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Bernie Sanders em 2016

Estados Unidos · 2016–2020

Big Organizing

Em 2016, uma equipe pequena da campanha de Bernie Sanders entregou o contato com eleitores a centenas de milhares de voluntários. Sanders perdeu; o modelo atravessou fronteiras. Veja como funciona.

Uma homenagem a Becky Bond, Zack Exley, Claire Sandberg, à equipe de organização distribuída e aos voluntários de Sanders. Projeto independente, sem ligação a eles, a partidos ou a campanhas.

Em 30 segundos

  1. 75 M ligações de voluntários em 2016. Sanders começou 2015 com cerca de 3% de reconhecimento, segundo Becky Bond, e perdeu as primárias de 2016 e 2020.

  2. Plano central e público, reuniões de massa que terminam com equipes e tarefas marcadas, e voluntários fazendo trabalho de staff com discador web, SMS e Slack.

  3. Peça algo grande, mantenha a estratégia no centro, distribua o trabalho e trate voluntários como líderes. A lição viajou para Reino Unido, Texas, Espanha e Canadá.

Os primeiros passos

  1. Escrever o plano para ganhar, com números, numa página
  2. Confirmar com um advogado as regras de contato, dados e doações
  3. Abrir a página de adesão com consentimento

Experimente agora Adapte com o coach

Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos

Quem fez

O modelo foi montado por uma equipe que começou à margem da campanha e contou a sua história em livro, entrevistas e balanços.

O modelo foi montado por uma equipe que começou à margem da campanha e contou a sua história em livro, entrevistas e balanços. Muitos levaram depois o método para outras campanhas.

  • Becky Bond

    Assessora sênior da campanha de 2016; coautora de Rules for Revolutionaries

    Desenhou o programa nacional dirigido por voluntários e depois o levou para a campanha de Beto O'Rourke no Texas, em 2018.

    Fontes
  • Zack Exley

    Assessor sênior da campanha de 2016; coautor de Rules for Revolutionaries

    Propôs os barnstorms, recrutou a equipe distribuída e cofundou os Justice Democrats em 2017.

    Fontes
  • Claire Sandberg

    Diretora de organização digital (2016); diretora nacional de organização (2020)

    Liderou o programa distribuído nas duas campanhas, inventou a inscrição dos anfitriões na própria reunião e treinou Podemos e Momentum.

    Fontes
  • Corbin Trent

    Organizador da equipe distribuída (2016)

    Cozinheiro do Tennessee que vendeu os food trucks para organizar a tempo inteiro e afinou o formato do barnstorm.

    Fontes
  • Saikat Chakrabarti

    Programador voluntário, depois diretor de tecnologia de organização (2016)

    Construiu o fluxo de fotos e digitação das folhas de inscrição e cofundou os Justice Democrats.

    Fontes
  • Zack Malitz

    Organizador da equipe distribuída (2016); diretor de campo de Beto O'Rourke (2018)

    Coordenou barnstorms dirigidos por voluntários e montou o toolkit digital aberto da campanha de O'Rourke.

    Fontes
  • Tim Tagaris

    Diretor de captação digital (2016)

    Fez das pequenas doações online o centro da campanha depois de um primeiro dia acima do previsto.

    Fontes
  • Faiz Shakir

    Diretor de campanha (2020)

    Dirigiu uma campanha de cerca de 200 milhões de dólares e 1.100 pessoas e falou depois das decisões que faria de outra forma.

    Fontes
  • Revolution Messaging (Scott Goodstein)

    Agência digital da campanha de 2016

    Contratada em maio de 2015 para redes sociais, organização online, captação online, design do site e publicidade digital. O fundador, Scott Goodstein, tinha sido diretor online externo de Obama em 2008.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

O que os organizadores disseram sobre o método, em paráfrase ou em citações curtas.

O que os organizadores disseram sobre o método, em paráfrase ou em citações curtas.

Mais 6 citações

A história

Em 2016 a campanha correu em dois trilhos: campo tradicional com staff pago nos primeiros estados e, à margem, uma experiência de…

Em 2016 a campanha correu em dois trilhos: campo tradicional com staff pago nos primeiros estados e, à margem, uma experiência de organização distribuída para todos os outros. Quando o entusiasmo explodiu, a experiência virou a máquina de contato com eleitores.

