Em 30 segundos
3×. A AfD chegou ao TikTok anos antes da CDU; em 2022–2023, os vídeos da sua bancada tiveram em média o triplo das visualizações das restantes juntas.
60–90 segundos. Discursos pensados para serem cortados, muitas contas a republicar e algoritmos que, segundo várias auditorias, recomendaram conteúdo da AfD acima do que o partido publicava.
Formato nativo, constância e distribuição por pessoas reais aprendem-se; perfis falsos, discurso de ódio e publicidade disfarçada, nunca. Para responder: chegar antes, roubar a agenda, denunciar violações.
Como ler este caso
Aqui não há toolkit para copiar. Há a mecânica do que funcionou, as linhas vermelhas que foram cruzadas (e o que custaram) e como responder quando este playbook for usado contra a tua campanha.
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Quem fez
Não foram encontradas entrevistas da equipa digital da AfD a explicar a estratégia em pormenor; a voz dos estrategas vem de declarações…
Não foram encontradas entrevistas da equipa digital da AfD a explicar a estratégia em pormenor; a voz dos estrategas vem de declarações públicas relatadas pela imprensa. O resto do caso foi documentado por investigadores, ONG, jornalistas e tribunais. Esta página não remete para contas do partido nem de extremistas.
Erik Ahrens
Antigo assessor de redes sociais de Maximilian Krah (segundo a imprensa); descrito pelo Institut für Staatspolitik (Instituto de Política do Estado) como motor da campanha de Krah no TikTok
Em palestras e publicações relatadas pela imprensa, comparou o TikTok à rádio dos anos 1920 e disse querer contornar o jornalismo para chegar diretamente aos jovens.
FontesMaximilian Krah
Cabeça de lista da AfD nas eleições europeias de 2024; deputado federal desde 2025
Foi o rosto mais conhecido da AfD no TikTok em 2023–2024, com vídeos de um minuto dirigidos a homens jovens, até a plataforma retirar as suas publicações do feed em março de 2024.
FontesUlrich Siegmund
Cabeça de lista da AfD na Saxónia-Anhalt
O político alemão mais visto no TikTok no verão de 2026: 28 milhões de visualizações entre junho e agosto, 64,5% de tudo o que as contas políticas do estado obtiveram.
FontesJohannes Hillje
Consultor político e de comunicação
Mediu a presença dos grupos parlamentares do Bundestag nas redes de 2022 a 2023 e explicou como a AfD estrutura os discursos para se tornarem cortes no TikTok.
FontesUniversidade de Potsdam e Bertelsmann Stiftung
Roland Verwiebe, Johannes Wolfgram e equipa; Amber Jensen (Bertelsmann)
Auditaram, com 268 perfis simulados, o que o TikTok, o YouTube, o Instagram e o X recomendaram a jovens dos 21 aos 25 anos antes das eleições de 2025, e mantêm o Potsdam Social Media Monitor.
FontesGlobal Witness
ONG de investigação
Testou os feeds Para Ti do TikTok, do X e do Instagram antes das eleições de 2025 e encontrou 78% de conteúdo pró-AfD entre as recomendações partidárias no TikTok.
FontesCORRECTIV
Redação de jornalismo de investigação (Kimberly Nicolaus, Gabriele Scherndl e equipa de dados)
Identificou 60 perfis falsos que se faziam passar pela AfD no TikTok antes das eleições na Saxónia e na Turíngia; quase todos desapareceram um dia depois do contacto com a plataforma.
FontesMarcus Bösch (Friedrich-Ebert-Stiftung)
Investigador de propaganda no TikTok, HAW Hamburg
Analisou a campanha europeia de 2024 no TikTok e mostrou que mais vídeos não significaram mais alcance e que os vídeos mais vistos sobre Krah vinham de contas não oficiais.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Paráfrases de declarações de estrategas, relatadas pela imprensa, e conclusões de investigadores.
Paráfrases de declarações de estrategas, relatadas pela imprensa, e conclusões de investigadores. Citações curtas entre aspas e traduzidas. Os slogans que atacam grupos não são reproduzidos.
Comparou o potencial do TikTok para a AfD à invenção da rádio nos anos 1920 e disse querer saltar o filtro do jornalismo. Questionado no X sobre se queria manipular os jovens, respondeu que sim.
