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Cúpula do Capitólio do Kansas, em Topeka, contra o céu azul

Kansas, EUA · 2022

Kansans for Constitutional Freedom

Sem o governo no meio

No original: “free from government interference”, a linha central da mensagem da Kansans for Constitutional Freedom, segundo a The Nation (set. 2022).

A 2 de agosto de 2022, o Kansas rejeitou a emenda antiaborto por 59% contra 41%, numas primárias com votação recorde. O Não juntou eleitores de todos os partidos.

Atualizado a 27 de outubro de 202633 min de leituraFontes (32)

Uma homenagem a Rachel Sweet, Ashley All, às organizações da coligação e às voluntárias e voluntários que bateram às portas em condados onde Trump ganhou. Projeto independente, sem ligação à campanha.

Visão geral

Em 30 segundos

  1. 59% de Não. A 2 de agosto de 2022, 557.837 eleitores do Kansas rejeitaram a emenda que retiraria o direito ao aborto da Constituição estadual.

  2. 942.851 votos, o dobro das primárias de 2018, numa votação marcada para agosto, quando costumam votar poucos e quase só eleitores com partido.

  3. A campanha falou de liberdade e de decisões médicas sem interferência do governo, e tratou eleitores sem partido e republicanos moderados como qualquer outro eleitor.

  4. A Kansans for Constitutional Freedom entregou mensagem, folhetos e listas de portas; parceiros locais levaram tudo a jovens, latinos e eleitores republicanos.

  5. Depois de Dobbs, os voluntários do porta a porta passaram de cerca de 50 para 500 por semana, e a campanha angariou 100 mil dólares num só dia.

Os primeiros passos

  1. Formar a coligação com uma marca própria, apartidária
  2. Fazer grupos focais e estudos com eleitores de fora da tua base
  3. Escolher o valor comum e escrever a mensagem numa frase

Experimentar já Adaptar com o assistente

Se és novo nisto, começa pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a investigação. Ler os fundamentos

Contexto e história

A história

Em 2021, a maioria antiaborto do parlamento estadual pôs a emenda Value Them Both no boletim das primárias de agosto de 2022.

Em 2021, a maioria antiaborto do parlamento estadual pôs a emenda Value Them Both no boletim das primárias de agosto de 2022. Em julho, uma sondagem dava 47% ao Sim e 43% ao Não. Seis semanas depois da queda de Roe, cerca de metade dos eleitores inscritos votou, e o Não ganhou por 18 pontos.

59,16%
de Não: 557.837 votos contra 385.014, total oficial do secretário de Estadooficial Fonte
942.851
votos na emenda, mais do dobro das primárias de 2018 (457.598)oficial Fonte
70%
dos novos inscritos depois de Dobbs eram mulheres, segundo a TargetSmartestudo Fonte
50 → 500
voluntários de porta a porta por semana, antes e depois de Dobbsdado da campanha Fonte

Da decisão do tribunal à votação

  1. 2019No caso Hodes & Nauser v. Schmidt, o Supremo Tribunal do Kansas decide, por 6 votos contra 1, que a Constituição estadual protege o direito de interromper a gravidez.
  2. 7 fev. 2020A primeira versão da emenda cai na Câmara estadual: 80 votos contra 43, quatro abaixo dos dois terços exigidos.
  3. Jan. 2021A emenda passa na Câmara (86 contra 38) e no Senado (28 contra 11) e é marcada para as primárias de 2 de agosto de 2022. A coligação do Não forma-se ao longo de 2021.
  4. 2 mai. 2022É divulgado o rascunho da decisão Dobbs, que apontava para o fim de Roe v. Wade.
  5. 24 jun. 2022Dobbs derruba Roe. A KCF angaria 100 mil dólares nesse dia, contra 30 mil em todo o mês de junho até então; as inscrições de eleitores disparam.
  6. 12 jul. 2022Fim do prazo de inscrição. Só pelo KSVotes.org, quase 12 mil pessoas inscreveram-se em 19 dias, o triplo do mesmo período de 2020.
  7. 17–18 jul. 2022Sondagem co/efficient a 1.557 prováveis votantes: 47% Sim, 43% Não, 10% indecisos.
  8. 1 ago. 2022Mensagens anónimas dizem que votar Sim protege a saúde das mulheres. Depois do alerta, a Twilio suspende o envio; a empresa que a contratou recebeu dinheiro do Do Right PAC, fundado pelo ex-congressista Tim Huelskamp. A empresa disse que não definiu o conteúdo das mensagens.
  9. 2 ago. 2022O Não vence com 59,16%, segundo o total oficial certificado no início de setembro. Em 103 dos 105 condados, teve uma margem melhor do que a da governadora Laura Kelly na reeleição de novembro.
  10. 4 ago. 2026Com 61,4% de Não, os eleitores rejeitam uma emenda para eleger os juízes do Supremo Tribunal estadual; os opositores chamaram-lhe uma tentativa de mudar o resultado de 2022.

Três camadas

A KCF não fez tudo sozinha: montou o núcleo e deixou parceiros e voluntários levarem a mesma mensagem a públicos que ela não alcançava.