75 M
ligações de voluntários em 2016, segundo Bond e Exleydado da campanha
~1.000
barnstorms em 2016, cerca de 650 dirigidos por voluntáriosdado da campanha
US$ 27
doação média em janeiro de 2016dado da campanha
88 M
SMS enviados pela campanha de 2020 até o fim de 2019dado da campanha

De 2015 a 2020

  1. jul. 2015Exley e Sandberg entram na campanha. Mais de 100 mil apoiadores se reúnem em 3.500 eventos.
  2. out. 2015Primeira volta de barnstorms no Tennessee. Entre 10% e 20% se oferecem para ser anfitriões, mas quase ninguém realiza o evento prometido.
  3. dez. 2015Num retiro em Seattle, Sandberg propõe ligar anfitriões e participantes na própria reunião. Em janeiro, em Asheville (Carolina do Norte), nasce a folha de papel.
  4. 9 fev. 2016Sanders vence New Hampshire com 60,4%. Nas 18 horas seguintes ao fechamento das urnas, a campanha arrecada mais de 5,2 milhões de dólares.
  5. 8 mar. 2016Michigan: com pesquisas mostrando 20 pontos de desvantagem, as equipes relatam quase 3 milhões de ligações na última semana. Sanders vence por cerca de 1,5 ponto.
  6. 13 mar. 201636 milhões de ligações acumuladas, mais de 1 milhão por dia; 600 barnstorms e 22 mil phone banks feitos por voluntários.
  7. jun.–jul. 2016Clinton se torna a candidata presumida, com 54% dos delegados eleitos. Sanders declara apoio a ela em 12 de julho.
  8. 2017–2018O modelo se espalha: Momentum no Reino Unido, Justice Democrats e Ocasio-Cortez em Nova Iorque, Beto O'Rourke no Texas.
  9. 27 abr. 2019Segunda campanha: quase 5.000 eventos de lançamento num dia e estreia do app BERN. Sandberg passa a dirigir toda a organização.
  10. fev.–abr. 2020Sanders lidera o voto popular em Iowa, New Hampshire e Nevada, perde a partir da Superterça e suspende a campanha em 8 de abril.

Três camadas

O programa distribuído funcionava ao lado de duas outras camadas.

  • Campo tradicionalStaff pago e escritórios nos primeiros estados. Em 2020 já eram mais de 800 funcionários, 250 deles em Iowa.
  • Organização distribuídaUma equipe pequena com plano, roteiros e ferramentas, e voluntários que faziam o resto: barnstorms, phone banks, SMS, porta a porta.
  • Ecossistema autônomoGrupos de Facebook, Reddit, programadores voluntários e sites como o FeeltheBern.org, feito por 125 voluntários em 32 dias, sem a campanha.
O que não se sabe. Os números variam entre fontes: Bond e Exley falam de 75 milhões de ligações e 8 milhões de SMS em 2016; Sandberg fala de 85 milhões de ligações.

Nenhum estudo publicado isola o efeito do programa nos votos, e a vitória em Michigan teve muitas causas. O modelo não ganhou a indicação em 2016 nem em 2020.

O terreno

As primárias americanas votam estado a estado durante meses.

As primárias americanas votam estado a estado durante meses. A campanha de Sanders tinha staff em poucos estados no início e precisava de chegar aos outros sem dinheiro de grandes doadores nem super PACs.

Plataformas

Discador web
Qualquer voluntário ligava de casa para eleitores de outro estado, com roteiro na tela. Funcionava porque os EUA têm listas eleitorais com telefone e uma cultura de phone bank.
SMS de pessoa para pessoa
Voluntários enviavam mensagens uma a uma (em 2016 com a Hustle) e respondiam às conversas. Serviu para levar gente a phone banks e porta a porta.
Slack
O espaço “Bernie Builders” reunia milhares de voluntários com papéis nacionais, ao lado do staff, nos mesmos canais. Em 2020 ainda era por lá que circulavam os memorandos para os voluntários de topo.
Grupos de Facebook e Reddit
Cerca de 200 grupos com mais de 358 mil membros em março de 2016 e um subreddit com mais de 500 mil inscritos. Nasceram fora da campanha, que não os controlava.
E-mail e doações online
A lista de e-mail era a espinha da captação: milhões de pequenas doações pela plataforma ActBlue, com média de 27 dólares em janeiro de 2016, recusando dinheiro de super PACs.
App BERN (2020)
Voluntários procuravam amigos e vizinhos no cadastro eleitoral e registravam o apoio de cada um; os dados entravam na base de dados da campanha. Já a conversa era pessoal.