Erik Ahrens, antigo assessor de redes de Krah, Heidelberg24/FR, “Diskursverschiebung per TikTok und Kryptobros”, 13 fev. 2024
Numa palestra no Institut für Staatspolitik, descreveu os 90 minutos diários de TikTok dos jovens como “uma janela para o cérebro” deles.
Erik Ahrens, Jüdische Allgemeine, “In der TikTok-Arena”, 7 mar. 2024
Chamou “censura” à restrição do TikTok e culpou políticos “vermelho-verdes” em Bruxelas; à dpa, confirmou que cinco vídeos seus foram apagados por discurso de ódio.
Maximilian Krah, Leinetal24/dpa, 20 mar. 2024
Há uma afinidade entre os algoritmos e a AfD: mensagens emotivas, polarizadoras e provocadoras são premiadas com mais visibilidade. Deixar o TikTok à AfD foi, para ele, um erro dos partidos democráticos.
Johannes Hillje, consultor político, web.de, “Liebling der Algorithmen”, 21 dez. 2023
Mais 6 citações
Os discursos da AfD no Bundestag são “adequados à plataforma”: passagens curtas e radicais que se cortam em 60 ou 90 segundos, uma transferência direta do plenário para o feed.
Johannes Hillje, Leinetal24, “Doppel-Strategie”, 20 fev. 2024
No TikTok o alcance depende da interação, não dos seguidores: a candidata do SPD publicou 82 vídeos e teve cerca de 1,9 milhões de visualizações; os dez vídeos mais vistos com #Krah somaram cerca de 5 milhões, nenhum de uma conta oficial.
Marcus Bösch, investigador (FES), FES, “Von Reichweite und Algorithmen”, set. 2024
Os algoritmos de recomendação decidem hoje que mensagens políticas chegam sequer aos jovens.
Amber Jensen, Bertelsmann Stiftung, taz, sobre o estudo Univ. Potsdam/Bertelsmann, 5 nov. 2025
Em cerca de 48 mil vídeos da campanha de 2025, a #afd liderou todos os dias; a visibilidade veio sobretudo de utilizadores comuns, apoiantes e críticos, e não das contas do partido.
Jochen Kinast e Franziska Marquart, Universidade de Copenhaga, Communications, mai. 2026 (nota da Univ. de Copenhaga)
Além da conta oficial, a AfD beneficia de um número considerável de contas de fãs não oficiais; os utilizadores de direita veem muita AfD, os de esquerda um leque mais variado.
Mauritius Dorn, ISD Alemanha, ISD, entrevista à BBC, 9 fev. 2025
As redes tiveram um papel, mas não foram o motivo principal do voto jovem: pesaram o custo de vida, a habitação e a preferência por partidos que não governaram.
Jasmin Riedl, politóloga (Univ. da Bundeswehr, Munique), ZDFheute, 24 fev. 2025
A história
Enquanto os outros partidos discutiam se deviam estar numa plataforma de capital chinês, a AfD já publicava com regularidade.
Enquanto os outros partidos discutiam se deviam estar numa plataforma de capital chinês, a AfD já publicava com regularidade. Quando os outros chegaram, o partido tinha anos de vantagem, uma rede de contas a republicar e um formato afinado para o algoritmo.
- 20,8%
- da AfD nas eleições federais de 23 fev. 2025, segundo lugar e 152 deputados (Bundeswahlleiterin)
- 3×
- visualizações médias dos vídeos do grupo parlamentar da AfD no TikTok, jan. 2022–dez. 2023, face às de todos os outros grupos juntos (Hillje)
- 11–12 min
- até um perfil novo ver um vídeo com #afd; o primeiro #spd apareceu após cerca de 70 minutos (Potsdam/Bertelsmann)
- 41%
- dos eleitores dos 18 aos 24 anos votaram AfD na Saxónia-Anhalt a 6 set. 2026 (Infratest dimap, via KAS)
Cinco anos
- ago. 2021–jan. 2022Alice Weidel abre conta no TikTok; a 27 de janeiro de 2022 o grupo parlamentar da AfD no Bundestag faz a sua primeira publicação.
- mai. 2022O TikTok bloqueia a conta oficial do partido sem explicação pública; a AfD fala em censura e o conteúdo passa a circular pelo grupo parlamentar, por políticos e por contas de fãs.
- 2023Entre março e outubro a conta do partido cresce 83%; em janeiro havia 134 contas próximas da AfD. Krah passa a vídeos mais curtos; em setembro, Ahrens é apresentado por Götz Kubitschek na academia de verão do Institut für Staatspolitik, em Schnellroda.
