Em 30 segundos
66,4% de Sim. A 25 de maio de 2018, com 64% de participação, a Irlanda revogou a 8.ª Emenda, que proibia o aborto.
Três organizações, uma só marca: a Together for Yes falou aos indecisos com tom calmo e uma mensagem de cuidado com a saúde das mulheres.
Médicos e mulheres com histórias reais na linha da frente, e cada noite de porta a porta medida para corrigir o rumo.
A campanha estudou onde o eleitor estava antes de decidir o que dizer, escolheu mensageiros de confiança e preparou quem batia às portas como quem vai à televisão.
Os primeiros passos
- Encomendar grupos focais com eleitores indecisos
- Mapear os grupos locais que já existem no país
- Negociar a coligação com facilitação externa e escrever as regras
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram: sobretudo a avaliação oficial da campanha encomendada pelas…
Este playbook assenta no que os próprios organizadores escreveram e disseram: sobretudo a avaliação oficial da campanha encomendada pelas três codiretoras, com entrevistas, grupos focais e um inquérito a 351 militantes, e as entrevistas que deram durante e depois da votação.
Ailbhe Smyth
Codiretora; fundadora e coordenadora da Coalition to Repeal the Eighth Amendment
Veterana da campanha do casamento entre pessoas do mesmo sexo de 2015, trouxe as lições do Yes Equality e defendeu um tom respeitoso e um arranque sem pressa.
FontesOrla O'Connor
Codiretora; diretora do National Women's Council of Ireland (NWCI)
Liderou o modelo Every Woman, que tirou o debate das restrições e o levou para as necessidades de saúde das mulheres.
FontesGráinne Griffin
Codiretora; cofundadora do Abortion Rights Campaign (ARC)
Construiu desde 2012 a rede de grupos locais do ARC que, com outro nome, se tornaram os grupos Together for Yes por todo o país.
FontesDeirdre Duffy
Gestora de campanha (desde março de 2018)
Transformou a estratégia de uma página em planos por equipa e lia todas as manhãs o relatório do porta a porta da noite anterior.
FontesAnnie Hoey
Coordenadora nacional do porta a porta
Ex-presidente da associação nacional de estudantes, coordenou os líderes locais de canvass (porta a porta), os super-canvasses e a recolha dos resultados das portas.
FontesKaren Hand
Estudos e estratégia de mensagens da Together for Yes
Integrou a equipa de estudos que identificou o "centro preocupado" e os mensageiros de confiança, e mais tarde explicou o método à New Economics Foundation.
FontesErin Darcy
Artista, criadora da página In Her Shoes – Women of the Eighth
Abriu em janeiro de 2018 uma página no Facebook para histórias anónimas de mulheres afetadas pela 8.ª Emenda, dirigida aos indecisos.
FontesGráinne Healy, Brian Sheehan e Noel Whelan
Direção do Yes Equality (2015) e autores de Ireland Says Yes
Escreveram o relato, visto de dentro, da campanha do casamento entre pessoas do mesmo sexo, cujo método (histórias pessoais, grupos locais, tom positivo) a equipa de 2018 adaptou.
Fontes
Nas palavras de quem fez
O que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram.
O que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação em contrário.
A campanha conteve o ritmo de propósito no início: numa campanha muito longa as pessoas cansam-se, e era preciso chegar inteira à reta final.
Ailbhe Smyth, codiretora, The Irish Times, How the tide turned against saving the Eighth, 27 mai. 2018
No lançamento, prometeu que a campanha seria respeitosa com as posições de todos, fossem elas quais fossem — o modelo era o Yes Equality de 2015.
Ailbhe Smyth, codiretora, The Irish Times, Repeal campaign seeks to follow marriage equality example, 23 mar. 2018
É preciso começar pelas necessidades e pelas experiências das mulheres, não pelas restrições.
Orla O'Connor, codiretora (NWCI), Learning from the 2018 Together for Yes Campaign (avaliação oficial), p. 36
Sobre a recolha de fundos de lançamento (meta de 50 mil euros, cerca de meio milhão numa semana): ninguém esperava tantos donativos, e aquilo deixou de ser angariação para se tornar um desabafo das mulheres sobre o aborto.
Orla O'Connor, codiretora, The Irish Times, 27 mai. 2018
Mais 6 citações
Nos resultados do porta a porta, os indecisos inclinavam-se de forma consistente para o Sim, e o Sim ia sair melhor do que o previsto.
Deirdre Duffy, gestora de campanha, The Irish Times, 27 mai. 2018
O painel do porta a porta permitiu à campanha reagir ao eleitor, e não ao adversário.
Membro da equipa de direção, sem nome, Learning from the 2018 Together for Yes Campaign, p. 67
Mudar a lei exigiu tornar o político pessoal: as histórias das mulheres foram corajosas e muito duras de ouvir.
Gráinne Griffin, codiretora, Grazia, entrevista depois da votação
Estudantes abriram grupos locais do Together for Yes e trabalharam lado a lado com veteranas da campanha de 1983.
Annie Hoey, coordenadora do porta a porta, Democracy Now!, 29 mai. 2018
Pedir aos eleitores que cuidassem das mulheres funcionou melhor do que pedir que reconhecessem direitos; o cartaz de lançamento dizia que um assunto privado às vezes precisa de apoio público.
Karen Hand, investigadora da campanha, New Economics Foundation, Together, they say yes, 13 fev. 2023
2015 foi uma campanha do povo, feita pela sociedade civil e por 60 equipas locais, não pelos partidos.