Condições locais

  • Calendário longo de primárias e caucus, estado a estado, com dezenas de estados sem staff no início.
  • Listas eleitorais públicas ou compráveis, com telefone, e regras que permitem ligações e SMS enviados por pessoas.
  • Candidato com cerca de 3% de reconhecimento no início, segundo Becky Bond, e sem super PACs: a campanha dependia de pequenas doações.
  • Uma base jovem, conectada e disposta a trabalhar de graça, incluindo programadores que construíram ferramentas.
  • O establishment do partido e a maior parte dos apoios institucionais estavam com a adversária.

O método

Becky Bond e Zack Exley destilaram a experiência em 22 regras no livro Rules for Revolutionaries (2016).

Becky Bond e Zack Exley destilaram a experiência em 22 regras no livro Rules for Revolutionaries (2016). Em 2020, Claire Sandberg manteve a base e acrescentou papéis de liderança e a organização entre amigos.

Três frentes

Pedir algo grande
Um plano para ganhar, contado com números, e um pedido à altura: não “colem cartazes”, mas “organizem um phone bank todas as semanas”.
Plano central, trabalho distribuído
A equipe central define a estratégia, as metas, os roteiros e as ferramentas. As tarefas vão para equipes de voluntários que trabalham onde e quando podem.
Contato real com eleitores
O entusiasmo vira conversas: ligações, SMS respondidos por pessoas, porta a porta e, em 2020, conversas com amigos e vizinhos registradas num app. Com listas escolhidas pelo plano (estados que votam em seguida, apoiadores que podem faltar, indecisos que votam), não pelo voluntário.

O ciclo do barnstorm

Cada região nova entrava na campanha pelo mesmo ciclo, repetido centenas de vezes, primeiro por staff e depois por voluntários.

  1. Convidar E-mail e SMS para todos os apoiadores de uma cidade: venham conhecer o plano para ganhar.
  2. Explicar o plano Na reunião, a estratégia, a teoria da vitória e porque o que conta agora é falar com eleitores, não distribuir panfletos.
  3. Pedir anfitriões Quem vai organizar um phone bank ou uma saída de porta a porta? Os voluntários se levantam e se apresentam em uma ou duas frases.
  4. Inscrever na hora Cada anfitrião recebe uma folha com o seu nome; os outros se inscrevem em uma delas. Ninguém sai sem tarefa marcada.
  5. Executar Phone banks em casa com o discador, SMS, porta a porta. Na primeira sessão já se fala com eleitores.
  6. Registrar As folhas são fotografadas e enviadas; outros voluntários digitam os dados para a campanha acompanhar os eventos.
  7. Promover Quem cumpre assume mais: lidera a equipe, faz a próxima reunião, dá suporte no Slack.
  8. Repetir Os novos líderes fazem barnstorms noutras cidades. O ciclo recomeça maior.

E recomeça.

Toolkit

As pessoas, ferramentas e palavras de que você precisa para usar o modelo numa candidatura, num sindicato ou numa causa.

As pessoas, ferramentas e palavras de que você precisa para usar o modelo numa candidatura, num sindicato ou numa causa.

Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Em 2016 a campanha evitou dar títulos aos voluntários; em 2020 criou papéis com compromisso de horas, treino e coach. Os dois modelos funcionaram, mas o segundo deu mais previsibilidade.

Equipe mínima

Núcleo central
Poucas pessoas pagas que escrevem o plano, as metas, os roteiros e o toolkit. Não fazem o trabalho: preparam quem o faz.
Quem faz barnstorms
Organizadores que viajam ou fazem videochamadas para abrir regiões novas. Primeiro staff, depois voluntários treinados.
Anfitriões
Voluntários que organizam phone banks, saídas de porta a porta ou reuniões em casa todas as semanas.
Equipes nacionais de voluntários
Respondem e-mails e mensagens, dão suporte ao discador por chat, carregam as listas diárias de SMS e digitam as folhas.
Equipe de SMS
Em 2016, cerca de 1.200 voluntários enviavam mensagens uma a uma e respondiam às conversas.
Tecnologia voluntária
Programadores que ligam ferramentas comerciais entre si e constroem o que falta, como o mapa de eventos.
Capitães (modelo 2020)
Voluntários com 10 horas por semana, uma hora de treino semanal, 30 minutos com um coach e um compromisso assinado.