- 19–20 mar. 2024O TikTok retira os vídeos de Krah do feed Para Ti durante 90 dias por violações repetidas; cinco vídeos são apagados por discurso de ódio. A plataforma remove também uma rede de 32 contas inautênticas que empurrava conteúdo pró-AfD e narrativas dos media estatais russos.
- mai.–jun. 2024Krah é proibido de fazer campanha pelo próprio partido depois de declarações sobre as SS a um jornal italiano; mesmo assim, os dez vídeos mais vistos com #Krah somam cerca de 5 milhões de visualizações, todos de contas não oficiais.
- set. 2024Eleições na Saxónia, na Turíngia e em Brandeburgo: AfD com 31% e 38% entre os menores de 25 anos nos dois primeiros estados. A CORRECTIV expõe 60 perfis falsos da AfD com mais de 6 milhões de gostos; quase todos caem num dia.
- 20–23 fev. 2025A Global Witness publica o teste dos feeds (78% pró-AfD no TikTok). Nas eleições, AfD com 20,8% no país; entre os 18 e os 24 anos, Die Linke em primeiro (25–26%) e a AfD em segundo (21%).
- 2 e 8 mai. 2025O Verfassungsschutz classifica a AfD como “comprovadamente extremista de direita”; a AfD recorre aos tribunais e, seis dias depois, o organismo compromete-se a tratá-la apenas como caso suspeito até haver decisão judicial.
- nov. 2025–fev. 2026O estudo de Potsdam e da Bertelsmann mostra a AfD com 21,5% dos carregamentos e 37,4% das recomendações. A 26 de fevereiro de 2026, o Tribunal Administrativo de Colónia proíbe provisoriamente a classificação.
- 6 set. 2026Saxónia-Anhalt: AfD com 43,8% e 39 dos 83 lugares, sem maioria absoluta; 41% entre os eleitores dos 18 aos 24 anos. O seu cabeça de lista tinha sido o político mais visto do TikTok no verão.
Três camadas
O alcance não vinha de uma conta, mas de três camadas que se alimentavam umas às outras, e de quem criticava, que também gerava interação.
- OficialGrupo parlamentar no Bundestag, Alice Weidel, Ulrich Siegmund, Maximilian Krah e muitos deputados e candidatos com conta própria, a publicar com frequência cortes curtos de discursos e comentários sobre a atualidade.
- Fãs e editsContas de fãs, páginas de edição e microinfluenciadores que republicavam e remisturavam, em parte coordenados por Telegram, segundo a FES, inclusive pelo canal “TikTok-Guerilla”, aberto em 2024 por um assessor de Krah, cuja equipa negou ter feito qualquer encomenda. Nesta camada surgiram também perfis falsos que imitavam o partido, documentados pela CORRECTIV e removidos.
- Rede alargadaMedia alternativos, podcasts e influenciadores libertários e misóginos, a organização de juventude e o meio identitário, que repetiam temas e enquadramentos sem estarem formalmente na campanha.
O que não se sabe. Visualizações e hashtags medem visibilidade, não apoio nem votos; vários estudos dizem-no expressamente.
As auditorias usam amostras pequenas (Global Witness: 9 contas, 15 minutos) ou perfis simulados e não conseguem separar o efeito do algoritmo da popularidade real; o TikTok contesta a metodologia e diz não favorecer partidos. Os números do voto jovem vêm de sondagens à boca das urnas de institutos diferentes (FGW, Infratest) e variam um ou dois pontos; os da Saxónia e da Turíngia em 2024 vêm do t-online. Não foram encontradas entrevistas da equipa digital da AfD; as declarações de Erik Ahrens são relatadas pela imprensa, e a sua relação posterior com Krah ou com o partido não foi verificada. A classificação do Verfassungsschutz não é definitiva: o processo principal está pendente em outubro de 2026.
O terreno
A Alemanha tinha cerca de 21 milhões de utilizadores de TikTok, com adolescentes a passar 60 a 90 minutos por dia na plataforma, e partidos…
A Alemanha tinha cerca de 21 milhões de utilizadores de TikTok, com adolescentes a passar 60 a 90 minutos por dia na plataforma, e partidos tradicionais que só criaram contas em 2024. A AfD, já à frente no Facebook e no YouTube, encontrou um terreno quase vazio.
