Visão geral
Em 30 segundos
59% de Não. A 2 de agosto de 2022, 557.837 eleitores do Kansas rejeitaram a emenda que retiraria o direito ao aborto da Constituição estadual.
942.851 votos, o dobro das primárias de 2018, numa votação marcada para agosto, quando costumam votar poucos e quase só eleitores com partido.
A campanha falou de liberdade e de decisões médicas sem interferência do governo, e tratou eleitores sem partido e republicanos moderados como qualquer outro eleitor.
A Kansans for Constitutional Freedom entregou mensagem, folhetos e listas de portas; parceiros locais levaram tudo a jovens, latinos e eleitores republicanos.
Depois de Dobbs, os voluntários do porta a porta passaram de cerca de 50 para 500 por semana, e a campanha angariou 100 mil dólares num só dia.
Os primeiros passos
- Formar a coligação com uma marca própria, apartidária
- Fazer grupos focais e estudos com eleitores de fora da tua base
- Escolher o valor comum e escrever a mensagem numa frase
Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos
Contexto e história
A história
Em 2021, a maioria antiaborto do parlamento estadual pôs a emenda Value Them Both no boletim das primárias de agosto de 2022.
Em 2021, a maioria antiaborto do parlamento estadual pôs a emenda Value Them Both no boletim das primárias de agosto de 2022. Em julho, uma sondagem dava 47% ao Sim e 43% ao Não. Seis semanas depois da queda de Roe, cerca de metade dos eleitores inscritos votou, e o Não ganhou por 18 pontos.
- 59,16%
- de Não: 557.837 votos contra 385.014, total oficial do secretário de Estadooficial Fonte
- 942.851
- votos na emenda, mais do dobro das primárias de 2018 (457.598)oficial Fonte
- 70%
- dos novos inscritos depois de Dobbs eram mulheres, segundo a TargetSmartestudo Fonte
- 50 → 500
- voluntários de porta a porta por semana, antes e depois de Dobbsdado da campanha Fonte
Da decisão do tribunal à votação
- 2019No caso Hodes & Nauser v. Schmidt, o Supremo Tribunal do Kansas decide, por 6 votos contra 1, que a Constituição estadual protege o direito de interromper a gravidez.
- 7 fev. 2020A primeira versão da emenda cai na Câmara estadual: 80 votos contra 43, quatro abaixo dos dois terços exigidos.
- Jan. 2021A emenda passa na Câmara (86 contra 38) e no Senado (28 contra 11) e é marcada para as primárias de 2 de agosto de 2022. A coligação do Não forma-se ao longo de 2021.
- 2 mai. 2022É divulgado o rascunho da decisão Dobbs, que apontava para o fim de Roe v. Wade.
- 24 jun. 2022Dobbs derruba Roe. A KCF angaria 100 mil dólares nesse dia, contra 30 mil em todo o mês de junho até então; as inscrições de eleitores disparam.
- 12 jul. 2022Fim do prazo de inscrição. Só pelo KSVotes.org, quase 12 mil pessoas inscreveram-se em 19 dias, o triplo do mesmo período de 2020.
- 17–18 jul. 2022Sondagem co/efficient a 1.557 prováveis votantes: 47% Sim, 43% Não, 10% indecisos.
- 1 ago. 2022Mensagens anónimas dizem que votar Sim protege a saúde das mulheres. Depois do alerta, a Twilio suspende o envio; a empresa que a contratou recebeu dinheiro do Do Right PAC, fundado pelo ex-congressista Tim Huelskamp. A empresa disse que não definiu o conteúdo das mensagens.
- 2 ago. 2022O Não vence com 59,16%, segundo o total oficial certificado no início de setembro. Em 103 dos 105 condados, teve uma margem melhor do que a da governadora Laura Kelly na reeleição de novembro.
- 4 ago. 2026Com 61,4% de Não, os eleitores rejeitam uma emenda para eleger os juízes do Supremo Tribunal estadual; os opositores chamaram-lhe uma tentativa de mudar o resultado de 2022.
Três camadas
A KCF não fez tudo sozinha: montou o núcleo e deixou parceiros e voluntários levarem a mesma mensagem a públicos que ela não alcançava.
- O núcleoA KCF: direção de campanha, comunicação, dados com pontuação de eleitores, publicidade paga feita com a GMMB e porta a porta próprio em cinco condados.
- A coligaçãoPlanned Parenthood Great Plains Votes, ACLU of Kansas, Trust Women Foundation, Mainstream Coalition, Women for Kansas, Loud Light e outros, cada um com o seu público e com os materiais e as listas da KCF.
- A rede espontâneaVoluntários estreantes, placas feitas em casa, ações de rua convocadas por quem nunca tinha organizado nada e pastores que pregaram sobre a votação.
O que não se sabe. Nenhum dado isola o efeito do porta a porta ou da mensagem: o choque de Dobbs, a redação confusa da emenda e a impopularidade de uma proibição total pesaram ao mesmo tempo, e o próprio Tom Bonier disse que os novos inscritos, sozinhos, não decidiriam.
