Visão geral
Em 30 segundos
Cerca de 55% de Não. Em 3 de novembro de 2026, o Missouri rejeitou a Emenda 3, que revogaria o direito ao aborto aprovado em 2024 com 51,6%.
A ACLU do Missouri foi à Justiça, e a corte de apelação reescreveu a cédula para começar por “Revogar a emenda aprovada pelos eleitores em 2024”.
A coalizão Stop the Ban falou de respeito ao voto e de decisões médicas privadas; o Sim concentrou os anúncios na proibição de cuidados para menores trans.
Mais de US$ 27 milhões arrecadados antes da eleição, quase 12 milhões da Fairness Project, contra pouco mais de 7 milhões do Sim.
Festas em casas desde 2025 e, segundo a campanha, mais de 50 mil portas batidas nas duas últimas semanas.
Os primeiros passos
- Reunir as organizações e os doadores da campanha anterior
- Convidar a organização do grupo usado como cunha para a coalizão
- Ler a redação oficial da cédula no dia em que sair
Se você é novo nisso, comece pelos fundamentos, da meta de votos ao que diz a pesquisa. Ler os fundamentos
Contexto e história
A história
Em novembro de 2024, 51,6% dos eleitores do Missouri puseram o direito ao aborto na Constituição.
Em novembro de 2024, 51,6% dos eleitores do Missouri puseram o direito ao aborto na Constituição. Em maio de 2025, a maioria republicana do Legislativo mandou de volta às urnas uma emenda que revogava esse voto, permitia o aborto em poucos casos e gravava na Constituição a proibição de cuidados de transição de gênero para menores. Em fevereiro de 2026, uma sondagem dava 47% ao Sim e 40% ao Não. Em novembro, o Não venceu com cerca de 55%.
- 55,5%
- de Não: 1.173.172 votos contra 941.065, apuração não oficial às 1h (MST) de 4 nov. 2026oficial Fonte
- US$ 27 mi
- arrecadados pelo Stop the Ban antes da eleição, segundo as prestações de contas da campanhaoficial Fonte
- 50 mil
- portas batidas nas duas últimas semanas, segundo a campanhadado da campanha Fonte
- 47% → 43%
- de apoio ao Sim nas sondagens SLU/YouGov de fevereiro (como publicado em março; o comunicado de setembro da SLU dá 50%) e agosto de 2026estudo Fonte
Do voto de 2024 à revogação rejeitada
- 5 nov. 202451,6% aprovam a Emenda 3 de 2024, que acaba com a quase proibição do aborto. A campanha do Sim arrecadou mais de US$ 31 milhões.
- Mai. 2025Em 14 de maio, o Legislativo aprova a resolução que leva a revogação às urnas de 2026. No mesmo mês, as organizações de 2024 formam a coalizão Stop the Ban.
- Jul. 2025A ACLU do Missouri e o escritório Stinson LLP processam o secretário de Estado: a redação da cédula não dizia que a emenda revogava o voto de 2024.
- 19 set. 2025O juiz Daniel Green, do condado de Cole, manda reescrever o resumo, mas rejeita o argumento de que juntar aborto e cuidados trans viola a regra do tema único.
- Out. 2025A Abortion Action Missouri faz mais de uma dúzia de festas em casas numa semana. A coalizão arrecada quase US$ 850 mil em sete dias.
- 4 dez. 2025A Corte de Apelações do Distrito Oeste considera insuficientes as redações do Legislativo e do secretário de Estado e escreve a sua: a cédula passa a abrir com “Revogar a emenda aprovada pelos eleitores em 2024”.
- Fev.–mai. 2026A sondagem SLU/YouGov dá 47% ao Sim e 40% ao Não. Em 27 de maio, o Stop the Ban faz o lançamento público, com um primeiro anúncio sobre o voto dos eleitores.
- Ago. 2026Em 4 de agosto, os eleitores rejeitam por 80% a 20% a Emenda 4, que dificultava as iniciativas populares. Nova sondagem SLU/YouGov: 43% Sim, 44% Não. Em 29 de agosto, começa o porta a porta.
- Set.–out. 2026Em 8 de setembro, entram no ar os anúncios “Ashley” e “Reasons”. Em meados de outubro, o Stop the Ban declara cerca de US$ 25,7 milhões e o Sim, centrado nos menores trans, cerca de 5,3 milhões; até a eleição, os totais passam de 27 e de 7 milhões.
- 3 nov. 2026A AP projeta a derrota da Emenda 3 às 22h18 (hora central), com o Não em 55,6%. O direito aprovado em 2024 continua na Constituição.
Três camadas
O Não teve três peças que se apoiaram: a coalizão que pagou a campanha, os advogados que mudaram a cédula e a rede que levou a conversa às casas e às portas.
- O núcleoA coalizão Stop the Ban, com um comitê executivo de organizações do Missouri e a Fairness Project, a única de fora do estado. Arrecadou, comprou TV e rádio e falou à imprensa por porta-vozes de várias organizações.
- A frente jurídicaA ACLU do Missouri e o escritório Stinson LLP, que contestaram a redação da cédula. Na apelação, a autora da iniciativa de 2024, a médica Anna Fitz-James, obteve a reescrita final.
- A redeFestas em casas da Abortion Action Missouri, voluntárias e voluntários do porta a porta, militantes da PROMO e as seções locais da League of Women Voters.
O que não se sabe. Os números são de um dia depois da votação e não são oficiais: a AP projetou o resultado com o Não em 55,6% (KCUR); a contagem às 1h (MST) de 4 de novembro dava 1.173.172 a 941.065, ou 55,5% (Boise State Public Radio); a Reason, com dados da Decision Desk HQ, deu 54,8%.
