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Brasil · 2018

Do outro lado: caso de estudo, não modelo

A máquina do WhatsApp

Reencaminhada muitas vezes

Com 8 segundos de televisão, Bolsonaro venceu em 2018 apoiado em grupos de WhatsApp. Este estudo de caso mostra como funcionou, o que nunca copiar e como responder.

Caso documentado por Patrícia Campos Mello (Folha de S.Paulo), pelos investigadores Fabrício Benevenuto, Pablo Ortellado e David Nemer, pela Agência Lupa e pelo TSE. Projeto independente, sem ligação a partidos ou campanhas.

Em 30 segundos

  1. 8 segundos de televisão. Com um partido pequeno e sem debates após o ataque à faca, Bolsonaro venceu a 2.ª volta de 2018 com 55,1% dos votos válidos.

  2. Uma pirâmide de grupos de WhatsApp: poucos produtores, muitos administradores voluntários e milhões de pessoas comuns. A isso somavam-se envios em massa pagos por empresas, segundo a Folha.

  3. Pessoas comuns compensaram a falta de tempo de antena. Listas compradas, dinheiro oculto e mentiras trouxeram processos e danos a não repetir.

Como ler este caso

Aqui não há toolkit para copiar. Há a mecânica do que funcionou, as linhas vermelhas que foram cruzadas (e o que custaram) e como responder quando este playbook for usado contra a tua campanha.

Ver as lições Como responder

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Quem fez

Os operadores raramente falaram em pormenor sobre o método; o que se sabe vem sobretudo de reportagens, de investigadores que monitorizaram…

Os operadores raramente falaram em pormenor sobre o método; o que se sabe vem sobretudo de reportagens, de investigadores que monitorizaram grupos públicos e dos tribunais.

  • Carlos Bolsonaro

    Vereador do Rio de Janeiro, responsável pelas redes do pai

    Segundo o próprio Jair Bolsonaro e a imprensa, tratou do marketing digital do pai desde 2010 e comandou as redes da campanha de 2018; em 2026 foi eleito senador por Santa Catarina.

    Fontes
  • AM4 Brasil Inteligência Digital (Marcos Aurélio Carvalho)

    Maior fornecedora declarada da campanha de 2018

    Segundo a Folhapress, recebeu cerca de 650 mil reais; Carvalho disse que a empresa mantinha listas de difusão, grupos estaduais e grupos para denunciar notícias falsas e, na 2.ª volta, realizou os filmes. Na comissão parlamentar de inquérito das fake news (2020), admitiu ter contratado a Yacows para um único envio a cerca de 8 mil doadores, a avisar de um novo número; negou envios em massa, e nada além disso foi provado contra a campanha.

    Fontes
  • Administradores voluntários de grupos

    Operadores da rede de grupos e listas de difusão

    Apoiantes como José Raimundo, que administrava um grupo de eleitores de São Paulo, e Carlos Nacli, ligado ao movimento Nas Ruas, que coordenava listas de difusão, descreveram à imprensa como a rede funcionava.

    Fontes
  • Patrícia Campos Mello

    Jornalista da Folha de S.Paulo, autora de A Máquina do Ódio

    Revelou, a 18 de outubro de 2018, a compra por empresas de pacotes de envio em massa contra o PT; contou a investigação e o assédio de que foi alvo no livro de 2020.

    Fontes
  • Fabrício Benevenuto (UFMG)

    Cientista informático, criador do Monitor de WhatsApp

    Construiu o sistema que acompanhava centenas de grupos políticos públicos e permitiu a jornalistas e verificadores de factos ver o que circulava.

    Fontes
  • Cristina Tardáguila (Agência Lupa) e Pablo Ortellado (USP)

    Verificadora de factos e investigador

    Com a UFMG, verificaram as 50 imagens mais partilhadas em 347 grupos e pediram ao WhatsApp, no New York Times, limites ao reencaminhamento.

    Fontes
  • David Nemer

    Investigador em estudos dos media (Universidade da Virgínia)

    Acompanhou grupos pró-Bolsonaro desde março de 2018 e descreveu a estrutura em pirâmide e os três perfis de utilizadores.