O total de votos varia com a fonte: na noite da votação falava-se em mais de 900 mil, e a Ballotpedia regista 922.321 votos (58,97% de Não); o total oficial do secretário de Estado, publicado depois da recontagem pedida por opositores, é de 942.851 votos, com 59,16% de Não, e é o que este playbook usa. Os números de portas, chamadas e mensagens vêm de um estudo de caso da NGP VAN, fornecedora do software, sem auditoria. A campanha não viveu de pequenos doadores: até 17 de agosto, a KCF declarou 11,47 milhões de dólares em contribuições, com cheques grandes do Sixteen Thirty Fund (1,585 milhões), do Planned Parenthood Action Fund (1,16 milhões) e de Stacy Schusterman (1,1 milhões); não foi possível encontrar a divisão por tamanho de donativo. Nenhuma avaliação interna da campanha foi publicada, e o artigo de Rachel Sweet de 2023 só pôde ser lido em resumo. Um estudo de 2024 (Amos e Middlewood) mostra que a votação atraiu mais mulheres, jovens e eleitores estreantes do que umas primárias normais, mas que esses grupos tenderam a abster-se em novembro.
O terreno
O que era específico do Kansas de 2022 e pode faltar noutro país.
O que era específico do Kansas de 2022 e pode faltar noutro país.
Plataformas
- Porta a porta, telefone e SMS
- O centro do contacto direto: mais de 76 mil portas, 930 mil chamadas e 150 mil mensagens de texto, segundo o estudo de caso da NGP VAN, fornecedora do software, com listas segmentadas por pontuação.
- Televisão paga
- Mais de 6 milhões de dólares em televisão, segundo a porta-voz. O primeiro anúncio falava de direitos individuais sem dizer aborto; os seguintes mostravam um médico, um pastor, uma avó católica e uma mãe.
- Correio direto e anúncios digitais
- Mais de 463 mil dólares em correio e 512 mil em digital, segundo um relatório de julho à comissão de ética. As fontes não descrevem os folhetos; na televisão, a maioria dos anúncios dizia aborto, mas nem todos.
- Instagram e mensagens diretas
- A Vote Neigh analisou quem interagia com as suas contas e usou comentários e mensagens diretas para chamar jovens a ações de rua e ao fim de semana Ponies to the Polls.
- KSVotes.org
- Site independente de recenseamento eleitoral, que não é um serviço oficial do estado. A 24 de junho de 2022, dia de Dobbs, teve mais inscrições do que em qualquer outro dia fora de prazo em quatro anos.
- Placas nos relvados, ações de rua e igrejas
- Eleitores fizeram as próprias placas, pastores favoráveis pregaram sobre a votação e um cartaz escrito à mão num viaduto avisava que a contraceção seria a seguinte.
Condições locais
- Estado republicano: Trump ganhou a Biden por 56,2% contra 41,6% em 2020. Entre os inscritos, 44% eram republicanos, 26% democratas e 29% sem partido.
- O parlamento estadual marcou a votação para as primárias de agosto, quando costumam votar 20% a 25% dos eleitores; o secretário de Estado previu 36%.
- Primárias fechadas: os eleitores sem partido só recebiam a pergunta da emenda, e normalmente não votam em agosto.
- Em 2019, o Supremo Tribunal do Kansas decidiu, por 6 votos contra 1, que a Constituição estadual protege a autonomia pessoal, incluindo a decisão de interromper a gravidez. A emenda queria anular isso.
- A decisão Dobbs saiu a 24 de junho de 2022, seis semanas antes da votação; os vizinhos Missouri e Oklahoma já tinham proibições.
- A redação da emenda era confusa, e o lado do Sim insistia que ela não era uma proibição.
- A lei do Kansas não obrigava a identificar quem pagava mensagens sobre questões de boletim e, segundo a comissão de ética, permitia propaganda enganosa em eleições.
Método e evidência
O método
A campanha do Não partiu de uma conta: nenhum bloco sozinho ganhava a votação.
A campanha do Não partiu de uma conta: nenhum bloco sozinho ganhava a votação. Era preciso somar democratas, eleitores sem partido e republicanos moderados com uma mensagem que nenhum deles sentisse como partidária, e explicar sem parar um boletim confuso.
Três frentes
- Liberdade sem rótulo partidário
- A mensagem foi a autonomia pessoal e as decisões de saúde livres da interferência do governo, apoiada na decisão de 2019. A mesma para todos os públicos: anúncios que falavam de direitos sem dizer aborto e outros que diziam aborto pela voz de mensageiros de confiança.
- Fazer a conta do eleitorado
- Participação modelada com cautela, eleitores sem partido tratados como quaisquer outros, republicanos moderados e democratas no mesmo plano. Listas segmentadas por pontuação no ficheiro de eleitores.
- Coligação com kit partilhado
- Um núcleo que entregava mensagem, folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno; parceiros que trabalhavam com o seu público, incluindo jovens e latinos do sudoeste.
O ciclo da campanha
O ciclo reconstruído a partir das entrevistas e dos números divulgados. Onde a fonte não descreve o passo, o texto assinala a sugestão do playbook.
- Estudar Grupos focais e inquéritos para encontrar o enquadramento que resultava com conservadores, independentes e progressistas: direitos e liberdades constitucionais.
- Modelar a participação Trabalhar com o cenário de umas primárias pequenas e conservadoras, e não com sondagens que supunham participação alta. Daí a necessidade de procurar eleitores sem partido e republicanos.
- Fixar a mensagem Uma só mensagem, o direito de cada pessoa decidir sobre o corpo e a saúde sem o governo pelo meio, dita em formatos diferentes.