A certificação virá depois. As 50 mil portas são um número da campanha, sem auditoria, e a campanha não divulgou quantos voluntários teve, nem como dividiu os gastos. Os valores de arrecadação são leituras da imprensa das prestações de contas de outubro: a KCUR dava cerca de US$ 25,7 milhões em 18 de outubro, e relatórios posteriores passam de 27 milhões; os totais finais ainda não são públicos. A SLU publicou em março o resultado de fevereiro como 47% a 40%, mas o comunicado de setembro compara com 50% a 39% em fevereiro; este playbook usa o de março. Nenhum dado isola o efeito do processo judicial, dos anúncios ou do porta a porta, e o Não venceu numa noite de grandes vitórias democratas, em que, segundo a Boise State Public Radio, o partido conquistou a Câmara e o Senado dos Estados Unidos. Michael Bloomberg doou US$ 1,25 milhão ao Stop the Ban em agosto de 2026 (News Tribune); a Wikipedia lista ainda o sindicato SEIU Missouri/Kansas entre os opositores, mas não foi possível confirmar o seu papel nem valores. Não foi possível abrir diretamente as reportagens do Missouri Independent e da NPR; foram usadas as versões republicadas e outras fontes.
O resto da história
A votação foi ontem.
A votação foi ontem. Até 4 de novembro de 2026, nem o Stop the Ban nem as organizações da coalizão publicaram um balanço do que funcionou: há declarações da noite eleitoral, números não oficiais e os resultados das outras votações sobre aborto da mesma noite. Este caso será revisto à medida que quem dirigiu a campanha publicar o seu relato.
- Outra emenda sobre o poder dos eleitoresNa mesma cédula, a Emenda 6 (Respect Missouri Voters), levada às urnas por mais de 367 mil assinaturas, exige 80% do Legislativo para mudar o que foi aprovado por iniciativa popular, com nova votação depois. O governador fez campanha contra. Tarde da noite de terça, tinha cerca de 60%; não foi encontrada projeção final. Mother Jones, 3 nov. 2026; KRCU, 3 set. 2026
- O Sim promete continuarTom Estes, da Her Health, Her Future, disse que perderam uma batalha numa guerra. Na véspera, o governador Mike Kehoe tinha dito que a derrota seria “um dia triste para o Missouri”. Missouri Independent (via Yahoo News), 4 nov. 2026
- O objetivo declarado era a proibição totalNuma gravação de uma reunião em 3 de outubro, a diretora da Missouri Right to Life, Susan Klein, disse que as exceções não eram o que o movimento queria e que a emenda devolveria ao Legislativo o poder de proteger o feto desde a concepção. Mother Jones, 3 nov. 2026
- O acesso continua nos tribunaisDesde 2024, cinco clínicas da Planned Parenthood retomaram os abortos, mas dezenas de restrições continuam em disputa judicial à luz da emenda de 2024. Missouri Independent (via Yahoo News), 4 nov. 2026
- Os jovens trans continuam sob a lei de 2023A derrota da emenda impede que a proibição entre na Constituição, mas não a revoga: a das cirurgias é permanente e a de bloqueadores e hormônios expira em agosto de 2027. KCUR, 3 nov. 2026
- Idaho: a derrota da mesma noiteA Proposição 1, que criaria o direito ao aborto até a viabilidade num estado com proibição quase total, perdeu por 55,4% a 44,6% com cerca de 85% apurados (projeção da AP). A diretora da campanha, Melanie Folwell, falou numa perda “devastadora”; os dois lados arrecadaram perto de US$ 5 milhões cada. Idaho Statesman / East Idaho News e Boise State Public Radio, 4 nov. 2026
- Nevada: a segunda aprovaçãoA Pergunta 6 precisava de um segundo voto para entrar na Constituição; em 2024 teve 64,4%. Em 4 de novembro tinha cerca de 63% com 85% apurados, mas as fontes consultadas ainda não registravam projeção. Reason (via Yahoo News) e Boise State Public Radio, 4 nov. 2026
- Virgínia: emenda aprovadaA Pergunta 1, que protege as decisões reprodutivas na Constituição, passou com cerca de 62% a 38% (2,1 milhões a 1,3 milhão de votos, contagem não oficial). Boise State Public Radio e Reason, 4 nov. 2026
- Kansas 2022, para compararNo Kansas, o Não venceu com 59,16% numa primária de agosto, falando de liberdade sem interferência do governo e com cerca de US$ 11,5 milhões. No Missouri, a campanha defendeu um voto já dado, numa eleição geral, com mais do dobro do dinheiro, e corrigiu a cédula antes em vez de explicá-la depois em anúncios. Ver o playbook Kansas 2022 neste site.
O terreno
O que era específico do Missouri de 2026 e pode faltar em outro país.
O que era específico do Missouri de 2026 e pode faltar em outro país.
Plataformas
- Tribunais estaduais
- No Missouri, a cédula traz um resumo escrito pelo Legislativo ou pelo secretário de Estado, e qualquer cidadão pode contestá-lo na Justiça. Foi aí que a campanha começou, mais de um ano antes da votação.
- TV aberta e rádio
- Até meados de outubro, o Stop the Ban tinha gastado cerca de US$ 5,9 milhões em anúncios nos mercados de Kansas City, St. Louis, Springfield e Columbia, mais da metade do tempo de TV e rádio comprado por todas as campanhas de plebiscito.
- Festas em casas
- Encontros pequenos na casa de uma apoiadora, organizados pela Abortion Action Missouri desde outubro de 2025, para recrutar voluntários e manter a base de 2024 ativa.
- Porta a porta
- Começou em Columbia em 29 de agosto de 2026, com cerca de 20 voluntários, e chegou, segundo a campanha, a mais de 50 mil portas nas duas últimas semanas. O lado do Sim também bateu às portas, com jovens republicanos.
- YouTube
- Os anúncios de TV foram publicados também no YouTube. Não foi encontrada informação sobre gastos em anúncios digitais ou em outras redes.
- Endossos de organizações cívicas
- A League of Women Voters, apartidária, apoiou o Não pela estadual e por nove seções locais, de Joplin a St. Louis, com o argumento da defesa da iniciativa popular.
Condições locais
- Em novembro de 2024, 51,6% aprovaram a emenda que acabou com a proibição do aborto; o Missouri foi o primeiro estado a derrubar uma proibição nas urnas. A margem estreita alimentou o argumento republicano de que os eleitores não sabiam o que votavam.