    Fontes
  • Tribunal Superior Eleitoral

    Justiça Eleitoral brasileira; relator Luis Felipe Salomão

    A 28 de outubro de 2021 rejeitou por 7 a 0 a cassação da candidatura, mas reconheceu os envios em massa e a desinformação e fixou uma tese para eleições futuras.

    Fontes
  • WhatsApp

    Plataforma; Ben Supple, responsável por políticas públicas e eleições

    Admitiu em 2019 que empresas de envio em massa violaram os seus termos na eleição brasileira e limitou o reencaminhamento a cinco conversas.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Explicações de operadores e de quem investigou o caso, em paráfrase.

Explicações de operadores e de quem investigou o caso, em paráfrase. Nenhuma mensagem que ataque grupos é aqui reproduzida.

Mais 6 citações
  • A atividade era voluntária, mas não amadora na produção, e coordenada entre plataformas, com orientações diferentes para o YouTube e o Facebook.

    Mariana Valente (InternetLab), Folha de S.Paulo, reproduzida pelo DN, 20 out. 2018

  • A desinformação descia por uma pirâmide: no topo, pequenos grupos de influenciadores criavam o conteúdo; no meio, os apoiantes mais devotos amplificavam; na base, brasileiros comuns recebiam tudo.

    David Nemer, Entrevista à UVA Today, 4 set. 2019

  • Os influenciadores eram o grupo mais pequeno, talvez 5% dos utilizadores dos grupos políticos, e não os mais ativos no debate: produziam o conteúdo e coordenavam protestos.

    David Nemer, Artigo no Guardian, resumido pela Exame, 25 out. 2018

  • O WhatsApp estava a dividir o país em dois grandes grupos.

    Cristina Tardáguila (Agência Lupa), Poynter, 17 out. 2018

  • Na eleição brasileira de 2018 atuaram empresas de envio massivo de mensagens que violaram os termos de utilização da aplicação.

    Ben Supple (WhatsApp), Festival Gabo, Colômbia (Olhar Digital, 8 out. 2019)

  • Havia muitas provas de que pessoas próximas de Bolsonaro atuavam desde 2017 para atacar adversários, mas faltavam dados sobre o conteúdo e o alcance das mensagens para cassar a candidatura.

    Luis Felipe Salomão (relator no TSE), Voto no TSE, 26 out. 2021 (A Gazeta)

A história

Bolsonaro chegou a 2018 com pouco tempo de antena, pouco dinheiro declarado e anos de presença nas redes.

Bolsonaro chegou a 2018 com pouco tempo de antena, pouco dinheiro declarado e anos de presença nas redes. A campanha decorreu em grande parte dentro de grupos fechados, longe dos olhos da imprensa e da Justiça. Isso tornou difícil, até hoje, medir o que funcionou e quem pagou o quê.

8 s
de tempo de antena na televisão e na rádio na 1.ª volta
R$ 2,5 M
de gastos declarados da campanha, contra R$ 37,5 M de Haddad
4 em 50
das imagens mais partilhadas em 347 grupos eram totalmente verdadeiras
55,1%
dos votos válidos na 2.ª volta, a 28 de outubro de 2018

De 2018 ao julgamento

  1. mar. 2018O investigador David Nemer começa a acompanhar grupos de WhatsApp pró-Bolsonaro.
  2. jul. 2018O WhatsApp começa a testar limites: reencaminhar para até 20 conversas no mundo e cinco na Índia.
  3. 6 set. 2018Bolsonaro é esfaqueado em Juiz de Fora. Não volta a debates e concentra a campanha nas redes.
  4. 7 out. 20181.ª volta: cerca de 46% dos votos válidos.
  5. 17 out. 2018Lupa, USP e UFMG mostram que só 4 das 50 imagens mais partilhadas em grupos eram verdadeiras e pedem ao WhatsApp limites temporários.
  6. 18 out. 2018A Folha revela que empresas compravam pacotes de envio em massa contra o PT, com contratos de até 12 milhões de reais cada.
  7. 28 out. 20182.ª volta: Bolsonaro vence com 55,1%.
  8. jan. 2019O WhatsApp limita o reencaminhamento a cinco conversas em todo o mundo.
  9. out.–dez. 2019O WhatsApp admite que empresas de envio em massa violaram os seus termos na eleição; o TSE proíbe o envio em massa na Resolução 23.610/2019.
  10. 28 out. 2021O TSE rejeita por 7 a 0 a cassação da candidatura, reconhece envios em massa e desinformação sem ligação provada à campanha e aprova a tese para o futuro.