Gráinne Healy, codiretora do Yes Equality, Village Magazine, 62%: What we did and why, 9 jul. 2015
A história
No início de 2018, os comentadores políticos duvidavam da campanha do Sim: o Não tinha-se organizado mais cedo, tinha mais dinheiro e já…
No início de 2018, os comentadores políticos duvidavam da campanha do Sim: o Não tinha-se organizado mais cedo, tinha mais dinheiro e já tinha cartazes nas ruas. A sondagem do Irish Times de 20 de abril mostrava o Sim nove pontos abaixo de janeiro e cerca de um em cada cinco eleitores indecisos. Em 68 dias, a Together for Yes transformou uma maioria condicional e silenciosa numa vitória de quase dois para um.
- 66,4%
- de Sim, 1.429.981 votos, com 64% de participaçãooficial
- 1,6 M€
- angariados em dez semanas, recorde em referendos na Irlandadado da campanha
- 43%
- dos eleitores apontaram as histórias pessoais na comunicação social como fator da decisãoestudo
- ±3%
- margem com que o painel do porta a porta previu o resultadodado da campanha
Do luto à vitória
- Out. 2012Savita Halappanavar morre num hospital irlandês depois de lhe ter sido recusado um aborto durante um aborto espontâneo. A morte galvaniza o movimento; o Abortion Rights Campaign, nascido do Irish Choice Network (julho de 2012), é lançado formalmente em janeiro de 2013.
- 2013–2014Surge a Coalition to Repeal the Eighth Amendment. Os grupos locais do ARC começam a multiplicar-se fora de Dublin.
- 22 mai. 2015O casamento entre pessoas do mesmo sexo vence com 62%. Muitas das pessoas que fariam a campanha de 2018 estavam lá.
- 2016–2017Grupos focais encomendados pela Coalition mostram um centro preocupado: incomodado com o status quo, com medo da mudança, a confiar em médicos e em mulheres que fizeram um aborto.
- Abr.–dez. 2017A Assembleia de Cidadãos recomenda mudar a Constituição. O NWCI lança o modelo Every Woman. Três organizações decidem formar uma só campanha.
- Jan. 2018Nascem o nome Together for Yes e o Storylab. A partir de 14 de janeiro, a página In Her Shoes, de Erin Darcy, começa a reunir histórias.
- 8–22 mar.O governo marca a votação para 25 de maio. A campanha é lançada a 22 de março; a recolha de fundos online com meta de 50 mil euros junta cerca de meio milhão numa semana.
- Abr.–mai.Porta a porta em todo o país, debates na televisão, lojas pop-up com filas para comprar as camisolas Repeal. O autocarro da campanha percorre o país nas últimas três semanas.
- 18 mai.Sete dias antes, sai o Make a Plan, com lembrete por SMS. Ganham força os vídeos sobre como votar e o #HomeToVote dos emigrantes.
- 25 mai.66,4% de Sim. Só um círculo eleitoral, Donegal, vota Não.
Três camadas
A Together for Yes não foi um partido nem uma ONG: foi um guarda-chuva com uma sede pequena e muita gente que não lhe respondia diretamente.
- A sedeTrês codiretoras, um Executivo semanal com duas pessoas de cada organização, uma gestora de campanha e equipas de comunicação, mobilização, angariação de fundos, política, dados de suporte e plataforma, além de um Grupo Consultivo Estratégico de cerca de doze especialistas, com aconselhamento não vinculativo.
- A PlataformaOrganizações aliadas (sindicatos, médicos, advogados, grupos de pessoas com deficiência e de migrantes) que faziam campanha com a própria voz e o próprio nome, sem perder a independência.
- A redeGrupos locais em todos os condados e iniciativas independentes como In Her Shoes, Terminations for Medical Reasons e o #HomeToVote dos emigrantes.
O que não se sabe. A sondagem à boca das urnas da RTÉ (3.779 eleitores) mostra que 75% disseram que sempre souberam como iam votar e só 12% decidiram durante a campanha; apenas 7% apontaram o contacto direto com militantes como importante, contra 43% para as histórias na comunicação social e 34% para a experiência de pessoas conhecidas.
Ou seja: o porta a porta pode ter pesado mais na mobilização, na medição e na conversa entre conhecidos do que na conversão direta, e nenhum dado isola o seu efeito. O número de organizações na coligação varia consoante a fonte (mais de 70 no lançamento, segundo o Irish Times; 97 segundo o Irish Examiner; mais de 200 segundo a editora do livro das codiretoras). A avaliação fala em 68 dias de campanha, embora entre o anúncio de 8 de março e a votação de 25 de maio decorram 78 dias. Não foi possível ler diretamente o livro It's a Yes!; a espinha dorsal deste playbook é a avaliação oficial que as três codiretoras encomendaram. Os números de alcance da In Her Shoes vêm da editora do livro de Erin Darcy. O acerto do painel é encorajador, mas não é uma sondagem: as portas abertas não são uma amostra aleatória e a regra dos 80% foi uma correção a olho. Usa o painel para ver tendências de semana para semana.
O terreno
O que era específico da Irlanda de 2018 e pode faltar noutro país.
O que era específico da Irlanda de 2018 e pode faltar noutro país.
Plataformas
- Porta a porta e bancas de rua
- O coração da campanha. Os grupos locais batiam às portas à noite e aos fins de semana, montavam bancas nas ruas principais e faziam "canvass de guerrilha" com faixas em rotundas e pontes à hora de ponta.
- A rede mais usada: 86% dos militantes inquiridos consideraram-na uma ferramenta indispensável. O vídeo era o formato que mais rendia. Foi lá que a página In Her Shoes espalhou histórias anónimas.
- Usado por 65% dos militantes. Importante para falar com jornalistas e políticos e, na reta final, para a hashtag #HomeToVote dos emigrantes que voltavam a casa para votar.