Plataformas
- TikTok (feed Para Ti)
- O feed recomenda vídeos a quem não segue a conta, por isso contas pequenas chegam a milhões. Para a AfD, foi um canal direto para os menores de 25 anos, sem passar pelo filtro do jornalismo.
- Plenário do Bundestag como estúdio
- Discursos com passagens curtas e duras, cortadas em 60–90 segundos e publicadas pelo grupo parlamentar e pelos deputados. O Parlamento dava palco, legitimidade e matéria-prima diária.
- Contas de fãs, páginas de edição e Telegram
- Depois do bloqueio da conta oficial do partido em maio de 2022, segundo a FES, as publicações passaram para contas de fãs coordenadas num grupo de Telegram. Os edits apresentavam Alice Weidel em tom de entretenimento. Na primavera de 2024, logo depois de o TikTok restringir a conta de Krah, um assessor dele abriu no Telegram o canal “TikTok-Guerilla”, que ensinava simpatizantes a produzir e espalhar vídeos virais e, segundo reportagens como a da CORRECTIV, os atraía com sorteios; num canal semelhante, “Guerilla Videos”, havia instruções para ganhar dinheiro com links de afiliados. A AfD disse não ter contacto nem colaborar com o grupo, e a equipa de Krah, que não o encomendou.
- YouTube e Facebook
- Uma análise da Intermate de agosto de 2023 já colocava a AfD à frente no Facebook e no YouTube; na auditoria de Potsdam de 2025, cerca de metade do conteúdo partidário mostrado nas quatro plataformas, YouTube incluído, era da AfD.
- Rede de media alternativos e influenciadores
- Portais como o Nius (até nove vídeos por dia em 2023), podcasts do meio cripto-libertário e microinfluenciadores com milhares a dezenas de milhares de seguidores amplificavam temas e cortes.
- X
- No teste da Global Witness, 64% das recomendações partidárias no X eram pró-AfD; o X não respondeu à investigação.
Condições locais
- Chegada tardia dos outros: Alice Weidel está no TikTok desde agosto de 2021 e o grupo parlamentar da AfD desde janeiro de 2022; a CDU só lançou a sua conta principal em fevereiro de 2024 e, em dezembro de 2023, a CDU e os Verdes ainda não publicavam no TikTok.
- As reservas quanto à proteção de dados numa plataforma de capital chinês atrasaram a entrada de partidos e do governo.
- O voto aos 16 anos nas europeias de 2024 e em alguns estados, como Brandeburgo, aumentou o peso do público adolescente.
- Leste da Alemanha com a AfD como maior partido em várias regiões e preocupações materiais (custo de vida, habitação) muito presentes entre os jovens.
- Diferença de género entre os jovens: homens dos 18 aos 29 anos mais conservadores, mulheres mais liberais, segundo uma análise do Financial Times citada pela imprensa.
- Vigilância pelo Verfassungsschutz (serviço de proteção da Constituição) e regras europeias para plataformas (DSA) em vigor ao longo de todo o período.
O método
Ninguém publicou um manual.
Ninguém publicou um manual. O que se segue é a mecânica reconstruída a partir das análises de Hillje, da FES, de Potsdam e da imprensa.
Três frentes
- Chegar primeiro e ficar
- Entrada em 2021–2022, quando os concorrentes estavam ausentes, e publicação constante desde então. Hillje chama-lhe vantagem de first mover: o público e o algoritmo habituaram-se primeiro a estes rostos.
- Produzir para o feed
- Vídeos com menos de um minuto, gancho nos primeiros segundos, um tema emocional por vídeo e discursos escritos para serem cortados. Um amadorismo assumido, lido como autenticidade.
- Distribuir por muitos
- Muitas contas de políticos e uma camada de fãs e edits que republicava, mais a interação dos críticos. Quando uma conta caía, o conteúdo continuava noutras.
O ciclo de um corte
Do plenário ao feed, cada peça seguia um circuito parecido, segundo as análises citadas.
- Cena Um discurso, entrevista ou intervenção com uma passagem curta, dura e emocional sobre migração, custo de vida, guerra ou “elites”.
- Corte Excerto de 60–90 segundos ou menos, com legenda grande e gancho no início.
- Multiplicação Publicação pelo grupo parlamentar, pelo político e por várias contas de fãs e edits, quase em simultâneo.