  • O núcleoA KCF: direção de campanha, comunicação, dados com pontuação de eleitores, publicidade paga feita com a GMMB e porta a porta próprio em cinco condados.
  • A coligaçãoPlanned Parenthood Great Plains Votes, ACLU of Kansas, Trust Women Foundation, Mainstream Coalition, Women for Kansas, Loud Light e outros, cada um com o seu público e com os materiais e as listas da KCF.
  • A rede espontâneaVoluntários estreantes, placas feitas em casa, ações de rua convocadas por quem nunca tinha organizado nada e pastores que pregaram sobre a votação.
O que não se sabe. Nenhum dado isola o efeito do porta a porta ou da mensagem: o choque de Dobbs, a redação confusa da emenda e a impopularidade de uma proibição total pesaram ao mesmo tempo, e o próprio Tom Bonier disse que os novos inscritos, sozinhos, não decidiriam.

O total de votos varia com a fonte: na noite da votação falava-se em mais de 900 mil, e a Ballotpedia regista 922.321 votos (58,97% de Não); o total oficial do secretário de Estado, publicado depois da recontagem pedida por opositores, é de 942.851 votos, com 59,16% de Não, e é o que este playbook usa. Os números de portas, chamadas e mensagens vêm de um estudo de caso da NGP VAN, fornecedora do software, sem auditoria. A campanha não viveu de pequenos doadores: até 17 de agosto, a KCF declarou 11,47 milhões de dólares em contribuições, com cheques grandes do Sixteen Thirty Fund (1,585 milhões), do Planned Parenthood Action Fund (1,16 milhões) e de Stacy Schusterman (1,1 milhões); não foi possível encontrar a divisão por tamanho de donativo. Nenhuma avaliação interna da campanha foi publicada, e o artigo de Rachel Sweet de 2023 só pôde ser lido em resumo. Um estudo de 2024 (Amos e Middlewood) mostra que a votação atraiu mais mulheres, jovens e eleitores estreantes do que umas primárias normais, mas que esses grupos tenderam a abster-se em novembro.

O terreno

O que era específico do Kansas de 2022 e pode faltar noutro país.

O que era específico do Kansas de 2022 e pode faltar noutro país.

Plataformas

Porta a porta, telefone e SMS
O centro do contacto direto: mais de 76 mil portas, 930 mil chamadas e 150 mil mensagens de texto, segundo o estudo de caso da NGP VAN, fornecedora do software, com listas segmentadas por pontuação.
Televisão paga
Mais de 6 milhões de dólares em televisão, segundo a porta-voz. O primeiro anúncio falava de direitos individuais sem dizer aborto; os seguintes mostravam um médico, um pastor, uma avó católica e uma mãe.
Correio direto e anúncios digitais
Mais de 463 mil dólares em correio e 512 mil em digital, segundo um relatório de julho à comissão de ética. As fontes não descrevem os folhetos; na televisão, a maioria dos anúncios dizia aborto, mas nem todos.
Instagram e mensagens diretas
A Vote Neigh analisou quem interagia com as suas contas e usou comentários e mensagens diretas para chamar jovens a ações de rua e ao fim de semana Ponies to the Polls.
KSVotes.org
Site independente de recenseamento eleitoral, que não é um serviço oficial do estado. A 24 de junho de 2022, dia de Dobbs, teve mais inscrições do que em qualquer outro dia fora de prazo em quatro anos.
Placas nos relvados, ações de rua e igrejas
Eleitores fizeram as próprias placas, pastores favoráveis pregaram sobre a votação e um cartaz escrito à mão num viaduto avisava que a contraceção seria a seguinte.

Condições locais

  • Estado republicano: Trump ganhou a Biden por 56,2% contra 41,6% em 2020. Entre os inscritos, 44% eram republicanos, 26% democratas e 29% sem partido.
  • O parlamento estadual marcou a votação para as primárias de agosto, quando costumam votar 20% a 25% dos eleitores; o secretário de Estado previu 36%.
  • Primárias fechadas: os eleitores sem partido só recebiam a pergunta da emenda, e normalmente não votam em agosto.
  • Em 2019, o Supremo Tribunal do Kansas decidiu, por 6 votos contra 1, que a Constituição estadual protege a autonomia pessoal, incluindo a decisão de interromper a gravidez. A emenda queria anular isso.
  • A decisão Dobbs saiu a 24 de junho de 2022, seis semanas antes da votação; os vizinhos Missouri e Oklahoma já tinham proibições.
  • A redação da emenda era confusa, e o lado do Sim insistia que ela não era uma proibição.
  • A lei do Kansas não obrigava a identificar quem pagava mensagens sobre questões de boletim e, segundo a comissão de ética, permitia propaganda enganosa em eleições.

Método e evidência

O método

A campanha do Não partiu de uma conta: nenhum bloco sozinho ganhava a votação.

A campanha do Não partiu de uma conta: nenhum bloco sozinho ganhava a votação. Era preciso somar democratas, eleitores sem partido e republicanos moderados com uma mensagem que nenhum deles sentisse como partidária, e explicar sem parar um boletim confuso.