- Rádio local e jornais regionais
- Na Irlanda têm audiências elevadas e merecem confiança. Os grupos locais e o autocarro da campanha alimentavam esses meios com porta-vozes da própria região.
- Grupos de WhatsApp e Facebook
- Coordenação dos voluntários em cada condado. A sede falava com o país por email e por webinars semanais no Zoom.
- Slack, Meltwater e painel próprio
- Slack para a equipa central, Meltwater para monitorizar a imprensa todas as manhãs e um painel feito por voluntários que juntava porta a porta, sondagens, imprensa, finanças e alertas internos.
- SMS de lembrete
- A ferramenta Make a Plan, lançada sete dias antes, deixava o eleitor escolher a hora de ir votar e enviava um lembrete gratuito por SMS na manhã da votação.
Condições locais
- Um tema estigmatizado há décadas: a 8.ª Emenda entrou na Constituição em 1983 com 66,9% dos votos, e a morte de Savita Halappanavar, em 2012, foi o ponto de viragem.
- Uma Assembleia de Cidadãos de 99 pessoas tiradas à sorte recomendou a mudança em abril de 2017, o que deu ao debate uma origem cidadã e não partidária.
- É um referendo, não uma eleição: a campanha era da sociedade civil, e os eleitores viam os políticos como gente que "fica em cima do muro".
- A televisão pública é obrigada a dar tempo igual aos dois lados nos referendos, o que expôs o público às posições extremas do Não.
- Os donativos são regulados pela Lei Eleitoral e fiscalizados pela SIPO (a comissão de ética pública): cada donativo foi verificado antes de ser aceite, e alguns foram recusados.
- Só se vota presencialmente, sem voto por correspondência nem nas embaixadas; os emigrantes perdem o direito de voto ao fim de 18 meses fora. Daí o #HomeToVote.
- Logo depois do escândalo Cambridge Analytica, o Facebook bloqueou os anúncios sobre o referendo pagos a partir do estrangeiro e o Google suspendeu todos os anúncios do referendo.
- A mesma geração de militantes tinha ganho o referendo do casamento entre pessoas do mesmo sexo três anos antes e trazia equipas, doadores e lições já prontas.
O método
A campanha cabia numa página: ganhar a maioria indo ao encontro do "centro preocupado", com informação, persuasão e serenidade, e uma base…
A campanha cabia numa página: ganhar a maioria indo ao encontro do "centro preocupado", com informação, persuasão e serenidade, e uma base mobilizada para bater às portas.
Três frentes
- Ouvir antes de falar
- Começar por onde as pessoas estão a ouvir, não por onde a campanha está a falar. Os estudos mostraram que a maioria queria mudar, mas com calma, sem gritaria, e a pensar no cuidado, e não na escolha.
- Mensageiros de confiança
- Os eleitores confiavam em médicos e em mulheres que tinham passado por um aborto; desconfiavam dos políticos e da Igreja. Por isso, foram eles que falaram, e a direção deu um passo atrás. A Doctors for Choice e a Midwives for Choice ajudaram médicos e parteiras a falar com clareza, e a Irish Family Planning Association também entrou na campanha.
- Porta a porta medido
- Conversas calmas às portas de todo o país, com o resultado de cada noite registado e somado num painel que mostrava se a mensagem estava a pegar.
O ciclo da campanha
O mesmo ciclo repetiu-se em três fases (informar e envolver, 4 semanas; persuadir e motivar, 6 semanas; mobilizar o voto, 10 dias), com revisão da estratégia uma semana antes do fim de cada fase.
- Estudar Grupos focais antes e durante a campanha para saber o que preocupa, que palavras funcionam e em quem as pessoas confiam.
- Enquadrar Os três C (care, compassion, change): cuidado, compaixão e mudança. Falar de saúde e de necessidades, de "decisão" em vez de "escolha", de empatia em vez de julgamento.
- Preparar os mensageiros O Storylab encontra, prepara e protege as mulheres e os casais que contam a sua história; médicos e advogados recebem formação para a comunicação social e respostas preparadas.
- Formar quem vai às portas Mensagens-chave, prática e simulação de conversas. Não discutir com quem já decidiu Não; gastar o tempo com quem tem dúvidas.
- Conversar Porta a porta, bancas, sessões públicas, rádio local, faixas nas rotundas. Ocupar o espaço público com um tom positivo.
- Medir Todas as noites: portas batidas, portas abertas, Sim, Não, Talvez, força da opinião e argumentos ouvidos. Tudo no painel na manhã seguinte.
- Ajustar A direção lê o painel todas as manhãs e muda o que os números mandam mudar, seja o que for que o adversário faça.
- Mobilizar o voto Plano de voto por SMS, vídeos sobre como votar, canvass de visibilidade nas estações, emigrantes a voltar a casa.
E recomeça.
Toolkit
O que a Together for Yes montou, organizado para poder ser copiado.
O que a Together for Yes montou, organizado para poder ser copiado. Funciona para um referendo, uma lei, uma causa local ou uma candidatura que precise de quem ainda não decidiu.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Uma sede pequena, muito profissional, ligada a uma rede local grande e autónoma. A avaliação da campanha admite que a sede ficou sobrecarregada: a mobilização precisava de mais gente a tempo inteiro.
Equipa mínima
- Codireção
- Uma pessoa de cada organização fundadora, com contacto diário entre si e a palavra final sobre a estratégia. Evita que uma organização engula as outras.
- Executivo
- Duas pessoas por organização, reunião pelo menos semanal. Aprova planos e revê o andamento de cada fase.
- Gestão de campanha
- Transforma a estratégia em planos com metas, prazos e indicadores por equipa; lê o painel todas as manhãs.
- Comunicação e Storylab
- Imprensa, redes, produção e o laboratório de histórias, que prepara e protege quem conta a sua experiência.