- Interação Comentários, duetos e remisturas (também de críticos) sinalizam relevância ao algoritmo.
- Amplificação O feed Para Ti leva o vídeo a quem não segue ninguém da AfD; as auditorias mediram recomendações acima da quota de publicações.
- Restrição Quando há violações, a plataforma apaga vídeos, retira contas do feed ou remove perfis falsos.
- Narrativa de censura A restrição transforma-se em mais conteúdo (“censura”) e o material reaparece noutras contas, recomeçando o ciclo.
E recomeça.
O que aprender e o que nunca copiar
Parte do que a AfD fez é simples competência de plataforma, que qualquer campanha democrática pode usar com transparência.
Parte do que a AfD fez é simples competência de plataforma, que qualquer campanha democrática pode usar com transparência. Outra parte é o que plataformas, jornalistas e o Estado documentaram como abuso.
Nunca copiar
5
- Perfis falsos e imitação
- A CORRECTIV encontrou 60 perfis que se faziam passar pela AfD, com mais de 6 milhões de gostos, e 44 contas oficiais da AfD seguiam pelo menos um deles; quase todos foram removidos num dia por violarem as regras. Em 2024 o TikTok removeu ainda uma rede de 32 contas inautênticas pró-AfD.
- Discurso de ódio e desumanização
- Cinco vídeos de Krah foram apagados por discurso de ódio e as suas publicações ficaram 90 dias fora do feed. O Verfassungsschutz baseou a classificação de 2025 num conceito étnico de povo; o tribunal de Colónia, mesmo suspendendo-a, viu elementos inconstitucionais, sobretudo exigências antimuçulmanas.
- Publicidade disfarçada
- A Global Witness encontrou uma parceria paga pró-AfD com mais de 600 mil visualizações; o TikTok removeu-a por violar a política de conteúdo de marca.
- Desinformação e alegações sem prova
- Os perfis falsos espalhavam alegações falsas e ataques difamatórios; em Brandeburgo, o investigador Rüdiger Maas apontou o TikTok como acelerador de afirmações não verificadas. O resultado são remoções e perda de credibilidade para quem as usa.
- Explorar a atenção de adolescentes para manipular
- Questionado no X sobre se queria manipular os jovens, Ahrens respondeu "sim", segundo a imprensa.
O que aprender
6
- Estar lá cedo e com constância
- Abrir contas antes da campanha e publicar todas as semanas. Hillje chamou à ausência dos partidos democráticos uma desculpa que revela desconhecimento; a Die Linke mostrou em 2025 que ainda era possível recuperar terreno.
- Uma ideia por vídeo, em menos de um minuto
- Escreve intervenções públicas com passagens que vivam sozinhas em 30–90 segundos, com gancho e legenda. Conteúdo verdadeiro, mas no formato da plataforma.
- Muitos rostos reais, todos identificados
- Deputados, autarcas, candidatos e militantes com conta própria, identificada como tal. Distribuição por pessoas reais, sem perfis anónimos que finjam ser outra coisa.
- Conversar, não emitir
- Responder a comentários, falar de igual para igual, tratar dúvidas concretas. A FES recomenda diálogo e mensagens com benefício concreto nos primeiros segundos.
- Emoções democráticas
- Hillje fala de comunicação assente em emoções democráticas: esperança, indignação justa, humor, cuidado. A Linke, com Heidi Reichinnek no TikTok, liderou entre os jovens em 2025, numa eleição em que o custo de vida e a habitação pesaram, segundo Riedl.
- Medir o feed, não só os seguidores
- Acompanha visualizações, origem das recomendações e temas, como fazem o Potsdam Social Media Monitor e a Global Witness, e lembra-te de que visibilidade não é voto.
Como responder
6
- Ocupar o espaço antes
- O estudo de Potsdam/Bertelsmann recomenda, a curto prazo, que os partidos sub-representados reforcem a presença no TikTok com uma comunicação respeitosa e de diálogo.
- Roubar a agenda, não só rebater
- Comentários e duetos críticos também dão alcance ao vídeo original. Como escreveu o Freitag, a diferença não está em quem contesta a AfD, mas em quem lhe rouba a cena: produz conteúdo próprio sobre o tema, no teu enquadramento.