- O Legislativo, de maioria republicana, levou a revogação às urnas por conta própria em maio de 2025, sem coleta de assinaturas. A emenda recebeu o mesmo número da de 2024: Emenda 3.
- Uma lei de 2025 deixou o secretário de Estado reescrever a redação da cédula até três vezes; a corte de apelação usou o próprio poder de reescrever para fechar a questão em dezembro de 2025.
- Os cuidados de transição de gênero para menores já estavam proibidos por uma lei de 2023: a cirurgia para sempre, os bloqueadores de puberdade e hormônios até agosto de 2027. Dois terços dos eleitores se opunham a esses cuidados, segundo a sondagem SLU/YouGov.
- O Legislativo já tinha revogado leis aprovadas por iniciativa popular, como a licença médica remunerada. Em agosto de 2026, os eleitores rejeitaram por 80% a 20% a Emenda 4, que dificultava as iniciativas populares.
- Dinheiro de fora do estado entrou legalmente na campanha: a Fairness Project, de Washington, deu quase US$ 12 milhões ao Não. Os dois lados se acusaram de depender de doadores externos ou de organizações que não revelam doadores.
- Era uma eleição geral de meio de mandato, com disputas para o Congresso na mesma cédula, e não uma votação isolada como a primária de agosto de 2022 no Kansas.
- Depois de 2024, o acesso ao aborto voltou só em parte: cinco clínicas da Planned Parenthood retomaram o serviço, e dezenas de restrições ainda eram disputadas nos tribunais.
Método e evidências
O método
O Não partiu de um voto já ganho em 2024.
O Não partiu de um voto já ganho em 2024. Tratou a emenda como uma tentativa dos políticos de anular esse voto, corrigiu na Justiça a forma como ela aparecia na cédula e reaproveitou a coalizão, os doadores e a base de 2024.
Três frentes
- Ganhar a cédula antes da campanha
- A ACLU processou o estado em julho de 2025. Em duas instâncias, a Justiça decidiu que o eleitor precisava ler que a emenda revogava o voto de 2024, e a cédula passou a abrir com a palavra “Revogar”. O pedido para separar aborto e cuidados trans foi rejeitado: a cunha ficou na cédula.
- Defender o voto, com uma pessoa no centro
- A mensagem foi que os políticos queriam anular a vontade do povo e pôr advogados e políticos nas decisões de saúde. O primeiro anúncio de setembro mostrava Ashley, que precisou de um aborto para sobreviver a uma complicação. O Sim falou sobretudo de menores trans; o Não manteve o foco no aborto e no voto, com a PROMO dentro da coalizão.
- Dinheiro cedo e gente nas portas
- A coalizão juntou os doadores de 2024 e passou de US$ 27 milhões, com mais da metade do tempo de TV comprado por campanhas de plebiscito. Em paralelo, festas em casas desde 2025 e porta a porta a partir de agosto de 2026.
O ciclo da campanha
O ciclo reconstruído a partir de reportagens e declarações dos porta-vozes. Onde nenhuma fonte descreve um passo, o texto diz que é sugestão do playbook.
- Reagrupar a coalizão Em maio de 2025, logo depois da votação no Legislativo, as organizações da campanha de 2024 formaram o Stop the Ban, agora com a PROMO, porque a emenda atingia também os jovens trans.
- Contestar a redação Processo contra a redação da cédula em julho de 2025, decisão em setembro, apelação e reescrita final em dezembro. A campanha soube com quase um ano de antecedência que palavras o eleitor ia ler.
- Recrutar em casas Festas em casas para reativar a base de 2024, com raiva e medo como emoções declaradas e o pedido de construir poder quarteirão por quarteirão.
- Lançar com o voto Lançamento público em maio de 2026, com um anúncio sobre o voto como algo sagrado e a acusação de que a emenda era um engodo.
- Ocupar a TV cedo Primeiros anúncios em 8 de setembro, quando a sondagem de agosto mostrava empate: uma história pessoal e um anúncio com três motivos para votar Não.
- Bater às portas Do primeiro sábado em Columbia, no fim de agosto, a mais de 50 mil portas nas duas últimas semanas, segundo a campanha. O pedido: o voto já foi dado em 2024.
- Responder ao meio-termo Quando o Sim apresentou a emenda como moderada, o Não respondeu que anular um voto não é moderado e que as exceções não funcionam na prática.
- Tirar o voto O plano de mobilização do dia não foi descrito pelas fontes. Sugestão do playbook: lembrar à base que o número da emenda era o mesmo de 2024 e que agora o voto certo era Não.
E recomeça.
Quem fez
Este playbook se apoia no que os próprios organizadores escreveram e disseram: sobretudo as declarações dos porta-vozes do Stop the Ban à…
Este playbook se apoia no que os próprios organizadores escreveram e disseram: sobretudo as declarações dos porta-vozes do Stop the Ban à imprensa do Missouri, os comunicados da ACLU do Missouri e da League of Women Voters e os registros públicos de financiamento. A votação foi ontem e ainda não há balanço interno publicado.
Stop the Ban Missouri (NO on 3)
Coalizão do Não à Emenda 3
Formada em maio de 2025 e lançada em público em 27 de maio de 2026 por Abortion Action Missouri, ACLU do Missouri, Action St. Louis Power Project, Beacon Reproductive Health Network, as duas filiais da Planned Parenthood, PROMO e Fairness Project.
FontesTori Schafer
Diretora de políticas e campanhas da ACLU do Missouri; porta-voz do Stop the Ban
A ACLU, com o escritório Stinson LLP, processou o estado em julho de 2025 pela redação da cédula; no dia da votação, ela relatou mais de 50 mil portas batidas em duas semanas.
FontesMallory Schwarz
Diretora executiva da Abortion Action Missouri; porta-voz do Stop the Ban
Organizou festas em casas pelo estado desde outubro de 2025 para fazer o movimento crescer “quarteirão por quarteirão” e respondeu em público ao argumento do “meio-termo”.
FontesMaggie Olivia
Diretora de políticas e relações externas da Abortion Action Missouri
Abriu o porta a porta em Columbia em 29 de agosto de 2026 e descreveu o pedido feito nas portas: lembrar que o eleitor já decidiu em 2024.