- Dados de suporte e réplica
- Uma académica e ativista e uma especialista em políticas de saúde reprodutiva preparam respostas aos argumentos jurídicos e médicos para debates, imprensa e portas. Além de responder, antecipa: identifica os três ou quatro argumentos do adversário que mais assustam o centro e explica-os antes de aparecerem. Numa experiência no YouTube, vídeos curtos de “vacina” melhoraram em cerca de 5% a capacidade de reconhecer manipulação.
- Mobilização e porta a porta
- Liga a sede aos líderes locais, organiza super-canvasses, recolhe e analisa os resultados das portas.
- Plataforma e política
- Traz organizações aliadas para falarem com a sua própria voz e mantém uma relação equidistante com os partidos.
- Angariação de fundos e conformidade
- Angariação de fundos como área estratégica, com gente sénior, e controlo de cada donativo de acordo com a lei. No caso, a equipa tinha experiência de campanhas anteriores, como a Yes Equality, e contou com a agência de marketing Ask Direct, que trabalhava com a Coalition desde o início de 2017.
Ritmo semanal e diário
- Todas as manhãsA gestora lê o relatório do porta a porta da noite anterior, a monitorização da imprensa e o Slack, à procura de sinais de alerta. A equipa de redes publica uma notícia de jornal para marcar a agenda do dia.
- Terça, 10hReunião na sede com representantes dos partidos que apoiam o Sim, para alinhar cartazes e mensagens dirigidas aos indecisos.
- Terça, almoçoWebinar de mensagens aberto às organizações aliadas (97, segundo o Irish Examiner): o que dizer esta semana.
- QuintaWebinar mais geral sobre os restantes aspetos da campanha.
- Todas as noitesQuem foi às portas preenche uma folha simples; os líderes locais juntam as folhas e voluntários com formação introduzem os dados.
- Fim de cada faseUma semana antes, a direção revê a estratégia e aprova o plano das semanas seguintes.
As reuniões da sede passaram de semanais a bissemanais e, na reta final, a diárias. A avaliação recomenda: aceita o ritmo, mas tem sempre um plano escrito a que regressar.
Plano B
- Folha de papel como registo primário do porta a porta: funciona sem rede e sem aplicação.
- Uma pessoa dedicada só a apoiar os grupos regionais, e polos regionais com autonomia para decidir.
- Grupos locais capazes de produzir os seus próprios materiais: onde os cartazes da sede não chegaram, os voluntários pintaram os seus.
- Uma única base de dados para doadores e voluntários, desenhada antes de a campanha começar.
- Apoio entre pares e acompanhamento psicológico para quem enfrenta abusos às portas, previsto com antecedência.
Tecnologia
Quase tudo foi montado por voluntários ou com ferramentas comuns. O que contou foi registar tudo todas as noites.
- Site e registo de voluntários (Find My Canvass)Grátis a baixo custo
Quem queria ajudar deixava o email e a localização e era encaminhado de imediato para o líder do grupo local. Encaminhou mais de 2.500 voluntários.
- Registo do porta a porta (Canvass Together)Grátis
Folha de papel preenchida à noite, introduzida por voluntários do círculo eleitoral e somada numa base que mostrava Sim, Não e Talvez por zona. Replicável com um formulário e uma folha de cálculo.
- Painel de comandoGrátis (feito por voluntários)
Juntava seis fontes: porta a porta, sondagens, consultores, imprensa, comunicação interna e angariação de fundos. Cada equipa via o seu ecrã; a gestora via todos.
- Monitorização da imprensaPago; alternativa gratuita: alertas de notícias
Meltwater com relatório diário de palavras-chave, para perceber quando a imprensa começava a usar a linguagem da campanha ou quando o Não mudava de mensagem.
- Slack e grupos de WhatsApp/FacebookGrátis
Slack para a equipa central; grupos de WhatsApp e Facebook para os voluntários de cada condado.
- Webinars no ZoomGrátis a baixo custo
Reuniões semanais com os grupos de todo o país para transmitir mensagens e ouvir os problemas locais.
- Donativos, recolhas de fundos online e lojaComissões das plataformas
Pedido online, duas recolhas de fundos online, pedido por telefone, eventos e uma loja em WooCommerce com camisolas, crachás e t-shirts.
- Make a PlanCusto por SMS
O eleitor escolhia a hora e a forma de ir votar e recebia um lembrete gratuito por SMS na manhã da votação. Só para quem se inscreveu.
- Vídeo nas redesGrátis
Vídeos curtos de médicos, de mulheres com histórias e de organizações da Plataforma; vídeos com instruções sobre como votar na reta final.
- Publicidade pagaNão divulgado
Cartazes, imprensa e anúncios online geridos por uma responsável de meios, só com financiamento nacional e identificado.
- Plataforma online de profissionais (Lawyers e Doctors for Repeal)Grátis a baixo custo
Advogados, e da mesma forma médicos, assinavam online uma petição de apoio; uma página só de leitura mostrava os nomes e o condado de cada um e alimentava a estratégia de imprensa.
Colunas da folha do porta a porta
Data · Grupo local e zona · Portas batidas · Portas abertas · Sim · Não · Talvez · Força da opinião · Principal preocupação ouvida · Mensagem do adversário que surgiu · Quem introduziu os dados
A campanha angariou cerca de 1,6 milhões de euros, mas a avaliação não publica a repartição das despesas. O que se sabe: as ferramentas de organização foram feitas por voluntários ou eram baratas, e foi com o dinheiro da primeira recolha de fundos que vieram os primeiros cartazes e materiais. Para não sobrestimar o Sim nos resultados das portas, o painel contava 80% dos Talvez como Não.
