h30, o governo levanta-o.
- 7 dez.A primeira votação da destituição falha: o partido do governo boicota e só votam 195 deputados. No pico, quase 280 mil pessoas estão em Yeouido; as mulheres de 20 anos são o maior grupo.
- 11 dez.Nasce na Igreja Hyanglin a coligação Emergency Action, pela demissão imediata de Yoon e por uma grande reforma social, com mais de 1500 organizações.
- 14 dez.Destituição aprovada por 204 votos. Pico de 417 837 pessoas junto à Assembleia às 16h; segundo a mesma análise, 61,1% eram mulheres. Os organizadores contam 2,3 milhões no país.
- 21–22 dez.A polícia bloqueia em Namtaeryeong a marcha de tratores da Liga Camponesa. Jovens convocadas pelo X passam a noite com os agricultores; após 28 horas, a polícia abre a estrada.
- 3–15 jan. 2025A primeira tentativa de prender Yoon falha. Sindicatos e cidadãos acampam junto à residência; na neve de 5 de janeiro, os manifestantes com mantas térmicas tornam-se os «Kisses». A 15 de janeiro, Yoon é detido; no dia 19, apoiantes seus invadem um tribunal.
- 8–15 mar.Um tribunal anula a prisão preventiva e Yoon é libertado. A coligação passa a marchas diárias às 19h, a direção faz greve de fome e a 15.ª marcha reúne cerca de 1,1 milhões de pessoas, segundo os organizadores.
- 4 abr.Às 11h22, o Tribunal Constitucional destitui Yoon por 8 a 0. Na véspera, a coligação tinha entregado cerca de 1 milhão de assinaturas a pedir uma decisão unânime.
- 3–10 jun.Lee Jae-myung vence as eleições antecipadas com 49,42%, com uma participação de 79,38%. A 10 de junho, a coligação anuncia o fim das suas atividades e cria um comité de memória.
- jan.–abr. 2026Yoon é condenado a 5 anos por obstruir a própria detenção e por outros crimes ligados à lei marcial (16 jan.); em recurso, a pena sobe para 7 anos, confirmada pelo Supremo Tribunal a 9 de julho. A 19 de fevereiro, em primeira instância, é condenado a prisão perpétua por liderar uma insurreição; o recurso segue no Tribunal Superior de Seul. A 4 de abril, a coligação publica o arquivo online e o livro branco dos 123 dias.
Três camadas
A rua cheia dependia de três camadas que se apoiaram durante quatro meses de inverno.
- A rua que acolheBastões de luz, K-pop pedido pelo público, bandeiras de «organizações» inventadas como a Aliança Nacional de Ficar Deitado em Casa, e um palco aberto com uma regra explícita contra o ódio.
- O cuidado à distânciaQuem não podia ir pagava café e kimbap perto da concentração, enviava food trucks e autocarros aquecidos e mantinha mapas de comida, casas de banho e abrigos. Advogados e equipas médicas davam apoio no local.
- A coligação com calendárioCerca de 1700 organizações, com comité operacional e sala de situação, seguiram as datas do Parlamento e do Tribunal: marchas numeradas aos sábados, pareceres, petições e, na reta final, concentrações diárias.
O que não se sabe. As contagens variam muito: a 14 de dezembro, a Wikipédia regista pelo menos 208 mil perto da Assembleia, sem atribuir a estimativa, a análise de dados de telemóvel do Kyunghyang em 417 837 no pico e os organizadores em 2,3 milhões no país; a proporção de mulheres jovens aparece como 28% (7 dez.), cerca de 30% a 14 dez.
(17,9% de mulheres dos 20 aos 29 anos e 12% dos 30 aos 39, nos dados do Kyunghyang), «mais de 35%» (incluindo adolescentes, segundo The Nation) ou um terço, conforme a fonte e o método. Não é possível isolar quanto pesou a rua nas decisões da Assembleia e do Tribunal, que seguiram regras próprias. O papel do KakaoTalk na coordenação não está documentado nas fontes lidas. Sobre o pós-crise: a condenação por obstrução da detenção foi de 5 anos em primeira instância (jan. 2026), subiu para 7 anos em recurso e foi confirmada pelo Supremo Tribunal em julho de 2026; a prisão perpétua por insurreição (fev. 2026) é uma decisão de primeira instância, e o recurso continuava no Tribunal Superior de Seul em outubro de 2026, tal como processos contra outros arguidos. As fontes lidas não mostram quantas das reformas sociais pedidas pela coligação se tornaram lei.
O terreno
A Coreia do Sul tem uma memória viva da ditadura militar, uma sociedade civil muito organizada, uma cultura de fãs de K-pop treinada para…
A Coreia do Sul tem uma memória viva da ditadura militar, uma sociedade civil muito organizada, uma cultura de fãs de K-pop treinada para agir em conjunto e uma capital densa, ligada por metro. Noutro país, algo disto pode faltar.