- Equipar a coligação Folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno para cada parceiro, que organizava no seu território. No sudoeste, o guião estadual deu lugar a conversas mais abertas.
- Conversar Portas, telefone e SMS para os universos de eleitores; conversas informais no sudoeste; ações de rua e redes para os jovens.
- Explicar o boletim Publicidade paga, imprensa, contacto direto e correio para dizer o que significa votar Sim ou Não, incluindo um anúncio só sobre a redação da emenda.
- Absorver a vaga Quando saiu Dobbs, encaminhar a raiva para turnos de porta a porta, donativos e inscrição de eleitores, mantendo a mesma estratégia.
- Mobilizar o voto Na reta final, lembrar o dia, o local e o que significa votar Não. Sugestão do playbook: preparar antes a resposta à desinformação de véspera, que chegou a 1 de agosto.
E recomeça.
Quem fez
Este playbook assenta no que a direção da campanha e os parceiros da coligação disseram e escreveram: sobretudo as entrevistas da porta-voz…
Este playbook assenta no que a direção da campanha e os parceiros da coligação disseram e escreveram: sobretudo as entrevistas da porta-voz Ashley All e da diretora de campanha Rachel Sweet durante e depois da votação, confrontadas com os resultados oficiais e a imprensa do Kansas.
Rachel Sweet
Diretora de campanha da Kansans for Constitutional Freedom (KCF)
Dirigiu a campanha do Não, decidiu falar com os eleitores sem partido como com qualquer outro eleitor e escreveu sobre a vitória um ano depois.
FontesAshley All
Diretora de comunicação e porta-voz da KCF
Ancorou a mensagem na autonomia pessoal, explicou a estratégia em entrevistas e depois trabalhou em campanhas vitoriosas pelos direitos reprodutivos no Kentucky, no Montana, no Michigan e no Ohio.
FontesLoud Light e Vote Neigh
Organização de voto jovem de Topeka; Davis Hammet (presidente), Melissa Stiehler (advocacy) e Rija Nazir (Vote Neigh)
Fizeram a Vote Neigh, campanha jovem cor-de-rosa com tema de faroeste e o fim de semana Ponies to the Polls; Hammet denunciou em público as mensagens enganosas da véspera.
FontesNew Frontier Project
Projeto da Loud Light no sudoeste do Kansas; Alejandro Rangel-Lopez
Trocou o guião estadual da KCF, que não servia o sudoeste, por conversas informais em que perguntava primeiro o que o eleitor pensava.
FontesParceiros da coligação
Planned Parenthood Great Plains Votes, ACLU of Kansas, Trust Women Foundation, Mainstream Coalition, Women for Kansas
Cada um falou com o seu público usando a mensagem comum, desde um grupo que combate o extremismo dentro do Partido Republicano até outro, apartidário, de defesa da escola pública.
FontesVoluntárias e voluntários locais
Organizadoras estreantes em condados conservadores
No condado de Crawford, uma mulher e as amigas bateram a 1.600 portas nas últimas semanas e o Não ganhou ali por 1.110 votos; em Topeka, Kurstin Gaudet ajudou a liderar uma marcha com mais de 500 pessoas.
FontesGMMB
Agência de publicidade política da KCF
Fez os anúncios de televisão com habitantes do Kansas: um médico, um pastor, uma avó católica e uma mãe que fez um aborto para salvar a vida.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Declarações de participantesO que a direção da campanha e os organizadores disseram sobre as decisões que tomaram.
O que a direção da campanha e os organizadores disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação em contrário.
“Os eleitores não veem o aborto como uma questão partidária.” Por isso a campanha conversou com gente de todo o espetro político.
Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, entrevista sobre as lições do Kansas, 2022
A equipa modelou um eleitorado de primárias pequeno e conservador e foi muito cautelosa; ela suspeita que as sondagens supunham uma participação tirada de eleições passadas.
Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022
A KCF funcionava como estrutura de apoio: mensagem, folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno. Quem organizava nas comunidades eram os parceiros locais.
Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022
Nos grupos focais e nos inquéritos, proteger direitos e liberdades constitucionais foi o que mais resultou, incluindo entre eleitores progressistas.
Ashley All, porta-voz da KCF, Marketing Brew, 16 ago. 2022
Mais 6 citações
A experiência vinha de 2006: na campanha para procurador-geral contra Phil Kline, o anúncio falava de privacidade médica e nunca usava a palavra aborto. Kline perdeu.
Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022
Na noite da vitória: “As cartas estavam viciadas contra nós desde o início.” A votação tinha sido marcada para as primárias de agosto.
Rachel Sweet, diretora de campanha, Kansas Reflector, 3 ago. 2022
A campanha decidiu falar com os eleitores sem partido exatamente como falaria com qualquer outro eleitor do estado.
Rachel Sweet, diretora de campanha, CBS News, 3 ago. 2022
A redação da emenda era “incrivelmente confusa” e exigiu explicação constante. Quando chegaram as mensagens enganosas de última hora, os eleitores já sabiam o que significava cada voto, e as mensagens só irritaram as pessoas.
Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022
Bateu a cerca de 600 portas. O conselho dela ao Michigan: andar de porta em porta e conversar, sem perder tempo com protestos.