FontesShira Berkowitz
Diretora sênior de políticas públicas e advocacy da PROMO, organização LGBTQ do Missouri
Levou para dentro da coalizão a defesa dos jovens trans, alvo da segunda parte da emenda, e falou por eles na noite da vitória.
FontesTom Bastian
Porta-voz do Stop the Ban
Apresentou os primeiros anúncios de TV, “Ashley” e “Reasons”, em setembro de 2026, numa compra que descreveu como de sete dígitos.
FontesThe Fairness Project
Organização sem fins lucrativos de Washington que apoia campanhas de iniciativa popular
Deu quase US$ 12 milhões ao Stop the Ban até meados de outubro e era o único grupo de fora do estado no comitê executivo da coalizão.
FontesLeague of Women Voters of Missouri
Kay Park, presidente, e nove seções locais
Apoiou o Não em 3 de setembro de 2026 e ligou a Emenda 3 às tentativas do Legislativo de enfraquecer a iniciativa popular.
Fontes
Nas palavras de quem fez
Declarações de participantesO que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram.
O que organizadoras e organizadores disseram sobre as decisões que tomaram. Paráfrases, salvo indicação.
No lançamento: “os políticos estão fazendo jogos espertos e tentando confundir os eleitores do Missouri”, ao juntar dois temas separados numa só emenda.
Tori Schafer, ACLU do Missouri e Stop the Ban, KCUR, lançamento do Stop the Ban, 27 mai. 2026
As festas em casas, mais de uma dúzia numa só semana, serviam para fazer o movimento pelo direito ao aborto crescer quarteirão por quarteirão.
Mallory Schwarz, Abortion Action Missouri, KCUR, Campaign to defeat Missouri abortion ban amendment is ready to go “block by block”, 2 out. 2025
“Eles contam com o nosso cansaço e com a nossa desistência.”
Jess Dewes, voluntária da Abortion Action Missouri, KCUR, 2 out. 2025
Nas portas, o pedido era votar Não para impedir que políticos anulassem a vontade do povo, lembrando que o aborto já tinha sido decidido nas urnas em 2024. Os voluntários chegavam nervosos, mas as conversas costumavam correr melhor do que esperavam.
Maggie Olivia, Abortion Action Missouri, KOMU, primeiro porta a porta em Columbia, 29 ago. 2026
Mais 6 citações
Não revelou o valor exato da primeira compra de TV, com os anúncios “Ashley” e “Reasons” em todo o estado, mas disse que era de sete dígitos.
Tom Bastian, Stop the Ban, The Kansas City Star (via Yahoo News), 8 set. 2026
Contra o argumento do Sim de que a emenda era moderada: “anular a vontade do povo não é meio-termo”. Acrescentou que as exceções não funcionam na prática, porque o texto não diz como alguém chegaria a tempo ao atendimento.
Mallory Schwarz, Abortion Action Missouri e Stop the Ban, St. Louis Public Radio, 23 out. 2026
Os eleitores sentem que a questão já foi resolvida e não querem que políticos passem por cima da vontade do povo.
Emily Wales, porta-voz do Stop the Ban, KY3, 4 nov. 2026
Os voluntários da coalizão bateram em mais de 50 mil portas nas duas últimas semanas (número da campanha).
Tori Schafer, Stop the Ban, KOMU, cobertura ao vivo da eleição, 3 nov. 2026
Os políticos fizeram uma campanha inteira para dividir os eleitores, atacar o aborto e anular o voto de 2024; a resposta veio do “Show Me State”.
Mallory Schwarz, na festa da apuração, KMOX, 4 nov. 2026
A emenda tentou desumanizar crianças trans, e os eleitores do Missouri disseram a esses jovens que eles pertencem ao estado.
Shira Berkowitz, PROMO, Missouri Independent (via Yahoo News), 4 nov. 2026
Materiais e exercícios
Jogadas para levar
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.
Escolha as jogadas que servem ao seu contexto e adicione-as ao seu kit.
-
Disputar a redação da cédula na Justiça
Contestar a tempo uma pergunta que esconde o que o voto faz. No Missouri, a ACLU processou o estado e, depois de duas instâncias, a cédula passou a abrir com “Revogar a emenda aprovada pelos eleitores em 2024”.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a lei permite contestar a redação oficial e há tempo para recorrer antes de imprimir as cédulas.
- Não use quando
- Não funciona sem advogados e prazos claros, nem separa temas que a Justiça considere ligados: a cunha trans continuou na cédula.
- Semana −70 Ler a redação oficial no dia em que for publicada
- Semana −68 Montar a equipe jurídica com advogados locais e um escritório parceiro
- Semana −66 Entrar com a ação dentro do prazo legal, com a redação alternativa pronta
- Semana −50 Recorrer se a nova redação ainda esconder o efeito do voto
- Semana −40 Pôr a frase final da cédula em todos os materiais da campanha
Equipe
- Advogados: leem a redação, entram com a ação e recorrem
- Porta-voz jurídico: explica a decisão à imprensa em uma frase
- Comunicação: leva a frase final da cédula aos materiais
O que medir: Materiais impressos e roteiros de porta a porta que trazem a frase exata da cédula, em proporção a todos os materiais distribuídos.
Riscos a vigiar: Perder na Justiça vira manchete do adversário: prepare desde o início um plano para explicar a pergunta em uma frase, ganhe ou perca.
-
Defender o voto já dado
Apresentar a revogação como políticos anulando a decisão dos eleitores. No Missouri, o Stop the Ban repetiu que a emenda “anula a vontade do povo” em anúncios, portas e entrevistas, e o Não ganhou com cerca de 55%, mais do que os 51,6% de 2024.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando já houve uma votação popular recente e o adversário tenta revertê-la por outra via.
- Não use quando
- Não serve quando não há voto anterior a defender, como em Idaho, onde a campanha tinha de ganhar a maioria do zero e perdeu.