Três camadas

A investigação e as reportagens descrevem três camadas que empurravam o mesmo conteúdo. Só a primeira era assumida pela campanha.

  • Comando familiarAs contas do candidato e dos filhos, geridas por Carlos Bolsonaro a partir de casa, com vídeos e transmissões em direto do candidato.
  • Rede voluntária em pirâmidePoucos influenciadores a produzir, apoiantes devotos a administrar grupos por estado e cidade, e milhões de pessoas comuns a receber e a reencaminhar.
  • Envios pagos e opacosAgências que, segundo a Folha, vendiam envios em massa a empresários. O TSE reconheceu os envios, mas não encontrou prova de que a candidatura os tivesse contratado.
O que não se sabe. Nenhum estudo isola o efeito do WhatsApp nos votos de 2018.

Os grupos eram cifrados, só os públicos podiam ser observados e os próprios investigadores avisaram que a amostra podia ter distorções. A desinformação circulou também do lado contrário, embora em menor escala: dos 123 boatos analisados por três agências de verificação de factos em 70 dias, 104 prejudicavam Haddad. O esfaqueamento, a rejeição do PT e o contexto económico também pesaram. Os depoimentos de operadores são poucos e foram dados à imprensa durante a campanha.

O terreno

A rede encaixou num ambiente muito específico: uma aplicação de mensagens que funcionava como jornal, regras que ainda não previam os…

A rede encaixou num ambiente muito específico: uma aplicação de mensagens que funcionava como jornal, regras que ainda não previam os envios em massa e uma campanha sem televisão nem dinheiro.

Plataformas

Grupos de WhatsApp
Grupos de até 256 pessoas por estado, cidade ou tema, administrados por voluntários. Cifrados de ponta a ponta: só os grupos públicos podiam ser monitorizados por investigadores e jornalistas.
Listas de difusão
Só o administrador publica e cada lista chegava a 256 contactos, que podiam reencaminhar. Era o canal para semear vídeos e imagens na rede.
Agências de envio em massa
Segundo a Folha (18 out. 2018), agências como Quickmobile, Yacows, Croc Services e SMS Market vendiam envios de centenas de milhões de mensagens, de 0,08 a 0,40 reais cada, com bases próprias segmentadas por região e rendimento; a reportagem citou a Havan entre as compradoras. Luciano Hang, dono da Havan, negou, e em 2020 um juiz de primeira instância condenou a Folha e a repórter a indemnizá-lo; o jornal recorreu. O WhatsApp disse depois que empresas de envio em massa violaram os seus termos; a compra de envios por pessoas ligadas à campanha não foi provada no TSE.
YouTube e Facebook
Onde os influenciadores produziam e publicavam vídeos e onde os grupos combinavam ações, como subscrições em massa no canal do PSL.
Televisão e rádio
Bolsonaro tinha 8 segundos de tempo de antena; Alckmin, 5 minutos e 32 segundos, e terminou com menos de 5% dos votos.