Comunicação
O tom foi informativo, razoável, calmo e nada confrontacional. Os estudos mostravam que as pessoas tinham medo de uma campanha aos gritos; a campanha manteve a calma até ao fim.
A fórmula de uma conversa à porta
- Apresentar-se Nome, de onde é, que é voluntário. Um vizinho, não um partido.
- Perguntar O que a pessoa pensa e o que a preocupa. Ouvir primeiro.
- Classificar Sim: agradecer e pedir que fale com a família. Não decidido: seguir educadamente para a porta seguinte. Talvez: ficar e conversar.
- Contar Porque vota Sim, em uma ou duas frases pessoais. É a lição do Yes Equality: histórias, não sermões. Há evidência: em três experiências de campo nos EUA, conversas só com argumentos não mudaram atitudes sobre imigrantes; as mesmas conversas com uma troca de histórias pessoais, sem julgamentos, reduziram atitudes de exclusão durante pelo menos quatro meses, um efeito pequeno mas duradouro, repetido em conversas sobre pessoas trans (Kalla e Broockman, 2020).
- Responder com um facto e um mensageiro Uma informação concreta e quem a confirma: um médico, uma mulher que passou por isso.
- Pedir O voto e um plano para votar. Pedir, não exigir.
- Registar Na folha, logo a seguir: resposta, força da opinião e a preocupação que ouviu.
Regras de mensagem
- Fala de cuidado, de saúde e de necessidades. A palavra que as pessoas ouviram foi "decisão", não "escolha".
- Mostra o que já acontece: as viagens ao estrangeiro e os comprimidos comprados pela internet. O Sim só traz para casa algo que já existe.
- Deixa falar quem tem credibilidade: médicos e pessoas com experiência própria. A direção dá um passo atrás.
- Nunca digas ao eleitor o que deve pensar ou sentir. Conversa.
- Não entres na agenda do adversário. Tem respostas preparadas para os argumentos técnicos, mas volta sempre à tua mensagem.
- Os políticos apoiam, mas não falam pela campanha nem sobem ao palco nacional.
- Sê a favor de algo. O nome Together for Yes foi escolhido por ser positivo e por não pertencer a nenhuma organização.
- A mesma mensagem em todos os canais: a televisão, o folheto, a porta e a publicação dizem a mesma coisa em formatos diferentes.
Exemplo de conversa
Boa tarde, chamo-me Ana, moro aqui no bairro e sou voluntária da campanha pelo Sim. Posso perguntar-lhe o que pensa do referendo? [ouvir] Percebo, há muita gente com essa mesma dúvida. Eu voto Sim porque uma amiga minha teve de ir sozinha a outro país numa situação muito difícil. Os médicos dizem que hoje as mulheres já fazem isto às escondidas, sem acompanhamento. O Sim só permite que seja tratado cá, com cuidado, entre a mulher e o médico. Se quiser, deixo-lhe este folheto com histórias de mulheres daqui. Posso contar com o seu voto no dia 25?
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Irlanda de 2018.
O que funciona em qualquer lado e o que dependia da Irlanda de 2018.
Funciona em qualquer lado
- Estudar o público indeciso antes de escrever a primeira mensagem, e voltar a testar durante a campanha.
- Uma coligação com marca própria, positiva, que não pertença a nenhuma das organizações fundadoras.
- Escolher os porta-vozes pela confiança que inspiram no público-alvo, não pela antiguidade na causa.
- Formar quem vai às portas com o mesmo cuidado com que se prepara quem vai à televisão.
- Registar todas as noites o que se ouve às portas e decidir com base nisso.
- Cuidar de quem conta histórias pessoais: preparar, proteger e deixar desistir.
- Angariação de fundos cedo e visível: o primeiro grande pedido de donativos é também a primeira prova de força.
- Planear a fase de mobilização do voto muito antes de ela começar.
Depende do contexto
- Facebook como rede principal (2018)
- Usa a rede que hoje domina no teu público: WhatsApp e Instagram no Brasil, TikTok entre os mais jovens. O conteúdo que funciona é o mesmo: vídeo curto com um mensageiro de confiança.
- Voto só presencial e #HomeToVote
- Onde há voto no estrangeiro, o pedido passa a ser "recenseie-se e vote no consulado". Onde os emigrantes não votam, copia o Be My Yes: quem está fora telefona à família que ficou.
- Regra de equilíbrio na televisão pública
- Onde a televisão não é obrigada a ser equilibrada, os canais próprios e a rádio local pesam ainda mais; prepara os porta-vozes para entrevistas hostis.
- Os médicos como os novos padres
- Na Irlanda, a confiança tinha saído da Igreja e passado para os médicos. No teu país podem ser enfermeiras, professores, pastores ou líderes comunitários: só os estudos o dizem.
- Proibição de anúncios estrangeiros
- Na UE, o Regulamento (UE) 2024/900 barra hoje patrocinadores de fora da União na publicidade política nos três meses antes do voto, e, desde outubro de 2025, a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais e a Google deixou de publicar publicidade política; noutros países, segue a lei eleitoral e publica quem paga cada anúncio. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
- Referendo de tema único
- Numa candidatura o adversário é uma pessoa, não uma proposta; o método do centro preocupado continua a servir, mas os políticos não podem ficar fora do palco.
- Camisolas Repeal e lojas pop-up
- Qualquer peça de identidade visível que as pessoas queiram usar: um pin, uma cor, um autocolante. A fila na loja também é notícia.
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
-
Falar ao centro preocupado
Estudar os indecisos antes de escrever a primeira mensagem e falar com eles com calma: cuidado, compaixão e mudança, “decisão” em vez de “escolha”, e mensageiros em quem confiam. Na Irlanda, os estudos mostraram uma maioria que queria mudar sem gritaria; quem falou foram médicos e mulheres com experiência própria, e o Sim teve 66,4%.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando existe uma maioria condicional e silenciosa: incomodada com o statu quo, mas com medo da mudança e de uma campanha de gritos.