Ritmo

  1. Todos os diasListas novas carregadas no sistema de SMS, discador aberto, suporte por chat. Na reta final de 2016, mais de 1 milhão de ligações por dia.
  2. Toda semanaPhone bank ou porta a porta de cada equipe local; treino e conversa com o coach para os capitães.
  3. Em cada região novaBarnstorm: plano, anfitriões, inscrições. Antes da votação local, não depois.
  4. Em cada faseUma chamada nacional com o candidato e um pedido concreto. Em agosto de 2019, 7.000 pessoas numa chamada criaram 1.600 reuniões em casa em menos de um minuto.

Comece cedo. Em 2016 a maior parte da equipe distribuída só foi contratada em janeiro e só 1 milhão das ligações estava feito até Iowa.

Plano B

  • Um documento central (toolkit) que responde às perguntas de sempre e que todos consultam.
  • Papel quando a tecnologia falha: a folha de inscrição funcionou melhor do que qualquer formulário.
  • Acessos partilhados com limites claros: mais de uma pessoa sabe operar cada ferramenta.
  • Ferramentas que a campanha não controla (grupos, servidores) com regras de convivência escritas desde o início.
  • Um plano para entregar a rede a uma organização depois da eleição.

Tecnologia

A regra 21 do livro: ponha software comercial e barato no centro e use código próprio só para ligar as peças.

  • Página de adesão e lista de e-mailGrátis a dezenas de euros/mês

    Cadastro de apoiadores com consentimento; é dela que saem os convites para barnstorms e os pedidos de doação.

  • Mapa de eventosGrátis a baixo custo

    Qualquer anfitrião publica o seu evento e qualquer pessoa encontra o mais próximo. Em 2016 foi construído por voluntários.

  • Discador webPago por minuto ou por licença

    Ligações de casa com roteiro na tela e registro de respostas. Ferramentas como CallHub ou ThruTalk fazem isto hoje.

  • SMS de pessoa para pessoaPago por mensagem

    Um voluntário envia cada mensagem e responde a quem responde. Só para listas legais e com consentimento onde a lei o exige.

  • Slack ou DiscordGrátis no plano básico

    Canais por equipe e por tarefa, staff e voluntários no mesmo espaço. Onde o WhatsApp ou o Telegram dominam, comunidades com subgrupos.

  • Chamadas e transmissõesGrátis a baixo custo

    Chamadas nacionais com milhares de pessoas, enquetes ao vivo para saber quem vai ser anfitrião, transmissões do candidato para reuniões em casa.

  • App de organização entre amigosDesenvolvimento próprio ou licença

    Cada voluntário lista amigos e vizinhos e registra o apoio deles. Exige regras fortes de privacidade.

  • Planilhas e quadros partilhadosGrátis

    Google Sheets, Docs e Trello para o toolkit, o registro de eventos e a digitação das folhas.

  • Doações onlineComissão por transação

    Página de doação simples, ligada a cada e-mail e evento. Pedidos pequenos e frequentes.

Guias rápidos por canal

Colunas do registro

Data · Tipo de evento (barnstorm, phone bank, porta a porta, reunião em casa) · Anfitrião · Inscritos · Compareceram · Ligações, SMS ou portas · Conversas reais · Novos anfitriões · Próximo evento marcado

O software é barato; o caro são os minutos de ligação, as mensagens e o staff que prepara os voluntários. Em 2020 a campanha pediu a voluntários de estados que votavam em março que trocassem o telefone por porta a porta e conversas com amigos, também por causa do custo de milhões de ligações e SMS.

Comunicação

O tom é de convite sério para um trabalho grande. A promessa não é “ajude como puder”: é “isto é o que falta para ganhar, e precisamos de você para isto”.

A fórmula do pedido

  1. O plano Como se ganha, em uma ou duas frases e um número.
  2. O que falta Quantas conversas, quantas portas, quantos anfitriões.
  3. O pedido Uma tarefa concreta e grande: organizar, não só aparecer.
  4. Quando e onde Dia, hora e lugar, ou o link do discador.
  5. Com quem O anfitrião e a equipe: ninguém trabalha sozinho.
  6. Compromisso na hora Inscrição imediata, com nome, à frente dos outros.
  7. Seguimento Lembrete antes do evento e agradecimento com o resultado depois.