Três frentes

Liberdade sem rótulo partidário
A mensagem foi a autonomia pessoal e as decisões de saúde livres da interferência do governo, apoiada na decisão de 2019. A mesma para todos os públicos: anúncios que falavam de direitos sem dizer aborto e outros que diziam aborto pela voz de mensageiros de confiança.
Fazer a conta do eleitorado
Participação modelada com cautela, eleitores sem partido tratados como quaisquer outros, republicanos moderados e democratas no mesmo plano. Listas segmentadas por pontuação no ficheiro de eleitores.
Coligação com kit partilhado
Um núcleo que entregava mensagem, folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno; parceiros que trabalhavam com o seu público, incluindo jovens e latinos do sudoeste.

O ciclo da campanha

O ciclo reconstruído a partir das entrevistas e dos números divulgados. Onde a fonte não descreve o passo, o texto assinala a sugestão do playbook.

  1. Estudar Grupos focais e inquéritos para encontrar o enquadramento que resultava com conservadores, independentes e progressistas: direitos e liberdades constitucionais.
  2. Modelar a participação Trabalhar com o cenário de umas primárias pequenas e conservadoras, e não com sondagens que supunham participação alta. Daí a necessidade de procurar eleitores sem partido e republicanos.
  3. Fixar a mensagem Uma só mensagem, o direito de cada pessoa decidir sobre o corpo e a saúde sem o governo pelo meio, dita em formatos diferentes.
  4. Equipar a coligação Folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno para cada parceiro, que organizava no seu território. No sudoeste, o guião estadual deu lugar a conversas mais abertas.
  5. Conversar Portas, telefone e SMS para os universos de eleitores; conversas informais no sudoeste; ações de rua e redes para os jovens.
  6. Explicar o boletim Publicidade paga, imprensa, contacto direto e correio para dizer o que significa votar Sim ou Não, incluindo um anúncio só sobre a redação da emenda.
  7. Absorver a vaga Quando saiu Dobbs, encaminhar a raiva para turnos de porta a porta, donativos e inscrição de eleitores, mantendo a mesma estratégia.
  8. Mobilizar o voto Na reta final, lembrar o dia, o local e o que significa votar Não. Sugestão do playbook: preparar antes a resposta à desinformação de véspera, que chegou a 1 de agosto.

E recomeça.

Quem fez

Este playbook assenta no que a direção da campanha e os parceiros da coligação disseram e escreveram: sobretudo as entrevistas da porta-voz…

Este playbook assenta no que a direção da campanha e os parceiros da coligação disseram e escreveram: sobretudo as entrevistas da porta-voz Ashley All e da diretora de campanha Rachel Sweet durante e depois da votação, confrontadas com os resultados oficiais e a imprensa do Kansas.

  • Rachel Sweet

    Diretora de campanha da Kansans for Constitutional Freedom (KCF)

    Dirigiu a campanha do Não, decidiu falar com os eleitores sem partido como com qualquer outro eleitor e escreveu sobre a vitória um ano depois.

    Fontes
  • Ashley All

    Diretora de comunicação e porta-voz da KCF

    Ancorou a mensagem na autonomia pessoal, explicou a estratégia em entrevistas e depois trabalhou em campanhas vitoriosas pelos direitos reprodutivos no Kentucky, no Montana, no Michigan e no Ohio.

    Fontes
  • Loud Light e Vote Neigh

    Organização de voto jovem de Topeka; Davis Hammet (presidente), Melissa Stiehler (advocacy) e Rija Nazir (Vote Neigh)

    Fizeram a Vote Neigh, campanha jovem cor-de-rosa com tema de faroeste e o fim de semana Ponies to the Polls; Hammet denunciou em público as mensagens enganosas da véspera.

    Fontes
  • New Frontier Project

    Projeto da Loud Light no sudoeste do Kansas; Alejandro Rangel-Lopez

    Trocou o guião estadual da KCF, que não servia o sudoeste, por conversas informais em que perguntava primeiro o que o eleitor pensava.

    Fontes
  • Parceiros da coligação

    Planned Parenthood Great Plains Votes, ACLU of Kansas, Trust Women Foundation, Mainstream Coalition, Women for Kansas

    Cada um falou com o seu público usando a mensagem comum, desde um grupo que combate o extremismo dentro do Partido Republicano até outro, apartidário, de defesa da escola pública.

    Fontes
  • Voluntárias e voluntários locais

    Organizadoras estreantes em condados conservadores

    No condado de Crawford, uma mulher e as amigas bateram a 1.600 portas nas últimas semanas e o Não ganhou ali por 1.110 votos; em Topeka, Kurstin Gaudet ajudou a liderar uma marcha com mais de 500 pessoas.

    Fontes
  • GMMB

    Agência de publicidade política da KCF

    Fez os anúncios de televisão com habitantes do Kansas: um médico, um pastor, uma avó católica e uma mãe que fez um aborto para salvar a vida.

    Fontes

Nas palavras de quem fez

Declarações de participantesO que a direção da campanha e os organizadores disseram sobre as decisões que tomaram.

O que a direção da campanha e os organizadores disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação em contrário.

  • “Os eleitores não veem o aborto como uma questão partidária.” Por isso a campanha conversou com gente de todo o espetro político.

    Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, entrevista sobre as lições do Kansas, 2022

  • A equipa modelou um eleitorado de primárias pequeno e conservador e foi muito cautelosa; ela suspeita que as sondagens supunham uma participação tirada de eleições passadas.

    Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022

  • A KCF funcionava como estrutura de apoio: mensagem, folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno. Quem organizava nas comunidades eram os parceiros locais.

    Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022

  • Nos grupos focais e nos inquéritos, proteger direitos e liberdades constitucionais foi o que mais resultou, incluindo entre eleitores progressistas.

    Ashley All, porta-voz da KCF, Marketing Brew, 16 ago. 2022

Mais 6 citações
  • A experiência vinha de 2006: na campanha para procurador-geral contra Phil Kline, o anúncio falava de privacidade médica e nunca usava a palavra aborto. Kline perdeu.

    Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022

  • Na noite da vitória: “As cartas estavam viciadas contra nós desde o início.” A votação tinha sido marcada para as primárias de agosto.

    Rachel Sweet, diretora de campanha, Kansas Reflector, 3 ago. 2022

  • A campanha decidiu falar com os eleitores sem partido exatamente como falaria com qualquer outro eleitor do estado.

    Rachel Sweet, diretora de campanha, CBS News, 3 ago. 2022

  • A redação da emenda era “incrivelmente confusa” e exigiu explicação constante. Quando chegaram as mensagens enganosas de última hora, os eleitores já sabiam o que significava cada voto, e as mensagens só irritaram as pessoas.

    Ashley All, porta-voz da KCF, Rolling Stone, 2022

  • Bateu a cerca de 600 portas. O conselho dela ao Michigan: andar de porta em porta e conversar, sem perder tempo com protestos.

    Mary Wehrman, voluntária da KCF em Pittsburg, Kansas, Michigan Advance, 7 ago. 2022

  • Os novos inscritos do último mês, sozinhos, não decidiriam a votação; mas ele nunca tinha visto 70% de mulheres entre eles.

    Tom Bonier, TargetSmart (analista de dados), CBS News, 3 ago. 2022

Materiais e exercícios

Jogadas para levar

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

Escolhe as jogadas que servem o teu contexto e junta-as ao teu kit.

  1. Mensagem de liberdade para todo o espetro

    Ancorar a campanha num valor que o eleitor do outro lado já tem (no Kansas, decisões de saúde livres da interferência do governo) e dizer o mesmo a todos os públicos. Foi o enquadramento que mais resultou nos grupos focais, incluindo com progressistas, e o Não teve 59% num estado onde Trump ganhou por 15 pontos.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a votação depende de eleitores fora da tua base e existe um valor comum que eles já defendem.
    Não usar quando
    Não funciona se a mensagem esconder o que está em jogo: o eleitor precisa de saber o que vota, e a tua base precisa de se rever na campanha.
    1. Semana −24 Fazer grupos focais com eleitores de fora da tua base
    2. Semana −20 Testar três enquadramentos e escolher o que funciona em todos os públicos
    3. Semana −18 Escrever a mensagem numa frase e as regras de linguagem numa página
    4. Semana −14 Escolher mensageiros de confiança para cada público
    5. Semana −10 Lançar a primeira peça com o valor comum, sem linguagem partidária
    6. Semana −6 Medir às portas se a mensagem é entendida e ajustar o formato, mantendo o conteúdo

    Equipa

    • Comunicação: fixa a mensagem e as regras de linguagem
    • Estudos: grupos focais e testes de enquadramento
    • Mensageiros: médicos, religiosos, avós, pessoas com a própria história

    O que medir: Eleitores indecisos contactados que, numa segunda conversa à porta ou ao telefone, se declaram pelo teu voto depois de ouvirem a mensagem.

    Riscos a vigiar: A mensagem pode soar vaga ou esconder o tema: diz claramente o que a votação decide, usa mensageiros de carne e osso e explica à base porque é que o tom é esse.

  2. Fazer a conta do eleitorado

    Modelar uma participação pessimista e listar os blocos que é preciso somar. No Kansas, com 44% de republicanos e primárias de baixa participação, a campanha procurou democratas, eleitores sem partido e republicanos moderados e tratou os sem partido como qualquer outro eleitor.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a tua base sozinha não ganha e há dados públicos ou legais para segmentar os eleitores.
    Não usar quando
    Não funciona com dados pessoais usados sem base legal, nem quando o modelo se torna desculpa para ignorar quem o estudo diz ser difícil.
    1. Semana −26 Calcular a participação provável num cenário baixo
    2. Semana −24 Somar os votos que tens e listar os blocos que faltam
    3. Semana −20 Montar universos de contacto por bloco, dentro da lei de dados
    4. Semana −16 Dividir os universos entre o núcleo e os parceiros da coligação
    5. Semana −10 Contactar os sem partido como qualquer outro eleitor, com o mesmo cuidado
    6. Semana −5 Rever os universos com os resultados das portas e dos telefones
    7. Semana −1 Concentrar a reta final em quem apoia mas pode não votar

    Equipa

    • Dados e alvos: modela a participação e monta os universos
    • Direção de campanha: decide os blocos prioritários e o orçamento
    • Terreno: transforma universos em listas e turnos

    O que medir: Contactos feitos por bloco-alvo face à meta semanal, registados na folha de contacto.