- Semana −40 Reunir os números e as datas do voto anterior num folheto de uma página
- Semana −23 Gravar o anúncio de lançamento sobre o respeito ao voto
- Semana −12 Treinar porta-vozes para responder ao “meio-termo” com o que muda na prática
- Semana −9 Buscar o apoio de organizações cívicas que defendem o voto popular
- Semana −1 Repetir a mesma frase em TV, portas e entrevistas até o dia da votação
Equipe
- Mensagem: fixa a frase e cuida para que todos a usem
- Porta-vozes de várias organizações: repetem a mesma linha para públicos diferentes
- Aliados cívicos: falam do voto, não do tema
O que medir: Eleitores contatados na porta que dizem ter votado na consulta anterior e se comprometem a votar contra a revogação.
Riscos a vigiar: Falar só de processo pode apagar as pessoas afetadas: junte a frase sobre o voto a uma história verdadeira e consentida.
-
Festas em casa antes das portas
Encontros pequenos na casa de apoiadores para reativar a base da campanha anterior e recrutar voluntários. A Abortion Action Missouri fez mais de uma dúzia numa só semana, um ano antes da votação.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a base existe, mas está cansada ou dispersa, e há tempo para crescer antes da reta final.
- Não use quando
- Não substitui o porta a porta nem chega a quem ainda não é apoiador: é recrutamento, não persuasão.
- Semana −56 Pedir a dez apoiadores que recebam cada um oito a quinze pessoas em casa
- Semana −55 Preparar um roteiro de 45 minutos: o que está em jogo, o plano, o pedido
- Semana −54 Fazer as primeiras festas e inscrever cada convidado numa tarefa
- Semana −50 Pedir a cada convidado que receba a próxima festa
- Semana −10 Converter os inscritos em turnos de porta a porta
Equipe
- Anfitriã ou anfitrião: abre a casa e convida vizinhos
- Organizadora: conduz o roteiro e faz o pedido
- Registro: anota inscrições e tarefas na mesma noite
O que medir: Convidados que, no fim da festa, assumem uma tarefa com data (turno de portas, próxima festa ou doação).
Riscos a vigiar: Uma festa em casa expõe a anfitriã: confirme o consentimento para usar nome e endereço, não publique a lista de convidados e guarde os dados com cuidado.
-
Coalizão que inclui o alvo da cunha
Quando o adversário usa um grupo vulnerável como cunha para dividir o eleitorado, esse grupo entra na coalizão com voz própria. No Missouri, a PROMO entrou no Stop the Ban; o Sim fez campanha sobre menores trans e o Não manteve o foco no voto e no aborto.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a cunha é um tema já resolvido por lei ou um grupo pequeno, e a maioria pode ser lembrada do tema principal.
- Não use quando
- Não funciona se a coalizão esconde o grupo visado para ganhar votos: perde a confiança dele e deixa a acusação sem resposta.
- Semana −70 Convidar a organização do grupo visado para o comitê da coalizão
- Semana −40 Combinar juntos a resposta curta à cunha, com os fatos da lei em vigor
- Semana −12 Treinar voluntários para responder sem mudar de assunto nem fugir dele
- Semana −4 Dar ao grupo visado um porta-voz próprio na imprensa
- Semana do dia D Agradecer em público ao grupo visado na noite da votação
Equipe
- Organização do grupo visado: fala por si e revê os materiais
- Mensagem: escreve a resposta curta à cunha
- Treino: prepara os voluntários para a pergunta difícil
O que medir: Voluntários treinados na resposta à cunha que fizeram pelo menos um turno de porta a porta.
Riscos a vigiar: Expor jovens ou pessoas vulneráveis atrai assédio: nunca mostre menores, fale por meio de adultos e famílias que consentem e tenha um protocolo de proteção.
-
Portas na reta final, com a frase da cédula
Concentrar voluntários nas últimas semanas com um pedido simples: você já votou nisto, e agora o voto certo é Não. Segundo a campanha, foram mais de 50 mil portas nas duas últimas semanas.
Como montar, passo a passo
- Funciona quando
- Funciona quando a base já foi recrutada e há uma frase clara para repetir.
- Não use quando
- Não funciona com listas sem segmentação nem sem treino: discutir aborto ou cuidados trans na porta consome o tempo dos indecisos.
- Semana −10 Fazer o primeiro turno de porta a porta numa cidade universitária
- Semana −9 Treinar cada voluntário no pedido de uma frase e na resposta à cunha
- Semana −8 Montar turnos em duplas nos fins de semana
- Semana −2 Dobrar os turnos nas duas últimas semanas
- Semana −2 Contar as portas da noite e ajustar os bairros
- Semana do dia D Lembrar que o número da emenda é o mesmo e o voto agora é Não
Equipe
- Coordenação de campo: distribui turnos e bairros
- Líder de turno: treina antes de sair e junta as folhas
- Dados: soma as portas da noite
O que medir: Portas abertas por noite e por bairro, registradas na folha, separando quem votou em 2024.
Riscos a vigiar: Números de portas inflados enganam a direção: conte só portas registradas na folha e diga em público que é um número da campanha.
Toolkit
O que o Stop the Ban montou, organizado para você copiar.
O que o Stop the Ban montou, organizado para você copiar. Serve para defender uma lei ou um direito ganho em votação popular contra quem quer revogá-lo.
Escolha o seu país para ver as ferramentas equivalentes e os pontos legais a confirmar.
Operação
A campanha ainda não publicou organograma nem balanço. O que segue junta o que foi relatado e marca como sugestão o que não foi.
Equipe mínima
- Comitê executivo da coalizão
- Organizações do estado e um financiador nacional decidem juntas. No Missouri, a Fairness Project era o único membro de fora do estado; as organizações locais lideravam o trabalho no terreno.
- Frente jurídica
- Advogados que leem cada palavra da cédula e contestam a redação a tempo. Aqui, a ACLU do Missouri com o escritório Stinson LLP, e a autora da iniciativa de 2024 na apelação.
- Porta-vozes de várias organizações
- ACLU, Abortion Action Missouri, Planned Parenthood e PROMO falaram com a mesma mensagem, cada uma para o seu público, e a PROMO falou pelos jovens trans. Sugestão do playbook: ter sempre essa voz ao lado de quem fala de aborto.