Regras de escrita e de conversa

  • Diga o plano com honestidade. Quanto mais as pessoas sabem do que é preciso, mais conseguem ajudar.
  • Conversa real, nunca gravação: quem liga ou escreve é uma pessoa que ouve e responde.
  • Comece pela sua história: porque você está nisto. A campanha de 2020 pôs histórias pessoais nos roteiros e nas portas.
  • Persuadir quem não vota também é persuasão: muitos não votam porque ninguém lhes deu uma razão.
  • Roteiros simples e reutilizáveis, que um voluntário novo aprende em minutos.
  • Fale com quem pensa diferente sem brigar. A conversa amigável vale mais do que a discussão online.
  • A luta contra o racismo está na mensagem para todos, não num capítulo à parte.
  • Celebre os números da equipe: eventos feitos, conversas, novos anfitriões.

Exemplo

Oi, Ana! Aqui é o Pedro, voluntário da campanha em Campinas. Para ganhar precisamos de 40 mil conversas com eleitores até dia 30, e estamos em 12 mil. Na quinta, às 19h, fazemos uma reunião para formar as equipes da cidade: explicamos o plano e cada um sai com um phone bank marcado. Você vem? Responda SIM e eu te mando o endereço. Para sair da lista, responda SAIR.

Levar para o seu contexto

O modelo foi pensado para primárias americanas, mas já foi adaptado ao Reino Unido, à Espanha, ao Canadá e a campanhas estaduais.

O modelo foi pensado para primárias americanas, mas já foi adaptado ao Reino Unido, à Espanha, ao Canadá e a campanhas estaduais. As ferramentas e as listas mudam com a lei e a cultura.

Funciona em qualquer lugar

  • Um plano para ganhar, público e com números, que os voluntários conhecem.
  • Reuniões de massa que terminam com equipes formadas e eventos marcados.
  • Voluntários fazendo trabalho de staff, com acesso e responsabilidade definidos.
  • Um documento central que responde às perguntas e é atualizado por todos.
  • Pequenas doações como base financeira e como forma de participação.
  • Começar a construir meses antes da data que conta.
  • Proteger a cultura do grupo: lidar com quem domina e afasta os outros.

Depende do contexto

Cadastro eleitoral com telefone
Nos EUA as campanhas acessam listas eleitorais com contatos. Na União Europeia e no Brasil, use só listas próprias com consentimento e a conversa entre amigos e vizinhos.
Ligações e SMS a desconhecidos
Onde a lei proíbe contato não solicitado (RGPD, ePrivacy, LGPD), troque por ligações a apoiadores inscritos, porta a porta e mensagens pessoais a quem você conhece.
Slack
Onde o WhatsApp ou o Telegram dominam, use comunidades com grupos por equipe e um canal de avisos; Discord para bases jovens.
Calendário de primárias estado a estado
Em sistemas com círculos ou distritos, aponte voluntários para os lugares disputados, como o site “My Nearest Marginal” do Momentum em 2017.
Pequenas doações online
Confirme limites, identificação de doadores e proibição de doações estrangeiras. Onde há financiamento público, as doações valem sobretudo como compromisso.
Barnstorm presencial
Em territórios grandes ou com pouca gente, faça por videochamada, com enquete ao vivo, para saber quem será anfitrião.

Jogadas para levar

Escolha as jogadas que cabem na sua campanha e adicione-as ao seu kit para combinar com jogadas de outros playbooks.

Escolha as jogadas que cabem na sua campanha e adicione-as ao seu kit para combinar com jogadas de outros playbooks.