Plataformas
- Transmissões em direto (YouTube)
- Na noite da lei marcial, o líder da oposição transmitiu do telemóvel a sua entrada na Assembleia; o direto ultrapassou 2,75 milhões de visualizações e parte de quem o via respondeu ao apelo e foi até lá.
- X (antigo Twitter)
- A rede das mulheres jovens e dos fandoms: ofertas de comida pré-paga, percursos para evitar estações cheias, o apelo de emergência para Namtaeryeong e o vídeo da agricultora Kim Hu-ju, com 4,8 milhões de visualizações.
- Comunidades de fãs
- Fóruns e grupos criados para seguir artistas também serviam para partilhar injustiças sociais, contaram estudantes em Namtaeryeong. Hábitos de fandom (cartazes, coros, listas de logística com locais e casas de banho) passaram para a rua.
- Bastões de luz (응원봉)
- O objeto de cada fandom, com a cor e a forma de cada grupo, substituiu as velas de 2016. Era pessoal, durava a noite toda e mostrava que ir à concentração era fácil e seguro.
- Mapas colaborativos
- O site «시위도 밥먹고» listava, em tempo real, cafés e restaurantes com comida paga para manifestantes; outros mapas mostravam casas de banho e abrigos aquecidos perto das concentrações.
- Pré-pagamento em lojas (선결제)
- Quem não podia ir pagava antecipadamente café, kimbap ou sopa num estabelecimento perto da concentração; artistas como IU e Yuri fizeram o mesmo para os seus fãs. Depois vieram food trucks e autocarros aquecidos pagos por donativos.
- KakaoTalk
- A aplicação de mensagens de uso quase universal no país, usada por famílias, colegas e organizações. As fontes lidas não documentam o seu papel específico na coordenação; o playbook trata-a como o canal de grupos a substituir pelo dominante no teu país.
- YouTube da direita radical
- O outro lado organizava-se por canais de YouTube e redes de igrejas, com alegações de fraude eleitoral. Saber isto ajuda a prever a reação.
Condições locais
- Memória da ditadura de Chun Doo-hwan e do massacre de Gwangju (1980): para quem tem mais de 50 anos, lei marcial significava tropas contra civis.
- Um repertório testado: a «revolução das velas» de 2016–2017 tinha levado à destituição de Park Geun-hye, e o hino «Into the New World», das Girls' Generation, já tinha sido cantado nas ruas.
- A Constituição permite à Assembleia anular a lei marcial por maioria, e a destituição exige 200 de 300 votos. Isso deu à rua alvos e datas concretos.
- Um presidente eleito com uma plataforma antifeminista, que prometeu extinguir o Ministério da Igualdade de Género: as mulheres jovens tinham motivos próprios para ir.
- Polarização de género entre os jovens: nas eleições de 2025, segundo a sondagem à boca das urnas, 58,1% das mulheres dos 18 aos 29 anos votaram em Lee Jae-myung, contra 24% dos homens da mesma idade.
- Inverno rigoroso, com neve e temperaturas negativas: a logística de calor e de comida foi tão importante como o palco.
- Uma capital densa e muito ligada: as redes móveis entupiram na concentração de 7 de dezembro, e o metro chegou a não parar em estações perto da Assembleia.
- Reação organizada: apoiantes de Yoon fizeram concentrações com bandeiras dos EUA e, a 19 de janeiro de 2025, invadiram o Tribunal do Distrito Ocidental de Seul.
O método
Por trás da imagem de festa havia três decisões: estar presente na hora certa, fazer da rua um lugar para onde as pessoas querem voltar e…
Por trás da imagem de festa havia três decisões: estar presente na hora certa, fazer da rua um lugar para onde as pessoas querem voltar e ligar toda a energia a uma exigência institucional com data.
Três frentes
- Presença imediata
- Na primeira noite, contou a rapidez: transmissões em direto, gente aos portões e deputados que conseguiram entrar. Só funciona se existirem canais de confiança antes da crise.
- Uma rua que acolhe
- Música que as pessoas conhecem, objetos que já têm em casa, humor, comida quente e uma regra de palco contra o ódio. A rua tem de ser segura para quem nunca foi a um protesto, e para as minorias.
- Exigência com calendário
- Demissão, depois destituição, depois confirmação pelo Tribunal, depois eleições: uma exigência por fase, alinhada com as datas da Assembleia, do Tribunal e das urnas, com pareceres jurídicos e assinaturas entregues no momento certo.
O ciclo de uma semana de crise
De dezembro a abril, o mesmo ciclo repetiu-se, cada vez mais curto à medida que a decisão se aproximava.
- Alertar Transmitir em direto o que acontece, a partir de fontes verificadas, e dizer onde e quando ir.