Mary Wehrman, voluntária da KCF em Pittsburg, Kansas, Michigan Advance, 7 ago. 2022
Os novos inscritos do último mês, sozinhos, não decidiriam a votação; mas ele nunca tinha visto 70% de mulheres entre eles.
Tom Bonier, TargetSmart (analista de dados), CBS News, 3 ago. 2022
Materiais e exercícios
Jogadas para levar
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.
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Mensagem de liberdade para todo o espetro
Ancorar a campanha num valor que o eleitor do outro lado já tem (no Kansas, decisões de saúde livres da interferência do governo) e dizer o mesmo a todos os públicos. Foi o enquadramento que mais resultou nos grupos focais, incluindo com progressistas, e o Não teve 59% num estado onde Trump ganhou por 15 pontos.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a votação depende de eleitores fora da tua base e existe um valor comum que eles já defendem.
- Não usar quando
- Não funciona se a mensagem esconder o que está em jogo: o eleitor precisa de saber o que vota, e a tua base precisa de se rever na campanha.
- Semana −24 Fazer grupos focais com eleitores de fora da tua base
- Semana −20 Testar três enquadramentos e escolher o que funciona em todos os públicos
- Semana −18 Escrever a mensagem numa frase e as regras de linguagem numa página
- Semana −14 Escolher mensageiros de confiança para cada público
- Semana −10 Lançar a primeira peça com o valor comum, sem linguagem partidária
- Semana −6 Medir às portas se a mensagem é entendida e ajustar o formato, mantendo o conteúdo
Equipa
- Comunicação: fixa a mensagem e as regras de linguagem
- Estudos: grupos focais e testes de enquadramento
- Mensageiros: médicos, religiosos, avós, pessoas com a própria história
O que medir: Eleitores indecisos contactados que, numa segunda conversa à porta ou ao telefone, se declaram pelo teu voto depois de ouvirem a mensagem.
Riscos a vigiar: A mensagem pode soar vaga ou esconder o tema: diz claramente o que a votação decide, usa mensageiros de carne e osso e explica à base porque é que o tom é esse.
-
Fazer a conta do eleitorado
Modelar uma participação pessimista e listar os blocos que é preciso somar. No Kansas, com 44% de republicanos e primárias de baixa participação, a campanha procurou democratas, eleitores sem partido e republicanos moderados e tratou os sem partido como qualquer outro eleitor.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a tua base sozinha não ganha e há dados públicos ou legais para segmentar os eleitores.
- Não usar quando
- Não funciona com dados pessoais usados sem base legal, nem quando o modelo se torna desculpa para ignorar quem o estudo diz ser difícil.
- Semana −26 Calcular a participação provável num cenário baixo
- Semana −24 Somar os votos que tens e listar os blocos que faltam
- Semana −20 Montar universos de contacto por bloco, dentro da lei de dados
- Semana −16 Dividir os universos entre o núcleo e os parceiros da coligação
- Semana −10 Contactar os sem partido como qualquer outro eleitor, com o mesmo cuidado
- Semana −5 Rever os universos com os resultados das portas e dos telefones
- Semana −1 Concentrar a reta final em quem apoia mas pode não votar
Equipa
- Dados e alvos: modela a participação e monta os universos
- Direção de campanha: decide os blocos prioritários e o orçamento
- Terreno: transforma universos em listas e turnos
O que medir: Contactos feitos por bloco-alvo face à meta semanal, registados na folha de contacto.
Riscos a vigiar: Dados de opinião política são sensíveis: usa só fontes legais, guarda o mínimo e não segmentes por características protegidas sem base legal.
-
Coligação com kit partilhado
Um núcleo que entrega mensagem, folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno; parceiros que falam com o seu público à sua maneira. No Kansas, grupos de jovens, de latinos, de combate ao extremismo republicano e de defesa da escola pública levaram a mesma mensagem a quem a KCF não alcançava.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando já existem organizações com públicos próprios e o núcleo consegue produzir materiais e listas depressa.
- Não usar quando
- Não funciona se o núcleo quiser controlar cada parceiro ou se cada parceiro mudar a mensagem central.
- Semana −30 Mapear organizações com públicos que o núcleo não alcança
- Semana −24 Acordar uma mensagem comum e o que cada parceiro pode adaptar
- Semana −16 Produzir o kit: folhetos, guiões, listas de portas por território
- Semana −14 Formar os coordenadores dos parceiros numa sessão curta
- Semana −10 Redistribuir listas todas as semanas conforme os resultados
- Semana −1 Apoiar os fins de semana de mobilização dos parceiros
Equipa
- Relação com a coligação: entrega o kit e junta os resultados
- Coordenador de cada parceiro: organiza os seus voluntários
- Terreno do núcleo: cobre os territórios sem parceiro
O que medir: Turnos de porta a porta ou de telefone feitos pelos parceiros com as listas do núcleo, por semana.
Riscos a vigiar: Parceiros com agendas próprias podem expor a coligação: combina por escrito as regras de mensagem e de financiamento e quem fala em nome de quem.
-
Estrutura pronta para a vaga
Ter donativos, voluntariado, inscrição e turnos prontos antes de um choque que traz gente nova. No Kansas, depois de Dobbs, os voluntários passaram de cerca de 50 para 500 por semana e a campanha angariou 100 mil dólares num dia.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando um acontecimento externo provável pode mudar a atenção pública antes da votação.