  1. Pedir algo grande com um plano público

    A campanha contava aos voluntários o plano para ganhar, com números, e pedia uma tarefa à altura: organizar um phone bank todas as semanas, não colar cartazes. Em 2016, os voluntários fizeram cerca de 75 milhões de ligações.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando há entusiasmo real por uma causa ou candidatura e uma meta que se pode contar (conversas, portas, anfitriões).
    Não use quando
    Não serve sem entusiasmo prévio nem com um plano que você não pode revelar: um pedido grande sem números honestos soa a exploração.
    1. Semana −14 Escrever o plano para ganhar numa página, com o número de conversas necessário
    2. Semana −13 Testar você mesmo cada ação antes de pedi-la aos voluntários
    3. Semana −13 Escrever roteiros simples de ligação, porta a porta e mensagem
    4. Semana −12 Publicar o plano e o contador do que falta em todos os canais
    5. Semana −8 Fazer uma chamada nacional com um pedido concreto a cada fase
    6. Semana −4 Atualizar o contador toda semana e celebrar os números da equipe
    7. 1 semana(s) depois Agradecer com o resultado e anunciar o que acontece depois

    Equipe

    • Núcleo central: escreve o plano, as metas e os roteiros
    • Porta-voz do plano: explica o pedido nas chamadas e reuniões
    • Dados: atualiza o contador do que falta

    O que medir: Conversas reais feitas em relação à meta do plano, com a distância semanal até ela.

    Riscos a vigiar: Metas abusivas queimam voluntários: peça muito, mas com honestidade, sem pressionar ninguém e sem usar voluntários no lugar de trabalho que a lei manda pagar.

  2. Barnstorm que termina com equipes formadas

    Reuniões de massa em que se explica o plano, voluntários se levantam para ser anfitriões e todos saem inscritos na folha de alguém. Em 2016 houve cerca de mil barnstorms, uns 650 dirigidos por voluntários.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona para abrir regiões sem staff, quando há apoiadores inscritos na zona e semanas antes da votação local.
    Não use quando
    Não funciona depois que a região votou nem se ninguém sai com evento marcado: em 2015, sem a folha na hora, quase nenhum anfitrião fez o evento prometido.
    1. Semana −11 Convidar por e-mail e mensagem todos os apoiadores inscritos da cidade
    2. Semana −11 Preparar a apresentação do plano em 15 minutos e uma folha por anfitrião
    3. Semana −10 Na reunião, explicar o plano e pedir anfitriões que se apresentem em uma frase
    4. Semana −10 Inscrever cada participante na folha de um anfitrião antes de sair
    5. Semana −10 Fotografar as folhas e registrá-las no mesmo dia
    6. Semana −9 Fazer o primeiro phone bank ou porta a porta de cada equipe na mesma semana
    7. Semana −7 Treinar os novos anfitriões para fazerem barnstorms em outras cidades

    Equipe

    • Quem faz o barnstorm: apresenta o plano e pede anfitriões
    • Anfitriões: organizam um evento por semana
    • Equipe de registro: digita as folhas e acompanha os eventos

    O que medir: Eventos que de fato acontecem na semana seguinte a cada barnstorm, em relação aos marcados na folha, e quantas pessoas aparecem neles.

    Riscos a vigiar: Sem seguimento, a energia se dispersa: registre as folhas no mesmo dia e ligue para cada anfitrião antes do primeiro evento.

  3. Voluntários no trabalho de staff

    Equipes nacionais de voluntários respondiam mensagens, davam suporte ao discador, carregavam listas e digitavam folhas, ao lado do staff no mesmo Slack. Em 2020, capitães com 10 horas por semana, treino e coach deram previsibilidade.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a equipe paga é pequena e há voluntários confiáveis dispostos a assumir horas e responsabilidades definidas.
    Não use quando
    Não dê acesso a dados ou ferramentas sem papel, limites e treino claros, nem dependa de uma só pessoa para operar cada ferramenta.
    1. Semana −14 Criar o documento central (toolkit) que responde às perguntas de sempre
    2. Semana −13 Abrir o espaço de equipes com canais por tarefa e regras de convivência
    3. Semana −12 Listar as tarefas de staff que voluntários podem assumir
    4. Semana −9 Convidar os voluntários mais confiáveis para papéis com horas definidas
    5. Semana −8 Dar treino semanal e um coach a cada líder
    6. Semana −6 Garantir que mais de uma pessoa sabe operar cada ferramenta
    7. Semana −2 Planejar a entrega da rede a uma organização depois da votação

    Equipe

    • Núcleo central: define tarefas, acessos e limites
    • Capitães: assumem horas semanais e uma equipe
    • Coaches: acompanham cada capitão toda semana
    • Moderação: aplica as regras de convivência

    O que medir: Turnos cumpridos por voluntários com papel definido (horas feitas, não prometidas) e quantos papéis têm pelo menos duas pessoas treinadas.