- Convergir Um local e uma hora fixos, perto de quem decide, e percursos alternativos quando o metro ou a rede falham.
- Acolher Abrir com músicas pedidas pelo público, ler o compromisso contra a discriminação e dar o microfone a quem nunca falou.
- Abastecer Publicar no mapa a comida pré-paga, as casas de banho e os abrigos; chamar food trucks e autocarros aquecidos para as noites longas.
- Responder Quando outro grupo é bloqueado ou atacado, como os agricultores em Namtaeryeong, lançar um apelo de emergência e enviar gente e calor.
- Pressionar a instituição Pareceres ao tribunal, petições, declarações de advogados e presença diante do edifício nos dias de decisão.
- Manter o ritmo Marcha numerada todos os sábados; concentrações diárias só na reta final, para não esgotar as pessoas antes de tempo.
- Registar Guardar intervenções, fotografias, bandeiras e contas, com consentimento, para a memória e para os processos que vêm depois. E contar o que aconteceu fora do ecrã (presentes, com o método; refeições levantadas; assinaturas entregues; novas organizações), não visualizações.
E recomeça.
Toolkit
O que é preciso para responder a uma tomada de poder repentina, ou a qualquer decisão institucional com data, com uma rua grande, pacífica…
O que é preciso para responder a uma tomada de poder repentina, ou a qualquer decisão institucional com data, com uma rua grande, pacífica e duradoura. Respeita as regras desta página.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
A coligação coreana tinha comité operacional, sala de situação, comité jurídico e equipa de planeamento das concentrações; o resto foi auto-organizado por cidadãos. Escreve as funções antes da crise.
Funções
- Comité operacional
- Representantes das organizações que se reúnem todas as semanas para decidir datas, exigências e porta-vozes. Copresidência diversa: sindicatos, mulheres, LGBTQ, sociedade civil.
- Sala de situação
- Uma pequena equipa que acompanha em tempo real o Parlamento, o tribunal e a polícia e convoca concentrações de emergência.
- Planeamento da concentração
- Palco, som, alinhamento, lista de músicas com pedidos do público, intérpretes e artistas. Começa e acaba à hora anunciada.
- Moderação da palavra livre
- Inscreve quem quer falar, lê o compromisso contra a discriminação e corta o microfone quando é violado.
- Equipa jurídica
- Advogados que observam a polícia, apoiam detidos e redigem pareceres para o tribunal.
- Equipa médica e de segurança
- Postos de primeiros socorros, voluntários que orientam a multidão e evitam aglomerações perigosas nas estações.
- Logística de calor
- Contrata food trucks, autocarros aquecidos, mantas térmicas e aquecedores de mãos com os donativos e publica onde estão.
- Cartógrafos e arquivo
- Mantêm os mapas de pré-pagamentos, casas de banho e abrigos e guardam o registo do que aconteceu.
Ritmo
- Noite zeroTransmissão em direto, convocatória para o edifício ameaçado, presença pacífica até à votação.
- Dias de votaçãoGrande concentração diante do Parlamento, a acompanhar a votação em direto.
- Todos os sábadosMarcha numerada no centro da cidade (houve 18 entre dezembro e abril), com concentrações simultâneas noutras cidades.
- Dias úteisConcentrações mais pequenas à noite, palavra livre e respostas de emergência quando algo acontece.
- Reta finalMarchas diárias às 19h, acampamento perto do tribunal, petição e convocatória nacional para um único local.
- Dia da decisãoAssistir em conjunto à leitura, celebrar sem confronto e anunciar a fase seguinte.
A coligação só passou a concentrações diárias depois de Yoon ser libertado, em março. Até lá, o sábado fixo permitiu planear viagens, donativos e descanso. Guarda o ritmo diário para quando for indispensável.
Plano B
- Pontos de encontro combinados de antemão para quando as redes móveis entopem, como a 7 de dezembro.
- Percursos a pé a partir de estações mais distantes, caso o metro não pare perto da concentração.
- Mais de um canal em direto e mais de uma conta de convocatória, caso uma caia.
- Copresidência com vários nomes, para que nenhuma detenção ou ataque pessoal pare a coligação.
- Fundo de emergência para calor e comida aberto antes das noites de vigília.
Tecnologia
Quase tudo é gratuito ou já está no bolso das pessoas. O que custa dinheiro é a comida, o calor e o tempo dos voluntários.
- Transmissão em direto (YouTube, Instagram)Gratuito
Mostrar o que acontece no edifício ameaçado e nas concentrações, em tempo real, a partir de um telemóvel. Grava e guarda.
- Conta pública de convocatória (X, Instagram)Gratuito
Data, hora, local, regras e respostas a boatos. Apenas informação verificada.