    Riscos a vigiar: Dados de opinião política são sensíveis: usa só fontes legais, guarda o mínimo e não segmentes por características protegidas sem base legal.

  3. Coligação com kit partilhado

    Um núcleo que entrega mensagem, folhetos, listas de portas e infraestrutura de terreno; parceiros que falam com o seu público à sua maneira. No Kansas, grupos de jovens, de latinos, de combate ao extremismo republicano e de defesa da escola pública levaram a mesma mensagem a quem a KCF não alcançava.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando já existem organizações com públicos próprios e o núcleo consegue produzir materiais e listas depressa.
    Não usar quando
    Não funciona se o núcleo quiser controlar cada parceiro ou se cada parceiro mudar a mensagem central.
    1. Semana −30 Mapear organizações com públicos que o núcleo não alcança
    2. Semana −24 Acordar uma mensagem comum e o que cada parceiro pode adaptar
    3. Semana −16 Produzir o kit: folhetos, guiões, listas de portas por território
    4. Semana −14 Formar os coordenadores dos parceiros numa sessão curta
    5. Semana −10 Redistribuir listas todas as semanas conforme os resultados
    6. Semana −1 Apoiar os fins de semana de mobilização dos parceiros

    Equipa

    • Relação com a coligação: entrega o kit e junta os resultados
    • Coordenador de cada parceiro: organiza os seus voluntários
    • Terreno do núcleo: cobre os territórios sem parceiro

    O que medir: Turnos de porta a porta ou de telefone feitos pelos parceiros com as listas do núcleo, por semana.

    Riscos a vigiar: Parceiros com agendas próprias podem expor a coligação: combina por escrito as regras de mensagem e de financiamento e quem fala em nome de quem.

  4. Estrutura pronta para a vaga

    Ter donativos, voluntariado, inscrição e turnos prontos antes de um choque que traz gente nova. No Kansas, depois de Dobbs, os voluntários passaram de cerca de 50 para 500 por semana e a campanha angariou 100 mil dólares num dia.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando um acontecimento externo provável pode mudar a atenção pública antes da votação.
    Não usar quando
    Não funciona montada no dia do choque: sem turnos, listas e formação prontos, a energia perde-se em ações sem continuidade.
    1. Semana −16 Preparar páginas de donativos, voluntariado e inscrição de eleitores
    2. Semana −12 Ter listas e turnos de porta a porta para receber dez vezes mais gente
    3. Semana −12 Gravar uma formação curta em vídeo para voluntários novos
    4. Semana −6 No dia do choque, convocar para um turno concreto, além da indignação
    5. Semana −6 Telefonar a cada voluntário novo em 48 horas e marcar o primeiro turno
    6. Semana −3 Lembrar o prazo de inscrição a quem acabou de chegar

    Equipa

    • Voluntariado: recebe, forma e marca turnos
    • Angariação de fundos: página pronta e agradecimento no mesmo dia
    • Inscrição de eleitores: prazos e ligações oficiais

    O que medir: Voluntários novos que fazem o primeiro turno até sete dias depois de se inscreverem.

    Riscos a vigiar: Gente nova sem formação pode errar a mensagem ou expor-se: formação curta antes do primeiro turno, sempre em pares e com um coordenador de referência.

  5. Explicar o boletim antes da desinformação

    Dizer em todos os canais o que significa votar Sim e votar Não, muito antes da véspera. No Kansas, a redação era confusa e, a 1 de agosto, mensagens anónimas diziam o contrário da verdade; segundo a porta-voz, os eleitores já sabiam o que significava cada voto, e as mensagens só irritaram as pessoas.

    Como montar, passo a passo
    Funciona quando
    Funciona quando a pergunta do boletim é técnica, longa ou confusa, e o adversário pode explorar essa confusão.
    Não usar quando
    Não funciona se começar na última semana, nem se responder à desinformação com mensagens anónimas próprias.
    1. Semana −16 Escrever em duas frases o que significa cada voto
    2. Semana −14 Pôr essas frases em todos os folhetos, guiões e anúncios
    3. Semana −8 Fazer uma peça só para explicar a redação do boletim
    4. Semana −8 Formar voluntários para perguntar se o eleitor sabe o que significa o Não
    5. Semana −2 Montar a vigilância de mensagens e anúncios do adversário na reta final
    6. Semana do dia D Se surgir desinformação, denunciar à plataforma e repetir a explicação

    Equipa

    • Comunicação: escreve a explicação e repete-a
    • Vigilância: monitoriza mensagens e anúncios do adversário
    • Jurídico: apresenta queixa à plataforma e à autoridade eleitoral

    O que medir: Eleitores contactados que, na conversa, dizem corretamente o que significa votar Não, em proporção aos contactados.

    Riscos a vigiar: Responder a quente pode espalhar a mentira: corrige com a explicação positiva, sem repetir a frase falsa, e assina sempre as tuas mensagens.

Toolkit

O que a campanha do Não montou, organizado para poderes copiar.