Condições locais

  • Cerca de 6 em cada 10 eleitores de Bolsonaro liam notícias partilhadas no WhatsApp, contra 38% dos de Haddad (Datafolha, outubro de 2018).
  • 47% dos utilizadores de WhatsApp diziam confiar no que recebiam pela aplicação (Datafolha).
  • Em 2018 uma mensagem podia ser reencaminhada para até 20 conversas de uma vez; o limite de cinco só chegou ao mundo inteiro em janeiro de 2019.
  • Os donativos de empresas a campanhas estavam proibidos; a Folha descreveu a compra de envios por empresários como donativo não declarado.
  • Depois do esfaqueamento de 6 de setembro, Bolsonaro não foi a nenhum debate e falava sobretudo através das próprias redes.
  • Partido pequeno (PSL) e campanha declarada de cerca de 2,5 milhões de reais, contra 37,5 milhões de Haddad.

O método

Esta é a descrição do que foi documentado, não uma receita.

Esta é a descrição do que foi documentado, não uma receita. A parte legítima (presença própria, voluntários, formato nativo) está misturada com práticas ilegais e danosas; a secção de lições separa as duas.

Três apoios

Presença própria construída cedo
Quase oito anos de blogue, perfis e vídeos antes de 2018. Quando a televisão faltou, a audiência já existia.
Distribuição por gente comum
O conteúdo chegava pelas mãos de familiares, colegas e vizinhos, nos grupos de família e de bairro, onde a confiança é maior do que na imprensa.
Emoção e identidade
Áudios de “gente como nós”, memes e vídeos curtos, pensados para circular sem contexto, o que também facilitou a mentira.

Como uma peça circulava

Segundo a investigação de Nemer, a monitorização da UFMG e as reportagens de 2018, uma peça percorria mais ou menos estes passos.

  1. Produzir Pequenos grupos de influenciadores criavam vídeos, imagens e áudios, muitas vezes sem fonte e sem autoria.
  2. Semear Listas de difusão e grupos-mãe por estado colocavam a peça na rede de uma só vez.
  3. Replicar Administradores e membros devotos reencaminhavam para dezenas de grupos; um mesmo eleitor estava às vezes em 40 grupos.
  4. Filtrar a bolha Quem discordava era removido. Os grupos ficavam homogéneos e pouco falavam com o outro lado.
  5. Coordenar ações Os grupos combinavam tarefas noutras plataformas, como subscrições em canais do YouTube e campanhas contra anúncios de artistas.
  6. Saltar para fora A peça saía dos grupos políticos para os de família, trabalho e igreja, onde ganhava a confiança de quem a reencaminhava.
  7. Acelerar com dinheiro Segundo a Folha, envios em massa pagos por empresas a partir de bases compradas multiplicavam o alcance. Foi essa a parte que o TSE considerou ilícita.

E recomeça.

O que aprender e o que nunca copiar

A rede de 2018 mostrou que pessoas reais, no canal e no formato certos, valem mais do que tempo de antena.

A rede de 2018 mostrou que pessoas reais, no canal e no formato certos, valem mais do que tempo de antena. Mostrou também o custo de misturar isso com dinheiro oculto, listas compradas e mentira.

Nunca copiar

6
Envio em massa e listas compradas
O WhatsApp admitiu que empresas de envio em massa violaram os seus termos em 2018. O TSE proibiu a prática a partir de 2020 e fixou, em 2021, que ela pode levar à cassação; Alexandre de Moraes avisou que quem o fizesse em 2022 seria preso. As ações no TSE também acusavam o uso fraudulento de nomes e números de contribuinte (CPF) de idosos para registar os cartões SIM usados nos envios; o tribunal considerou as provas insuficientes para cassar a candidatura.
Dinheiro de empresas por fora
A Folha revelou contratos de até 12 milhões de reais pagos por empresários, o que a lei trata como donativo empresarial proibido e não declarado. O caso deu origem a ações no TSE e a uma investigação; o tribunal reconheceu os envios, mas não conseguiu ligá-los à candidatura.
Desinformação
Só 4 das 50 imagens mais partilhadas em grupos políticos eram totalmente verdadeiras. O resultado foi mais polarização e, segundo Nemer, um canal de radicalização que continuou ativo durante o governo.
Desumanizar grupos
Os grupos espalharam imagens contra os direitos das pessoas LGBT e das mulheres e uma alegação falsa sobre material escolar, segundo a BBC e a DW. Atacar grupos inteiros fere pessoas e é inaceitável em qualquer campanha.
Assédio a jornalistas
Patrícia Campos Mello foi alvo de ataques e ameaças depois da reportagem. A Justiça de São Paulo condenou Bolsonaro a indemnizá-la por uma insinuação sexual, valor elevado em 2022 para 35 mil reais.
Estruturas opacas de ataque
O chamado gabinete do ódio, que segundo a imprensa nasceu na campanha de 2018, tornou-se objeto do inquérito 4.781 do STF (Supremo Tribunal Federal); em 2022 a Polícia Federal disse que a estrutura foi usada por uma milícia digital.