- Grupos de mensagens (KakaoTalk, WhatsApp, Telegram)Gratuito
Coordenação de organizações, equipas de palco e voluntários. Administradores de confiança e regras afixadas.
- Mapa de pré-pagamentos e serviçosGratuito
Lojas com comida paga, stock restante, horário; casas de banho e abrigos aquecidos. Basta um mapa público simples.
- Formulário de pedidos de músicas e de inscrição para falarGratuito
Recolhe listas de músicas e inscrições para a palavra livre, com o compromisso contra a discriminação aceite no envio.
- Petição onlineGratuito
Assinaturas dirigidas à instituição que decide, entregues numa data marcada (a coligação entregou 45 289 em fevereiro e cerca de 1 milhão em abril).
- Donativos para logísticaComissões bancárias
Conta da coligação para food trucks, autocarros aquecidos e materiais, com prestação de contas pública.
- Linha jurídica e aplicação de mensagens cifrada (Signal)Gratuito
Número de advogados divulgado em cada concentração; coordenação sensível fora dos grupos abertos.
- Escuta de boatos e da reaçãoGratuito
Acompanhar os canais do outro lado e os rumores sobre tropas ou polícia. Boato pequeno, que não sai da bolha: não amplificar. Boato que chega a quem ainda está a decidir se vai ao protesto: corrigir depressa pelo canal oficial, com o facto certo primeiro. E avisar antes que boatos são de esperar (prebunking).
- Cadeia telefónica e SMSBaixo custo
Lista de contactos de coordenadores para quando a internet entope no local.
- Arquivo digitalGratuito a baixo custo
Fotografias, intervenções, bandeiras e documentos com autoria e consentimento, como o arquivo «빛의 기록» da coligação.
Colunas do registo de pré-pagamentos
Loja · Morada e ponto no mapa · Artigo · Quantidade paga · Restante (atualizado) · Horário · Condição (ex.: para quem está na concentração) · Doador (opcional ou anónimo) · Atualizado em
Software: quase zero. Custos: comida e bebida (pagas diretamente às lojas por quem doa), food trucks, autocarros aquecidos, som e palco, e comissões bancárias da conta de donativos.
Comunicação
O tom era festivo: música pop e humor, uma exigência clara por fase e palavras que tratam todos como concidadãos, sem paternalismo com as jovens nem ódio no palco.
A fórmula de uma convocatória
- O que está em jogo Uma frase: a votação, a decisão ou a ameaça, e a data.
- Onde e quando Local, hora de início e percursos alternativos.
- O que levar A tua luz (bastão, telemóvel), roupa quente, água.
- As regras Paz, nenhuma fala de ódio, cuidado com quem está ao lado.
- Como ajudar de longe A ligação para o mapa de pré-pagamentos ou para a conta de logística.
- Onde confirmar O canal oficial da coligação.
Regras de escrita
- Uma exigência por fase: demissão, destituição, confirmação, eleições.
- Usa as músicas e os objetos de que as pessoas já gostam; não inventes uma estética de protesto.
- O humor é bem-vindo: bandeiras absurdas mostram que são cidadãos comuns, sem partido.
- Trata todos como concidadãos, nunca como «boas meninas» ou «filhas».
- Lê em voz alta o compromisso contra a discriminação em cada concentração.
- Não espalhes boatos sobre tropas ou polícia; confirma antes de publicar.
- Diz sempre como pode ajudar quem não pode ir.
- Celebra as vitórias e diz logo qual é a etapa seguinte.
Exemplo
Sábado, [data]: o Parlamento vota a destituição às [hora]. Encontro às [hora] em [local]. Se a estação [nome] estiver fechada, saia em [estação] e siga a pé. Traga a sua luz (bastão de fã ou telemóvel) e roupa quente. Paz sempre, nenhuma fala de ódio. Não pode ir? Pague um café ou uma refeição perto da concentração e registe-o no mapa: [ligação]. Confirmações só aqui: [canal oficial].
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado.
O que funciona em qualquer lugar e o que tem de ser trocado. Escolhe o teu país no topo do toolkit para veres as ferramentas equivalentes.
Funciona em qualquer lado
- Ter canais de confiança e uma lista de organizações prontas antes da crise.
- Ir ao lugar onde se decide, na primeira hora, de forma pacífica.
- Uma exigência por fase, ligada a uma data institucional.
- Um ritmo fixo (um dia por semana) e concentrações diárias só na reta final.
- Tornar a rua acolhedora: música conhecida, humor, calor, comida.
- Deixar quem não pode ir ajudar quem vai, com transparência.
- Palco aberto com regra explícita contra o ódio.
- Solidariedade com outros grupos atacados durante a crise.
- Registar tudo e saber encerrar a coligação quando o objetivo é atingido.