- Organização de base
- Festas em casas, recrutamento e porta a porta, a cargo da Abortion Action Missouri e das organizações-membro.
- Mídia paga
- TV e rádio em quatro mercados, com anúncios publicados também no YouTube. A agência e o plano de mídia não foram divulgados.
- Arrecadação e prestação de contas
- Relatórios à Missouri Ethics Commission nos prazos legais. Milhares de pequenas doações (abaixo de US$ 5 mil) somaram-se aos grandes cheques nacionais.
- Aliados cívicos
- Organizações apartidárias, como a League of Women Voters, que apoiam o Não pela defesa do voto e não pelo tema da emenda.
Ritmo semanal e diário
- Um ano antesFestas em casas: mais de uma dúzia numa só semana em outubro de 2025, cada uma com recrutamento de voluntários.
- Fins de semana desde o fim de agostoPorta a porta a partir de um sábado em Columbia, com cerca de 20 voluntários no primeiro dia.
- Desde 8 de setembroAnúncios no ar em todo o estado, numa compra de sete dígitos.
- Prazos de prestação de contasCada relatório virou notícia: os dois lados usaram os números de meados de outubro para falar de força e de dinheiro de fora.
- Últimas duas semanasMais de 50 mil portas, segundo a campanha.
- Noite da eleiçãoFesta da apuração, com oradores das organizações da coalizão.
A campanha não divulgou o ritmo interno de reuniões. Sugestão do playbook: uma reunião semanal do comitê executivo com os porta-vozes, para alinhar a resposta ao anúncio da semana do adversário.
Plano B
- Litígio em duas instâncias: quando a primeira reescrita do resumo ainda não bastava, a autora da iniciativa de 2024 recorreu e a corte de apelação escreveu o texto final.
- Vários porta-vozes de organizações diferentes, para que a campanha não dependa de uma só voz nem de uma só marca.
- Avisar a base para não usar o material antigo de “Sim na 3” de 2024, já que a nova emenda tinha o mesmo número.
- Dinheiro de pequenos doadores do estado ao lado dos grandes cheques, para responder à acusação de dinheiro de fora.
- Sugestão do playbook: um plano para o caso de a Justiça não mudar a cédula, com materiais que expliquem em uma frase o que um voto Sim faz.
Tecnologia
A tecnologia da campanha quase não foi descrita. O que se sabe é que o grosso do dinheiro foi para a TV e que o contato direto se fez em casas e portas.
- Site da campanha (stopthebanmo.com)Não divulgado
Página do NO on 3 com o pedido de voto e o caminho para doar e se inscrever. O conteúdo exato não pôde ser lido.
- Anúncios de TV e rádio≈ US$ 5,9 milhões até meados de outubro
Cerca de US$ 5,9 milhões até meados de outubro em Kansas City, St. Louis, Springfield e Columbia; mais da metade do tempo de TV e rádio comprado pelas campanhas de plebiscito.
- Vídeos no YouTubeGrátis para publicar
Os anúncios “Ashley” e “Reasons” publicados também no YouTube, para compartilhamento pela base.
- Festas em casasQuase nenhum
Encontros na casa de apoiadoras para recrutar voluntários e doadores. Bastam uma lista de convidados, um roteiro e uma folha de inscrição.
- Porta a portaNão divulgado
Voluntários em duplas ou grupos, com um pedido simples. As ferramentas usadas (aplicativo, listas) não foram divulgadas.
- Doações onlineComissões das plataformas
Milhares de pequenas doações, declaradas à Missouri Ethics Commission junto com os grandes cheques de organizações.
- Registros públicos de financiamentoGrátis
Os relatórios do adversário à Missouri Ethics Commission mostram quanto ele arrecada e gasta em anúncios; a imprensa os usou para comparar as campanhas.
Colunas sugeridas para a folha do porta a porta
Data · Bairro ou setor · Portas batidas · Portas abertas · Votou em 2024 (sim/não/não diz) · Não à Emenda 3 · Sim · Indeciso · Preocupação ouvida (aborto, menores trans, outra) · Sabe que o número é o mesmo de 2024 · Quem registrou
O Stop the Ban declarou mais de US$ 27 milhões antes da eleição, quase 12 milhões da Fairness Project, e gastou cerca de 5,9 milhões em TV e rádio até meados de outubro. O Sim declarou pouco mais de 7 milhões no total. A divisão dos gastos do Não entre mídia, terreno e equipe não é pública. As colunas da folha acima são sugestão do playbook.
Comunicação
A campanha falou de respeito ao voto e de decisões médicas que cabem às mulheres, às famílias e aos médicos. O adversário quis falar de menores trans; o Não manteve o foco no voto e no aborto, e a PROMO falou pelos jovens trans.
A fórmula de uma conversa na porta
- Apresentar-se Nome, de onde você é, que é voluntário do NO on 3. Os voluntários chegavam nervosos e se surpreendiam com a recepção.
- Lembrar o voto de 2024 “Já decidimos isto nas urnas em 2024”, o pedido descrito pela Abortion Action Missouri.
- Dizer o que a cédula diz A emenda começa por “Revogar a emenda aprovada pelos eleitores em 2024”. Sugestão do playbook: mostrar a frase impressa.
- Ouvir O que a pessoa pensa e o que a preocupa. Sugestão do playbook: se a dúvida for sobre menores trans, responder com calma que esses cuidados já são proibidos por lei no estado.
- Pedir Não na Emenda 3, para impedir que políticos anulem a vontade do povo.
- Registrar Na folha, logo depois: resposta, preocupação ouvida e se a pessoa sabe que o número é o mesmo de 2024.
Regras de mensagem
- Fale do voto já dado: a pergunta para o eleitor é se aceita que os políticos anulem a decisão dos eleitores.
- Use as palavras da cédula: o eleitor vai ler “Revogar”.
- Ponha uma pessoa no centro. O primeiro anúncio foi a história de Ashley, que precisou de um aborto para sobreviver.
- Responda ao “meio-termo” com o que muda na prática: exceções sem caminho para o atendimento não protegem ninguém.