- Denunciar o que viola as regras
- Imitação, ódio e publicidade não declarada violam as regras das plataformas: as denúncias da CORRECTIV e da Global Witness levaram a remoções rápidas. Na UE, o DSA obriga as grandes plataformas a mitigar riscos eleitorais; a Comissão abriu um processo contra o TikTok depois das eleições romenas de 2024.
- Literacia digital e controlo do feed
- A médio prazo, o estudo recomenda educação digital e mais controlo dos utilizadores sobre os próprios feeds, para que os jovens percebam como o algoritmo escolhe o que veem.
- Exigir transparência algorítmica
- A longo prazo, obrigações vinculativas de transparência e auditorias independentes. Apoia e usa investigação como a de Potsdam, Copenhaga e da Global Witness em vez de suposições.
- Falar das preocupações reais
- Para Riedl, o custo de vida e a habitação pesaram mais do que as redes. Mensageiros de confiança que tratam problemas concretos competem melhor do que campanhas sobre a própria AfD.
Praticar
Treina com as missões e situações do caso.
Decidir como a campanha
Seis momentos do ponto de vista de uma campanha democrática perante este playbook. Escolhe e vê o que a evidência sugere.
Regras
O que se aplicou no caso: a Lei Fundamental alemã, decisões judiciais, regras europeias e as políticas da própria plataforma.
O que se aplicou no caso: a Lei Fundamental alemã, decisões judiciais, regras europeias e as políticas da própria plataforma.
- Classificação pelo Verfassungsschutz
- A 2 de maio de 2025 o organismo classificou a AfD como “comprovadamente extremista de direita”, com base num conceito étnico de povo. A 8 de maio comprometeu-se a tratá-la apenas como caso suspeito até haver decisão judicial.
- Decisão provisória de Colónia
- A 26 de fevereiro de 2026 o Tribunal Administrativo de Colónia proibiu provisoriamente a classificação: viu indícios de objetivos inconstitucionais dentro do partido, mas não prova de que definam o partido inteiro. O processo principal prossegue, e a AfD continua sob observação como caso suspeito.
- Nível estadual
- A classificação da AfD da Saxónia foi confirmada pelo tribunal administrativo superior de Bautzen; a da Turíngia está em vigor mas não foi contestada; a da Saxónia-Anhalt aguarda a decisão definitiva de Colónia.
- Regras da comunidade do TikTok
- O discurso de ódio, a imitação de pessoas e organizações, o comportamento inautêntico e o conteúdo de marca não declarado são proibidos. As sanções vistas no caso: vídeos apagados, contas fora do feed durante 90 dias, conta bloqueada, perfis e redes removidos.
- Regulamento dos Serviços Digitais (DSA, UE)
- As grandes plataformas têm de avaliar e mitigar os riscos para a integridade eleitoral. A Comissão Europeia abriu um processo formal contra o TikTok por esse motivo após as eleições romenas de 2024.
- Proteção de dados
- O RGPD aplica-se às campanhas: listas, mensagens e segmentação só com consentimento e finalidade clara.
- Só pessoas reais e identificadas
- Para campanhas democráticas: nada de perfis falsos, bots, contas compradas ou influenciadores pagos sem identificação. Coordenar pessoas reais para dizerem o que pensam é permitido; o que as plataformas castigam é organizar gostos, seguidores ou hashtags em série para enganar o algoritmo. O X, por exemplo, proíbe trocar interações e usar uma hashtag em destaque para manipular a conversa.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Visibilidade não é voto
- Potsdam e Copenhaga dizem expressamente que medem visibilidade, não apoio. As hashtags incluem críticas, e muita gente vê a AfD sem votar nela.
- Algoritmo ou popularidade?
- Nenhum estudo consegue separar o empurrão do algoritmo da popularidade real; o TikTok contesta as metodologias e diz não favorecer partidos.
- A esquerda também cresceu
- Em 2025 a Linke liderou entre os eleitores dos 18 aos 24 anos (25–26%) e, no estudo de Potsdam, teve quase o triplo da sua quota de carregamentos em recomendações. O feed premeia os extremos e a emoção, não só a direita.
- Publicar mais não basta
- A CDU publicou 69% mais do que a AfD em 2025, segundo a Global Witness, sem ter o mesmo alcance; o estudo de Potsdam conclui que as táticas de interação, parecidas em todos os partidos, não explicam a diferença.
- As redes não foram a causa principal
- Para Riedl, pesaram o custo de vida, a habitação e o cansaço com os partidos do governo. Investigadores ouvidos pela KAS duvidam que o TikTok decida eleições.