O que aprender

6
Construir audiência própria com anos de antecedência
A presença de Bolsonaro nas redes começou por volta de 2010. Uma campanha progressista pode fazer o mesmo de forma ética: canal próprio, lista com consentimento e publicação regular fora do período eleitoral. O playbook Janonismo, neste site, mostra o mesmo princípio aplicado por uma campanha progressista em 2026.
Falar no formato do grupo de família
Áudios curtos, vídeos verticais e imagens que se percebem sem contexto. Usa o formato, mas com conteúdo verdadeiro, com fonte e assinado por quem fala.
Dar um papel claro aos voluntários
Os administradores de grupos por cidade e por tema foram a espinha dorsal da rede. Recruta voluntários com consentimento, dá-lhes regras públicas (sem desinformação, sem ataques pessoais) e formação para verificar antes de reencaminhar.
Orientar cada plataforma à sua maneira
A rede tinha orientações diferentes para o YouTube, o Facebook e o WhatsApp. Faz o mesmo com tarefas concretas para voluntários, nunca com contas extra nem interação falsa.
Não depender da televisão
Com 8 segundos de tempo de antena, a distribuição orgânica compensou a falta de televisão. Investe cedo em canais próprios e na rede de apoiantes; o playbook Janonismo mostra como um canal de WhatsApp com regras e registo na Justiça Eleitoral o fez em 2026.
Depoimentos de gente comum
Os áudios de “gente como nós” criavam proximidade. Usa depoimentos reais, com autorização e o nome de quem fala, nunca histórias inventadas.

Como responder

6
Monitorizar os grupos públicos
O Monitor de WhatsApp da UFMG permitiu ver quase em tempo real o que circulava. Acompanha grupos públicos e temas do momento para saberes o que vai chegar antes de chegar.
Responder através de mensageiros de confiança
A base da pirâmide desconfiava da imprensa. A correção tem de vir de familiares, colegas e lideranças locais, nos mesmos grupos e no mesmo formato curto.
Corrigir sem amplificar
Corrigir funciona e o efeito de ricochete é raro, segundo o Debunking Handbook 2020; o risco é reencaminhar a peça falsa. Começa pelo facto verdadeiro, menciona o boato uma única vez, explica porque engana e repete o facto, sem reenviar a imagem original. Boatos que não estão a crescer podem ficar apenas sob monitorização.
Avisar antes (prebunking)
Explica à tua rede, antes da reta final, que vão circular imagens e áudios sem fonte, como reconhecê-los e onde verificar. Quem foi avisado reencaminha menos.
Reunir provas para a Justiça
As ações de 2018 falharam por falta de capturas de ecrã, números e conteúdo das mensagens. Guarda capturas, números de origem, datas e ligações e denuncia ao tribunal eleitoral e à plataforma.
Exigir fricção nas plataformas
Depois do limite de cinco reencaminhamentos, o WhatsApp disse que o volume de reencaminhamentos caiu 25% no mundo. Defende limites, transparência e acesso dos investigadores aos dados.

Praticar

Treina com as missões e situações do caso.

Decidir como a campanha

Seis momentos do ponto de vista de uma campanha democrática perante este playbook. Escolhe e vê o que a evidência sugere.

Regras

O que a lei, os tribunais e as plataformas disseram sobre o que aconteceu em 2018 e as regras que vieram depois.