Depende do contexto
- Bastões de luz de K-pop
- Troca-os pelo objeto que a tua cultura pop já leva para estádios e concertos: lanternas do telemóvel, cachecóis de clube, bandeiras de clubes de fãs. O que importa é ser algo que as pessoas já têm e de que gostam.
- Lista de músicas de K-pop
- Pede ao público as músicas que todos sabem cantar no teu país, incluindo hinos de protesto antigos ao lado de êxitos atuais.
- X e comunidades de fãs
- Identifica onde as jovens do teu país conversam em público (Instagram, TikTok, Discord, fóruns de fãs) e convoca por lá.
- KakaoTalk
- Troca-o pela aplicação de mensagens dominante no teu país: WhatsApp, Telegram, LINE ou Viber, com grupos por função e administradores de confiança.
- Pré-pagamento em lojas (선결제)
- Onde não existe esse hábito, combina com cafés e restaurantes próximos um saldo pago por MB Way, Bizum ou Pix, e publica o stock num mapa.
- Lei marcial e Tribunal Constitucional
- Descobre que instituições podem travar um abuso no teu país (parlamento, tribunal, comissão eleitoral) e segue o calendário delas.
- Dados de população por telemóvel
- Seul publica, com um operador, quantas pessoas estão em cada zona por hora. Onde isso não existe, usa contagens por fotografia aérea ou métodos independentes e diz sempre qual.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
-
Primeira hora no lugar onde se decide
Assim que o abuso começa, uma transmissão em direto de fonte verificada diz onde e quando ir, e as pessoas chegam em paz ao edifício onde a instituição ainda o pode travar. Na Coreia, um pequeno grupo de cidadãos cercou um blindado que se aproximava da Assembleia e os deputados que conseguiram entrar anularam a lei marcial por 190 a 0.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando uma instituição ainda pode travar o abuso nas horas seguintes (uma votação, uma sessão) e precisa de estar fisicamente reunida para isso.
- Não usar quando
- Nunca a uses para invadir ou bloquear edifícios; e, onde as tropas usam força letal, a presença na rua pode custar vidas.
- Semana −20 Fazer a lista de organizações aliadas, com um contacto de cada uma
- Semana −20 Testar o canal público de convocação e o canal em direto, cada um com uma segunda conta
- Semana −18 Combinar pontos de encontro e uma corrente de SMS para quando a rede congestionar
- Semana −17 Na noite zero, transmitir em direto só a partir de fonte verificada
- Semana −17 Convocar para o edifício onde se vota, com ponto, hora e regras de paz
- Semana −17 Publicar a linha jurídica e desmentir boatos só pelo canal oficial
- Semana −17 Ficar em paz até à votação e anunciar logo o próximo encontro
Equipa
- Voz em direto: transmite do local e diz onde e quando ir
- Sala de situação: acompanha o Parlamento e a polícia e confirma cada informação
- Equipa jurídica: divulga o número de advogados e apoia detidos
O que medir: Pessoas que chegaram de facto ao edifício antes da votação, estimadas com um método declarado (dados de telemóvel, fotografia aérea ou contagem independente), e não as visualizações do direto.
Riscos a vigiar: Boatos sobre tropas mandam pessoas para o sítio errado e o confronto dá ao governo o pretexto da desordem: só fonte confirmada, nenhuma invasão, linha jurídica publicada desde o primeiro minuto.
-
Uma exigência por fase, um sábado fixo
Uma coligação escolhe uma exigência por fase (demissão, destituição parlamentar, destituição pelo tribunal, eleição), alinhada com a próxima data institucional, e marca uma marcha numerada no mesmo dia da semana; ações diárias só na reta final. Na Coreia houve 18 marchas de sábado entre dezembro e abril e, depois da libertação de Yoon, marchas diárias às 19h até à decisão de 8 a 0.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a crise vai durar semanas ou meses e há datas institucionais pela frente: votações, sessões de tribunal, uma eleição.
- Não usar quando
- Não comeces com ações diárias, que esgotam as pessoas antes do tempo; e um ritmo sem exigência clara nem data esvazia a rua.
- Semana −16 Fundar a coligação com copresidência diversa e comissão operacional semanal
- Semana −16 Escolher a exigência desta fase e a próxima data institucional
- Semana −15 Fixar a marcha numerada no mesmo dia da semana, com ações noutras cidades
- Semana −14 Fazer ações mais pequenas à noite nos dias úteis, com palavra livre
- Semana −4 Na reta final, passar a marchas diárias e a uma convocação nacional num só ponto
- Semana −1 Entregar à instituição o parecer jurídico e o abaixo-assinado antes da decisão
- Semana do dia D No dia da decisão, assistir em conjunto, celebrar sem confronto e anunciar a fase seguinte
Equipa
- Comissão operacional: decide todas as semanas datas, exigências e porta-vozes
- Sala de situação: segue o calendário do Parlamento e do tribunal e convoca emergências
- Planeamento da ação: palco, som e alinhamento; abre e fecha à hora anunciada
O que medir: Presentes em cada marcha numerada, contados sempre com o mesmo método declarado, e assinaturas entregues à instituição na data marcada (na Coreia, 45 289 em fevereiro e cerca de 1 milhão em abril).