O que a campanha do Não montou, organizado para poderes copiar. Serve para referendos, consultas, iniciativas legislativas ou qualquer votação em que precises de eleitores de fora da tua base.

Escolhe o teu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.

Operação

Um núcleo profissional pequeno, uma coligação ampla e muita gente nova a chegar de repente. As fontes descrevem bem a divisão de trabalho e pouco o ritmo do dia a dia.

Equipa mínima

Direção de campanha
Define o plano, os universos de eleitores e o orçamento; responde pela estratégia perante a coligação. Neste caso, Rachel Sweet.
Comunicação e porta-voz
Fixa a mensagem, testa enquadramentos, fala com a imprensa e explica o boletim. Neste caso, Ashley All.
Dados e alvos
Monta os universos a partir do ficheiro de eleitores, com pontuação (neste caso, da New River Strategies), e gera as listas de portas e chamadas.
Terreno
Organiza o porta a porta próprio (a KCF fez terreno direto em cinco condados) e os turnos de telefone e SMS.
Relação com a coligação
Entrega folhetos e listas aos parceiros e mantém todos na mesma mensagem, sem lhes tirar autonomia.
Publicidade paga
Televisão, correio e digital com uma agência (neste caso, a GMMB): primeiro direitos e liberdade, depois mensageiros de confiança e a explicação do boletim.
Parceiros de públicos específicos
Jovens (Vote Neigh), latinos do sudoeste (New Frontier Project), quem combate o extremismo no Partido Republicano (Mainstream Coalition), defensores da escola pública (Women for Kansas).

Ritmo

  1. Todas as semanasTurnos de porta a porta: cerca de 50 voluntários por semana antes de Dobbs e cerca de 500 depois, segundo a porta-voz.
  2. Todas as semanas (sugestão do playbook)Uma chamada curta com os parceiros da coligação para rever a mensagem da semana e redistribuir listas.
  3. No dia do choqueA 24 de junho a KCF angariou 100 mil dólares e as inscrições de eleitores dispararam. Sugestão do playbook: deixar prontas de antemão as páginas de donativos, voluntariado e inscrição.
  4. Fim de semana antes da votaçãoA Vote Neigh fez o Ponies to the Polls, com ações de rua, cabines fotográficas e trabalhos manuais; em Topeka, mais de 500 pessoas marcharam à volta do Capitólio estadual a 30 de julho.
  5. Todas as noites na reta final (sugestão do playbook)Monitorizar mensagens e anúncios do adversário e ter pronta uma resposta curta que repita o que significa votar Não.

As fontes não descrevem as reuniões internas da KCF. Os itens assinalados como sugestão do playbook não aparecem nas fontes como prática da campanha; são uma recomendação para quem replica.

Plano B

  • Listas de portas impressas para cada parceiro, para não depender de aplicações nem de rede em zonas rurais.
  • Mais de um canal para o mesmo eleitor: porta, telefone, SMS e correio.
  • Parceiros com autonomia: se o núcleo se atrasar, cada grupo continua com os materiais que já tem.
  • Explicação do boletim repetida em todos os canais, para que a desinformação de véspera encontre eleitores já informados.
  • Páginas de donativos, voluntariado e inscrição prontas antes do choque.

Tecnologia

Ferramentas comuns de campanha nos EUA. O que pesou foi a segmentação dos universos e o uso do mesmo sistema para levar cada voluntário a portas, chamadas e mensagens.

  • Ficheiro de eleitores e CRM (SmartVAN)Pago (licença por campanha)

    Ficheiro de eleitores com públicos segmentados, de onde saíam as listas de portas, chamadas e mensagens.

  • Pontuação de eleitores (New River Strategies)Pago (consultoria)

    Modelos próprios para montar os universos de contacto.

  • Porta a porta com listasMais de 285 mil dólares em porta a porta

    Mais de 76 mil portas batidas pela campanha; os parceiros recebiam listas e folhetos para o seu território.

  • Telefone e SMSCusto por chamada e por mensagem

    Mais de 930 mil chamadas e 150 mil mensagens para os universos de eleitores, segundo o estudo de caso do fornecedor.

  • Televisão, correio e anúncios digitaisA maior rubrica do orçamento

    Mais de 6 milhões de dólares em televisão, mais de 463 mil em correio e mais de 512 mil em digital.

  • Donativos onlineComissões das plataformas

    Página de donativos capaz de aguentar o pico: 100 mil dólares no dia de Dobbs.

  • Site de recenseamento (KSVotes.org)Gratuito para o eleitor

    Independente, não oficial e fora da campanha; inscreveu quase 12 mil pessoas nos 19 dias antes do prazo.

  • Redes e mensagens diretas (Vote Neigh)Gratuito

    Instagram, comentários e mensagens diretas para chamar jovens a ações de rua e ao fim de semana de mobilização.