- Não usar quando
- Não funciona montada no dia do choque: sem turnos, listas e formação prontos, a energia perde-se em ações sem continuidade.
- Semana −16 Preparar páginas de donativos, voluntariado e inscrição de eleitores
- Semana −12 Ter listas e turnos de porta a porta para receber dez vezes mais gente
- Semana −12 Gravar uma formação curta em vídeo para voluntários novos
- Semana −6 No dia do choque, convocar para um turno concreto, além da indignação
- Semana −6 Telefonar a cada voluntário novo em 48 horas e marcar o primeiro turno
- Semana −3 Lembrar o prazo de inscrição a quem acabou de chegar
Equipa
- Voluntariado: recebe, forma e marca turnos
- Angariação de fundos: página pronta e agradecimento no mesmo dia
- Inscrição de eleitores: prazos e ligações oficiais
O que medir: Voluntários novos que fazem o primeiro turno até sete dias depois de se inscreverem.
Riscos a vigiar: Gente nova sem formação pode errar a mensagem ou expor-se: formação curta antes do primeiro turno, sempre em pares e com um coordenador de referência.
-
Explicar o boletim antes da desinformação
Dizer em todos os canais o que significa votar Sim e votar Não, muito antes da véspera. No Kansas, a redação era confusa e, a 1 de agosto, mensagens anónimas diziam o contrário da verdade; segundo a porta-voz, os eleitores já sabiam o que significava cada voto, e as mensagens só irritaram as pessoas.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a pergunta do boletim é técnica, longa ou confusa, e o adversário pode explorar essa confusão.
- Não usar quando
- Não funciona se começar na última semana, nem se responder à desinformação com mensagens anónimas próprias.
- Semana −16 Escrever em duas frases o que significa cada voto
- Semana −14 Pôr essas frases em todos os folhetos, guiões e anúncios
- Semana −8 Fazer uma peça só para explicar a redação do boletim
- Semana −8 Formar voluntários para perguntar se o eleitor sabe o que significa o Não
- Semana −2 Montar a vigilância de mensagens e anúncios do adversário na reta final
- Semana do dia D Se surgir desinformação, denunciar à plataforma e repetir a explicação
Equipa
- Comunicação: escreve a explicação e repete-a
- Vigilância: monitoriza mensagens e anúncios do adversário
- Jurídico: apresenta queixa à plataforma e à autoridade eleitoral
O que medir: Eleitores contactados que, na conversa, dizem corretamente o que significa votar Não, em proporção aos contactados.
Riscos a vigiar: Responder a quente pode espalhar a mentira: corrige com a explicação positiva, sem repetir a frase falsa, e assina sempre as tuas mensagens.
Toolkit
O que a campanha do Não montou, organizado para poderes copiar.
O que a campanha do Não montou, organizado para poderes copiar. Serve para referendos, consultas, iniciativas legislativas ou qualquer votação em que precises de eleitores de fora da tua base.
Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
Um núcleo profissional pequeno, uma coligação ampla e muita gente nova a chegar de repente. As fontes descrevem bem a divisão de trabalho e pouco o ritmo do dia a dia.
Equipa mínima
- Direção de campanha
- Define o plano, os universos de eleitores e o orçamento; responde pela estratégia perante a coligação. Neste caso, Rachel Sweet.
- Comunicação e porta-voz
- Fixa a mensagem, testa enquadramentos, fala com a imprensa e explica o boletim. Neste caso, Ashley All.
- Dados e alvos
- Monta os universos a partir do ficheiro de eleitores, com pontuação (neste caso, da New River Strategies), e gera as listas de portas e chamadas.
- Terreno
- Organiza o porta a porta próprio (a KCF fez terreno direto em cinco condados) e os turnos de telefone e SMS.
- Relação com a coligação
- Entrega folhetos e listas aos parceiros e mantém todos na mesma mensagem, sem lhes tirar autonomia.
- Publicidade paga
- Televisão, correio e digital com uma agência (neste caso, a GMMB): primeiro direitos e liberdade, depois mensageiros de confiança e a explicação do boletim.
- Parceiros de públicos específicos
- Jovens (Vote Neigh), latinos do sudoeste (New Frontier Project), quem combate o extremismo no Partido Republicano (Mainstream Coalition), defensores da escola pública (Women for Kansas).
Ritmo
- Todas as semanasTurnos de porta a porta: cerca de 50 voluntários por semana antes de Dobbs e cerca de 500 depois, segundo a porta-voz.
- Todas as semanas (sugestão do playbook)Uma chamada curta com os parceiros da coligação para rever a mensagem da semana e redistribuir listas.
- No dia do choqueA 24 de junho a KCF angariou 100 mil dólares e as inscrições de eleitores dispararam. Sugestão do playbook: deixar prontas de antemão as páginas de donativos, voluntariado e inscrição.
- Fim de semana antes da votaçãoA Vote Neigh fez o Ponies to the Polls, com ações de rua, cabines fotográficas e trabalhos manuais; em Topeka, mais de 500 pessoas marcharam à volta do Capitólio estadual a 30 de julho.
- Todas as noites na reta final (sugestão do playbook)Monitorizar mensagens e anúncios do adversário e ter pronta uma resposta curta que repita o que significa votar Não.