Riscos a vigiar: Frio, cansaço e números disputados esvaziam a rua ou tornam-se arma do adversário: guarda o ritmo diário para a reta final e publica sempre a fonte e o método de cada contagem.
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Palco aberto com compromisso contra o ódio
A ação abre com músicas pedidas pelo público e objetos de que as pessoas já gostam, e a palavra livre tem uma regra lida em voz alta: nenhuma intervenção discriminatória. Na Coreia, a equipa de planeamento recebeu cerca de 20 mil pedidos de músicas e pelo menos uma pessoa LGBTQ falou em cada ação de dia útil.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando é preciso que voltem pessoas que nunca foram a um protesto, e minorias que só vêm se a rua for segura para elas.
- Não usar quando
- Não funciona se a regra fica no papel ou se o palco só exibe as jovens sem lhes dar voz: isso repete o paternalismo que elas recusaram.
- Semana −20 Escrever e acordar entre as organizações o compromisso contra a discriminação
- Semana −16 Abrir o formulário de músicas e de inscrição para falar, com o compromisso aceite no envio
- Semana −16 Pedir ao público que traga a sua luz: o objeto de fã que já tem em casa
- Semana −15 Abrir cada ação com as músicas pedidas e ler o compromisso em voz alta
- Semana −15 Dar o microfone a quem nunca falou, alternando grupos e temas
- Semana −15 Cortar o microfone quando o compromisso for violado e dar a vez à pessoa seguinte
Equipa
- Planeamento da ação: monta a playlist com os pedidos e o alinhamento
- Moderação da palavra livre: inscreve oradores, lê o compromisso e corta o microfone
- Copresidência diversa: garante lugar para mulheres, LGBTQ e outros grupos na direção
O que medir: Pessoas diferentes que falaram no palco pela primeira vez, por ação e por grupo, contadas pelas inscrições; se falam sempre os mesmos, a palavra livre fechou-se.
Riscos a vigiar: Um orador de ódio afasta precisamente quem enche a praça: aplica a regra sempre, sem exceções para aliados, e trata todos como concidadãos, nunca como “boas meninas”.
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Comida pré-paga e mapa para quem vai
Quem não pode ir paga antecipadamente cafés ou refeições em lojas perto da ação, e um mapa público mostra o stock e o horário de cada sítio; os donativos pagam food trucks e autocarros aquecidos. Na Coreia, o mapa “시위도 밥먹고”, sem anúncios nem patrocínio, foi uma das ferramentas que abasteceram as vigílias de inverno.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona em vigílias longas, com frio ou de noite, quando há muita gente solidária que não pode estar presente.
- Não usar quando
- Não funciona se o dinheiro passa pela mão de uma pessoa, o que dificulta a prestação de contas, nem se tudo vai para uma só loja, que enche e não dá resposta.
- Semana −16 Abrir o fundo de calor e comida numa conta identificada, antes das noites de vigília
- Semana −16 Publicar o mapa de pré-pagamentos, casas de banho e abrigos aquecidos
- Semana −16 Combinar com cafés e restaurantes próximos um saldo pago diretamente à loja
- Semana −15 Em cada convocação, dizer como quem não pode ir pode pagar e registar no mapa
- Semana −15 Distribuir os pagamentos por várias lojas e atualizar stock e horário
- Semana −15 Chamar food trucks e autocarros aquecidos para as noites mais longas
- Semana −12 Publicar o balanço da conta de logística
Equipa
- Mapeadores: mantêm o mapa com o stock restante e o horário de cada loja
- Logística de calor: contrata food trucks, autocarros aquecidos e mantas com os donativos
- Tesouraria: publica entradas, despesas e saldo da conta de donativos
O que medir: Refeições e bebidas pré-pagas efetivamente levantadas por manifestantes, contadas pelo stock atualizado de cada loja no mapa.
Riscos a vigiar: Dinheiro sem rasto gera desconfiança: pagamento direto às lojas, conta identificada com balanço público e respeito pela lei de angariação de fundos do teu país.
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Socorro em paz a outro grupo bloqueado
Quando outro grupo que enfrenta o mesmo poder é bloqueado ou atacado, a rede faz uma convocação de emergência e envia pessoas e calor. Na Coreia, a polícia cercou os tratores dos agricultores em Namtaeryeong; milhares de jovens chamadas pelo X passaram a noite com eles e, ao fim de 28 horas, a estrada foi aberta.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona durante uma crise longa, quando aliados de outras causas ficam isolados e um pedido de ajuda pode ser confirmado no local.