- O custo para os rostos
- Krah perdeu alcance em 2024 e foi afastado da campanha europeia e da delegação no Parlamento Europeu; mesmo assim, ganhou um mandato direto em 2025 com 44,2%.
- Sem maioria
- Mesmo com 43,8% na Saxónia-Anhalt em 2026, a AfD ficou com 39 dos 83 lugares, sem maioria absoluta.
Verificar
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Fontes
Estudo de caso construído com análises de investigadores, auditorias de plataformas, decisões e documentos oficiais e reportagens…
Estudo de caso construído com análises de investigadores, auditorias de plataformas, decisões e documentos oficiais e reportagens publicadas entre novembro de 2023 e setembro de 2026. Todas as páginas foram abertas e lidas a 26 de outubro de 2026. Nenhuma fonte remete diretamente para conteúdo extremista.
30 fontes
Quem fez
- Jüdische Allgemeine: In der TikTok-Arena (declarações de Erik Ahrens) 7 mar. 2024
- Heidelberg24/FR: Diskursverschiebung per TikTok und „Kryptobros“ 13 fev. 2024
- Leinetal24/dpa: TikTok dämpft angeblich AfD-Einfluss (reação de Krah) 20 mar. 2024
Dados
- Bundeswahlleiterin: Bundestagswahl 2025, endgültiges Ergebnis 2025
- KAS: Wahlanalyse der Landtagswahl in Sachsen-Anhalt am 6. September 2026 set. 2026
- Comissão Europeia: processo formal contra o TikTok ao abrigo do DSA (eleições romenas) 2024
- X Help Center: Platform manipulation and spam policy
Imprensa
- t-online: TikTok schränkt Reichweite von Maximilian Krah ein 19 mar. 2024
- taz: Bertelsmann-Studie zur Bundestagswahl 5 nov. 2025
- profil: Wahlen in Ostdeutschland: AfD bei Jungwählerinnen auf Platz 1 set. 2024
- t-online: Brandenburg-Wahl: AfD bei jungen Menschen beliebt 22 set. 2024
- ZDFheute: Bundestagswahl: Warum Linke und AfD bei Jungen punkten 24 fev. 2025
- ZDFheute: AfD-Verfahren: Verfassungsschutz gibt Stillhaltezusage 8 mai. 2025
- beck-aktuell: Verfassungsschutz gibt Stillhaltezusage fürs Eilverfahren ab 8 mai. 2025
- ZDFheute: Beschluss: AfD nicht gesichert rechtsextremistisch, vorerst 26 fev. 2026
- Wikipedia: Maximilian Krah consultado a 26 out. 2026
- Leinetal24 (Jana Stäbener): Dieser „AfD-Trick“ soll Parteien bei der Bundestagswahl 2025 helfen 27 nov. 2024
Análise
- Bertelsmann Stiftung / Univ. Potsdam: Digitalisiert, politisiert, polarisiert? 3 nov. 2025
- Global Witness: TikTok and X recommend pro-AfD content to non-partisan users 20 fev. 2025
- University of Copenhagen: AfD dominated TikTok in the German election mai. 2026
- netzpolitik.org: Vor der Wahl in Sachsen-Anhalt: AfD ist Partei mit größter Sichtbarkeit auf TikTok 3 set. 2026
- FES (Marcus Bösch): Von Reichweite und Algorithmen set. 2024
- Rosa-Luxemburg-Stiftung (Jolan Geusen): Propaganda nach Plan 14 nov. 2023
- web.de: Liebling der Algorithmen (Johannes Hillje) 21 dez. 2023
- Leinetal24: Doppel-Strategie: Deshalb haben AfD-Reden im Bundestag 90-Sekunden-Blöcke 20 fev. 2024
- Der Freitag: Warum die AfD bei TikTok so erfolgreich ist 23 fev. 2024
- KAS, Die Politische Meinung: Lost in Reels und Rage 8 out. 2025
- ISD: Mauritius Dorn speaks to BBC about the rising popularity of Germany's far-right party 9 fev. 2025
- CORRECTIV: Schatten-AfD: TikTok versagt gegen Fake-Profile 19 set. 2024
- CORRECTIV: Justiz: Ab wann ist die AfD gesichert rechtsextrem? 5 mar. 2026
Atualizado a 26 de outubro de 2026
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