    Riscos a vigiar: Espaços abertos atraem conflitos e assédio: escreva regras de convivência desde o início, com quem as aplique, e não pressione ninguém com metas abusivas.

  4. Conversas com amigos e vizinhos, sistematizadas

    Em 2020, cada voluntário listava amigos e vizinhos, conversava com eles pessoalmente e registrava o apoio num app. Os dirigentes da campanha argumentavam que essas conversas e o porta a porta rendiam mais, e custavam menos, do que o volume de ligações e SMS.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona onde a lei limita o contato com desconhecidos e há voluntários com redes próprias na zona que decide.
    Não use quando
    Não use se não puder proteger os dados: registrar informações de quem não se inscreveu, sem regras claras, é invasivo, e o app BERN foi criticado por isso.
    1. Semana −10 Definir com um advogado que dados podem ser registrados e como
    2. Semana −9 Escolher uma forma de registro com dados mínimos e acesso restrito
    3. Semana −8 Pedir a cada voluntário a lista de amigos e vizinhos com quem vai falar
    4. Semana −8 Treinar a conversa: começar pela própria história, ouvir, convidar
    5. Semana −6 Registrar só o necessário depois de cada conversa
    6. Semana −1 Voltar a falar com quem apoia para lembrar local, hora e transporte
    7. 2 semana(s) depois Apagar os dados que já não são necessários depois da votação

    Equipe

    • Voluntários: falam com a própria rede
    • Coordenação relacional: treina e acompanha as listas
    • Responsável de dados: garante mínimo, consentimento e apagamento

    O que medir: Conversas reais com pessoas da própria rede por voluntário, e quantas terminam num compromisso de voto ou de ajuda.

    Riscos a vigiar: Dados de terceiros e opinião política são sensíveis: minimize, explique o uso, nunca compartilhe contatos e cumpra a LGPD, o RGPD ou a lei local.

Praticar

Treine com as missões e situações do caso.

Decida como a equipe

Seis momentos reais das campanhas de 2016 e 2020. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.

Plano de 12 semanas

A sequência do modelo, organizada como lista de verificação.

A sequência do modelo, organizada como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Semanas 1–2: Fundação

  2. Semanas 3–5: Barnstorms

  3. Semanas 6–8: Equipes em ação

  4. Semanas 9–10: Escalar a liderança

  5. Semanas 11–12: Reta final

Regras

Os voluntários falam com eleitores em nome próprio.

Os voluntários falam com eleitores em nome próprio. Fingir isso, contatar sem licença ou expor dados destrói a confiança e dá armas ao adversário.

Consentimento para contatar
Ligações e SMS só a quem a lei permite. Nos EUA há regras federais sobre SMS e discadores automáticos; na UE, o RGPD e a diretiva ePrivacy; no Brasil, a LGPD e as regras do TSE.
Diga quem fala
Quem liga ou escreve se identifica e identifica a campanha. Sempre com forma de sair da lista.
Dados de amigos com cuidado
Apps de organização entre amigos tocam em dados de quem não se inscreveu. Quando o app BERN foi lançado, críticos o chamaram de invasivo: compilava dados de pessoas que não tinham como sair da base. Minimize dados, explique o uso, não partilhe contatos.
Só gente real
Nada de perfis falsos, bots, contas compradas ou mensagens automáticas fingindo ser pessoas.
Dinheiro às claras
Respeite limites, identificação de doadores e a proibição de doações estrangeiras. Declare tudo.
Voluntariado é voluntário
Não use voluntários para cobrir trabalho que a lei manda pagar e não pressione ninguém com metas abusivas.
Espaço seguro
Regras de convivência escritas, contra assédio e discriminação, com quem as aplique.
Lei local
Na União Europeia, desde outubro de 2025 a Meta não aceita anúncios políticos, eleitorais ou sobre temas sociais, e o Google deixou de veicular publicidade política tal como o regulamento a define. O Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência nos anúncios políticos pagos e só permite segmentação com consentimento explícito e sem dados sensíveis. O trabalho de voluntários e as publicações próprias não pagas ficam de fora. Confirme com um advogado antes de começar. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não ganhou
Sanders perdeu a indicação em 2016, com 46% dos delegados eleitos, e em 2020, depois da Superterça. Organização não substitui apoio eleitoral nos públicos que decidem.
Ligações demais
Dezenas de milhões de ligações e SMS impressionam, mas em 2020 a própria campanha concluiu que conversas entre amigos e porta a porta rendiam mais. Os experimentos dizem o mesmo: o contato de campanha raramente persuade em eleições gerais (Kalla e Broockman), e o que pesa é a qualidade da conversa: pedir um plano de voto aumentou a participação em 4,1 pontos (Nickerson e Rogers).
Começar tarde custa caro
Em 2016 o programa ganhou escala quando os primeiros estados já tinham votado.
Sem estrutura, a energia dispersa
Em 2016 os voluntários não tinham títulos nem papéis de gestão. Em 2020 a campanha criou capitães com horas, treino e coach.
Tensões internas
Houve conflitos entre equipes, como a saída de Sandberg da Our Revolution em 2016, e ex-organizadores pediram depois mais democracia interna e prestação de contas.
Depende do entusiasmo
O modelo amplifica um candidato ou causa que já mobiliza. Sem isso, não há voluntários para distribuir trabalho.
A aposta no novo eleitorado não se confirmou
Em 2020 a estratégia contava com uma onda de jovens e de quem não costumava votar. Depois da Superterça, o próprio Sanders admitiu que não tinha conseguido trazer os jovens como esperava; nas pesquisas de boca de urna, os menores de 30 não passaram de 20% do eleitorado em nenhum dos 14 estados. Uma teoria da vitória baseada em quem não vota tem de ser testada cedo, com dados.