- Não usar quando
- Nunca a uses para empurrar a polícia ou abrir caminho à força: o confronto troca a imagem de vigília pacífica pela de desordem e arrisca feridos.
- Semana −16 Combinar na sala de situação quem pode lançar uma convocação de emergência
- Semana −15 Acompanhar os pedidos de ajuda de outros grupos e confirmá-los no local
- Semana −15 Convocar pela conta pública: ponto, regras de paz e o que levar contra o frio
- Semana −15 Enviar autocarros aquecidos, aquecedores de mão e comida para quem passa a noite
- Semana −15 Ficar em paz, com advogados no local, até a via ser libertada
- Semana −14 Ouvir as reivindicações do grupo apoiado e levá-las ao palco da ação seguinte
Equipa
- Sala de situação: confirma o pedido de ajuda e decide a convocação
- Logística de calor: leva autocarros aquecidos, aquecedores e comida ao local
- Equipa jurídica: observa a polícia e apoia detidos
O que medir: Pessoas que chegaram ao local bloqueado e lá ficaram durante a noite, mais os artigos de calor e comida entregues, contados pela logística. As visualizações do vídeo de alerta não contam.
Riscos a vigiar: Um pedido mal confirmado pode mandar pessoas para uma armadilha e o confronto arrisca detenções: confirma no local, mantém a paz e tem advogados presentes.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a coligação
Seis momentos de 2024 e 2025. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano para uma crise democrática
Em seis fases, da preparação ao encerramento.
Em seis fases, da preparação ao encerramento. Na Coreia, a crise durou 123 dias até à destituição e mais dois meses até às eleições. O progresso fica guardado neste navegador.
Antes: preparar
Primeiras 24 horas
Primeira semana: a coligação
Semanas seguintes: o ritmo
Reta final: a decisão
Depois: encerrar bem
Regras
A rua coreana foi pacífica, aberta e transparente perante um governo que dizia defender a ordem.
A rua coreana foi pacífica, aberta e transparente perante um governo que dizia defender a ordem. Enganar, excluir ou ferir dava-lhe o argumento que procurava.
- Reunião pacífica
- A Coreia do Sul, como a maioria das democracias, protege o direito de reunião; a lei exige aviso prévio, não autorização. Verifica as regras de aviso do teu país e cumpre-as.
- Nada de violência
- Sem confronto físico com polícia ou soldados, sem invadir edifícios, sem danos materiais.
- Palco sem ódio
- Um compromisso público contra falas discriminatórias, lido em cada concentração e aplicado pela moderação.
- Informação verificada
- Nada de boatos sobre tropas, mortes ou fraudes. Corrige em público quando errares.
- Donativos transparentes
- Pré-pagamentos feitos diretamente às lojas; donativos à coligação numa conta identificada e com balanço público. Verifica a lei de angariação de fundos do teu país.
- Imagem e dados
- Pede consentimento para fotografar e arquivar; tapa o rosto de quem corre riscos. O RGPD e a LGPD também se aplicam a listas de manifestantes.
- Só pessoas reais
- Nada de contas falsas, robôs ou assinaturas inventadas.
- Período eleitoral
- Quando a crise se transforma em eleições, as organizações cívicas podem ter limites legais de campanha. Consulta a lei eleitoral antes de pedir o voto.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- A rua não substitui as instituições
- Quem anulou a lei marcial foram 190 deputados, quem destituiu Yoon foi o Tribunal e quem o condenou foram juízes. Onde o parlamento ou os tribunais estão capturados, a mesma rua pode não bastar.
- A polarização continua
- Apoiantes de Yoon fizeram centenas de concentrações, invadiram um tribunal e espalharam alegações de fraude. Nas eleições, os homens jovens votaram sobretudo na direita; a crise não reconciliou o país.
- A reforma social ficou para depois
- A coligação pedia também uma «grande reforma social»: lei antidiscriminação, direitos de agricultores e de trabalhadores precários. Encerrou as atividades em junho de 2025, e as fontes lidas não mostram quanto disso se tornou lei.
- Paternalismo com as jovens
- A imprensa celebrou as «boas meninas» com bastões de luz; elas pediram para ser tratadas como concidadãs.
- Cansaço e frio
- Quatro meses de inverno, vigílias na neve e greves de fome cobram um preço. Sem logística de calor e sem ritmo, a rua esvazia-se.
- Números disputados
- Polícia, organizadores e dados de telemóvel deram números muito diferentes. Indica sempre a fonte e o método, ou o adversário escolhe o número por ti.