Guias rápidos por canal

Colunas da folha de contacto

Data · Parceiro e território · Canal (porta, telefone, SMS) · Contactos tentados · Contactos feitos · Apoia o Não · Indeciso · Apoia o Sim · Sabe o que significa votar Não? (sim/não) · Principal dúvida ouvida · Plano de voto feito

Até 17 de agosto de 2022, a KCF declarou 11,47 milhões de dólares em contribuições e 7,76 milhões em despesas; o comité Value Them Both, 8,0 milhões e 7,39 milhões. Com os outros grupos, os dois lados somaram perto de 22 milhões em contribuições. Dentro da KCF, o porta a porta (mais de 285 mil) custou uma fração da televisão (mais de 6 milhões), e o grosso do orçamento foi para a publicidade paga.

Comunicação

A mensagem pedia ao eleitor que concordasse com algo que já pensava: o governo não deve decidir no lugar de uma mulher e do seu médico. Ninguém precisava de mudar de opinião sobre o aborto.

A fórmula da mensagem

  1. Partir de um valor do outro lado Liberdade, menos Estado, privacidade médica. Um anúncio de televisão juntava as palavras “government mandate” (imposição do governo) à fotografia de um aviso que pedia máscara aos clientes.
  2. Separar a opinião pessoal da lei Mostrar que se pode ter a própria visão sobre o aborto e, mesmo assim, proteger o direito de outra pessoa decidir.
  3. Mostrar a consequência A emenda abria caminho a uma proibição sem exceções garantidas para violação, incesto ou risco de vida. Apontar os estados vizinhos que já tinham proibido.
  4. Pôr mensageiros de confiança Um médico, um pastor, uma avó católica, uma mãe que fez um aborto para salvar a vida.
  5. Explicar o boletim O que diz a emenda, o que significa votar Sim, o que significa votar Não. Repetir até à véspera.
  6. Pedir o voto e um plano Data, local e o Não. Aos eleitores sem partido, lembrar que podem votar só na emenda.

Regras de mensagem

  • Uma mensagem para todos os públicos; mudam só o formato e o mensageiro.
  • Nada de linguagem partidária: nem cores, nem líderes de partido na linha da frente.
  • Fala de liberdade e de decisões médicas privadas; diz aborto quando o mensageiro tiver credibilidade para o dizer.
  • Não ataques quem tem dúvidas sobre o aborto: convida a separar a crença pessoal da lei.
  • Explica o boletim em todos os canais, até à véspera.
  • Usa os factos do adversário: a falta de exceções e as proibições dos estados vizinhos.
  • Identifica sempre quem paga cada peça, mesmo que a lei não o exija.

Exemplo de conversa (ilustrativo)

Boa tarde, sou o João, moro aqui no condado e sou voluntário pelo Não na emenda do dia 2. Posso perguntar-lhe o que pensa dela? [ouvir] Percebo, muita gente aqui tem convicções fortes sobre o aborto, e eu respeito. A pergunta do boletim é outra: se o governo pode decidir no lugar de uma mulher e do médico dela, mesmo em caso de violação ou de risco de vida. Votar Não mantém tudo como está hoje. Votar Sim deixa o parlamento proibir. Já sabe onde vai votar no dia 2?

Levar para o teu contexto

O que funciona em qualquer lado e o que dependia do Kansas de 2022.

O que funciona em qualquer lado e o que dependia do Kansas de 2022.

Funciona em qualquer lado

  • Fazer a conta do eleitorado: que blocos tens de somar e quais deles não são a tua base.
  • Encontrar o valor que o eleitor do outro lado já tem e ancorar a mensagem nele.
  • Ter uma mensagem para todos, com mensageiros diferentes para cada público.
  • Modelar a participação com pessimismo e planear para esse cenário.
  • Ter um núcleo que abastece a coligação com materiais e listas, e parceiros com autonomia para o seu público.
  • Explicar o boletim ou a pergunta tantas vezes quantas for preciso.
  • Ter estrutura pronta para o dia do choque: donativos, voluntariado e inscrição.

Depende do contexto

Votação marcada para umas primárias de baixa participação
Onde a data favorece o outro lado, o trabalho é trazer quem não costuma votar nesse dia. Onde a votação coincide com uma eleição geral, o desafio passa a ser persuadir quem já vai votar.
Proteger um direito que existe (votar Não)
Defender o que já existe tende a ser mais fácil do que criar um direito novo. O Michigan (2022, por quase 14 pontos) e o Ohio (2023, 56,78%) acrescentaram o direito à Constituição; no Ohio, a campanha do Sim falou de Estado limitado e de privacidade entre doente e médico, e o comité principal angariou 42,5 milhões de dólares.
Maioria simples
Com exigência de maioria qualificada a conta muda: na Florida, em 2024, o direito ao aborto teve cerca de 57% e não passou porque precisava de 60%. Planeia a meta que a lei exige.
Libertarismo do eleitor do Kansas
Liberdade e menos Estado resultaram num estado conservador. Noutro país o valor comum pode ser a saúde pública, a dignidade, a família ou a laicidade: só o estudo de opinião o diz.
Ficheiro de eleitores e partidos registados
Nos EUA é possível saber quem é republicano, democrata ou sem partido. Onde não há esse dado (como em Portugal ou no Brasil), segmenta por território, idade e histórico de votação público, sempre dentro da lei de proteção de dados.
Mensagens de texto em massa
O SMS resultou com listas legais nos EUA. Na UE e no Brasil, mensagem política só para quem consentiu; usa WhatsApp ou SMS com inscrição prévia.
Propaganda enganosa permitida
No Kansas, a lei não proibia mensagens enganosas sem assinatura. Onde há regras mais duras, apresenta queixa à autoridade eleitoral; onde não há, a defesa é ter explicado antes.