Verificar

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

Cinco perguntas para confirmar o essencial.

1. O que torna um barnstorm diferente de um comício?
2. O que significa “o trabalho é distribuído, o plano é centralizado”?
3. Porque é que, em janeiro de 2020, a campanha pediu a muitos voluntários que parassem de fazer ligações?
4. Qual foi a principal lição de 2016 sobre o calendário?
5. Na Europa ou no Brasil, o que substitui as ligações a listas eleitorais americanas?

Para ir mais longe

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

Materiais gratuitos de organizações que formam organizadores, ligados a este caso.

  • The Mobilisation Cookbook

    Guia · MobLab (Mobilisation Lab) · EN

    Receitas para campanhas de poder popular: como passar de cliques a pessoas que assumem tarefas e lideram. Serve para desenhar a escada de envolvimento.

  • Organizing Guide: People, Power, Change

    Guia · The Commons Social Change Library · EN

    O manual de organização comunitária baseado em Marshall Ganz: relações, narrativa, estrutura de equipes, estratégia e ação.

  • Engagement Pyramid

    Modelo · MobLab (Mobilisation Lab) · EN

    Ferramenta visual para mapear os níveis de envolvimento de um apoiador, da observação à liderança, e planejar como fazê-lo subir.

Mais 4
  • Campaign Strategy Workbook

    Toolkit · Training for Change · EN

    Caderno de exercícios com ferramentas, teoria e modelos para definir objetivos, alvos e escalada de uma campanha. Feito para organizadores e coaches de estratégia.

  • Steps in a One-on-One Organizing Conversation

    Guia · Training for Change · EN

    Roteiro passo a passo da conversa individual de organização: como convidar alguém, descobrir motivações e fazer um pedido concreto. Use para treinar voluntários.

  • Beyond the First Click: How Today’s Volunteers Build Power for Movements and NGOs

    Relatório · MobLab (Mobilisation Lab) · EN

    Pesquisa sobre o que leva voluntários a ficar e crescer em movimentos e ONGs. Leia ao desenhar o caminho do voluntário depois da inscrição.

  • EBOOK: Leading Groups Online

    Livro gratuito · Training for Change · EN

    Livro gratuito sobre facilitar reuniões e formações online onde todos participam: salas, papéis, energia e grupos grandes.

Biblioteca

Fontes

Este playbook foi construído sobretudo com o livro e as entrevistas dos organizadores, comunicados da campanha e reportagens baseadas em…

Este playbook foi construído sobretudo com o livro e as entrevistas dos organizadores, comunicados da campanha e reportagens baseadas em entrevistas com a equipe, consultados em 26 de outubro de 2026.

42 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: Ali Shaker / Voice of America, Public domain (US government work), via Wikimedia Commons

Atualizado em 26 de outubro de 2026

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