- Não é receita contra todos os golpes
- A lei marcial durou cerca de seis horas, em parte porque as tropas não usaram força letal e os deputados conseguiram entrar. Com outra cadeia de comando, a presença na rua podia ter custado vidas.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Este playbook foi construído com o arquivo e as declarações da coligação Emergency Action, entrevistas com as suas copresidentes e relatos…
Este playbook foi construído com o arquivo e as declarações da coligação Emergency Action, entrevistas com as suas copresidentes e relatos de agricultoras e manifestantes, e confirmado por imprensa coreana e internacional, dados e análises publicados entre dezembro de 2024 e outubro de 2026.
34 fontes
Quem fez
- 123 Archive “빛의 기록”: Emergency Action, página em inglês (comité de memória, livro branco) 2025–2026
- 123 Archive “빛의 기록”: 연표 (cronologia da coligação) 2025–2026
- Kyunghyang Shinmun: [논설위원의 단도직입] entrevista com Lee Ji-hyun (PSPD) 14 jan. 2025
- Ildaro: 성소수자 시민들이 윤석열 퇴진 광장에 있었다! (entrevista com Lee Ho-rim) 12 abr. 2025
- PSPD: 비상행동 의견서 제출 기자회견 (parecer ao Tribunal Constitucional) 26 fev. 2025
- OhmyNews: 윤석열 파면까지 매일 집회·행진... 다시 광장으로 총집중 호소 9 mar. 2025
- Women News: “우리 사회가 ‘남태령’ 같으면 좋겠어요” 30 dez. 2024
- Kyunghyang Shinmun: 연대할수록 선명해지는 ‘희망’…‘응원봉 시민’ 중심에 ‘2030 여성’ 있었다 2 jan. 2025
- Kyunghyang Shinmun: 2030여성은 왜 남태령 대첩에 모였나 23 dez. 2024
- Seoul Shinmun: “커피·김밥 여기서 드세요”…집회 참가자 위한 ‘선결제’ 정보 사이트 등장 13 dez. 2024
- Newstapa: MZ가 탄핵 응원봉을 든 이유 13 dez. 2024
- Democracy Flag: Enduring the 3 Night 4 Day Struggle of Hangangjin (relato do acampamento de janeiro) jan. 2025
Dados
- Kyunghyang Shinmun: 14일 탄핵 집회 정점 때 41만7천명 넘어…20대가 50대 추월 (dados de população de Seul) 19 dez. 2024
- ACLED: Q&A: Who are the pro- and anti-Yoon groups leading demonstrations in South Korea? 2025
- Wikipedia: Impeachment of Yoon Suk Yeol
- Wikipedia: 2025 South Korean presidential election (resultados da Comissão Eleitoral e sondagem à boca das urnas)
- Wikipedia: Yoon Suk Yeol (condenações de 2026)
- Wikipédia (coreano): 김진태 (declaração sobre as velas na Comissão de Justiça da Assembleia) 17 nov. 2016
- Wikipedia: 2024 South Korean martial law crisis (cronologia da noite de 3–4 dez.)
Imprensa
- The Nation: Hawon Jung, Young Women Are Leading the “Light Stick Revolution” 27 dez. 2024
- Kyunghyang Shinmun: [현장]1200잔 무료 커피에 길 안내까지…여의도 ‘탄핵 집회’ 7 dez. 2024
- Hankyung Magazine: 아이유·유리·유튜버까지…尹 탄핵 집회 참가 팬 위한 선결제 동참 13 dez. 2024
- Hankyung Magazine: K이색 시위 선결제에 응원봉까지…MZ가 만든 한국 민주주의의 현장 르포 14 dez. 2024
- The Korea Times (AFP): K-pop, carols, free food at South Korea impeachment protests 12 dez. 2024
- The Korea Herald: Singing K-pop, chanting slogans, masses fill Seoul streets for and against impeachment 7 dez. 2024
- The Korea Times: Why protesters for, against Yoon's impeachment take to streets for overnight rallies 11 mar. 2025
- ClickOnDetroit (AP): 6 hours of anger, bravery and defiance during martial law in South Korea 4 dez. 2024
- Al Jazeera: South Korea's ex-President Yoon gets life in prison for insurrection 19 fev. 2026
- Cyprus Mail (Reuters): S Korea's ex-president Yoon jailed for life over insurrection 19 fev. 2026
- The Korea Herald (Yonhap): Court set to begin ex-President Yoon's insurrection appeals trial 27 abr. 2026
- The Herald Business: Yoon's insurrection appeal could see verdict by year's end 15 out. 2026
Análise
- The Loop (ECPR): Yuting Alina He, How livestreaming helped save South Korean democracy 18 dez. 2024
- The Conversation: K-pop hits become anthems of South Korea's protests against President Yoon dez. 2024
- Oxford Political Review: Mindy Park, Into the New World: What do South Korean protesters really want now? 20 mai. 2025
Imagem: Candle Act Tv, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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