As fontes não descrevem as reuniões internas da KCF. Os itens assinalados como sugestão do playbook não aparecem nas fontes como prática da campanha; são uma recomendação para quem replica.
Plano B
- Listas de portas impressas para cada parceiro, para não depender de aplicações nem de rede em zonas rurais.
- Mais de um canal para o mesmo eleitor: porta, telefone, SMS e correio.
- Parceiros com autonomia: se o núcleo se atrasar, cada grupo continua com os materiais que já tem.
- Explicação do boletim repetida em todos os canais, para que a desinformação de véspera encontre eleitores já informados.
- Páginas de donativos, voluntariado e inscrição prontas antes do choque.
Tecnologia
Ferramentas comuns de campanha nos EUA. O que pesou foi a segmentação dos universos e o uso do mesmo sistema para levar cada voluntário a portas, chamadas e mensagens.
- Ficheiro de eleitores e CRM (SmartVAN)Pago (licença por campanha)
Ficheiro de eleitores com públicos segmentados, de onde saíam as listas de portas, chamadas e mensagens.
- Pontuação de eleitores (New River Strategies)Pago (consultoria)
Modelos próprios para montar os universos de contacto.
- Porta a porta com listasMais de 285 mil dólares em porta a porta
Mais de 76 mil portas batidas pela campanha; os parceiros recebiam listas e folhetos para o seu território.
- Telefone e SMSCusto por chamada e por mensagem
Mais de 930 mil chamadas e 150 mil mensagens para os universos de eleitores, segundo o estudo de caso do fornecedor.
- Televisão, correio e anúncios digitaisA maior rubrica do orçamento
Mais de 6 milhões de dólares em televisão, mais de 463 mil em correio e mais de 512 mil em digital.
- Donativos onlineComissões das plataformas
Página de donativos capaz de aguentar o pico: 100 mil dólares no dia de Dobbs.
- Site de recenseamento (KSVotes.org)Gratuito para o eleitor
Independente, não oficial e fora da campanha; inscreveu quase 12 mil pessoas nos 19 dias antes do prazo.
- Redes e mensagens diretas (Vote Neigh)Gratuito
Instagram, comentários e mensagens diretas para chamar jovens a ações de rua e ao fim de semana de mobilização.
Colunas da folha de contacto
Data · Parceiro e território · Canal (porta, telefone, SMS) · Contactos tentados · Contactos feitos · Apoia o Não · Indeciso · Apoia o Sim · Sabe o que significa votar Não? (sim/não) · Principal dúvida ouvida · Plano de voto feito
Até 17 de agosto de 2022, a KCF declarou 11,47 milhões de dólares em contribuições e 7,76 milhões em despesas; o comité Value Them Both, 8,0 milhões e 7,39 milhões. Com os outros grupos, os dois lados somaram perto de 22 milhões em contribuições. Dentro da KCF, o porta a porta (mais de 285 mil) custou uma fração da televisão (mais de 6 milhões), e o grosso do orçamento foi para a publicidade paga.
Comunicação
A mensagem pedia ao eleitor que concordasse com algo que já pensava: o governo não deve decidir no lugar de uma mulher e do seu médico. Ninguém precisava de mudar de opinião sobre o aborto.
A fórmula da mensagem
- Partir de um valor do outro lado Liberdade, menos Estado, privacidade médica. Um anúncio de televisão juntava as palavras “government mandate” (imposição do governo) à fotografia de um aviso que pedia máscara aos clientes.
- Separar a opinião pessoal da lei Mostrar que se pode ter a própria visão sobre o aborto e, mesmo assim, proteger o direito de outra pessoa decidir.
- Mostrar a consequência A emenda abria caminho a uma proibição sem exceções garantidas para violação, incesto ou risco de vida. Apontar os estados vizinhos que já tinham proibido.
- Pôr mensageiros de confiança Um médico, um pastor, uma avó católica, uma mãe que fez um aborto para salvar a vida.
- Explicar o boletim O que diz a emenda, o que significa votar Sim, o que significa votar Não. Repetir até à véspera.
- Pedir o voto e um plano Data, local e o Não. Aos eleitores sem partido, lembrar que podem votar só na emenda.
Regras de mensagem
- Uma mensagem para todos os públicos; mudam só o formato e o mensageiro.
- Nada de linguagem partidária: nem cores, nem líderes de partido na linha da frente.
- Fala de liberdade e de decisões médicas privadas; diz aborto quando o mensageiro tiver credibilidade para o dizer.
- Não ataques quem tem dúvidas sobre o aborto: convida a separar a crença pessoal da lei.
- Explica o boletim em todos os canais, até à véspera.
- Usa os factos do adversário: a falta de exceções e as proibições dos estados vizinhos.
- Identifica sempre quem paga cada peça, mesmo que a lei não o exija.
Exemplo de conversa (ilustrativo)
Boa tarde, sou o João, moro aqui no condado e sou voluntário pelo Não na emenda do dia 2. Posso perguntar-lhe o que pensa dela? [ouvir] Percebo, muita gente aqui tem convicções fortes sobre o aborto, e eu respeito. A pergunta do boletim é outra: se o governo pode decidir no lugar de uma mulher e do médico dela, mesmo em caso de violação ou de risco de vida. Votar Não mantém tudo como está hoje. Votar Sim deixa o parlamento proibir. Já sabe onde vai votar no dia 2?