- Não entregue o grupo que o adversário usa como cunha. A PROMO estava na coalizão e falou pelos jovens trans.
- Avise que o número se repete: quem votou Sim na 3 em 2024 agora vota Não na 3.
- Diga quem paga e mostre os pequenos doadores do estado ao lado dos grandes cheques.
Exemplo de conversa
Boa tarde, eu sou a Júlia, moro aqui perto e sou voluntária do NO on 3. A senhora votou em 2024? [ouvir] Então já decidiu isto uma vez. Agora os políticos querem anular aquele voto: a própria cédula começa por “Revogar a emenda aprovada pelos eleitores em 2024”. O número é o mesmo, Emenda 3, mas desta vez o voto para manter o que a senhora aprovou é Não. Se ficar alguma dúvida, deixo este folheto. Posso contar com o seu Não no dia 3?
Levar para o seu contexto
O que funciona em qualquer lugar e o que dependia do Missouri de 2026.
O que funciona em qualquer lugar e o que dependia do Missouri de 2026.
Funciona em qualquer lugar
- Ler a redação oficial da pergunta assim que ela for publicada e contestá-la a tempo quando esconder o que está em jogo.
- Tratar a defesa de uma conquista como defesa do voto de quem a aprovou, e não só da causa.
- Reagrupar cedo a coalizão e os doadores da campanha anterior, antes de o adversário marcar o debate.
- Pôr uma pessoa com uma história verdadeira no centro do primeiro anúncio.
- Manter dentro da coalizão o grupo que o adversário usa como cunha, com voz própria.
- Recrutar em encontros pequenos e presenciais muito antes de começar o porta a porta.
- Prestar contas e mostrar os pequenos doadores locais ao lado dos grandes financiadores.
Depende do contexto
- Resumo da cédula escrito pelo governo
- Onde a pergunta é fixada por uma autoridade eleitoral ou pelo parlamento, leve o caso a ela ou ao tribunal constitucional dentro do prazo; onde não há recurso, explique a pergunta em uma frase em todos os materiais.
- Emenda referida pelo Legislativo
- Onde não há plebiscito, a mesma lógica serve contra a revogação parlamentar de uma lei popular: defender o voto, reunir quem assinou ou votou e pressionar deputado por deputado.
- Cunha contra pessoas trans
- Em outro país a cunha pode ser imigrantes, uma minoria religiosa ou étnica. Mantenha o grupo visado na coalizão e responda com fatos sobre a lei em vigor, sem deixar o adversário escolher o tema.
- TV aberta como canal principal
- Onde a TV política paga é proibida ou cara demais, o mesmo anúncio vira vídeo curto para redes e grupos de mensagens, e o dinheiro vai para o porta a porta.
- Dinheiro de fora do estado sem limite
- Onde a lei proíbe doações estrangeiras ou de fora da região (o Kansas proibiu dinheiro estrangeiro em campanhas de emendas em 2025), a campanha precisa de doadores locais desde o primeiro dia.
- Votação junto com a eleição geral
- Numa votação isolada, como a primária de agosto de 2022 no Kansas, o esforço de mobilização pesa mais; numa eleição geral, a disputa é por atenção.
Praticar
ExercícioTreine com as missões e situações do caso.
Decida como a coalizão
Seis momentos da campanha de 2025 e 2026. Escolha o que faria e veja o que aconteceu.
Plano em 5 fases
A sequência do Stop the Ban, do voto no Legislativo até o dia, como lista de verificação.
A sequência do Stop the Ban, do voto no Legislativo até o dia, como lista de verificação. O progresso fica guardado neste navegador.
Logo depois da ameaça (18 meses antes)
Construir a base (um ano antes)
Lançar (seis meses antes)
Persuadir (últimos dois meses)
Reta final e dia da votação
Verificar
ExercícioCinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Cinco perguntas, com a explicação depois de cada resposta.
Limites e fontes
Regras
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha.
As regras abaixo protegem a credibilidade da campanha.
- Contestar pela via legal
- Redação de cédula se contesta nos tribunais e nos prazos previstos, com advogados. Nada de campanhas para confundir o eleitor sobre o que o voto faz.
- Doações às claras
- Declare cada doação nos prazos. No Missouri, os relatórios à Missouri Ethics Commission foram públicos e viraram notícia; dinheiro de organizações que não revelam doadores é alvo fácil.
- Publicidade identificada
- Diga quem paga cada anúncio, na TV e nas redes. Na União Europeia, o Regulamento (UE) 2024/900 exige rótulo e aviso de transparência em cada anúncio político pago; noutros países, vale a lei eleitoral local.
- Proteja quem conta a sua história
- Consentimento informado, preparação para a mídia e acompanhamento depois, como no anúncio de Ashley. A pessoa pode desistir a qualquer momento.
- Não exponha menores
- Quando o tema envolve crianças e adolescentes trans, fale por meio de adultos e famílias que consentem. Nunca mostre menores em anúncios ou redes.
- Fatos com fonte
- As exceções, os prazos e o que a lei já proíbe devem ser ditos como estão no texto. Exagerar o que o adversário propõe dá a ele o argumento da desinformação.
- Respeito à porta
- Quem diz Não recebe um obrigado. Ninguém discute aborto ou identidade de gênero à porta de quem já decidiu.
- Segurança de quem vai às portas
- Ir em dupla, ter um contato de referência e um protocolo para abuso. O adversário também fazia porta a porta nos mesmos bairros.
- Dados do porta a porta
- Opinião sobre aborto e identidade de gênero é dado sensível. Registre de forma agregada e guarde só o necessário.
- Lei local
- Prazos para contestar a cédula, regras de doação e limites a dinheiro de fora mudam de estado para estado e de país para país. Confirme com um advogado antes de começar.
Limites
O que este método não faz, e quando falha.
- Não prova a causa
- O Não venceu numa noite boa para os democratas em todo o país, com quase quatro vezes mais dinheiro que o Sim. Nenhum dado isola o efeito do processo judicial, dos anúncios ou das portas.
- Não tira a cunha da cédula
- A Justiça mudou a redação, mas rejeitou separar aborto e cuidados trans. A coalizão teve de vencer com a cunha lá dentro.