Praticar

ExercícioTreina com as missões e situações do caso.

Decidir como a direção

Seis momentos da campanha de 2022. Escolhe o que farias e vê o que aconteceu.

Plano em 5 fases

A sequência da campanha do Não, desde um ano antes até ao dia da votação, como lista de verificação.

A sequência da campanha do Não, desde um ano antes até ao dia da votação, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.

  1. Um ano antes

  2. Montar a máquina (6 a 3 meses antes)

  3. Persuadir (3 meses a 6 semanas antes)

  4. Reta final (6 semanas antes)

  5. Dia da votação e depois

Verificar

ExercícioCinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.

1. Qual era a mensagem central da Kansans for Constitutional Freedom?
2. Porque é que a campanha precisava de eleitores sem partido e de republicanos moderados?
3. Como trabalhou a KCF com os parceiros da coligação?
4. O que diz a análise da participação sobre quem foi votar?
5. Na véspera, mensagens anónimas diziam que votar Sim protegia a saúde das mulheres. O que reduziu o dano?

Limites e fontes

Regras

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha junto de eleitores de fora da base.

As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha junto de eleitores de fora da base.

Assinar tudo
Diz quem paga cada anúncio, mensagem ou folheto, mesmo onde a lei não o exige. No Kansas, a falta de assinatura deixou as mensagens da véspera sem autor visível.
Sem mensagens enganosas
Nunca imites a linguagem do adversário para confundir. Responde à desinformação com a explicação positiva.
Mensagens só com base legal
SMS e chamadas seguem a lei local: nos EUA, as regras da FCC; na UE e no Brasil, mensagem política só para quem consentiu, com saída fácil da lista.
Dados de opinião são sensíveis
Opinião política e dados de saúde são dados sensíveis segundo o RGPD e a LGPD. Guarda o mínimo, de forma agregada sempre que possível.
Donativos às claras
Declara todas as contribuições e confirma a origem. Em abril de 2025, o Kansas aprovou a HB 2106, que proíbe dinheiro de estrangeiros em campanhas sobre emendas; a KCF contestou-a num tribunal federal em maio.
Publicidade identificada
Na União Europeia, o Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo de patrocinador e aviso de transparência em cada anúncio político pago. Vê a ficha «Lei e plataformas na União Europeia» nos Fundamentos.
Respeito à porta
Quem diz Sim recebe um obrigado. A mensagem pede ao eleitor que separe a crença pessoal da lei, sem o julgar.
Segurança de voluntários e doentes
Porta a porta em pares, protocolo para situações de hostilidade e nada de expor doentes ou profissionais de clínicas sem consentimento.

Limites

O que este método não faz, e quando falha.
Não prova a causa
Dobbs, a redação confusa e a impopularidade de uma proibição total pesaram ao mesmo tempo. Nenhum dado isola o efeito do porta a porta ou da mensagem.
Não se fabrica um choque
Parte da vaga de 2022 veio de Dobbs, seis semanas antes. O método prepara a campanha para um choque, sem depender dele.
A mobilização de um dia não cria hábito
Mulheres, jovens e eleitores estreantes que a votação atraiu tenderam a abster-se em novembro de 2022, segundo Amos e Middlewood (2024).
Ganhar a votação não encerra a disputa
O parlamento manteve a maioria antiaborto; em 2025 aprovou a lei contra dinheiro estrangeiro em emendas; em 2026 levou a votos a eleição direta dos juízes do Supremo Tribunal, e 61,4% votaram Não. Em novembro de 2026, o Missouri vota a revogação da emenda de direitos reprodutivos aprovada em 2024.
O enquadramento não faz milagres
Entre 2022 e 2024 o lado dos direitos ganhou a maioria das votações, mas em 2024 perdeu no Dakota do Sul e no Nebraska e não chegou aos 60% exigidos na Florida (cerca de 57%).
Não foi uma campanha barata
A KCF declarou 11,47 milhões de dólares em contribuições, com grandes doadores nacionais; o porta a porta era barato, a escala de televisão não.
A neutralidade tem custos
O nome Constitutional Freedom era tão vago que alguns eleitores não sabiam de que lado estava a campanha; uma mensagem sem a palavra aborto exige outras vozes para não apagar o tema.

Fontes

Este playbook foi construído com entrevistas da direção da campanha e de parceiros da coligação, os resultados oficiais do secretário de…

Este playbook foi construído com entrevistas da direção da campanha e de parceiros da coligação, os resultados oficiais do secretário de Estado do Kansas, dados financeiros, análises da participação e reportagens publicadas entre agosto de 2022 e agosto de 2026. Todas as páginas foram consultadas a 27 de outubro de 2026.

32 fontes

Quem fez

Dados

Imprensa

Análise

Imagem: w_lemay, CC BY-SA 2.0, via Wikimedia Commons (adapted)

Atualizado a 27 de outubro de 2026

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