O que a lei, os tribunais e as plataformas disseram sobre o que aconteceu em 2018 e as regras que vieram depois.

Donativos de empresas são proibidos
A Folha descreveu a compra de envios por empresários como donativo empresarial não declarado, proibido pela lei eleitoral brasileira.
Só listas voluntárias
A lei permite usar apenas contactos que a campanha obteve de forma voluntária. Comprar bases de terceiros é ilegal.
Envio em massa proibido
A Resolução 23.610/2019 do TSE proibiu o envio em massa de mensagens sem consentimento a partir das eleições de 2020.
A tese do TSE (2021)
Os envios em massa de desinformação por aplicações podem configurar abuso de poder económico e uso indevido dos meios de comunicação e levar à cassação, consoante a gravidade. O tribunal enumerou cinco critérios: conteúdo, alcance, escala, participação do candidato e financiamento por empresas.
Termos do WhatsApp
O envio automatizado e em massa viola os termos de utilização. Em 2019 a empresa bania mais de 2 milhões de contas por mês em todo o mundo e começou a processar agências de envio.
Limite de reencaminhamento
Desde janeiro de 2019, uma mensagem só pode ser reencaminhada para cinco conversas de uma vez.
O assédio tem consequências
O Tribunal de Justiça de São Paulo manteve em 2022 a condenação de Bolsonaro por ofender Patrícia Campos Mello, com uma indemnização de 35 mil reais.
Proteção de dados
Desde 2020 a LGPD (lei brasileira de proteção de dados) também se aplica às campanhas no Brasil. Na União Europeia, o RGPD trata a opinião política como um dado sensível, e o Regulamento (UE) 2024/900 só permite segmentar anúncios políticos com consentimento explícito e sem dados sensíveis e exige rótulo e aviso de transparência nos pagos. Desde outubro de 2025, a Meta e a Google não aceitam anúncios políticos ou sobre temas sociais na UE. Ver a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
O efeito não pode ser medido
Com grupos cifrados e muitos outros fatores (o esfaqueamento, a rejeição do PT, a economia), não há estudo que diga quantos votos o WhatsApp mudou.
A Justiça não fechou o circuito
O TSE reconheceu envios em massa e desinformação, mas não encontrou prova de que pessoas ligadas à candidatura os tivessem comprado. Parte das provas nunca chegou ao processo.
Não foi só de um lado
Os investigadores encontraram conteúdo enganador em grupos de esquerda e de direita, embora a maioria dos boatos verificados prejudicasse Haddad.
A plataforma mudou as regras
Limite de cinco reencaminhamentos, banimento de agências e proibição do TSE: o que funcionou em 2018 foi depois bloqueado ou criminalizado.
O que veio depois
Bolsonaro foi declarado inelegível pelo TSE em junho de 2023, por factos de 2022. A 11 de setembro de 2025, o STF condenou-o a 27 anos e 3 meses por conspiração golpista, e foi preso em novembro de 2025. Em 2026, Carlos Bolsonaro foi eleito senador por Santa Catarina e Flávio Bolsonaro perdeu a 2.ª volta para Lula. Nenhuma destas decisões julgou a campanha digital de 2018.

Verificar

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Segundo David Nemer, como circulava a desinformação nos grupos pró-Bolsonaro em 2018?
2. Porque é que o TSE rejeitou a cassação da candidatura Bolsonaro-Mourão em outubro de 2021?
3. Qual destas práticas de 2018 pode uma campanha democrática adaptar?
4. Uma imagem falsa sobre a tua candidata circula em grupos de família. Qual é a melhor resposta?
5. Que alteração de produto fez o WhatsApp depois de 2018?

Fontes

Este estudo de caso foi construído com reportagens de 2018 a 2026, investigação sobre grupos públicos de WhatsApp, decisões do TSE e…

Este estudo de caso foi construído com reportagens de 2018 a 2026, investigação sobre grupos públicos de WhatsApp, decisões do TSE e declarações da plataforma. Páginas consultadas a 26 de outubro de 2026.

31 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Atualizado a 26 de outubro de 2026

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