- Não protege quem foi usado como cunha
- A derrota da emenda não muda a lei de 2023: a proibição de cirurgias para menores continua, e a de bloqueadores e hormônios vale até agosto de 2027, a menos que o Legislativo a prolongue.
- Não acaba com a disputa
- O comitê do Sim disse que perdeu uma batalha numa guerra, e a diretora da Missouri Right to Life já tinha dito que o objetivo continua a ser a proibição total. O acesso ao aborto ainda depende de processos sobre dezenas de restrições.
- Custa caro e vem de fora
- Mais de US$ 27 milhões, quase 12 milhões de uma só organização de Washington. Isso deu ao Sim o argumento do dinheiro de fora, e é difícil repetir sem financiadores nacionais.
- Defender não é conquistar
- Na mesma noite, em Idaho, onde a proibição está em vigor e era preciso ganhar a maioria do zero, a iniciativa pelo direito ao aborto perdeu por cerca de 56% a 44%.
- Números de terreno sem auditoria
- As 50 mil portas são um número da campanha. Não se sabe quantos voluntários houve, quantas conversas foram completas nem quem foi contatado.
Fontes
Este playbook foi construído com declarações dos porta-vozes do Stop the Ban, comunicados da ACLU do Missouri e da League of Women Voters,…
Este playbook foi construído com declarações dos porta-vozes do Stop the Ban, comunicados da ACLU do Missouri e da League of Women Voters, decisões judiciais relatadas pela imprensa, sondagens da Saint Louis University e reportagens publicadas entre setembro de 2025 e 4 de novembro de 2026. Todas as páginas foram consultadas em 4 de novembro de 2026.
33 fontes
Quem fez
- KCUR: Missouri abortion-rights coalition launches campaign against Amendment 3 27 mai. 2026
- KCUR: Campaign to defeat Missouri abortion ban amendment is ready to go 'block by block' 2 out. 2025
- KOMU: "This feels familiar because it is": Stop the Ban MO begins door-to-door talks 29 ago. 2026
- The Kansas City Star (via Yahoo News): Missouri abortion rights groups launch first TV ads to halt proposed ban in November 8 set. 2026
- ACLU of Missouri: Appellate Court Rules Ballot Language for Anti-Abortion Measure Insufficient; Issues New Language 4 dez. 2025
- League of Women Voters of Missouri: League of Women Voters of Missouri Endorses NO on Amendment 3 to Protect the Will of Voters 3 set. 2026
- St. Louis Public Radio: Backers pitch Amendment 3 as 'middle of the road' abortion ban, opponents say it disrespects voters 23 out. 2026
- KOMU: Missouri November 2026 midterm election: Live updates 3 nov. 2026
- KMOX: Missouri voters reject amendment 3, protect abortion rights again 4 nov. 2026
Dados
- Boise State Public Radio: Abortion measure in Idaho defeated as Nevada tally drags on 4 nov. 2026
- Reason (via Yahoo News): Elizabeth Nolan Brown, resultados das votações de 2026 sobre aborto e centros de dados 4 nov. 2026
- Las Vegas Review-Journal (AP): Nevada passes abortion rights protection measure (resultado de 2024) nov. 2024
- Saint Louis University: SLU/YouGov Poll: Proposed Abortion Amendment Leads by 7 Points 17 mar. 2026
- Saint Louis University: SLU/YouGov Poll, agosto de 2026 set. 2026
- Wikipedia: 2026 Missouri Amendment 3
Imprensa
- Missouri Independent (via Yahoo News): Missouri voters reject Amendment 3, preserving abortion rights approved in 2024 4 nov. 2026
- KCUR: Missourians reject Amendment 3, keeping abortion legal in the state 3 nov. 2026
- St. Louis Public Radio: Missourians reject Amendment 3, keeping abortion legal in the state 3 nov. 2026
- KY3: Missouri voters reject Amendment 3, upholding reproductive rights and blocking proposed constitutional bans 4 nov. 2026
- KCTV5: Missouri voters say no to abortion amendment 4 nov. 2026
- Mother Jones: Missouri Defeats an Abortion Ban at the Ballot Box—Again 3 nov. 2026
- KCUR: New Missouri anti-abortion nonprofit pours $2.9 million into Amendment 3 campaign 18 out. 2026
- KCUR: Missouri ballot measure to overturn abortion rights gets a rewrite from appeals court judges 4 dez. 2025
- Missouri Lawyers Media: Missouri judge rejects abortion ballot summary 22 set. 2025
- KCUR Up To Date: Missouri could vote to ban abortion again in the midterms 24 set. 2026
- ABC17 News: Abortion rights advocates campaign against Amendment 3 3 nov. 2026
- KCTV5: Missouri voters reject Amendment 4, would have made it harder to pass constitutional amendments 5 ago. 2026
- Missouri Independent: Missouri voters reject income tax phaseout, initiative petition changes 4 ago. 2026
- KCTV5: Missouri voters to decide whether to make it harder to overturn citizen-passed laws 26 out. 2026
- KRCU: Missouri Supreme Court puts Respect Missouri Voters plan on November ballot 3 set. 2026
- East Idaho News / Idaho Statesman: Idaho's Prop 1 on abortion access falls by wide margin 4 nov. 2026
- News Tribune: Bloomberg gives $1.25M to Missouri abortion rights campaign 9 ago. 2026
Análise
- KBIA: Poll suggests anti-trans care sentiments could sway abortion ban vote in November 19 mar. 2026
Imagem: Antony-22, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons (adapted)
Atualizado em 4 de novembro de 2026
Usar este caso
O texto está em Creative Commons BY 4.0: você pode usar, adaptar e compartilhar, em uma aula, um artigo ou uma formação, desde que cite a fonte.
Mendonça, V. (2026). Missouri 2026: como o Não barrou a revogação do aborto. DIY for Change. https://janonismo.com/pt-br/playbooks/missouri-amendment-3-2026/ (atualizado em 4 de novembro de 2026). CC BY 4.0.
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Casos relacionados
Glossário: Porta a porta (canvassing)