- Não usar quando
- Não converte quem já decidiu nem funciona sem estudos próprios: os mensageiros de confiança mudam de país para país.
- Semana −30 Encomendar grupos focais com eleitores indecisos
- Semana −26 Descobrir que palavras funcionam e em quem o público confia
- Semana −20 Escrever a estratégia numa página: público, tom, mensagem e mensageiros
- Semana −12 Dar formação de media e respostas prontas a médicos e especialistas
- Semana −10 Lançar a campanha com mensageiros de confiança, com a liderança um passo atrás
- Semana −5 Voltar a testar a mensagem nos grupos focais e nas portas e ajustar
Equipa
- Estudos: grupos focais antes e durante a campanha
- Evidência e resposta: preparam respostas verificáveis a argumentos médicos e legais
- Mensageiros de confiança: médicos e pessoas com experiência própria
O que medir: Eleitores Talvez que, numa segunda conversa à porta, se declaram Sim depois da mensagem testada; se não mudam, volta aos grupos focais antes de mudar o tom.
Riscos a vigiar: A disciplina de mensagem pode apagar a linguagem dos direitos e limitar a diversidade de porta-vozes: di-lo à base, abre espaço a outras vozes e nunca digas ao eleitor o que deve sentir.
-
Porta a porta medido todas as noites
Conversas calmas às portas, com uma folha simples preenchida todas as noites (portas abertas, Sim, Não, Talvez, força da opinião e preocupação ouvida) e somada num painel lido todas as manhãs. Na Irlanda, o painel previu o resultado com uma margem de ±3% e deixou a campanha reagir ao eleitor, não ao adversário.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há grupos locais em muitas zonas e uma direção disposta a mudar o que os números mandam mudar.
- Não usar quando
- Não funciona se ninguém introduz as folhas ou ninguém lê o painel, nem se as opiniões ficam ligadas a pessoas identificadas: regista de forma agregada.
- Semana −12 Desenhar a folha do porta a porta e o painel antes de começar
- Semana −10 Abrir o registo que encaminha cada voluntário de imediato para o líder do grupo local
- Semana −9 Dar formação em cada região com simulação: não discutir com quem já decidiu Não
- Semana −8 Bater às portas à noite e aos fins de semana, sempre em pares
- Semana −8 Juntar as folhas todas as noites e introduzi-las com voluntários formados
- Semana −6 Ler o painel todas as manhãs e ajustar a mensagem e as zonas
- Semana −2 Fazer super-canvasses nas zonas onde o apoio é mais frágil
Equipa
- Coordenação do porta a porta: liga a sede aos líderes locais e analisa os resultados
- Líder local: organiza os turnos e junta as folhas da noite
- Introdução de dados: voluntários formados passam as folhas para a base
O que medir: Portas abertas por noite e por grupo local, registadas na folha; para não te iludires com o Sim, conta a maior parte dos Talvez como Não, como fez o painel irlandês (80%).
Riscos a vigiar: Bater às portas sobre um tema íntimo traz abuso e esgotamento: vai em pares, tem um protocolo para agressões, marca apoio entre pares com antecedência e guarda só dados agregados.
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Histórias reais, preparadas e protegidas
Um laboratório que encontra, prepara e protege quem conta a sua experiência, com consentimento informado, opção de anonimato, formação de media e acompanhamento posterior. Na Irlanda, 43% dos eleitores citaram as histórias pessoais nos media como fator da decisão.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando o tema é estigmatizado e o público confia mais em quem viveu a situação do que em políticos ou instituições.
- Não usar quando
- Não funciona expondo pessoas sem preparação nem acompanhamento, ou pressionando quem quer desistir.
- Semana −20 Abrir o laboratório de histórias e escrever as regras de proteção
- Semana −18 Encontrar pessoas dispostas a contar, com consentimento informado e opção de anonimato
- Semana −14 Preparar cada pessoa para os media e para reações hostis
- Semana −10 Levar as histórias à rádio local, à imprensa regional e às sessões públicas
- Semana −6 Telefonar a cada pessoa depois de cada aparição e oferecer apoio
- 1 semana(s) depois Agradecer em público a quem contou e manter o acompanhamento
Equipa
- Storylab: encontra, prepara e protege quem conta
- Imprensa regional: leva as histórias à rádio local e aos jornais da região
- Apoio: acompanhamento entre pares e psicológico, marcado com antecedência
O que medir: Aparições preparadas na rádio local, na imprensa regional e em sessões públicas com o telefonema de acompanhamento feito depois; a meta é acompanhar todas, não multiplicar histórias.
Riscos a vigiar: Concentrar tudo nos casos mais duros sai caro a quem conta e estreita a mensagem: diversifica as histórias, deixa desistir a qualquer momento e nunca publiques sem consentimento.
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Angariação de arranque com meta pública
O primeiro grande pedido de donativos, cedo e com meta pública, é também a primeira prova de força, com cada donativo verificado antes de ser aceite. Na Irlanda, a angariação de lançamento pediu 50 mil euros e juntou cerca de meio milhão numa semana; a campanha chegou a 1,6 milhões de euros.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando há uma base com raiva acumulada e vontade de agir, e a lei dos donativos é clara.
- Não usar quando
- Não funciona sem a estrutura de conformidade pronta: um donativo de origem proibida pode custar mais do que vale.