Levar para o teu contexto
O que funciona em qualquer lado e o que dependia do Kansas de 2022.
O que funciona em qualquer lado e o que dependia do Kansas de 2022.
Funciona em qualquer lado
- Fazer a conta do eleitorado: que blocos tens de somar e quais deles não são a tua base.
- Encontrar o valor que o eleitor do outro lado já tem e ancorar a mensagem nele.
- Ter uma mensagem para todos, com mensageiros diferentes para cada público.
- Modelar a participação com pessimismo e planear para esse cenário.
- Ter um núcleo que abastece a coligação com materiais e listas, e parceiros com autonomia para o seu público.
- Explicar o boletim ou a pergunta tantas vezes quantas for preciso.
- Ter estrutura pronta para o dia do choque: donativos, voluntariado e inscrição.
Depende do contexto
- Votação marcada para umas primárias de baixa participação
- Onde a data favorece o outro lado, o trabalho é trazer quem não costuma votar nesse dia. Onde a votação coincide com uma eleição geral, o desafio passa a ser persuadir quem já vai votar.
- Proteger um direito que existe (votar Não)
- Defender o que já existe tende a ser mais fácil do que criar um direito novo. O Michigan (2022, por quase 14 pontos) e o Ohio (2023, 56,78%) acrescentaram o direito à Constituição; no Ohio, a campanha do Sim falou de Estado limitado e de privacidade entre doente e médico, e o comité principal angariou 42,5 milhões de dólares.
- Maioria simples
- Com exigência de maioria qualificada a conta muda: na Florida, em 2024, o direito ao aborto teve cerca de 57% e não passou porque precisava de 60%. Planeia a meta que a lei exige.
- Libertarismo do eleitor do Kansas
- Liberdade e menos Estado resultaram num estado conservador. Noutro país o valor comum pode ser a saúde pública, a dignidade, a família ou a laicidade: só o estudo de opinião o diz.
- Ficheiro de eleitores e partidos registados
- Nos EUA é possível saber quem é republicano, democrata ou sem partido. Onde não há esse dado (como em Portugal ou no Brasil), segmenta por território, idade e histórico de votação público, sempre dentro da lei de proteção de dados.
- Mensagens de texto em massa
- O SMS resultou com listas legais nos EUA. Na UE e no Brasil, mensagem política só para quem consentiu; usa WhatsApp ou SMS com inscrição prévia.
- Propaganda enganosa permitida
- No Kansas, a lei não proibia mensagens enganosas sem assinatura. Onde há regras mais duras, apresenta queixa à autoridade eleitoral; onde não há, a defesa é ter explicado antes.
Praticar
ExercícioTreina com as missões e situações do caso.
Decidir como a direção
Seis momentos da campanha de 2022. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.
Plano em 5 fases
A sequência da campanha do Não, desde um ano antes até ao dia da votação, como lista de verificação.
A sequência da campanha do Não, desde um ano antes até ao dia da votação, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Um ano antes
Montar a máquina (6 a 3 meses antes)
Persuadir (3 meses a 6 semanas antes)
Reta final (6 semanas antes)
Dia da votação e depois
Verificar
ExercícioCinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Limites e fontes
Regras
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha junto de eleitores de fora da base.
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha junto de eleitores de fora da base.
- Assinar tudo
- Diz quem paga cada anúncio, mensagem ou folheto, mesmo onde a lei não o exige. No Kansas, a falta de assinatura deixou as mensagens da véspera sem autor visível.
- Sem mensagens enganosas
- Nunca imites a linguagem do adversário para confundir. Responde à desinformação com a explicação positiva.
- Mensagens só com base legal
- SMS e chamadas seguem a lei local: nos EUA, as regras da FCC; na UE e no Brasil, mensagem política só para quem consentiu, com saída fácil da lista.
- Dados de opinião são sensíveis
- Opinião política e dados de saúde são dados sensíveis segundo o RGPD e a LGPD. Guarda o mínimo, de forma agregada sempre que possível.
- Donativos às claras
- Declara todas as contribuições e confirma a origem. Em abril de 2025, o Kansas aprovou a HB 2106, que proíbe dinheiro de estrangeiros em campanhas sobre emendas; a KCF contestou-a num tribunal federal em maio.
- Publicidade identificada
- Na União Europeia, o Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo de patrocinador e aviso de transparência em cada anúncio político pago. Vê a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
- Respeito à porta
- Quem diz Sim recebe um obrigado. A mensagem pede ao eleitor que separe a crença pessoal da lei, sem o julgar.
- Segurança de voluntários e doentes
- Porta a porta em pares, protocolo para situações de hostilidade e nada de expor doentes ou profissionais de clínicas sem consentimento.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não prova a causa
- Dobbs, a redação confusa e a impopularidade de uma proibição total pesaram ao mesmo tempo. Nenhum dado isola o efeito do porta a porta ou da mensagem.
- Não se fabrica um choque
- Parte da vaga de 2022 veio de Dobbs, seis semanas antes. O método prepara a campanha para um choque, sem depender dele.
- A mobilização de um dia não cria hábito
- Mulheres, jovens e eleitores estreantes que a votação atraiu tenderam a abster-se em novembro de 2022, segundo Amos e Middlewood (2024).
- Ganhar a votação não encerra a disputa
- O parlamento manteve a maioria antiaborto; em 2025 aprovou a lei contra dinheiro estrangeiro em emendas; em 2026 levou a votos a eleição direta dos juízes do Supremo Tribunal, e 61,4% votaram Não. Em novembro de 2026, o Missouri vota a revogação da emenda de direitos reprodutivos aprovada em 2024.
- O enquadramento não faz milagres
- Entre 2022 e 2024 o lado dos direitos ganhou a maioria das votações, mas em 2024 perdeu no Dakota do Sul e no Nebraska e não chegou aos 60% exigidos na Florida (cerca de 57%).
- Não foi uma campanha barata
- A KCF declarou 11,47 milhões de dólares em contribuições, com grandes doadores nacionais; o porta a porta era barato, a escala de televisão não.
- A neutralidade tem custos
- O nome Constitutional Freedom era tão vago que alguns eleitores não sabiam de que lado estava a campanha; uma mensagem sem a palavra aborto exige outras vozes para não apagar o tema.
Fontes
Este playbook foi construído com entrevistas da direção da campanha e de parceiros da coligação, os resultados oficiais do secretário de…
Este playbook foi construído com entrevistas da direção da campanha e de parceiros da coligação, os resultados oficiais do secretário de Estado do Kansas, dados financeiros, análises da participação e reportagens publicadas entre agosto de 2022 e agosto de 2026. Todas as páginas foram consultadas a 27 de outubro de 2026.
32 fontes
Quem fez
- Rolling Stone: Her Team Helped Beat Back Kansas' Abortion Ban. Here's What She Wants Other States to Know (entrevista com Ashley All) 2022
- Kansas Reflector: Kansas abortion-rights activists emphasized attack on personal rights to defeat amendment 3 ago. 2022
- Kansas Reflector: Rachel Sweet, One year ago, Kansas made history. The fight to protect abortion rights isn't over (página da autora) 2 ago. 2023
- NGP VAN: How Kansans for Constitutional Freedom defeated an anti-abortion amendment in a red state (estudo de caso) 7 dez. 2022
- Marketing Brew: The ads that encouraged Kansans to vote no on restricting abortion 16 ago. 2022
- Spectrum News: Under the big tent: how Kansans turned back anti-abortion amendment ago. 2022
- Michigan Advance: 'It provided hope': Michigan advocates look ahead after abortion rights vote in Kansas 7 ago. 2022
- Columbia SPS: Ashley All (perfil)
Dados
- Kansas Secretary of State: 2022 Primary Election, Official Vote Totals set. 2022
- Kansas Secretary of State: 2026 Primary Election, Official Vote Totals set. 2026
- Ballotpedia: Kansas No Right to Abortion in Constitution Amendment (August 2022)
- Ballotpedia News: Kansas voters will decide an amendment in 2022 saying there is no right to abortion in the state constitution 2 fev. 2021
- TargetSmart: Tom Bonier, How abortion changed the Kansas electorate 3 ago. 2022
- Wikipedia: November 2023 Ohio Issue 1 (resultados oficiais e financiamento)
Imprensa
- The Nation: How Kansas Kept Abortion Legal (Amy Littlefield) 6 set. 2022
- Washington Monthly: The Ads That Won the Kansas Abortion Referendum (Bill Scher) 5 ago. 2022
- Sunflower State Journal: Coalition formed to oppose abortion amendment 22 dez. 2021
- CBS News: How the anti-abortion amendment was defeated in Kansas 3 ago. 2022
- NPR: Abortion rights supporters and opponents look for lessons from the Kansas vote 5 ago. 2022
- AOL / The Kansas City Star: Abortion rights advocates won big in Kansas. How did they do it? ago. 2022
- Kansas Reflector: False texts about Kansas abortion amendment don't run afoul of law, officials say 2 ago. 2022
- KCUR: Who sent misleading texts to Kansans ahead of Tuesday's vote on abortion? 2 ago. 2022
- The Beacon: Predicting the unpredictable: Was Kansas prepared for unprecedented voter turnout? 23 ago. 2022
- AOL / Topeka Capital-Journal: Kansas primary election officially over, despite anti-abortion activist vowing, 'I'm not done yet' set. 2022
- Yahoo News / Kansas Reflector: Kansas abortion rights advocacy group sues state officials over law banning foreign contributions 19 mai. 2025
- KCUR: Kansas voters reject electing state Supreme Court justices as constitutional amendment fails 4 ago. 2026
- Minnesota Lawyer: Kansans reject constitutional amendment for Supreme Court elections 5 ago. 2026
- News From The States: reportagem sobre a rejeição da emenda dos juízes, com o total de 942.851 votos de 2022 4 ago. 2026
- Stateline: Voters approve most abortion-rights measures in flurry of ballot initiatives 6 nov. 2024
Análise
- American Politics Research: Brian Amos e Alexandra T. Middlewood, All eyes on Kansas: Voter turnout and the 2022 abortion referendum (resumo no repositório da Wichita State) 2024
- Sabato's Crystal Ball: comparação entre votações sobre aborto e voto partidário no Kansas, no Ohio e no Michigan 2023
- State Court Report: Mary Ziegler, 2026 Abortion-Related Ballot Measures atualizado a 27 jul. 2026
Imagem: w_lemay, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado a 27 de outubro de 2026
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