- Semana −14 Montar a estrutura financeira e de conformidade, com pessoas experientes
- Semana −12 Desenhar uma única base de dados para doadores e voluntários
- Semana −10 Lançar a angariação no dia do lançamento, com meta pública e modesta
- Semana −10 Verificar cada donativo antes de aceitar e recusar os que a lei proíbe
- Semana −9 Usar o primeiro dinheiro em cartazes e materiais visíveis, e dizê-lo
- Semana −6 Abrir loja e eventos com peças de identidade que as pessoas queiram usar
Equipa
- Angariação: área estratégica, com pessoas experientes
- Conformidade: verifica a elegibilidade de cada donativo
- Base de dados: junta doadores e voluntários num só lugar
O que medir: Doadores que também se inscreveram para um turno de porta a porta ou um evento, em proporção ao total de doadores: quem dá dinheiro pode dar tempo.
Riscos a vigiar: Um único donativo proibido torna-se notícia: verifica antes de aceitar, diz quem paga cada anúncio e não aceites dinheiro do estrangeiro onde a lei o proíbe.
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Plano de voto com lembrete consentido
Na reta final, o eleitor escolhe a hora e a forma de ir votar e recebe um lembrete só se o pediu; quem está fora volta para votar ou telefona à família. Na Irlanda, o Make a Plan saiu sete dias antes, com SMS na manhã da votação, e o #HomeToVote trouxe emigrantes de volta para votar.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona nos últimos dez dias, quando o apoio já existe e o risco é a abstenção de quem concorda.
- Não usar quando
- Não funciona com listas sem consentimento nem substitui o porta a porta: o lembrete só chega a quem já se inscreveu.
- Semana −4 Preparar a ferramenta de plano de voto e o lembrete por SMS com consentimento
- Semana −1 Lançar o plano de voto sete dias antes, em todos os canais
- Semana −1 Publicar vídeos curtos sobre como e onde votar
- Semana −1 Fazer canvass de visibilidade em estações e rotundas à hora de ponta
- Semana −1 Mobilizar quem está fora: voltar para votar ou telefonar à família em casa
- Semana do dia D Enviar o lembrete na manhã da votação só a quem se inscreveu
Equipa
- Mobilização: lança o plano de voto e organiza o canvass de visibilidade
- Lista e SMS: guarda os consentimentos e envia o lembrete
- Quem está fora: organiza o regresso para votar ou os telefonemas para casa
O que medir: Pessoas que fizeram um plano de voto (hora e forma) e confirmaram depois que votaram, em proporção aos planos feitos.
Riscos a vigiar: Mensagens a quem não as pediu violam a proteção de dados e queimam a campanha: só lembra quem se inscreveu, diz como sair da lista e confirma a informação de voto na fonte oficial.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a direção
Seis momentos da campanha de 2018. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano em 5 fases
A sequência da Together for Yes, desde meses antes até ao dia da votação, como lista de verificação.
A sequência da Together for Yes, desde meses antes até ao dia da votação, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Antes da campanha (meses antes)
Fase 1: Informar e envolver (4 semanas)
Fase 2: Persuadir e motivar (6 semanas)
Fase 3: Mobilizar o voto (10 dias)
Dia da votação e depois
Regras
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha.
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha.
- Proteger quem conta a sua história
- Consentimento informado, opção de anonimato, preparação para a comunicação social e acompanhamento depois. A pessoa pode desistir a qualquer momento.
- Donativos às claras
- Verifica a elegibilidade de cada donativo antes de o aceitar e recusa os que a lei proíbe. Na Irlanda, a campanha mantinha contacto regular com a SIPO.
- Publicidade identificada
- Diz quem paga cada anúncio. Na União Europeia, o Regulamento (UE) 2024/900 exige em cada anúncio político pago um rótulo que diga quem o patrocina e um aviso de transparência, e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis; noutros países, aplica-se a lei eleitoral local. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
- Dados do porta a porta
- Regista as opiniões de forma agregada ou anónima, como fez o Canvass Together. As opiniões sobre saúde e política são dados sensíveis segundo o RGPD e a LGPD.
- Só gente real
- Nada de perfis falsos, avaliações em massa ou denúncias coordenadas. A In Her Shoes foi alvo de avaliações negativas e denúncias em massa. Não o faças a ninguém.
- Factos com fonte
- Respostas a argumentos médicos e jurídicos preparadas por especialistas e verificáveis. Sem exageros, sem insinuações.
- Respeito à porta
- Quem diz Não recebe um obrigado. Ninguém insiste, ninguém grita.
- Segurança de quem vai às portas
- Ir aos pares, ter um contacto de referência e um protocolo para situações de abuso. Em 2015 e em 2018 houve agressões verbais a voluntários.
- Cuidar da equipa
- Apoio entre pares e acompanhamento psicológico. A avaliação de 2018 aponta o abuso, a misoginia e o esgotamento entre os principais desafios.
- Lei local
- Prazos de recenseamento eleitoral, regras para cartazes e limites de despesas e de donativos mudam de país para país. Confirma com um advogado antes de começar.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não converte quem já decidiu
- 75% dos eleitores disseram que sempre souberam como iam votar. O método serve para ganhar a fatia condicional e para mobilizar; não muda convicções firmes em dez semanas.
- Não se improvisa em 68 dias
- Por trás da vitória estavam seis anos de grupos locais, estudos desde 2016, uma Assembleia de Cidadãos e a experiência do referendo de 2015.
- Tem custos internos
- A disciplina de mensagem deixou de lado a linguagem dos direitos, deu muito peso aos chamados casos difíceis (cerca de metade das histórias do Storylab) e limitou a diversidade dos porta-vozes.
- O acesso ficou por garantir
- A lei que veio depois manteve, por exemplo, um período de reflexão de três dias que Gráinne Griffin critica como barreira ao acesso.
- A sede não chega a todo o lado
- Grupos rurais ficaram semanas sem cartazes e sem resposta. A avaliação conclui que faltou gente a tempo inteiro para eventos, comunicação social regional e relação com os grupos.
- O porta a porta cobra caro a quem o faz
- Falar de um tema íntimo e estigmatizado com desconhecidos trouxe abusos e misoginia. Sem apoio, as pessoas esgotam-se.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Para ir mais longe
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.
- Public Narrative
As 15 aulas em vídeo de Marshall Ganz sobre narrativa pública (história de si, de nós e do agora), com exemplo e técnicas de coaching. Serve para formar porta-vozes e voluntários.
- Mobilizing stories into action: The power of public narrative
Webinar sobre como transformar histórias pessoais em convite à ação. Útil para preparar oficinas de narrativa com a equipa; requer conta gratuita.
- Steps in a One-on-One Organizing Conversation
Guião passo a passo da conversa individual de organização: como convidar alguém, descobrir motivações e fazer um pedido concreto. Usa para treinar voluntários.
Mais 3
- Supporter Engagement
Onde encontrar novos apoiantes, como envolvê-los e mantê-los, com uma lista de táticas práticas.
- Winning Words: Create messages that don't miss
Harvey McKinnon, especialista em angariação, mostra como escrever mensagens que levam à ação, com exemplos de antes e depois. Usa ao rever e-mails e apelos.
- The Power of Moral Language for Mobilisation
Experiência do Campaign Lab sobre se a linguagem moral faz simpatizantes passarem a ativistas. Útil para testar apelos ao voluntariado.
Fontes
Este playbook foi construído sobretudo com a avaliação oficial encomendada pelas codiretoras da Together for Yes, entrevistas de…
Este playbook foi construído sobretudo com a avaliação oficial encomendada pelas codiretoras da Together for Yes, entrevistas de organizadoras e organizadores, os dados oficiais e a sondagem à boca das urnas da RTÉ, e reportagens publicadas entre março de 2018 e 2023. Todas as páginas foram consultadas a 26 de outubro de 2026.
39 fontes
Quem fez
- Together for Yes / NWCI: Learning from the 2018 Together for Yes Campaign (avaliação oficial, por Michael Barron) estudo feito no fim de 2018
- Orpen Press: It's a Yes! How Together for Yes Repealed the Eighth
- Democracy Now!: Gráinne Griffin e Annie Hoey, ativistas por trás da vitória 29 mai. 2018
- Grazia: Gráinne Griffin sobre a campanha
- New Economics Foundation: Karen Hand, Together, they say yes 13 fev. 2023
- Words to Win By: Together for Yes, com Ailbhe Smyth 20 ago. 2019
- Abortion Rights Campaign: Let's Talk About: Canvassing 5 abr. 2018
- Abortion Rights Campaign: Clare Canvassing Training 7 abr. 2018
- Abortion Rights Campaign: Repealing the 8th campaign, 2018 (relato de uma voluntária de Offaly) mai. 2020
- New Island: Erin Darcy, In Her Shoes: Women of the Eighth 2020
- Fusio: Together for Yes (site da campanha)
- HeadStuff: Sparking Change #42: Together for Yes at the Intercontinental 30 mai. 2018
- Village Magazine: Gráinne Healy, 62%: What we did and why 9 jul. 2015
- Irish Academic Press: Ireland Says Yes (Healy, Sheehan, Whelan) nov. 2015
- TheJournal.ie: Excerto de Ireland Says Yes nov. 2015
Dados
- RTÉ / Behaviour & Attitudes: Sondagem à boca das urnas do referendo, 25 de maio de 2018 25 mai. 2018
- Wikipedia: Thirty-sixth Amendment of the Constitution of Ireland (resultados oficiais)
- Wikipedia: HomeToVote
- Wikipedia: Annie Hoey
- Today FM: 47% in favour of repealing 8th amendment (Irish Times / Ipsos MRBI) 20 abr. 2018
Imprensa
- Southern Star: Livro de autora de Bantry conta a história do referendo 24 nov. 2019
- Image.ie: Página pró-escolha visada por ativistas antiaborto 5 abr. 2018
- The Irish Times: How the tide turned against saving the Eighth 27 mai. 2018
- The Irish Times: Repeal campaign seeks to follow marriage equality example 23 mar. 2018
- Irish Examiner: How they did it: behind the scenes of how the Eighth was repealed 2 jun. 2018
- TheJournal.ie: Canvassing for hearts, minds and votes in the Dublin commuter belt 21 abr. 2018
- TheJournal.ie: Why emigrants are coming home to vote 24 mai. 2018
- TheJournal.ie: Together for Yes na lista Time 100 abr. 2019
- Amnesty International: Why Ireland's emigrants are coming home mai. 2018
- IrishCentral: Will you be traveling #HomeToVote? 23 mai. 2018
- Global News: #HomeToVote: Irish ex-pats fly home 24 mai. 2018
- PinkNews: The #HomeToVote hashtag 25 mai. 2018
- Connaught Telegraph: Together for Yes Mayo campaign up and running 9 abr. 2018
- Limerick Leader: Limerick Together for Yes reacts to referendum win 28 mai. 2018
Análise
- Commons Library: Brave New Words: Together for Yes 26 set. 2019
- Maynooth University: Campaigning for Choice: Canvassing as Feminist Pedagogy in Dublin Bay North 2019
- Act Build Change: Resumo de Ireland Says Yes 23 mai. 2018
- University of Cambridge: Social media experiment reveals potential to ‘inoculate’ millions of users against misinformation (Roozenbeek et al., Science Advances) 2022-08
- American Political Science Review: Kalla & Broockman, Reducing Exclusionary Attitudes through Interpersonal Conversation: Evidence from Three Field Experiments 2020-05
Imagem: Katenolan1979, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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